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19. Hebreus (Barclay), Notas de estudo de Teologia

Carta aos Hebreus

Tipologia: Notas de estudo

2013
Em oferta
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Compartilhado em 09/05/2013

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Não perca as partes importantes!

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HEBREUS
ÍNDICE
HEBREWS
WILLIAM BARCLAY
Título original em inglês:
The Letter to The Hebrews
Tradução: Carlos Biagini
O NOVO TESTAMENTO Comentado por William Barclay
… Introduz e interpreta a totalidade dos livros do NOVO
TESTAMENTO. Desde Mateus até o Apocalipse William Barclay
explica, relaciona, dá exemplos, ilustra e aplica cada passagem, sendo
sempre fiel e claro, singelo e profundo. Temos nesta série, por fim, um
instrumento ideal para todos aqueles que desejem conhecer melhor as
Escrituras. O respeito do autor para a Revelação Bíblica, sua sólida
fundamentação, na doutrina tradicional e sempre nova da igreja, sua
incrível capacidade para aplicar ao dia de hoje a mensagem, fazem que
esta coleção ofereça a todos como uma magnífica promessa.
PARA QUE CONHEÇAMOS MELHOR A CRISTO
O AMEMOS COM AMOR MAIS VERDADEIRO
E O SIGAMOS COM MAIOR EMPENHO
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Baixe 19. Hebreus (Barclay) e outras Notas de estudo em PDF para Teologia, somente na Docsity!

HEBREUS

ÍNDICE

HEBREWS

WILLIAM BARCLAY

Título original em inglês: The Letter to The Hebrews

Tradução: Carlos Biagini

O NOVO TESTAMENTO Comentado por William Barclay

… Introduz e interpreta a totalidade dos livros do NOVO TESTAMENTO. Desde Mateus até o Apocalipse William Barclay explica, relaciona, dá exemplos, ilustra e aplica cada passagem, sendo sempre fiel e claro, singelo e profundo. Temos nesta série, por fim, um instrumento ideal para todos aqueles que desejem conhecer melhor as Escrituras. O respeito do autor para a Revelação Bíblica, sua sólida fundamentação, na doutrina tradicional e sempre nova da igreja, sua incrível capacidade para aplicar ao dia de hoje a mensagem, fazem que coleção ofereça a todos como uma magnífica promessa.

PARA QUE CONHEÇAMOS MELHOR A CRISTO O AMEMOS COM AMOR MAIS VERDADEIRO E O SIGAMOS COM MAIOR EMPENHO

ÍNDICE

Prefácio Introdução Geral Introdução a Hebreus Capítulo 1 Capítulo 5 Capítulo 9 Capítulo 13 Capítulo 2 Capítulo 6 Capítulo 10 Capítulo 3 Capítulo 7 Capítulo 11 Capítulo 4 Capítulo 8 Capítulo 12

PREFÁCIO

Quando chegamos à Carta aos Hebreus encontramos com aquele que é, para o homem de hoje, o livro mais difícil de todo o Novo Testamento. Hebreus nunca foi um livro de fácil leitura. Mesmo quando foi escrito, foi por um erudito para um pequeno grupo de eruditos. O conhecimento que exige do Antigo Testamento e do sistema sacrificial hebreu, nunca foi de possessão geral de todos; e se foi difícil para as pessoas às quais foi escrita, deve ser muito mais para nós hoje. Mas creio que não há no Novo Testamento um livro que seja mais digno do esforço para entendê-lo. Creio que nenhum livro do Novo Testamento nos dá um quadro tão glorioso de Jesus Cristo em todo o esplendor de sua humanidade e em toda a majestade de sua divindade. Sei que os que leiam Hebreus o acharão difícil, mas meu ardente rogo é que muitos perseverem até que este grande livro lhes abra seus tesouros. Ao escrever esta exposição tenho feito uso constantemente de certos livros, pois existe uma literatura muito extensa sobre Hebreus. Para aqueles que lêem o grego, o comentário de B. F. Westcott, na série de Macmillan, ainda não foi superado, embora escrito há tanto tempo como em 1889. O volume de Moffat no International Critical Commentary é um monumento de erudição ao qual devo muito. Dos comentários sobre o texto inglês, o de F. D. V. Narborough na

INTRODUÇÃO GERAL

Pode dizer-se sem faltar à verdade literal, que esta série de Comentários bíblicos começou quase acidentalmente. Uma série de estudos bíblicos que estava usando a Igreja de Escócia (Presbiteriana) esgotou-se, e se necessitava outra para substituí-la, de maneira imediata. Fui solicitado a escrever um volume sobre Atos e, naquele momento, minha intenção não era comentar o resto do Novo Testamento. Mas os volumes foram surgindo, até que o encargo original se converteu na idéia de completar o Comentário de todo o Novo Testamento. Resulta-me impossível deixar passar outra edição destes livros sem expressar minha mais profunda e sincera gratidão à Comissão de Publicações da Igreja de Escócia por me haver outorgado o privilégio de começar esta série e depois continuar até completá-la. E em particular desejo expressar minha enorme dívida de gratidão ao presidente da comissão, o Rev. R. G. Macdonald, O.B.E., M.A., D.D., e ao secretário e administrador desse organismo editar, o Rev. Andrew McCosh, M.A., S.T.M., por seu constante estímulo e sua sempre presente simpatia e ajuda. Quando já se publicaram vários destes volumes, nos ocorreu a idéia de completar a série. O propósito é fazer que os resultados do estudo erudito das Escrituras possam estar ao alcance do leitor não especializado, em uma forma tal que não se requeiram estudos teológicos para compreendê-los; e também se deseja fazer que os ensinos dos livros do Novo Testamento sejam pertinentes à vida e ao trabalho do homem contemporâneo. O propósito de toda esta série poderia resumir-se nas palavras da famosa oração de Richard Chichester: procuram fazer que Jesus Cristo seja conhecido de maneira mais clara por todos os homens e mulheres, que Ele seja amado mais entranhadamente e que seja seguido mais de perto. Minha própria oração é que de alguma maneira meu trabalho possa contribuir para que tudo isto seja possível.

INTRODUÇÃO À CARTA AOS HEBREUS

Deus compreende-se de muitas maneiras

A religião jamais foi nem jamais pode ser o mesmo para todos os homens. "Deus", como dizia Tennyson, "compreende-se de muitas maneiras." George Russell: "Há tantas maneiras de subir aos astros como pessoas que o fazem." Há um ditado bem conhecido que com toda verdade e beleza diz que "Deus tem sua própria escada secreta em cada coração." Falando em geral, existiram quatro grandes conceitos da religião. (1) Para alguns a religião é comunhão interna com Deus ; uma união tão estreita e íntima com Cristo que pode dizer-se que o cristão vive em Cristo e Cristo nele. Este era o conceito da religião que tinha Paulo. A religião era algo que o unia mística e misteriosamente com Deus. (2) Para outros a religião é o que dá ao homem uma norma de vida e o poder para alcançar essa norma. A religião é a lei para uma vida boa e o poder para observar essa lei. Em geral nisto consistia a religião para Tiago e Pedro. Era algo que lhes mostrava o que devia ser a vida e os capacitava para realizar isto. (3) Para outros a religião é a suprema satisfação da mente. Indagam e indagam até que descobrem que podem descansar em Deus. Platão disse: "Uma vida sem exame é uma vida que não merece ser vivida." Há certos homens que devem entender ou perecer. Suas mentes pedem satisfação. Em geral isto é o que a religião significava para João. O primeiro capítulo de seu Evangelho é um dos maiores intentos do mundo de conceber a religião de modo que realmente possa satisfazer a mente. (4) Para outros a religião é o acesso a Deus. É o que os leva à própria presença de Deus, o que remove as barreiras, o que elimina os estranhamentos e abre as portas à presença viva do Deus vivente. Isto significava a religião para o autor da Carta de Hebreus. Sua mente está obcecada por esta idéia. Encontrava em Cristo a única pessoa que podia

com um arquétipo e a uma idéia espiritual. Portanto, quando dispôs criar este mundo visível formou de antemão um mundo ideal para constituir o corporal de acordo com o modelo imaterial e semelhante a Deus." Quando Cícero falava das leis que os homens conhecem e usam sobre a Terra dizia: "Não possuímos uma lei real e uma justiça genuína que sejam naturais; tudo o que desfrutamos é uma sombra e um esboço." Todos os pensadores do mundo antigo opinavam que em alguma parte existia um mundo real do qual este mundo é só uma espécie de pálida sombra, uma cópia imperfeita. Aqui só podemos conjeturar e andar tateando; só podemos trabalhar com sombras e cópias imperfeitas. Mas no mundo invisível estão as coisas reais, perfeitas, o mundo tal como foi concebido por Deus. À morte do Newman foi-lhe erigiu uma estátua em cujo pedestal se podiam ler as palavras latinas: Ab umbris et imaginibus ad veritatem. "Das sombras e as aparências rumo à verdade." Se isto é assim então a tarefa importante desta vida consistirá em sair das sombras e imperfeições para alcançar a realidade. Isto é exatamente o que o autor de Hebreus anuncia: Jesus Cristo pode nos capacitar para obtê-lo. O autor de Hebreus podido ter dito ao pensador grego: "Durante toda a sua vida vocês buscaram a realidade e tentaram sair das trevas para chegar à verdade. Isto é justamente o que Jesus Cristo pode lhes capacitar a fazer".

O pano de fundo hebreu

O autor de Hebreus tem também um pano de fundo judeu. Para o judeu sempre era perigoso aproximar-se muito a Deus. Disse Deus a Moisés: “Porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá” (Êxodo 33:20). Jacó exclamou assombrado em Peniel: “Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva” (Gênesis 32:30). Quando Manoá se precaveu de quem tinha sido seu visitante disse aterrorizado a sua mulher: “Certamente, morreremos, porque vimos a Deus” (Juízes 13:22). O dia da expiação constituía a grande data do culto judeu. Era o único dia do

ano em que o sumo sacerdote entrava no santíssimo onde se considerava que habitava a própria presença de Deus. Ninguém jamais entrava ali a não ser o sumo sacerdote e este somente neste dia. Ao realizar este ato a Lei pedia que não se demorasse muito no lugar santo "para que Israel não se aterrorizasse". Era perigoso entrar na presença de Deus; atrasar-se muito podia significar a morte. Dentro deste contexto surgiu no pensamento judeu a idéia de uma aliança. A aliança significava que Deus em sua graça e por iniciativa própria — de uma maneira absolutamente imerecida — se aproximava do povo de Israel e lhe oferecia uma relação especial consigo. De uma maneira única eles seriam seu povo e ele seria seu Deus; era o modo de ter um acesso especial a Deus. Mas este acesso estava condicionado à observância da Lei que Deus lhes tinha dado. Vemos como se cercou esta relação e aceitou-se a Lei na cena dramática de Êxodo 24 3-4. Assim, pois, Israel tinha acesso a Deus mas só se observasse a Lei. Quebrantar a Lei era pecado; o pecado interrompia o acesso a Deus e colocava perante ele uma barreira. Para apartar esta barreira se construiu todo o sistema do sacerdócio levítico e dos sacrifícios. A Lei tinha sido dada; o homem pecava; surgiam barreiras; se fazia o sacrifício destinado a restabelecer as relações rotas, recuperar o acesso perdido e abrir de novo o caminho a Deus. Mas segundo toda a experiência da vida era que precisamente isso era o que o sacrifício não podia conseguir. Era preciso repetir uma e outra vez os sacrifícios; os mesmos sacerdotes eram pecadores e devia oferecer em primeiro lugar sacrifícios por seus próprios pecados; nenhum sacrifício de animal é capaz de tirar efetivamente a culpa do pecado. A prova da ineficácia de todo este sistema estava em que os sacrifícios se deviam continuar ininterruptamente. O sacrifício era uma batalha perdida e ineficaz para remover a barreira que o pecado tinha colocado entre o homem e Deus.

Carta aos Hebreus formasse parte integrante do Novo Testamento. A primeira lista dos livros do Novo Testamento — o Cânon Muratoriano compilado cerca de 170 — não a menciona absolutamente. Os grandes sábios alexandrinos, Clemente e Orígenes, conheciam-na e a apreciavam, mas estavam de acordo em que seu lugar na Escritura era disputado. Dos grandes Pais africanos, Cipriano nunca a menciona e Tertuliano reconhece que seu lugar era discutido. Eusébio, o grande historiador da Igreja, diz que era contada entre os livros discutidos. Só na época de Atanásio, em meados do século IV, Hebreus foi aceito definitivamente como livro do Novo Testamento, e o próprio Lutero não estava seguro disso. É algo estranho que este livro tenha tido que esperar tanto tempo para chegar a possuir plena autoridade e reconhecimento. De cada livro do Novo Testamento devemos nos perguntar quando foi escrito, a quem se dirigiu e quem o escreveu. Tentemos responder a estas perguntas na medida do possível.

Quando se escreveu

A única informação que podemos dar provém da própria Carta. Certamente se escreveu para a que poderíamos chamar a segunda geração cristã (2:3). O relato foi irradiado a seus destinatários por aqueles que tinham ouvido o Senhor. A comunidade para a qual foi escrita não era nova na fé cristã, mas sim já amadurecida (5:12). Devem ter tido uma longa trajetória porque os ameaça a olhar para trás, aos dias de antes (10:32). Tinham atrás deles uma grande história e heróicas figuras de mártires que podiam contemplar em busca de inspiração (13:7). O que mais nos ajudará a datar a Carta são as referências que se fazem à perseguição. É evidente que em certa época seus dirigentes tinham morrido pela fé, pois os insiste a lembrar a entrega de vida dessas grandes figura (13:7). Também está claro que eles mesmos não tinham sofrido ainda perseguição, pois não tinham resistido ainda até o sangue

(12:4). Também é evidente que tinham sofrido maus entendimentos, porque tinham tido que padecer o saque de seus bens (10:32-34). E todo o teor da Carta patenteia que se está perante o risco iminente de uma perseguição. Por tudo isto, pode-se dizer com segurança que a Carta deve ter sido escrita entre duas perseguições em circunstâncias em que os cristãos não eram de fato perseguidos mas não obstante eram impopulares. Agora, a primeira perseguição foi na época de Nero, no ano 64, e outra na de Domiciano cerca de 85. A Carta foi escrita em algum momento entre estas duas datas. Tinham por trás uma história de perseguição para inspirar-se com o relato de seus heróis; perante eles se abate a perspectiva de perseguição, diante da qual devem fortalecer-se; havia um ódio e uma hostilidade contínuos que às vezes estalavam em maus entendimentos. Podemos localizar esta Carta entre os dias de Nero e os de Domiciano, mais provavelmente mais perto da época deste último. Se adotamos a data do 80 não estaremos muito equivocados.

A quem foi escrita

Logo, perguntemo-nos a quem foi escrita a Carta aos hebreus. Novamente dependemos aqui de alguns indícios que podemos obter na própria Carta. Há algo seguro — não pôde ter sido escrita a nenhuma das grandes Igrejas, pois em tal caso o nome do lugar ao que se dirigiu não teria desaparecido tão completamente. Estabeleçamos o que podemos saber. A Carta foi escrita a uma Igreja estabelecida durante muito tempo (5:12); uma Igreja que em seu passado tinha sofrido perseguição (10:32- 34); uma Igreja que tinha tido dias gloriosos e grandes mestres e chefes (13:7). Uma Igreja que não tinha sido fundada diretamente pelos apóstolos (2:3); que se tinha distinguido por sua generosidade e liberalidade (6:10). Agora chegamos a uma alusão direta: entre as saudações finais acham a frase: "Os da Itália vos saúdam" (13:24). Uma tradução mais exata seria: "Aqueles que são da Itália vos saúdam".A frase em si poderia significar que a Carta foi escrita da Itália ou à Itália.

primeiros tempos o título era simplesmente Aos Hebreus. Não se dá o nome de nenhum autor. Nos primeiros dias ninguém a relacionava diretamente ao nome de Paulo. Clemente de Alexandria pensava que Paulo poderia tê-la escrito, talvez em hebraico, e que Lucas a teria traduzido, porque o estilo é totalmente diferente do de Paulo. Orígenes fez a famosa observação. "Só Deus sabe com certeza quem escreveu a Carta aos Hebreus." Tertuliano pensava que foi escrita Barnabé. Jerônimo diz que a Igreja latina não a recebia como de Paulo e ao falar do autor diz: "O escritor de Hebreus seja quem for." Agostinho sentia da mesma maneira. Lutero declarava que Paulo jamais podia tê- la escrito porque o pensamento não é dele e Calvino que "ele não podia convencer-se de que esta Carta fosse de Paulo". Em nenhuma época da história da Igreja se creu realmente que Paulo tivesse escrito Hebreus. Como, então, resultou vinculada a seu nome? Tudo aconteceu de uma maneira muito simples. Quando o Novo Testamento alcançou seu forma final, naturalmente se discutiu sobre que livros se incluiriam e quais não. Para estabelecê-lo se usou um critério. Acaso o livro era obra de um apóstolo ou ao menos de alguém que tivesse estado em contato direto com algum dos apóstolos? Agora, naquela época a Carta aos Hebreus era conhecida e estimada em toda a Igreja. A maioria sentia como Orígenes que só Deus sabia quem a tinha escrito, mas eles a liam, estimavam e valorizavam. De modo que só se havia um caminho. Devia entrar no Novo Testamento e para assegurar isto havia um só caminho, e era incluí-la com as treze cartas de Paulo, o grande escritor de cartas. Desta maneira Hebreus ganhou seu lugar no Novo Testamento por razão de sua grandeza indiscutida; mas para obtê- lo teve que ser incluída entre as cartas de Paulo e passar sob seu nome. Sabia-se que o estilo e o pensamento não eram de Paulo, mas foi incluída entre suas cartas porque ninguém sabia quem a tinha escrito e tinha que ser incluída.

O autor de Hebreus

Podemos ao menos suspeitar quem foi o autor? Já se têm proposto muitos candidatos. Só podemos lançar uma olhada a três das muitas sugestões. (1) Tertuliano pensava que Barnabé tinha escrito Hebreus. Barnabé nasceu em Chipre, povo famoso por falar um grego excelente e o grego de Hebreus é o melhor do Novo Testamento. Barnabé era levita (Atos 4:36) e de todos os personagens do Novo Testamento era aquele que poderia ter tido o conhecimento mais íntimo do sistema sacerdotal e sacrificial sobre o qual se baseia todo o pensamento da carta. Barnabé é chamado filho de consolação ; a palavra grega é paraklésis (13:22), palavra de exortação ou consolação. Barnabé era um desses poucos aceitos tanto pelos judeus como pelos gregos e que se sentia à vontade em ambos os ambientes. Pode ser que Barnabé escrevesse a carta, mas se o fez é estranho que seu nome se desvinculasse inteiramente da mesma. (2) Lutero estava seguro de que Apolo a tinha escrito. Apolo, de acordo com a menção do Novo Testamento, era um judeu nascido em Alexandria; homem eloqüente e muito versado nas Escrituras (Atos 18:24 ss.; 1 Coríntios 1:12; 3:4). Aquele que escreveu a carta conhecia certamente as Escrituras, era muito eloqüente, e pensava e argumentava da maneira que o faria um alexandrino culto. É seguro que aquele que escreveu Hebreus era no fundo e por seu pensamento da talha de Apolo. (3) A mais romântica de todas as conjeturas é a do grande erudito alemão Harnack. Ele pensava que talvez a tivessem escrito entre Áqüila e Priscila. Áqüila era um mestre (Atos 18:26). A casa deles em Roma era uma Igreja (Romanos 16:5). Harnack pensava que esta poderia ser a razão pela qual a carta carece de saudações e não leva o nome de seu autor, pois a autora principal de Hebreus teria sido uma mulher e uma mulher não era permitido ensinar. Mas chegando no fim das conjeturas só podem repetir o que Orígenes disse faz mil e setecentos anos: só Deus sabe quem escreveu a

repertório acrobático de todas as provas ginásticas que tinha aprendido. Assim que terminou suas contorções ajoelhou-se em adoração. E então — conta a lenda — a estátua de Maria cobrou vida, baixou do pedestal e enxugou com suavidade o suor da fronte do acrobata que tinha devotado tudo o que podia. Quando alguém se torna cristão não deve abandonar todos seus dons e talentos, mas sim deve usá-los para o serviço de Jesus Cristo e de sua Igreja. A idéia básica da Carta afirma que só Jesus Cristo traz para os homens a revelação plena de Deus; e que só Ele capacita para entrar na própria presença de Deus. O escritor começa aqui opondo a figura de Jesus à dos profetas que o precederam. Fala de Jesus como daquele que tem que vir, nestes últimos dias. Os judeus dividiam o tempo em duas eras: a presente e a futura. Entre as duas situavam o dia do Senhor. A era presente era inteiramente humana e má; a era futura seria a era áurea de Deus. O dia do Senhor no meio consistiria em algo assim como as dores de parto de uma nova era. Por isso diz o autor: "O tempo velho está passando, a era do incompleto está terminando; o tempo das conjeturas e da incerteza humanas chega a seu fim; a nova era de Deus amanheceu em Cristo." Via que o mundo e o pensamento dos homens tinham, por assim dizer, um novo começo com Jesus Cristo. Em Jesus, Deus tinha entrado na humanidade, a eternidade tinha invadido o tempo e as coisas já não podiam ser as mesmas. O autor prefere começar comparando Jesus com os profetas, porque sempre se creu que estes estavam no segredo de Deus. Muito tempo antes Amós havia dito: “O SENHOR Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3:7). Filo diz que "os profetas são intérpretes do Deus que os usa como instrumentos para revelar aos homens o que quer." Posteriormente esta doutrina tinha sido mecanizada por completo. Atenágoras dizia que Deus movia a boca dos profetas do mesmo modo que um homem toca um instrumento musical, e que o Espírito soprava neles como um flautista na flauta. Justino Mártir diz que o divino desce do céu para pulsar os

profetas como o plectro pulsa as cordas do harpa ou do alaúde. No final parecia que os profetas não tinham outra relação com sua mensagem que a do instrumento com a música que toca ou a da pena com a mensagem que escreve. Isto era mecanizar muito a questão; porque a verdade é que o melhor músico está em certa medida à mercê de seu instrumento. Não se pode interpretar boa música num piano ao qual faltam certas notas ou estão desafinadas, e até o melhor escritor depende em certa medida de sua pena. Deus não poderia revelar mais do que os homens pudessem entender. A revelação de Deus vem através de mentes e corações humanos. E isso é exatamente o que via o autor de Hebreus. Diz que a revelação de Deus, a verdade, veio muitas vezes ( polymeros ) e de muitas maneiras ( polytropos ). Notemos dois pensamentos. (1) A revelação dos profetas tinha uma variedade tão grande que fazia dela algo tremendo. Em cada época em que agiam adaptavam a mensagem às circunstâncias, fazendo ressaltar aquela faceta da verdade que resultava essencial para os homens aos quais falavam. Nunca se tratava de algo estático, passado de moda; algo carente de pertinência ou incompreensível; sempre era algo adequado às necessidades de cada época. (2) Ao mesmo tempo, essa revelação era fragmentária e devia apresentar-se em forma tal que pudesse ser entendida apesar das limitações da época. Era fragmentária. Uma das coisas mais interessantes é ver como várias vezes os profetas se caracterizam por uma idéia determinada. Por exemplo, Amós é "um clamor pela justiça social". Isaías compreendeu a santidade de Deus. Oséias, por causa de sua própria amarga experiência caseira, descobriu a maravilha do amor de Deus que perdoa. Cada profeta, a partir de sua própria experiência da vida, e da experiência de Israel, capta e expressa um fragmento, uma parte da verdade de Deus. Nenhum profeta tinha captado todo o círculo completo da verdade; mas outra coisa acontecia com Jesus. Jesus não era uma parte da verdade; era a verdade inteira; não era uma revelação

como é Deus. Jesus não é fragmentário ou incompleto; é a expressão total e exata de Deus. C. J. Vaughan assinalou que esta passagem nos ensina seis coisas importantes sobre Jesus. (1) A Jesus pertence a glória original de Deus; é seu resplendor. Este é um pensamento sublime. Jesus é a glória de Deus. Vemos, pois, com clareza meridiana que a glória de Deus não consiste em esmagar os homens e tiranizá-los, reduzindo-os a uma servidão abjeta, mas em servir aos homens, amá-los e, finalmente, morrer por eles. A glória de Deus não é a glória do poder destruidor, mas sim a do amor que sofre. (2) A Jesus pertence o império prometido. Os escritores do Novo Testamento nunca tiveram dúvida sobre o triunfo final de Jesus. Advirtamos que se referem a um carpinteiro galileu crucificado como criminoso sobre uma colina no lado de fora de Jerusalém. Os próprios discípulos sofreram uma perseguição selvagem e eram da mais humilde procedência. A eles se referia Sir William Watson quando escrevia:

"Ao lobo selvagem do ódio foi sacrificado o ofegante e confuso rebanho cujo crime era Cristo."

Mas apesar de tudo jamais duvidaram do triunfo final. Viviam a certeza que o amor de Deus tinha o respaldo de seu poder e que no final os reinos deste mundo seriam do Senhor e de seu Cristo. Bem faríamos em captar de novo este otimismo com que a Igreja primitiva desafiava os acontecimentos. (3) A Jesus pertence a ação criadora. A Igreja primitiva tinha um grande pensamento. Sustentava que o Filho tinha sido o agente e instrumento de Deus na criação; que nas origens Deus, de algum modo, tinha criado o mundo mediante seu Filho. Estavam imbuídos da idéia de que Aquele que tinha criado o mundo seria aquele que recriava a esse mesmo mundo; Aquele que fez o mundo devia ser aquele que também o redimisse.

(4) A Jesus pertence o poder sustentador. Por seu poder faz com que tudo siga sua marcha para frente. Os cristãos primitivos tinham uma compreensão tremenda da doutrina da providência. Não pensavam que Deus tivesse criado o mundo para logo abandoná-lo a seu próprio destino. De algum modo e em algum lugar existia um poder na vida e no mundo que conduzia cada coisa e cada vida a seu fim estabelecido. (5) A Jesus pertencia a obra redentora. Ele levou a cabo a necessária purificação do pecado dos homens. Com seu sacrifício pagou o preço e com sua presença contínua liberta do pecado. (6) De Jesus é a exaltação mediadora. Está sentado ao I mão direita da glória de Deus; mas o tremendo pensamento do autor de Hebreus que não está ali para ser o juiz, senão para interceder por nós; a fim de que quando nos apresentarmos perante Deus, não ouçamos a acusação da justiça divina, mas sim o amor de Deus interceder por nós.

ACIMA DOS ANJOS

Hebreus 1:4- Na passagem anterior o autor da Carta se preocupou de demonstrar a superioridade de Jesus sobre todos os profetas anteriores. Agora empreende a tarefa de demonstrar sua superioridade sobre os anjos. O fato de que cria importante fazer isto, mostra o lugar que a crença nos anjos ocupava no pensamento judeu da época, crença que na época aumentava. Isso se devia à impressão que causava nos homens o que se chama a transcendência divina. Cada vez se sentia com mais intensidade a distância e a diferença entre Deus e os homens. Sentiam que Deus se afastava cada vez mais, fazendo-se cada vez mais incognoscível e inacessível. O resultado era que tinham chegado a pensar nos anjos como intermediários entre Deus e o homem. Tinham começado a sentir que Deus estava tão afastado que não podia falar diretamente com o homem e vice-versa; e assim tinham começado a pensar nos anjos como pontes entre Deus e os homens: por eles Deus falava e eles eram os que, entre