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Manipulação de variáveis metodológicas do treinamento
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo. v.12. n.7 5. Suplementar 1. p. 426 - 436. Jan./Jun. 2018.
Pe r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a si l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w. i b p e f e x. c o m. b r / w w w. r b p f e x. c o m. b r CONHECIMENTO DA MANIPULAÇÃO DAS VARIÁVEIS METODOLÓGICAS DO TREINAMENTO DE FORÇA ENTRE OS PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO FÍSICA Ayran Matos Quadros^1 Gracy Mariele Schwatey2, Déborah de Araújo Farias^1 ,4, RESUMO A busca pela prática do treinamento de força (TF) tem aumentado, com objetivos não só relacionados à saúde e qualidade de vida, como também para fins estéticos. O objetivo do presente estudo foi identificar o percentual de profissionais que têm o conhecimento sobre as variáveis metodológicas do treinamento de força. O estudo foi composto por 19 profissionais de educação física, que atuam em academias na cidade de Castanhal- PA, trabalhando especificamente no salão de musculação, de ambos os gêneros e faixas etárias. Foi aplicado um questionário adaptado com perguntas abertas e fechadas. O questionário foi subdividido em dois tópicos sendo “formação profissional” e “percepções pessoais”. Os resultados apontaram que muitos dos professores não têm conhecimento da manipulação adequada das variáveis metodológiicas do treinamento de força, o que gera controvérsias, uma vez que a literatura considera que as variáveis metodológicas devem ser utilizadas de forma racional para que se assegure o resultado desejado. Concluímos que há a necessidade de uma reciclagem e aperfeiçoamento de conhecimentos para que haja uma melhoria na atuação desses profissionais, buscando não só alcançar os objetivos solicitados pelo praticante do treinamento de força como também visando a promoção da saúde para uma melhor qualidade de vida. Palavras-chave: Academias de ginástica. Treinamento de resistência. Qualidade de Vida. 1 - Universidade Federal do Pará (UFPA), Castanhal-PA, Brasil. 2 - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Seropédica-RJ, Brasil. 3 - Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa-PB, Brasil. 4 - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro-RJ, Brasil.
Knowledge of the manipulation of the methodological variables of strength training among physical education professionals The search for the resistance training (RT) practice has increased, with goals not only related to health and quality of life, but also for aesthetic purposes. The aim of the present study was to identify the percentage of professionals who have knowledge of the RT methodological variables. The study was composed of 19 physical education professionals, who work in gyms in the City of Castanhal-PA, atending specifically in the weight room, of both genders. An adapted questionnaire with open and closed questions was applied. The questionnaire was subdivided into two topics being “professional training” and “personal perceptions”. The results pointed out that many of the teachers are unaware of the adequate manipulation of the methodological variables of RT, which generates controversial, since the literature considers that the metodological variables must be used in a rational way to ensure the desired result. We concluded that, there ir a need to recycle and improve knowledge so that there is a improvement in the performance of these professionals, seeking not only to achieve the goals required by the RT practitioner but also to promote health and quality of life. Key words: Fitness Centers. Resistance training. Quality of life. 5 - Laboratório de Estudos do Desempenho Humano (LEDEHU), Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Manaus-AM, Brasil. E-mails dos autores: [email protected] [email protected] [email protected].
Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo. v.12. n.7 5. Suplementar 1. p. 426 - 436. Jan./Jun. 2018.
Pe r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a si l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w. i b p e f e x. c o m. b r / w w w. r b p f e x. c o m. b r INTRODUÇÃO A busca pela prática do treinamento de força (TF) tem aumentado, com objetivos não só relacionados à saúde e qualidade de vida, como também para fins estéticos. Dessa forma, o TF passou a ser uma modalidade acessível não apenas para jovens e adultos, mas também para crianças, idosos e indivíduos com patologias, levando sempre em consideração as individualidades biológicas e especificidades de cada indivíduo (Ferreira e colaboradores, 2008). O TF, também conhecido como treinamento contra resistência é um meio de treinamento caracterizado pela utilização de pesos e máquinas desenvolvidas para oferecer alguma carga mecânica em oposição ao movimento dos segmentos corporais (Fleck e Kraemer, 2014). Fleck e Simão (2008) classificam o TF como um meio de preparação física utilizada para o desenvolvimento das diferentes manifestações da força relacionadas às estruturas musculares, objetivando otimizar a potência, a resistência muscular localizada (RML), a hipertrofia e a força muscular. A elaboração de um programa de TF envolve uma série de decisões, que incluem manipular corretamente as variáveis metodológicas, tais como: o volume e a intensidade dos exercícios, número de repetições por série, intervalos de recuperação entre as séries e exercícios, a quantidade de séries de cada exercício, a ordem de exercícios, a frequência de treinamento e a cadência do movimento (Fleck e Simão, 2008). Os posicionamentos do American College of Sports Medicine são utilizados mundialmente como parâmetros para prescrição de treinamento tanto se tratando dos modelos de progressão para o treinamento de força em indivíduos saudáveis (ACSM, 2009a); como também quantidade e qualidade do exercício para desenvolvimento e manutenção cardiorrespiratória, musculoesquelética e aptidão neuromuscular em indivíduos aparentemente saudáveis (ACSM, 2011), além de posicionamentos voltados para atividades físicas em idosos (ACSM, 2009b); exercícios para indivíduos com diabetes tipo 2 (ACSM, 2010), dentre outros. Em se tratando da manipulação das variáveis metodológicas, nota-se a gama de conhecimento que o profissional de educação física (EF) atuante na área do TF deve possuir para atender apropriadamente seus alunos (Barros, 2002). A graduação é a fase de formação inicial do profissional, sendo este o período em que o professor adquire os conhecimentos científicos e pedagógicos, além das competências necessárias para enfrentar de maneira adequada a carreira docente (Antunes, 2003). Objetivando uma adequada atuação desses profissionais no TF, os mesmos devem se apropriar de informações embasadas cientificamente, já que a qualidade do profissional depende também do seu referencial teórico (Pereira, 2011). A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS, 2011) investigou dentre as disciplinas do curso de Educação Física quais que mais contribuíam para formação do profissional na área do TF. As mais citadas foram: fundamentos biológicos, cinesiologia, biomecânica, anatomia, fisiologia, fisiologia do exercício, treinamento esportivo e musculação. Outras disciplinas como nutrição, medidas e avaliação e bioquímica, também foram mencionadas como suporte para o profissional no TF. Observa-se ainda que dentre as instituições de ensino superior (IES) que oferecem o curso de educação física no estado do Pará, apenas três IES privadas possuem o curso de Bacharelado em educação física e, dentre as IES que ofertam os cursos de licenciatura em educação física, a disciplina musculação está inclusa na grade curricular de apenas duas IES, sendo uma privada (Belém) e uma pública (Castanhal), porém a disciplina é ofertada como optativa. Desta forma, o presente estudo buscou avaliar o conhecimento da manipulação das variáveis metodológicas do treinamento de força entre os profissionais de educação física que atuam em salões de musculação na cidade de Castanhal-PA para uma correta prescrição de programas de treinamento na musculação, contribuindo assim como base para futuros profissionais que pretendem atuar com o TF, para que pensem de forma mais fundamentada na elaboração de programas de treinamento.
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Pe r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a si l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w. i b p e f e x. c o m. b r / w w w. r b p f e x. c o m. b r respectiva entrevista foi realizada no horário de trabalho dos participantes sem agendamento prévio. Análise dos dados Todos os dados descritivos foram apresentados através de distribuição de frequência absoluta e relativa. Todo o tratamento estatístico foi realizado no software SPSS 22.0 para Mac. RESULTADOS Na tabela 1, estão apresentados os valores relativos (%) e absolutos dos professores atuantes em salão de musculação que responderam ambos os tópicos referentes à formação profissional e percepções pessoais. O tópico “percepções pessoais” constou de seis questões especificas sobre o conteúdo treinamento de força. Na questão 2.1, foi solicitado aos professores que apontassem quais informações sobre o aluno são importantes ao se prescrever um TF (Figura 1). Na tabela 2 foi apresentada a percepção dos professores quanto ao conhecimento das variáveis metodológicas do TF, e nas tabelas 3, 4 e 5 a percepção dos mesmos quanto à manipulação adequada das variáveis metodológicas para otimização da resistência muscular localizada, hipertrofia e força muscular, sendo solicitado que informassem qual a faixa ideal de repetições, números de séries, intervalos de recuperação e intensidade da carga para indivíduos que desejam aperfeiçoar o desempenho para cada manifestação da força. Por fim, a tabela 6, estão apresentados os dados em valores absoluto e relativo, referente à opinião dos professores sobre quais as disciplinas mais importantes para a correta elaboração e prescrição de um treinamento de força. Tabela 1 - Formação profissional. Variáveis do Estudo Absoluto (n) Relativo (%) Tempo de trabalho com a musculação 1 a 3 anos 2 10, 1 a 2 anos 5 26, 3 a 6 anos 12 63, Cursou a disciplina de musculação ou disciplina equivalente? Sim 15 78, Não 4 21, Figura 1 - Valores percentuais referentes à opinião dos professores sobre quais informações sobre o aluno são importantes ao se prescrever um treinamento de força. 5, 26, 36, 5, 10, 15, 0 10 20 30 40 Objetivo Patologias Nível de Treinamento Histórico de Lesões Individualidade Biológica Ausente
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que 3 séries 15 78,
Até 3 séries 3 15, Ausente 1 5, Intervalo de recuperação Hipertrofia 1 a 2 min 14 73, < que 1min 5 26, Intensidade Hipertrofia Média ou moderada 13 68, Alta 4 21, Ausente 2 10,
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Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo. v.12. n.7 5. Suplementar 1. p. 426 - 436. Jan./Jun. 2018.
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Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo. v.12. n.7 5. Suplementar 1. p. 426 - 436. Jan./Jun. 2018.
Pe r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a si l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w. i b p e f e x. c o m. b r / w w w. r b p f e x. c o m. b r Dentre os resultados obtidos no presente estudo, foram obtidas respostas que divergem com o que a literatura preconiza sobre um programa adequado de treinamento de força para otimização de suas distintas manifestações (resistência muscular localizada, hipertrofia e força muscular). Foi possível observar que a grande maioria dos professores entrevistados não respondeu ao questionário corretamente na sua totalidade. Verificamos através dos resultados obtidos com a pesquisa, que o cenário dos professores das academias de Castanhal-PA apresenta uma grande parcela de profissionais que não dominam os conhecimentos necessários para a prescrição de TF e, que esse percentual não tem informação para tal, fazendo do TF uma prática de senso comum. Compreendemos que a pesquisa atendeu aos seus objetivos, entre os quais foi analisar o conhecimento do profissional de educação física acerca da manipulação das variáveis metodológicas do treinamento de força dentro das academias de musculação. Assim se faz necessário repensar essa prática e a formação dos profissionais envolvidos nela. Dessa forma, há a necessidade de uma reciclagem e aperfeiçoamento de conhecimentos para que haja uma melhoria na atuação desses profissionais, buscando não só alcançar os objetivos solicitados pelo praticante do treinamento de força como também visando a promoção da saúde para uma melhor qualidade de vida. REFERÊNCIAS 1 - Almeida, H.F.R.; Almeida, D.C.M.; Gomes, A.C. Uma ótica evolutiva do treinamento desportivo através da história. Revista de Treinamento Desportivo. Vol. 1972. p. 40-52.
2 - American College of Sports Medicine. Position stand on progression models in training for healthy adults. Medicine and Science Sports Exercise. Vol. 34. 2009 a. p. 364 - 3 80. 3 - American College of Sports Medicine. Exercise and physical activity for older adults. Medicine and science in sports and exercise. Vol. 41. Num. 7. 2009b. p. 1510-1530. 4 - American College of Sports Medicine. Colberg, S. R.; e colaboradores. Exercise and type 2 diabetes: American College of Sports Medicine and the American Diabetes Association: joint position statement. Exercise and type 2 diabetes. Medicine and science in sports and exercise. Vol. 42. Num. 12. 2010. p. 2282 - 2303. 5 - American College of Sports Medicine. Quantity and quality of exercise for developing and maintaining cardiorespiratory, musculoskeletal, and neuromotor fitness in apparently healthy adults: guidance for prescribing exercise. Medicine and science in sports and exercise. Vol. 43. Num. 7. 2011. p. 1334 - 1359. 6 - Antunes, A.C. Perfil profissional de instrutores de academias de ginástica e musculação. Lecturas, Educación Física y Deportes. Vol. 9. 2003. p. 60. 7 - Barros, J.M.C. Exercício legal da profissão. Revista CREF-SP. São Paulo. Vol. 3. Num. 4.
Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo. v.12. n.7 5. Suplementar 1. p. 426 - 436. Jan./Jun. 2018.
Pe r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a si l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w. i b p e f e x. c o m. b r / w w w. r b p f e x. c o m. b r Conclusão de Curso – Faculdade de Educação Física, Universidade Federal do Pará, Castanhal, 2011. 14 - Pereira, R.G.; Paula A.H. Perfil profissional de instrutores de musculação das academias da cidade de João Monlevade-MG. Movimentum-Rev. Digital de Ed Física. Vol. 2. Num. 1. 2007. p. 1-10. 15 - Pescud, M.; Pettigrew, S.; Mcguigan, M. R.; Newton, R. U. Factors influencing overweight children’s commencement of and continuation in a resistance training program. BMC Public Health. Vol. 10. 2010. p. 709. 16 - Prestes, J.; Foschini, D.; Marchetti, P.; Charro, M.A. Prescrição e Periodização do Treinamento de Força em Academias. Barueri, SP: Manole, 2010. 17 - Santana, N.L.; Campos, D.R.; Campos, L.A.S.; Barbosa Neto, O.; Mendes, E.L. Avaliação do conhecimento das terminologias e metodologias do treinamento de musculação entre profissionais e praticantes na cidade de Patos de Minas-MG. Coleção Pesquisa em Educação Física. Vol. 9. Num. 4. 2010. p. 81-
18 - Souza, D.F. Perfil dos instrutores de musculação: um estudo sobre as estratégias utilizadas na formação profissional. Trabalho de Conclusão de Curso. Escola de Educação Física, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011. 19 - Tubino, M.J.G.; Moreira, S.B. Metodologia Científica do Treinamento Desportivo. 13 ª edição. Rio de Janeiro. Shape. 2003. 20 - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Formas de Manifestação da força muscular, bem como métodos para o treinamento. Informações acadêmicas da graduação. 2011. Disponível em: <http://www1.ufrgs.br/graduacao/xInfoemacoe sAcademicas/curriculo.php?codcurso=314cod Habilitacao=132&codCurriculo=1&sem= 022> Acessado em: 9/08/2016. 21 - Vieira, A.A.; Carneiro Junior, M.A. O perfil do academia de atividade física da microrregião de Ubá/MG. Lecturas, Educación Física y Deportes. Buenos Aires. Vol. 1 5. Num.
22 - Zica, L.C.F. O perfil do profissional de educação física que atua com personal trainer na região metropolitano de Belo Horizonte. Trabalho de Conclusão de Curso. Graduação em Educação Física. Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte. 2010. Endereço para correspondência: Déborah de Araújo Farias Endereço: Av. dos Universitários, s/n. Jaderlândia, Castanhal-PA. CEP: 68746 - 630. Fone: (91) 98931- 3333. Recebido para publicação 04/08/ Aceito em 27/11/