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Este resumo aborda o conceito de braquistócrona, uma trajetória de menor tempo percorrida por uma partícula em um campo gravitacional constante e sem atrito. Ao contrário da intuição, o percurso mais rápido não é necessariamente a linha reta, mas sim uma curva em forma de ciclóide. O problema da braquistócrona tem aplicações na construção de relógios e no cálculo variacional.
Tipologia: Trabalhos
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Trabalha da disciplina de Dinâmica
Avançada do curso de Engenharia
Mecânica do Centro Universitário UniFavip.
Resumo sobre o caso conhecido como
Braquistócrona, que terá sua nota utilizada
como complemento para pontuação da
avaliação da disciplina.
Professor: Fabio Araujo
Caruaru – PE
Denomina-se braquistócrona a trajetória de uma partícula que, sujeita a
um campo gravitacional constante, sem atrito e com velocidade inicial nula, se
desloca entre dois pontos no menor intervalo de tempo. Note-se que a questão
não é qual o percurso mais curto entre os dois pontos, cuja resposta nas
condições dadas é, obviamente, a reta que os une, mas sim, qual trajetória é
percorrida no menor tempo.
Apesar de se tratar de um problema antigo, do final do século XVII, e
bem conhecido no meio acadêmico, a constatação experimental ainda
surpreende pessoas que a veem pela primeira vez. O problema da
Braquistócrona é uma questão mecânico-geométrica sobre a curva de descida
mais rápida. A palavra braquistócrona deriva das palavras gregas Brachistos,
que significa menor, e Chronos, que significa tempo.
O problema começou por ser publicado na Acta Eruditorum de Leipzig,
de Junho de 1696, onde Johann Bernoulli anunciava possuir uma solução e
desafiava os cientistas para, num prazo de seis meses, fazerem o mesmo. Em
Janeiro de 1697 publica uma nova proclamação anunciando que apenas
Leibniz lhe comunicara ter chegado à solução, mas pedia um adiamento do
prazo até à Páscoa para uma maior divulgação da questão junto do meio
científico, o que terá sido aceite.
Acabariam por ser apresentadas cinco soluções nas Actas de 1697: a do
próprio, a do seu tio Jacob, a de Leibniz, a de Hôpital e uma sob anonimato
(que seria a de Isaac Newton, como este veio a reconhecer mais tarde).
Ao contrário do que nossa intuição possa sugerir, o percurso mais rápido
de uma esfera (por exemplo) ao longo de uma calha que una dois pontos a
diferentes alturas não é uma linha reta. Esse menor tempo é obtido se a bola
percorrer uma linha em forma de ciclóide. A cicloide havia sido amplamente
estudada anteriormente, inclusive por Galileu Galilei (1564 - 1643) e Christiaan
Huygens (1629 - 1695). Este último encontrou aplicação na construção de
relógios utilizando o fato da curva ser isócrona (tautócrona), ou seja, fazer com
que um corpo em condições ideais, sujeito apenas à ação da gravidade e
restrito ao percurso da curva, atinja o ponto baixo após um intervalo de tempo
que independa da altura da qual foi solto.
2.1. Ciclóide
A Ciclóide é a curva descrita pelo ponto P na circunferência de um
círculo quando este se movimenta ao longo de uma linha reta. Conforme figura
Figura 1 – Curva ciclóide.
Fonte: (SABINA, 2020)
Uma das primeiras pessoas a estudar a ciclóide foi Galileu, que propôs
que pontes podem ser construídas no formato de ciclóides e que tentou
encontrar a área sob um arco de uma ciclóide. Mais tarde a ciclóide apareceu
em conexão com o Problema da Braquistócrona : encontrar a curva ao longo da
qual uma partícula desliza, sem fricção, em tempo mínimo (sob a ação da
gravidade) a partir do ponto A até um ponto mais baixo B não na mesma
vertical que contém A.
O matemático suíço Johann Bernoulli, que apresentou esse problema
em 1696, mostrou que entre todas as possíveis que unem A e B, como na
figura acima , a partícula levará o menor tempo deslizando de A até B se a
curva for um arco invertido de uma ciclóide. O Problema da Braquistócrona
também foi resolvido por Jakob Bernoulli (irmão de Johann Bernoulli), Isaac
Newton, Gottfried Leibniz e Marquês de L´Hospital. Diz-se, embora sem
comprovação, que Newton soube do problema no final da tarde de um dia
cansativo na Casa da Moeda e que o resolveu naquela noite após o jantar. Ele
publicou a solução anonimamente mas, ao vê-la, Johann Bernoulli observou:
"Ah, conheço o leão pela sua pata."
2.1.1. Parâmetros de uma ciclóide.
Sejam C um círculo de raio r, s uma reta e P um ponto de C.
Denominamos cicloide a curva descrita pelo ponto P quando C rola sobre a
reta s, sem deslizar. Denominamos cicloide a curva definida por um ponto de
uma circunferência que rola sem deslizar sobre uma reta. Uma cicloide iniciada
na origem de um sistema de eixos, criado por uma circunferência de raio r,
consiste nos pontos (x,y) tais que:
x = r ( t − sen ( t ) )
y = r ( 1 −cos ( t ))
Em que t é um parâmetro real. Vamos admitir que a reta s é o eixo OX, o
círculo C inicia o movimento estando seu centro no ponto (0, r) e que o ponto P
coincide com a origem do sistema de coordenadas no início do movimento.
Tracemos dois círculos: C1, representando C em sua posição inicial, e C2,
representando C após ter rolado alguns instantes. Sejam O1 e O2 os centros
de C1 e C2, respectivamente; P = (x, y) o ponto da cicloide em C2; A o ponto
em que C2 toca o eixo OX; Q = (x, 0) e T = (0, y) as projeções ortogonais de P
sobre OX e OY , respectivamente; M e N as projeções ortogonais de P sobre
Figura 3 – Curva Isócrona
Fonte: Unesp (2015)
igual a três vezes a área do círculo que lhe dá origem (figura 4);
Figura 4 – Delimitação da área de ciclóides
Fonte: Unesp (2015)
círculo rolante que a gerou;
batentes, este descreverá uma cicloide igual à que gerou os arcos (figura 5);
ainda que a amplitude de oscilação aumente ou diminua, o período do pêndulo
continua sendo o mesmo, pois é uma curva isocrônica (ou tautocrônica), ou
seja, o tempo gasto por um objeto para deslizar sem fricção, em gravidade
uniforme, até seu ponto de mínimo é independente de seu ponto de partida.
Figura 5 - Curva gerada por pêndulo com arcos de cicloide como
batentes
Fonte: Unesp (2015)
3.1. Cálculo Variacional
No contexto disputado do problema da Braquistócrona foi produzido
material significativo para explorar uma nova área na matemática: o cálculo
variacional. Segundo o princípio geral da conservação de energia, a energia
total de um sistema isolado é sempre constante, ou seja, a energia mecânica
Emec de um sistema no qual agem somente forças conservativas não se altera
com o passar do tempo. Temos então que a soma das energias cinética K e
potencial U é constante para qualquer intervalo de tempo. Sendo assim, dados
quaisquer pontos A e B, Emec = KA + UA = KB + UB = constante.
Seja G(x) uma função definida e contínua em [x1, x2] ⊂ R com
x 1
x 2
η ( x ) G ( x ) dx = 0
para toda função η(x) contínua em [x1, x2]. Então,
G(x) = 0, ∀ x ∈ [x1, x2].
Suponhamos que exista x’, x1 ≤ x’ ≤ x2 tal que G(x’) ≠ 0. Sem perda de
generalidade, suponhamos que G(x’) > 0. Como G é contínua, existe uma
vizinhança de x’, digamos (x’1, x’2) ⊂ [x1, x2] tal que G(x) > 0 para x ∈ (x’1,
x’2). Consideremos a função:
η
x
0 Se x
1
≤ x ≤ x '
1
x = x '
1
2
x = x '
2
2
Se x '
1
≤ x ≤ x '
2
0 Se x '
2
≤ x ≤ x
2
Para esta função η particular, que é contínua em seu domínio de
definição, temos que η(x) > 0 para x ∈ (x 0 1 , x0 2 ) e como G(x) > 0 para x ∈
(x’1,x’2), então:
natureza dos respectivos objetos a serem maximizados ou minimizados:
enquanto o cálculo diferencial procura números que tenham a propriedade de
otimizar, o cálculo variacional procura funções com tal propriedade.
Do cálculo variacional, supondo que exista uma função escalar y(x) de
classe C¹, satisfazendo as condições de fronteira y(x0) = y0 e y(x1) = y1, e que
seja um extremo para o funcional v [ y ( x ) ]=
x 0
x 1
F ( x , y ( x ) , y
'
( x ) ) dx onde F é uma
função de classe C² , tem-se que tal função extremal deve satisfazer a equação
diferencial de segunda ordem dada por
Fy −
d
dx
F y
'
Denominada Equação de Euler. Em particular, F depende somente de y
e y’, logo é possível reduzir a equação de Euler à identidade F – y’Fy’ = C
proposta por Eugenio Beltrami (1835 - 1900) em 1868 e que leva seu
sobrenome.
4. Resolução de Johann Bernoulli
Nesta resolução do problema da Braquistócrona, vamos seguir os
passos da solução dada por Johann Bernoulli. Consideremos, inicialmente, os
seguintes fatos:
outro no menor tempo possível.
conforme o meio em que se propaga (veja Figura 1). Se tivermos dois meios
distintos nos quais a luz se propaga com velocidades
v
1
, v
2
a lei de refração
afirma que
sen μ
1
v
1
sen μ
2
v
2
= cte = K
Figura 1: Esquema para o fenômeno da refração da luz (LIMA,2004).
Imaginemos um meio óptico formado por lâminas l1, l2, ..., ln horizontais
e finas tais que a velocidade da luz em cada lâmina seja
v
1
, i = 1...n conforme
mostra a Figura 2. Então, um raio de luz que parte de A e chega em B,
seguirá uma trajetória como indicada na Figura2, de modo que, para todo j, j
= 1, ..., n,
senμ
j
v
j
Esse caminho percorrido pelo raio de luz é o que fornece tempo mínimo para ir
de A até B com as velocidades indicadas.
Figura 3.4: Meio óptico e a trajetória descrita por um raio de luz partindo
de A chegando em B (LIMA,2004).
Embora o princípio de tempo mínimo usado anteriormente venha ao
encontro do problema da Braquistócrona, ainda não está claro como podemos
utilizar o fenômeno da refração para resolvê-lo. A dificuldade é que no
problema da Braquistócrona a velocidade com que a partícula se desloca sobre
a curva varia de acordo com a posição em que ela se encontra. Já no caso da
refração do raio de luz, a velocidade é constante em cada meio.
Para transpor esta dificuldade faremos o uso da noção de limite.
Sabemos que a velocidade, depois da partícula descer uma altura y é
√
2 gy
. Então, o caminho que dá o tempo mínimo será o caminho seguido por
um raio de luz num meio tal que a velocidade da luz aumente continuamente
com a descida y e seja precisamente √ 2 gy.
No limite deste processo, é de se esperar que a trajetória da luz através
de um meio cuja densidade aumente continuamente à medida que o raio de luz
desce, satisfaça
senμ
v
onde μ é o ângulo que a reta tangente à trajetória faz
com a perpendicular e v é a velocidade instantânea.
Para finalizar o problema da Braquistócrona consideremos a figura 3.5 a
seguir.
onde K não depende de α. Portanto, a ciclóide tem a propriedade dada por
senμ
v
CAETANO, Wellington de Lima. Queda em curvas de menor tempo e tempo
independente da altura - Braquistócrona e Tautócrona. 2008. 34 f. Tese
(Doutorado) - Curso de Física, Instituto de Física Gleb Wataghim, Universidade
Estadual de Campinas, Campinas, 2008.
SOUSA JÚNIOR, José Ribamar Alves de. O Cálculo Variacional e o Problema da
Braquistócrona. 2010. 45 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Mestrado Profissional
em Matemática Universitária, Departamento de Matemática, Universidade Estadual
Paulista "júlio de Mesquita Filho", Rio Claro, 2010.
SÃO PAULO. Sabina - Escola Parque do Conhecimento. Governo do Estado
(org.). Braquistócrona. 2020. Disponível em:
https://www2.santoandre.sp.gov.br/hotsites/sabina/index.php/a-sabina/experimentos/
119-pagina-experimento-curva-braquistocrona. Acesso em: 12 set. 2020.
FÍSICA, Unicentro - Gpet (org.). Curva Braquistócrona. 2017. Matheus Henry
Przygocki. Disponível em: https://www3.unicentro.br/petfisica/2017/04/14/curva-
braquistocrona/. Acesso em: 14 abr. 2017.
LIMA, G. Cálculo Variacional: Problemas Clássicos, Aspectos Teóricos e
Desdobramentos, Unicamp, Campinas, 2004.
LIMA, E.L. Curso de Análise - Volumes 1 e 2, IMPA, Rio de Janeiro, 2004.