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Variação refere-se a algo que é vário ou diverso. No que diz respeito a variação linguística, estamos perante a diversas formas em que uma determinada lingua é articulada. No âmbito da abordagem do mesmo, traremos conceitos para melhor explicar a variação linguística, tipos de variação linguista, como ela emerge no tempo e no espaço, os factores que influenciam a variação linguística e as consequências que este traz numa determinada sociedade.
Tipologia: Redação
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Neves Jacinto Bene Variação Linguística (Licenciatura em Ensino de Português) Universidade Rovuma Extensão Lichinga
2. Conceito Variação refere-se a algo que é vário ou diverso. No que diz respeito a variação linguística, estamos perante a diversas formas em que uma determinada lingua ee articulada. Linguística é a ciência que estuda a linguagem humana e as suas manifestacoes. Segundo o Dicionario da Língua Portuguesa (2009, p.433) linguística “é o estudo das línguas, nas suas relações e nos seus princípios, leis fonéticas e semânticas, morfologia, raízes, etc.” De acordo com a Infoescola (p.1 ) “variação linguística é um fenómeno natural que ocorre pela diversificação dos sistema de uma língua em relação as possibilidades de mudança de seus elementos (vocabulário, pronúncia, morfologia, sintaxe). 3. Variação Linguística no Tempo e no espaço A língua não é estática, mas sim dinâmica. Esta ao longo do tempo passa por várias transformações e mudanças. Falar da variação linguística no tempo e no espaço, estamos a falar de como a língua variou num determinado lugar e em que período essas mudanças foram observadas. Para uma melhor compreensão daquilo que é a variação linguística no tempo e no espaço, nos focaremos na Língua Portuguesa. Sabe-se que esta deriva do latim vulgar, que era falado pelos soldados Romanos. 4. Variação Linguística no Espaço Segundo MATEUS et al (2003, p.25-26) a língua portuguesa começou a desenhar-se no domínio do léxico e pode remeter-se para uma data próxima do século VI (…) a história da língua portuguesa, que acompanha a sua variação temporal desde a época dos primeiros textos escritos, divide-se habitualmente em quatro períodos, a saber: O Português Antigo : este vai desde as manifestações do português escrito até ao fim do século XIV. Este possui algumas características que difere dos outros períodos: a) existência de hiatos provenientes da supressão de consoantes entre duas vogais que, posteriormente, se reduziram a uma só por crase (exemplo: ma-a> má; cre-er>crer); b) A existência de formas verbais isoladas que mais tarde se integraram nos paradigmas da língua (exemplo: a primeira pessoa do presente do indicativo de certos verbos arço
“ ardo ”; paresco “ pareço ” ); c) A ocorrência de palavras gramaticais hoje desaparecidas, como o distributivo senhos “cada um seu”; Português Médio : que se difundiu a supressão do – d – intervocálico que ocorria em todas as formas verbais da segunda pessoa do plural (exemplo: cuidades “cuidais”; guardades “guardais” ) e a substituição de – udo por – ido na terminação dos particípios passados (exemplo: temudo “temido”; teudo “tido”; sabudo “sabido” ); Português Clássico , foi registada por uma estabilização das três conjugações verbais do português actual, com a integração da terceira conjugação de verbos de duas conjugações latinas (exemplo: aduzer “aduzir”, finger “fingir” ). Durante este período deixa-se de utilizar certas conjunções que são típicas do período anterior, como pero e ca como explicativos, ou porem com o significado de por isso, e inicia-se uma progressiva substituição de haver por ter em estruturas de posse (exemplo: haver pan, haver fé, haver barvas ). Foi também neste período que que surgiram as primeiras gramaticas da língua a de Fernão Oliveira em 1536, e a de João de Barros em 1540. Português Moderno : neste período o - e- em posição pretónica e postónica foram progressivamente substituídos por uma vogal reduzida que hoje é habitualmente suprimida no registo coloquial do português europeu. Estas vogais eram, desde o início da língua, muito mais audíveis do que são hoje.
5. Variação Linguística no Espaço A variação no espaço de uma dada língua, refere-se aos lugares em que esta mesma língua era, foi ou é falada. No caso de Português, este propagou-se pelo mundo, começando por algumas regiões de Portugal como as Ilhas dos Açores e Madeira, América, Africa e Asia. De acordo com Mateus et al (2003, p.28): Propagou-se até o Algarve, e posteriormente, a regiões espalhadas por todos os continentes, em finais do seculo XVI e durante o seculo XVII, além de ser falada na América (Brasil), era também utilizada como língua geral do litoral africano e como língua franca nos portos da India e do sudeste da Asia.”
pronunciar, onde o indivíduo vai desenvolver a sua performance de acordo com o lugar em que o mesmo se encontra. Quer seja num ambiente formal ou informal, onde o mesmo fará a seleção do vocábulo por se a ser usado.
6. Factores da Variação Linguística Vários são os factores que influenciam a variação linguística, pois é notável que a língua não é falada da mesma forma pelos seus falantes. Labov (1987), citado por MOTA (2004, p.131-132), a variação é frequentemente condicionada pela probabilidade de uso em função do contexto e esses condicionamentos quantitativos podem ser usados para descrever o sistema da comunidade e a validade das regras (variáveis). Neste sentido, defendem os variacionistas que as regras variáveis são o tipo de formalização mais adequado para explicar os dados empíricos: a formulação dessas regras, entendidas como esquemas de regras, com o objectivo de reduzir a variação observada a padrões quantitativos regular, controlados pelos factores sociais (MOTA). De acorda com a atora acima citada, há que considerar os seguintes elementos como factores da variação linguística: Factor etário: a idade dos participantes da comunicação é um dado relevante, já que, a partir dela, serão feitas escolhas linguísticas diferentes. Isso é visível na comparação entre um jovem e uma pessoa mais velha, em que cada um usará vocábulos mais comuns à sua geração; Factor profissional: cada grupo profissional possui um conjunto de nomes e expressões que se ligam à atividade desempenhada; ou seja, essa fator trata do jargão típico de cada área. O campo do Direito, por exemplo, utiliza palavras relacionadas a leis, a artigos e a determinados documentos, assim como a área da Medicina utiliza um vocabulário que apenas os médicos são capazes de entender; Grau de Escolaridade: este está ligado com o grau de escolaridade de um certo individuo, quanto maior o grau de escolaridade menor é a probabilidade deste criar desvios ou transferências de uma língua para a outra ou fazer o uso errado das regras gramaticais, por outro lado encontramos indivíduos com baixo nível ou sem nenhum grau de escolaridade, onde podemos verificar frequentes desvios ou erros na formulação de frases ou enunciados;
Nível Socioeconómico: este factor está mais ligado aos grupos ou classes sociais em que o individuo se encontra, entre a classe baixa, média e alta.
7. Consequências da Variação Linguística Pagliuca e Mowrey (1987) e Browman e Goldstein (1992) apresentam evidências para o fato de que palavras muito usadas são mais suscetíveis a variações que implicam na redução de segmentos. Segundo os autores, os gestos articulatórios envolvidos na fala tornam-se mais automatizados por causa da repetição. Sendo assim, existe redução e sobreposição de gestos articulatórios, o que faz com que palavras mais frequentes sofram mais redução fonética. LINDBLOM (1990) apresenta duas tendências competitivas que interferem na produção de sons pelo falante: a) a tendência de utilizar pouco esforço articulatório; b) a necessidade de produzir um estímulo auditivo que seja suficientemente claro para que o interlocutor possa compreender as sentenças pronunciadas. O equilíbrio entre essas duas tendências faria com que o falante reduzisse os segmentos de palavras ou expressões nos casos em que ele (o falante) soubesse que não gerariam dúvidas de compreensão para o interlocutor. Nesse sentido, palavras muito frequente já estão mais disponíveis no léxico mental do falante, por isso a economia de gestos. A variação linguística, traz várias consequências na sociedade, consequências essas que podem ser vantajosas ou desvantajosas. As suas vantagens na maioria das vezes é de uma determinada língua ganhar prestígio em detrimento das outras, com a criação ou invenção de novas palavras, impulsiona a vontade de aprender e apreender novas palavras por parte do individuo. A principal desvantagem é o facto, da maioria das vezes provocar o distanciamento social entre os indivíduos de uma dada sociedade, originados pelas classes sociais ou grau de escolaridade.
9. Referências Bibliográficas Dicionário mais Gramática da Língua Portuguesa. 1ª ed. Texto Editores, Maputo, 2009; LINDBLOM, Bjorn. Explaining Phonetic Variation: a sketch of the H&H theory. In: William Hardcastle & Alain Marshal, 1990. Pdf; MATEUS, Maria H. M. et al. Gramatica da Língua Portuguesa. 6ª ed. Caminho Editoras, Lisboa, 2003; MATOS, Maria A. C. In Variação e Mudança Linguística, ainda e sempre. Faculdade de Letras de Lisboa e Centro de Línguas da Universidade de Lisboa. Pdf; PAGLIUCA, William. MOWREY, Richard. Articulatory Evolution. In A. G. Ramar, O. Carruba and G. Bernini Eds. Papers from the 7th^ International Conference Historical Linguistics. Amsterdam: John Benjamins, 1987. Pdf.