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12. Colossenses (Barclay), Notas de estudo de Teologia

Carta aos Colossences

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 09/05/2013

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tiago-das-neves-rossendy-11 🇧🇷

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COLOSSENSES
ÍNDICE
COLOSSIANS
WILLIAM BARCLAY
Título original em inglês:
The Letter to the Colossians
Tradução: Carlos Biagini
O NOVO TESTAMENTO Comentado por William Barclay
… Introduz e interpreta a totalidade dos livros do NOVO
TESTAMENTO. Desde Mateus até o Apocalipse William Barclay
explica, relaciona, dá exemplos, ilustra e aplica cada passagem, sendo
sempre fiel e claro, singelo e profundo. Temos nesta série, por fim, um
instrumento ideal para todos aqueles que desejem conhecer melhor as
Escrituras. O respeito do autor para a Revelação Bíblica, sua sólida
fundamentação, na doutrina tradicional e sempre nova da igreja, sua
incrível capacidade para aplicar ao dia de hoje a mensagem, fazem que
esta coleção ofereça a todos como uma magnífica promessa.
PARA QUE CONHEÇAMOS MELHOR A CRISTO
O AMEMOS COM AMOR MAIS VERDADEIRO
E O SIGAMOS COM MAIOR EMPENHO
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COLOSSENSES

ÍNDICE

COLOSSIANS

WILLIAM BARCLAY

Título original em inglês: The Letter to the Colossians

Tradução: Carlos Biagini

O NOVO TESTAMENTO Comentado por William Barclay

… Introduz e interpreta a totalidade dos livros do NOVO TESTAMENTO. Desde Mateus até o Apocalipse William Barclay explica, relaciona, dá exemplos, ilustra e aplica cada passagem, sendo sempre fiel e claro, singelo e profundo. Temos nesta série, por fim, um instrumento ideal para todos aqueles que desejem conhecer melhor as Escrituras. O respeito do autor para a Revelação Bíblica, sua sólida fundamentação, na doutrina tradicional e sempre nova da igreja, sua incrível capacidade para aplicar ao dia de hoje a mensagem, fazem que esta coleção ofereça a todos como uma magnífica promessa.

PARA QUE CONHEÇAMOS MELHOR A CRISTO O AMEMOS COM AMOR MAIS VERDADEIRO E O SIGAMOS COM MAIOR EMPENHO

ÍNDICE

Prefácio Introdução Geral Introdução Geral às Cartas Paulinas Introdução à Carta aos Colossenses Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4

PREFÁCIO A FILIPENSES, COLOSSENSES, 1 E 2 TESSALONICENSES

Novamente queria agradecer ao Comitê de Publicações da Igreja de Escócia e especialmente a seu secretário e diretor o Rev. Andrew M'Cosh, M.A., S.T.M. e seu coordenador o Rev. W. M. Campbell, B.D., Ph.D., D. Litt, em primeiro lugar por me permitir escrever estes volumes de Estudos Bíblicos Diários, e em segundo termo porque agora farei a reimpressão como nova edição. Este volume contém notas das Epístolas de Paulo aos Filipenses, Colossenses e Tessalonicenses. Cada uma destas Cartas tem sua própria e especial importância. A Epístola aos Filipenses foi chamada "a Epístola dos ensinos excelentes". Não é uma Carta difícil de entender e para muitos é a Carta mais encantadora e atrativa que Paulo jamais escreveu. A Epístola aos Colossenses é ao mesmo tempo uma das mais eminentes e entre as mais difíceis que Paulo tratou. Em nenhuma parte alcança Paulo tal altura em seus escritos sobre a pessoa e a obra de Jesus. Aqui está o pensamento paulino a respeito de Jesus em sua grandeza maior. A Primeira e Segunda Epístolas aos Tessalonicenses são, com a possível exceção da Epístola aos Gálatas, as primeiras Cartas de Paulo. Elas são de especial importância nas quais Paulo ensina a suas primeiras Igrejas, e em particular elas contêm alguns dos mais precisos ensinos da

Testament in Plain English de Charles Kingsley Williams, que sempre achei preciso e notavelmente iluminado. Assim como nos anteriores volumes, dou à circulação este com a oração de que possa servir ao leitor moderno para captar um Novo Testamento realmente vivo.

William Barclay. Trinity College, Glasgow, março de 1959.

INTRODUÇÃO GERAL

Pode dizer-se sem faltar à verdade literal, que esta série de Comentários bíblicos começou quase acidentalmente. Uma série de estudos bíblicos que estava usando a Igreja de Escócia (Presbiteriana) esgotou-se, e se necessitava outra para substituí-la, de maneira imediata. Fui solicitado a escrever um volume sobre Atos e, naquele momento, minha intenção não era comentar o resto do Novo Testamento. Mas os volumes foram surgindo, até que o encargo original se converteu na idéia de completar o Comentário de todo o Novo Testamento. Resulta-me impossível deixar passar outra edição destes livros sem expressar minha mais profunda e sincera gratidão à Comissão de Publicações da Igreja de Escócia por me haver outorgado o privilégio de começar esta série e depois continuar até completá-la. E em particular desejo expressar minha enorme dívida de gratidão ao presidente da comissão, o Rev. R. G. Macdonald, O.B.E., M.A., D.D., e ao secretário e administrador desse organismo editar, o Rev. Andrew McCosh, M.A., S.T.M., por seu constante estímulo e sua sempre presente simpatia e ajuda. Quando já se publicaram vários destes volumes, nos ocorreu a idéia de completar a série. O propósito é fazer que os resultados do estudo

erudito das Escrituras possam estar ao alcance do leitor não especializado, em uma forma tal que não se requeiram estudos teológicos para compreendê-los; e também se deseja fazer que os ensinos dos livros do Novo Testamento sejam pertinentes à vida e ao trabalho do homem contemporâneo. O propósito de toda esta série poderia resumir-se nas palavras da famosa oração de Richard Chichester: procuram fazer que Jesus Cristo seja conhecido de maneira mais clara por todos os homens e mulheres, que Ele seja amado mais entranhadamente e que seja seguido mais de perto. Minha própria oração é que de alguma maneira meu trabalho possa contribuir para que tudo isto seja possível.

INTRODUÇÃO GERAL ÀS CARTAS DE PAULO

As cartas de Paulo

No Novo Testamento não há outra série de documentos mais interessante que as cartas de Paulo. Isto se deve a que de todas as formas literárias, a carta é a mais pessoal. Demétrio, um dos críticos literários gregos mais antigos, escreveu uma vez: "Todos revelamos nossa alma nas cartas. É possível discernir o caráter do escritor em qualquer outro tipo de escrito, mas em nenhum tão claramente como nas epístolas" (Demétrio, On Style, 227).

Justamente pelo fato de Paulo nos deixar tantas cartas, sentimos que o conhecemos tão bem. Nelas abriu sua mente e seu coração àqueles que tanto amava; e nelas, até o dia de hoje, podemos ver essa grande inteligência abordando os problemas da Igreja primitiva, e podemos sentir esse grande coração pulsando com o amor pelos homens, mesmo que estivessem desorientados e equivocados.

governamentais, e, o que é mais interessante, centenas de cartas particulares. Quando as lemos vemos que todas elas respondiam a um modelo determinado; e vemos que as cartas de Paulo reproduzem exata e precisamente tal modelo. Aqui apresentamos uma dessas cartas antigas. Pertence a um soldado, chamado Apion, que a dirige a seu pai Epímaco. Escrevia de Miseno para dizer a seu pai que chegou a salvo depois de uma viagem tormentosa.

"Apion envia suas saudações mais quentes a seu pai e senhor Epímaco. Rogo acima de tudo que esteja bem e são; e que. tudo parta bem para ti, minha irmã e sua filha, e meu irmão. Agradeço a meu Senhor Serapis [seu Deus] que me tenha salvado a vida quando estava em perigo no mar. logo que cheguei ao Miseno obtive meu pagamento pela viagem — três moedas de ouro. Vai muito bem. portanto te rogo, querido pai, que me escreva, em primeiro lugar para me fazer saber que tal está, me dar notícias de meus irmãos e em terceiro lugar, me permita te beijar a mão, porque me criaste muito bem, e porque, espero, se Deus quiser, me promova logo. Envio minhas quentes saudações a Capito, a meus irmãos, a Serenila e a meus amigos. Envio a você um quadro de minha pessoa pintado pelo Euctemo. Meu nome militar é Antônio Máximo. Rogo por sua saúde. Sereno, o filho do Agato Daimón, e Turvo, o filho do Galiano, enviam saudações. (G. Milligan, Seleções de um papiro grego, 36).

Apion jamais pensou que estaríamos lendo sua carta a seu pai mil e oitocentos anos depois de havê-la escrito. Ela mostra o pouco que muda a natureza humana. O jovem espera que ser logo ascendido. Certamente Serenila era a noiva que tinha deixado em sua cidade. Envia á sua família o que na antiguidade equivalia a uma fotografia. Esta carta se divide em várias seções. (1) Há uma saudação. (2) Roga-se pela saúde dos destinatários. (3) Agradece-se aos deuses. (4) Há o conteúdo especial. (5) Finalmente, as saudações especiais e os pessoais.

Virtualmente cada uma das cartas de Paulo se divide exatamente nas mesmas seções. as consideremos com respeito às cartas do apóstolo. (1) A saudação : Romanos 1:1; 1 Coríntios 1:1; 2 Coríntios 1:1; Gálatas 1:1; Efésios 1:1; Filipenses 1:1; Comesse guloseimas 1:1-2; 1 Tessalonicenses 1:1; 2 Tessalonicenses 1:1. (2) A oração : em todos os casos Paulo ora pedindo a graça de Deus para com a gente a que escreve: Romanos 1:7; 1 Coríntios 1:3; 2 Coríntios 1:2; Gálatas 1:3; Efésios 1:2; Filipenses 1:3; Colossenses 1:2; 1 Tessalonicenses 1:3; 2 Tessalonicenses 1:3. (3) O agradecimento : Romanos 1:8; 1 Coríntios 1:4; 2 Coríntios 1: Efésios 1:3; Filipenses 1:3; 1 Tessalonicenses 1:3; 2 Tessalonicenses 1:2. (4) O conteúdo especial : o corpo principal da carta constitui o conteúdo especial. (5) Saudações especiais e pessoais : Romanos 16; 1 Coríntios 16:19; 2 Coríntios 13:13; Filipenses 4:21-22; Colossenses 4:12-15; 1 Tessalonicenses 5:26. É evidente que quando Paulo escrevia suas cartas o fazia segundo a forma em que todos faziam. Deissmann, o grande erudito, disse a respeito destas cartas: "Diferem das mensagens achadas nos papiros do Egito não como cartas, mas somente em que foram escritas por Paulo." Quando as lemos encontramos que não estamos diante de exercícios acadêmicos e tratados teológicos, mas diante de documentos humanos escritos por um amigo a seus amigos.

A situação imediata

Com bem poucas exceções Paulo escreveu suas cartas para enfrentar uma situação imediata. Não são tratados em que Paulo se sentou a escrever na paz e no silêncio de seu estudo. Havia uma situação ameaçadora em Corinto, Galácia, Filipos ou Tessalônica. E escreveu para enfrentá-la. Ao escrever, não pensava em nós absolutamente; só tinha posta sua mente nas pessoas a quem se dirigia. Deissmann escreve:

escrevia, e entornava seu coração em palavras que fluíam uma após outra em seu desejo de ajudar. As cartas de Paulo não são produtos acadêmicos e cuidadosos, escritos no isolamento do estudo de um erudito; são correntes de palavras vitais, que vivem e fluem diretamente de seu coração ao dos amigos aos quais escrevia.

INTRODUÇÃO À CARTA AOS COLOSSENSES

As aldeias do vale do Lico

A 160 quilômetros de Éfeso no vale do rio Lico, perto de sua confluência com o Meandro, existiam três cidades importantes: Laodicéia, Hierápolis e Colossos. Originariamente tinham sido cidades frígias mas agora constituíam parte da província romana da Ásia. encontravam-se quase à vista uma de outra. Hierápolis e Laodicéia estavam a um lado do vale com o rio Lico de por meio: só distavam entre si uns dez quilômetros, e se divisavam perfeitamente entre si. Colossos, a terceira cidade, estendia-se a ambas as margens do rio a uns dezesseis quilômetros rio acima. O vale do Lico tinha duas características notáveis. (1) Era famoso pelos terremotos. Estrabão o descreve com o curioso adjetivo euseistos que poderia traduzir-se bom para terremotos. Laodicéia tinha sido destruída mais de uma vez pelos terremotos, mas era uma cidade tão rica e independente que ressurgia das ruínas sem nenhuma ajuda financeira do governo romano. Como diria João no Apocalipse, era uma cidade que se gabava de ser rica e não ter necessidade de nada (Apocalipse 3:17). (2) As águas do rio Lico e de seus afluentes estavam impregnadas de gesso. Este gesso se acumulava ao longo da costa dando lugar às mais curiosas formações naturais. Lightfoot descreve a região da seguinte maneira: "Os antigos monumentos estão sepultados; a zona fértil está coberta; os leitos dos rios estão repletos por certo poder estranho e

caprichoso ao mesmo tempo destruidor e criador, e que age silenciosamente e através das idades se formam fantásticas grutas, quebradas e arcadas de pedra. De terríveis conseqüências para a vegetação, estas incrustações se disseminam como um sudário de pedra sobre a terra fértil. Brilhando como geleiras ao lado da colina, atraem o olhar do viajante a uma distância de trinta quilômetros e formam um cenário de configurações surpreendentes e singulares que possuem uma beleza e grandiosidade fora do comum".

Uma zona rica

Apesar de tudo isto era uma zona rica e famosa por duas indústrias intimamente relacionadas entre si. A terra vulcânica é sempre fértil e todo o terreno que não estava coberto pelas incrustações de gesso constituía uma região extraordinariamente rica em pastiçais. Nestes pastos abundavam os rebanhos de ovelhas e toda a área constituía possivelmente o centro maior do mundo da indústria de lã. Laodicéia era particularmente famosa pela produção de gêneros da mais fina qualidade. Um negócio aliado era o do tingido. As águas com gesso eram de tal qualidade que eram especialmente aptas para o tingido dos gêneros. Colossos era tão famosa por esta indústria que certa tintura levava seu nome. As três cidades, pois, achavam-se num distrito de um interesse geográfico considerável e de grande prosperidade comercial.

Uma cidade sem importância

Nas origens estas três cidades tinham tido igual importância, mas com o correr dos anos seguiram um destino diferente. Laodicéia chegou a ser o centro político do distrito e a cabeça financeira de toda a área; uma cidade esplendidamente próspera. Hierápolis se tinha feito um grande centro comercial com notáveis banhos termais. Nesta zona vulcânica existiam muitas gretas das que surgiam vapores quentes e

de pôr reserva à prática judia de enviar dinheiro fora da província para pagar o tributo do templo. Impôs um embargo a todo dinheiro que saía da província. E só na parte da província que lhe correspondia confiscou como contrabando não menos de vinte libras de ouro destinadas ao templo de Jerusalém. O montante de ouro representaria o tributo para o templo de não menos de 11.000 judeus. E do momento em que as mulheres e os meninos estavam excluídos do imposto e muitos o evadiam com êxito, é possível calcular uma população judia de 50. almas.

A Igreja de Colossos

A Igreja cristã de Colossos não tinha sido fundada pelo mesmo Paulo nem tinha recebido nunca sua visita. Colossos e Laodicéia se consideram entre as Igrejas que Paulo jamais conheceu pessoalmente (2:1). Mas sem lugar a dúvida a fundação desta Igreja se fez sob a direção do apóstolo. Durante os três anos que Paulo esteve em Éfeso, toda a província da Ásia foi evangelizada em tal medida que todos seus habitantes, tanto judeus como gregos, ouviram a palavra do Senhor (Atos 19:10). Como vimos, Colossos encontrava-se a 160 quilômetros de Éfeso e, sem dúvida, que nesta campanha de expansão quando se fundou ali a Igreja. Ignoramos quem tenha sido o fundador da Igreja de Colossos; bem pôde ter sido Epafras, descrito por Paulo como servo e ministro fiel da Igreja colossense e relacionado mais tarde com Hierápolis e Laodicéia (1:7; 4:12-13). Se Epafras não foi o fundador desta Igreja, foi certamente aquele que tinha a seu cargo todo o ministério da zona.

Uma Igreja proveniente do paganismo

É evidente que a Igreja de Colossos provinha em sua maior parte do paganismo. A frase estranhos e inimigos no entendimento (1:21) é a usual de Paulo para aqueles que tinham sido alguma vez estranhos à

aliança da promessa. Em 1:27 fala de fazer conhecer o mistério de Cristo entre os gentios, referindo-se claramente aos mesmos colossenses. Em 3:5-7 dá uma lista de seus pecados antes de abraçarem o cristianismo, que são os pecados característicos do mundo pagão. Devemos concluir que a Igreja de Colossos estava constituída preponderantemente por cristãos provenientes do paganismo.

A Igreja ameaçada

Deve ter sido Epafras quem comunicou a Paulo, prisioneiro em Roma, as novidades sobre a situação da Igreja de Colossos. Muitas destas notícias eram boas. Paulo agradece as notícias sobre a fé em Cristo e o amor dos santos (1:4). Alegra-se pelos frutos da vida cristã (1:6). Epafras lhe tinha dado notícias sobre o amor dos colossenses no Espírito (1:8). Paulo enche-se de alegria quando se informa sobre a ordem que observam e sua firmeza na fé (2:5). É obvio que em Colossos também havia dificuldades mas não em tal medida para transformar-se em epidemia. Existia uma ameaça que se continuasse crescendo podia transformar-se em ruína. Para Paulo prevenir era melhor que curar. Com esta Carta enfrenta o mal antes que se difunda, floresça e cresça.

A heresia de Colossos

Ninguém pode dizer com segurança em que consistia a heresia que ameaçava a vida da Igreja colossense. "A heresia colossense" é um dos grandes problemas na investigação do Novo Testamento. Tudo o que podemos fazer é ir à própria Carta para buscar ali os elementos de juízo. Faremos uma lista das características para detectar aqui alguma tendência herética geral que corresponda ao quadro. (1) Certamente havia uma heresia que atacava a suficiência plena e supremacia única de Cristo. Nenhuma carta paulina tem uma visão mais sublime de Cristo nem maior insistência em sua perfeição e sua

pensava que as coisas e os homens estavam submetidos a um poder fatal, férreo pela influência dos astros; a astrologia pretendia brindar aos homens as palavras-chaves ou o conhecimento secreto que os livraria de sua escravidão aos espíritos elementares do mundo. É mais provável que os falsos professores colossenses tivessem ensinado a necessidade de algo mais que Jesus Cristo para livrar os homens da sujeição aos espíritos elementares do mundo e aos astros. (5) Esta heresia dava muita importância ao poder dos espíritos demoníacos. Há freqüentes referências aos principados e potestades , nomes que Paulo aplica a esses espíritos (1:16; 2:10; 2:15). O mundo antigo cria implicitamente nestes poderes demoníacos. O ar estava infestado deles. Cada força natural — o vento, o trovão, o raio, a chuva — tinha seus diretores demoníacos. Cada lugar, cada árvore, cada rio, cada lago, tinham seu espírito. A atmosfera estava infestada dos que em certo sentido eram considerados intermediários de Deus mas que constituíam um impedimento porque a imensa maioria eram hostis ao homem. O mundo antigo vivia num universo obcecado pela idéia dos demônios. Evidentemente os falsos mestres colossenses diziam que se requeria algo mais que Cristo para derrotar o poder demoníaco; que Jesus Cristo não era suficiente para tratar com eles por si mesmo, mas sim requeria a ajuda de algum outro conhecimento e poder. (5) Nesta heresia existia com certeza o que poderíamos chamar um elemento filosófico. Os hereges arruinavam os homens com filosofia e vãs sutilezas (2:8). Certamente afirmavam que a simplicidade do evangelho necessitava o agregado de um conhecimento muito mais elaborado e recôndito. (7) Nesta heresia existia uma tendência a insistir na observância de dias e rituais especiais: festividades, luas novas e dias de repouso (2:16). O ritualismo e a observância particular de tempos e estações era um traço distintivo da falsa doutrina. (8) Esta heresia continha certamente um elemento supostamente ascético. Estabelecia leis sobre comidas e bebidas (2:16). Seus lemas

eram: “Não toques, não proves, não manuseies” (2:21). Limitava a liberdade cristã por meio de toda sorte de insistências em ordenanças, leis e prescrições legalistas. (9) A heresia possuía igualmente, ao menos às vezes, um rasgo antinômico: fazia com que os homens descuidassem a pureza e castidade próprias do cristão para pensar com ligeireza sobre o físico e os pecados corporais (3:5-8). (10) Aparentemente a heresia dava pelo menos certo lugar ao culto dos anjos (2:18). Ao lado dos demônios introduzia intermediários angélicos entre o homem e Deus. (11) E, finalmente, parece que a heresia continha algo que poderia chamar-se esnobismo espiritual e intelectual: em 1:28 Paulo expressa sua aspiração de admoestar a todo homem , de ensinar a todo homem em toda sabedoria, de apresentar a todo homem perfeito em Jesus Cristo. Vemos com que ênfase a frase todo homem se repete reiteradamente, expressando a aspiração de tornar o homem perfeito em toda sabedoria. A clara implicação disto é que os hereges limitavam a universalidade do evangelho a uns poucos escolhidos. Introduziam uma aristocracia espiritual e intelectual na amplitude da fé cristã.

A heresia gnóstica

Há alguma tendência herética geral que explique e inclua tudo isto? Existia uma corrente de pensamento chamada gnosticismo. O gnosticismo começava com duas considerações básicas sobre a matéria. Em primeiro lugar pensava que só o espírito era bom e que a matéria era essencialmente defeituosa e má. Em segundo lugar, pensavam que a matéria era eterna; q que o universo não tinha sido criado do nada — que é a crença ortodoxa — mas sim a matéria defeituosa tinha sido o elemento do qual o mundo foi feito. Agora, esta fé básica levava necessariamente a algumas conseqüências inevitáveis e lógicas.

(a) Devemos matar de inanição, golpear e negar o corpo; devemos praticar um ascetismo rígido para submetê-lo e rechaçar todas e cada uma de suas necessidades e desejos. Se o corpo for mau então deve ser continuamente subjugado. Mas é possível adotar precisamente um critério oposto. Se o corpo for mau não interessa o que o homem faça com ele. O espírito é tudo o que interessa; o corpo carece inteiramente de importância. Portanto, o homem pode desfrutar e saciar seus apetites e desejos; não tem importância o que realiza com seu corpo. O gnosticismo pode, portanto, derivar em ascetismo com todo tipo de leis e restrições sobre as comidas; pode derivar num antinomismo que justifica toda imoralidade. E podemos ver que precisamente ambas as tendências operam no ensino dos falsos mestres colossenses. (4) Há uma coisa que se segue de tudo isto: o gnosticismo é um enfoque da vida e constitui um pensamento altamente espiritual. Há uma longa série de emanações entre o homem e Deus, para chegar a Deus o homem deve lutar remontando toda essa longa escala. Para obtê-lo necessitará toda sorte de procedimentos secretos, de ensinos esotéricos e de contra-senhas ocultas. Requer o sistema elaborado de um conhecimento secreto e recôndito. Se tiver que praticar um ascetismo rígido terá o conhecimento de regras; seu ascetismo será tão rígido que não poderá embarcar-se nas atividades ordinárias da vida. Portanto, os gnósticos afirmavam abertamente que os logros mais elevados da religião estavam abertos só a uns poucos escolhidos e fechados à imensa maioria dos homens comuns. Esta convicção da necessidade de pertencer a uma aristocracia espiritual e religiosa corresponde precisamente à situação de Colossos. (5) Ainda falta fazer encaixar algo mais neste quadro. É absolutamente óbvio que na falsa doutrina que ameaça à Igreja de Colossos há um elemento judeu. Os dias de festa, as Luas novas e os dias de repouso eram caracteristicamente judeus. As leis sobre comidas e bebidas eram essencialmente leis levíticas judias. Como, pois, entram os judeus neste sistema? É algo estranho que muitos judeus simpatizassem

com o gnosticismo. Sabiam tudo a respeito dos anjos, demônios e espíritos. Mas acima de tudo adotaram esta posição. Diziam:

"Sabemos muito bem que se requer um conhecimento especial para negar a Deus. Sabemos muito bem que Jesus e seu evangelho são muito simples, e que o conhecimento especial não se tem que encontrar em outro lugar que na Lei judia. Trata-se precisamente de nossa Lei ritual e cerimonial que efetivamente constitui o conhecimento especial que capacita ao homem para chegar a Deus."

O resultado disto era que com não pouca freqüência se chegava a uma estranha aliança entre gnosticismo e judaísmo. Esta aliança é a que justamente encontramos em Colossos onde, como vimos, habitavam muitos judeus. Resulta claro, portanto, que os falsos mestres colossenses estavam contaminados com a heresia gnóstica. Tratavam de transformar o cristianismo em filosofia e teosofia; se tivessem tido êxito, a fé cristã teria sido destruída.

O autor da Carta

Ainda fica pendente uma questão. Há alguns investigadores que não crêem que Paulo tenha escrito esta Carta. Para isto alegam três razões. (1) Dizem que em Colossenses há muitas palavras e frases que não aparecem em nenhuma das outras Cartas paulinas. Isto é absolutamente certo, mas não prova nada. Não podemos exigir que alguém escreva sempre da mesma maneira e com o mesmo vocabulário. Em Colossenses bem podemos pensar que Paulo tinha coisas novas que dizer e encontrou novos modos das expressar. (2) Dizem que o desenvolvimento do pensamento gnóstico foi de fato muito posterior à época de Paulo e se for conectada a heresia colossense com o gnosticismo, então a Carta é necessariamente posterior a Paulo. É verdade que os grandes sistemas gnósticos escritos são