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11 - Integrais Múltiplos, Notas de estudo de Engenharia Química

Integrais Múltiplos

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 10/10/2010

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Capítulo # 11
FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS:
INTEGRAIS MÚLTIPLOS
11.1 Integrais duplos em domínios
rectangulares de IR2
11.2 Integrais duplos em domínios limitados
arbitrários de IR2
11.3 Aplicações de integrais duplos
11.4 Integrais duplos em coordenadas polares
11.5 Superfícies paramétricas e área superficial
11.6 Integrais triplos em domínios limitados
arbitrários de IR3
11.7 Aplicações de integrais triplos
11.8 Integrais triplos em coordenadas
cilíndricas e esféricas
11.9 Integrais múltiplos impróprios
11.A Mudanças de variáveis e Jacobianos
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Capítulo # 11

FUNÇÕES DE VÁRIAS VARIÁVEIS:

INTEGRAIS MÚLTIPLOS

11.1 Integrais duplos em domínios

rectangulares de IR

11.2 Integrais duplos em domínios limitados

arbitrários de IR

11.3 Aplicações de integrais duplos

11.4 Integrais duplos em coordenadas polares

11.5 Superfícies paramétricas e área superficial

11.6 Integrais triplos em domínios limitados

arbitrários de IR

11.7 Aplicações de integrais triplos

11.8 Integrais triplos em coordenadas

cilíndricas e esféricas

11.9 Integrais múltiplos impróprios

11.A Mudanças de variáveis e Jacobianos

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

________________________________________________________________

11.1.2 Definição do integral duplo em domínios rectangulares

Começaremos por fazer a definição do integral duplo para o caso de o domínio

R ter a forma mais simples possível: um rectângulo com os lados paralelos aos

eixos coordenados no plano Oxy.

Seja então f(x,y) uma função definida e limitada (isto é, sem descontinuidades

infinitas) em todos os pontos do seguinte rectângulo compacto R ⊂ IR

R = {(x,y) ∈ IR

: a ≤ x ≤ b ∧ c ≤ y ≤ d}

Se efectuarmos uma partição arbitrária do intervalo [a,b] em m sub-intervalos

(a = x 0

< x 1

< ... < x m

= b) e outra partição arbitrária do intervalo [c,d] em n

sub-intervalos (c = y 0

< y 1

< ... < y n

= d) resulta uma partição do rectângulo R

em k = (m x n) sub-rectângulos R i

, designada por P = {R i

}, em que 1 ≤ i ≤ k:

Como medida do tamanho dos sub-rectângulos R i

da partição P, define-se a

malha (ou norma) da partição, representada por |P|, como sendo comprimento da

maior diagonal de todos os sub-rectângulos R i

que constituem a partição P.

11.1 INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS RECTANGULARES DE IR

________________________________________________________________

Se escolhermos um ponto arbitrário de coordenadas (x

i

, y i

) associado a cada

sub-rectângulo R i

, o conjunto S = {(x i

, y i

) ∈ R

i

}, com 1 ≤ i ≤ k, é aquilo que

chamamos uma selecção associada à partição P do rectângulo R.

Se representarmos a área do sub-rectângulo R i

por ∆A i

, a soma de Riemann

para a função f(x,y), associada com a partição P do rectângulo R e a selecção S

escolhida para essa partição, é definida pelo seguinte somatório:

i= 1

k

f(x i

, y i

) ∆A

i

Interpretação geométrica de f(x

i

, y i

) ∆A

i

Se f(x

i

, y i

) > 0, o produto f(x i

, y i

) ∆A

i

representa o volume de um paralelepípedo

com área da base ∆A i

e altura f(x i

, y i

); se

f(x

i

, y i

) < 0, o produto f(x i

, y i

) ∆A

i

representa o simétrico do volume do mesmo

paralelepípedo.

Portanto, a soma de Riemann acima definida pode ser interpretada em termos

geométricos como sendo a soma algébrica dos volumes dos paralelepípedos que

são definidos pela partição P do rectângulo R e pela selecção S associada a P.

Exemplo 11.1 Interpretação geométrica de uma soma de Riemann para a

função f(x,y) = 4 + xy, definida na seguinte restrição de IR

R = {(x,y) ∈ IR

: 0 ≤ x ≤ 2 ∧ 0 ≤ y ≤ 2}

11.1 INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS RECTANGULARES DE IR

________________________________________________________________

A interpretação geométrica do integral duplo é uma consequência imediata desta

definição e da interpretação geométrica das somas de Riemann: se f(x,y) ≥ 0 em

R, o integral duplo representa o volume do sólido “paralelepipédico” delimitado

pelo gráfico da função f(x,y) e pelo rectângulo R; se f(x,y) ≤ 0 em R, o integral

duplo representa o simétrico do volume desse sólido; finalmente, se f(x,y)

mudar de sinal em R, o integral duplo representa a diferença dos volumes da

parte do sólido situada acima do plano Oxy e da parte do mesmo sólido situada

abaixo do plano Oxy.

Exemplo 11.2 Interpretação geométrica do integral duplo

R

∫∫

(4 + xy) dA,

em que R = {(x,y) ∈ IR

: 0 ≤ x ≤ 2 ∧ 0 ≤ y ≤ 2}.

O valor numérico do integral duplo

R

∫∫

(4 + xy) dA é igual ao volume do

sólido “paralelepipédico” representado na figura seguinte, o qual é delimitado

“em cima” pelo gráfico da função f(x,y) = 4 + xy, e “em baixo” pelo domínio

rectangular R onde a função está definida, já que se tem f(x,y) ≥ 0, ∀ (x,y) ∈ R

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

________________________________________________________________

O problema de saber quais as funções que são integráveis num domínio

rectangular R é um problema muito importante, cuja análise detalhada está fora

do âmbito desta cadeira. Limitar-nos-emos assim a dar uma resposta parcial a

este problema, sem a demonstrarmos: a continuidade de f(x,y) em R é uma

condição suficiente (mas não necessária) para que exista o integral duplo dessa

função em R.

11.1.3 Integrais parciais de funções de duas variáveis

Seja f(x,y) uma função definida e limitada num rectângulo compacto R ⊂ IR

com os lados paralelos aos eixos coordenados. Se integrarmos f(x,y) apenas com

respeito a y entre c e d, mantendo x fixo num valor entre a e b, obtemos como

resultado uma função de x, designada por G(x), que é chamada integral parcial

de f(x,y) com respeito à variável y, por analogia com a derivada parcial

∂f

∂y

G(x) ≡

def.

c

d

f(x,y) dy , em que a ≤ x ≤ b

Se integrarmos f(x,y) apenas com respeito a x entre a e b, mantendo y fixo num

valor entre c e d, este integral é uma função de y, designada por H(y), e

chamada integral parcial de f(x,y) com respeito à variável x, por analogia com a

derivada parcial

∂f

∂x

H(y) ≡

def.

a

b

f(x,y) dx , em que c ≤ y ≤ d

Se a função f(x,y) for não-negativa em R, as funções G(x) e H(y) representam a

área de secções rectas do sólido paralelepipédico” delimitado pelo gráfico de

f(x,y) e pelo rectângulo R, secções essas que são normais ao eixo Ox e ao eixo

Oy, respectivamente:

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

________________________________________________________________

11.1.5 Cálculo de integrais duplos utilizando integrais iterados

A importância fundamental dos integrais iterados que acabámos de definir é

evidente do seguinte teorema:

Teorema: Se f(x,y) for contínua num rectângulo R ⊂ IR

cujos lados são

paralelos aos eixos coordenados, então:

R

∫∫

f(x,y) dA =

c

d

∫ a

b

f(x,y) dy dx =

a

b

∫ c

d

f(x,y) dx dy

Ou seja, o cálculo do integral duplo de f(x,y) em R fica reduzido ao cálculo de

um qualquer dos dois integrais iterados de f(x,y) em R, em que a ordem de

integração utilizada para o efeito é teoricamente indiferente: podemos integrar

primeiro com respeito a y e depois com respeito a x (simbolicamente, “dy dx”),

ou então integrar primeiro com respeito a x e depois com respeito a y

(simbolicamente, “dx dy”).

Na prática, porém, acontece frequentemente que uma destas duas ordens de

integração conduz a cálculos mais simples, e então essa deverá ser obviamente a

ordem utilizada para calcular o integral duplo.

Exemplo 11.3 Calcule o integral duplo

R

∫∫

(4x

  • 6xy

) dA por dois

processos diferentes, sabendo que R é o rectângulo seguinte:

R = {(x,y) ∈ IR

: 1 ≤ x ≤ 3 ∧ – 2 ≤ y ≤ 1}.

  • 1º Processo: integrar 1º com respeito a y e depois com respeito a x:

R

∫∫

(4x

  • 6xy

) dA =

∫ 1

(4x

  • 6xy

) dy dx =

11.1 INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS RECTANGULARES DE IR

________________________________________________________________

4x

y + 2xy

[ ]

y = − 2

y = 1

dx =

(4x

  • 2x) − (− 8x

− 16x) ( )

dx =

(12x

  • 18x) dx =

3x

  • 9x

[ ]

1

  • 2º Processo: integrar 1º com respeito a x e depois com respeito a y:

R

∫∫

(4x

  • 6xy

) dA =

∫ − 2

(4x

  • 6xy

) dx dy =

x

  • 3x

y

[ ]

x = 1

x = 3

dy =

(81 + 27y

) − (1 + 3y

( )

dy =

(80 + 24y

) dy =

80y + 8y

[ ]

− 2

Convém referir aqui um caso particular do teorema acima enunciado, em que o

integral duplo de f(x,y) em R é igual ao produto de dois integrais simples, sem

que seja necessário calcular integrais iterados; isso acontece sempre que f(x,y)

for o produto de uma função só de x por uma função só de y:

Corolário: Se f(x,y) = f 1

(x) f 2

(y) for contínua num rectângulo R ⊂ IR

com

os lados paralelos aos eixos coordenados

R

∫∫

f(x,y) dA =

f 1

(x) dx

a

b

f 2

(y) dy

c

d

11.2 INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS LIMITADOS ARBITR. DE IR

________________________________________________________________

11.2 Integrais duplos em domínios limitados arbitrários de IR

11.2.1 Definição do conceito

Seja f(x,y) uma função definida e limitada num domínio limitado arbitrário

R ⊂ IR

, e seja A um rectângulo qualquer com os lados paralelos aos eixos

coordenados que contém R, isto é, R ⊆ A.

Se fizermos uma partição arbitrária Q do rectângulo A em sub-rectângulos, e se

apenas considerarmos os k sub-rectângulos que ficam totalmente dentro de R,

esse conjunto, representado por P = {R i

}, com 1 ≤ i ≤ k, constitui o que se

costuma chamar uma partição interna de R, determinada pela partição Q de A:

A norma |P| desta partição interna é, por definição, igual à norma |Q| da partição

que originou P. Escolhendo um ponto arbitrário (x

i

, y i

) em cada um dos k sub-

  • rectângulos R i

que constituem a partição interna P, obtém-se uma selecção S

associada a P.

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

________________________________________________________________

Se representarmos a área do sub-rectângulo R i

por ∆A i

, a soma de Riemann

para a função f(x,y), associada com a partição interna P de R e com a selecção S

escolhida para essa partição, é dada pelo somatório

i= 1

k

f(x i

, y i

) ∆A

i

Se existir o limite desta soma quando |P| → 0, esse limite é, por definição, o

integral duplo de f(x,y) no domínio limitado arbitrário R ⊂ IR

R

∫∫

f(x,y) dA ≡

def.

lim

|P|→ 0

i= 1

k

f(x i

, y i

) ∆A

i

É possível demonstrar-se que é condição suficiente de existência deste integral

que f(x,y) seja contínua em R, e que a fronteira do domínio de integração R seja

formada por um número finito de arcos de curva suaves.

Quanto à interpretação geométrica do integral duplo assim definido, mantém-se

tudo o que atrás dissemos no caso de domínios rectangulares, se substituirmos

agora “paralelepipédico” por “cilíndrico”.

Portanto, se f(x,y) ≥ 0 em R, o integral duplo

R

∫∫

f(x,y) dA representa o

volume do sólido “cilíndrico” T que é delimitado “em cima” pelo gráfico da

função f(x,y) e “em baixo” pelo domínio de integração R, que era o nosso

objectivo inicial ao introduzir o conceito de integral, como afirmámos atrás.

11.2.2 Propriedades básicas dos integrais duplos

As propriedades básicas dos integrais duplos são extensões naturais das

correspondentes propriedades para integrais simples que estudámos atrás, a

saber: linearidade da operação de integração, decomposição do domínio de

integração e o teorema da estimativa do integral duplo.

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

________________________________________________________________

11.2.2.2 Decomposição do domínio de integração

Teorema: Se f(x,y) for integrável em R ⊂ IR

, e se R = R 1

∪ R

, em

que R 1

e R 2

são regiões com interiores disjuntos, então:

R

∫∫

f(x,y) dA =

R

∫∫

f(x,y) dA +

R

∫∫

f(x,y) dA

11.2.2.3 Teorema da estimativa do integral duplo

É possível obter uma estimativa do valor de um integral duplo, se conhecermos

a área do domínio de integração, conjuntamente com um minorante e um

majorante dos valores que a função assume nesse domínio:

Teorema: Se f(x,y) for integrável em R ⊂ IR

, e se m ≤ f(x,y) ≤ M,

(x,y) ∈ R

, então:

m A(R) ≤

R

∫∫

f(x,y) dA ≤ M A(R)

em que A(R) representa a área do domínio R.

11.2 INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS LIMITADOS ARBITR. DE IR

________________________________________________________________

Como consequência imediata deste teorema, obtém-se um método importante

para calcular a área do domínio R por meio de um integral duplo; de facto, se

f(x,y) = 1 em R, podemos escolher m = M = 1, e resulta o seguinte corolário:

Corolário:

R

∫∫

dA = A(R)

11.2.3 Integrais iterados em regiões simples de IR

Uma região R ⊂ IR

diz-se y-simples (ou verticalmente simples) se puder ser

descrita como segue:

R = {(x,y) ∈ IR

: a ≤ x ≤ b ∧ y 1

(x) ≤ y ≤ y 2

(x)}

em que, por hipótese, y 1

(x) e y 2

(x) são funções contínuas em [a,b]:

Se f(x,y) for uma função qualquer definida e limitada em R, o integral parcial de

f(x,y) com respeito a y em R terá agora limites variáveis, y 1

(x) e y 2

(x):

11.2 INTEGRAIS DUPLOS EM DOMÍNIOS LIMITADOS ARBITR. DE IR

________________________________________________________________

G(x) =

x

x

xy

dy =

1/3 xy

[ ]

y = x

y = x

= 1/3 (x

  • x

x

x

xy

dy dx =

G(x) dx =

1/3 (x

  • x

) dx =

x

x

Uma região R ⊂ IR

diz-se x-simples (ou horizontalmente simples) se

R = {(x,y) ∈ IR

: c ≤ y ≤ d ∧ x 1

(y) ≤ x ≤ x 2

(y)}

em que, por hipótese, x 1

(y) e x 2

(y) são funções contínuas em [c,d]:

Se f(x,y) for uma função definida e limitada em R, o integral parcial de f(x,y)

com respeito a x em R terá agora limites de integração variáveis, x 1

(y) e x 2

(y):

CAPÍTULO # 11: FUNÇÕES DE VÁR. VARIÁVEIS: INTEGRAIS MÚLTIPLOS

________________________________________________________________

H(y) ≡

def.

x 1

(y)

x 2

(y)

f(x,y) dx , em que c ≤ y ≤ d

Se agora integrarmos H(y) em [c,d], resulta o integral iterado de f(x,y) associado

a este domínio x-simples ou horizontalmente simples:

x 1

(y)

x 2

(y)

∫ c

d

f(x,y) dx dy ≡

def.

f(x,y) dx

x 1

(y)

x 2

(y)

c

d

dy =

c

d

H(y) dy

Exemplo 11.5 Calcule o integral iterado

cos y

∫ 0

π / 2

x sen y dx dy,

começando por esboçar o domínio de integração.

O domínio de integração é x-simples ou horizontalmente simples, visto que

pode ser descrito da seguinte forma (ver limites de integração):

R = {(x,y) ∈ IR

: 0 ≤ y ≤ π/2 ∧ 0 ≤ x ≤ cos y}