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Classificação de terras para irrigação é um processo de natureza dinâmica, portanto, passível de atualizações periódicas que permitam a incorporação de avanços tecnológicos, a adoção de novos conceitos do ponto de vista ambiental e a otimização do uso dos recursos de água e solo.
Tipologia: Notas de estudo
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Fernando Cezar Saraiva Amaral Francisco Bezerra Siqueira
Foram abordadas nesta metodologia as principais culturas perenes exploradas nos perímetros irrigados do semi-árido brasileiro, dando-se preferência àquelas que possuíam informações edafológicas e econômicas em qualidade e quantidade suficientes, que embasassem esse trabalho com a segurança aceitável. Por estar se confirmando cada vez mais como aptidão para exploração no semi-árido, como agricultura irrigada, o cultivo de espécies perenes, destacadamente a fruticultura, esta permitiu u’a maior riqueza na obten- ção de informações de campo.
Dentre as culturas atualmente exploradas nos perímetros irrigados do semi-árido, a manga é uma das mais lucrativas. Permite duas colheitas por ano com a utilização de indutores florais. Hoje, nos melhores ambientes, considerando água e solo sem limita- ções e sob irrigação localizada e bom manejo: fertirrigação, podas, controles sanitários, mudas de boa qualidade e variedades produtivas, a produtividade tem oscilado em torno de 45 t ha -1^ ano -1, com duas colheitas.
A influência do tipo de irrigação utilizado na produção da manga é muito importan- te. Desta forma, foi constatado nas averiguações de campo que em situações semelhan- tes em relação ao tipo de solo, manejo e variedade, diferindo apenas o sistema de irrigação, se obtém na irrigação localizada uma produtividade que em muitas vezes representa o dobro da produtividade obtida com irrigação por superfície, geralmente a modalidade sulco (Figuras 1 e 2).
Uma das principais causas dessa diferença é que na irrigação por superfície, devido à baixíssima frequência de reposição hídrica observada nos perímetros, essa prática acaba conduzindo a uma superdosagem da lâmina de água nos dias de reposição, seguida de déficit hídrico por aumento do turno de rega. Como o custo da água mais energia têm maior participação na irrigação por superfície, o agricultor, já apertado pela baixa margem, irriga em excesso apenas uma vez por semana. Com isso, a planta fica um pequeno período em ambiente saturado e no restante do período, em estresse hídrico. O impacto na produtivida- de dessa flutuação do teor de água no solo é evidente. (vide item 2.3 Conceitos do SiBCTI).
No tocante a resistência à salinidade no solo, entre as espécies cultivadas costumeiramente nos perímetros, pode ser considerada com uma das mais resistentes. Obteve-se constatações no Perímetro Nilo Coelho, Estado de Pernambuco, de talhões posicionados próximos da drenagem principal, com valores de condutivi- dade elétrica da ordem de 8,2 dS m - (^1) no poço de observação do lençol
freático a uma altura aproximada de 70 cm (Figura 3) correspondendo a uma condutividade no extrato de sa- turação do solo, coletado no mesmo ponto, igual a 4,5 dS m-^.
Figura 3 - Plantas adultas de mangueira na parte baixa da paisagem com necrose marginal das folhas indicando neste ponto o impacto da salinidade no solo.
Confrontando a isto, a condutividade no solo na parte alta do talhão (sem problema de salinização) girava em torno de 0,5 dS m -1^. Desta forma, foram encontrados valores de que- da de 50% na produção em condições de salinidade no solo da ordem de 4 a 5 dS m-1^ , enquanto autores como Ayers & Westcot (1999) e Maas (1990), encontraram o mesmo impacto na produção com condutividades elétricas no extrato de saturação variando de
Figuras 1 e 2 - manga irrigada por sulco com baixa produtividade.
Figuras 6 e 7 - Mangueiras de produtividade mediana cultivadas emintergrade para Vertissolo (Períme- tro Mandacaru – Estado da Bahia) e em Luvissolo (Perímetro Cruz das Almas – Casa Nova/BA).
Com relação à profundidade do solo, entre as perenes, é uma das mais exigentes e não poderia deixar de ser, uma vez que em condições naturais é uma árvore frondosa com o sistema radicular atingindo grandes profundidades quando não encontra barreiras ao crescimento.
Um exemplo bastante elucidativo desta influência é a toposseqüência registrada no Perímetro Nilo Coelho (Estado de Pernambuco) apresentada a seguir. O primeiro registro é um talhão com mangueira de 16 anos em Latossolo arenoso com fragipã a aproximada- mente 180 cm de profundidade (Figuras 8 e 9), a produtividade informada tem a mesma ordem de grandeza (40 t ha -1^ ano-1^ em duas colheitas) de outro talhão da mesma proprieda- de e com o mesmo solo, tendo no entanto fragipã a aproximadamente 120 cm (Figuras 10 e 11). Ou seja, até essa profundidade, não há indício de impacto significativo do fragipã na produtividade da cultura.
Figuras 8 e 9 - Mangueira de 16 anos em Latossolo arenoso com fragipã a 180 cm de profundidade e produtividade de 40 t ha-¹ ano-1^ em duas colheitas.
Na parte baixa da encosta, próximo à drenagem, o fragipã se aproxima bastante da superfície do solo, sendo encontrado a aproximadamente 40 cm (Figuras 12 e 13). Nesse ponto, o aspecto geral do talhão acusa o impacto do pequeno volume do solo e, provavel- mente, início do processo de salinização. Com a produtividade em torno de 20 t ha-¹ ano-¹, segundo informação do proprietário, a cultura alcança apenas 50% da produtividade da parte alta e mal paga os custos de produção.
Figuras 10 e 11 - Mangueira de 12 anos em Latossolo arenoso com fragipã a 120 cm e produtividade de 40 t ha-¹ ano -1^ em duas colheitas.
Por essa condição do sistema radicular e pela própria fisiologia da planta, comparativa- mente, a mangueira tem pouca resistência ao encharcamento do solo por longos períodos.
Em termos de balanço hídrico, pelo porte arbóreo e elevada biomassa, mesmo quando exigida para a obtenção de elevada produtividade é uma planta que apresenta demanda com- parativa mediana de água. Nos dias de maior evapotranspiração, em solos arenosos, a taxa de aplicação d’água tem alcançado 230 litros por planta por dia, em duas aplicações.
Figuras 12 e 13 - Mangueira de 12 anos localizada na parte baixa da paisagem com fragipã a 40 cm de pro- fundidade.
(cm)
cm
cm
(mm)
cm
Ca
Mg
cm
(cmol
/kg)c
cm
cm
cm
(cmol
/kg)c
cm
cm
cm
(cmol
/kg)c
cm
cm
0-20 cm
pH
cm
cm
cm
cm
cm
cm
cm
cm
(dS/m)
cm
cm
Por esta condição do sistema radicular e pela própria fisiologia da planta, comparati- vamente, a goiabeira tem pouca resistência ao encharcamento do solo por longos períodos.
Em termos de balanço hídrico, pelo porte arbóreo e elevada biomassa, mesmo quan- do exigida para a obtenção de elevada produtividade, a goiabeira é uma planta que deman- da quantidade mediana de água, girando em torno de 60 m 3 ha-1^ dia-^.
Figura 18 - Detalhe da folha com necrose marginal indicando acúmulo de sais no solo.
Figuras 19 e 20 - Goiabeiras com excelente produtividade em solo arenoso. (Perímetro Nilo Coelho
Detalhe da folha com necrose margi- nal como conseqüência da salinidade no solo das plantas posicionadas na parte bai- xa da encosta, próximas à drenagem, ao fun- do (Figura 18).
A cultura da goiabeira conduzida nos lotes irrigados tem apresentado excelentes respostas mesmo quando conduzida em solo extremamente arenoso, comportando-se me- lhor do que em solos extremamente argilo- sos com argilas expansivas de mineralogia do tipo 2:1 (Luvissolos e Cambissolos vérticos, principalmente), onde a produtivida- de tem ficado aquém de áreas similares com solos argilosos com mineralogia 1:1 ou oxídicos ou mesmo arenosos.
Em contrapartida, no Perímetro Nilo Coelho, constatou-se em solo arenoso, goiabei- ras com 6-7 anos de idade com excelente produtividade, próxima a 50 t ha - ¹ em duas colheitas por ano (Figuras 19 e 20).
Com relação à profundidade do solo, entre as perenes, é uma das mais exigentes e não poderia deixar de ser, uma vez que em condições naturais o sistema radicular atinge grandes profundidades quando não encontra barreiras ao crescimento.
Dentre as culturas exploradas nos perímetros irrigados do semi-árido é considerada de média lucratividade. Atualmente, nos melhores ambientes, considerando água e solo sem limitações e sob irrigação localizada e bom manejo: fertirrigação, podas, controle sanitário, mudas de boa qualidade, variedades produtivas, entre outros, a produtividade tem encostado nas 53 t ha-1^ ano -1.
No tocante a resistência à salinidade do solo, a aceroleira, entre as espécies cultiva- das costumeiramente nos perímetros, pode ser considerada como apresentando mediana resistência, através de constatações no campo. Não obstante o fato de Gurgelet al. (2003) a considerarem como resistente.
A cultura da aceroleira conduzida nos lotes irrigados tem apresentado excelentes respostas mesmo quando conduzidas em solo extremamente arenosos. Já no quesito pro- fundidade do solo, entre as perenes, é considerada exigente.
Por esta condição do sistema radicular e pela própria fisiologia da planta, comparati- vamente, tem pouca resistência ao encharcamento do solo por longos períodos.
Em termos de balanço hídrico, pelo porte comparativamente reduzido em relação a outras fruteiras, quando exigida para a obtenção de elevada produtividade é uma planta que exige menor quantidade de água, girando em torno de 50 m 3 ha -1^ dia -^.