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Soja e milho, Notas de estudo de Engenharia Agronômica

SOJA E MILHO

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 11/11/2009

marcelo-agua-nova-da-rocha-12
marcelo-agua-nova-da-rocha-12 🇧🇷

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Milho: Estresses
abióticos e bióticos
afetam desempenho e
produtividade
Soja: Ferrugem-asiática
avança e exige cuidados
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Milho: Estresses

abióticos e bióticos

afetam desempenho e

produtividade

Soja: Ferrugem-asiática

avança e exige cuidados

Correio Agrícola - 2007

A revista Correio é uma publicação anual da Bayer CropScience, dirigida a engenheiros agrônomos, agricultores, técnicos agrícolas, faculdades de agronomia e bibliotecas. Coordenação geral: Comunicação Corporativa Bayer CropScience Coordenação técnica: Engenheiros Agrônomos Paulo Renato Calegaro, Gilmar Franco, Luiz Weber e Pedro Singer. Editor: Allen A. Dupré, MTb 9057. Editoração: Assessoria de Propaganda Bayer S.A. Gráfica: Neoband Soluções Gráficas Ltda. Tiragem: 50. Bayer S.A. Rua Verbo Divino, 1207, Bloco B São Paulo - SP / Fone (0xx11) 2165- www.bayercropscience.com.br

Deixamos de publicar a bibliografia da maioria das matérias desta edição, que permanece à disposição dos interessados.

Índice

Soja Ferrugem asiática avança e exige cuidados

Soja Lagartas causam preocupação

Milho Estresses abióticos e bióticos

Milho Plantas daninhas exigem maior controle

Milho Controle químico das principais doenças foliares

Cetoenol Inseticida e acaricida com novo mecanismo de ação

Cana-de-açúcar Manejo da broca protege produtividade

Arroz Bicheira-da-raiz, o inimigo da cultura irrigada

O cultivo da soja nas várzeas tropicais é essencial para a economia da região e neces- sita ser continuado. Além dos plantios de "safrinha", realizados em janeiro e fevereiro, logo após a colheita de verão, o cultivo na entressafra (plantios em junho/julho)(Figura 2) ganhou impulso a par- tir de 2003, com a frustração da produção de semente na safra 2002/03 em Mato Grosso. Em 2004, o motivador do plantio na entressa- fra foi o preço recorde dos grãos. Em 2005 o plantio da soja na entressafra foi motivado pelo baixo preço da soja de verão e pela expectativa de renda com a multiplicação de

sementes das cultivares transgênicas, libe- radas oficialmente para cultivo no Brasil. Mesmo após três a sete pulverizações, ainda havia lesões com esporos viáveis nas áreas irrigadas. Os resultados dos plantios da entressafra foram grandes perdas e custos exagerados no controle da ferrugem de 2003/04 a 2005/06. Na região de Primavera do Leste, a partir da safra 2003/04, os primeiros sintomas de fer- rugem começaram a ser detectados aos 18- dias após a emergência (V3/V4), de meados ao final de outubro, recebendo a primeira aplicação de fungicida. No final de outubro, lavouras mais adiantadas, nos estádios R1 a R3, já haviam recebido duas a três pulveriza- ções. Até o final do ciclo, essas lavouras rece- beram quatro a sete aplicações, inviabilizan- do a produção. Em diversas lavouras a inter- rupção do controle aos 35-40 dias antes da maturação multiplicou o fungo no final do ciclo, tornando difícil, senão impossível, o controle da ferrugem nas lavouras vizinhas e em grande parte da região. Durante três safras seguidas, a região de Primavera do Leste, que engloba diversos municípios e uma área aproximada de 600.000 ha, foi conhecida como a "capital mundial da ferrugem." O cultivo da soja "safrinha", feito no período de janeiro a junho (colheita) não deve influir diretamente na incidência da doença na safra de verão, com início em meados de setem- bro. Porém, as plantas guaxas originadas das perdas das colheitas da "safrinha" geral- mente produzem grãos viáveis que ficam guardados nas vagens durante o período seco (junho a setembro), caem ao solo nas primeiras atividades de verão, germinam e são infectadas, servindo como fonte de inóculo para os primeiros plantios. Nos Cerrados, as plantas guaxas podem ser infectadas por esporos oriundos de cultivos de entressafra da região das várzeas de Tocantins e da Bolívia (região ao norte de Santa Cruz de la Sierra) onde, no período de julho a outubro, são cultivadas extensas áreas para produção de semente. Em 2007 deverão ser cultivados cerca de 300.000 hectares de soja (Engº. Agrº. Marin, ANAPO, comunicação pessoal). Nas regiões Sudeste e Sul, as fontes de inóculo podem ser as plantas guaxas da entressafra do oeste do Paraná e do Paraguai. Portanto, o monitoramento da ferrugem deve ser iniciado desde as plantas guaxas que antecedem os primeiros plantios de verão.

"Vazio sanitário"

Levantamentos realizados nas entressafras, a partir do final da safra 2002/03, mostraram que as principais causas da ocorrência da ferrugem

no início da soja de verão eram as "pontes verdes", representadas pelos cultivos de "safri- nha" e de entressafra, sob irrigação (junho/julho a final de outubro), e as plantas guaxas. Esses cultivos permitiram a contínua sobrevivência e multiplicação do fungo da ferrugem no campo, obrigando os produtores a iniciarem as pulve- rizações nos primeiros plantios de setembro, aos 18-30 dias após a semeadura. Com base nesses levantamentos e nas avaliações do impacto negativo que repre- sentavam os plantios da entressafra, foi sugerida a instituição de um período durante o qual não seria permitido o culti- vo da soja irrigada e com a obrigatoriedade da eliminação das plantas guaxas. Esse período que se denominou de "vazio sani- tário" foi definido entre 15 de junho e 15 de setembro. Os estados de Goiás e do Mato Grosso foram os primeiros a baixarem medidas normativas que proibiram o culti- vo da soja irrigada com pivô central e com obrigatoriedade de eliminar as plantas guaxas. Infelizmente, a eliminação da soja guaxa não foi concretizada em 2006, devendo ser enfatizada nas próximas safras. Durante o período do "vazio sani- tário" somente serão permitidos os cultivos da soja para pesquisa e avanço de gerações de materiais genéticos, sob rigoroso con- trole da ferrugem e sujeitos a fiscalização pelos órgãos oficiais. A partir de 2008, todos os estados produtores de soja deverão adotar o "vazio sanitário". Em Mato Grosso, o benefício do "vazio sanitário" na safra 2006/07 foi a redução de uma aplicação de fungicida (US$ 38,70/ha) e o aumento da produtividade em 6 sacas/ha (300 kg/ha, equivalendo a US$ 72,00/ha, para o preço de US$ 12,00/saca na região). Considerando a área cultivada nessa safra (5,3 milhões de hectares), o total do benefício auferido foi de US$ 102.600.000,00 (economia no controle da ferrugem) mais US$ 381.600.000, (redução na perda de grãos), totalizando US$ 484.200.000,00. Esse resultado só foi obtido graças à rigorosa atuação e à soma de esforços de diversas entidades do esta- do, notadamente do Sindicato Rural de Primavera do Leste, do MAPA/DSV, do INDEA, da Aprosoja e da Embrapa Soja. Produtores que insistiram e semearam soja durante o "vazio sanitário", em Lucas do Rio Verde (2006) e em Primavera do Leste (2007), foram autuados e tiveram que dessecar suas lavouras. Em Goiás, a apli- cação da portaria normativa que instituiu o "vazio sanitário" não foi devidamente efeti- vada e o estado ainda sofreu grandes perdas na safra 2006/07.

Figura 1. Plantas guaxas ao lado da estrada (grãos caídos de caminhões)

Figura 2. Soja irrigada na entressafra

Figura 3. Primeiras lesões aos 40 dias, na soja de entressafra

O manejo da ferrugem

Desde sua primeira identificação em 2001, a ferrugem mostrou sua capacidade de disse- minação e de destruição, não permitindo fa- lhas no controle. A cada ano, aumenta a sev- eridade nas regiões que a favorecem. Apesar da redução dos preços da maioria dos fungi- cidas, o custo do controle tem aumentado devido ao crescente número de aplicações. Desde os primeiros fungicidas recomenda- dos emergencialmente, para a safra 2002/ (azoxystrobin, difenoconazole, fluquincona- zole, pyraclostrobin + epoxiconazole e tebu- conazole), um grande número de novas for- mulações foi acrescentado ao arsenal para enfrentar a ferrugem (Embrapa Soja, 2007). Entre diferentes ingredientes ativos (isolados ou em mistura), marcas comerciais e formu- lações, mais de 20 produtos estão dispo- níveis para uso. Entre os fungicidas, há diferenças de eficácia, período residual e capacidade de translocação ou sistemicidade, exigindo, do produtor e da assistência técnica, cuidados na escolha do pro- duto a ser utilizado para cada situação. Freqüentemente, além da ferrugem, é necessário levar-se em conta a ocorrência de outras importantes doenças (antracnose, doenças de final de ciclo – DFC, mancha-alvo, mela e oídio), o que poderá exigir a combi- nação de diferentes ingredientes ativos. Apesar do grande número de produtos comerciais exis- tentes, os fungicidas se restringem apenas a dois grupos de princípios ativos: as estrobiluri- nas e os triazóis. Isso traz preocupações quanto à possibilidade do desenvolvimento de tolerân- cia por parte do fungo P. pachyrhizi. O uso fre- qüente de sub-doses, aplicações seqüenciais de até sete pulverizações e a inevitável sub-dose que ocorre em cada aplicação nas partes inter- na e inferior das plantas podem induzir o fungo a desenvolver tolerância aos fungicidas. Ao longo dos anos têm aumentado as recla- mações sobre redução da eficácia e período residual dos fungicidas, com aplicações seqüenciais sendo feitas a intervalos de 7 a 12 dias. Observações nas regiões que apre- sentaram dificuldades no controle da fer- rugem (por exemplo, em Frutal, Minas Gerais, municípios do noroeste de São Paulo como Colômbia, Miguelópolis, Guaíra e Ipuã; e municípios de Mato Grosso como Pedra Preta/Serra da Petrovina, Alto Garça, Campo Novo do Parecis, Primavera do Leste e Itiquira) mostraram que as deficiências de controle eram devidas a várias causas:

  • produção contínua de inóculo em áreas irri- gadas da entressafra ("ponte verde");
  • falha na identificação correta da fer- rugem no estágio inicial (Figura 3), com

conseqüente ou atraso na aplicação de fungicida (Figura 4);

  • momento (horário) e condições climáticas inapropriadas para aplicação;
  • equipamentos inadequados;
  • uso de sub-dose de fungicida e baixo volume de pulverização;
  • deficiência da cobertura foliar (Figura 5);
  • densidade excessiva de plantas e de massa foliar;
  • excesso de chuva no momento crítico, dificultando a pulverização;
  • aplicação de fungicida sob condições adversas, durante o dia todo, em virtude da grande extensão da lavoura;
  • grandes áreas que dificultam a aplicação em tempo hábil;
  • uso de fungicida não indicado para o nível de ferrugem; e
  • presença de outras doenças.

Para um controle eficiente da ferrugem, é fundamental que o planejamento seja feito antes da semeadura, com definição da janela de semeadura e população de plantas para um bom arejamento foliar. A pulverização deve atingir o máximo de área foliar, com fungici- das de maior período residual e sistemici- dade. A proteção das plantas deve ocorrer antes do surgimento das primeiras lesões (preventiva) ou no seu início (Figuras 3 e 6), quando o potencial de inóculo é ainda baixo. Em Primavera do Leste, MT, onde as primeiras pulverizações, nas safras 2003/ a 2005/06 foram realizadas a partir de 18- dias após a semeadura, com o passar dos dias o fungicida foi perdendo o efeito residual e, com o crescimento das plantas, aumentou a dificuldade de acesso do fungicida à parte sombreada. Isso favoreceu a multiplicação do fungo nas partes não atingidas e tornou impossível o controle da ferrugem, mesmo com cinco a sete aplicações. Testes de cobertura foliar realizados com papel sensível mostraram que a deposição de fungi- cida na parte interna da folhagem diminui do topo para a parte inferior das plantas, qualquer que seja a tecnologia de aplicação e o volume da pulverização. Isso indica deposição de sub- dose nas folhas inferiores, podendo não afetar o fungo ou apresentar um efeito muito curto, permitindo a ressurgência da ferrugem em poucos dias. Essa é a principal razão das recla- mações sobre a redução do período residual de um fungicida que deveria estar ativo por 25- dias. Esses detalhes necessitam ser avaliados pelos especialistas em tecnologia de aplicação e pela indústria de pulverizadores e observa- dos pelos técnicos de campo. Para um controle eficiente da ferrugem, é fundamental o máxi- mo de cobertura foliar, que o fungicida tenha

MANEJO COMPLETO

DE DOENÇAS NA CULTURA DA SOJA

+ Attach + Attach

Manejo Integrado de Doenças Estados da Região Sul (PR, SC, RS) e sul MS

A Bayer CropScience dispõe de fungicidas com avançada tecnologia, que se destinam à ade- quada prevenção e ao eficiente controle das doenças fúngicas da soja, tanto em tratamento de sementes, com Atento e Derosal Plus, bem como por meio de aplicações na parte aérea da cul- tura, com Sphere, Nativo, Folicur e Derosal. Esse portfólio completo permite que a empresa apresente soluções de vanguarda para atender as necessidades dos sojicultores das diferentes regiões do Brasil, tendo sempre como objetivo a recomendação dos fungicidas ideais para as doenças regionalmente mais importantes e, ao mesmo tempo, mais adequados para as condições climáticas locais. Assim, a Bayer CropScience põe à disposição dos produtores de soja um programa de manejo das doenças para a região Sul, o qual também é recomendado para o sul do Mato Grosso do Sul, e outro para as demais regiões do país (regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste).

Fungicidas Doenças da soja Épocas de Aplicação Doses Atento ®^ Ferrugem (Phakopsora pachyrhizi) Oídio (Microsphaera diffusa) Tratamento de sementes 300 ml / 100 Kg Derosal ®^ Plus Mancha-púrpura (Cercospora kikuchi) Fusariose (Fusarium pallidoroseum) Cancro-da-haste (Diaporthe phaseolorum) Tratamento de sementes 200 ml / 100 Kg Phomopsis-da-semente (Phomopsis sojae) Antracnose (Colletotrichum dematium) Sphere ®^ * Ferrugem (Phakopsora pachyrhizi) Primeira aplicação em R1 ou R2, ou nos primeiros sintomas da doença, Doenças de final de ciclo (Cercospora kikuchii) se a ferrugem ocorrer mais cedo. Segunda aplicação em R 5.1 ou R 5.2. 0,3 L/ ha (Septoria glycines) Oídio (Microsphaera diffusa) Aplicar até 20% de infecção foliar. Nativo ®^ ** Ferrugem (Phakopsora pachyrhizi) Primeira aplicação em R1 ou R2, ou nos primeiros sintomas da doença, se a ferrugem ocorrer mais cedo. Segunda aplicação em R 5.1 ou R 5.2. 0,5 L/ ha Oídio (Microsphaera diffusa) Aplicar até 20% de infecção foliar. Mela (Rhizoctonia solani) Para o controle da mela, da antracnose e das doenças de final de ciclo, Antracnose (Colletotrichum truncatum) realizar preventivamente 2 aplicações, Doenças de final de ciclo (Cercospora kikuchii) no início da fase reprodutiva, sendo a primeira no estádio R 1 / R 2 (Septoria glycines) (floração plena) e a segunda no estádio R 4 / R5 (vagem formada). Folicur ®^ Ferrugem (Phakopsora pachyrhizi) Iniciar a aplicação preventivamente ou nos primeiros sintomas da doença. 0,5 L/ ha Derosal ®^ Doenças de final de ciclo (Cercospora kikuchii) Iniciar as aplicações preventivamente na fase de formação (Septoria glycines) de grãos (estádio R5.1) 0,5 L/ ha

  • Sphere: Adicionar Attach (250 ml/ha) / ** Nativo: Adicionar Aureo (500 ml/ha)

+ Aureo

Manejo Integrado de Doenças Estados das Regiões Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte

tento ®

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Desenvolvimento de Fungicidas – Bayer CropScience

Na década de 1970 foram estabelecidos importantes parâmetros para o manejo de lagartas da soja, envolvendo populações da praga, níveis de desfolhamento da cultura e tabelas de inseticidas indicando sua seletivi- dade sobre inimigos naturais. O controle biológico com o uso de baculovirus chegou a quase toda a área cultivada com a leguminosa em muitos municípios dos estados do sul do Brasil. Porém, desde meados da década de 1980, houve contínuo decréscimo de moti- vação e envolvimento de entidades de pesquisa e de transferência de tecnologias relacionadas com o controle biológico e as estratégias de manejo de lagartas. Ao mesmo

tempo, o preço cada vez menor dos inseticidas piretróides tem dificultado a recomendação de se adotarem níveis de danos e análise econômica no controle de pragas. E o uso pre- ventivo e continuado desses inseticidas, adi- cionados tanto aos herbicidas (na dessecação ou no controle de plantas daninhas pós-emer- gentes) quanto aos fungicidas, resulta na redução de populações de inimigos naturais e na seleção de pragas que se adaptam à prática. A lagarta-da-soja, Anticarsia gemmatalis , é controlada com certa facilidade na fase de desenvolvimento vegetativo da soja, quando consome as folhas jovens, na parte superior das plantas. Já nas fases de formação de legumes e de enchimento de grãos da soja, as lagartas se mantêm na parte mediana das plantas, sendo de difícil acesso com o

uso de métodos convencionais de apli- cação de inseticidas. Estudos realizados por Ulisses Antuniassi indicam que aproxi- madamente 83% das gotas de pulveriza- ções caem nas folhas do terço superior das plantas de soja, 13% na parte mediana e 4% no terço inferior. Assim, a lagarta-da- soja que consome as folhas jovens na parte superior da planta é controlada com facili- dade, enquanto as espécies que se locali- zam nas partes mediana e inferior das plan- tas são de difícil controle e podem estar sendo selecionadas com o uso sucessivo das mesmas estratégias de controle. Além disso, outras espécies de lagartas, con- sideradas de ocorrência esporádica, estão sendo constatadas com maior freqüência e são consideradas de difícil controle com as doses usuais de inseticidas. Entre estas, destacam-se a falsa-medideira, a lagarta preta e a lagarta-enroladeira.

Espécies de lagartas que atacam a soja e ocorriam esporadicamente

vêm ganhando importância na cultura. Isso se deve à dificuldade

de seu controle com os inseticidas usuais aplicados

nas espécies mais comuns

de resistência a inseticidas piretróides e fos- forados e a Bacilus thuringiensis. Recente- mente foi determinado que a espécie encon- trada em soja e controlada por inseticidas em doses usuais era R. nu e as populações con- sideradas de difícil controle pertenciam à espécie P. includens. No passado, dava-se pouca importância ao dano da lagarta-falsa-medideira em soja, no sul do Brasil. As dificuldades de controle mais recentes também podem estar relacionadas à espécie P. includens , como ocorre na Argentina, ou a populações resistentes pelo uso de doses baixas e sucessivas do mesmo grupo químico de inseticidas nas lavouras.

Lagarta-preta

Outra espécie que ocorre em populações ele- vadas e com danos severos em soja é a lagarta- preta, Spodoptera cosmioides. A lagarta-preta ocorre em soja, desde o sul do Brasil até os cerrados, e também em pasta- gens, girassol, feijão e outras culturas. É de constatação recente e, muitas vezes, confundi- da com outras espécies do gênero Spodoptera , como a lagarta-das-vagens e a lagarta-militar. A lagarta-preta ocorre em grupos de populações

elevadas e com danos severos no desfolhamen- to de plantas. Em soja, instala-se na parte medi- ana das plantas, dificultando o controle com a aplicação de inseticidas.

Lagarta-enroladeira

A lagarta-enroladeira, Omiodes indicatus , de ocorrência mais freqüente nos cerrados, também está ocorrendo no sul do Brasil. A localização da praga na parte mediana da planta e entre folhas enroladas, confere pro- teção contra estratégias normais de apli- cação de inseticidas. Também é considerada uma das espécies de lagartas de difícil con- trole em soja.

Controle

No Brasil, constataram-se dificuldades para o controle da lagarta falsa-medideira, da lagar- ta-preta e da lagarta-enroladeira, com as doses usadas para a lagarta da soja, Anticarsia gem- matalis. Faltam informações sobre doses e produtos eficientes para o controle das popu- lações dessas lagartas e também estudos para comprovar a ocorrência de espécies tolerantes ou populações resistentes a inseticidas.

Com base na experiência de aplicações em lavouras, pode-se sugerir a necessidade de doses mais elevadas de inseticidas fosforados, piretróides e fisiológicos para essas lagartas. Por outro lado, as restrições crescentes ao uso de inseticidas fosforados e piretróides deman- dam o lançamento de novos ingredientes ativos e de novas estratégias de controle de lagartas e de outras pragas na cultura da soja. Também é necessário adotar práticas de rotação de produtos de diferentes grupos químicos, incluindo carbamatos, para evitar a seleção de populações resistentes a inseticidas. Finalmente, considerando a importância da cultura da soja no Brasil, na Argentina e no Paraguai, abrangendo quase 40 milhões de hectares no mesmo ambiente, é necessário dis- pensar especial atenção à adoção de métodos de controle de pragas, que devem envolver monitoramento de populações, rotação de uso de inseticidas de diferentes grupos de ação e, especialmente, estímulo aos fatores de con- trole biológico natural.

Autoria: Dirceu N. Gassen – Engenheiro Agrônomo (CREA 122101/D) [email protected]

Lagarta-preta, Spodoptera cosmioides, em soja Lagarta-enroladeira, Omiodes indicatus, em soja

Com o nome técnico de Flubendiamide, a Bayer CropScience desenvolveu e está registrando no Brasil um novo inseticida lagarticida específico para uso em dife- rentes culturas. Belt é o primeiro membro de uma nova classe química de insetici- das, as benzenodicarboxamidas (BDCA), derivados de ácido fitálico. O modo de ação deste novo grupo é tam- bém inédito e ocorre na ativação de uma grande proteína intracelular, o receptor de rianodina, que são canais especializados na liberação rápida de cálcio, que provo- cam a transmissão de estímulos do sis- tema nervoso. Na presença de Fluben- diamide, os canais permanecem abertos e todo o cálcio disponível é liberado de forma descontrolada. Os insetos perdem o controle dos estímulos nervosos, per- manecendo imóveis e cessando imediata- mente sua alimentação. Além do novo mecanismo de ação, Belt também apresenta características toxicoló- gicas muito favoráveis e uma excelente

seletividade a insetos benéficos e inimigos naturais. É assim um produto inovador e muito apto para estratégias de manejo de resistência e programas de manejo integrado de pragas (MIP), nas principais culturas com proble- mas de lagartas. Desta forma a Bayer CropScience passará a contar com três diferentes grupos quími- cos, com modo de ação diferente, para um manejo de lagartas com inseticidas de menor impacto:

Certero (Triflumuron) – Fisiológico, ini- bidor de síntese de quitina. Larvin (Thiodicarb) – Carbamato, inibi- dor da acetilcolinesterase. Belt (Flubendiamide) – Derivado de ácido fitálico, modulador do receptor de riano- dina, desequilibrante do balanço de Ca+.

Desenvolvimento de Inseticidas - Bayer CropScience

BELT - UM NOVO MECANISMO DE

AÇÃO PARA O CONTROLE DE LAGARTAS

Indicações de Belt para a cultura da soja

Lagarta-da-soja............................................ .20 a 25 mL / ha Anticarsia gemmatalis Lagarta-falsa-medideira..................................... .50 a 70 mL /ha Pseudoplusia includens Lagarta-militar............................................. .50 a 70 mL /ha Spodoptera frugiperda

Controle de lagarta-da-soja

(Anticarsia gemmatalis)

Bayer CropScience - Ponta Grossa (PR) 2006

Controle de lagarta-falsa-medideira

(Pseudoplusia includens)

FFALM - Bandeirantes (PR) 2006

Controle de lagarta-preta

(Spodoptera sp)

Universidade Federal de Uberlândia (MG) 2007

Controle de lagarta-enroladeira

(Omiodes indicatus)

Fundação Rio Verde - Lucas do Rio Verde (MT) - 2007

As múltiplas condições desfavoráveis ao crescimento e desenvolvimento das plantas que ocorrem em um nicho ecológico ou em uma localidade podem ser caracterizadas comumente como condições de estresse. Nesse contexto, em qualquer comunidade vegetal, as espécies e os indivíduos mais fra- cos são suprimidos ou debilitados pelo com- prometimento da eficiência metabólica, pela competição por espaço vital e por fatores básicos de produção. As espécies cultivadas, em inúmeras locali- dades, se desenvolvem, crescem e se repro- duzem em meio a situações desfavoráveis de natureza diversa, as quais poderão contribuir para a limitação de sua potencialidade produ- tiva e plena sobrevivência.

Estresses

Estresse pode ser conceituado como sendo o conjunto de reações de um organismo a agressões de ordem física, fisiológica ou de outra natureza, capazes de interferir em seu estado normal de equilíbrio ( homeostase ). O fator responsável pela alteração do estado de equilíbrio desse organismo é designado como agente estressor. Em função da natureza do agente, pode-se qualificar o tipo de estresse como biótico (patógenos, insetos- praga, nematóides e homem, além de outros) ou abiótico (água, luz, calor, nutrientes e agroquímicos, além de outros). Em suma, o estresse determina um desvio sig- nificativo das condições ótimas para a vida e induz mudanças e respostas em todos os níveis funcionais do organismo, as quais podem ser reversíveis ou permanentes, em função das condições impostas. Mesmo se uma condição de estresse for temporária, a planta perde vita- lidade à medida que esse estado se prolonga. O estado de estresse impõe a manifestação de diferentes tipos de mecanismos não específi- cos ou de largo espectro, de acordo com o grau de severidade do distúrbio. Assim, as plantas necessitarão promover mudanças de vários tipos:

  • nas atividades enzimáticas, aumentando a disponibilidade de peroxidases, catalases, glutadionas e redutases, além de outras;
  • no favorecimento do acúmulo de antioxi- dantes (ácido ascórbico e tocoferol); subs- tâncias osmoticamente ativas (prolina, gli- cina-betaina e polióis) e outras substâncias

de metabolismo secundário como os poli- fenóis e antocianinas;

  • e, sobretudo,na biossíntese de poliaminas e de alguns hormônios vegetais, como ácido abscísico (ABA), ácido jasmônico (jasmo- nato) e etileno (ET). O ácido abscísico, dentre outras funções, é responsável pela abertura e fechamento dos estômatos; pela síntese de proteínas prote- toras e reparadoras das membranas celulares e pelo aumento da condutividade hidráulica das raízes. Por outro lado, o ácido jasmônico ou jasmonato é o hormônio vegetal que ativa os inúmeros mecanismos de defesa da plan- ta, principalmente contra insetos. Outras manifestações relacionadas às con- dições de estresse podem ser representadas por alterações significativas no potencial de membrana; no transporte de substâncias; no aumento da respiração; na redução da taxa fotossintética; na redução no acúmulo de matéria seca; em distúrbios no crescimento; na diminuição da fertilidade e na senescência prematura de tecidos e de plantas. O estresse impõe à planta um gasto energéti- co extra, representado pelo custo metabólico despendido na biossíntese de compostos secundários e no desencadeamento das estratégias de adaptação, computado em gra- mas de CO 2 fixado, que deveriam ser dire- cionados à produção de biomassa e à mani- festação do potencial produtivo da espécie.

Estresses na germinação e na emergência Há muitos séculos, o milho vem sendo utiliza- do como alimento e, em decorrência de sua extrema importância, o homem tem procurado estender os limites geográficos da sua pro- dução. Sua a germinação ocorre em duas se- manas quando as sementes forem submetidas a 10,5° C de temperatura; em quatro dias a 15- 16° C e em três dias a 18-20° C. O processo de germinação das sementes é desencadeado pela absorção de água (embebição) e absorção de oxigênio, devido a diferenças de potencial osmótico entre a semente e o meio. A germinação lenta predispõe a semente e a plântula a menor tolerância a condições ambientais adversas, bem como ao ataque de patógenos, principalmente fungos dos gêneros Fusarium, Rhizoctonia e Pythium. A maior influência no processo e duração dessa

etapa encontra-se relacionada com a tempe- ratura reinante, a profundidade de semeadura e a disponibilidade de água. Alguns autores relatam que, em virtude do tamanho avanta- jado do endosperma e do embrião do milho, as plântulas provenientes de semeaduras pro- fundas conseguem emergir, porém tardia- mente, e sua menor taxa de crescimento e/ou sobrevivência é resultante da ocorrência de temperaturas mais baixas e menor disponi- bilidade de oxigênio naquelas condições, bem como ao maior tempo de exposição a pragas e patógenos. A etapa de germinação/emergência reveste-se de fundamental importância para o pleno esta- belecimento da cultura, para a uniformização dos estádios fenológicos e para a consolidação da população de plantas (estande), fatos que contribuem para a determinação do potencial produtivo do cereal. Assim, essa etapa deverá ser favorecida e protegida mediante o emprego de tratamento de sementes, incluindo inseticidas, fungicidas e bioestimulantes.

Estresses nos estádios fenológicos iniciais Nos estádios iniciais de desenvolvimento do milho (até V6), o sistema radicular se consti- tui no dreno principal da planta e seu cresci- mento é decisivamente influenciado pelo suprimento de carboidratos sintetizados e acumulados na parte aérea, nessa etapa. A diminuição dessa disponibilidade, bem como a dificuldade de translocação de açúcares, contribuirá para a diminuição do volume de solo a ser explorado pela planta. Nesse par- ticular, qualquer anormalidade que interfira na área foliar e no metabolismo da planta, tais como os danos provocados pela lagarta- do-cartucho ( Spodoptera frugiperda ) e, prin- cipalmente, pelo percevejo-barriga-verde ( Dichelops spp. ), ou que provoque a destru- ição de raízes (pragas e patógenos de solo) podem reduzir irreversivelmente o potencial produtivo do milho. O desenvolvimento do sistema radicular está associado ao desempenho da parte aérea. Assim o valor da relação parte aérea/raízes (PA/R) varia em função das condições do meio e do estádio fenológico da planta. A elevada disponibilidade de nitrogênio e água, aliada ao balanço hormonal, determina o aumento da PA/R, enquanto que o estresse

O aproveitamento da elevada capacidade produtiva do

milho depende não só das condições presentes no ambiente

de produção, mas igualmente de estratégias de manejo que

busquem minimizar eventuais condições de estresse

hídrico induz a redução do valor dessa relação, principalmente pela ação do ABA. Ainda, entre a emissão da quarta e da sexta folha, a região de crescimento da planta (teci- do meristemático) atinge a superfície do solo iniciando o processo de diferenciação floral, o qual origina os primórdios da panícula e da espiga, bem como principia a definição do potencial de produção da espécie. Assim, a falta de água no estádio V4 provo- ca a perda irreversível de produção, con- forme é observado na tabela 1.

Estresses na fase vegetativa

Nessa etapa de desenvolvimento do milho, ocorre o crescimento do colmo em diâmetro e comprimento (V6 a V10), a rápida expan- são das folhas e a aceleração do crescimento das estruturas reprodutivas. Para o milho, o colmo não somente atua como suporte de folhas e inflorescências, mas, prin- cipalmente, como uma estrutura destinada ao armazenamento de reservas (carboidratos e nutrientes) que serão utilizadas posterior- mente na formação dos grãos, sobretudo em condições emergenciais. Assim, estresses hídrico e nutricional, nessa etapa, podem afetar o comprimento e o diâmetro dos internódios, concorrendo para a diminuição da capacidade de armazenamento de excedentes de fotossintetizados no colmo. Salienta-se que, no período compreendido entre a emissão da sétima e da décima folha, tem início a definição do número de fileiras da espiga (caráter genético). Todavia, qualquer tipo de estresse nessa etapa poderá afetar ne- gativamente esse componente da produção, principalmente a falta de água, de luz e de nutrientes (N, P, K e Ca), bem como o uso tar- dio de sulfoniluréias e de outros agroquímicos que interfiram no metabolismo da planta. O estádio compreendido entre V12 (décima segunda folha) e V14 (décima quarta folha) é caracterizado pela presença de 85% a 90% da área foliar definida, bem como pelo início da confirmação do número (prolificidade) e do tamanho da espiga. Nesse estádio, a menor disponibilidade de água, a restrição luminosa,

o comprometimento da área foliar (pragas e doenças) e a acentuada taxa respiratória (con- figuração de situações de estresse), poderão reduzir o potencial produtivo da espécie. Nessa etapa, a ausência de luz e/ou a redução da taxa fotossintética, por outras razões, resul- tam em perda irreversível de produção, con- forme observado na tabela 2.

Estresses no florescimento

Na etapa de pré-pendoamento (emborracha- mento) a planta encontra-se na fase final dos processos de macrosporogênese e de micros- porogênese, para em seguida iniciar o flo- rescimento, que é acompanhado da parali- sação da emissão de folhas e da elongação do colmo e dos internódios. Nesse estádio, a espiga expõe seu estilo-estigma (conhecido vulgarmente como "cabelo" ou "barba"), que continua a crescer até que seja polinizados, dando seqüência ao processo de fecundação do óvulo, consolidando a confirmação do número de grãos por espiga. O estilo-estigma aparece durante um período aproximado de três a cinco dias, sendo recepti- vo à polinização imediatamente após sua emis- são, podendo assim permanecer por até 14 dias, desde que mantidas as condições favoráveis à sua viabilidade

(temperatura entre 16 e 350 C, aliada a umidade relativa do ar superior a 65%). Devido à importância do estilo-estigma para a concretiza- ção da produção, recomenda-se constante vigi- lância neste estádio, evitando-se a sua destru- ição, principalmente pela ocorrência de pragas (lagarta da espiga e outros insetos). Adicio- nalmente, a integridade e o funcionamento efe- tivo do estilo-estigma podem ser afetados pela exposição excessiva a raios ultravioletas, ozônio, distúrbios hormonais, bem como defi- ciência de cálcio e boro. A emissão e a dispersão dos grãos de pólen usualmente ocorrem dois a três dias antes da emissão do estilo-estigma, caracterizando a natureza protândrica da quase totalidade dos genótipos de milho disponíveis no mercado nacional, favorecendo o mecanismo de polini- zação cruzada. Tal período de dispersão pode se estender até o décimo quarto dia, embora períodos mais curtos (cinco a oito dias) sejam também constatados em condições de ocorrência de estresse biótico ou abiótico.

Tabela 2 - Desempenho da cultura de milho submetida ao estresse por água e luz

em diferentes estádios de desenvolvimento vegetativo. Baldo e Fancelli (2006).

Tipo de Estresse Estádio Número de IAF Produtividade Produtividade folhas (nº) (kg/ha) (sc/ha) Estresse por água V12 19,5 4,68 7.263 121, Estresse por luz V12 20 3,76 6.311 105, Sem estresse --- 20 4,96 10.194 169,

Tabela 1 - Desempenho da cultura de milho submetida ao estresse por água e luz

em diferentes estádios de desenvolvimento vegetativo. Baldo e Fancelli (2006).

Tipo de Estresse Estádio Número de IAF Produtividade Produtividade folhas (nº) (kg/ha) (sc/ha) Estresse por água V4 19 4,44 8.125 135, Estresse por luz V4 20 4,55 9.084 151, Sem estresse --- 20 4,96 10.194 169,

O Imidacloprid contribui para o vigor das plantas em situações de estresse (plantas tratadas à esquerda)

O grau de interferência imposto pelas plantas daninhas à cultura do milho é determinado pelas espécies que ocorrem na área, pela dis- tribuição espacial da comunidade infestante e pelo período de convivência entre as plan- tas daninhas, a cultura e o ambiente. A com- petição por nutrientes essenciais é de grande importância, pois estes, na maioria das vezes, são limitados. As principais plantas daninhas presentes na cultura são Bidens pilosa (picão-preto, figura 1), Commelina ssp. (trapoeraba, figura 2), Cenchrus echina- tus L. (timbete, figura 3), Ipomoea spp. (corda-de-viola, figura 4), Euphorbia hetero- phylla (leiteiro, figura 5), Brachiaria plan- taginea (marmelada, figura 6) e Digitaria spp (colchão).

Mundialmente, as perdas de produção da cul- tura do milho pela interferência das plantas daninhas são estimadas em aproximadamente 13%. Com base nesse percentual, as perdas de produção de milho causadas por plantas dani- nhas, no Brasil, na safra 2006/2007, podem ter chegado a 6,5 milhões de toneladas. As que- bras podem variar de um ano para outro e de região para região, variando de 10% a 85%.

Manejo A eficiência no controle de plantas daninhas está diretamente relacionada ao sistema inte- grado de práticas agrícolas. O manejo (preven- tivo ou cultural, incluindo controle manual, mecânico ou químico, isoladamente ou em associação) deve ser utilizado com o objetivo de racionalizar o uso dos herbicidas, do ambi- ente e dos custos de produção.

Plantas daninhas são ameaça

que se renova ano após ano

MILHO

O grau de severidade da competição das plantas daninhas com a cultura varia em

função das espécies infestantes e de sua população, cujo maior ou menor cresci-

mento depende de diferentes fatores. Porém, em todos os casos, é um problema que

exige atenção, pois pode causar fortes prejuízos aos agricultores

Preventivo – Recomendam-se a limpeza rigo- rosa das máquinas e implementos e o controle das invasoras, impedindo a produção de se- mentes e estruturas de reprodução.

Cultural - Consiste na utilização das carac- terísticas da cultura e do meio ambiente para aumentar sua competitividade, favorecendo o crescimento e o desenvolvimento das plan- tas de milho, tais como:

  • Uso de variedades adaptadas às regiões - O uso de cultivares que se desenvolvem mais rapidamente e cobrem o solo de maneira mais intensa, sofrendo menos com a interferência que venha a surgir, controla melhor as plantas daninhas.
  • Densidade de semeadura - Cada cultura apresenta uma densidade ótima (com a qual o rendimento é máximo), que é variável para cada situação e depende de três condições: cultivar, disponibilidade hídrica e disponibilidade de nutrientes.
  • Espaçamento - O arranjo eqüidistante das plantas de milho, com a redução do espaça- mento entre fileiras, diminui o potencial de crescimento das plantas daninhas, devido à redução da quantidade de luz que penetra através da cultura.
  • Época de plantio do milho - A época mais adequada é aquela em que o período de flo- ração coincide com os dias mais longos do ano e a etapa de enchimento de grãos, com o período de temperaturas mais elevadas e alta disponibilidade de radiação solar, desde que satisfeitas as necessidades de água da planta. Na região Sul do Brasil, o milho costuma ser plantado de agosto a setembro; e nos estados do Centro-Oeste e Sudeste, de outubro a novembro.
  • Uso de cobertura morta - A cobertura vegetal sobre o solo diminui a emergência de plantas daninhas devido aos efeitos físicos e alelopáticos dessas plantas.
  • Alelopatia - São produtos naturais biode- gradáveis e não persistem no solo como poluentes. A adição da parte aérea da leuce- na ( Leucaena leucocephala (Lam.) De Wit) ao solo inibe o desenvolvimento das plantas daninhas, devido ao efeito físico da cober- tura e à liberação de aleloquímicos. Efeito similar produzem as culturas de aveia, sorgo, centeio, nabo-forrageiro e colza.
  • Rotação de culturas - Proporciona menor infestação de plantas daninhas do que a sucessão contínua de culturas, além de per- mitir a rotação de herbicidas na área.

Capina manual Geralmente, os produtores utilizam duas a três capinas com enxada nos primeiros 40 a 50 dias da lavoura. A partir daí, o crescimen- to da cultura reduz as condições favoráveis à

germinação e ao desenvolvimento das plan- tas daninhas. Capina mecânica A capina mecânica, com cultivador traciona- do por animais ou tratores, ainda é usada no Brasil. Deve ser feita nos primeiros 40 a 50 dias após a emergência da cultura.

Controle químico Consiste na utilização de herbicidas registra- dos no Ministério da Agricultura e Abas- tecimento e nas Secretarias de Agricultura para a cultura do milho. É necessário conhe- cer a seletividade do herbicida para a cultura e, principalmente, sua eficiência. Por seu alto custo inicial, esse controle é indicado para lavouras de portes médio e grande, com alto nível tecnológico e produtividade acima de 4.000 kg/ha.

Época de aplicação Os herbicidas são classificados em: pré-plan- tio-incorporado (exigem incorporação ao solo), pré-emergência (aplicados após o plantio da cultura e antes da emergência desta e das plantas daninhas), pós-emergên- cia (aplicados após a emergência da cultura e da planta daninha) e dessecantes (usados no manejo das plantas daninhas no sistema de plantio direto antes do plantio da cultura).

Atividade Os herbicidas podem ser classificados como sistêmicos (absorvidos pelas plantas e translocados em seu interior) ou de contato.

Seletividade A seletividade dos herbicidas depende prin- cipalmente do grau de tolerância das plantas a eles. Os seletivos podem ser aplicados na cultura do milho, enquanto os não seletivos podem ocasionar a morte de plantas.

Plantas daninhas resistentes O aparecimento de plantas daninhas resis- tentes a herbicidas (tabela 1) depende de fatores como adaptabilidade ecológica e capacidade de se proliferar, longevidade e dormência das sementes da espécie ou do biótipo sob seleção, freqüência de utilização de herbicidas com mesmo mecanismo de ação e sua persistência no solo, bem como a eficácia do herbicida e dos métodos adi- cionais empregados no controle das plantas daninhas. Para prevenir a resistência, recomenda-se: utilizar a rotação de culturas; promover o manejo adequado dos herbicidas; prevenir a disseminação de sementes por meio do uso de equipamentos limpos; limpar os equipa- mentos utilizando bombas d’água ou ar com- primido para remoção das sementes; moni- torar a evolução inicial da resistência; e con- trolar as plantas daninhas suspeitas de resistência antes que produzam sementes.

Fig. 1 - Picão-preto

Fig. 2 - Trapoeraba

Fig. 3 - Timbete

Fig. 4 - Corda-de-viola

Fig. 5 - Leiteiro

Fig. 6 - Capim-marmelada

Fig. 7 - Capim-colchão

A exemplo dos herbicidas pré-emergentes, os produtos recomendados para a pós-emergência precoce e inicial possuem ação residual variada e, além de controlar as plantas daninhas emergidas, controlam também as que ainda irão nascer no período de ação do herbicida. Os melhores resultados de pulverização em pós-emergência precoce e inicial têm sido obtidos por produtores que pulverizam nas primeiras horas do dia, com vazão na faixa de 100 a 250 l/ha. Com relação às sulfonilureias, a aplicação exige um intervalo de sete dias para a utiliza- ção de inseticidas organofosforados. O ideal, nesse caso, é o uso de inseticidas fisiológicos ou à base de piretroídes, manejando as pragas da cultura sem interferir na ação do herbicida. As sulfoniluréias (nicosulfuron e foransulfuron

  • iodosulfuron) inibem a acetolactato sintase (ALS), impedem a síntese de aminoácidos essenciais, como valina, leucina e isoleucina e seu sintoma típico de fitotoxicidade é a desco- loração da porção mediana da lâmina das fo- lhas centrais da planta). A seletividade da cul- tura do milho a sulfoniluréias deve-se à sua capacidade de metabolizar o produto em com- postos não ativos. Cultivares tolerantes pare- cem metabolizar sulfoniluréias mais rapida- mente. A existência de tolerância diferencial de híbridos de milho a sulfoniluréias restringe a utilização de nicosulfuron a determinadas cul- tivares que tolerem o produto. O carfentrazone pode ser utilizado para o con- trole de dicotiledôneas em pós-emergência. Os sintomas de fitotoxicidade podem ser observados poucas horas após a aplicação, sendo a morte da planta constatada em uma

semana. A seletividade detectada nas plantas devido à aplicação de carfentrazone-ethyl deve-se ao metabolismo de detoxificação do composto químico. Cultivares de milho doce e normal apresentam boa seletividade a esse ingrediente ativo. O mesotrione é seletivo e apresenta baixa toxicidade, com pequeno risco para os mamíferos, pássaros, ambiente e espécies aquáticas. Deve ser aplicado em pós- emergência para o controle de folhas largas anuais e gramíneas.

Novo herbicida Do grupo químico das triquetonas, encontra- se em fase de registro no Brasil, o herbicida tembotrione (Soberan). Seu modo de ação consiste na inibição da biossíntese de carotenóides através da interferência na atividade da enzima HPPD (4-idroxife- nilpiruvato-dioxigenase) nos cloroplastos. Os sintomas fitotóxicos observados incluem branqueamento das plantas sensíveis com necrose e morte dos tecidos vegetais em uma a duas semanas. O milho é tolerante às tri- quetonas devido a sua capacidade de metabo- lizar rapidamente o herbicida, produzindo metabólitos sem atividade tóxica. A absorção do herbicida ocorre tanto nas raízes quanto nas folhas e ramos.

Controle para beneficiar a colheita Com o advento das aplicações seqüenciais, em que as doses dos herbicidas são diminuí- das, o tratamento nas entrelinhas do milho torna-se cada vez mais importante, comple- mentando a aplicação feita na pré-emergência

ou nas fases da pós-emergência. O objetivo principal é melhorar as condições de colheita. Os herbicidas são aplicados de forma que o jato do pulverizador atinja somente as folhas baixeiras e não as superiores, o que exige que as plantas de milho estejam no estádio acima de quatro pares de folhas, com altura mínima de 40 a 50 cm. Os herbicidas mais comu- mente utilizados nesse tipo de tratamento são os à base de paraquat e glufosinato de amônio, que têm ação de contato e não apre- sentam efeito residual. Cuidados devem ser tomados com a aplicação de herbicidas sistêmicos não seletivos, evitando o contato do produto com a planta de milho. A pulve- rização dirigida pode ser feita com um pul- verizador costal, dirigida às manchas de maior infestação ou, em casos de grandes lavouras, com um pulverizador de barra tra- torizado. Neste caso, recomenda-se o uso de barra especial com pingentes de mola, que permitam baixar os bicos e dirigir o jato à base das plantas, ou com protetores, para evi- tar a aplicação nas plantas do milho. Se o milho estiver muito alto, a barra do pulveri- zador pode quebrar a cana da planta.

Operações de pós-colheita Para que na safra seguinte a população de plantas daninhas não aumente, o produtor deverá controlá-las antes da reprodução, uti- lizando os herbicidas para o manejo de plan- tio direto ou algum meio mecânico para roçar a parte aérea.

Autoria: Décio Karam, Engenheiro Agrônomo (CREA 117496/0) e Michelle Barbeiro da Cruz, Bióloga, pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo.

Mudanças de clima,

expansão da área plantada

e utilização de cultivares

com diferentes graus de

resistência têm contribuído

para aumentar a incidência

de várias doenças foliares

na cultura do milho,

requerendo maior atenção

por parte dos produtores

Algumas doenças, pelo aumento da freqüência e severidade com que vêm ocorrendo, têm causado sensível redução na qualidade e na produtividade do milho. As principais são a mancha-branca (etiologia indefinida); as ferru- gens causadas por Puccinia sorghi (ferrugem- comum), Puccinia polysora (ferrugem-polis- sora) e Phyzopella zeae (ferrugem-branca ou tropical); a queima-de-turcicum ( Exserohilum turcicum ); a cercosporiose ( Cercospora zeae- maydis e Cercospora sorghi f. sp. maydis ); a mancha foliar por Stenocarpella macrospora (= Diplodia macrospora ) e a antracnose-foliar ( Colletotrichum graminicola ). Vários fatores podem estar associados ao aumento da incidência de doenças na cultura do milho, podendo-se destacar o aumento da área cultivada; o aumento do número de cul- tivares comerciais com diferentes níveis de resistência às doenças; o manejo inadequado da irrigação, os plantios diretos de milho sobre restos de cultura de milho infectados por patógenos e os plantios consecutivos de milho na mesma área durante o ano todo. A incidência e a severidade dessas doenças, como em qualquer cultura, são variáveis e influenciadas por fatores diversos, como condições climáticas, suscetibilidade da cul- tivar (sendo que, para a safra 2006/2007, o mercado brasileiro de sementes de milho recebeu 275 cultivares), raça ou estirpe do patógeno, que ao longo do tempo pode so- frer modificações, tanto em composição como em intensidade. O monitoramento contínuo da dinâmica dessas mudanças pode permitir a determi- nação dos níveis de incidência e severidade das doenças e a importância relativa de cada uma. Por outro lado, o conhecimento das condições que favorecem essas doenças con- tribui para a previsão de epidemias, para o estabelecimento de mapas de risco e para a adoção de medidas preventivas e de controle. Os fungos que causam lesões foliares e têm preferência em atacar as folhas baixeiras do milho, são particularmente favorecidos pela água de irrigação ou de chuva, podendo-se citar o caso da mancha-branca. As ferrugens comuns causadas por Puccinia sorghi , a polis- sora causada por Puccinia polysora e a branca