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Interpretação a Sintaxe e para concurso público.
Tipologia: Trabalhos
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Não perca as partes importantes!





































Neste ensejo, ressaltamos que a Sintaxe, preocupada que é com os elos, sugere-nos que estendamos a mão e que estejamos receptivos ao outro, num sentimento revelador de que o desejo de aprender é determinante em qualquer processo de formação. Reconhecemos que a tarefa ora encarada não é das menos árduas: a linguagem verbal é tão complexa quanto simples; pode fluir na espontaneidade do falar coloquial ou rebuscar-se em torneios sintáticos e estilísticos altamente elaborados... As teorias que se propõem a desvelá-la vão avolumando informações, por vezes, facilmente assimiláveis, outras tantas forjadas em densa impenetrabilidade. Nosso esforço convergirá para uma proposta que apresente as idéias nucleares dos estudos na área em tela, fazendo-o de forma introdutória, mas sem perder de vista a possibilidade de aprofundamento – ao gosto do estudante – com a exposição de referências que sinalizam a verticalização dos estudos sobre a língua. Assim, cabe-nos, de antemão, reforçar o convite ao estudo da Sintaxe, disponibilizando-nos a mediar a construção de uma jornada que seja, ao mesmo tempo, instrutiva e prazerosa. Oxalá seja bem sucedida nossa experiência... Com um abraço! Camilo Rosa Silva
Nosso plano de estudo para a disciplina Sintaxe está organizado em três unidades. Em cada uma delas, abordamos aspectos distintos, mas viselvemente interrelacionados, com o objetivo de contemplar pontos teóricos, somados às referências históricas e algumas análises de elementos terminológicos pertinentes à disciplina. Para completar a abordagem, direcionamos a atenção à reflexão sobre o ensino e a apredizagem da língua, tendo em mente seu uso nos diversos contextos que envolvem os processos interacionais.
Na Unidade I, apresentamos um panorama dos estudos da Sintaxe, apontando os elementos que compõem essa área de interesse dos estudos da linguagem, suas bases teóricas, sua configuração enquanto área do conhecimento, e a contribuição da lingüística para a sedimentação da referida disciplina.
Na Unidade II, enfocamos a abordagem considerada tradicional, ressaltando o caráter metalinguístico que a caracteriza. Trazemos à tona a terminologia utilizada pelos gramáticos e autores de livros didáticos de português, atentando à relevância que a posse desse conhecimento apresenta para a descrição da língua portuguesa.
A Unidade III traz uma reflexão sobre a diversidade de abordagens que analisam a línguagem, ressaltando a contribuição que perspectivas distintas podem imprimir ao ensino da língua.
Este capítulo de Sintaxe é permeado por uma tentativa de dialogar com aspectos linguísticos da Lingua Brasileira de Sinais, vislumbrando possíveis convergências entre as estruturas e respectivas funções sintáticas de Libras e da Língua Portuguesa.
O percurso que agora iniciamos é pontuado por uma preocupação recorrente, a qual tentamos impor como nosso propósito mais instigador: realizar uma reflexão sobre a sintaxe, considerando a relevância que o conhecimento sobre a gramática representa nesse permanente dinamismo caracterizador da língua, de seu uso, de seu estudo... e da própria vida!
Nesse exercício comparativo, no entanto, é importante destacar que a preocupação da morfolgia se restringe aos limites da estruturação das palvaras, enquanto a sintaxe se preocupa com a combinação que estas realizam na linearidade do discurso.
Assim, estariam identificadas as fronteiras e objetos de uma e outra disciplina. Entretanto, não é raro, como já indicamos, que os estudos da linguagem aproximem essas duas áreas utilizando para tanto o termo morfo-sintaxe. Isso faz sentido, especialmente, porque a morfologia trata da formação e estrutura dos itens lexicias e, no interior deles, há diversas possibilidades de combinações facultadas pelo sistema linguístico. Assim, raízes e radicais se combinam com prefixos, sufixos, flexões e desinências, observando-se que determinadas combinações são possíveis, enquanto outras não são admitidas pelos próprios sistemas das línguas. Fenômeno semelhante corre na combinação entre os itens linguísticos que se agrupam na formação das frases, o que constitui mais um elemento dessa aproximação entre a sintaxe e a morfologia.
O autor da Gramática da Língua Portuguesa, Domingos Paschoal Cegalla (2010, p. 269) apresenta a análise sintática como a parte da gramática que
examina a estrutura do período, divide e classifica as orações que o constituem e reconhece a função sintática dos termos de cada oração. As palavras, tanto na expressão escrita como na oral, são reunidas e ordenadas em frases. Através da frase é que se alcança o objetivo do discurso, ou seja, da atividade linguística: a comunicação com o ouvinte ou o leitor.
Entre os gramáticos, é pacífica a consideração de que a sintaxe se constitui, dentre os aspectos do funcionamento das línguas, como digna da maior atenção. Evanildo Bechara (2009), por exemplo, localiza a sintaxe dentre os aspectos linguísticos que devem constar obrigatoriamente em uma gramática normativa. Esse autor é um dos que preferem agrupar sintaxe e morfologia, utilizando o termo “morfossintaxe” , porque, em sua visão, essa união estaria mais próxima do que de fato ocorre na realidade linguística. Vejamos o que pensa Bechara:
A parte central da gramática pura é a morfossintaxe, também com menos rigor estudada como dois domínios relativamente autônomos: a morfologia (estudo da palavra e suas “formas”) e a sintaxe (estudo das combinações materiais ou funções sintáticas). Ocorre que, a rigor, tudo na língua se refere sempre a combinações de “formas”, ainda que seja combinação com zero ou ausência de “forma”; assim, toda essa pura gramática é na realidade sintaxe, já que a própria
oração não deixa de ser uma “forma” (na lição tradicional, ela não pertence ao domínio da morfologia). (p. 54)
Como já afirmamos, o autor prefere falar em morfossintaxe, destacando o aspecto formal da sintaxe e, nesse caso, evidenciando sua correlação direta com a morfologia. Ainda segundo o autor, nenhuma estrutura linguística, que do ponto de vista tradicional pertenceria ao domínio da sintaxe, deixa de se apresentar como uma forma.
Do exposto, basta-nos, a principio, entender que a preocupação básica da sintaxe é descrever e analisar a relação que as palavras mantêm entre si na organização das frases, ou seja, dos enunciados. Se quiséssemos fazer uma analogia entre sintaxe e o corpo humano, poderíamos pensar que a sintaxe seria a coluna dorsal da língua, ou seja, a estrutura em torno da qual se organizam os demais componentes que formam o todo. Na língua, essa responsabilidade pelos elos e encadeamentos caberia à sintaxe.
Se observarmos atentamente a fotografia abaixo, veremos que o modo como as pessoas se ligam umas às outras para formarem uma corrente, constituindo um todo no qual cada parte tem sua importância, mas funciona na dependência do outro, podemos afirmar que se trata de um processo sintático. Assim também ocorre com os elementos linguísticos. Eles têm seu valor, o qual se atualiza quando se organizam em relações lineares, ou seja, sintáticas. Algumas vezes, as mãos que se unem são elementos meramente gramaticais, outras vezes, os próprios itens lexicais dão conta dessa relação.
combinações ilimitadas, respeitando as condições estruturais impostas pelos próprios sistemas linguísticos. Chomsky assegura que a sintaxe ocupa um papel central na língua, já que está relacionada à capacidade que o falante tem de elaborar sentenças. Ele defende que o homem já nasce com essa capacidade, ou seja, ela é algo inerente à condição humana. As línguas naturais são constituídas por um lado físico, estrutural, que é o próprio material linguístico, e por outro componente, que é o funcional, responsável pela atribuição de sentidos ao que se fala e se escreve, ou seja, aos usos da língua, considerando-se os contextos sociais de interação. Desse modo, historicamente, à medida que se privilegia um ou outro desses aspectos, os estudos vão apontando tendências e construindo conhecimentos que se tornam representativos de abordagens diversas, conhecidas por nomes mais gerais, como Estruturalismo, Gerativismo, Funcionalismo e Sociointeracionismo.
Nos estudos que se preocupam com a sintaxe das línguas, em geral, há contribuições consistentes formuladas por essas variadas teorias. Todas elas e os muitos autores que as representam têm seu valor e, embora apontem descrições e resultados distintos em suas abordagens, são responsáveis pelo que se sabe hoje a respeito da natureza complexa e multifuncional das línguas humanas. Não se trata, portanto, de eleger esta ou aquela teoria por se entender que uma seja mais correta que a outra. O fato é que cada abordagem observa a língua a partir de um ponto de vista específico e, em conseqüência da especificidade do lugar de onde se lança o olhar sobre os fenômenos e fatos linguísticos, enxergam-se comportamentos também específicos.
Apesar da diversidade de tratamentos que promovem discussões, análises e questionamentos distintos, vale salientar que, quando se fala em sintaxe, independentemente da linha teórica utilizada, o que se pretende referir é a maneira como se realizam as combinações entre os elementos linguísticos, sua estrutura, suas relações e seu funcionamento na linearidade discursiva.
DIALOGANDO COM LIBRAS A análise da American Sign Language (ASL), realizada por Stokoe, em 1960, constitui o estudo pioneiro que vai reconhecer as línguas de sinais como constituídas por componentes básicos comuns a todas as línguas, ou seja, o fonológico, o morfológico e o sintático. Isso é importante porque ratifica as línguas de sinais como possuidores de uma gramática própria.
Os conceitos e definições apresentados aqui precisam ser confrontados com outros apontamentos para que você observe o que autores diversos dizem acerca dessa temática. Para isso, propomos que faça uma coleta, em gramáticas e manuais didáticos, do conceito de sintaxe, observando se a delimitação dessa área de estudos apresentada pelos autores revela consistência e clareza. Observe, ainda, se há, no tratamento dado pelos autores, referências à relação entre morfologia e sintaxe. Consulte, pelo menos, três fontes distintas.
Dependendo das intenções de quem as produz, as frases tem diversas classificações. Muitas vezes, essa classificação não é determinada apenas pela forma, ou seja, pelos elementos linguísticos, mas recebe forte influência do contexto de uso. A frase do exemplo (2), se pronunciada em uma sala fechada, pode ser uma solicitação para que se abram as janelas, deixando de ser uma frase meramente declarativa e passando a ser apelativa.
Numa frase como: (7) Gostaria de saber se você vai à reunião. Não há ponto de interrogação no final nem uma entonação semelhante ao padrão das frases interrogativas, mas fica claro que a intenção do autor da frase é formular uma pergunta.
A frase do exemplo (3) só funciona comunicativamente em um contexto específico, no qual se desenvolva o diálogo entre dois ou mais interlocutores, e embora o sinal utilizado seja de interrogação, a frase pode muito bem cumprir uma função exclamativa, que denote espanto, admiração ou incredulidade.
Portanto, o que determina o tipo a que pertence uma determinada frase é um conjunto de fatores dependentes do contexto, das intenções dos falantes e das condições de recepção e interpretação por parte dos interlocutores.
Oração
Quando a frase se organiza em torno de um verbo ou locução verbal recebe o nome de oração. Nos exemplos apresentados até aqui, apenas (4), (5), (6) e (7) contém orações, já que (1), (2) e (3) não apresentam nenhum verbo em sua estrutura. Geralmente, a oração é formada por um sujeito e um predicado; é o caso do seguinte exemplo:
(8) O balão caiu sobre a plantação. (sujeito) (predicado)
Pode existir oração sem sujeito, mas não há oração sem predicado. Na frase a seguir, não há identificação de um termo que corresponda ao que se entende por sujeito^6 , portanto, a oração é formada apenas por predicado:
(9) Choveu durante a madrugada. Apesar de haver oração sem sujeito, a classificação tradicional considera essas duas funções (sujeito e predicado) como Termos Essenciais da Oração.^7
A Língua Portuguesa se caracteriza por apresentar preferência pela construção dos enunciados com a sequência: sujeito + predicado. O predicado é constituído, geralmente, por um verbo e seu complemento. Embora isso não seja categórico, uma vez que essa posição pode ser invertida, se diz que ela é uma língua de estrutura S+V+O (sujeito + verbo +objeto).
Nem sempre a oração corresponde exatamente à frase. Por exemplo, em Convém que te apresses há duas orações e uma só frase, pois somente o conjunto das duas é que traduz um pensamento completo; isoladas, elas constituem simples fragmentos de frase, ou seja, uma é parte constitutiva da outra: que te apresses é o sujeito de convém. Vale salientar, também, que é comum usar-se os termos estrutura, sentença e enunciado , de forma genérica, como sinônimos para frase , período e oração.
Período
Chamamos de período ao enunciado formado por uma ou mais orações. Segundo a classificação tradicional, o período pode ser:
Ø Simples - quando constituído de uma só oração:
(10) A rua estava deserta. (^6) Ver adiante definição de sujeito e predicado. (^7) Essa discussão será retomada adiante.
é que vieram uns passos. Deitado no fundo da cova o coveiro gritou. Os passos se aproximaram. Uma cabeça ébria apareceu lá em cima, perguntou o que havia: "O que é que há?"
O coveiro então gritou, desesperado: "Tire-me daqui, por favor. Estou com um frio terrível!" "Mas, coitado!" - condoeu-se o bêbado - "Tem toda razão de estar com frio. Alguém tirou a terra de cima de você, meu pobre mortinho!" E, pegando a pá, encheu-a e pôs-se a cobri-lo cuidadosamente.
Moral: Nos momentos graves é preciso verificar muito bem para quem se apela.
A propósito do texto. a. Retire duas frases; b. Retire uma oração formada apenas por um verbo; c. Identifique um período composto.
2 Os constituintes oracionais
Vejamos, agora, os termos que compõem a oração.
A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) considera o sujeito e o predicado termos essenciais da oração. Usar essa terminologia implica dizer que o sujeito e o predicado são termos indispensáveis para a formação da oração. Isso é verdadeiro para grande parte das orações da língua, que realmente se estruturam a partir desses dois termos ditos fundamentais. Já vimos, no entanto, que existem orações formadas exclusivamente pelo predicado, ou seja, existe a possibilidade de haver oração sem sujeito , o que significa dizer que a oração pode estar completa mesmo sem apresentar um dos termos essenciais.
Procure em gramáticas tradicionais e livros didáticos outros exemplos de frase, período e oração, observando se eles se encaixam nas definições anotadas nesta seção.
2.1 Definindo o sujeito
Numa perspectiva meramente sintática, o sujeito é o elemento com o qual o verbo concorda em pessoa e número. Examinemos os exemplos:
(12) As chuvas alagaram o sertão paraibano. (13) A nuvem encobriu o sol ao meio-dia. (14) Foram distribuídos pelo Ministério da Educação todos os livros solicitados.
Ø O sujeito nem sempre inicia a oração, ou seja, ele pode estar anteposto ou posposto ao verbo. Ø O verbo concorda em número e pessoa com o sujeito. Ø Quando o sujeito não está presente, diz-se que o sujeito é oculto, implícito ou desinencial
Tradicionalmente, o sujeito tem sido classificado em simples , composto , oculto , indeterminado e inexistente. Essa é a terminologia mais frequente em gramáticas pedagógicas e em livros didáticos. Ao lado dela, encontram-se denominações como sujeito implícito e oração sem sujeito. Também é possível encontrar referências a sujeito agente e sujeito paciente.
Essa classificação tem valor didático para identificar formas possíveis de estruturação das frases do português, mas é bastante questionada pelos especialistas. Eles criticam as abordagens que as
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
[...]
Identifique os sujeitos presentes no texto acima. Lembre-se de que para cada oração deve (ou pode) haver um sujeito e um predicado.
In http://zerohora.clicrbs.com.br/ acesso em maio de 2011.
2.2 Definindo o predicado
A gramática tradicional reconhece três tipos de predicado: verbal, nominal e verbo- nominal.
O predicado verbal é aquele que tem como elemento central um verbo: (15) Ocorreu um fato inesperado. (16) O velho prédio foi demolido.
O predicado nominal tem como núcleo significativo um nome; esse nome atribui uma qualidade ou estado ao sujeito, daí ser chamado de predicativo do sujeito:
(17) O copo cristal é frágil. (adjetivo) (18) A vida é uma luta. (nome) Há predicativos do sujeito formados por expressões mais complexas:
(19) “A raça humana é uma semana do trabalho de Deus .” (Gilberto Gil)
O predicado pode ser também verbo-nominal: apresenta dois núcleos significativos: um nome e um verbo. No predicado verbo-nominal, o predicativo pode referir-se ao sujeito ( predicativo do sujeito ) ou ao complemento verbal ( predicativo do objeto ):
(20)O dia amanheceu ensolarado. sujeito verbo predicativo do sujeito (21)As mulheres julgam os homens inconstantes. Sujeito verbo objeto direto predicativo do objeto
Assim como ocorre com o sujeito, a análise do predicado se dá, nas gramáticas tradicionais, geralmente, em orações isoladas, construídas com essa finalidade, ou em exemplos descontextualizados, retirados de textos da literatura. Como podemos observar nos exemplos apresentados até aqui, não há grandes dificuldades em identificar esses termos nesses tipos de ocorrências.
Entretanto, em outras situações de usos da língua, os textos são construídos através da sobreposição ou do entrelaçamento das ideias e nem sempre os limites da frase coincidem com a junção dos termos chamados essenciais, sujeito e predicado. Em um texto longo, por exemplo, o sujeito pode ser apresentado numa frase e ser retomado mais adiante, através de variadas estratégias coesivas, as quais dispensam a repetição de determinadas estruturas (sujeito e predicado).