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Topografia de Cavernas, Notas de estudo de Topografia

Apostila de topografia do Espeleo Grupo Brasília - EGB

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 09/04/2009

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Espeleo Grupo de Brasília - EGB
Fundado em 21 de outubro de 1977
Filiado à Sociedade Brasileira de Espeleologia - SBE
Curso Prático de Topografia
Texto: Edvard Dias Magalhães
Ilustrações: Júlio Cézar Linhares
Brasília, DF em 06 de dezembro de 1997.
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Espeleo Grupo de Brasília - EGB

Fundado em 21 de outubro de 1977 Filiado à Sociedade Brasileira de Espeleologia - SBE

Curso Prático de Topografia

Texto: Edvard Dias Magalhães Ilustrações: Júlio Cézar Linhares Brasília, DF em 06 de dezembro de 1997.

Índice :

  • Porquê Topografar uma Caverna?
  • Mas, o que é uma topografia?
  • Qual o equipamento necessário?
  • Qual a Equipe envolvida nos trabalhos?
  • Como Funciona o Levantamento Topográfico?
  • Quais os Erros mais Comuns nas Leituras Instrumentais?
  • Como se determina a Seqüência das Bases? (Progressão Topográfica)
  • Quais os cuidados no Posicionamento das Bases?
  • Tipos de Bases
  • Nominação das Bases
  • Medições Instrumentais
  • Como se faz os desenhos de Detalhamento
  • Introdução TRABALHOS DE GABINETE
  • O Tratamento dos Dados
    • A Correção das distâncias
  • Confecção do esqueleto da Planta baixa
  • Desenhos da Planta baixa
  • Corte Transversal e Perfil Longitudinal
  • Fechamento de Poligonais
  • Confecção do esqueleto para um Perfil Longitudinal
  • Confecção do Desenho Final
  • Cálculo do Erro
  • Teorias e conceitos básicos para entendermos uma caverna
  • Ponto Zero de uma caverna (entrada)
  • Caverna, Gruta e Abismo
  • Clarabóia e Dolina
  • Pilares
  • Desmoronamentos
  • Princípio da Continuidade e Descontinuidade de desenvolvimento
  • Cálculo de ProHz, DesLn e Desnível
  • Limitações da Espeleometria
  • Antes de ir a campo
  • Convenções para Níveis de Topografia
  • Método de Graduação UIS
  • Método de graduação BCRA
  • Qualificativos para os cálculos
  • Convenções espeleométricas da SBE
  • Sujestões para uma lista unificada de simbologia para topografia de cavernas

culturais multidisciplinares, permitindo preservar-se a representatividade histórico-cultural das cavernas, elemento primordial à preservação desses ecossistemas. A edição de uma obra voltada à formação de novos espeleotopógrafos é estratégica por dar às ciências emergentes, como a arqueologia histórica, a arqueologia pré-histórica e a paleontologia, meios de dinamizar sua capacidade de documentação e conseqüente ampliação das áreas de pesquisas e esta obra. Por permitir a disseminação das técnicas topográficas subterrâneas, confere a todas as classes, espeleológicas ou não, domínio para a execução destes levantamentos, culminando numa maior produtividade para todas as atividades e indivíduos que se relacionem de alguma maneira às cavernas, como biologia, arqueologia, paleontologia, história, geologia, zoonoses, religião, etc. A presente publicação busca abordar todas as técnicas necessárias aos levantamentos espeleotopográficos, de maneira completa e acessível a vários públicos como universidades, centros de pesquisa, ong's, órgãos oficiais, equipes de arqueologia e paleontologia, geólogos, espeleólogos, consultorias ambientais, "hobistas", etc. Mais do que somar como uma nova obra espeleológica ou topográfica, este livro apresenta-se como um instrumento fundamental para inúmeros profissionais e estudiosos, que têm nas cavernas objeto ou meio de trabalho e pesquisa, pois dá subsídios também para não espeleólogos dinamizarem suas ações.

Porquê Topografar uma Caverna?

Os ambientes subterrâneos mostram-se místicos e complexos aos olhos desacostumados da interpretação de padrões estruturais tão desassociados das paisagens externas. Dessa forma torna-se fundamental representá-los e o mapa é um dos registros que melhor define determinada caverna. Podemos considerar o croqui, juntamente com a descrição sumária, como itens indispensáveis ao registro básico de cada cavidade. Neste trabalho trataremos da confecção de mapas, ou seja, representações gráficas de cavernas baseadas em levantamentos instrumentais. O trabalho de mapeamento nos dará a possibilidade de conhecer, com bastante aproximação o desenvolvimento total da cavidade, bem como o seu desnível. Nos fornecerá elementos para a análise da sua gênese, de suas feições, e de suas tendências de desenvolvimento para auxílio das explorações futuras e das prospecções na região, bem como servirá de suporte para outras disciplinas a serem desenvolvidas dentro das cavidades, tais como a biologia, fotografia, hidrologia, paleontologia, etc. Atenção: As cavernas, como ambientes desconhecidos, podem apresentar diversas situações de risco à vida de quem desenvolve atividades em seu interior. Torna-se extremamente necessário que atividades neste ambiente sejam orientadas por espeleólogos capazes e bem preparados tecnicamente. Mais do que riscos “físicos” como abismos, correntezas, cachoeiras, salões em desmoronamentos, gases tóxicos, deve-se ter conhecimento que tal atividade expõe o praticante ao contato com diversas bactérias e fungos, entre eles o Histoplasma capsulatum causador da histoplasmose. A responsabilidade sanitária em tal atividade é totalmente do praticante, cabendo a ele garantir de sua própria segurança.

Abaixo, relacionamos alguns termos que serão úteis na compreensão do texto, dando uma idéia básica de suas aplicações. No entanto todos eles serão melhor compreendidos ao longo deste trabalho, onde estarão embasados pelo contexto, não sendo necessário um total entendimento deles neste início de estudo.

Amarrar - ligar um determinado ponto à topografia através de medições. Posicionar um detalhe, relacionando-o com outras referências em desenho. Azimute, contra-azimute, orientação - direção na qual se observa um determinado ponto, com referência à sua diferença angular em relação ao norte magnético; o mesmo que orientação. O Contra-azimute é a direção contrária ao azimute (possui uma diferença de 180 graus desse). Base - objeto que serve de referência em terreno do exato posicionamento de cada ponto de realização das medidas espeleotopográficas. Cantar, leitura - ação de comunicar aos demais topógrafos, uma informação instrumental ou relativa ao mapeamento. Caverna, cavidade ou gruta - toda cavidade natural subterrânea penetrável pelo homem. Ao longo desse texto consideraremos como sinônimos estes termos. Corrigir - utilizar-se de artifícios (formulas, informações) para adequar determinado dado. Corte - detalhe em desenho que permite visulaizar o contorno de uma galeria ou salão de caverna. Desenvolvimento - o quanto uma galeria ou caverna se prolonga subterrâneamente. Desnível, inclinação, declive e aclive - toda diferença de relevo em determinado trecho. O desnível ou inclinação de um terreno pode ser classificado como: declive, para os terrenos que se apresentam em descida; aclive, para os terrenos que estão subindo.

Planta Plana ou Planta Baixa (PB): significa a combinação do comprimento e da largura de uma galeria, possibilitando sua visualização aérea. Através dela poderemos representar o espaço que uma caverna ocupa no terreno, através de sua sobreposição a um mapa geográfico, ou seja sua projeção à superfície.

Perfil Longitudinal (PL): compõe-se da combinação do comprimento e da altura de um conduto ou trecho de caverna, possibilitando a percepção de todo o relevo de caminhamento dentro do intervalo representado, de forma a se observar lateralmente a cavidade.

Corte Transversal (CT): combinando a altura do conduto com sua largura, propõe-se a representar o contorno da galeria no exato ponto da observação, dando uma noção da dimensão do lugar.

Dessa forma, por meio do uso da bússola, aparelho que determina a direção do ponto desejado, baseando-se em sua orientação em relação ao norte magnético, através do uso da rosa dos ventos, pode-se representar as diversas curvas que se faz dentro de uma caverna.

Qual o equipamento necessário?

Instrumentos de medida e de desenho, a saber:

Bússola Clinômetro Trena Formulário de Topografia

Outros equipamentos auxiliares, mas não exenciais, são:

GPS Altímetro Topofio

Bússola : peça fundamental na topografia, destina-se a determinar a orientação da visada (observação do ponto atual ao seguinte) em relação ao norte magnético. No Brasil, não existe uma padronização do equipamento a ser utilizado pelos espeleogrupos, de forma que a disponibilidade determina o equipamento. As mais utilizadas são a Suunto, a Brunton e a Topochaix, que

utilizam-se do sistema de graus (com disco graduado de 360 graus) que permitem leitura de azimute e contra azimute.

Clinômetro: Trabalha com a diferença entre o horizonte (eixo x) e a gravidade (eixo y). O clinômetro da Topochaix trabalha com seu ponteiro estabilizado, através de uma balança, ao eixo y (da gravidade), sendo sua escala graduada de 0 a 90 graus.

Trena: fita centimétrica, geralmente em PVC, destinada à medida de distâncias. Prefere-se para uso em caverna, aquelas dotadas de “corpo” aberto, por facilitar sua limpeza. São encontradas em vários tamanhos, utilizando-se preferivelmente as de 30 ou 50 metros para os levantamentos espeleológicos.

GPS: Global Position System, aparelho destinado a determinação da posição de um ponto na esfera terrestre, pelo uso de triangulação por meio de satélites. Possui vários outros recursos, como o da navegação, que permite o caminhamento para pontos determinados anteriormente. Em espeleometria tem a utilidade de criar pontos externos às cavidades - âncoras - aos quais amarram-se topograficamente as entradas da cavidades. Recomenda-se sempre registrar tanto os dados em Coordenadas UTM como em Coordenadas Geográficas.

Altímetro: Instrumento para determinação da diferença altimétrica entre o ponto em que se está e o nível do mar. Em espeleometria os altímetros são para uso restrito à superfície, como forma de se determinar a altitude dos pontos de entrada de uma caverna. Normalmente encontram-se aparelhos que variam suas escalas de 50 em 50 metros, de 10 em 10 metros, de 5 em 5 metros e de 1 em 1 metro. A precisão deste equipamento é questionável, já que sofre influências diretas da temperatura ambiente e da pressão atmosférica. Os aparelhos com mais aproximação (1 em 1 metro) necessitam constante aferimento em marco de altitude já conhecida, para um uso confiável. Contudo o uso do altímetro, mesmo com medidas aproximadas, é recomendável para a maior parte do território brasileiro, onde as cartas topográficas não permitem a determinação de altitudes mais precisas que a do aparelho, por conta de suas pequenas escalas de representação gráfica.

Base topográfica - embora não envolva um equipamento propriamente dito, a forma de marcar, em terreno, a posição exata da base topográfica deve ser considerada antes de ir a campo,

  • altura : metragem entre o piso e o teto da cavidade, imediatamente acima da base em que está o Ponta de Trena. Usualmente, em situação de tetos altos, esta medida é estimada visualmente, utilizando-se como escala a altura de um dos membros da equipe. Pode-se, em casos especiais, estimar a altura por meio de dendômetro ou pelo uso de balões atados a linhas de nylon, pois estes métodos possuem limitações práticas para seu uso.
  • profundidade : medida auxiliar utilizada em duas situações distintas. A primeira é para registrar a profundidade de cursos d’água ou lagos, onde a base está estabelecida ao nível da água dentro da qual se topografa. A segunda aplicação refere-se à altura da base em relação ao solo, nos casos em que for necessário seu estabelecimento acima da altura natural de visada, a exemplo de estar sobre um grande bloco ou sobre estalagmite (e estes não representem o piso da galeria).
  • observação : Destina-se ao registro de tudo que se julgar necessário assinalar na referida base. Uma medida extra importante é a Distância das Costas (DC) que registra a diferença em relação às costas do Ponta de Trena e a parede do conduto. Em cada folha, abaixo da tabela estão dispostas linhas extras para maior detalhamento das observações necessárias.
  • O campo em branco no extremo esquerdo da tabela destina-se à anotação posterior, em gabinete, das distâncias corrigidas, ou seja, em projeção horizontal de cada intervalo.

Qual a Equipe envolvida nos trabalhos?

A equipe ideal de topografia é composta por cinco espeleológos, a saber:

  1. Instrumentista (ou homem-bússola): responsável pela leitura dos instrumentos determinando o azimute e inclinação entre as bases; leva consigo a bússola, o clinômetro e uma das pontas da trena;
  2. Ponta de Trena : Responsável pela determinação da posição de cada nova base topográfica e pela leitura da Distância, LE, LD, DC, Altura e Profundidade da base;
  3. Desenhista : Realiza os desenhos de detalhamento da caverna, representando tudo que a compõe em cada intervalo entre-bases (visadas). Mais adiante, nesse texto, faremos maiores considerações sobre o trabalho do desenhista;
  4. Anotador : Registra no formulário específico, de maneira legível, todas as informações do Levantamento Topográfico, devendo confirmar por repetição cada dado “cantado” pelos outros membros da equipe;
  5. Explorador : Responsável por orientar a direção preferencial que o levantamento deve seguir, realizando a exploração de todos os “pontos de dúvida” de forma a não se desprezar, no trabalho, qualquer conduto secundário. Ajuda o Ponta de Trena na determinação da posição da base e da medida das laterais e DC. Excepcionalmente a equipe pode ser reduzida ou ampliada em seu número de membros. Um levantamento de bom nível pode ser realizado por três pessoas, onde o Ponta de Trena acumula a função de Anotador e tanto ele como o Instrumentista realizam a exploração necessária. É importante frisar que o Desenhista não deve acumular outra função, dada a complexidade e morosidade de seu trabalho. Numa equipe ampliada, pode-se acrescentar mais um Desenhista que ficaria responsável exclusivamente pelo execução do Perfil Longitudinal. Mais um Explorador/Auxiliar de trena pode ser acrescentado naquelas cavernas muito amplas ou extensas.

Quais os Erros mais Comuns nas Leituras Instrumentais?

Ao se trabalhar as informações de uma topografia, depara-se com o erro acumulado do levantamento. Geralmente os erros podem ser diminuídos com cuidados metodológicos básicos, aos quais devemos todos, como equipe, observá-los. O Instrumentista, como autor da maioria das medidas realizadas durante o levantamento, deve estar especialmente familiarizado com os equipamentos e procedimentos topográficos gerais e atento a todas as situações complicantes e interferentes nas leituras instrumentais. Analisemos abaixo as situações mais comuns responsáveis pelos erros nas medições.

  1. Visadas muito inclinadas - situação de leitura da bússola nos terrenos irregulares, onde a diferença de desnível entre uma base e outra, força a realização da leitura do azimute através de um “jogo de vista” para permitir a visualização da base a ser visada. Como a maioria das bússolas exigem estar relativamente aprumadas para que seu disco graduado corra livremente, sendo as visadas realizadas através de “miras”, algumas alternativas devem ser empiricamente desenvolvidas para contornar estas falhas. Mais adiante, veremos o uso da bússola Topochaix e alguns de seus macetes.
  2. Posição do Instrumentista e do Ponta de Trena - durante a tomada da inclinação - a leitura do desnível relativo entre duas bases pode ser influenciada pela diferença de posição entre a origem e o destino da visada. Deve-se sempre, nestas leituras, observar uma mesma distância aproximada entre o solo e o ponto de referência para a visada (geralmente a chama no capacete ou o foco da lanterna do Ponta de Trena). Quanto mais curta for a distância entre as bases, maior será o erro ocasionado por este tipo de diferença. Padronizou-se que no momento da leitura do desnível o Instrumentista e o Ponta de Trena devem tomar a mesma postura, ou seja, se um estiver deitado sem possibilidade de levantar-se o outro deve também deitar-se ou colocar a chama próxima ao solo.
  3. Por interferência de objetos metálicos (como iluminação frontal, lanternas, mosquetões...) - no item “medições instrumentais” veremos uma pequena tabela da distâncias em que certos objetos interferem na performance das bussolas, dando uma idéia dos cuidados a se tomar. Realmente, para a minimização desse problema deve-se apenas estar atento às suas causas. Leitura da Topochaix

Leitura da Suunto

  1. Por má interpretação na leitura da informação - cada modelo de instrumento pode possuir características de leitura diferentes, por exemplo, a bússola Topochaix quando observado o azimute através de seu prisma, a graduação crescerá da direita para a esquerda. Esta mesma medida se feita

utilizando a bússola Suunto crescerá da esquerda para a direita. Outro exemplo pode ser dado através da leitura da inclinação utilizando-se o clinômetro da Universelle Topochaix, onde a escala superior está em porcentagens e a inferior em graus, devendo-se sempre utilizar a segunda.

  1. Equipamento não nivelado - algumas bússolas exigem estar com suas plataformas niveladas horizontalmente, sendo que a pressa na leitura de uma visada geralmente é responsável pela desatenção a este aspecto, ocasionando leituras com o disco preso. Uma dica para a verificação da “liberdade” do disco é a realização de um breve giro do tronco, após o qual pode-se observar o disco correr até estabilizar-se.
  2. Troca de Instrumentista - teoricamente este não deveria ser motivo de erros, porém a prática nos mostra que a execução de uma seqüência topográfica com a variação do Instrumentista embute um erro acumulado muito maior que o normal. Provavelmente este fato se deve à prática de cada um “arredondar” as medidas de maneiras diferentes, naqueles instantes onde as medições são mais complicadas. O fato de um dos Instrumentistas estar mais habituado que o outro com a aparelhagem em uso, também deve ser considerado.
  3. Troca ou uso de mais de um equipamento - a substituição de um aparelho por outro, mesmo que do mesmo modelo pode ocasionar aumento do erro acumulado, pela diferença de “vício” de cada um deles. Recomenda-se o uso de equipamentos aferidos e não muito antigos, embora equipamentos de boa qualidade possam se manter aferidos durante anos, isso só dependendo das suas condições de uso e conservação.
  4. Erro no uso da trena - Um dos aspectos práticos geradores de erro na topografia é o modo de uso da trena, que por ocorrer variação na tensão em que é esticada, o seu curso nunca permanece perfeitamente na horizontal, formando uma barriga (a catenária). No entanto este erro não compromete o levantamento e seria ingenuidade tentar eliminá-lo durante o uso. A tentativa em esticar drasticamente a trena durante as visada só resulta na deformação da mesma, danificando o material. Deve-se notar que as trenas novas possuem um intervalo aproximado de 10 cm em sua ponta, antes do início da escala, devendo-se desconsidera-lo nas medidas.

Como se determina a Seqüência das Bases? (Progressão Topográfica)

Cada espaço compreendido entre duas bases recebe atenção especial da equipe topográfica, pois será a união destas seqüências que resultará no mapa final. O sequenciamento das bases deve obedecer o melhor posicionamento dessas de forma a garantir um levantamento que possibilite uma boa representação gráfica da caverna, de modo que sempre devemos ter em mente que o intervalo da visada (aquele entre duas bases) representa um trecho característico a ser documentado. Dessa forma teremos vária situações, de acordo com a caverna ou o trecho de caverna que se quer mapear. Uma cavidade com longas galerias, que não possuam modificações drásticas em suas paredes, piso e teto, determinará um trabalho por “economia de bases”, ou seja, serão feitas visadas longas (com até 50 metros) de modo a diminuir a quantidade e a precisão dos desenhos executados, ganhando-se no tempo de realização da topografia. Este método também se justifica no mapeamento de cavidades com grande desenvolvimento, onde uma topografia de detalhe exigiria do grupo incontáveis dias de campo para finalizá-la. Cavernas com desenvolvimento inferior a 2.000 metros justificam a realização da topografia de detalhe, onde qualquer mudança significativa na morfologia da gruta determina o posicionamento de novas bases. Nestas cavernas, com o intuito de alcançar a maior correspondência dos desenhos finais com a cavidade real, realizam-se visadas curtas que variam de poucos metros a poucas dezenas de metros.

  1. O quinto método, mais comumente utilizado, trata-se simplesmente da mistura de todos os anteriores, escolhendo-se a melhor maneira de estabelecer as bases de acordo com cada situação dentro da cavidade.

Quais os cuidados no Posicionamento das Bases?

Uma base deve estar posicionada de modo a não dificultar a visada seguinte, ou mesmo de modo a economizar visadas, contudo não deve prejudicar o detalhamento da caverna. Deve-se observar que nos pontos onde existam condutos laterais a serem atingidos, economiza-se tempo se as visadas originarem-se de um mesmo ponto, irradiando-se. O artifício da irradiação também deve ser explorado ao máximo para sinalizar características marcantes nos ambiente, sejam espeleotemas, início e término de grandes blocos, pontos de drenagem, contatos litológicos, “olhos-d’água”, cachoeiras na parede, grandes concentrações de guano de morcegos, início e término de clarabóias, posição de fósseis, etc. Por fim, o maior cuidado deve ser em representar as mudanças morfológicas da caverna, através do novo posicionamento de bases em cada uma delas. Quando uma base, ao fim de um conduto ou próximo à parede durante uma irradiação, não estiver encostada na parede, deve-se realizar uma medida extra a que apelidamos de Distância das Costas (DC), que nada mais é que a distância das costas do Ponta de Trena para a parede (seguindo-se a orientação da visada atual). Esta medida (DC) é muito útil no caso de visada em uma curva de conduto, onde a leitura seguinte foge muito da orientação da visada anterior de modo que a posição correta da curva que a parede descreve é deficientemente indicada pelas LE e LD (que são transversais à visada), dificultando o trabalho do Desenhista na execução do desenho final da caverna.

Tipos de Bases

A marcação da base no interior da caverna deve ser feita de acordo com a necessidade de reutilizá-las ou não e ao período após o qual serão reutilizadas. Dessa forma temos a possibilidade de utilizar bases sem realizar marca alguma no terreno e até de precisar fixá-las com tinta a óleo ou resinas. A maneira em que a base é marcada determina quatro tipos, a saber:

  1. Flutuante : utilizada em pequenas cavidades onde seu desenvolvimento é totalmente conhecido, não sendo provável a continuação ou nova topografia. Caracteriza-se pela ausência total de marcas no ponto de referência da Base, ocorrendo durante os trabalhos apenas a substituição do Ponta de Trena pelo Instrumentista. Esta base também é utilizada para se mapear perímetros de lagos, onde os topógrafos encontram-se em flutuadores e fazem o contorno do lago. Esta forma de base facilita a ocorrência de erro que vai se acumular no fechamento da poligonal;
  2. Temporária : é a mais comumente utilizada e caracteriza-se pela colocação no ponto de referência de um cartão numerado ou de outro material para sinalização do lugar, não estando este bem fixado. Normalmente esta base é recolhida ao final da topografia ou pelo desenhista quando da sua passagem pelo lugar. Permite pouca oscilação da posição exata da base,

devendo o observador situa-la ao centro de seu corpo. Esta base pode ser removida ou tirada do lugar acidentalmente.

  1. Fixa : é qualquer meio de marcação de base que só permita sua remoção por ação voluntária de uma pessoa. Dessa forma é, geralmente, um cartão, plaqueta ou fita que vai amarrado a uma pedra ou espeleotema. Atualmente as fitas sintéticas são largamente utilizadas, pois permitem fácil fixação e o nome da base pode ser anotado em seu próprio corpo. Esta base é fixada nas grutas em que são necessários novos levantamentos topográficos, como pontos de origem dos novos trabalhos e de amarração desses aos anteriores. Em grutas de conhecimento público estas bases quando visíveis, mesmo em condutos interiores, são freqüentemente removidas.
  2. Permanente : São as marcações definitivas, onde normalmente se utiliza tinta a óleo sobre a pedra, ou plaquetas fixadas por resinas poxi. Detalhe importante é que esta base deve conter, além de seu número, o nome da equipe topográfica que a fixou e a data, de modo aos trabalhos realizados por outros autores poderem utilizá-la com um bom grau de confiança. O posicionamento dessa base deve obedecer um estrito bom senso, evitando-se agredir o ambiente e que o visita posteriormente. Modernamente, as boas equipes adotam a utilização dessa base em suas topografias apenas em pontos estratégicos das caverna muito grandes, onde se realizam sucessivos trabalhos topográficos, com o abandono de inúmeras galerias laterais sem mapeamento ou naquelas grutas que sofrem repetidos remapeamentos. Uma base permanente deve ser usada no caso de topografias incompletas, para determinar os pontos de prosseguimento, nos casos em que não se tiver uma previsão segura do período de retorno aos trabalhos, ou quando esse período for demasiadamente grande. Outro uso é para o amparo a trabalhos futuros, em outras disciplinas no interior da caverna, permitindo amarrar- se o posicionamento de escavações, observações biológicas, etc. aproveitando-se as bases permanentes já existentes.
  • As bases externas às cavernas obedecem os mesmos critérios de definições e convenções das bases internas.

Nominação das Bases

O nome das bases deve ser simples e seqüencial, podendo dar noções diferenciadas às várias seções da caverna. Pode-se intercalar número e letra porém deve-se evitar ramificar em excesso a nominação. O importante são as bases, independente do nome que usam, estarem corretamente amarradas uma nas outras através das anotações no formulário de topografia, não existindo nenhum problema em se pular intervalos numéricos, como forma de distinguir seções da caverna. Uma letra pode ser antecedida ao nome como forma de melhor referenciar determinado trecho, por exemplo D12 poderia ser uma base que compõe o contorno da dolina de entrada, ou F34 uma base externa à gruta que pertence ao caminhamento de ligação entre duas cavernas distintas, pelo lado de fora do afloramento rochoso. Sugerimos que as bases não recebam nomes ramificados além de três casas, assim quando se estiver topografando da base 6b3 e o conduto se ramificar em dois, ao invés de nomear as bases seguintes como 6b3a e 6b3b nominaria-se por 7 e 8 respectivamente e destas para 7a^ e 7b, de forma a simplificar os nomes. Na volta ao conduto principal, retoma-se a numeraçào pelo próximo da seqüência, neste exemplo, a base 8.

Medições Instrumentais

Outra fonte de erro de visada com este aparelho é o terreno demasiadamente acidentado facilitando erros de leitura e o erro embutido. O erro embutido (ou a precisão desse instrumento) é de 0.5 graus, determinados pela graduação grau a grau de seu êmbolo. Tal erro, nas medições espeleométricas, não ocasiona transtornos e mesmo acumulado ao final da topografia não se mostra compremetedor. Já o erro de leitura é o principal responsável pela variação na qualidade das medições. Pode-se observar, com freqüência, elevado erro em galerias de blocos abatidos, ocasionado pela grande quantidade de visadas curtas e muito inclinadas.

A postura de leitura da Topochaix (projetada ± 30 cm à frente do corpo, na altura do queixo) dificulta extremamente visadas inclinadas, onde se deve fazer a mira com o aparelho inclinado e então aprumá-lo sem perder seu direcionamento. Alguns artifícios práticos foram desenvolvidos para contornar e melhorar a sua precisão nestes casos:

  1. Nas visadas em aclive: segurar a trena esticada abaixo da cintura e com a bússola aprumada deve-se fazer a visada pelo curso da trena, que estará obedecendo o direcionamento da base seguinte;
  2. Nas visadas em declive: elevar, ao máximo, a trena esticada sobre a cabeça e fazer a visada em seu corpo, que estará alinhado ao azimute.

O Clinômetro Topochaix deve ser colocado lateralmente, com a frente para esquerda e elevado à altura dos olhos para a visada, que utiliza a mesma mira da bússola. Durante a leitura deve-se manter apertado (com o indicador direito) o botão que libera/trava o ponteiro, soltando-o quando estiver estabilizado. A leitura deve ser feita sempre na escala de baixo (em graus) e não na superior (em porcentagem) pois é o sistema padrão. Quando o ponteiro estiver no quadrante esquerdo representa a leitura de um declive e quando estiver no quadrante direito representará um aclive. Convencionou-se chamar de positivo os aclives e de negativo os declives, desse modo teremos 5, -12, 0, 42, -8 ... como exemplos de leituras. Para a leitura do desnível, o Instrumentista e o Ponta de Trena devem manter uma mesma postura, de forma que a altura, relativa ao piso, do ponto de saída e do ponto de chegada da visada sejam aproximadamente iguais. Como se faz os desenhos de Detalhamento

Paralelamente aos levantamentos instrumentais realizados pelos demais membros da equipe, o desenhista segue realizando todos os seus croquis de detalhamento usando como

referência as bases topográficas deixadas pela equipe. Normalmente os levantamentos instrumentais são bem mais rápidos que os desenhos, obrigando o restante da equipe a esperar a aproximação do desenhista. A planta baixa e os cortes transversais são básicos em qualquer mapeamento, podendo variar a quantidade de CT de acordo com a necessidade de detalhamento da caverna, sendo que um CT para cada base estabelecida é o padrão mínimo adotado.

O Perfil Longitudinal é um desenho complementar à topografia, mesmo sendo ele, a uma primeira vista, o que melhor define o ambiente da caverna, por mostrar as variações de seu teto e de seu solo, nem sempre é executado, dada a quantidade de apontamentos que o desenhista tem a seu cargo. Em sua confecção deve-se sempre registrar todo o contorno do teto e piso ao longo do caminhamento das visadas, de forma que minúcias como degraus no teto, espeleotemas que se sobressaem, material que compõem o piso em cada trecho, blocos abatidos sobre o chão e seus tamanhos, são importantíssimos para a qualidade da representação.

O desenho do Corte Transversal deve representar o contorno da galeria exatamente no ponto onde a base é estabelecida, devendo, desse modo, o desenhista estar posicionado atrás da equipe de topografia e afastado da base, podendo contemplar todo o contorno do trecho. A direção da observação será, normalmente, a mesma da orientação da visada feita no local.

O desenhista preocupa-se em registrar o posicionamento de cada detalhe significativo dento das galerias, sejam blocos abatidos, conjuntos de espeleotemas ou de um espeleotema específico, mudança no relevo do piso, inclinações dos terrenos, presença de água, etc. e para isso lança mão das convenções topográficas sugeridas pela SBE, podendo “inventar” outras que julgar necessárias para representar particularidades. Todo desenhista deve ser capaz de interpretar seus rascunhos, passando-os a limpo nos primeiros dias após retornar ao escritório, tendo em vista que a memória recente das feições da cavidade auxiliam em muito na execução dos primeiros desenhos de finalização da topografia. Sem este cuidado, seria impossível uma boa interpretação dos rascunhos nos pontos onde as medições permitiriam dúvidas quanto aos detalhes. Geralmente os desenhos durante a topografia são realizados em papel milimetrado e executados com lapiseira de grafite fino (0.3 ou 0.5 mm) permitindo um embutimento de maior quantidade de detalhe em menor espaço. Com a prática e possuindo o desenhista uma boa noção de proporção e escala, consegue-se bons resultados mesmo em folhas brancas. Não é necessária a obediência de uma mesma escala aproximada em todos os rascunhos de desenho durante a topografia, sendo este critério definido de acordo com a complexidade do lugar a ser representado.