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As histórias em quadrinhos em si mesmas já constituem um "gênero", seja textual, seja de entretenimento, e por isso talvez este capítulo devesse enfocar "tipos" ou "subgêneros" de quadrinhos. Provisoriamente, ficaremos com este título, mas reforçando que os quadrinhos já são um gênero artístico independente.
6.1 Caricatura, Charge e Cartum As histórias em quadrinhos, além de divertir e ensinar, representam um fenômeno de vendas desde a década de 1930. Para se ter uma ideia, embora as vendas de quadrinhos nos Estados Unidos venham caindo nos últimos dez anos, o site americano Comichron (Disponível em: . Acesso em: 27 maio 2014.), que apresenta estatísticas de vendas de três das maiores distribuidoras de quadrinhos nos Estados Unidos – o que não é representativo de tudo que se vende por lá – registrou, para o ano de 2008, os seguintes dados:
Número de exemplares (somente dos 300 títulos mais vendidos): 81,34 milhões [em queda de 5% em relação a 2007] Total arrecadado (somente em relação aos 300 títulos mais vendidos): US$ 263 milhões [em queda de 3% em relação a 2007] Para efeitos de comparação, nos Estados Unidos, em 1948, as vendas totalizavam 14 milhões de exemplares por mês, ou seja, 168 milhões de exemplares por ano (somente considerando 14 das 31 maiores editoras do país). (GONÇALO JUNIOR, 2004) No Brasil, em 1951, as vendas totalizavam, por ano, 50 milhões de exemplares, e, em 1963, 240 milhões de exemplares. (GONÇALO JUNIOR, 2004) Embora ligeiramente discrepantes e não muito confiáveis, tais dados dão uma ideia do volume de revistas em quadrinhos vendidas somente nos Estados Unidos e no Brasil. Talvez em seus primórdios, as histórias em quadrinhos fossem leitura de um público marcadamente infanto-juvenil, mas hoje em dia o mercado está bastante segmentado, atingindo diversas faixas etárias e satisfazendo diversos gostos. Um exemplo disso é o crescimento das publicações chamadas graphic novels (em português novelas gráficas, romances gráficos ou álbuns de quadrinhos). A Editora Pixel (Disponível em: . Acesso em: 10 jan. 2009 – site fora do ar atualmente), em seu site, traça o perfil do consumidor de álbuns de quadrinhos:
O leitor de álbuns de quadrinhos tem entre 15 e 45 anos, tem bom poder aquisitivo e está atrás de histórias de qualidade com arte bem-feita. Este leitor diferencia-se porque enxerga nos álbuns uma opção de lazer compatível com o cinema, seriados de TV, literatura ou música. Para ele, esse tipo de HQ é algo para ler, guardar e reler posteriormente. Por tudo isso, é interessante conhecer um pouco da variedade das histórias em quadrinhos. Em princípio, em termos bem gerais, hoje em dia pode-se, generalizadamente, utilizar um critério geográfico e falar da história em quadrinhos ocidental e da história em quadrinhos oriental, mais
conhecida como mangá (de origem japonesa). Dentro de cada grupo, obviamente, há subdivisões, de acordo com os temas abordados, o público a que se destina, o formato, a periodicidade ou outros aspectos inerentes à criatividade de seus autores e ao seu uso. Embora não exatamente arte sequencial, mas por serem basicamente desenhos e conterem muitas vezes textos, é preciso antes de mais nada tecer alguns comentários sobre a caricatura , a charge e o cartum. Nascida nos jornais, a caricatura “não tinha uma função ilustrativa”. Servia para expressar a posição política do jornal. “A crítica consistia em um texto que procura ridicularizar personagens reais e atos verdadeiros contrários aos interesses do jornal; também em um desenho que deformava personalidades famosas e conhecidas conferindo-lhes conotações negativas.” (KLAWA; COHEN, 1977, p. 108) A caricatura é o desenho de uma personagem da vida real, como políticos e artistas, porém com ênfase exagerada nas características da pessoa, de maneira humorística. A caricatura pode explorar também o que o autor sabe da vida e obra do caricaturado e, neste caso, contará com o conhecimento de mundo e enciclopédico de quem vê para sua decodificação.
Figura 1 – Caricatura de Darwin (autor desconhecido) (Disponível em: . Acesso em: 14 jan. 2010.) No exemplo da Figura 1, a caricatura explora não exatamente os traços físicos de Darwin, mas principalmente sua teoria, segundo a qual o homem descende do macaco. A caricatura da Figura 2 leva em conta o tipo de pintura que Van Gogh costumava utilizar, com pinceladas curvas; um exemplo bem enfático deste tipo de pincelada está no quadro Noite Estrelada ,
Figura 6 – Caricatura de Salvador Dalí, por Ulisses José de Araújo (Disponível em: . Acesso em: 14 jan. 2010.)
Figura 7 – Salvador Dalí – Desmame do Móvel Alimento , 1934 (. Acesso: 14 jan. 2010.)
Figura 8 (^) com bacon frito – Salvador Dalí, 1941 – Auto-retrato mole Figura 9 – Salvador Dalí – O Sono , 1937
Figura 8: Disponível em: . Acesso em: 14 jan. 2010. Figura 9: Disponível em: . Acesso em: 14 jan. 2010.
Figura 10 – Salvador Dalí – Girafa em Chamas , 1936 (Disponível em: . Acesso em: 14 jan. 2010.) A charge normalmente é definida como “desenho ou caricatura que satiriza um fato específico, em geral político, que é do conhecimento público (do francês, charge )”. ( Dicionário Enciclopédico Veja Larousse. Vol. 6. São Paulo: Editora Abril, 2006) Em alguns compêndios, a charge é dada como sinônimo de caricatura, como por exemplo na Enciclopédia e Dicionário Ilustrado Koogan/Houaiss (Rio de Janeiro: Edições Delta, 1994). Quando não é apresentada como sinônimo de caricatura, os dois termos aparecem como aproximados na definição: “Charge é um estilo de ilustração que tem por finalidade satirizar, por meio de uma caricatura, algum acontecimento atual com uma ou mais personagens envolvidas.” (Disponível em: . Acesso em: 14 jan. 2010) De qualquer modo, provém de charge , em francês carga, peso, fardo ; no próprio francês, charge , talvez por influência de outra acepção da palavra, “ataque impetuoso”, tem também o significado de “aquilo que exagera a característica de uma pessoa para torná-la ridícula”. ( Micro Robert: Dictionnaire du Français Primordial. Paris: Le Robert, 1971.) Talvez por isso seja muito usada na crítica política e social. A charge exige de quem a observa um conhecimento razoável da sociedade em que ela é publicada, pois sua base é a sátira, a crítica, a ironia de fundo sociopolítico. A Figura 11 apresenta uma charge de jornal, de conteúdo político. Note-se que na charge podem conviver texto e imagem. Note-se ainda que a charge faz referência a um momento político do Brasil (2009), com dois possíveis “presidenciáveis”, José Serra e Aécio Neves; é necessário que quem a vê/lê saiba o que ocorre na política brasileira atual, pois do contrário não conseguirá entender a ironia com a palavra “estilos”, que dá título à charge. Além disso, é preciso que este indivíduo saiba quem são Serra e Aécio, não só de nome, mas também para identificá-los pela aparência. Outro fato importante é que de agora a, por exemplo, 20 anos, somente quem tiver vivido esta época ou for um estudioso dela poderá entender do que se trata; por isso, as charges são “datadas”, ou seja, fazem mais sentido quando são criadas.
Figura 13 – Fotografia-base para charge (O Globo, 26 out. 2010, seção Imagens da Semana .) A ironia contida na charge da Figura 12 só pode ser compreendida se se tiver conhecimento do episódio em que um homem assassinado foi colocado num carrinho de supermercado, dias antes de a charge ser criada. [A foto da Figura 13 tem data de 26 de outubro, mas faz parte de um resumo da semana; na verdade, a imagem original foi publicada antes do dia 23 de outubro, quando a charge da Figura 12 foi criada.] A rigor, a charge da Figura 12 trata de dois eventos: (1) o assassinato propriamente dito, e (2) o fato de o Brasil ter sido escolhido como sede das Olimpíadas de 2016 (cf. anéis do símbolo do Comitê Olímpico Internacional) – daí a ironia da charge. Ainda com o tema da escolha do Brasil para sediar as Olimpíadas de 2016, vinculado à onda de violência no Rio de Janeiro, foram criadas as charges das figuras 14 e 15.
Figura 14 – Charge (Olimpíadas) (O Globo, 25 out. 2010.)
Figura 15 – Charge (Olimpíadas) (O Globo, 26 out. 2010.) Obviamente, a charge da Figura 14 faz menção aos tiroteios constantes do Rio de Janeiro. A charge da Figura 15, no entanto, constitui-se num resumo de algumas notícias publicadas anteriormente no jornal, incluindo a derrubada de um helicóptero da polícia por bandidos ( Tirocóptero ), a proibição de urinar em local público ( Latroxixínio Múltiplo ) e a violência urbana ( Martelo fraterno ); no caso to Latroxixínio Múltiplo , ainda vemos o ladrão que assalta quem está "fazendo xixi" na rua (revólver e mão no bolso da vítima), que, por sua vez, é assaltado por um policial (mão no bolso do ladrão), uma referência à corrupção policial que grassa na cidade do Rio de Janeiro. Ambas as charges têm como pano de fundo as Olimpíadas de 2016, com a ironia estampada nos anéis do símbolo do Comitê Olímpico Internacional. Vejamos mais exemplos. As figuras 16 e 17 apresentam duas visões da fome no Brasil. A Figura 16 faz alusão aos Jogos Pan-Americanos de 2007, sediados pelo Brasil; a Figura 17 faz alusão à coleta seletiva de lixo, em fase de implantação no Brasil neste momento (2010).
Figura 18 – Charge (bafômetro) (SÃO PAULO/PIRACICABA, 2008)
Figura 19 – Charge (bafômetro) (SÃO PAULO/PIRACICABA, 2008) A Figura 20 faz alusão a tema frequentemente em discussão no Brasil no ano de 2008, em que principalmente a música funk falava de “mulher-melancia”, “mulher-jaca”, “mulher-moranguinho”, sendo a mulher-melancia conhecida por suas nádegas grandes e exuberantes; além disso, retoma uma personagem de Maurício de Sousa, a Magali, cuja característica principal era a gula.
Figura 20 – Charge (Mulher-Melancia) (SÃO PAULO/PIRACICABA, 2008) A Figura 21, por meio de uma onomatopeia, faz alusão ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), lançado pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva em 2010. Notem-se as caricaturas de Lula e de Dilma Rousseff.
Figura 21 – Charge (PAC) (SÃO PAULO/PIRACICABA, 2008)
Como se vê pelas imagens acima, a caricatura é bem diferente da charge, e em ambos os casos o conhecimento enciclopédico e o conhecimento de mundo de quem as vê/lê serão cruciais para seu entendimento. O termo inglês cartoon tem duas acepções: (1) [em desenho] um desenho, principalmente em jornal ou revista, que conta uma piada ou faz uma crítica política humorística; (2) [em cinema] também chamado de animated cartoon [desenho animado], um filme criado por meio de personagens e imagens que são fantasiosos e não reais, normalmente cômicas. ( Cambridge International Dictionary of English. Cambridge: Cambridge University Press, 1995.) Em português, a segunda acepção acima é sempre traduzida por “desenho animado”; a primeira entrou no português como cartum. O cartum, segundo Klawa e Cohen (1977, p. 108), também exerce uma função crítica; seu tema são os costumes, as classes sociais, a instituição familiar. “O cartoon era um desenho acompanhado pelo texto (quase sempre um diálogo), ou somente o desenho, muitas vezes batizado como nome de „história sem palavras‟ deixando claro que os fatos se bastavam desde que visíveis.” (KLAWA; COHEN, 1977, p. 108) Assim como a charge é confundida com a caricatura, o cartum é confundido com a charge. “Apesar de ser confundida com cartoon (ou cartum), que é uma palavra de origem inglesa, [o cartum] é considerado como algo totalmente diferente, pois ao contrário da charge, que sempre é uma crítica contundente, o cartoon retrata situações mais corriqueiras do dia a dia da sociedade.” (Disponível em: . Acesso em: 14 jan. 2010.) Em outras palavras, o cartum é mais genérico, enquanto que a charge é mais específica, mais datada, e mais centrada em fatos e personagens de uma determinada comunidade. Vejamos um exemplo para ilustrar diferenças e semelhanças entre charge e cartum.
Figura 24 – Cartum ou Charge? (Moisés) Figura 25 – Cartum ou Charge? (Moisés) (SÃO PAULO/PIRACICABA, 2008) (SÃO PAULO/PIRACICABA, 2008)
As figuras 24 e 25 parecem idênticas em termos de ideias. Na Figura 24, temos um componente mais intenso em relação aos passantes, desenhados como pobres, carentes, e Moisés abre passagem para eles em meio à selva automobilística da cidade grande, representando os ricos, os poderosos; na Figura 25, a mesma ideia é apresentada, com Moisés abrindo caminho para uma mãe e seu filho em meio à selva de veículos, representativa de uma cidade grande. Em princípio, as duas figuras são cartuns, devido a seu caráter abrangente. Por outro lado, na Figura 24, vemos bem no topo um táxi com o que poderia ser a cor amarela e o desenho em preto dos táxis de Nova Iorque(?); os passantes aparentam trajar roupas do Oriente Médio, o que pode torná-los habitantes de Nova Iorque(?). Assim, a Figura 24 pode ser interpretada como uma charge. Na Figura 25, os dois caminhões ao centro, um de cada lado, têm logos de suas empresas; se forem empresas existentes em algum local, isso faz do desenho uma charge. Em outras palavras, muitas vezes a diferença entre charge (mais específica) e cartum (mais geral) é clara; outras vezes, não. Mais alguns exemplos de cartuns.
Figura 26 – Cartum (SÃO PAULO/PIRACICABA, 2008)
Figura 29 – Cartum (SÃO PAULO/PIRACICABA, 2008) Uma curiosidade: no Brasil, o termo "cartunista" (de cartum , pelo inglês, cartoon ) é utilizado genericamente para se referir a um escritor/desenhista de histórias em quadrinhos, seja ele ou não criador de cartuns, charges, caricaturas ou outras formas.
6.2 Critérios de Classificação Já vimos que uma possível classificação para os quadrinhos seria pelo critério geográfico : quadrinhos ocidentais e quadrinhos orientais. Ainda pelo critério geográfico, é comum falar-se dos quadrinhos de um dado país, pois determinadas regiões geográfica e/ou politicamente delimitadas acabam por produzir um tipo de história em quadrinhos bem característico. Em termos de quadrinhos ocidentais , pode-se falar de quadrinhos americanos, europeus e sul-americanos (brasileiros, argentinos, uruguaios). Os europeus ainda se subdividem em belgas, ingleses, franceses e italianos, para citar os mais conhecidos e talvez mais vendidos em todo o mundo. Os quadrinhos orientais mais conhecidos são os japoneses (chamados de mangá ), talvez em maior número, os coreanos (chamados de manhwá ) e os chineses (chamados de lianhuanhuá ). Esta é uma divisão bastante grosseira e não dá conta de tudo que é produzido
com relação às histórias em quadrinhos pelo mundo afora, mas dá uma noção do que há de mais difundido nesta arte. O site Universo HQ (Disponível em: . Acesso em: 14 jan. 2010.), um dos maiores sites sobre quadrinhos na Internet brasileira, possui uma sessão escrita por Sonia M. Bibe Luyten, autora de livros importantes sobre histórias em quadrinhos, que fala dos quadrinhos em algumas partes do mundo. A visita é obrigatória para quem deseja ter uma ideia do que acontece pelo mundo dos quadrinhos. O índice para os textos se encontra em (. Acesso em: 14 jan. 2010.). Há informações sobre os quadrinhos da África, Coreia, Holanda, Argentina, Portugal, Filipinas, Escandinávia, China e Índia. É uma leitura imperdível. [A autora mantém um blog em . Acesso em: 29 maio 2014.] Outro critério para classificar as histórias em quadrinhos passa pela temática utilizada e pela faixa etária a que se destinam, na verdade dois elementos interdependentes. Por isso, podemos falar simplificadamente em critério temático. Assim, poderíamos falar em quadrinhos infantis, infanto- juvenis, adultos, de humor, eróticos, jornalísticos, históricos, biográficos, para citar alguns. Na verdade, podem-se combinar o critério geográfico e o critério temático, pois cada país ou região, devido a características sociopolíticas peculiares, acaba desenvolvendo um determinado tipo de quadrinho para cada tema e faixa etária, às vezes bem diferente de um país para outro. Apenas a título de curiosidade, vejamos alguns dos tipos mais divulgados de histórias em quadrinhos, mesclando os dois critérios acima referidos, para termos uma ideia superficial da enorme variedade de quadrinhos a que se pode ter acesso.
6.2.1 Quadrinhos Ocidentais Super-heróis Quando se fala em histórias em quadrinhos, talvez a primeira associação que se faz seja com as chamadas “revistas de super-heróis”, mormente os super-heróis de origem norte-americana: Super-Homem, Batman, Capitão América, Homem de Ferro (estes três últimos não possuem o que se poderia chamar de superpoderes), Mulher-Maravilha, Thor, X-Men, Quarteto Fantástico, Hulk, Homem- Aranha, dentre uma legião de “fantasiados”. Quem investiga um pouco mais chega a outros tipos de super-heróis, não necessariamente com superpoderes nem necessariamente com fantasias: Fantasma, Tarzan, Jim das Selvas, The Spirit ( O Espírito ). Muitos super-heróis originalmente mais obscuros, coadjuvantes e/ou pertencentes a equipes, recebem suas revistas individuais: Mulher-Hulk , Painkiller Jane , Wild Thing (ou Rina , filha de Wolverine e Elektra ), Wolverine (originalmente membro dos X-Men ), Loki (originalmente associado ao Thor ), Elektra (originalmente associada ao Demolidor ), Mulher-Gato (originalmente associada ao Batman ). Por fim, existem as equipes de super-heróis, com seus membros fixos ou variáveis através dos anos: Sociedade da Justiça da América ( Justice Society of America , ou
● Era de Bronze – Inicia-se exatamente com a morte de Gwen Stacy, em 1973. O período foi marcado pelas parcerias entre personagens ( team-ups , em inglês) e pelas supersagas. Aqui também têm início as edições chamadas de crossover , com personagens de uma editora interagindo com personagens de outra, geralmente DC e Marvel. Uma dessas edições crossover apresentou os Novos X-Men (Marvel) juntamente com os Novos Titãs (DC), em 1982, na revista Marvel and DC present The Uncanny X-Men and The New Teen Titans # 1. O primeiro crossover oficial entre a Marvel e a DC foi a história Superman vs. The Amazing Spider-Man (1976). A Era de Bronze, para a maioria dos estudiosos, chega ao fim com a publicação das maxisséries Guerras Secretas ( Secret Wars – Marvel) e Crise nas Infinitas Terras ( Crisis on Infinite Earths – DC), respectivamente publicadas entre maio de 1984 e abril de 1985, e entre abril de 1985 e março de 1986. ● Era Moderna – Tem seu início com o encerramento da maxissérie Crise nas Infinitas Terras (DC), em 1986, e com o lançamento de duas obras que marcariam fortemente as HQs: Watchmen , de Alan Moore (1953-) e Dave Gibbons (1949-), e Batman: O Cavaleiro das Trevas ( Batman: The Dark Knight Returns ), de Frank Miller (1957-). Esta era é marcada também pelo crescimento das editoras independentes – com maiores possibilidades de lucro para os autores das HQs, abrindo assim caminho para que grandes editoras como Marvel e DC mudassem sua postura editorial – , com a publicação de quadrinhos mais adultos e sem censura. É importante destacar que esta divisão envolve majoritariamente os comics americanos, sem levar em consideração as criações publicadas em outras partes do mundo, certamente influenciadas pelas HQs americanas, mas com expoentes próprios de cada país, principalmente da Europa, e que merecem categorização à parte. Note-se ainda que a classificação em eras acima engloba maciçamente a linha de histórias de super-heróis, além de criaturas fantásticas criadas na Era Moderna, estas em grande parte publicadas pela Vertigo (DC) e pela Image (editora criada por ex-colaboradores da Marvel). Há outras abordagens possíveis para a categorização das HQs em “eras”. Uma delas é mais ou menos cronológica. Assim, teríamos a era dos pioneiros (1895-1928), com o Yellow Kid convencionalmente aceito como a primeira personagem das HQs; a era do apogeu dos comics (1929- 1939), caracterizada pela introdução de uma “mitologia aventureira”; a era de crise (1939-1948), com todos os problemas trazidos pela Segunda Guerra Mundial; e a era dos comics contemporâneos ( até os nossos dias). Esta divisão leva em conta não somente os quadrinhos americanos, mas também alguns de outras partes do mundo, estando mais baseada na cronologia do aparecimento de personagens e nas temáticas envolvidas em cada “era”. (GUBERN, 1979) A Tira As tirinhas, como são conhecidas, historicamente são a primeira manifestação das histórias em quadrinhos como as conhecemos hoje. Apareceu com o boom da imprensa americana, a luta "Pulitzer vs. Randolph Hearst”, com o surgimento dos suplementos dominicais coloridos, mais precisamente com o Yellow Kid ( O Menino Amarelo ). Embora desde 1823 já se documentem algumas histórias cômicas, e, em
1846, uma revista de Nova Iorque, a Yankee Doodle , já publicasse algumas destas histórias, foi na virada do século, entre 1865 e 1900, que surgiram as primeiras tiras com personagens de HQ nos jornais.
Um dos primeiros personagens que obteve sucesso foi o Yellow Kid , de Richard Outcault, publicado em 1896 no jornal New York Sunday World. Anos depois, Rudolph Dirks começava a produzir Katzenjammer Kids [ Os Sobrinhos do Capitão ], um dos primeiros títulos que usava as características dos quadrinhos como os conhecemos hoje. O emprego de balões, elenco permanente e a história era contada em quadros. O Japão e a Europa se mostraram terrenos férteis para material de HQs e surgiram muitos cartunistas célebres no início do Século XX. A revolução estética ficou a cargo de Little Nemo in the Slumberland , lançado em 1905 por Winsor McCay, que usava pela primeira vez a perspectiva em seus desenhos. (ARASHIRO, 2009) Vergueiro (2006, p. 10) aponta outros dados sobre o início das tirinhas nos jornais. Despontando inicialmente nas páginas dominicais dos jornais norte-americanos e voltados para as populações de migrantes, os quadrinhos eram predominantemente cômicos, com desenhos satíricos e personagens caricaturais. Alguns anos depois, passaram a ter publicação diária nos jornais – as célebres “tiras” –, e a diversificar suas temáticas, abrindo espaço para histórias que enfocavam núcleos familiares, animais antropomorfizados e protagonistas femininas, embora ainda conservando os traços estilizados e o enfoque predominantemente cômico. Levados [sic] a todo o mundo pelos syndicates , grandes organizações distribuidoras de notícias e material de entretenimento para jornais de todo o planeta, essas histórias disseminaram a visão de mundo norte-americana, colaborando, juntamente com o cinema, para a globalização dos valores e cultura daquele país. No início, os quadrinhos eram voltados para o público infanto-juvenil, mas “logo passaram a ter forte apelo popular, inclusive entre os adultos. Tratava-se de uma linguagem nova, sem dúvida”. (CIRNE,
Figura 30 – Homem-Aranha (Stan Lee & John Romita Sr.) – Tiras diárias e dominicais ( As tiras do Homem-Aranha , Panini, 2007)