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Usinagem I, Notas de estudo de Engenharia Mecânica

Esta apostila contém informações técnicas e objetivas sobre o processo conhecido como usinagem.

Tipologia: Notas de estudo

2012

Compartilhado em 17/08/2012

Ipanema27
Ipanema27 🇧🇷

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NotasdeAuladeUsinagem
Prof.JoseLu³sSilveira
DepartamentodeEngenhariaMec^anica
EscoladeEngenharia/UFRJ
I Introdu»c~ao
Usinagem eumprocessodefabrica»c~ao que modi¯caaformadeumapca atravesda
remo»c~ao de material.
Omaterialremovido enormalmente chamadode\cavaco",outambem,\limalha" ou
\apara".
I.1 Processosdeusinagem
Aplainamento{ eumprocessousadonafabrica»c~ao depcascujasuperf³ciepodeser
geradaporum movimento alternativoretil³neorealizadoporumaferramentamono-
cortante.
Torneamento{ eumprocessousadonafabrica»c~ao depcascomsuperf³ciesderevolu-
»c~ao,realizadocomo aux³liodeumaferramentamonocortante.
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Notas de Aula de Usinagem

Prof. Jos¶e Lu¶³s Silveira

Departamento de Engenharia Mec^anica

Escola de Engenharia/UFRJ

I Introdu»c~ao

Usinagem ¶e um processo de fabrica»c~ao que modi¯ca a forma de uma pe»ca atrav¶es da remo»c~ao de material. O material removido ¶e normalmente chamado de \cavaco", ou tamb¶em, \limalha" ou \apara".

I.1 Processos de usinagem

Aplainamento { ¶e um processo usado na fabrica»c~ao de pe»cas cuja superf¶³cie pode ser gerada por um movimento alternativo retil¶³neo realizado por uma ferramenta mono- cortante.

Torneamento { ¶e um processo usado na fabrica»c~ao de pe»cas com superf¶³cies de revolu- »c~ao, realizado com o aux¶³lio de uma ferramenta monocortante.

Fresagem { ¶e um processo vers¶atil de fabrica»c~ao, no qual a ferramenta, geralmente multicortante, gira e se desloca em uma trajet¶oria qualquer em rela»c~ao μa pe»ca.

I.2 Ferramenta Monocortante

² Aresta principal de corte - ¶e aquela cuja cunha indica a dire»c~ao de avan»co.

II.2.4 Movimentos passivos

S~ao aqueles que n~ao tomam parte direta na forma»c~ao do cavaco:

Movimento de posicionamento { ¶e aquele no qual a ferramenta ¶e aproximada da pe»ca antes da usinagem.

Movimento de profundidade { ¶e o que determina a camada de material a ser re- movida.

Movimento de ajuste { ¶e aquele que compensa o desgaste da ferramenta.

II.3 Dire»c~oes dos movimentos

Dire»c~ao de corte { ¶e a dire»c~ao instant^anea do movimento de corte.

Dire»c~ao de avan»co { ¶e a dire»c~ao instant^anea do movimento de avan»co.

Dire»c~ao efetiva de corte { ¶e a dire»c~ao instant^anea do movimento efetivo de corte.

II.4 Percursos ou trajetos da ferramenta sobre a pe»ca

Percurso de corte { lc [mm] - ¶e o espa»co percorrido sobre a pe»ca pelo \ponto de re- fer^encia" da aresta cortante segundo a dire»c~ao de corte.

² no torneamento lc = ¼:d

Percurso de avan»co { la [mm] - ¶e o espa»co percorrido sobre a pe»ca pela \ferramenta" segundo a dire»c~ao de avan»co.

Percurso efetivo de corte { le [mm] - ¶e o espa»co percorrido sobre a pe»ca, pelo \ponto de refer^encia" da aresta cortante, segundo a dire»c~ao efetiva de corte.

² no torneamento

lc = ¼:d le =

q l a^2 + l c^2

la = avan»co por volta

² no fresamento cil¶³ndrico tangencial

II.5 Velocidades

Velocidade de corte { v [m/min] - ¶e a velocidade instant^anea do ponto de refer^encia da aresta cortante, segundo a dire»c~ao e sentido de corte.

v =

lc 1000 :t

Velocidade de avan»co { va [mm/min] - ¶e a velocidade instant^anea da ferramenta, se- gundo a dire»c~ao e sentido de avan»co.

va =

la t

Velocidade efetiva de corte { ve [m/min] - ¶e a velocidade instant^anea do ponto de refer^encia da aresta cortante, segundo a dire»c~ao efetiva de corte.

ve =

sμ va 1000

¶ 2

  • v^2 + 2

μ (^) v a 1000

¶ v: cos '

² no torneamento

² no aplainamento

² fresamento cil¶³ndrico tangencial concordante e discordante

II.6.3 Angulo^ ´ da dire»c~ao efetiva de corte

E o ^^ ¶ angulo entre a dire»c~ao de corte e a dire»c~ao efetiva de corte.

sen ' =

AB

va

; cos ' =

BC

va ( AB = va:sen ' BC = va:cos '

tg ´ =

AB

BC + v

va:sen ' va:cos ' + v

sen ' cos ' + (^) vva Normalmente a velocidade de avan»co va ¶e pequena quando comparada com a veloci- dade de corte:

v À va ) ´! 0 Na opera»c~ao de roscamento ´ n~ao ¶e desprez¶³vel, pois representa o ^angulo de inclina»c~ao da rosca. Sendo ' = 90o

tg ´ =

va:sen 90o va:cos 90o^ + v

va v

la lc

a ¼:d

(ver tabela I.1 do livro Fundamentos da Usinagem dos Metais de Dino Ferraresi)

II.7 Superf¶³cies de corte

S~ao as superf¶³cies geradas na pe»ca pela ferramenta:

² Superf¶³cie principal de corte { ¶e a superf¶³cie de corte gerada pela aresta principal de corte da ferramenta.

² Superf¶³cie lateral de corte { ¶e a superf¶³cie gerada pela aresta lateral de corte.

As superf¶³cies de corte que permanecem na pe»ca s~ao chamadas superf¶³cies trabalhadas.

Avan»co de corte { ac [mm] - ¶e a dist^ancia entre duas superf¶³cies de corte consecutivas, medidas no plano de trabalho e perpendicular μa dire»c~ao de corte.

ac? v

ac ¼ ad : sen '

² no torneamento, ' = 90o^! ac ¼ ad : sen 90o^ = ad ² no torneamento, Z = 1! a = ad ¼ ac

Avan»co efetivo de corte { ae [mm] - ¶e a dist^ancia entre duas superf¶³cies de corte con- secutivamente formadas, medida no plano de trabalho e perpendicular μa dire»c~ao efetiva de corte.

ae ¼ ad : sen (' ¡ ´)

² no torneamento e no aplainamento: ' = 90o^ ; ad = a

ae ¼ a : sen (90o^ ¡ ´) = a : cos ´

² quando ´ ¼ 0, devido v À va, temos:

ae ¼ ad : sen ' = ac

Profundidade ou largura de corte { p [mm] - ¶e a profundidade ou largura de pene- tra»c~ao da aresta principal de corte, medida numa dire»c~ao perpendicular ao plano de trabalho. p ¶e chamado profundidade de corte:

² no torneamento

² no faceamento

² no aplainamento

² no fresamento frontal

² na fura»c~ao em cheio

A profundidade ou largura de corte p multiplicada pelo avan»co de corte fornece a ¶area da se»c~ao de corte S , p ¶e medida perpendicular ao plano de trabalho enquanto o avan»co de corte ac ¶e medido sempre no plano de trabalho.

Espessura de penetra»c~ao { e [mm] - ¶e a espessura de corte em cada curso ou revolu»c~ao (ciclo), medida no plano de trabalho e numa dire»c~ao perpendicular μa dire»c~ao avan»co.

II.9 Grandezas relativas ao cavaco

S~ao derivadas das grandezas de corte e obtidas atrav¶es de c¶alculo. N~ao s~ao id^enticas μas obtidas atrav¶es da medi»c~ao do cavaco.

Comprimento de corte { b [mm] - ¶e o comprimento de cavaco a ser retirado, medido na superf¶³cie de corte, segundo a dire»c~ao normal μa dire»c~ao de corte.

² no torneamento

sen  =

p b

! b =

p sen Â

onde  ¶e o ^angulo de posi»c~ao da aresta principal de corte.

Espessura de corte { h [mm] - ¶e a espessura calculada do cavaco a ser retirado, medida normalmente μa superf¶³cie de corte e segundo a dire»c~ao perpendicular μa dire»c~ao de corte.

² no torneamento

sen  =

h ac

! h = ac : sen Â

Area da se»^ ¶ c~ao de corte { (ou se»c~ao de corte) { S [mm^2 ] - ¶e a ¶area calculada da se»c~ao de cavaco a ser retirada, medida em um plano normal μa dire»c~ao de corte.

S = p : ac ou S = b : h Substituindo

ac = ad : sen ' =

a Z

: sen '

se obt¶em a express~ao geral:

S = p :

a Z

: sen '

² no torneamento e no aplainamento: ' = 90o^ ; Z = 1! S = p : a

² na fura»c~ao com broca de 2 navalhas: ' = 90o^ ; Z = 2 ; p = d 2

S =

d 2

a 2

a : d 4 ² no fresamento cil¶³ndrico tangencial { tr^es situa»c~oes podem ocorrer:

  1. na entrada da fresa: ' = 0o^ ; sen 0o^ = 0! S = 0

Espessura efetiva de corte { he [mm] - ¶e a espessura calculada do cavaco a ser reti- rado, medida normalmente μa superf¶³cie de corte e segundo a dire»c~ao perpendicular μa dire»c~ao efetiva de corte.

he =

h q 1 + tg^2 ´ : sen^2 Â

(dedu»c~ao ver Dino Ferraresi { p¶agina 15)

² Quando v À va ) ´! 0 ; tg ´! 0 e he ¼ h ² Para  = 90o:

he =

h q 1 + sen

(^2) ´ cos^2 ´

h q (^) cos (^2) ´+sen (^2) ´ cos^2 ´

h 1 cos ´

= h : cos ´

Area de se»^ ¶ c~ao efetiva de corte { Se [mm^2 ] - ¶e a ¶area calculada da se»c~ao do cavaco a ser retirado, medida em um plano normal μa dire»c~ao efetiva de corte.

Se = p : ae ou Se = be : he

III Geometria da Cunha Cortante da Ferramenta de

Usinagem

Cunha cortante ¶e a parte da ferramenta na qual o cavaco se origina, atrav¶es do movi- mento relativo entre a ferramenta e a pe»ca. As arestas que limitam a cunha cortante s~ao chamadas arestas de corte, que podem ser retil¶³neas, curvil¶³neas ou angulares.

III.1 Superf¶³cies

Superf¶³cies de folga { s~ao as superf¶³cies da ferramenta que defrontam com as superf¶³cies de corte, s~ao tamb¶em chamadas superf¶³cies de incid^encia. Estas superf¶³cies podem ter um chanfro junto a aresta de corte. A largura do chanfro ¶e representada por l®.

Superf¶³cie de sa¶³da { ¶e a superf¶³cie sobre a qual se forma o cavaco e por onde este desliza. Pode tamb¶em ter um chanfro, cuja largura ¶e representada por l°.

III.2 Sistemas de refer^encia

S~ao dois os sistemas de refer^encia usados para a determina»c~ao dos ^angulos das ferramentas:

² o sistema de refer^encia da ferramenta e

² o sistema efetivo de refer^encia.

O sistema efetivo ¶e din^amico, isto ¶e, considera-se a ferramenta movendo-se no seu trabalho de usinagem junto a pe»ca. Para determin¶a-lo deve-se levar em conta as condi»c~oes de usinagem, tais como: velocidade de corte e de avan»co, profundidade de corte, avan»co, material da pe»ca e da ferramenta etc. Este sistema interessa ao projeto da ferramenta.

² no torneamento, em dois casos, o plano de refer^encia da ferramenta n~ao ¶e perpendicular μa dire»c~ao de corte:

Plano de corte da ferramenta { ¶e o plano que passando pela aresta de corte, ¶e per- pendicular ao plano de refer^encia da ferramenta. No caso de arestas de corte curvas, este plano ¶e tangente a aresta de corte, passando pelo ponto de refer^encia.

Plano de medida da ferramenta { ¶e um plano perpendicular ao plano de corte e ao plano de refer^encia da ferramenta.

III.3.1 Angulos no sistema de refer^^ encia da ferramenta

a) ^Angulos medidos no plano de refer^encia

² Angulo de posi»^ c~ao  { ¶e o ^angulo entre o plano de corte e o plano de trabalho, medido no plano de refer^encia. E sempre positivo e situa-se fora da cunha de corte¶ de forma que seu v¶ertice indica a ponta de corte.

² Angulo de ponta^ ² { ¶e o ^angulo entre os planos principal e lateral de corte, medido no plano de refer^encia.

Vale a seguinte rela»c~ao:

 + ² + Âl = 180o

{ Um ^angulo de posi»c~ao menor que 90o^ faz com que o corte se inicie afastado da ponta da ferramenta, num lugar onde a ferramenta ¶e mais resistente e com mais condi»c~ao de suportar o impacto inicial. Para um ^angulo de 90o^ o corte se inicia subitamente em toda a aresta principal de corte.

{ A espessura do cavaco, para um mesmo avan»co, diminui com a redu»c~ao do ^angulo de posi»c~ao:

h = ac : sen Â

b =

p sen Â

Isto faz com que a for»ca de corte seja distribu¶³da em um comprimento maior da aresta de corte diminuindo o desgaste da ferramenta e aumentando sua vida, isto ¶e, o tempo necess¶ario entre a¯a»c~oes.

{ Para um ^angulo de posi»c~ao menor que 90o, a for»ca de usinagem ¶e decomposta em duas partes, sendo uma passiva e que comprime a ferramenta contra as guias e o fuso, diminuindo o perigo de vibra»c~oes devidas a folgas.