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JARGÃO PRATCA
Tipologia: Esquemas
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Jargões do Trader Todos os direitos reservados - Scalper Trader 1
Jargões do Trader
INTRODUÇÃO “Bateu”, “tomou”, “pagão”, “virou venda”, “agrediu”, “blefe”, “HFT” etc. Termos estranhos, não é mesmo? De fato, algumas palavras que usamos em nossas operações e comunicações diárias com outros traders são termos bem específicos e nada intuitivos. Talvez você não saiba, mas a maior parte destes termos era usada por operadores do pregão viva voz. Na verdade, não só pelos operadores, mas também pelos scalpers e por todos os prestadores de serviço envolvidos na operação. Por mais que os pregões eletrônicos tenham substituído a forma antiga de negociar, a linguagem herdada das antigas rodas de negociação ainda predomina entre os profissionais de mercado. Esses termos dificilmente cairão de desuso e mesmo com o avanço da tecnologia, as raízes do trading e do processo de geração de negócios seguem como antigamente. Antes de entrar no conteúdo propriamente dito, gostaria de contar uma passagem que aconteceu comigo logo em início de carreira. Com 23 anos, entrei na mesa de uma corretora de valores para operar os recursos do dono e, na época, os mercados de BMF e Bovespa eram viva voz. Por telefone, tinha acesso direto ao operador de pregão e ouvia as ordens do mercado, bem como passava minhas ordens para ele. Logo no primeiro mês, recordo-me de uma passagem que me marcou e me fez refletir sobre a necessidade de aprender esse “linguajar próprio”. Eu já estava comprado em Índice Futuro e fui passar uma ordem de stop ao operador, nos seguintes termos: “Marroquino, se sair negócio a sessenta (nós só falamos as últimas casas), você vende 10 lotes no melhor”. Marroquino era o apelido do operador de pregão e a ordem era para vender 10 lotes de Índice Futuro a mercado, caso houvesse negociação no 60. Na época, o Índice estava na casa dos 12.000 pontos. Logo, a venda deveria ser 12.060 ou 12.160 (algo do tipo). Quando ele ouviu minha ordem, ele simplesmente retornou: “O que, é para vender 10 a setenta?”. Eu disse: “setenta não, é no sessenta...”.
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De forma resumida, como eram vários operadores na mesma linha, tomei o maior esculacho, pois o operador parou de cantar o mercado e ficou tentando entender minha ordem. Além do esculacho, perdi o stop na casa dos 60 e acabei “stopando” mais abaixo (o operador não entendeu minha ordem, porque ninguém dizia “sessenta”. Todos falavam “meia zero”). Obviamente que meu stop não foi tão maior que o planejado e claro que o “esculacho” dos demais operadores foi algo pontual, mas logo percebi o quão importante era falar a mesma língua dos demais. Se quisesse fazer parte daquilo, teria que me render àquela maneira de se comunicar. E assim o fiz... Da mesma forma, se você também deseja fazer parte deste mundo, terá que aprender essa linguagem. Pensando nisso, criamos um e-book chamado “Jargões de Mercado” que vai te ajudar a entender os termos mais usados entre os operadores. Esperamos que goste! Atitude Vencedora! André Antunes
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Agredir é a execução de uma “ordem a mercado”, onde uma parte aceita fechar o negócio no preço proposto pela outra. As ordens a mercado têm como característica o fato de consumir a liquidez do ativo, transformando as ordens limitadas do Book de Ofertas em negócios. O ato de consumir a liquidez das ordens limitadas é denominado “agressão”. Todos os negócios possuem um agressor, exceto os “diretos”. Dependendo de quem teve a iniciativa de “fechar” o negócio, o agressor pode ser comprador ou vendedor. Se um comprador tomou iniciativa de dar o fechado, falamos que este player “tomou” do vendedor. Caso a iniciativa parta do vendedor, dizemos que ele “bateu” determinados lotes no comprador. “Tomar” e “bater” são nomenclaturas muito utilizadas por day traders profissionais, pois facilitam a identificação de quem está tendo a iniciativa de gerar o negócio (se o comprador ou vendedor). Identificar a agressão é uma das variáveis mais importantes de microestrutura de mercado e análise de fluxo de ordens, porque gera sensibilidade muito mais precisa sobre o tipo de player que está impactando o mercado. Para identificar as agressões, sugerimos que abra sua plataforma, coloque o Times & Trades acima do Book Agrupado e certifique-se de que os negócios novos vão se atualizando, conforme no exemplo abaixo:
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Quando há consumo de liquidez das ordens limitadas na compra, ou seja, lotes que estavam pendentes na compra, o agressor foi um vendedor. Por outro lado, quando há consumo de liquidez de ordens limitadas da venda, ou seja, de lotes que estavam pendentes na venda, o agressor é comprador. Em ambos os casos, o agressor é aquela que aceita o preço proposto pela outra parte e “dá o fechado” no negócio. AJUSTE Ajuste diário é o mecanismo de liquidação diária de lucros e prejuízos de todas as posições carregadas de um dia para o outro, onde o preço de referência é o preço médio de execução da ordem do participante subtraído pelo preço de ajuste de compensação do ativo. Ex: comprou dólar a 3250,00, preço de ajuste do dólar foi de 3270,00. Pela subtração há uma diferença de 20 pontos positiva para a posição do trader (ele dormiu comprado). Logo, será creditado o valor da diferença entre o preço do ajuste e o preço de execução da ordem. APREGOAR É o ato de enviar uma ordem limitada ao mercado. Este termo era muito utilizado nos pregões viva voz, onde o ato de manter uma ordem limitada requeria que o operador de pregão repetisse verbalmente a ordem. Apregoar tem uma conotação de continuidade ou de repetição. Independente da conotação, ainda é um termo utilizado nos pregões eletrônicos para demonstrar que um determinado player está com uma ordem limitada no Book de Ofertas. ARBITRAGEM A palavra “arbitragem”, quando aplicada ao mercado financeiro, significa uma operação de compra e venda de 2 (dois) ou mais ativos negociados em mercados distintos, realizada com intuito de obter ganhos financeiros através do diferencial de preço momentaneamente existente entre eles. Existem alguns tipos de arbitragem. Vejamos:
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Repare no próximo print que este arbitrador foi agredido e comprou 25 lotes do mini a 73.770. Para que a arbitragem seja realizada, este player tem que vender 5 lotes do padrão a 73.780 (agredindo). É o que ocorre no print a seguir, repare que a execução ocorre no mesmo segundo (porém, com milissegundos de diferença).
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Em tese, a operação de arbitragem não possui risco. Logo, uma vez realizada a operação (compra e venda do mesmo ativo em mercados diferentes), o ganho ou prejuízo já estará pré-determinado e não haverá risco de exposição direcional. Muitos confundem operações de Long & Short , especialmente as de ON contra PN, com arbitragem. Nesse tipo de operação, há sim risco dos preços oscilarem, uma vez que cada classe de ações é influenciada por fatores fundamentais como t ag along , política de distribuição de dividendos etc. Dessa forma, a operação só é considerada arbitragem quando, uma vez concluídas a compra e venda dos ativos, o risco de exposição é zero. As arbitragens estão cada vez mais escassas devido à forte presença de algoritmos que identificam e capturam tais oportunidades com muita velocidade (na casa dos microssegundos). Quanto mais rápido, maior a probabilidade de ganhos nas arbitragens e, portanto, a briga por este operacional há tempos se tornou uma briga tecnológica, atraindo cada vez mais programadores para o mercado.
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Se estes players ou este player cancelar 150 lotes na compra a R$ 3. 223 ,00, restarão apenas 50 lotes na fila de compra e você ficará numa situação desconfortável. Isso é balanço!! No mesmo exemplo, após comprarmos a R$ 3. 223 ,00, caso a fila de venda do R$ 3 .223,50 engrosse indicando mais oferta no mercado, você também será levado a pensar que reduziu a probabilidade do seu trade dar certo. Essa entrada e saída de lotes contrários à nossa posição nas primeiras filas do Book de Ofertas é o que chamamos de balanço. O balanço naturalmente aumenta quando o mercado fica mais volátil, isto é, quando os preços passam a oscilar de forma mais rápida e intensa. Dessa forma, nós temos que ajustar nosso operacional à nova frequência e aceitar que os preços venham mais ligeiramente contra nossa entrada, antes de assumirmos que o trade deu errado. Já em condições normais, ou seja, de volatilidade e frequência dentro do padrão, o balanço costuma ser mínimo, limitando-se a 1 ou, no máximo, 2 ticks , dependendo do ativo.
Este é um termo usado para explicar que os preços estão respeitando uma determinada zona de negociação. Esta zona pode ser uma resistência, um suporte, uma área ou até mesmo um nível de preço específico em que exista lote grande e que, apesar de tentarem, os players ainda não conseguiram consumir toda liquidez ali disponível. Barreiras são frequentes em todos os ativos e surgem, praticamente, todos os dias, o que nos faz prestar bastante atenção quando identificamos uma. De forma superficial, quando identificamos uma barreira (especialmente as de lotes não consumidos), costumamos atuar contra o movimento prévio e escorado nela. Caso os preços venham subindo e encontrem uma barreira de lotes na venda (e estes lotes são agredidos, mas não são consumidos), nós atuamos na venda para capturar alguns poucos ticks. Ainda neste exemplo, caso cancelem a barreira ou alguém agrida todos os lotes na venda, assumimos que estamos errados e “stopamos” instantaneamente. Da mesma forma que operamos contra (escorados na barreira), especialmente no primeiro retorno à barreira, ficamos atentos para atuar a favor dos preços, conforme ficam confortáveis perto da área da barreira. Quanto menos rejeição de preço houver nesta área, mais o mercado nos mostra que está prestes a agredir integralmente os lotes que estão segurando o movimento prévio. Quando isso ocorre, nós instantaneamente agredimos para capturar alguns ticks a favor do rompimento da barreira.
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É o envio de uma ordem de venda a mercado que irá consumir liquidez das ofertas de compra presentes no Book de Ofertas. Bater é uma agressão de venda, porque o vendedor é quem toma a iniciativa de iniciar o trade , aceitando vender ao preço que o comprador estava ofertando. Perceba que se você olhar somente para o Histórico de Negócios ou Times & Trades , não é possível identificar se o agressor foi comprador ou vendedor. Quem cede (o último a fechar o negócio) é quem agride. Portanto, é preciso saber de onde a liquidez foi consumida. Repare no exemplo abaixo, antes do envio de uma ordem para vender 100 lotes a mercado. Se houver consumo de liquidez nos lotes da compra do Book de Ofertas, temos certeza que o agressor está “batendo” e que ele é vendedor. Repare como a quantidade de lotes na primeira fila de compra reduziu em 100 lotes. Repare também, que os negócios foram atualizados às 10:08:03 e todas as ordens de compra (coluna Cpa) são as mesmas que estavam presentes no Book completo acima, antes da agressão de 100 lotes.
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Todos os players do mercado podem blefar, bastando ter lotes liberados e apetite para isso. O mercado dá muita importância para lotes significativos (ou somatória de lotes). Dessa forma, blefar é uma estratégia bem arriscada para um trader pessoa física, pois seria facilmente agredido por um player maior. Por fim, muitos críticos à análise de fluxo de ordens usam os blefes como principal argumento para criticar o método. Entretanto, reafirmo que poucos sabem que o principal fluxo a ser considerado é o fluxo de agressão, que é invisível no Book de Ofertas. O Book de Ofertas mostra a intenção dos players e obviamente existem os blefes, mas o fluxo que realmente importa é o fluxo agredido, ou seja, as ordens que consomem liquidez das ofertas apregoadas e que geram negócios.
É o termo utilizado para substituir o número 0 (zero). Praticamente ninguém fala “zero”, e sim “bola”, pois existem alguns termos convencionados entre os participantes do mercado e este é um deles. O mesmo ocorre com o número “sessenta” (60). Ninguém diz “sessenta”, e sim “meia zero”, para não confundir com o número “setenta”, que tem fonética similar. Outra convenção adotada entre os participantes do mercado é falar somente as últimas casas decimais dos preços, a fim de “economizar” tempo. Abaixo, segue um exemplo do mercado de opções sobre ações:
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Neste caso, dizemos que o mercado é “bola com um”, pois é uma forma mais rápida de dizer que o mercado é “comprador a trinta centavos, com vendedor a trinta e um centavos”. Isso agiliza a comunicação e evita ter de mencionar o número completo.
O termo é usado desde a época do pregão viva voz, quando os operadores preenchiam boletas de papel indicando o preço da operação, o lote, se compra/venda e o seu código de operador, juntamente com o código da contraparte. Depois de preenchidas, estas boletas eram repassadas ao auxiliar de pregão, que as enviava ao “tobogã” para conferência e registro dos negócios. Atualmente, com o mercado eletrônico, a boleta é usada para enviar as ordens ao mercado, sejam elas: ordens limitadas, ordens a mercado, ordens stop ou qualquer outra ordem derivada dessas. Os campos de uma boleta costumam ser amplos, pois cada player tem uma demanda em especial. Um broker (participante do mercado que atende diversos clientes), por exemplo, precisa ter flexibilidade para digitar o código de seus clientes e também para digitar as quantidades, pois cada cliente tem um operacional diferente. Já no nosso caso, nós já pré-cadastramos nosso código de cliente, pois não vamos enviar ordem para ninguém, a não ser para nós mesmos. Além disso, colocamos o foco no preço (primeiro campo possível de ser digitado ao abrir a boleta), já que somos giradores e nossa quantidade de lotes costuma ser fixa.
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Nós utilizamos este termo quando deixamos a boleta aberta na tela (já com todos os campos previamente configurados) e só vamos atualizando o preço a fim de economizar tempo, caso precise de uma execução imediata. É comum deixarmos boleta armada tanto na entrada do trade quanto na saída, sempre que julgamos necessário. Obviamente, nem todos os trades são realizados com boleta armada. Somente os que já temos uma pré-disposição a comprar ou vender, por qualquer motivo que seja.
Costumamos dizer que houve uma boletada quando a ordem executa pelo player é grande o suficiente para consumir a liquidez de mais de um nível de preço do Book de Ofertas. Não existe um padrão pré-definido de lotes agredidos nem quantos níveis de preços devem ter a liquidez consumida para uma ordem ser considerada uma boletada,
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mas usamos o bom senso e as “boletadas” anteriores para julgar, de forma discricionária, sua relevância. Repare no próximo print que tinha compra de 305 lotes a R$ 3 .246,00 e mais 255 lotes a R$ 3 .245,50. Algum player operando através da corretora Tullet enviou uma ordem para vender 600 lotes a mercado e consumiu os 305 lotes a R$ 3 .246,00, os 255 lotes a R$ 3 .245,5 e mais 40 lotes a R$ 3 .245,00. Repare a seguir como a boletada de venda é apresentada: