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Vacina ocupacional apostila conceitos básicos
Tipologia: Resumos
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Esta publicação é um pequeno guia de consulta e orientação para médicos e demais profissionais interessados em vacina- ção ocupacional, com os principais aspectos relacionados à imunização de trabalhadores. Estão neste texto as indicações de rotina e as situações especiais. O guia busca, ainda, ampliar o entendimento dos principais tópicos da Norma Regulamen- tadora 32, do Ministério do Trabalho e Emprego; abordar a responsabilidade médica no processo de prevenção com imu- nizantes e oferecer orientação quanto aos aspectos legais da vacinação extramuros. Também se encontram aqui o Calendá- rio Vacinal de Adultos do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e os calendários de vacinação do Adulto e Ocupacional da Sociedade Brasileira de Imunizações – SBIm.
Sabemos que a vacinação é o procedimento médico que possi- bilita maior impacto na redução da morbimortalidade. Por- tanto, com esta publicação, a SBIm e a Associação Nacional de Medicina do Trabalho – ANAMT procuraram cumprir o papel institucional e social de informar e esclarecer a respeito das melhores práticas de proteção dos trabalhadores contra os agentes infecciosos de doenças evitáveis por meio da vacinação. Trabalhadores cientes de seus direitos e empregadores de seus deveres representam maior produtividade, estimulada pela pre- servação da saúde e da vida.
Os autores
Vacinação dos trabalhadores em serviços de saúde
mo muitos deles não tenham completa- do seus esquemas vacinais de forma adequada ao melhor exercício do traba- lho. Ocorre que os profissionais de saú- de têm um grande papel no desenvolvi- mento de uma mentalidade voltada para as ações preventivas. A avaliação de ro- tina do histórico vacinal, nos ambula- tórios e consultórios, abre a possibili- dade de diminuir os custos sociais oca- sionados pela ocorrência das doenças que não foram evitadas simplesmente pela desinformação.
Cabe ao médico a responsabilidade de prescrição da vacina para adultos e crian- ças. E é sua obrigação informar o paciente sobre qualquer recurso disponível para a manutenção da sua saúde.
Vacinação
incluída no
PCMSO
A vacina é uma das principais aliadas do serviço de saúde ocupacional porque per- mite, a partir de ações simples e de baixo custo, alcançar seu objetivo: a saúde dos trabalhadores, com diminuição do risco de absenteísmo. Além disso, um progra- ma bem elaborado será percebido pelos funcionários como mais um benefício e, pela empresa, como uma ferramenta que assegura o ritmo de produção, evitando faltas, licenças temporárias por motivos de saúde e as aposentadorias precoces.
A vacinação deve, então, estar incluída en- tre os temas a serem trabalhados pelo ser- viço durante todo o ano e não apenas na Semana Interna de Prevenção de Aciden- tes do Trabalho (Sipat). Cabe ao médico do trabalho ser um vigilante das imuniza- ções do grupo de trabalhadores.
Calendários
de Vacinação
Nos Calendários Vacinais da SBIm, os elen- cos de vacinas são apresentados de acordo com as recomendações e características es- peciais de cada faixa etária ou grupo. É res- ponsabilidade profissional e ética de toda a equipe de saúde informar-se sobre os an- tecedentes mórbidos e vacinais de seus pa- cientes, para orientá-los sobre doenças imunopreveníveis, visando a proteção in- dividual e à redução do risco de dissemina- ção de agentes infecciosos para a comuni- dade circunstante e geral.
Calendário de vacinação do adulto O calendário do Adulto tem como objeti- vo principal servir de orientação para a imunização ou atualização das vacinas dos adultos que, na infância, não foram cor- retamente protegidos nem contraíram, de forma inequívoca, doenças que podem ser prevenidas, como sarampo, varicela, me- ningite e as hepatites A e B.
Vacinação em situações especiais Muitos trabalhadores aptos ao desempe- nho de suas funções mostram condições de saúde que os tornam mais vulneráveis a determinadas infecções ou, uma vez in- fectados, apresentam um risco aumenta- do de complicações. Nessa categoria es- tão as pessoas vivendo com HIV, os trans- plantados (de órgãos ou tecidos), pesso- as em uso de medicação imunossupres- sora e as portadoras de condições ou doenças crônicas, como diabetes, pneu- mopatias ou cardiopatias. Esses trabalha- dores deverão ser objeto de considerações especiais no tocante à vacinação. (Veja en- dereço do site no box “Saiba mais”, p.9)
8 Atualização em Vacinação Ocupacional
Calendário de Vacinação
Ocupacional
A saúde ocupacional tem sido alvo de investimento e atenção das autoridades governamentais. Atualmente, é impos- sível conceber uma empresa que não es- teja engajada no Programa Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e no Pro- grama de Prevenção de Riscos Ambien- tais (PPRA). Campanhas educativas vi- sando a melhoria da saúde do trabalha- dor brasileiro são incentivadas e assun- tos como a obesidade, as doenças do co- ração, a Aids, e a saúde da mulher, entre outros, já fazem parte do cotidiano das grandes empresas.
A indicação de vacinas, como forma de diminuir o risco de se contrair as doen- ças infecciosas a que estão expostos vá- rios grupos profissionais, também deve integrar o conjunto de medidas preven- tivas. Por isso, recomenda-se aos médi- cos que, em suas preocupações profis- sionais e éticas, incluam o acompanha- mento do estado vacinal dos trabalha- dores sob seus cuidados, para a garan- tia de permanente atualização.
Legislação brasileira
A Portaria Conjunta Anvisa/Funasa nº 01, de 2 de agosto de 2000, estabelece as exigên- cias para o funcionamento de estabelecimen- tos privados de vacinação, seu licenciamen- to, fiscalização e controle: “Parágrafo Único: Para efeito desta Portaria, considera-se esta- belecimento privado de vacinação aquelas unidades assistenciais de saúde, que realizam vacinação para prevenção de doenças imu- nopreveníveis e que não integram a rede de serviços estatais ou privados conveniados ao Sistema Único de Saúde.”
Dessa forma, para vacinar os funcionários, a empresa deverá encaminhá-los à rede pú- blica ou a um serviço privado de vacinação devidamente credenciado pela Anvisa. Se for de interesse da empresa que seu serviço mé- dico aplique vacinas será necessário possuir: alvará de funcionamento para essa ativida- de específica; registro do serviço junto ao CRM; licença da Vigilância Sanitária para vacinar e registro junto ao setor da Secreta- ria de Saúde Estadual ou Municipal res- ponsável pelo PNI em cada região. A mes- ma Portaria Conjunta prevê também a va- cinação extramuros realizada por serviço privado, credenciado e habilitado para a função. Conheça a Portaria em http:// www.indaiatuba.sp.gov.br/sesau/devisa/ por_conj01-02ago2000.pdf >*.
Os calendários de vacinação da Criança, do Adolescente, do Adulto e do Idoso fo- ram instituídos em todo o território nacional pela Lei 1602 de 17 de julho de 2006: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/portaria_vacina.pdf * http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=21464) *
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) prevê o uso de algumas vacinas em situa- ções específicas. As normas para o uso dessas vacinas podem ser consultadas em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/crie_indicacoes_271106.pdf *
Os endereços dos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (Cries) em todo o Brasil podem ser consultados no site: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/relacao_cries_2007.pdf *
Vacinação de adultos 9
A importância da vacinação do trabalhador viajante 11
dado à diarréia do viajante, sobretudo em situações de viagem a países em desenvol- vimento, e infecções do trato respiratório. Outras de menor relevância – como as fe- bres hemorrágicas virais, legionelose, có- lera, riquetsioses e raiva – são habitual- mente mais graves e podem ser letais.
As doenças do trato respiratório, como a influenza – e menos frequentemente a legi- onelose e a síndrome de Loeffler –, e outras causadas por agentes como micoplasma e pneumococo vêm merecendo a atenção crescente dos profissionais envolvidos com a saúde do viajante. A epidemia da Síndro- me Respiratória Aguda Grave, rapidamen- te disseminada a partir de Hong Kong para todos os continentes, é um dos mais recen- tes desafios à medicina do viajante no mun- do contemporâneo e globalizado.
Estabilidade faz brasileiro
viajar mais
Muitos turistas tendem a ser descuidados e procuram lugares “exóticos”, consumin- do comidas típicas, hospedando-se em al- bergues e pensões sem as devidas condi- ções de higiene e mantendo relações sexu- ais (muitas vezes sem as medidas de pro- teção recomendadas) com habitantes lo- cais, freqüentemente profissionais do sexo.
A estabilidade da economia brasileira faz com que os problemas relativos a viajan- tes, anteriormente quase que exclusivos dos países industrializados, se estendam ao nosso país. Mais de dois milhões de brasileiros viajam para o exterior anual- mente. A crescente inserção do Brasil no mercado internacional traz a necessidade de viagens comerciais a lugares anterior-
mente fora do roteiro usual. O Sudeste Asiático, a China e a África passam a figu- rar nos destinos de comerciantes, técnicos e executivos de empresas brasileiras ou de empresas transnacionais com filial no Bra- sil. Um outro aspecto, pouco conhecido, é o de participação em ações internacionais, sejam humanitárias, como os Médicos Sem Fronteiras e a Cruz Vermelha Inter- nacional, ou ligadas a agências internaci- onais, como a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização das Na- ções Unidas (ONU), e militares em mis- sões de paz, como em Timor Leste e Haiti.
A saúde do empregado em viagem repre- senta preocupação para o empregador, que tem de proteger o capital investido nesse colaborador, evitar o prejuízo decorrente de um eventual afastamento por doença, e reponder legalmente pela empresa. Por isso, a medicina do viajante deve ser parte inte- grante da medicina do trabalho.
Dentre os problemas com que lidam os médicos que atendem viajantes está a va- cinação, a intervenção em saúde que apre- senta a melhor relação custo/benefício. Deve-se propiciar aos viajantes o máximo de proteção vacinal quando estes se diri- gem aos mais diferentes locais. Além da proteção individual, a adoção de imuni-
zações específicas ao viajante é estratégia vital no controle da disseminação em es- cala global de doenças infecciosas, sobre- tudo aquelas com potencial epidêmico.
Apesar de doenças imunopreveníveis não serem consideradas o principal risco à saú- de dos viajantes, são as mais facilmente preveníveis. Por essa razão, os serviços de
12 Atualização em Vacinação Ocupacional
saúde ocupacional devem ter programas de vacinação específicos para o trabalha- dor que viaja.
Vacinas
e viajantes
As vacinas para viajantes, assim como as vacinas para o trabalhador, podem, usu- almente, ser colocadas em uma das três categorias:
Vacinas de rotina – São as de uso geral, recomendadas independentemente de viagens. As vacinas do calendário de roti- na para crianças estão nessa categoria – difteria, tétano, poliomielite, sarampo, ca- xumba, rubéola, hepatite B. A perspectiva de uma viagem é um excelente momento para atualizá-las.
Os trabalhadores devem estar vacinados conforme as recomendações vigentes para a vacinação do adulto. O aconselhamento médico antes da viagem deve integrar os procedimentos da empresa, e é um exce-
lente momento para atualizar o esquema rotineiro de vacinação. Muitas vezes o tem- po disponível antes da viagem é curto e in- suficiente para a maioria dos esquemas de vacinação. Por isso, os esquemas devem ser adaptados para o tempo disponível.
Vacinas exigidas por determinação legal
Atualmente, essas vacinas se restringem, salvo raras exceções, à vacina da febre amarela. A recente aprovação do novo Re- gulamento Sanitário Internacional e sua gradual implantação podem modificar essa situação. O novo regulamento dá aos países e à própria OMS maiores poderes de restrição ao movimento de pessoas e bens, o que poderá levar à exigência de vacinação contra outras doenças além da febre amarela.
A única situação especial de exigência de vacina, nos dias de hoje, é em relação à que protege contra o meningococo, indi- cada para pessoas que viajam para a Arábia Saudita rumo a Meca ou Medina por ocasião de datas religiosas como o Hajj e o Umrah.
As exigências de vacinação para viagens internacionais estão sujeitas a alterações, o que demanda consultas regulares aos sites da OMS ou do CDC (Centers for Disease Control and Prevention, dos Es- tados Unidos da América).
14 Atualização em Vacinação Ocupacional
Existem algumas fontes disponíveis (ver Anexo 5 – Fontes de informação e de referências) que mantêm uma listagem atualizada dos principais riscos infeccio- sos em escala mundial.
As recomendações originárias dos países industrializados tendem a um certo exces- so, particularmente porque nem sempre se dispõe de informações precisas a respeito do local específico para onde o viajante irá. Como a maioria das vacinas é segura e com baixa incidência de reações colaterais, o mais prudente é optar pela vacinação sem- pre que houver dúvida, salvo, evidentemen- te, situações especiais, dentre as quais ges- tação e imunossupressão.
Recomendações específicas
As doenças que merecem atenção especial no tocante ao viajante são influenza, he- patite A e febre amarela.
Os viajantes estão mais sujeitos a contrair a influenza, por diversos motivos. Expos- tos a vários ambientes num espaço de tem- po relativamente curto, muitos deles locais
fechados com grande concentração de pes- soas (salas de espera e check in de aeropor- tos, filas de controle de imigração etc.). As viagens internacionais são eventos particu- larmente estressantes, com ambientes mui- tas vezes de ar frio e seco devido à climatização de aeronaves e aeroportos, além das variações de fuso horário.
Ainda que o risco aumentado de influen- za em viajantes seja quase senso comum, há poucos estudos para demonstrar o risco efetivo. Mutsch et cols (2005), em estudo feito entre viajantes suíços que se dirigiam a países tropicais e subtropicais, mostrou que a influenza é a mais freqüen- te infecção prevenível por vacina adqui- rida por viajantes. Dos 1.450 que com- pletaram o questionário, 289 (19,9%) re- lataram a ocorrência de doença febril durante ou logo após a viagem. Foram obtidas amostras de sangue pareadas em 211 casos e 27 (12,8%) apresentaram soroconversão, indicando que a influen- za apresenta uma incidência significativa entre viajantes.
Já Leder et al (2003) demonstraram que os fatores de risco para influenza em viajantes envolviam: viagem ao hemisfério Norte, en- tre dezembro e fevereiro; viagem para visi- tar amigos ou parentes no exterior; via- gens com duração maior que 30 dias. As complicações da influenza estavam associ- adas com sexo masculino e idade crescente.
Dengue, hepatite A, febre tifóide e demais gastrenterites são doenças com grande potencial de acometer o viajante.
Quadro 2 - Vacinas contra a febre tifóide
Vacina Tipo Via adm. Idade No^ doses Reforços Efeitos mínima colaterais Ty21a Bactérias atenuadas Oral 6 anos 4* 5 anos < 5 % Vi Polissacáride IM 2 anos 1 2 anos < 7 % Fenolada Bactérias inativadas SC 6 meses 2** 3 anos < 35 %
A importância da vacinação do trabalhador viajante 15
Sohail e Fischer (2005) investigaram se as viagens aéreas oferecem risco aumen- tado de infecção respiratória, entre elas a influenza. Ainda que sejam relatados surtos em passageiros de aviões comer- ciais, os relatos são poucos, não pare- cendo haver risco aumentado de trans- missão do vírus da influenza em aero- naves comerciais.
Mixeu et cols (2002), no entanto, mostra- ram que tripulações de aeronaves comer- ciais não vacinadas apresentaram uma in- cidência de influenza comprovada de 33% num período de observação de sete me- ses, sugerindo que, mesmo que as aero- naves em si possam não oferecer risco au- mentado, viagens freqüentes são um fa- tor significativo de risco.
As viagens com propósitos turísticos ou re- ligiosos, freqüentemente com permanência em locais com grande número de pessoas, também apresentam um risco aumentado, como mostraram Balkhy et al (2004) em muçulmanos em peregrinação a Meca e Medina. As viagens marítimas também ofe- recem risco para o viajante adquirir influen- za, particularmente as de cruzeiro.
A vacinação contra a influenza é recomen- dada quando o viajante, desde que maior de 6 meses, se deslocará durante o período usual de circulação do vírus, geralmente entre o final do outono e início da primavera. É es- pecialmente importante para indivíduos com mais de 50 anos, portadores de co- morbidades (sobretudo pneumopatias crô- nicas e imunossupressão), que venham a realizar longas viagens aéreas. A influenza não é apenas uma doença de locais frios; na região tropical a circulação do vírus pode ocorrer durante todo o ano, mais freqüen- temente no período das chuvas.
As vacinas contra a influenza com a cepa prevista para o inverno são comercializa- das já a partir do final de agosto no he-
misfério Norte, mas a composição da va- cina é determinada no final do inverno, levando em conta as cepas predominan- tes, e é anunciada pela OMS por volta de março de cada ano. No hemisfério Sul, a determinação da cepa a ser utilizada é es- tabelecida em setembro do ano anterior e as vacinas usualmente estão disponíveis no final de fevereiro.
Se o viajante já foi vacinado no ano contra a influenza, não há motivo para a revaci- nação, uma vez que doses adicionais não oferecem maior proteção. Se a viagem for para outro hemisfério, haveria interesse em usar a vacina correspondente. Infelizmen- te, as vacinas do hemisfério Norte não são comercializadas no Brasil. Caso o viajante não tenha sido vacinado no ano, deve rece- ber a vacina disponível, mesmo que a via- gem seja para o hemisfério Norte.
A disponibilidade de uma vacina eficaz e de excelente tolerância faz da vacinação contra a hepatite A uma recomendação para a maioria dos locais. Sempre que não houver garantia da qualidade dos ali- mentos e da água, como em determina- das regiões de praia, a vacina contra a hepatite A deve ser utilizada.
A vacina é constituída de vírus inativado e tem baixa incidência de efeitos colaterais. Poucos países incluíram essa vacina na roti- na. A vacinação é recomendada para pesso- as que se dirigem a áreas de incidência eleva- da ou para as que não poderão adotar ou- tras medidas de prevenção. A resposta a uma única dose é usualmente protetora, mesmo quando utilizada pós-exposição.
A vacinação contra influenza deve ser anual e está recomendada para maiores de 6 meses de idade.
A importância da vacinação do trabalhador viajante 17
rio da Saúde < http://portal.saude.gov.br/ portal/svs/visualizar_texto.cfm?idtxt = 21622 > (acesso em 23/04/07).
Como qualquer vacina de vírus vivo ate- nuado, seu uso não é recomendado du- rante a gestação. Em gestantes vivendo em regiões de alto risco, a administração pode ser feita, desde que o risco seja elevado e não possam sair da área de risco, uma vez que não há registro de efeitos nocivos para o feto. A vacinação em gestante não impli- ca interrupção da gestação.
A vacinação contra a cólera não é mais exi- gência do Regulamento Sanitário Interna- cional. Estas orientações, no entanto, to- mam como referência as vacinas antigas de bactérias inteiras, inativadas, para admi- nistração parenteral. Tais vacinas têm efi- cácia de cerca de 50% e duração da imuni- dade de seis meses, além de uma elevada incidência de reações colaterais.
Recentemente, porém, foram comerciali- zadas na Europa duas vacinas para admi- nistração oral: uma utiliza cepa mutante, atenuada – CVD 103 HgR (produz a subunidade B da toxina, que é antigênica, mas não a subunidade A, que é a porção ativa). A outra é inativada e combina a subunidade B da toxina colérica com bac- térias inativadas - WC/rBS (whole cell / recombinant B subunit). Esta oferece pro- teção cruzada contra a diarréia por Escherichia coli enterotoxigênica (Etec), uma das principais causas da diarréia dos viajantes, e está disponível no Brasil.
Embora ambas mostrem boa eficácia e baixa incidência de efeitos colaterais, ain- da não existe consenso quanto ao uso des- sas vacinas, cujo papel em saúde pública ou na proteção individual ainda não é cla- ro. Contudo, espera-se maior freqüência de uso em futuro próximo.
A recomendação é de duas doses com in- tervalo de uma a seis semanas, e a revaci- nação deve ocorrer após três anos.
É comum o trabalhador ser enviado para outra região ou para fora do país acom- panhado de sua família, todos sob res- ponsabilidade do empregador. Essa si- tuação pode ampliar os riscos de alguns problemas, o que torna ainda mais reco- mendável consultar boas fontes de refe- rência, particularmente no caso de pesso- as imunocomprometidas.
O mesmo bom senso necessário à prote- ção do adulto deve servir de norte para a proteção de crianças, o que inclui a aplica- ção de vacinas com a antecedência míni- ma necessária para estimular a formação de anticorpos antes do embarque.
Como regra geral, as vacinas recomenda- das para os adultos deverão ser também aplicadas em crianças. Mas, essas têm ne- cessidades especiais. O calendário indica- do pela Sociedade Brasileira de Imuniza- ções (http://www.sbim.org.br/) satisfaz plenamente tais necessidades.
É importante destacar que vacinas contra o Haemophilus influenzae do tipo b (Hib), bem como a vacina tríplice bacteriana (contra difteria, tétano e coqueluche –DTP), a trípli- ce bacteriana com componente pertussis ace- lular (DTPa), ou qualquer das combinações atualmente disponíveis, podem ser aplica- das já a partir da sexta semana de vida.
Dependendo da urgência da vacinação, o intervalo entre as doses de Hib e DTP ou DTPa, tradicionalmente de oito semanas, pode ser reduzido para quatro semanas. Da mesma maneira as vacinas Hib e DTP po- dem ter sua dose de reforço antecipada dos 15 a 18 meses para logo após os 12 meses.
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Norma Regulamentadora 32 (NR 32), do Ministério do Trabalho e Empre- go, traz uma novidade que permitirá re- duzir ou mesmo eliminar determinadas doenças infecciosas entre os profissionais que trabalham nos serviços de saúde. Pu- blicada no Diário Oficial da União em 16 de novembro de 2005 (Portaria 485 de 11 de novembro de 2005), a norma, na ver- dade, não é exclusiva para médicos, enfer- meiros e demais profissionais que cuidam ou tratam de pessoas doentes, possíveis portadoras de agentes biológicos capazes de causar doença. Outros trabalhadores que lidam com doentes, com materiais e equipamento utilizados na prestação de serviços, com sangue, secreções, roupas ou qualquer outro material que possa estar contaminado por microorganismos tam- bém são alvo dessa portaria.
A NR 32 fixa claramente a obrigatorie- dade de o empregador disponibilizar to- das as vacinas registradas no país que possam, segundo critérios de exposição a riscos, estar indicadas para o trabalha- dor e estabelecidas no Programa de Con- trole Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO): “32.4.22.6 Sempre que houver vacinas eficazes contra os agentes biológi- cos a que os trabalhadores estão, ou pode- rão estar, expostos, o empregador deve disponibilizá-las gratuitamente aos traba- lhadores não imunizados”.
É oportuno lembrar que essa recomen- dação deve ser extensiva aos servidores
Vacinação dos trabalhadores em serviços de saúde
públicos civis e militares, autônomos, trabalhadores avulsos, cooperados, celetistas e informais. Comentaremos a seguir os sete itens da NR 32 que tratam especificamente da vacinação dos traba- lhadores dos Serviços de Saúde.
A todo trabalhador dos serviços de saúde deve ser fornecida gratuitamente imuni- zação através da aplicação de vacinas re- gistradas no país, independentemente de estarem ou não inseridas no Programa Nacional de Imunizações (PNI). Caberá ao médico do trabalho (em conjunto com a CCIH) definir no PCMSO aquelas vaci- nas indicadas para cada trabalhador, le- vando em consideração os riscos biológi- cos a que o mesmo está exposto.
Esta gratuidade segue a lógica aplicada no exame clínico e dos exames comple- mentares obrigatórios segundo a Nor- ma Regulamentadora 7 (NR 7). O mes- mo ocorre com a gratuidade dos Equi- pamentos de Proteção Individual (EPI). A presença dos agentes biológicos trans- missores de doenças no ambiente de tra- balho obriga o empregador a prover os meios de proteção para que o trabalha- dor não se acidente ou, caso se acidente, não sofra as conseqüências de uma pos- sível contaminação por microorganis- mos que provoquem doenças perfeita- mente evitáveis por vacinas.
20 Atualização em Vacinação Ocupacional
devem ser disponibilizadas gratuitamente pelo empregador. O calendário de vacina- ção do Adulto e do Idoso do PNI, publica- do através da Portaria 1.602, prevê que todo adulto deverá ser imunizado contra tétano e difteria (dT), sarampo, caxumba e ru- béola (Tríplice viral), febre amarela (quan- do viajar ou residir em área endêmica). Os maiores de 60 anos, além dessas vaci- nas (com exceção da Tríplice viral) devem receber a vacina contra a gripe e a vacina pneumocócica 23 valente. Para os profis- sionais da saúde, o Ministério da Saúde, por meio dos Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais (Cries), ofere- ce as seguintes vacinas: hepatite B, varicela e influenza (gripe).
O médico coordenador do PCMSO deve complementar o programa de vacinação
do trabalhador com base na avaliação dos riscos de contaminação apurados no Pro- grama de Prevenção dos Riscos Ambien- tais (PPRA). Para tal, de acordo com a ati- vidade e as características do ambiente de trabalho, será definido o grau de risco para as doenças infecciosas eficazmente preveníveis por vacinas (ver quadro 5).
O profissional poderá se expor às doen- ças em suas atividades diárias ou em si- tuações específicas de viagem, exposições ocasionais ou situações de surto, e esses fatos devem também ser levados em con- sideração no PCMSO. Além disso, o tra- balhador, de acordo com sua atividade e a forma de transmissão das doenças, pode ser o veículo de transmissão dos agentes infecciosos. Proteger os comunicantes tam- bém deve ser objetivo do PCMSO.
Quadro 3 – Vacinas recomendadas a TODOS os profissionais que trabalham em instituições geradoras de saúde, seja em caráter assistencial ou administrativo
Vacina contra Hepatite B Três doses (0, 1 e 6 meses)
Vacina contra Tétano/Difteria Uma dose a cada dez anos, se imunização básica. (dT adulto) Esquema básico: três doses
Tríplice viral Pelo menos duas doses ap ós 1 ano de idade (sarampo/caxumba/rubéola)
Influenza Dose única anual
Quadro 4 – Vacinas indicadas para grupos específicos
Vacina contra Hepatite A Indicada para profissionais das unidades de nutrição, e unidades p ediátricas ou trabalhadores incluídos no grupo de risco individual. Duas doses (0, 6 meses)
Vacina contra Varicela Todos os profissionais da saúde que prestam assistência a pacientes imunodeprimidos
Vacina contra Pertussis (incluída Indicada para todos os profissionais que prestam na tríplice bacteriana, tipo adulto) assistência nas unidades de neonatologia, pediatria, e pacientes com do enças respiratórias crônicas
Vacina Pneumocócica 23v Todos os profissionais acima de 60 anos de idade ou incluídos no grup o de risco
DOENÇA IMUNOPREVENÍVEL
VACINAS DISPONÍVEIS NO BRASIL
LABORATÓRIOS FABRICANTES
Formas graves da Tuberculose
Difteria
Tétano
Coqueluche
Influenza (gripe)
Haemophilus influenzae do tipo b
Hepatite A
Hepatite B
Sarampo
Caxumba
Rubéola
Doença meningocócica
Rotavírus
Doenças Pneumocócicas Invasivas
Varicela
Diarréia do viajante e cólera
HPV
Febre amarela
BCG
Dupla tipo adulto e Tríplice bacteriana do tipo adulto
Dupla tipo adulto, Tríplice bacteriana do tipo adulto e Antitetânica
Tríplice bacteriana do tipo adulto
Gripe e Gripe pediátrica
Haemophilus tipo b conjugada
Hepatite A
Hepatite B
Tríplice viral
Tríplice viral
Tríplice viral
Meningite AC Meningite meningocócica C conjugada
Rotavírus
Pneumo 23 valente e Pneumocócica 7 valente conjugada
Varicela
Cólera
HPV
Febre amarela
Ataulfo de Paiva
Sanofi Pasteur – GSK – Butantan
Sanofi Pasteur – GSK – Butantan
GSK
Sanofi Pasteur – GSK – Butantan Meizler – Solvay – Cristália – Novartis
Sanofi Pasteur – GSK
Sanofi Pasteur – GSK – MSD – Cristália
Sanofi Pasteur – GSK – MSD
Sanofi Pasteur – GSK – MSD
Sanofi Pasteur – GSK – MSD
Sanofi Pasteur – GSK – MSD
Sanofi Pasteur Wyeth – Novartis – Baxter
GSK
Sanofi Pasteur – Wyeth – MSD
Sanofi Pasteur – GSK - MSD
Sanofi Pasteur
MSD
Fiocruz
NR 32 comentada 21
Quadro 5