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Trabalhando a voz do professor, Trabalhos de Fonoaudiologia

Trabalhando a voz do professor

Tipologia: Trabalhos

2013

Compartilhado em 25/02/2013

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fga-jucielle-queiroz-3 🇧🇷

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CEFAC
CENTRO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA CLÍNICA
VOZ
TRABALHANDO A VOZ DO PROFESSOR
Prevenir, Orientar e Conscientizar
AMÁLIA POLLASTRI DE CASTRO E ALMEIDA
RIO DE JANEIRO
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CEFAC

CENTRO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA CLÍNICA

VOZ

TRABALHANDO A VOZ DO PROFESSOR

Prevenir, Orientar e Conscientizar

AMÁLIA POLLASTRI DE CASTRO E ALMEIDA

RIO DE JANEIRO

CEFAC

CENTRO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA CLÍNICA

VOZ

TRABALHANDO A VOZ DO PROFESSOR

Prevenir, Orientar e Conscientizar

Monografia apresentada como parte das exigências para a conclusão do Curso de Especialização em Voz. Orientadora: Mirian Goldenberg

AMÁLIA POLLASTRI DE CASTRO E ALMEIDA

RIO DE JANEIRO

A todos os meus pacientes que, direta ou indiretamente, muito contribuíram para a realização desse trabalho.

SUMÁRIO

  • 1 INTRODUÇÃO
    1. COMO MANTER UMA BOA VOZ
    • 2.1 REVISÃO DA ANATOMIA E FISIOLOGIA....................................................................
    • 2.2 SISTEMA RESPIRATÓRIO..........................................................................................
    • 2.3 IMPORTÂNCIA DA TERAPÊUTICA RESPIRATÓRIA
    • 2.4 SAÚDE VOCAL............................................................................................................
    1. ORATÓRIA, GESTOS E POSTURAS
    1. O COTIDIANO DO PROFESSOR
    • 4.1 PRINCIPAIS QUEIXAS
    • 4.2 DIFICULDADES ENCONTRADAS DENTRO E FORA DA SALA DE AULA..................
    • 4.3 RELAÇÃO VOZ X CARGA HORÁRIA...........................................................................
    • 4.4 DISFONIA COMO DOENÇA OCUPACIONAL..............................................................
  • 5 RELAÇÃO ESTRESSE X VOZ............................................................................................
    1. IMPORTÂNCIA DA TERAPIA VOCAL NO TRABALHO COM PROFESSORES
    • 6.1 COMO AUXILIAR OS PROFESSORES NOS CUIDADOS COM A VOZ
    • JUNTO AOS PROFESSORES 6.2 A NECESSIDADE DE MAIOR DIVULGAÇÃO DO TRABALHO FONOAUDIOLÓGICO
    1. CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................................
    1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

RESUMO

O objetivo desse trabalho foi mostrar a importância da prevenção e correta orientação no tratamento dos problemas vocais dos professores. Através de pesquisa teórica, foram levantados dados importantes sobre as principais queixas, os abusos vocais mais cometidos e suas conseqüências, e as dificuldades encontradas por esses profissionais no dia-a-dia de seu trabalho. Fatores como freqüente estresse psicológico e falta de recursos pedagógicos foram apontados pelos autores pesquisados como principais problemas encontrados pelos professores. Além desses, a maioria dos profissionais trabalham em salas de aula cheias e sem meios que propiciem uma adequada produção vocal. Recursos como microfone ou salas projetadas com uma acústica melhor são propostas que, apesar de não fazer parte da realidade brasileira, são fundamentais para a manutenção da qualidade da voz e, consequentemente, para uma educação mais eficiente e prazerosa. A prevenção é o principal meio para se evitar problemas vocais, embora, baseado em experiências de consultório particular, são raros os professores que procuram a terapia fonoaudiológica antes de se estabelecer um problema. Esse trabalho contribuiu para que os professores se conscientizem da importância da prevenção, da mudança de hábitos e correta profilaxia com a voz, visto que são eles os profissionais com maior índice de alterações vocais.

1. INTRODUÇÃO

Muito tem-se estudado sobre a voz dos profissionais de diversas áreas de atuação, incluindo a voz do professor. Com o avanço da tecnologia e a criação das fibras óticas tornou-se possível conhecer e estudar, detalhadamente, a anatomia e fisiologia da voz humana. A Fonoaudiologia – ciência que estuda a comunicação humana em suas manifestações normais e patológicas – , vem-se dedicando há algum tempo a análise vocal do professor, devido a grande importância que esse profissional exerce sobre a formação social, cultural e educacional dos indivíduos. O que leva-nos a pesquisar sobre a voz do professor é a intensa vontade de conseguir desenvolver um trabalho mais dinâmico e eficaz, com maior segurança, atingindo resultados positivos com um período reduzido de terapia. Buscando ampliar esta área de conhecimento e, ao mesmo tempo, procurando entender o que pensam e como agem os nossos educadores, surgiram algumas dúvidas com relação ao tratamento da voz que foram cruciais para o desenvolvimento desta pesquisa. De acordo com estudos realizados entre profissionais que trabalham com a voz, a docência é uma das profissões com maior incidência de alterações vocais. Essas alterações afetam a vida pessoal, social e, sobretudo, a vida profissional, causando ansiedade e angústia.

Acredita-se que muitos profissionais passam constantemente por situações duvidosas e incertas no atendimento aos professores. Este trabalho também visa o esclarecimento, total ou parcial, de algumas destas dúvidas e incertezas e a suscitação de outras.

2. COMO MANTER UMA BOA VOZ

2.1 REVISÃO DA ANATOMIA E FISIOLOGIA

O mecanismo fonatório acontece durante a fase expiratória da respiração. Para tal faz-se necessária uma atividade equilibrada de toda musculatura intrínseca da laringe, que é constituída pelos músculos aritenóideos, cricoaritenóideos laterais e feixe externo do tiroaritenóideos (músculos adutores). Constituindo o mecanismo abdutor das pregas vocais encontra-se os músculos cricoaritenóideos posteriores. O mecanismo de tensão é realizado pelos músculos cricotireóideos e principalmente pela ação do feixe interno do músculo tiroaritenóideos. A voz é produzida pela vibração das pregas vocais. Durante a expiração as pregas vocais se aproximam em toda sua extensão, resultando num fechamento glótico e conseqüente aumento da pressão aérea subglótica. Estas duas forças opostas resultam na vibração das pregas vocais. A pressão subglótica forma-se quando as pregas vocais são aproximadas. O volume de ar expirado que deixa os pulmões é retardado ao nível da glote, o que resulta em maior velocidade de fluxo de ar através da glote (BOONE, 1984). A pressão subglótica aumenta em relação a pressão aérea subglótica e as pregas vocais são separadas rapidamente, igualando as duas pressões (fase de abertura de um ciclo de vibração).

2.2 SISTEMA RESPIRATÓRIO

Os humanos aprenderam a usar a respiração para a fala. Tanto falar como cantar requer um fluxo de ar expiratório capaz de ativar a vibração das pregas vocais. É comum encontrarmos em profissionais da voz – mais especificamente em professores – um descontrole entre a respiração e a fala. Basicamente, é o conflito entre as necessidades fisiológicas e as exigências da fala pelo ar que causa o uso incorreto do mecanismo vocal (BOONE, 1984: 176). A dependência da renovação constante de ar impõe certas limitações sobre quantas palavras podemos dizer, quantas frases podemos pronunciar ou quanta ênfase podemos usar em uma expiração. O modo respiratório corresponde ao predomínio da respiração (oral, nasal ou misto) escolhido e usado durante situações de repouso (fora da fonação). O ideal é que as inspirações sejam realizadas pela via nasal já que dessa forma há aquecimento, umidificação e filtragem de ar, favorecendo as condições ambientais do trabalho vocal (PINHO 1998). A respiração bucal, além dos prejuízos que causa à oclusão e ao crescimento facial, ainda propicia um ressecamento dos tecidos laríngeos, dificultando a vibração das pregas vocais (MARCHESAN apud PINHO, 1998). A classificação dos tipos respiratórios varia entre os diversos autores que tratam do assunto. BRODNITZ apud LÉSLIE (1995) aponta para o fato de que a respiração do tipo torácica é muito comum nas vozes alteradas. Já

WILSON apud LÉSLIE (1995) salienta para a dificuldade de se estabelecer um padrão normal universal para a respiração. Ainda citando LÉSLIE (1995) podemos dizer que a classificação em tipos respiratórios é determinada pela região do tórax que apresenta maior atividade por ocasião do processo da inspiração. Para SEGRE e col. (1981) o “normal” seria a introdução de ar suficiente para o adequado funcionamento do mecanismo de fonação, devendo ser rápida, profunda e silenciosa para uma adequada emissão. Segundo ele os tipos variam em relação ao sexo, idade e constituição anatômica. PINHO (1998) considera como sendo os três tipos mais comuns de respiração: costal superior, diafragmático ou inferior e costodiafragmático abdominal. O padrão costal superior é geralmente utilizado durante atividades físicas, pois permite maior e mais rápida entrada de ar nos pulmões com grande oxigenação. O padrão diafragmático ou inferior é o utilizado durante o sono. O ideal para fala constante é padrão costodiafragmático abdominal que conta com a abertura das costelas, anteriorização do osso externo e abaixamento do diafragma com conseqüente expansão abdominal (PINHO, 1998). Durante a inspiração, os músculos mais importantes são os intercostais externos e o diafragmático, participando também os músculos do pescoço, das costas e do abdome. Os músculos responsáveis pela movimentação expiratória são o músculo do diafragma, os músculos intercostais externos e as fibras dos músculos intercostais internos. Esses últimos são responsáveis pelo abaixamento

Um problema chave para muitos profissionais com problemas de voz é a tendência a comprimir a glote fechada para produzir a força necessária, ao invés de aumentar a pressão do ar contraindo os músculos abdominais. Se este método for habitual, o esforço excessivo torna-se base para um hiperfuncionamento da voz, podendo gerar edemas, nódulos entre outras. O equilíbrio entre o suporte responsável e os mecanismos laríngeos permite a manutenção da vibração das pregas vocais. De acordo com PINHO (1998), a terapia respiratória consiste basicamente na instalação e automatização do padrão respiratório costodiafragmático abdominal, no condicionamento muscular e no controle do sopro durante as demandas vocais. A importância do trabalho respiratório nas disfonias tem sido mencionada por vários autores, mas o tratamento da função respiratória tem sido ignorado por muitos fonoaudiólogos, apesar do aumento do esforço respiratório ser nitidamente observado em professores com queixas vocais. 2.4 SAÚDE VOCAL Baseando-se nos estudos de PLETSCH (1997), QUINTEIRO (1989), PINHO (1997), COLTON & CASPER (1996), AYDOS (2000) e em observações próprias da autora deste trabalho, pode-se afirmar que a voz do professor é suscetível a inúmeras interferências, tais como: abusos vocais, condições climáticas, vícios, alimentação, hormônios, distúrbios respiratórios, inadequada

hidratação. Para manter uma boa saúde vocal o professor depende do cumprimento de algumas recomendações preciosas descritas pelos referidos autores, as quais passamos a destacar: Abusos vocais Para evitar abusos vocais recomenda-se ao professor: 1) locomover-se pela sala de aula, podendo assim ser ouvido mais facilmente, evitando falar alto ou quando os alunos estiverem inquietos; 2) Falar com intensidade de voz adequada ao ambiente, com o tom e a velocidade de voz que melhor lhe convier; 3) utilizar a colocação correta da voz, com a ressonância equilibrada; 4) falar calmamente, evitando desgastes desnecessários; 5) substituir os gritos por apitos ou assobios quando quiser obter a atenção do público; 6) evitar emitir sons onomatopéicos (motores, trovões, ruídos de animais, instrumentos musicais, entre outros); 7) visitar o médico regularmente. Efeitos climáticos Para se prevenir dos efeitos climáticos aconselha-se: 1) agasalhar- se adequadamente e evitar exposição a correntes de ar contínuas; 2) manter uma boa hidratação, possibilitando a fluidificação das secreções produzidas pelo organismo; 3) evitar a ingestão de alimentos e bebidas geladas ou quentes em excesso, pois estes provocam choque térmico, causando edemas nas pregas vocais; 4) não permanecer falando por longos períodos em ambientes demasiadamente secos, sob o efeito de ar condicionado, pois isto agride as mucosas das pregas vocais, propiciando a formação de catarro e irritações nasais e laríngeas.

Alimentação Para otimizar os efeitos da alimentação sobre a voz, recomenda-se:

  1. evitar chocolate, leite e seus derivados antes de lecionar, pois estes favorecem o aumento da secreção do muco no aparelho fonatório, produzindo pigarro e alterando o sistema de ressonância vocal; 2) evitar o consumo de bebidas gasosas, responsáveis pela sensação de “estufamento” que incomoda e interfere no controle da voz; 3) ingerir suco de laranja e limão regularmente, pois estes absorvem o excesso de secreção no trato vocal; 4) tomar água em abundância é fundamental para manter a garganta umidecida, condição esta primordial para se manter uma voz saudável. Alterações hormonais Quanto às alterações hormonais, nota-se que: 1) todos os hormônios produzidos pelo ser humano atuam diretamente no desenvolvimento da laringe e, portanto, são ocasionalmente responsáveis pelas diversas manifestações vocais apresentadas pelos indivíduos; 2) a disfonia pré-menstrual ocorre por engrossamento da mucosa laríngea, devido à diminuição de estrogêneo no sangue; 3) a diminuição da produção de hormônios sexuais femininos, durante a menopausa, é responsável pelo engrossamento da voz feminina (voz grave). Nos homens, o agravamento vocal ocorre durante a puberdade e a agudização na terceira idade; 4) as pílulas anticoncepcionais e as drogas virilizantes podem adulterar o bom funcionamento das pregas vocais, comprometendo a variação da altura vocal (grave/agudo).

Seguindo estas recomendações, os educadores, assim como outros profissionais que utilizam a voz excessivamente, estarão prevenindo-se de futuras alterações e males que acometem a região laríngea, preservando, deste modo, a sua saúde vocal.