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Trabalho sobre transporte cicloviário
Tipologia: Trabalhos
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Setor, com desempenho acima da média da economia brasileira, reúne perspectivas animadoras. A bicicleta como meio de transporte, tem elevado potencial para ganhar importância na paisagem dos grandes centros urbanos e colaborar com a qualidade de vida. O desafio recai sobre as áreas de recursos humanos de grandes empresas, que devem preparar as instalações para um "veículo" que significa saúde e sintonia com preocupações globais
Terceiro produtor e quinto maior consumidor de bicicletas no mundo, o Brasil pode fazer história e contribuir para um planeta ambientalmente mais correto. Embora algumas iniciativas já existam, elas ainda são poucas e não se traduziram, até agora, em políticas públicas realmente estruturais. Mas o cenário, cada vez mais aberto, leva a isso. Em 22 de setembro passado, por exemplo, no “Dia Mundial sem Carro”, o Ministro das Cidades, Márcio Fortes, admitiu que “é preciso melhorar a infra-estrutura dos centros urbanos para incentivar a população a deixar o automóvel em casa”. Muita gente busca uma alternativa na bicicleta. “Ainda é cedo para imaginar as ruas tomadas por bicicletas que circulem por todos os lados”, enfatizou. O próprio ministro admitiu que um dos problemas é que as pessoas “precisam de espaços para deixar as suas bicicletas quando estão no trabalho”. O desafio está lançado: convencer os gestores a reformularem as instalações das empresas para suprir a demanda, que vem aumentando. Os números da indústria comprovam os bons ventos e indicam que o ritmo com que se pedala neste mercado é maior que o passo da média da economia nacional. No ano passado, por exemplo, a produção chegou a 5,4 milhões de unidades, o que significou um crescimento de 8% sobre o volume fabricado em 2006. A expectativa para 2008 é de um novo salto, agora de 5% com 5,6 milhões de bicicletas fabricadas no ano todo. Esse volume é destinado a abastecer o mercado interno. Apesar dos números favoráveis, o Brasil está bem longe da China, que fabricou 80 milhões de bicicletas em 2005. Lá, o seu uso é estimulado por questões culturais e também por um gap da economia que mais cresce: a má distribuição de renda. A Índia fabricou 12 milhões de unidades/ano e ocupa a segunda posição no ranking. O Brasil é o terceiro. Em 2005, a China consumiu 27,6 milhões de unidades de bicicletas. Os Estados Unidos consumiram 19,6 milhões; a Índia 11,6 milhões e o Japão 9,9 milhões bicicletas. Otimista, o diretor executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Moacyr Alberto Paes, estimam que esse crescimento de 5% ao ano deve ser mantido até 2012. Do total da frota brasileira de aproximadamente 60 milhões de bicicletas, 44% estão na região Sudeste, principal pólo econômico do País, onde se concentram as maiores capitais e, portanto, os índices mais expressivos de congestionamentos e emissão de poluentes. “Essa é a razão pela qual se tem discutido tantas maneiras de a população deixar de usar o carro e trocá-lo por meios mais saudáveis, como a bicicleta”, diz Paes. Campanha - O mercado nacional viu a bicicleta virar “tema” de campanhas eleitorais em grandes cidades, nas eleições municipais, em especial num momento em que a indústria automobilística está sob uma pressão cada vez maior. As montadoras temem carregar o rótulo que acompanhou a indústria de tabaco e a de bebida alcoólica no início dos anos 70, como mostrou uma reportagem da revista Exame. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) organizou um seminário sobre mobilidade urbana para discutir a questão. “O carro é um sonho para muita gente”, disse o presidente da Anfavea, Jackson Schneider. Com o bom momento e os apelos que a colocam como um produto do “nosso tempo”, os apelos de marketing se renovaram. O diretor comercial da Brasil & Movimento (Sundown Motos, Bikes e Importação e Distribuição de peças), Ulisses Pincelli, no entanto, afirma que não se pode responsabilizar “uma indústria” pelo caos urbano nem depositar todas as fichas na solução do problema em um único setor, isoladamente. “O caos se instalou por uma série de fatores, mas, certamente, houve um desencontro entre o crescimento da base circulante de veículos com políticas governamentais de médio e longo prazos que integrassem os vários modais de transporte disponíveis”, explica Pincelli.
O diretor executivo da Abraciclo, Moacyr Alberto Paes concorda que não pode existir uma ação isolada por parte da indústria e diz que, por ser a bicicleta o meio de transporte ideal para distâncias de até 10 quilômetros, ações conjuntas das indústrias e da Abraciclo devem disseminar o uso dela como meio de transporte. ‘Por outro lado, as montadoras também procuram incentivar cada vez mais a bicicleta como transporte individual, meio de lazer e de qualidade de vida’, avalia Paes. Pincelli acredita que todos os segmentos da sociedade precisam intensificar o diálogo para que sejam criadas soluções integradas de transporte urbano que visem o bem da coletividade, iniciando, assim, uma fase de mobilidade sustentável. Na mesma linha de raciocínio, Paes lembra que existem alguns esforços já empreendidos pelo poder público. Ele afirma que vários municípios desenvolvem programas e projetos de ciclovias e ciclofaixas, assim como o governo Federal, que incentiva o uso da bicicleta através do programa “Bicicleta Brasil”. Na opinião de Pincelli, o aumento dos congestionamentos tende a ser um estímulo adicional para os ciclistas eventuais se converterem em ciclistas regulares, estimando que os que usam a bicicleta no lugar do carro nas regiões centrais e em horários de pico possam ganhar mais de uma hora por dia, além de contribuir para sua própria saúde e para o meio ambiente. São Paulo anunciou, recentemente, a construção de mais 130 quilômetros de ciclovias para os próximos dois anos, o que é um bom começo, mas a Sundown estima que sejam necessários, no total, de 350 a 400 quilômetros para conectar os principais pontos da cidade, inclusive estações de metrô e terminais de ônibus. Investimentos em criação de ciclofaixas ou vias especiais para ciclistas, no entanto, não seriam suficientes, segundo Pincelli. O diretor diz que é preciso “pensar fora da caixa”. ‘As empresas teriam de preparar suas instalações para troca de roupas e mesmo banhos, além de estacionamentos para as bikes ’, afirma. Seguindo a linha do bem-estar geral, o diretor da Sundown abre o leque dos benefícios em usar a bicicleta afirmando que as companhias teriam colaboradores menos estressados e, seguramente, com uma saúde muito melhor, o que traria ganhos de produtividade e menor incidência de despesas com medicina corretiva. O senão do ciclista Mario Adami, que mora em São Paulo e conta com estrutura em seu local de trabalho, no entanto, é outro. ‘Falta educação dos motoristas e a má qualidade das vias, cheias de buracos e desníveis, me inibem de pedalar durante o dia pelas ruas’, afirma Adami, que restringe o uso da bicicleta nos períodos noturnos e finais de semana pela capital paulista. A professora de yoga Adriana Rosa também gostaria muito de aposentar o carro de vez, mas não a falta de segurança é o motivo que a impede. ‘Tenho muito medo de ser assaltada. Só pedalo fora da cidade, mas é uma pena, porque tenho que rodar a cidade toda e faria isto em muito menos tempo se fosse de bike ’, lamenta Adriana. TERESINA - Apesar de ter apenas 50 quilômetros de ciclovias construídas, que sequer são totalmente interligadas, 12% das viagens diárias feitas em Teresina, que conta com um percentual muito significativo de população de baixa renda, são feitas de bicicleta. O secretário municipal de planejamento, Augusto Basílio, relaciona esses números e o bom exemplo que a cidade traz à discussão do tema ao fato de a cidade ser plana. “No Plano Diretor de Transportes da capital do Piauí estão previstos a implantação de mais 150 quilômetros, obras de interligação das vias do sistema existentes, além de identificar os pontos de maior ocorrência de acidentes, corrigindo eventuais erros na geometria das vias para oferecer maior segurança ao ciclista, bem como a implantação de bicicletários’, enumera. A grande maioria dos trabalhadores da indústria da construção civil utiliza a bicicleta como meio de transporte’, diz o secretário, que acredita na possibilidade de qualquer cidade brasileira conseguir o feito, desde que seus gestores façam um planejamento adequado. “Com bom projeto de marketing, os resultados com certeza virão”, afirma. De acordo com Basílio, um dos fortes motivos que têm proporcionado a fuga dos usuários de transportes coletivos é o baixo custo operacional para o uso das bicicletas e os constantes aumentos na tarifa dos transportes.