



Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Classificação de terras para irrigação é um processo de natureza dinâmica, portanto, passível de atualizações periódicas que permitam a incorporação de avanços tecnológicos, a adoção de novos conceitos do ponto de vista ambiental e a otimização do uso dos recursos de água e solo.
Tipologia: Notas de estudo
1 / 7
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!




Fernando Cezar Saraiva Amaral
A metodologia do BUREC (Estados Unidos, 1953) representou um grande avanço no entendimento e na avaliação de terras para irrigação. No entanto, por diversos motivos, ela não foi aperfeiçoada ao longo do tempo. Além disso, mostrou diversas incoerências em termos da correta classificação de terras no Brasil, além de dar margem a um alto grau de subjetivismo por parte do avaliador, quando da definição dos quadros-guia. No que tange à sua representação gráfica, a metodologia proposta pelo BUREC procura expressar o máximo de características ambientais em sua notação. Porém, com a evolução da pesqui- sa, dos procedimentos de levantamento de solos e da própria tecnologia de irrigação, muitos dos atributos desta notação foram postos em dúvida quanto a sua real pertinência, até porque, por necessidade de adaptação da simbolização da classificação no corpo do mapa, passou-se quase sempre a representá-la em forma abreviada, uma vez que o espaço disponível para pequenas unidades de mapeamento era insuficiente para repre- sentar toda a notação. No esquema a seguir é apresentado um exemplo clássico da nota- ção desta metodologia com os respectivos significados dos parâmetros.
A representação da classificação referente à metodologia do BUREC apresenta alguns aspectos irrelevantes ou mesmo incoerentes:
- tamanho exagerado da simbolização, dificultando sua apresentação em mapas onde as unidades de mapeamento possuem tamanho reduzido; - os parâmetros produtividade e custo do desenvolvimento da terra não expri- mem com objetividade e eficiência a relação custo/benefício potencial da exploração do ambiente analisado; - soa redundante grafar na simbolização as subclasses s (limitação relacionada a solo ), t (limitação relacionada a topografia ) ou d (limitação relacionada a drenagem ) e, posteriormente, repetir os fatores limitantes y , b , z ,... (limitações relacionadas a solo ); g , u , c ,... (limitações relacionadas a topografia ) e f , w ,... (limitações relacionadas a drena- gem ). Com isso, a fórmula final da classificação fica sobrecarregada, sem agregar ne- cessariamente novas informações relevantes ao usuário; e - avaliações informativas relacionadas ao uso da terra , como se cultivada com ou sem irrigação , tipo de vegetação natural , entre outras não são absolutamen- te relevantes, uma vez que a presente avaliação está sendo feita exatamente para exploração com irrigação. Além disso, estas poderiam estar incorporadas em outros parâmetros, da mesma forma que a necessidade de água ou mesmo a permeabilidade do substrato.
A metodologia referente ao SiBCTI foi estruturada tendo como ponto de partida a metodologia do BUREC, e não deveria ser de outra forma, agregando a esta todos os avanços referentes principalmente ao manejo das culturas irrigadas, eliminando distorções, reavaliando a ponderação de todas as variáveis/parâmetros e incluindo novos enfoques. Desta forma, foi estruturada uma abordagem da classificação das terras mais abrangente não obstante o fato de exprimi-la de forma mais sintética.
O desenvolvimento de um programa de computador para executar a classificação do ambiente teve por objetivo facilitar a classificação propriamente dita, uma vez que o volume de informações é tão significativo, que sem essa ferramenta o usuário dispenderia um gran- de esforço para atingir seu objetivo, além de estar altamente sujeito a erro.
Portanto, resumidamente, após o usuário preencher todos os campos das variáveis de solo e água, ele tem à sua escolha um conjunto de culturas vegetais e diferentes sistemas de irrigação. Caso o usuário não queira uma avaliação específica, ele ainda pode optar por uma classificação generalizada, que funciona aproximadamente como a classificação proposta pelo BUREC.
Feita a solicitação da classificação do ambiente para irrigação, o programa fará uma crítica das informações fornecidas pelo usuário. Estando sem pendências, o programa cru- zará todos os dados relacionados ao diferentes planos de informação: solo + cultura vegetal
Agregar informações diretas de rentabilidade em um sistema de classificação pode redun- dar em diminuir a precisão da avaliação, uma vez que a rentabilidade é uma variável que pode ter uma flutuação muito grande dependendo das características do local escolhido para a im- plantação da irrigação, como por exemplo a distância do mercado consumidor, o tamanho desse mercado, as condições de transporte, de infra-estrutura, entre outros; ou mesmo de alguma peculiaridade que venha a ser atribuída ao produto escolhido naquele momento. No entanto, pode-se minimizar esses riscos quando se considera um longo período e condições médias dos grandes ambientes de irrigação. Dessa forma, pode-se enquadrar as culturas com base em retornos implícitos médios, classificando-as em culturas de rentabilidade superior correspondendo a uma receita média superior a R$ 5.000,00 ha-1^ ano-1^ equivalendo a US$ 2,000.00 ha-1^ ano-1^ e rentabilidade inferior correspondendo a uma receita média inferior a R$ 5.000,00 ha -1^ ano- equivalendo a US$ 2,000.00 ha-1^ ano-1. O valor de R$ 5.000,00 ha -1^ ano-1^ representa uma receita que cobre os custos médios totais de condução e amortização do hectare irrigado nas condições atuais. Existem vários trabalhos que convergem para resultados similares, sendo um deles apresentado na tabela 1, com base em Resende et al. (2003).
Tabela 1 - Produtividade e retorno médio de algumas culturas irrigadas.
Classe
Subscritos Representativos dos Parâmetros
Segundo definição do sistema, o parâmetro mais limitante define a classe. Quando dois ou mais parâmetros possuem o mesmo grau de limitação, o sistema apresenta primeiro aquele previamente considerado mais limitante.
Exemplo: Numa avaliação os parâmetros condutividade hidráulica (K) e concentração de alumínio (M) apresentaram a mesma limitação. Como a condutividade hidráulica pratica- mente não tem correção, sendo portanto mais limitante, o sistema o escolhe para compor a classificação final logo após a classe (primeiro subscrito), ficando a concentração de alumí- nio como segundo subscrito.
Procurou-se simbolizar os parâmetros usando notação que fosse de domínio entre os técnicos atuantes na área e, quando não possível, optou-se pela representação de maior recorrência mnemônica.
ESTADOS UNIDOS. Department of the Interior. Bureau of Reclamation. Reclamation manual : irrigated land use: land classification. Denver, 1953. 54 p., v. 5, part 2.
RESENDE, M.; ALBUQUERQUE, P.; COUTO, L. A cultura do milho irrigado. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica. 2003. 317 p.