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seja o doutor do seu milho, Notas de estudo de Engenharia Agronômica

seja o doutor do seu milho

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 21/12/2009

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POTAFOS - Caixa Postal 400 CEP 13400-970 Piracicaba-SP Telefone e fax: (19) 433-3254 1
de extrativa, com baixas produções por unidade de área, para uma
agricultura intensiva e tecnificada, com o uso de irrigação. Em
condições de baixa produtividade, em que as exigências nutricionais
são menores (Tabela 1), mesmo uma modesta contribuição do
nitrogênio e do potássio suprida pelo solo pode ser suficiente para
eliminar o efeito da adubação com estes nutrientes.
Tabela 1. Extração média de nutrientes pela cultura do milho destinada
à produção de grãos e silagem em diferentes níveis de
produtividade.
Nutrientes extraídos
N P K Ca Mg
t/ha - - - - - - - - - - - kg/ha - - - - - - - - - - - -
Grãos 3,65 77 9 83 10 10
5,80 100 19 95 17 17
7,87 167 33 113 27 25
9,17 187 34 143 30 28
10,15 217 42 157 32 33
11,60 115 15 69 35 26
15,31 181 21 213 41 28
17,13 230 23 271 52 31
18,65 231 26 259 58 32
Fonte: COELHO et al. (dados não publicados).
No que se refere à exportação dos nutrientes nos grãos, o
fósforo é quase todo translocado para as sementes (80 a 90%),
seguindo-se o nitrogênio (75%), o enxofre (60%), o magnésio
(50%), o potássio (20-30%) e o cálcio (10-15%). Isso implica que
a incorporação dos restos culturais do milho devolve ao solo grande
parte dos nutrientes, principalmente potássio e cálcio, contidos na
palhada.
Quando o milho é colhido para silagem, além dos grãos, a
parte vegetativa também é removida, havendo conseqüentemente
alta extração e exportação de nutrientes (Tabela 1). Assim, problemas
de fertilidade do solo se manifestarão mais cedo na produção de
silagem do que na produção de grãos, principalmente se a primeira
for obtida de uma mesma área por vários anos consecutivos e se não
for adotado um sistema de manejo de solo e adubações adequadas.
Um programa de calagem e adubação, visando a manutenção de
altas produtividades, requer um monitoramento periódico do ín-
dice de fertilidade do solo, através da análise química, para se evitar
o empobrecimento e/ou o desbalanço de nutrientes no solo.
ARQUIVO DO AGRÔNOMO - Nº 2
1 Pesquisador da EMBRAPA-CNPMS. Caixa Postal 151, 35701-970 Sete Lagoas-MG. Telefone: (31) 773-5644.
Produtividade
Tipo de
exploração
NUTRIÇÃO E ADUBAÇÃO
INTRODUÇÃO
Apesar do alto potencial produtivo da cultura do
milho, evidenciado por produtividades de 10 e de
70 t/ha de grãos e forragem, respectivamente,
alcançadas no Brasil em condições experimentais e por agricultores
que adotam tecnologias adequadas, o que se observa na prática é
que sua produção é muito baixa e irregular: 2,0 a 3,0 t de grãos/ha
e 10,0 a 45,0 t de massa verde/ha.
Considera-se que a fertilidade do solo seja um dos principais
fatores responsáveis por essa baixa produtividade das áreas
destinadas tanto para a produção de grãos como de forragem. Esse
fato não se deve apenas aos baixos níveis de nutrientes presentes
nos solos, mas também ao uso inadequado de calagem e adubações,
principalmente com nitrogênio e potássio, e também à alta
capacidade extrativa do milho colhido para produção de forragem.
A cultura do milho apresenta grandes diferenças no uso de
fertilizantes entre as várias regiões do país.
EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS
As necessidades nutricionais de qualquer planta são
determinadas pela quantidade de nutrientes que esta extrai durante
o seu ciclo. Esta extração total dependerá, portanto, do rendimento
obtido e da concentração de nutrientes nos grãos e na palhada.
Assim, tanto na produção de grãos como na de silagem será
necessário colocar à disposição da planta a quantidade total de
nutrientes que esta extrai, que devem ser fornecidos pelo solo e
através de adubações. Dados médios de experimentos conduzidos
por COELHO et al. (dados não publicados), com doses moderadas
a altas de fertilizantes, dão uma idéia da extração de nutrientes pelo
milho, cultivado para produção de grãos e silagem (Tabela 1).
Observa-se que a extração de nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio
e magnésio aumenta linearmente com o aumento na produção, e
que a maior exigência do milho refere-se a nitrogênio e potássio,
seguindo-se cálcio, magnésio e fósforo.
Com relação aos micronutrientes, as quantidades requeridas
pelas plantas de milho são muito pequenas. Por exemplo, para uma
produção de 9 t de grãos/ha, são extraídos: 2.100 g de ferro, 340 g
de manganês, 110 g de cobre, 400 g de zinco, 170 g de boro e 9 g
de molibdênio. Entretanto, a deficiência de um deles pode ter tanto
efeito na desorganização de processos metabólicos quanto a defi-
ciência de um macronutriente como, por exemplo, o nitrogênio.
Dentre os nutrientes, a importância do nitrogênio e do
potássio sobressai quando o sistema de produção agrícola passa
Antônio Marcos Coelho(1)
Gonçalo Evangelista de França(1)
(2ª edição - ampliada e totalmente modificada)
Seja o doutor do seu milho
Silagem
(matéria seca)
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POTAFOS - Caixa Postal 400 CEP 13400-970 Piracicaba-SP Telefone e fax: (19) 433-3254 1

de extrativa, com baixas produções por unidade de área, para uma agricultura intensiva e tecnificada, com o uso de irrigação. Em condições de baixa produtividade, em que as exigências nutricionais são menores (Tabela 1), mesmo uma modesta contribuição do nitrogênio e do potássio suprida pelo solo pode ser suficiente para eliminar o efeito da adubação com estes nutrientes.

Tabela 1. Extração média de nutrientes pela cultura do milho destinada à produção de grãos e silagem em diferentes níveis de produtividade. Nutrientes extraídos N P K Ca Mg t/ha - - - - - - - - - - - kg/ha - - - - - - - - - - - - Grãos 3,65 77 9 83 10 10 5,80 100 19 95 17 17 7,87 167 33 113 27 25 9,17 187 34 143 30 28 10,15 217 42 157 32 33

11,60 115 15 69 35 26 15,31 181 21 213 41 28 17,13 230 23 271 52 31 18,65 231 26 259 58 32 Fonte: COELHO et al. (dados não publicados).

No que se refere à exportação dos nutrientes nos grãos, o fósforo é quase todo translocado para as sementes (80 a 90%), seguindo-se o nitrogênio (75%), o enxofre (60%), o magnésio (50%), o potássio (20-30%) e o cálcio (10-15%). Isso implica que a incorporação dos restos culturais do milho devolve ao solo grande parte dos nutrientes, principalmente potássio e cálcio, contidos na palhada. Quando o milho é colhido para silagem, além dos grãos, a parte vegetativa também é removida, havendo conseqüentemente alta extração e exportação de nutrientes (Tabela 1). Assim, problemas de fertilidade do solo se manifestarão mais cedo na produção de silagem do que na produção de grãos, principalmente se a primeira for obtida de uma mesma área por vários anos consecutivos e se não for adotado um sistema de manejo de solo e adubações adequadas. Um programa de calagem e adubação, visando a manutenção de altas produtividades, requer um monitoramento periódico do ín- dice de fertilidade do solo, através da análise química, para se evitar o empobrecimento e/ou o desbalanço de nutrientes no solo.

ARQUIVO DO AGRÔNOMO - Nº 2

(^1) Pesquisador da EMBRAPA-CNPMS. Caixa Postal 151, 35701-970 Sete Lagoas-MG. Telefone: (31) 773-5644.

Produtividade

Tipo de exploração

NUTRIÇÃO E ADUBAÇÃO

INTRODUÇÃO

A

pesar do alto potencial produtivo da cultura do milho, evidenciado por produtividades de 10 e de 70 t/ha de grãos e forragem, respectivamente, alcançadas no Brasil em condições experimentais e por agricultores que adotam tecnologias adequadas, o que se observa na prática é que sua produção é muito baixa e irregular: 2,0 a 3,0 t de grãos/ha e 10,0 a 45,0 t de massa verde/ha.

Considera-se que a fertilidade do solo seja um dos principais fatores responsáveis por essa baixa produtividade das áreas destinadas tanto para a produção de grãos como de forragem. Esse fato não se deve apenas aos baixos níveis de nutrientes presentes nos solos, mas também ao uso inadequado de calagem e adubações, principalmente com nitrogênio e potássio, e também à alta capacidade extrativa do milho colhido para produção de forragem. A cultura do milho apresenta grandes diferenças no uso de fertilizantes entre as várias regiões do país.

EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS

As necessidades nutricionais de qualquer planta são determinadas pela quantidade de nutrientes que esta extrai durante o seu ciclo. Esta extração total dependerá, portanto, do rendimento obtido e da concentração de nutrientes nos grãos e na palhada. Assim, tanto na produção de grãos como na de silagem será necessário colocar à disposição da planta a quantidade total de nutrientes que esta extrai, que devem ser fornecidos pelo solo e através de adubações. Dados médios de experimentos conduzidos por COELHO et al. (dados não publicados), com doses moderadas a altas de fertilizantes, dão uma idéia da extração de nutrientes pelo milho, cultivado para produção de grãos e silagem (Tabela 1). Observa-se que a extração de nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio aumenta linearmente com o aumento na produção, e que a maior exigência do milho refere-se a nitrogênio e potássio, seguindo-se cálcio, magnésio e fósforo.

Com relação aos micronutrientes, as quantidades requeridas pelas plantas de milho são muito pequenas. Por exemplo, para uma produção de 9 t de grãos/ha, são extraídos: 2.100 g de ferro, 340 g de manganês, 110 g de cobre, 400 g de zinco, 170 g de boro e 9 g de molibdênio. Entretanto, a deficiência de um deles pode ter tanto efeito na desorganização de processos metabólicos quanto a defi- ciência de um macronutriente como, por exemplo, o nitrogênio.

Dentre os nutrientes, a importância do nitrogênio e do potássio sobressai quando o sistema de produção agrícola passa

Antônio Marcos Coelho (1) Gonçalo Evangelista de França (1)

(2ª edição - ampliada e totalmente modificada)

Seja o doutor do seu milho

Silagem (matéria seca)

2 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 2 - SETEMBRO/95 (2ª edição – ampliada e totalmente modificada)

Figura 1. Acumulação de nutrientes pela cultura do milho (adaptada de BÜLL, 1993).

Resultados obtidos por NOVAIS et al. (1974) sobre o parce- lamento do nitrogênio na cultura do milho mostram que o não suprimento deste nutriente durante a fase inicial de desenvolvi- mento vegetativo, com aplicação de toda a dose no florescimento (65 dap), assim como o excessivo número de aplicações parceladas, apresentaram menor eficiência do que a aplicação por ocasião do plantio e na fase de desenvolvimento vegetativo (Tabela 3).

Tabela 3. Efeito do parcelamento de nitrogênio, nas doses de 60 e 120 kg/ha, na produção de milho, em latossolo argiloso de Patos de Minas-MG. Época de aplicação – dap 1 Produção de espigas Plantio 25 45 65 60 120

                • % N aplicado - - - - - - - - - - - - - - - - - kg/ha - - - - - - - 0 0 100 0 5.339 7. 0 0 0 100 3.933 5. 33 0 67 0 5.941 7. 0 50 50 0 6.150 7. 33 33 34 0 6.261 6. 25 25 25 25 5.325 6. Testemunha 3. (^1) Dias após o plantio. Fonte: adaptada de NOVAIS et al. (1974).

ACUMULAÇÃO DE NUTRIENTES E MANEJO DA

ADUBAÇÃO

Definida a necessidade de aplicação de fertilizantes para a cultura do milho, o passo seguinte, e de grande importância no manejo da adubação, visando a máxima eficiência, é o conhecimento da absorção e acumulação de nutrientes nas diferentes fases de desenvolvimento da planta, identificando as épocas em que os elementos são exigidos em maiores quantidades. Esta informação, associada ao potencial de perdas por lixiviação de nutrientes nos diferentes tipos de solos, são fatores importantes a considerar na aplicação parcelada de fertilizantes para a cultura, principalmente sob condições irrigadas.

Embora a marcha de absorção de nutrientes seja afetada por clima, cultivares e sistemas de cultivo, de modo geral, pode-se dizer que os nutrientes são absorvidos durante todo o ciclo, sendo as diferenças verificadas nas velocidades de absorção destes em função do ciclo e na sua translocação das folhas e dos colmos para os órgãos reprodutivos.

Como exemplo, podemos citar estudos sobre acumulação de nutrientes realizados por Andrade et al., 1975, citados por BÜLL (1993) para a cultura do milho, cujos dados aparecem na Figura 1. A Figura 1 mostra que o milho apresenta períodos diferentes de intensa absorção, com o primeiro ocorrendo durante a fase de desenvolvimento vegetativo e o segundo durante a fase reprodu- tiva ou formação da espiga. A absorção de potássio apresenta um padrão diferente em relação ao nitrogênio e ao fósforo, com a máxima absorção ocorrendo no período de desenvolvimento vegetativo, com elevada taxa de acúmulo nos primeiros 30 a 40 dias de desenvolvimento, com taxa de absorção superior ao de nitrogênio e fósforo (Figura 1), sugerindo maior necessidade de potássio na fase inicial como um elemento de "arranque". Resultado de experimento (Tabela 2) conduzido em Latossolo Vermelho-Escuro de Sete Lagoas-MG, com baixo teor de potássio (0,08 meq/100 cm^3 ) na camada superficial (0 a 20 cm), mostrou que o parcelamento da adubação potássica reduziu a acumulação de matéria seca das folhas e colmos durante a fase vegetativa do milho e aumentou consideravelmente o quebramento do colmo (Tabela 2). Para o nitrogênio e o fósforo, o milho apresenta dois períodos de máxima absorção durante as fases de desenvolvimento vegetativo e reprodutivo ou formação da espiga, e menores taxas de absorção no período compreendido entre a emissão do pendão e o início da formação da espiga (OLNESS & BENOIT, 1992).

Tabela 2. Efeito do parcelamento do potássio na acumulação de matéria seca das folhas e colmos durante a fase vegetativa e quebramento de colmos do milho, cultivado em Latossolo Vermelho-Escuro de Sete Lagoas-MG.

Época de aplicação - dap (1)^ Estádios de desenvolvimento(2) Plantio 30 55 8F 12F Floresc.

                  • kg de K 2 O/ha - - - - - - - - - - - - - - - - - g/planta - - - - - - - - - - % 90 0 0 Folhas 16 35 33 45 45 Folhas 15 25 30 30 30 30 Folhas 17 28 27 90 0 0 Colmos 9 38 65 10 45 45 0 Colmos 8 24 65 13 30 30 30 Colmos 9 28 50 31 (1) (^) Dias após o plantio. (2) (^) Estádios de desenvolvimento: 8 folhas, 12 folhas e florescimento masculino (pendão).

Fonte: adaptada de COELHO et al. (dados não publicados).

Parte da planta

Quebramento dos colmos

4 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 2 - SETEMBRO/95 (2ª edição – ampliada e totalmente modificada)

Os teores foliares de macro e micronutrientes considerados adequados para culturas produtivas de milho, compilados de diversos autores por BÜLL (1993), são apresentados na Tabela 4.

Tabela 4. Teores foliares de nutrientes considerados adequados para a cultura do milho.

Macronutrientes Teor (%) Micronutrientes Teor (ppm)

Nitrogênio 2,75-3,25 Boro 15- Fósforo 0,19-0,35 Cobre 6- Potássio 1,75-2,97 Ferro 50- Cálcio 0,23-0,40 Manganês 42- Magnésio 0,15-0,40 Molibdênio 0,15-0, Enxofre 0,15-0,21 Zinco 15-

- Critérios para recomendação de doses de calcário

Para reduzir a acidez dos solos a níveis compatíveis com uma produção econômica necessita-se de métodos adequados que quantifiquem as doses de calcário a aplicar. Vários são os métodos utilizados e indicam quantidades diferentes de calcário para um mesmo solo e cultura. Dentre eles podem ser mencionados: a) Neutralização do alumínio trocável e/ou elevação dos teores de cálcio + magnésio; b) Elevação da saturação por bases; c) Solução tampão SMP.

Não existe um método específico de recomendação de doses de calcário para a cultura do milho. Entretanto, os métodos a e b são os mais comumente utilizados no Brasil, e a escolha de um ou outro método dependerá principalmente do nível tecnológico utilizado pelo agricultor e de sua disponibilidade de recursos financeiros para investimento em calcário, visto que, geralmente, dependendo do tipo de solo, as doses de calcário calculadas por esses métodos são diferentes.

a) Método do alumínio e cálcio + magnésio trocáveis

A necessidade de calagem (NC), para se corrigir a camada de 0-20 cm, é calculada com base na seguinte fórmula:

NC = Y x Al + [X - (Ca + Mg)] = t calcário/ha (PRNT = 100%)

O valor de Y é variável em função da textura do solo, sendo:

Y = valor 1, para solos arenosos (< 15% de argila); valor 2, para solos de textura média (15 a 35% de argila) e valor 3, para solos argilosos (> 35% de argila).

O valor de X para a cultura do milho é 2,0.

b) Método da saturação por bases

Neste método, a necessidade de calagem (NC) é calculada com a finalidade de elevar a porcentagem de saturação por bases (V%) da capacidade de troca de cátions, a pH 7,0, a um valor desejado, de acordo com a cultura. Usa-se a seguinte fórmula:

T (V 2 - V 1 ) PRNT

sendo:

NC = necessidade de calcário (t/ha), para uma camada de incorporação de 0-20 cm;

T = capacidade de troca de cátions (meq/100 cm^3 ), medida a pH 7,0;

V 2 = porcentagem de saturação por bases desejada. Para a cultura do milho busca-se elevá-la a 50-60%. V 1 = porcentagem de saturação por bases do solo amostrado. PRNT = poder relativo de neutralização total do calcário em %.

- Escolha do calcário

A indústria de calcário coloca no mercado produtos com ampla variação na granulometria, nos teores de cálcio e magnésio e no PRNT. Cabe ao técnico, com base na análise de solo, na exigência da cultura ao magnésio e no preço do calcário, analisar as várias alternativas oferecidas e decidir qual a solução mais técnica e econômica. A decisão final deverá ser tomada em termos de preço por tonelada efetiva, utilizando-se a seguinte relação: Preço por tonelada na propriedade PRNT (%) No Brasil, existe o conceito generalizado para o uso de calcários dolomítico e magnesiano, visando manter no solo uma relação Ca:Mg de 3:1 a 5:1. Entretanto, para a cultura do milho, experimentos realizados por COELHO (1994) demonstraram que esta relação pode ser mais ampla (Ca:Mg = 10:1), sem prejuízo da produção, desde que o teor de magnésio no solo esteja acima de 0,5 meq/100 cm 3 de solo. Esse mesmo autor não obteve resposta do milho ao magnésio em experimentos realizados em Latossolo Vermelho-Escuro com teor inicial de 0,5 meq de Mg/100 cm^3 de solo e que havia recebido doses de calcário calcítico (MgO = 0,27%) de até 6,0 t/ha.

- Aplicação de calcário De um modo geral, as recomendações de calagem indicam que a incorporação seja feita na profundidade de 20 cm apenas. É mais aconselhável, entretanto, incorporar o calcário em uma profundidade maior, corrigindo-se a acidez na camada de 30 cm pelo menos, permitindo às raízes explorarem maior volume de terra, aproveitando melhor a água e os nutrientes. Para que a calagem dê os resultados esperados, é necessário que o corretivo seja bem misturado com a terra, ficando em contato com todas as partículas do solo. Para se conseguir isso, o calcário (doses superiores a 2,0 t/ha) deve ser aplicado, de preferência, metade da dose antes da aração e metade depois da mesma. Desse modo se consegue uma distribuição uniforme e mais profunda do corretivo. Quando a dose de calcário a ser usada é relativamente grande, em geral maior que 5 t/ha, surge às vezes o receio de que a mesma, se aplicada em uma única vez, possa prejudicar a cultura. De fato, isso poderá acontecer se o calcário for mal aplicado, sem a antecedência devida e sem incorporar. O critério que determina o parcelamento das doses pesadas em 2 anos ou mais é apenas o valor do produto, do transporte e da distribuição, que poderá determinar esse procedimento para não onerar demasiadamente o custo de produção. - Critério para recomendação de gesso A tomada de decisão sobre o uso do gesso agrícola deve sempre ser feita com base no conhecimento das características químicas e na textura do solo, não apenas da camada arável, mas também das camadas subsuperficiais (20 a 40 cm e 40 a 60 cm). Há probabilidade de resposta ao gesso quando as camadas sub- superficiais do solo apresentarem as seguintes características:

NC =

Preço por tonelada efetiva =

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saturação por Al da CTC efetiva maior que 20%, ou o teor de Ca menor que 0,5 meq/100 cm 3 de solo.

Constatada as características das camadas subsuperficiais do solo que justifiquem o uso do gesso agrícola, sugere-se as seguintes doses:

  • solos de textura arenosa (< 15%) = 0,7 t/ha;
  • solos de textura média (15 a 35% de argila) = 1,2 t/ha;
  • solos argilosos (36 a 60% de argila) = 2,2 t/ha;
  • solos muito argilosos (> 60% de argila) = 3,2 t/ha. A aplicação de gesso agrícola deve ser feita a lanço na mesma época em que se proceder a adubação fosfatada corretiva. Se a área não for receber esta adubação, aplicar o gesso agrícola juntamente com o calcário, seguindo-se a incorporação com aração e gradagem.

É imprescindível o acompanhamento das alterações quími- cas através de análises nas camadas de 0 a 20, 20 a 40 e 40 a 60 cm, principalmente para se avaliarem os possíveis desbalanços nutricionais para magnésio e potássio em relação ao teor de cálcio.

NITROGÊNIO

O milho é uma cultura que remove grandes quantidades de nitrogênio e usualmente requer o uso de adubação nitrogenada em cobertura para complementar a quantidade suprida pelo solo, quando se deseja produtividades elevadas.

Resultados de experimentos conduzidos no Brasil, sob diversas condições de solo, clima e sistemas de cultivo, mostram resposta generalizada do milho à adubação nitrogenada (GROVE et al., 1980; CANTARELLA & RAIJ, 1986; FRANÇA et al., 1986; COELHO et al., 1992). Esses autores mostram que, em geral, de 70 a 90% dos ensaios de adubação com milho realizados a campo no Brasil respondem à aplicação de nitrogênio.

  • Avaliação da necessidade de adubação nitrogenada As principais formas de nitrogênio disponíveis para as plantas são amônio (NH 4 +) e nitrato (NO 3 - ), as quais representam menos de 2% do nitrogênio total do solo. Considerando-se que quase todo o nitrogênio do solo se faz presente na forma orgânica, é importante considerar também o nitrogênio que seria minerali- zado durante o ciclo da cultura. A análise apenas do nitrogênio inorgânico ou apenas o teor de matéria orgânica tem sido de pouca validade na avaliação da necessidade de se aplicar adubo nitro- genado. Uma das dificuldades na recomendação da adubação nitrogenada em cobertura é a falta de um método de análise que se adapte à de rotina de laboratório, que possibilite determinar um índice de fertilidade para esse nutriente. As recomendações atuais para a adubação nitrogenada em cobertura são realizadas com base em curvas de resposta, histórico da área e produtividade esperada. A recomendação da adubação nitrogenada em cobertura para a cultura do milho de sequeiro, de modo geral, varia de 40 a 70 kg de N/ha. Em agricultura irrigada, onde prevalece o uso de alta tecnologia, para a obtenção de ele- vadas produtividades esta recomendação seria insuficiente. Nes- tas condições, doses de nitrogênio variando de 100 a 200 kg/ha podem ser necessárias para obtenção de elevadas produtividades, conforme discutido anteriormente (Tabela 1).

A produtividade esperada pode ser estimada com certa margem de segurança quando se conhece a tecnologia usada pelo agricultor. Nesta avaliação deve-se levar em conta o manejo de solo e água, cultivares adaptadas e práticas culturais utilizadas.

Dados de pesquisas realizadas no Brasil por GROVE et al. (1980) e COELHO et al. (1992), indicam que a concentração de N na parte aérea (grão + palhada) do milho, para produções máximas, é de 1,18% e 1,06%, respectivamente. Para cálculo da quantidade de N a ser aplicada, recomenda-se o valor de 1% de N na planta como adequado. Assim, para a produtividade de 16 t de massa seca/ha (9 t de grãos/ha) a planta retira do solo em torno de 160 kg de N/ha. Outro parâmetro necessário é a quantidade de N que o solo é capaz de fornecer para a cultura. Em termos médios, os solos tropicais fornecem cerca de 60 a 80 kg de N/ha (GROVE, 1979 e COELHO et al., 1991b), quantidade suficiente para produzir de 6 a 8 t de massa seca/ha (3 a 4 t de grãos/ha). Deve-se ressaltar que solos cultivados com leguminosas e solos de áreas recém-des- bravadas são mais ricos em N, exigindo menor adubação nitrogenada. Um terceiro parâmetro a estimar é a eficiência de aprovei- tamento dos fertilizantes nitrogenados pelas plantas, isto é, a quantidade de N na planta proveniente dos fertilizantes. Dados de pesquisa realizada com 15 N (COELHO et al., 1991b), indicam que, em média, 50 a 60% do N aplicado como uréia foram aproveitados pelas plantas. Com o conhecimento desses parâmetros, associado às informações sobre o histórico da área, cultivares, práticas culturais usadas, etc., é possível estimar a adubação nitrogenada em cobertura a ser aplicada. Assim, por exemplo, para uma produtividade esperada de 16 t de massa seca (9 t de grãos/ha), em solo com capacidade de suprir 60 kg de N/ha e uma eficiência de aproveitamento do fertilizante de 60%, seria necessária uma adubação da ordem de 160 kg de N/ha, que corresponde a 800 kg de sulfato de amônio ou 350 kg de uréia/ha.

  • Parcelamento e época de aplicação

No Brasil, existe o conceito generalizado entre técnicos e produtores de que aumentando-se o número de parcelamento da adubação nitrogenada aumenta-se a eficiência do uso do nitrogênio e reduzem-se as perdas, principalmente por lixiviação. Como conseqüência, e devido às facilidades que os sistemas de irrigação oferecem para aplicação de fertilizantes via água, é comum o parcelamento do fertilizante nitrogenado em quatro ou até seis ou oito vezes durante o ciclo da cultura. Entretanto, a baixa intensidade de nitrificação e de perdas por lixiviação nos perfis dos solos poderiam explicar porque a aplicação parcelada de nitrogênio em duas, três ou mais vezes para a cultura do milho, com doses variando de 60 a 120 kg/ha, em solos de textura média e argilosa, não refletiram em maiores produ- tividades em relação a uma única aplicação na fase inicial de maior exigência da cultura, ou seja, 35 a 40 dias após o plantio, conforme mostram os resultados obtidos por NOVAIS et al. (1974), NEPTUNE (1977) e GROVE et al. (1980). Mais recentemente, ALVES et al. (1992) compararam os métodos de aplicação de N-uréia no solo e via água de irrigação para o milho cultivado em dois latossolos dife- rindo em textura, e verificaram que a aplicação de 120 kg de N/ha pelo método convencional, ou seja, uréia incorporada ao solo em sulcos ao lado da planta, no estádio de desenvolvimento corres- pondente a 8-10 folhas, resultou em produção de grãos semelhante ao tratamento com uréia aplicada via água de irrigação, parcelada em 3, 4 ou 6 vezes (Tabela 5). É importante salientar que as informações apresentadas anteriormente foram obtidas em solos de textura argilosa a média, com teores de argila variando de 30 a 60%, não sendo, portanto,

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Como exemplo, pode-se citar o trabalho desenvolvido por COELHO et al. (dados não publicados) sobre adubação potássica em cultivos sucessivos de milho para produção de grãos e forragem, sob condições irrigadas, em um Latossolo Vermelho-Escuro com teor inicial de potássio de 0,15 meq/100 cm 3. Nas Figuras 2 e 3 são apresentados os resultados de produção de matéria seca e grãos de milho de cinco cultivos sucessivos, onde verifica-se redução acentuada na produção para todas as doses de potássio aplicadas, sendo esta maior quando se cultivou o milho visando a produção de forragem, demonstrando a importância desse nutriente na manutenção da produtividade da cultura em sistemas de uso intensivo do solo.

Figura 2. Produção de matéria seca de milho para silagem em função da aplicação anual de doses de potássio. Sete Lagoas-MG (COELHO et al., 1995).

Figura 3. Produção de grãos de milho em função da aplicação anual de doses de potássio. Sete Lagoas-MG (COELHO et al., 1995).

A exemplo do fósforo, a análise do solo tem se mostrado útil para discriminar respostas do milho à adubação potássica. Aumentos de produção em função da aplicação de potássio tem sido observadas para solos com teores muito baixos e com doses de até 120 kg de K 2 O/ha. Nos solos do Brasil Central, a quantidade de potássio disponível é normalmente baixo e a adubação com esse elemento

A análise do solo se mostra útil para discriminar respostas do milho à adubação fosfatada. As quantidades de fósforo reco- mendadas na adubação do milho, em função do teor do nutriente no solo, são apresentadas na Tabela 7. Essas doses devem ser aplicadas no sulco de plantio e ser ajustadas para cada situação, levando-se em conta, além dos resultados da análise de solo, o potencial de produção da cultura na região e o nível de tecnologia utilizada pelos agricultores.

Tabela 7. Interpretação das classes de teores de fósforo no solo e doses de P 2 O 5 recomendadas para o milho. Classes de teor de fósforo no solo Baixo Médio Alto

                    • ppm - - - - - - - - - - Argilosa (36 a 60%) Mehlich 1 < 5 6 a 10 > 10

Média (15 a 35%) Mehlich 1 < 10 11 a 20 > 20

Arenosa (< 15%) Mehlich 1 < 20 21 a 30 > 30 Resina < 15 16 a 40 > 40

Doses de P 2 O 5 recomendadas (kg/ha) 80 a 110 50 a 70 30 a 60 (^1) Porcentagem de argila.

Como a lixiviação de fósforo pelas águas de percolação praticamente inexiste em solos minerais, ele tende a se acumular no solo de modo que, com o passar dos anos, há um aumento no teor desse nutriente no solo. Assim, quando o solo apresentar teores de fósforo no nível crítico, ou seja, valor acima do qual não se espera resposta do milho a esse nutriente, a manutenção desse valor é feita pela reposição anual da quantidade removida no produto colhido. Para o milho, considera-se que para cada tonelada de grãos produzida são exportados 10 kg de P 2 O 5 /ha. Esse mesmo valor pode ser considerado quando se cultiva o milho para produção de forragem, visto que, como mostrado na Tabela 1, a exportação de fósforo, quando se cultiva o milho para esta finalidade, é semelhante àquela para a produção de grãos, onde encontra-se mais de 80% do fósforo absorvido pela cultura. Na cultura do milho irrigado obtém- se maiores produtividades com a mesma dose de fósforo, pois o P- fertilizante aplicado, assim como o do solo, são mais eficientemente utilizados pela cultura.

POTÁSSIO

Depois do nitrogênio, o potássio é o elemento absorvido em maiores quantidades pelo milho, sendo que 20% são exportados nos grãos. No entanto, até pouco tempo, as respostas ao potássio obtidas em ensaios de campo com o milho eram, em geral, menos freqüentes e mais modestas que aquelas observadas para fósforo e nitrogênio, devido principalmente aos baixos níveis de produti- vidades obtidas.

Entretanto, nos últimos anos tem-se verificado uma reversão desse quadro devido aos seguintes aspectos: a) uso freqüente de formulações de fertilizantes com baixos teores de potássio; b) sistemas de produção utilizados pelos agricultores como a rotação soja-milho, uma leguminosa altamente exigente e exportadora de potássio; c) uso de híbridos de milho de alto potencial produtivo; d) conscientização dos agricultores da necessidade de recuperação da fertilidade do solo através de uso de calcário e fertilizantes, principalmente nitrogênio; e) aumento do uso do milho como planta forrageira, altamente exigente e exportadora de potássio, e f) ampliação da área irrigada com o uso intensivo do solo e maiores potenciais de produtividade das culturas.

Classe textural do solo^1

Extrator de fósforo

8 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 2 - SETEMBRO/95 (2ª edição – ampliada e totalmente modificada)

Tabela 9. Efeito do parcelamento do potássio e nitrogênio na produção de grãos e algumas características agronômicas do milho sob condições irrigadas(1)^. Sete Lagoas-MG. Época de aplicação Plantio 8 folhas(1)^ 16 folhas (1)

                    • - - - - - K 2 O e N (kg/ha) - - - - - - - - - - - - - - - - - - - (kg/ha) (g) (m 2 ) (%)

120 K 120 N - 6.148 23 6,04 14 60 K 60 K + 120 N - 6.147 24 5,87 16 40 K 40 K + 120 N 40 K 5.934 22 6,08 16 40 K 40 K + 60 N 40 K + 60 N 6.074 24 5,96 16

Testemunha 3.095 15 6,13 51 (1) (^) Aplicação de K e N em cobertura quando as plantas apresentavam 8 folhas (30 dias após o plantio) e 16 folhas (55 dias após o plantio).

Teor de K no solo (0 a 20 cm) = 0,08 meq/100 cm^3. Fonte: Adaptada de COELHO et al. (dados não publicados).

Tabela 8. Recomendação de adubação potássica para a cultura do milho, com base na análise do solo. Doses de K 2 O recomendadas Milho-grão Milho forragem

                  • kg/ha - - - - - - - - - - -

Muito baixa < 0,07 90-120 150- Baixa 0,08-0,15 60-90 120-

Média 0,16-0,30 30-60 60- Alta(1)^ > 0,30 30 60

(1) (^) Quando o milho for destinado à produção de grãos, a adubação potássica

pode ser dispensada, a critério técnico.

  • Parcelamento da adubação e época de aplicação

Conforme discutido anteriormente no tópico referente à acumulação de nutrientes e manejo da adubação, a absorção mais intensa de potássio pelo milho ocorre nos estádios iniciais de crescimento (Figura 1). Quando a planta acumula 50% de matéria seca (60 a 70 dias), esta absorve cerca de 90% da sua necessidade total de potássio. Assim, normalmente recomenda-se aplicar o fertilizante no sulco por ocasião da semeadura do milho. Isso é mais importante para solos deficientes, em que a aplicação localizada permite manter maior concentração do nutriente próximo das raízes, favorecendo maior desenvolvimento inicial das plantas.

Em experimento conduzido em Latossolo Vermelho-Escuro, textura argilosa, sob condições irrigadas, COELHO et al. (dados não publicados) não observaram efeito significativo do parcela- mento da adubação potássica no rendimento do milho (Tabela 9).

Nesse experimento (Tabela 9), a aplicação de uma alta dose de potássio no sulco de plantio não afetou a germinação das sementes e, conseqüentemente, o estande final, devido à ocorrência de chuva imediatamente após a semeadura, diluindo a concentração do fertilizante nas proximidades das raízes. Entretanto, em anos com ocorrência de déficit hídrico após a semeadura, a aplicação de uma alta dose de potássio no sulco pode prejudicar a germinação das sementes. Para evitar o problema, recomenda-se aplicar parte dela em cobertura para doses superiores a 80 kg/ha. Entretanto, ao

produz resultados significativos. Aumentos de produção de 100% com adição de 120 a 150 kg de K 2 O/ha são comuns nesses solos. As quantidades de potássio recomendadas na adubação do milho para produção de grãos e forragem, em função do teor do nutriente no solo, são apresentadas na Tabela 8.

contrário do nitrogênio, em que é possível maior flexibilidade na época de aplicação, sem prejuízos na produção, o potássio deve ser aplicado no máximo até 30 dias após o plantio. Assim, a aplicação parcelada do potássio pode ser feita nas seguintes situações: a) solos altamente deficientes nesse nutriente, em que são necessárias altas doses de fertilizante e b) quando o milho for cultivado para produção de forragem, em que normal- mente são necessárias doses mais altas de potássio devido à maior exportação desse nutriente.

CÁLCIO, MAGNÉSIO E ENXOFRE

A nutrição com cálcio e magnésio não se constitui geralmente em grande preocupação nos programas de adubação, tendo em vista que a prática de calagem ainda é a maneira mais usual de fornecimento destes nutrientes às plantas. A extração de enxofre pela planta de milho é pequena e varia de 15 a 30 kg/ha, para produções de grãos em torno de 5.000 a 7.000 kg/ha. Em anos passados, o cultivo do milho em solos ricos em matéria orgânica, o uso de fórmulas de fertilizantes menos con- centradas contendo enxofre e os baixos níveis de produtividade contribuíram para minimizar problemas de deficiência desse nutriente. Atualmente, com o uso mais intensivo dos solos e de fórmulas de adubos menos concentradas, sem enxofre, as respostas a esse elemento tendem a aumentar. O teor de enxofre no solo na forma de sulfato tem sido usado para prever respostas ao elemento. Assim, em solos com teores de enxofre inferiores a 10 ppm (extração com fosfato de cálcio) o milho apresenta grande probabilidade de resposta a esse nutriente. Neste caso, recomenda-se a aplicação de 30 kg de S/ha. As necessidades de enxofre para o milho são geralmente supridas via fornecimento de fertilizantes carreados de macro- nutrientes primários e também portadores de enxofre. O sulfato de amônio (24% de enxofre), o superfosfato simples (12% de enxofre) e o gesso agrícola (15 a 18% de enxofre) são as fontes mais comuns desse nutriente.

MICRONUTRIENTES

No Brasil, o zinco é o micronutriente mais limitante à produção do milho, sendo a sua deficiência muito comum na região Central do país, onde predominam os solos sob vegetação de cerrado, os quais geralmente apresentam baixo teor de zinco no material de origem. Nesta condição, a quase totalidade das pesqui- sas realizadas mostram resposta do milho à adubação com zinco, o mesmo não ocorrendo com os outros nutrientes.

Produção de grãos

Quebramento de colmos

Número de plantas

Classes de teor no solo

K no solo meq/100 cm 3

Peso de 100 grãos

10 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 2 - SETEMBRO/95 (2ª edição – ampliada e totalmente modificada)

1. INTRODUÇÃO

À medida que o nível tecnológico e a extensão territorial de uma cultura aumentam, ou seja, quando sua exploração é intensiva e em sistema de monocultura, normalmente tem-se um aumento dos problemas entomológicos. O uso de produtos químicos de maneira abusiva e inadequada, em vez de controlar eficientemente uma determinada praga, pode ocasionar resíduos nos produtos e a eliminação dos inimigos naturais. Portanto, embora sejam importantes para uso na cultura de milho, esses produtos devem possuir propriedades que evitem os problemas mencionados, ou os causem em menor escala possível.

Vários trabalhos de revisão sobre diferentes aspectos biológicos das pragas de milho já foram realizados no Brasil, sendo destacados quatro grupos bem definidos: pragas iniciais, pragas da parte áerea, pragas do colmo e pragas das espigas.

2. PRAGAS INICIAIS

2.1. Pragas subterrâneas Existem diversos insetos apontados na literatura como pragas subterrâneas que se alimentam de diferentes hospedeiros, incluindo o milho, como os cupins (diversas espécies distribuídas nos gêneros Heterotermes , Cornitermes e Procornitermes ) (Foto 20), percevejo-castanho ( Scaptocoris castaneum ) (Foto 21), larva- alfinete ( Diabrotica speciosa e provavelmente outras vaquinhas) (Foto 22), larva-angorá ( Astylus spp.), bicho-bolo ou coró ( Phlyllophaga sp., Cyclocephala sp.) (Foto 24), larva-arame ( Melanotus sp. e outros gêneros) (Foto 25), entre outros. De modo geral, a identificação dessas pragas se faz inicialmente através dos sintomas de danos ou de falhas existentes na plantação. Essas falhas podem ser decorrentes da falta de plantio da semente ou ocasionadas pelas pragas citadas anteriormente. Algumas delas, quando não matam a planta pela destruição da semente, ocasionam o seu enfraquecimento, causando sua morte posteriormente, por não ter condições de competir com as demais plantas da cultura ou com as plantas daninhas. Cavando-se o solo próximo às falhas, no início da germinação, deve-se encontrar a semente e/ou a praga.

No Brasil, pouco se conhece sobre o dano provocado pelas pragas subterrâneas e a importância de seus inimigos naturais. Recomenda-se o controle cultural sempre que possível, utilizando- se rotação de cultura, controle de plantas daninhas e aração após a colheita. O controle químico mais eficiente é o preventivo.

2.2. Lagarta-elasmo – Elasmopalpus lignosellus (Lepidoptera: Pyralidae)

A lagarta-elasmo vem tornando-se, juntamente com a lagarta- do-cartucho, uma das principais pragas da cultura do milho em condições de campo. Tem sido observado que essa praga ocorre com maior freqüência em culturas instaladas em solos arenosos e em períodos secos, após as primeiras chuvas. Também tem sido

problemática para culturas em solos sob vegetação de cerrado, sobretudo no primeiro ano de cultivo. A forma adulta da lagarta-elasmo é uma pequena mariposa, que mede cerca de 20 mm de envergadura e apresenta coloração cinza-amarelada (Foto 26). A postura é feita nas folhas, bainhas, hastes das plantas hospedeiras ou no próprio solo, onde ocorre a eclosão das lagartas, num período variável de acordo com as condições climáticas. A lagarta, inicialmente, alimenta-se das folhas, descendo em seguida para o solo, penetrando a planta na altura do colo (Foto 27), fazendo uma galeria ascendente que termina destruindo o ponto de crescimento da planta. As lagartas completamente desenvolvidas medem cerca de 15 mm de comprimento e têm coloração verde-azulada, com estrias transversais marrons, purpúreas ou pardo-escuras (Foto 28). Findo o período larval, em média 21 dias, as lagartas transformam-se em crisálidas, no solo, próximo da haste da planta e, após aproxi- madamente oito dias, emergem os adultos. Os maiores prejuízos para a cultura do milho são causados nos primeiros 30 dias após a germinação. Portanto, para se identificar a presença da lagarta- elasmo no campo, deve-se proceder a um levantamento considerando aquele período de tempo. Na planta atacada ocorre, primeiramente, a morte das folhas centrais, cujo sintoma é denominado "coração morto" (Foto 29). Sendo puxadas com a mão, as folhas secas do centro se destacam com facilidade. Posteriormente, ocorre o perfilha- mento ou a morte da planta. Junto ao orifício de entrada na base da planta (Foto 30), a lagarta constrói um túnel com teia, terra e detri- tos vegetais dentro do qual se abriga. Uma característica dessa pra- ga é que as lagartas são bastantes ativas e saltam quando tocadas. Como os inseticidas aplicados logo após o aparecimento da praga não têm propiciado bom controle, tem-se recomendado o controle preventivo com inseticidas sistêmicos, misturados à semente. O controle preventivo, em muitos casos, é viável, dado o baixo valor do nível de controle, que é em torno de 3% ou menos de plantas atacadas, para produtividades acima de 4 t/ha. Culturas instaladas em solos arenosos, ou após o plantio de outro hospedeiro, como o arroz ou trigo, ou mesmo em cultivos sucessivos de milho e em períodos secos após as primeiras chuvas, terão maiores riscos de ataque da praga. A utilização de medidas químicas de controle por ocasião do plantio, principalmente no caso de inseticidas sistêmicos, apresenta algumas vantagens em relação ao sistema convencional. Como o inseticida fica agregado à semente, no solo, o risco de contaminação ambiental é menor, inclusive diminui muito o perigo de ser consu- mido inadvertidamente por animais silvestres, domésticos ou mesmo pelo ser humano. Além do mais, a sua ação por contato sobre os inimigos naturais é mínima. E, como são formulações para pronto uso, dispensa água, que, em muitos casos, e principalmente em grandes áreas, limita o controle químico.

2.3. Tripes (Thysanoptera)

São insetos de tamanho reduzido, medindo cerca de 2 mm, e de coloração clara. Ainda são pouco conhecidos dos agricultores, pois têm aumentado de importância em áreas localizadas. Os adultos são facilmente reconhecidos, por apresentarem as asas

Ivan Cruz(1) José Magid Waquil(1)

PRAGAS: DIAGNÓSTICO E CONTROLE

Paulo Afonso Viana (1) Fernando H. Valicente (1)

(^1) Pesquisador da EMBRAPA-CNPMS, Sete Lagoas-MG. Telefone: (31) 773-5644.

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franjadas. A fêmea adulta insere seus ovos oblongos individualmente nas folhas. Em milho, os insetos fazem estrias esbranquiçadas, finas e longitudinais nas folhas, onde penetram nas células, alimentando-se do seu conteúdo. Em altas populações da praga, as estrias podem ser tão numerosas e próximas que provocam uma aparência esbranquiçada, que evolui para um dessecamento da folha. Em milho recém-germinado, devido à ausência de raízes secundárias e com pouca umidade disponível, pode haver um aumento dos danos ocasionados pelos insetos. Ventos quentes e secos também ajudam a agravar os danos. Normalmente, em condição adequadas de cultivo, especialmente em relação à umidade, a planta pode rapidamente recuperar-se dos danos. Plantas mais desenvolvidas geralmente não são prejudicadas pelo ataque do inseto. Pouca informação tem sido obtida sobre os métodos mais eficazes de controle.

2.4. Lagarta-rosca – Agrotis ipsilon (Lepidoptera: Noctuidae)

Várias espécies de lagarta-rosca atacam a cultura de milho; porém, a espécie Agrotis ipsilon tem sido a mais comum. As plan- tas atacadas por essa lagarta são totalmente improdutivas. Tem sido observado que a cada ano agrícola aumenta a infestação dessa praga em áreas cultivadas com milho. Como são várias espécies envolvidas, o controle químico é difícil. Pode-se considerar esse grupo de pragas como séria ameaça ao bom "stand" da cultura do milho.

O adulto é uma mariposa geralmente de coloração marrom- escura, com áreas claras no primeiro par de asas, e coloração clara com os bordos escuros, no segundo par (Foto 31). O adulto mede cerca de 35 mm de envergadura. As posturas são feitas na parte aérea da planta e cada fêmea põe, em média, 750 ovos durante a sua vida. Após o primeiro ínstar, as lagartas dirigem-se para o solo, onde permanecem protegidas durante o dia, só saindo ao anoitecer para se alimentar. A lagarta desse inseto alimenta-se da haste da planta, provocando o seccionamento da mesma (Foto 32), que pode ser total, quando as plantas estão com a altura de até 20 cm, pois ainda são muito tenras e finas, e parcial, após esse período.

As lagartas completamente desenvolvidas medem cerca de 40 mm, são robustas, cilíndricas, lisas e apresentam coloração variável, predominando a cor cinza-escuro. A fase larval dura cerca de 25 a 30 dias, tranformando-se em pupa no próprio solo, de onde, após duas ou três semanas, emergem os adultos.

O milho geralmente só é atacado pela lagarta-rosca até atingir cerca de 50 cm de altura. Deve-se procurar plantas que apresentam o colmo seccionado na região do coleto. Os sintomas de ataque da lagarta-rosca são: inicialmente, seccionamento parcial do colmo e, quando a lesão é grande, surge o chamado "coração morto", com a conseqüente morte da planta; quando a lesão é pequena, surgem manchas semelhantes às causadas por deficiências minerais. A lagarta-rosca pode também provocar perfilhamento, o que é indesejável, pois surgirá uma touceira totalmente improdu- tiva. Uma larva é capaz de destruir de quatro a seis plantas. As lagartas abrigam-se no solo em volta das plantas recém-atacadas, numa faixa lateral de 10 cm e numa profundidade em torno de 7 cm. As lagartas, quando tocadas, enrolam-se, tomando o aspecto de uma rosca.

Muitas vezes o ataque da lagarta-rosca é confundido com o da lagarta-elasmo; porém, pode ser facilmente distinguido, uma vez que a lagarta-elasmo faz orifícios e penetra no colmo, enquanto a lagarta-rosca alimenta-se externamente, sem penetrar na planta.

Dados da literatura internacional mostram que o dano da lagarta-rosca depende do estádio de crescimento da planta e também do ínstar da lagarta. Isto porque, se o seccionamento provocado for acima do ponto de crescimento, a planta pode se recuperar. A mesma recomendação para o controle da lagarta- elasmo pode ser aplicada para a lagarta-rosca.

3. PRAGAS DA PARTE AÉREA

3.1. Lagarta-do-cartucho – Spodoptera frugiperda (Lepidoptera: Noctuidae)

A lagarta-do-cartucho é considerada uma das principais pragas do milho, podendo ocorrer durante todo o estádio de crescimento da cultura, causando reduções na produtividade superiores a 30%. O inseto adulto é uma mariposa com cerca de 35 mm de envergadura, de coloração pardo-escura nas asas anteriores e branco-acinzentada nas posteriores (Foto 33). As posturas são feitas em massa, com uma média de 150 ovos (Foto 34). O período de incubação dos ovos é de aproximadamente três dias. As lagartas recém-eclodidas (Foto 35) alimentam-se da própria casca do ovo. Após essa primeira alimentação, permanecem em repouso por um período variável de duas a dez horas. Quando encontram hospedeiro adequado, começam a alimentar-se dos tecidos verdes, geralmente começando pelas áreas mais suculentas, deixando apenas a epiderme membranosa, provocando o sintoma conhecido como "folhas raspadas". À medida que as lagartas crescem, começam a fazer orifícios nas folhas, podendo causar severos danos às plantas (Fotos 36 a 38). É comum também o ataque na base da espiga ou mesmo diretamente, nos grãos leitosos (Fotos 39 e 40). A lagarta completamente desenvolvida (Foto 41) mede cerca de 40 mm, com coloração variável de pardo-escura, verde a até quase preta e com um Y invertido na parte frontal da cabeça. O período larval depende das condições de temperatura, sendo que, nas condições brasileiras, dura em torno de 15 dias. Findo esse período, a lagarta geralmente vai para o solo, onde se empupa. O período pupal varia de 10 a 12 dias nas épocas mais quentes do ano. Lagartas de primeiro ínstar geralmente consomem o tecido verde de um lado da folha, deixando intacta a epiderme membranosa do outro lado. Isto é uma boa indicação da presença de lagartas mais jovens na cultura do milho, uma vez que são poucos os insetos que apresentam hábitos semelhantes e na área atacada pela lagarta-do- cartucho. A presença da lagarta no interior do cartucho pode ser indicada pela quantidade de excrementos ainda frescos existentes na planta, ou constatada abrindo-se as folhas e observando-se lagartas com cabeça escura e com o característico Y invertido na parte frontal da cabeça. A planta do milho é mais sensível ao seu ataque quando a infestação inicia-se entre 40 e 45 dias de idade. Nessa ocasião é que geralmente deve ser feito o controle curativo. Para tetos de produtividade em torno de 3.000 kg/ha, a praga deve ser controlada quando aproximadamente 20% das plantas apresentarem o sintoma de "folhas raspadas". Em áreas onde é comum a ocorrência de inimigos naturais, é aconselhável a utilização de produtos químicos somente quando a larva estiver com cerca de 10 a 12 mm. Quanto maior for a produtividade esperada, considerando que o custo do tratamento não irá variar muito com o nível de tecnologia usado, mais rapidamente devem ser iniciadas as medidas de controle. O controle cultural através de aração após a colheita mata as pupas do inseto diretamente, por esmagamento, ou indiretamente,

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Os danos ocasionados por esse inseto à cultura do milho somente têm sido significativos a ponto de justificar o seu controle em altas populações. O controle biológico natural tem sido eficiente. Em picos populacionais, quando se justificar o controle, deve-se dar preferência a produtos químicos de baixa toxicidade e seletivos pois, assim, pode-se baixar a população da praga e permitir um novo equilíbrio biológico, mantendo a praga em níveis não econômicos.

4. PRAGAS DO COLMO

4.1. Broca da cana-de-açúcar – Diatraea saccharalis (Lepidoptera: Pyralidae)

O inseto adulto de D. saccharalis é uma pequena mariposa de coloração amarelo-palha, com aproximadamente 20 mm de envergadura (Foto 48). A fêmea coloca os ovos com aspecto de escamas nas folhas do milho e, num intervalo de quatro a nove dias, dá-se a eclosão das lagartas, que inicialmente alimentam-se da folha. Posteriormente, dirigem-se para a bainha e penetram no colmo, fazendo galerias ascendentes. O período larval médio é de 69 dias. As lagartas apresentam a cabeça marrom e o corpo esbranquiçado, com inúmeros pontos escuros. Quando atingem o completo desenvolvimento, as lagartas constroem uma câmara, alargando a própria galeria até o colmo, onde cortam uma seção circular, que fica presa com fios de seda e serragem, e transformam- se em pupas, permanecendo nesse estádio por um período variável de 9 a 14 dias, até emergir o adulto.

Os prejuízos diretos causados pela lagarta, através da penetração e alimentação no interior do colmo, aparentemente não são importantes, pois a planta atacada produz normalmente, mesmo sob condições de forte infestação natural. Através das galerias, a broca torna a planta bastante suscetível à queda por ação do vento, podendo surgir prejuízos indiretos, que provavelmente são os mais importantes, pois, quando a planta cai, a espiga poderá ficar em contato com o solo, favorecendo a germinação dos grãos e o ataque de microrganismos. Apesar de originalmente ser praga do milho, ela é mais importante em cana-de-açúcar. A broca pode ser reconhecida facilmente pela abertura longitudinal do colmo do milho, onde se observa a presença da própria larva ou da galeria deixada pela mesma (Foto 49).

Em função do local de ataque dessa praga, o controle químico é ineficiente. Considerando a eficiência obtida na cana-de- açúcar com o controle biológico, é possível estender a metodologia também para a cultura do milho.

5. PRAGAS DA ESPIGA

5.1. Lagarta-da-espiga – Helicoverpa zea Lagarta-do-cartucho – Spodoptera frugiperda (Lepidoptera: Noctuidae)

A lagarta-da-espiga é considerada uma das mais importantes pragas de milho nos Estados Unidos, causando mais danos que qualquer outro inseto. Naquele país, os prejuízos causados pelas lagartas-da-espiga chegam a até 14% em milho doce e, em certas condições, exigem aplicações de inseticidas a cada 24 ou 48 horas. No Brasil, têm-se verificado danos crescentes em milho, especialmente em função de desequilíbrio biológico, através de aplicações de produtos químicos de amplo espectro de ação. A mariposa coloca seus ovos nos estilo-estigmas (cabelos) quando

estes estão ainda verdes (Foto 50). Após a eclosão, as larvas vão se dirigindo para a ponta da espiga, alimentando-se dos grãos em formação. Além do prejuízo direto causado pela lagarta-da-espiga, seu ataque favorece a infestação de outras pragas importantes, tais como o caruncho, Sitophilus zeamais, e a traça, Sitotroga cerea- lella. O inseto adulto é uma mariposa com cerca de 40 mm de envergadura, as asas anteriores são de coloração amarelo-parda, com uma faixa transversal mais escura, apresentando também manchas escuras dispersas sobre as asas. As asas posteriores são mais claras, com uma faixa nas bordas externas. A fêmea fecundada põe os ovos em qualquer parte da planta, mas de preferência nos estigmas (cabelos) da flor feminina (boneca). Cada fêmea oviposita em média 1.000 ovos durante sua vida. Os ovos são geralmente depositados individualmente e somente um ou dois por planta. Após três a quatro dias dá-se a eclosão das lagartas, que começam a alimentar-se imediatamente. À medida que elas se desenvolvem, penetram no interior da espiga e iniciam a destruição dos grãos em formação. A lagarta completamente desenvolvida mede cerca de 35 mm e possui coloração variável entre verde-claro, rosa, marrom ou quase preta, com partes mais claras. O período larval é de 13 a 25 dias, findos os quais as lagartas saem da espiga e vão para o solo, para se tornarem pupa. O período pupal requer de 10 a 15 dias. O ovo da lagarta-da-espiga mede cerca de 1 mm de diâmetro, possui forma hemisférica, apresenta saliências laterais e pode ser visualizado através de um exame minucioso do "tufo de cabelos", com uma lupa ou mesmo a olho nu. Após a eclosão, as lagartas penetram nas espigas, deixando um orifício bem visível de saída. Na fase de milho verde, geralmente se encontra uma lagarta no interior da espiga infestada, normalmente na ponta da mesma (Foto 51). A lagarta do cartucho, S. frugiperda , embora mais comum no cartucho da planta, tem aumentado a sua ocorrência nas espigas, especialmente em função dos insucessos no seu controle ainda no cartucho da planta. Em determinadas condições, sua presença é maior do que a lagarta da espiga. Para se ter eficiência, a lagarta da espiga deve ser controlada logo após o início das posturas, pois uma vez que a lagarta encontra-se dentro da espiga a eficiência do controle é muito baixa. Na verdade, a eficiência do controle das pragas das espigas de milho é mais em função do método do que do produto em si. Para que haja eficiência, o inseticida deve ser colocado sobre a espiga e, principalmente, na ponta. Isto é conseguido quando se utiliza pulverizador costal. A eficiência é muito menor quando se utiliza a aplicação tratorizada. Nesse caso, deverão ser feitas adaptações na barra, de modo a poder direcionar o bico de pulverização. Existe também possibilidade de fazer a aplicação dos produtos químicos via água de irrigação (convencional ou pivô-central). Entretanto, considerando-se a dificuldade de se fazer um tratamento químico em uma lavoura de milho já formada e a carência dos defensivos e mesmo a possibilidade de ter resíduos nos grãos, não se tem feito o controle dessa praga com inseticidas químicos. Para lavouras destinadas à exploração de milho verde, adota-se o controle mecânico, ou seja, eliminação da ponta da espiga com um facão, por exemplo, onde geralmente a praga está localizada por ocasião da comercialização. A utilização de cultivares que apresentem um bom empa- lhamento, tanto em relação à compressão como ao comprimento além da ponta da espiga, pode propiciar diminuição na incidência

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das pragas. O controle biológico através do predador Doru luteipes (tesourinha) e do parasitóide Trichogramma spp. tem sido considerado promissor para o controle das pragas da espiga do milho.

6. PERSPECTIVAS PARA O CONTROLE BIOLÓGICO DAS PRAGAS DE MILHO

Quando se efetuam levantamentos da fauna nos ambientes agrícolas, normalmente verifica-se um grande número de espécies de insetos herbívoros, porém, em pequenas quantidades, causando pouco ou nenhum dano ao hospedeiro. Muitos desses insetos são mantidos sob controle pela ação direto de inimigos naturais. O uso indiscriminado de inseticidas orgânicos sintéticos normalmente ocasiona um desequilíbrio biológico, pela eliminação desses inimigos naturais, propiciando a elevação da densidade de diferentes pragas. Na realidade, o uso de produtos químicos de amplo espectro de ação provoca três fenômenos ecológicos distintos: ressurgência da praga alvo, surtos de pragas secundárias e desenvolvimento de resistência aos inseticidas. Todos esses fenômenos estão diretamente relacionados com a perturbação do controle natural em função da "dependência" do inseticida, da qual é difícil se livrar. É um problema global em extensão e tem contribuído para aumentar os problemas econômicos e ecológicos, virtualmente em todos os locais onde os inseticidas químicos têm sido usados. Conse- qüentemente, foi necessária a mudança para uma nova filosofia de controle de pragas, denominada, na atualidade, de controle integrado. O controle biológico, medido pela supressão permanente de uma espécie de praga, posiciona-se como uma das mais eficientes táticas de controle integrado.

O controle biológico pode ser visualizado de duas maneiras principais: uma delas é através da importação e liberação de inimigos naturais. A outra é através da manipulação daqueles já existentes. Inovações nas técnicas de produção, utilização de nutrientes artificiais ou outros tipos de melhoramento no habitat, liberações em época correta, técnicas de preservação e uso de espécies ou raças mais efetivas deverão, todas, contribuir de maneira expressiva para a melhoria da eficiência do controle biológico.

Dentre as pragas de milho, Spodoptera frugiperda , Diatraea saccharalis e Helicoverpa zea são aquelas em que as pesquisas em controle biológico têm avançado mais rapidamente. Principalmente para as duas últimas, em função do local de ataque, dentro do colmo e na espiga, respectivamente, tornando o controle químico de baixa eficiência, o controle biológico, especialmente através de parasitóides e predadores, tem grande potencial para uso em milho. O predador de ovos e lagartas pequenas, Doru luteipes (Dermaptera) e os parasitóides da ordem Hymenoptera , Chelonus , Trichogramma , Telenomus e Campoletis , têm-se mostrado, em laboratório e no campo, como agentes promissores para programas de controle integrado de pragas na cultura de milho, no Brasil.

7. USO SELETIVO DE INSETICIDAS

O uso abusivo de produto não seletivo e de amplo espectro de ação às vezes mata a praga e quase sempre elimina os inimigos naturais da praga-alvo, além de diminuir os inimigos de outras pragas. Afeta também insetos benéficos, como abelhas e outros polinizadores. Além desses e de outros fatores ambientais, é cada vez maior a demanda por produtos de baixa toxicidade para o ser humano, que sejam eficientes sobre a praga e que não afetem drasticamente os inimigos naturais. Portanto, é necessário utilizar produtos químicos com base em características de eficiência agronômica e baixa toxicidade, ou seja, que apresentem as maiores vantagens ecológicas. A EMBRAPA tem trabalhado muito nesse aspecto, comparando vários produtos químicos no controle de S. frugi- perda , usando como indicativo ecológico o predador D. luteipes. Por exemplo, os inseticidas piretróides e fisiológicos têm sido os menos tóxicos para o inimigo natural. Carbaryl, methomil e triclorfon também têm apresentado certa seletividade e, portanto, podem ser utilizados em programas de manejo, visando à preservação e atuação do predador D. luteipes.

Outros trabalhos vêm sendo conduzido em relação aos demais inimigos naturais, procurando cada vez mais ampliar a lista de produtos seletivos para o manejo integrado das pragas de milho no Brasil.

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(enfezamento pálido). Na década de 70 verificou-se que a ocorrência da doença estava sempre associada à presença de microrganismos tipo micoplasmas (fitoplasmas) no floema das plantas afetadas. A impossibilidade de se cultivar estes microrganismos "in vitro" tem limitado, até o momento, a demonstração do postulado de Koch.

As cigarrinhas Dalbulus maidis e D. eliminatus , dentre ou- tras espécies, são vetores do enfezamento vermelho do milho, sen- do a transmissão do tipo persistente. Apenas o milho e o Zea mays mexicana têm sido demonstrados como hospedeiros do patógeno.

Controle: recomenda-se utilizar cultivares resistentes, evitar plantios tardios, eliminar plantas de milho voluntárias que podem servir de fonte de inóculo, controlar insetos vetores e fazer rotação de culturas.

6. Mosaico comum (mosaico da cana-de-açúcar)

Os sintomas desta virose normalmente apresentam-se em padrão de mosaico, caracterizando-se pela presença de áreas irregulares de cor verde normal, sem relação com as nervuras, sobre um fundo clorótico. Podem ser observadas na lâmina e bainha de todas as folhas e na palha das espigas que se desenvolvem após a infecção, sendo que algumas vezes as plantas podem se apresentar levemente enfezadas (Foto 57). Os sintomas são mais nítidos em folhas jovens, em plantas até a época de florescimento. Algumas vezes os sintomas desaparecem e as folhas jovens tornam-se mais amarelas.

Os vírus são partículas alongadas, do grupo potyvirus, sendo conhecidas numerosas estirpes e variantes.

A doença é transmissível mecanicamente, e na natureza é disseminada de maneira não persistente, por mais de 20 espécies de afídeos, principalmente pelo pulgão Phopalosiphum maidis.

São conhecidas cerca de 250 espécies de gramíneas hospedeiras dos vírus do mosaico, que podem servir como reservatório de inóculo em áreas de cultivo de milho.

Os efeitos da doença sobre as plantas de milho são tanto maiores quanto mais cedo se estabelece a infecção, sendo que esti- mativas experimentais mostram reduções na produção da ordem de 50%, em genótipos suscetíveis.

Controle : utilização de cultivares resistentes, eliminação de fontes de inóculo nas áreas de plantio e controle de insetos vetores.

7. Raiado fino (risca)

Os sintomas constituem-se de pequenos pontos cloróticos ao longo das nervuras secundárias e terciárias, formando linhas pontilhadas longitudinais na superfície das folhas (Foto 58). São mais nítidos em folhas jovens, tendendo a desaparecer com o envelhecimento da planta.

É causada por vírus de partículas isométricas, com 30 μm de diâmetro, do grupo marafivirus, que restringem-se ao floema das plantas infectadas.

Esta virose é transmitida de forma persistente pela cigarri- nha do milho, Dalbulus maidis. A cigarrinha, ao se alimentar em uma planta infectada, adquire os vírus e após um período latente de 7 a 22 dias, passa a transmití-los para outras plantas, durante mais de quatro semanas.

Várias gramíneas anuais e perenes são hospedeiras dos vírus da risca, constituindo-se em fonte de inóculo para a infecção do milho.

A ocorrência desta virose é freqüente em plantios de milho tardios e em genótipos muito suscetíveis pode ocasionar perdas na produção da ordem de 30%. Controle: através do uso de cultivares resistentes, elimi- nação de hospedeiros alternativos e de insetos vetores e evitando- se plantios tardios.

8. Podridão do colmo – Diplodia maydis (Berk) Sacc. [sin. Diplodia zeae (Schw) Lev.]

A infecção das plantas pode ocorrer nos primeiros estádios de desenvolvimento mas os sintomas só se tornam visíveis após a polinização. Em plantas infectadas, o tecido dos entrenós adquire internamente coloração marrom. Com sua desintegração, perma- necem somente os vasos lenhosos sobre os quais é possível observar numerosos pontos negros (picnídios) (Fotos 59 e 60). Pode ocorrer ou não o tombamento das plantas. O patógeno sobrevive no solo, nos restos de cultura ou em sementes. Fatores como adubação inadequada e alta população de plantas podem favorecer o aparecimento da doença. Controle: recomenda-se a utilização de cultivares resisten- tes.

9. Podridão seca do colmo – Macrophomina phaseolina (Tassi) G. Gold [sin. Macrophomina phaseoli (Maubl) Ashby]

Embora a infecção possa ocorrer nos primeiros estádios de desenvolvimento das plantas, os sintomas só se tornam visíveis após a polinização e em condições de alta temperatura e baixa umidade. Com a desintegração da medula, permanecem os vasos lenhosos sobre os quais se pode notar a presença de pequenos pon- tos negros (esclerócios) que conferem ao colmo, internamente, uma cor acinzentada (Foto 61). Estes sintomas podem ser observados também nas raízes. Pode ocorrer ou não o tombamento das plantas. O patógeno sobrevive no solo nos restos de cultura e na forma de esclerócios. Controle: utilização de cultivares resistentes.

10. Podridão do colmo e das raízes – Fusarium monili- forme Sheld e Fusarium moniliforme var. subglutinans

Os agentes dessa doença são os mesmos agentes da podridão seca da espiga. À semelhança do que ocorre com as demais podridões do colmo, os sintomas só se tornam visíveis após a polinização. Em plantas infectadas, os tecidos internos dos entrenós e das raízes adquirem coloração avermelhada, podendo ou não ocorrer o tombamento das plantas (Foto 62). Controle: utilização de cultivares resistentes.

11. Podridão do colmo – Pythium aphanidermatum (Eds) Fitz Alta umidade do solo e baixa temperatura favorecem o apodrecimento das sementes e das raízes enquanto alta umidade do solo e alta temperatura favorecem o apodrecimento do colmo. Os sintomas podem ser visíveis em plantas no estádio anterior ao florescimento.

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A podridão, do tipo aquosa, ocorre no primeiro entrenó acima do solo, lembrando uma bacteriose e diferindo dessa por ficar restrita ao entrenó, ao contrário das bacterioses que atingem vários entrenós (Foto 63). Geralmente ocorre o tombamento da planta.

Controle: drenagem do solo e controle adequado da água de irrigação. O tratamento das sementes é recomendado para plantios em solos frios e úmidos.

12. Podridão seca da espiga – Diplodia maydis (Berk) Sacc [sin. Diplodia zeae (Schuw) Lev.]

É causada pelo mesmo agente causador da podridão do colmo.

A infecção pode se iniciar em qualquer uma das extremida- des das espigas. Espigas mal empalhadas são mais suscetíveis. Espigas infectadas apresentam grãos de cor marrom, de baixo peso e micélio branco entre as fileiras de grãos. No interior da espiga a presença de numerosos pontinhos negro (picnídios) identifica o patógeno (Foto 64).

Alta precipitação pluviométrica na época da maturação dos grãos favorece o aparecimento dessa doença.

Controle: utilização de cultivares resistentes.

13. Podridão rosada da espiga – Fusarium moniliforme Sheld e Fusarium moniliforme var. subglutinans Ed.

São agentes etiológicos também da podridão do colmo. Os sintomas geralmente aparecem em grãos isolados ou em um grupo de grãos, podendo, em casos esporádicos, ocorrer em toda a espiga. Com o desenvolvimento da doença, uma massa cotonosa avermelhada pode recobrir os grãos infectados (Foto 65).

A infecção dos grãos é favorecida por danos mecânicos ou causados por insetos e rachaduras no pericarpo.

Controle: recomenda-se a utilização de cultivares resistentes.

14. Ferrugem comum É uma doença que ocorre em todas as áreas de plantio no Brasil, sendo, entretanto, de menor importância em relação às demais ferrugens que afetam essa cultura. Tal fato é determinado principalmente por ser a maioria dos materiais comerciais dispo- níveis resistentes a essa doença. Os sintomas tornam-se visíveis quando as plantas aproximam-se do florescimento e caracterizam- se pela presença de pústulas de formato circular a alongado, inicialmente de coloração marrom, tanto na face superior quanto na face inferior da folha e no colmo (Foto 66). As pústulas, mais tarde, rompem-se e, à medida que a planta amadurece, adquirem uma coloração escura. Temperaturas baixas, entre 16 o^ e 23oC e alta umidade relativa favorecem o desenvolvimento e a disseminação da doença.

Controle: utilização de cultivares resistentes.

15. Ferrugem Polysora

Essa doença tem sido observada em toda a região Centro- Sul do Brasil causando severas perdas em cultivares suscetíveis quando sob condições ambientais favoráveis. As pústulas da ferrugem polysora caracterizam-se por serem de coloração mais clara e mais arredondada que as pústulas de ferrugem comum, sendo encontradas também em ambas as superfícies da folha. As

pústulas adquirem uma coloração mais escura à medida que as plantas aproximam-se da maturação (Foto 67). A ferrugem poly- sora é favorecida por temperaturas elevadas (27 oC) e alta umidade relativa, ocorrendo com maior severidade em altitudes inferiores a 900 m. Controle: utilização de cultivares resistentes.

16. Ferrugem branca – Physopella zeae (Mains)

Essa doença também é conhecida como ferrugem tropical, por ocorrer em regiões quentes e úmidas dos trópicos. No Brasil, ela ocorre em todas as áreas de plantio de milho. Os sintomas característicos são: no centro da pústula, a lesão é branca ou ama- relo pálido, aparecendo algumas vezes uma coloração preta ao redor da mesma (Foto 68). Não são conhecidos hospedeiros intermediários do patógeno. A doença é favorecida por ambientes de temperatura e umidade relativa elevadas. Controle: utilização de cultivares resistentes.

LITERATURA CITADA

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CRÉDITO DAS FOTOS: Arquivos da EMBRAPA-CNPMS e da ARBORE.

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Foto 2. Deficiência de nitrogênio.

Foto 8. Deficiência de magnésio.

Foto 7. Tombamento do milho devido à deficiência de potássio.

Foto 1. Deficiência de nitrogênio.

Foto 3. Deficiência de fósforo.

Foto 5. Deficiência de potássio. Foto 6. Deficiência de potássio.

Foto 4. Deficiência de fósforo.

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Foto 9. Deficiência de cálcio. Foto 10. Deficiência de enxofre.

Foto 16. Deficiência de manganês. Foto 17. Deficiência de manganês.

Foto 14. Deficiência de ferro. Foto 15. Deficiência de ferro.

Foto 11. Deficiência de boro. Foto 12. Deficiência de cobre. Foto 13. Deficiência de cobre.