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Variáveis metodológicas, Manuais, Projetos, Pesquisas de Educação Física

Manipulação de variáveis metodológicas do treinamento

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2021

Compartilhado em 30/03/2021

frederico-guimaraes
frederico-guimaraes 🇧🇷

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Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo. v.12. n.75. Suplementar 1. p.426-436. Jan./Jun. 2018.
ISSN 1981-9900.
426
Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício
ISSN 1981-9900
versão eletrônica
Pe rió di co do Inst i t uto Bra sil eiro d e Pesq u i s a e E nsin o em F isi olo gi a do E xerc í c io
w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b r
CONHECIMENTO DA MANIPULAÇÃO DAS VARIÁVEIS METODOLÓGICAS DO TREINAMENTO
DE FORÇA ENTRE OS PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO FÍSICA
Ayran Matos Quadros1
Gracy Mariele Schwatey2,3
Déborah de Araújo Farias1,4,5
RESUMO
A busca pela prática do treinamento de força
(TF) tem aumentado, com objetivos não
relacionados à saúde e qualidade de vida,
como também para fins estéticos. O objetivo
do presente estudo foi identificar o percentual
de profissionais que têm o conhecimento
sobre as variáveis metodológicas do
treinamento de força. O estudo foi composto
por 19 profissionais de educação física, que
atuam em academias na cidade de Castanhal-
PA, trabalhando especificamente no salão de
musculação, de ambos os gêneros e faixas
etárias. Foi aplicado um questionário adaptado
com perguntas abertas e fechadas. O
questionário foi subdividido em dois tópicos
sendo “formação profissional” e “percepções
pessoais”. Os resultados apontaram que
muitos dos professores não têm conhecimento
da manipulação adequada das variáveis
metodológiicas do treinamento de força, o que
gera controvérsias, uma vez que a literatura
considera que as variáveis metodológicas
devem ser utilizadas de forma racional para
que se assegure o resultado desejado.
Concluímos que a necessidade de uma
reciclagem e aperfeiçoamento de
conhecimentos para que haja uma melhoria na
atuação desses profissionais, buscando não
alcançar os objetivos solicitados pelo
praticante do treinamento de força como
também visando a promoção da saúde para
uma melhor qualidade de vida.
Palavras-chave: Academias de ginástica.
Treinamento de resistência. Qualidade de
Vida.
1-Universidade Federal do Pará (UFPA),
Castanhal-PA, Brasil.
2-Universidade Federal Rural do Rio de
Janeiro (UFRRJ), Seropédica-RJ, Brasil.
3-Universidade Federal da Paraíba (UFPB),
João Pessoa-PB, Brasil.
4-Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), Rio de Janeiro-RJ, Brasil.
ABSTRACT
Knowledge of the manipulation of the
methodological variables of strength training
among physical education professionals
The search for the resistance training (RT)
practice has increased, with goals not only
related to health and quality of life, but also for
aesthetic purposes. The aim of the present
study was to identify the percentage of
professionals who have knowledge of the RT
methodological variables. The study was
composed of 19 physical education
professionals, who work in gyms in the City of
Castanhal-PA, atending specifically in the
weight room, of both genders. An adapted
questionnaire with open and closed questions
was applied. The questionnaire was
subdivided into two topics being “professional
training” and “personal perceptions”. The
results pointed out that many of the teachers
are unaware of the adequate manipulation of
the methodological variables of RT, which
generates controversial, since the literature
considers that the metodological variables
must be used in a rational way to ensure the
desired result. We concluded that, there ir a
need to recycle and improve knowledge so that
there is a improvement in the performance of
these professionals, seeking not only to
achieve the goals required by the RT
practitioner but also to promote health and
quality of life.
Key words: Fitness Centers. Resistance
training. Quality of life.
5-Laboratório de Estudos do Desempenho
Humano (LEDEHU), Universidade Federal do
Amazonas (UFAM), Manaus-AM, Brasil.
E-mails dos autores:
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Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo. v.12. n.7 5. Suplementar 1. p. 426 - 436. Jan./Jun. 2018.

Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício

ISSN 1981- 9900 versão eletrônica

Pe r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a si l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w. i b p e f e x. c o m. b r / w w w. r b p f e x. c o m. b r CONHECIMENTO DA MANIPULAÇÃO DAS VARIÁVEIS METODOLÓGICAS DO TREINAMENTO DE FORÇA ENTRE OS PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO FÍSICA Ayran Matos Quadros^1 Gracy Mariele Schwatey2, Déborah de Araújo Farias^1 ,4, RESUMO A busca pela prática do treinamento de força (TF) tem aumentado, com objetivos não só relacionados à saúde e qualidade de vida, como também para fins estéticos. O objetivo do presente estudo foi identificar o percentual de profissionais que têm o conhecimento sobre as variáveis metodológicas do treinamento de força. O estudo foi composto por 19 profissionais de educação física, que atuam em academias na cidade de Castanhal- PA, trabalhando especificamente no salão de musculação, de ambos os gêneros e faixas etárias. Foi aplicado um questionário adaptado com perguntas abertas e fechadas. O questionário foi subdividido em dois tópicos sendo “formação profissional” e “percepções pessoais”. Os resultados apontaram que muitos dos professores não têm conhecimento da manipulação adequada das variáveis metodológiicas do treinamento de força, o que gera controvérsias, uma vez que a literatura considera que as variáveis metodológicas devem ser utilizadas de forma racional para que se assegure o resultado desejado. Concluímos que há a necessidade de uma reciclagem e aperfeiçoamento de conhecimentos para que haja uma melhoria na atuação desses profissionais, buscando não só alcançar os objetivos solicitados pelo praticante do treinamento de força como também visando a promoção da saúde para uma melhor qualidade de vida. Palavras-chave: Academias de ginástica. Treinamento de resistência. Qualidade de Vida. 1 - Universidade Federal do Pará (UFPA), Castanhal-PA, Brasil. 2 - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Seropédica-RJ, Brasil. 3 - Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa-PB, Brasil. 4 - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro-RJ, Brasil.

ABSTRACT

Knowledge of the manipulation of the methodological variables of strength training among physical education professionals The search for the resistance training (RT) practice has increased, with goals not only related to health and quality of life, but also for aesthetic purposes. The aim of the present study was to identify the percentage of professionals who have knowledge of the RT methodological variables. The study was composed of 19 physical education professionals, who work in gyms in the City of Castanhal-PA, atending specifically in the weight room, of both genders. An adapted questionnaire with open and closed questions was applied. The questionnaire was subdivided into two topics being “professional training” and “personal perceptions”. The results pointed out that many of the teachers are unaware of the adequate manipulation of the methodological variables of RT, which generates controversial, since the literature considers that the metodological variables must be used in a rational way to ensure the desired result. We concluded that, there ir a need to recycle and improve knowledge so that there is a improvement in the performance of these professionals, seeking not only to achieve the goals required by the RT practitioner but also to promote health and quality of life. Key words: Fitness Centers. Resistance training. Quality of life. 5 - Laboratório de Estudos do Desempenho Humano (LEDEHU), Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Manaus-AM, Brasil. E-mails dos autores: [email protected] [email protected] [email protected].

Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo. v.12. n.7 5. Suplementar 1. p. 426 - 436. Jan./Jun. 2018.

Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício

ISSN 1981- 9900 versão eletrônica

Pe r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a si l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w. i b p e f e x. c o m. b r / w w w. r b p f e x. c o m. b r INTRODUÇÃO A busca pela prática do treinamento de força (TF) tem aumentado, com objetivos não só relacionados à saúde e qualidade de vida, como também para fins estéticos. Dessa forma, o TF passou a ser uma modalidade acessível não apenas para jovens e adultos, mas também para crianças, idosos e indivíduos com patologias, levando sempre em consideração as individualidades biológicas e especificidades de cada indivíduo (Ferreira e colaboradores, 2008). O TF, também conhecido como treinamento contra resistência é um meio de treinamento caracterizado pela utilização de pesos e máquinas desenvolvidas para oferecer alguma carga mecânica em oposição ao movimento dos segmentos corporais (Fleck e Kraemer, 2014). Fleck e Simão (2008) classificam o TF como um meio de preparação física utilizada para o desenvolvimento das diferentes manifestações da força relacionadas às estruturas musculares, objetivando otimizar a potência, a resistência muscular localizada (RML), a hipertrofia e a força muscular. A elaboração de um programa de TF envolve uma série de decisões, que incluem manipular corretamente as variáveis metodológicas, tais como: o volume e a intensidade dos exercícios, número de repetições por série, intervalos de recuperação entre as séries e exercícios, a quantidade de séries de cada exercício, a ordem de exercícios, a frequência de treinamento e a cadência do movimento (Fleck e Simão, 2008). Os posicionamentos do American College of Sports Medicine são utilizados mundialmente como parâmetros para prescrição de treinamento tanto se tratando dos modelos de progressão para o treinamento de força em indivíduos saudáveis (ACSM, 2009a); como também quantidade e qualidade do exercício para desenvolvimento e manutenção cardiorrespiratória, musculoesquelética e aptidão neuromuscular em indivíduos aparentemente saudáveis (ACSM, 2011), além de posicionamentos voltados para atividades físicas em idosos (ACSM, 2009b); exercícios para indivíduos com diabetes tipo 2 (ACSM, 2010), dentre outros. Em se tratando da manipulação das variáveis metodológicas, nota-se a gama de conhecimento que o profissional de educação física (EF) atuante na área do TF deve possuir para atender apropriadamente seus alunos (Barros, 2002). A graduação é a fase de formação inicial do profissional, sendo este o período em que o professor adquire os conhecimentos científicos e pedagógicos, além das competências necessárias para enfrentar de maneira adequada a carreira docente (Antunes, 2003). Objetivando uma adequada atuação desses profissionais no TF, os mesmos devem se apropriar de informações embasadas cientificamente, já que a qualidade do profissional depende também do seu referencial teórico (Pereira, 2011). A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS, 2011) investigou dentre as disciplinas do curso de Educação Física quais que mais contribuíam para formação do profissional na área do TF. As mais citadas foram: fundamentos biológicos, cinesiologia, biomecânica, anatomia, fisiologia, fisiologia do exercício, treinamento esportivo e musculação. Outras disciplinas como nutrição, medidas e avaliação e bioquímica, também foram mencionadas como suporte para o profissional no TF. Observa-se ainda que dentre as instituições de ensino superior (IES) que oferecem o curso de educação física no estado do Pará, apenas três IES privadas possuem o curso de Bacharelado em educação física e, dentre as IES que ofertam os cursos de licenciatura em educação física, a disciplina musculação está inclusa na grade curricular de apenas duas IES, sendo uma privada (Belém) e uma pública (Castanhal), porém a disciplina é ofertada como optativa. Desta forma, o presente estudo buscou avaliar o conhecimento da manipulação das variáveis metodológicas do treinamento de força entre os profissionais de educação física que atuam em salões de musculação na cidade de Castanhal-PA para uma correta prescrição de programas de treinamento na musculação, contribuindo assim como base para futuros profissionais que pretendem atuar com o TF, para que pensem de forma mais fundamentada na elaboração de programas de treinamento.

Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo. v.12. n.7 5. Suplementar 1. p. 426 - 436. Jan./Jun. 2018.

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Pe r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a si l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w. i b p e f e x. c o m. b r / w w w. r b p f e x. c o m. b r respectiva entrevista foi realizada no horário de trabalho dos participantes sem agendamento prévio. Análise dos dados Todos os dados descritivos foram apresentados através de distribuição de frequência absoluta e relativa. Todo o tratamento estatístico foi realizado no software SPSS 22.0 para Mac. RESULTADOS Na tabela 1, estão apresentados os valores relativos (%) e absolutos dos professores atuantes em salão de musculação que responderam ambos os tópicos referentes à formação profissional e percepções pessoais. O tópico “percepções pessoais” constou de seis questões especificas sobre o conteúdo treinamento de força. Na questão 2.1, foi solicitado aos professores que apontassem quais informações sobre o aluno são importantes ao se prescrever um TF (Figura 1). Na tabela 2 foi apresentada a percepção dos professores quanto ao conhecimento das variáveis metodológicas do TF, e nas tabelas 3, 4 e 5 a percepção dos mesmos quanto à manipulação adequada das variáveis metodológicas para otimização da resistência muscular localizada, hipertrofia e força muscular, sendo solicitado que informassem qual a faixa ideal de repetições, números de séries, intervalos de recuperação e intensidade da carga para indivíduos que desejam aperfeiçoar o desempenho para cada manifestação da força. Por fim, a tabela 6, estão apresentados os dados em valores absoluto e relativo, referente à opinião dos professores sobre quais as disciplinas mais importantes para a correta elaboração e prescrição de um treinamento de força. Tabela 1 - Formação profissional. Variáveis do Estudo Absoluto (n) Relativo (%) Tempo de trabalho com a musculação 1 a 3 anos 2 10, 1 a 2 anos 5 26, 3 a 6 anos 12 63, Cursou a disciplina de musculação ou disciplina equivalente? Sim 15 78, Não 4 21, Figura 1 - Valores percentuais referentes à opinião dos professores sobre quais informações sobre o aluno são importantes ao se prescrever um treinamento de força. 5, 26, 36, 5, 10, 15, 0 10 20 30 40 Objetivo Patologias Nível de Treinamento Histórico de Lesões Individualidade Biológica Ausente

Informações Sobre o Aluno

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que 3 séries 15 78,

Até 3 séries 3 15, Ausente 1 5, Intervalo de recuperação Hipertrofia 1 a 2 min 14 73, < que 1min 5 26, Intensidade Hipertrofia Média ou moderada 13 68, Alta 4 21, Ausente 2 10,

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Pe r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a si l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w. i b p e f e x. c o m. b r / w w w. r b p f e x. c o m. b r disciplina equivalente, onde 78,9% dos profissionais que estão prescrevendo treinos nas academias de musculação de Castanhal- PA afirmaram ter cursado a disciplina durante a graduação, assim obtendo informações básicas à aplicação do TF. Porém, 21,1% dos sujeitos não cursaram a disciplina musculação e, levantando a reflexão sobre a forma como os programas de treinamento de força estão sendo prescritos nessas academias, levando em consideração que é na disciplina de musculação que são abordados conteúdo específicos da área como princípios biológicos do TF, adaptações fisiológicas, manipulação das variáveis metodológicas, otimização das manifestações da força, métodos de treinamento e métodos de avaliação da força. Zica (2010) atenta para esses profissionais que não cursaram a disciplina musculação. Para o autor, esses profissionais estão em desacordo com as normas, dando margem ao atendimento inadequado, às necessidades e objetivos do público que procura o TF. Na questão 2.1 do questionário, foram quantificadas quais informações sobre o aluno, o professor considera importante na elaboração de um programa de TF. De acordo com Fleck e Simão (2008), o objetivo do aluno deve ser considerado o mais importante na elaboração de um programa de TF, porém, no presente estudo, apenas um profissional considerou como mais importante saber quais os objetivos do aluno ao praticar o TF. Observou-se ainda, que 26,3% dos profissionais optaram por patologias como a informação mais importante na elaboração de um programa de TF. A obesidade, diabetes e hipertensão são patologias a serem levadas em consideração na hora de se prescrever um programa de TF. O ACSM (2009a) não recomenda o TF como uma forma primária de exercícios para indivíduos hipertensos. O TF deve ser componente de um programa de exercícios bem elaborado, podendo ser eficiente no auxílio do tratamento de diferentes doenças que atingem crianças e adolescentes, adultos e idosos, tais como: fibrose cística, câncer, paralisia cerebral e obesidade (Pescud e colaboradores, 2010). Cerca de 36,8% dos profissionais julgam como informação mais importante sobre o aluno o nível de treinamento. Segundo Tubino e Moreira, (2003) o nível de treinamento é um princípio considerado importante ao elaborarmos um planejamento de TF, observa-se que indivíduos com cargas de treinamento iguais irão responder de formas diferentes. Logo, o profissional deve estar atento para esse quesito, pois um treino complexo com alta intensidade e dificuldades na execução podem levar ao “overtraining”, (excesso de treinamento) do indivíduo que não está preparado biologicamente. Contudo 5,3% dos participantes desta pesquisa responderam que é mais importante saber sobre o histórico de lesões do aluno. De acordo com Almeida (2003), lesões agudas ou crônicas, podem ser prevenidas ou tratadas com o TF, com medidas de supervisão e orientação adequadas. Os profissionais de educação física, atuantes na área da musculação, devem estar muito atentos às técnicas apresentadas aos praticantes, para não agravar o grau da lesão. Por fim, 10,5% dos entrevistados responderam individualidade biológica como informação mais importante sobre o aluno. Quanto à individualidade biológica, Fleck e Kraemer (2014) preconizam que não existe um modelo de programa ideal, pois, os seres humanos têm características próprias às quais os fazem ser diferentes entre si, e o que traz resultados positivos para um, pode não ter o mesmo desempenho em outro. Assim, eles afirmam que o planejamento de um programa de TF precisa considerar as bases científicas, por compreender que seja um processo altamente individualizado. Um percentual de 15,8% deixou em branco. Na questão 2.2 do questionário foi questionado se os participantes da pesquisa tinham conhecimento sobre as variáveis metodológicas, sendo que 63,2% responderam sim e 23,3% responderam não. Em caso de resposta afirmativa, foi solicitado que citassem as variáveis metodológicas que poderiam ser manipuladas ao se prescrever um TF para um aluno, onde 47,4% citaram volume e intensidade. Prestes e colaboradores (2010) acrescentam que em um treinamento de força, a relação entre volume e

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Pe r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a si l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w. i b p e f e x. c o m. b r / w w w. r b p f e x. c o m. b r intensidade é muito direta, pois a medida que um aumenta o outro diminui de forma proporcional. Eles colocam essa relação como sendo a maneira mais simples de manipular essa variável, por considerar inviável a prescrição da intensidade por percentual de uma repetição máxima (% de 1RM). Referente ainda às variáveis, um profissional citou intervalo de recuperação. Segundo Chagas e Lima (2011), o intervalo de recuperação é a relação entre a duração do estímulo e pausa. Esta pode ser uma ferramenta muito boa a se considerar como progressão do treinamento, pois o aumento ou diminuição da pausa podem trazer diferentes resultados, onde curtos períodos de intervalo prejudicam o rendimento físico entre as séries subsequentes e, também favorecem o aumento de força comparado a períodos de intervalo maiores (Prestes e colaboradores, 2010). Apenas um profissional optou por citar a variável cadência do movimento. Fleck e Kraemer, (2014) afirmam que a cadência da série ou sessão, condiciona a característica da fadiga desenvolvida durante a sessão. Esses fatores influenciam nas adaptações fisiológicas que ocorrem durante o treinamento de força. Dos profissionais participantes do estudo, 42,1% deixaram em branco. Na questão 2.3 do questionário, foi solicitado aos entrevistados que informassem qual a faixa ideal de repetições, número de séries, IR e intensidade da carga para indivíduos que desejam aperfeiçoar os ganhos de RML. Referente às repetições, de acordo com o ACSM (2009a), para o desenvolvimento da RML é recomendado de 15 a 20 repetições. No presente estudo, 61,5% está de acordo com as recomendações do ACSM (2009a) para faixa de repetições adequada para otimização da RML. Cerca de 38,5%, dos professores afirmaram que a faixa ideal para RML é de 20 a 30 repetições. Quanto ao número de séries, o ACSM (2009a) recomenda 2 a 3 séries por exercícios para o desenvolvimento da RML. Verificando os dados referentes ao número de séries, podemos observar que menos da metade, 26,7% dos entrevistados, está de acordo com as recomendações do ACSM (2009a), 66,7% responderam que 4 séries são ideais para RML e 6,7% responderam 5 séries, fugindo do que é recomendado. Referente ao IR, o ACSM (2009a) recomenda o 1 - 2 minutos para a melhoria da RML. No presente estudo, 52,6% dos entrevistados estão dentro das normas atuais de TF de acordo com o posicionamento do ACSM (2009a), 15,8% responderam que intervalos menores que um minuto são ideais, fugindo dos parâmetros citados pelo ACSM (2009a) e 31,6% dos entrevistados deixaram em branco. Quanto à intensidade, o ACSM (2009a), recomenda Intensidade do exercício baixa para RML, dessa forma, 63,2% dos professores responderam intensidade baixa, corroborando com as recomendações do ACSM (2009a) e 36,8% deixaram em branco. Santana e colaboradores (2010) investigaram diferentes terminologias, metodologias e variáveis do treinamento de força encontradas na literatura nacional e buscaram relacionar com os conhecimentos e opiniões de profissionais e praticantes de musculação em uma cidade de Minas Gerais- MG. Os autores constataram que, para otimização da RML, a opinião dos profissionais de EF e de uma faixa de 15 repetições (~ 45%), uma variação entre 3 a 4 séries (40%), 60 segundos de IR (~50%) e intensidade menor que 65% de 1RM (~58%). O presente estudo contrasta em algumas variáveis apresentadas no estudo de Santana e colaboradores (2010), como número de repetições e número de séries, já as variáveis intervalo de recuperação e intensidade corroboram não só com o que o ACSM (2009a) preconiza como também com o estudo supracitado. Na questão 2.4 do questionário, foi solicitado aos profissionais que informassem qual a faixa ideal de repetições, número de séries, IR e intensidade da carga para indivíduos que desejam otimizar os ganhos de hipertrofia muscular. De acordo com o posicionamento do ACSM (2009a), é recomendado de 8 a 12 repetições, onde 84,2% dos entrevistados foram de acordo com as repetições recomendadas, 15,8% deixaram em branco. Quanto ao número de séries, seguindo as normas do ACSM (2009a), para hipertrofia muscular são recomendadas três ou mais séries e, 83,3% dos entrevistados corroboraram com as recomendações e 16,7%

Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo. v.12. n.7 5. Suplementar 1. p. 426 - 436. Jan./Jun. 2018.

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Pe r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a si l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w. i b p e f e x. c o m. b r / w w w. r b p f e x. c o m. b r Dentre os resultados obtidos no presente estudo, foram obtidas respostas que divergem com o que a literatura preconiza sobre um programa adequado de treinamento de força para otimização de suas distintas manifestações (resistência muscular localizada, hipertrofia e força muscular). Foi possível observar que a grande maioria dos professores entrevistados não respondeu ao questionário corretamente na sua totalidade. Verificamos através dos resultados obtidos com a pesquisa, que o cenário dos professores das academias de Castanhal-PA apresenta uma grande parcela de profissionais que não dominam os conhecimentos necessários para a prescrição de TF e, que esse percentual não tem informação para tal, fazendo do TF uma prática de senso comum. Compreendemos que a pesquisa atendeu aos seus objetivos, entre os quais foi analisar o conhecimento do profissional de educação física acerca da manipulação das variáveis metodológicas do treinamento de força dentro das academias de musculação. Assim se faz necessário repensar essa prática e a formação dos profissionais envolvidos nela. Dessa forma, há a necessidade de uma reciclagem e aperfeiçoamento de conhecimentos para que haja uma melhoria na atuação desses profissionais, buscando não só alcançar os objetivos solicitados pelo praticante do treinamento de força como também visando a promoção da saúde para uma melhor qualidade de vida. REFERÊNCIAS 1 - Almeida, H.F.R.; Almeida, D.C.M.; Gomes, A.C. Uma ótica evolutiva do treinamento desportivo através da história. Revista de Treinamento Desportivo. Vol. 1972. p. 40-52.

2 - American College of Sports Medicine. Position stand on progression models in training for healthy adults. Medicine and Science Sports Exercise. Vol. 34. 2009 a. p. 364 - 3 80. 3 - American College of Sports Medicine. Exercise and physical activity for older adults. Medicine and science in sports and exercise. Vol. 41. Num. 7. 2009b. p. 1510-1530. 4 - American College of Sports Medicine. Colberg, S. R.; e colaboradores. Exercise and type 2 diabetes: American College of Sports Medicine and the American Diabetes Association: joint position statement. Exercise and type 2 diabetes. Medicine and science in sports and exercise. Vol. 42. Num. 12. 2010. p. 2282 - 2303. 5 - American College of Sports Medicine. Quantity and quality of exercise for developing and maintaining cardiorespiratory, musculoskeletal, and neuromotor fitness in apparently healthy adults: guidance for prescribing exercise. Medicine and science in sports and exercise. Vol. 43. Num. 7. 2011. p. 1334 - 1359. 6 - Antunes, A.C. Perfil profissional de instrutores de academias de ginástica e musculação. Lecturas, Educación Física y Deportes. Vol. 9. 2003. p. 60. 7 - Barros, J.M.C. Exercício legal da profissão. Revista CREF-SP. São Paulo. Vol. 3. Num. 4.

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Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo. v.12. n.7 5. Suplementar 1. p. 426 - 436. Jan./Jun. 2018.

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Pe r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a si l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w. i b p e f e x. c o m. b r / w w w. r b p f e x. c o m. b r Conclusão de Curso – Faculdade de Educação Física, Universidade Federal do Pará, Castanhal, 2011. 14 - Pereira, R.G.; Paula A.H. Perfil profissional de instrutores de musculação das academias da cidade de João Monlevade-MG. Movimentum-Rev. Digital de Ed Física. Vol. 2. Num. 1. 2007. p. 1-10. 15 - Pescud, M.; Pettigrew, S.; Mcguigan, M. R.; Newton, R. U. Factors influencing overweight children’s commencement of and continuation in a resistance training program. BMC Public Health. Vol. 10. 2010. p. 709. 16 - Prestes, J.; Foschini, D.; Marchetti, P.; Charro, M.A. Prescrição e Periodização do Treinamento de Força em Academias. Barueri, SP: Manole, 2010. 17 - Santana, N.L.; Campos, D.R.; Campos, L.A.S.; Barbosa Neto, O.; Mendes, E.L. Avaliação do conhecimento das terminologias e metodologias do treinamento de musculação entre profissionais e praticantes na cidade de Patos de Minas-MG. Coleção Pesquisa em Educação Física. Vol. 9. Num. 4. 2010. p. 81-

18 - Souza, D.F. Perfil dos instrutores de musculação: um estudo sobre as estratégias utilizadas na formação profissional. Trabalho de Conclusão de Curso. Escola de Educação Física, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011. 19 - Tubino, M.J.G.; Moreira, S.B. Metodologia Científica do Treinamento Desportivo. 13 ª edição. Rio de Janeiro. Shape. 2003. 20 - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Formas de Manifestação da força muscular, bem como métodos para o treinamento. Informações acadêmicas da graduação. 2011. Disponível em: <http://www1.ufrgs.br/graduacao/xInfoemacoe sAcademicas/curriculo.php?codcurso=314cod Habilitacao=132&codCurriculo=1&sem= 022> Acessado em: 9/08/2016. 21 - Vieira, A.A.; Carneiro Junior, M.A. O perfil do academia de atividade física da microrregião de Ubá/MG. Lecturas, Educación Física y Deportes. Buenos Aires. Vol. 1 5. Num.

22 - Zica, L.C.F. O perfil do profissional de educação física que atua com personal trainer na região metropolitano de Belo Horizonte. Trabalho de Conclusão de Curso. Graduação em Educação Física. Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte. 2010. Endereço para correspondência: Déborah de Araújo Farias Endereço: Av. dos Universitários, s/n. Jaderlândia, Castanhal-PA. CEP: 68746 - 630. Fone: (91) 98931- 3333. Recebido para publicação 04/08/ Aceito em 27/11/