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Guias e Dicas
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506 questoes comentadas, Redação de Português (Gramática - Literatura)

Livro mil frases de portugues para ensino de gramatica da professora Flavia Rita. Curso completo para preparacao de concursos publicos.

Tipologia: Redação

2020

Compartilhado em 09/04/2020

arnaldo-silveira-5
arnaldo-silveira-5 🇧🇷

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Língua Portuguesa em 560 questões comentadas
Prof. Fernando Moura
1
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autorização do autor.
PORTUGUÊS
FERNANDO MOURA
Curso Completo de Gramática,
Interpretação de Textos e Redação
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Prof. Fernando Moura

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PORTUGUÊS

FERNANDO MOURA

Curso Completo de Gramática,

Interpretação de Textos e Redação

Prof. Fernando Moura

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APRESENTAÇÃO

Olá, caro (a) aluno (a)!

Criar uma jornada de SUCESSO não é tarefa fácil. Exige concentração, fôlego,

determinação. Ser aprovado em um bom concurso público ou em um vestibular da

carreira dos sonhos demanda objetivos bem traçados. No mundo real, a concorrência é

significativa, e, por isso, você precisa estar entre os melhores. Mas não há o que temer se

você tem a convicção de que teve preparação sólida.

Pensando nisso, elaborei este material com vistas a prepará-lo melhor para os

desafios que virão. Resolver questões é excelente caminho para atenuar boa parte das

angústias que enfrentamos diante do caderno de provas real. TREINAR É

FUNDAMENTAL. No início dos seus estudos, não haverá problema se você ler a questão

proposta e, em seguida, os meus comentários. Depois, mude a estratégia: primeiro,

resolva todas as questões; depois, confira cada resposta e acompanhe cuidadosamente

os meus comentários.

Lembre-se de criar ambiente de estudos agradável (silencioso, arejado,

confortável) para utilizar esta excelente ferramenta que lhe ofereço. Marque as questões

e os comentários que não entendeu, para, depois, voltar a eles com mais cuidado.

Paciência. Você é uma pessoa talentosa. Procure destacar tudo o que considerar

importante para posterior revisão. ALGUMAS QUESTÕES SE REPETEM

PROPOSITADAMENTE, a fim de que você fixe detalhes importantes.

Conquistar os primeiros lugares nos certames mais concorridos impõe preparação

prévia, o que desencadeia mais segurança. Exige FOCO ─ fator determinante na

velocidade e no alcance dos seus objetivos. Portanto, trace boas estratégias de estudo e

faça deste material um importante degrau para a escalada rumo ao sucesso.

Forte abraço!

Professor Fernando Moura

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desempenhar um papel". A declaração insiste na "conjugação de assistência ao desenvolvimento com o investimento privado".

O texto insiste, também, na necessidade de transferência de tecnologia para os países em desenvolvimento e sobre o "reforço de capacidades" (formação, cooperação, etc).

(Folha de S. Paulo, 22/6/2012, com adaptações)

Com base no texto, julgue os itens seguintes:

(1) Em ―submetida nesta sexta- feira à ratificação de chefes de Estado‖, o elemento destacado tem função dêitica. (2) No primeiro parágrafo, os termos ―de chefes de Estado e de governo das Nações Unidas ‖ e ―dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável‖ são co mplementos nominais, respectivamente, dos substantivos ―ratificação‖ e ―lançamento‖. (3) No trecho ―O texto reafirma os princípios processados durante conferências e cúpulas anteriores e insiste na necessidade ―de acelerar os esforços‖, há duas orações reduzi das‖. (4) O emprego das aspas, em vários momentos do texto, têm a função de destacar o valor plurívoco ou translato das palavras constantes do documento oficial da Rio+20. (5) O trecho ―A comissão de desenvolvimento sustentável, totalmente ineficaz, é substituída por um fórum intergovernamental de alto nível‖ constitui exemplo de voz passiva analítica. A transposição correta para a voz ativa corresponde a: ―Um fórum intergovernamental de alto nível substituiu a comissão de desenvolvimento sustentável, totalmente i neficaz‖. (6) O quinto parágrafo está totalmente redigido em consonância com o princípio do uso do padrão culto da linguagem. (7) O trecho ―Os 25 temas particularmente abordados incluem erradicação da pobreza, segurança alimentar, água, energia, saúde, emprego, oceanos, mudanças climáticas, consumo e produção sustentáveis‖ admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para a correção gramatical e sem alteração semântica: ―Os 25 temas, particularmente abordados, incluem: erradicação da pobreza, segurança alimentar, água, energia, saúde, emprego, oceanos, mudanças climáticas, consumo; e produção sustentáveis‖. (8) No trecho ―é extremamente importante reforçar o apoio financeiro de todas as origens‖, os verbos ―é‖ e ―reforçar‖ são impessoais, uma vez que remetem a sujeitos genéricos, sem referentes específicos na construção sintática. (9) A construção "Os novos parceiros e fontes novas de financiamento podem desempenhar um papel" não admite transposição para a voz passiva. (10) No fragmento ―... a cúpula insiste na importância de que se estabeleçam os ODS (Objetivos do desenvolvimento sustentável)‖, a palavra ―que‖ é conjunção integrante que introduz oração subordinada substantiva completiva nominal, e a palavra ―se‖ é partícula apassivadora, que caracteriza voz passiva sintética ou pronominal.

TEXTO II

Viver em grandes centros urbanos é uma prerrogativa do mundo moderno. Estima- se que, nas próximas duas décadas, 70% da população do planeta estará aglutinada nas cidades, um índice que, nos anos 1950, era de apenas 30%. Abandonar a tranquilidade do

campo, tem seus benefícios. Shopping centers, melhores oportunidades de emprego,

bons hospitais e escolas, além de atividades sociais intensas são apenas alguns deles. Mas a migração tem um lado alarmante. O estresse e a ansiedade gerados pela

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urbanização alteram fisicamente o cérebro, predispondo o desenvolvimento de doenças mentais e distúrbios de humor.

Uma pesquisa publicada na capa da edição de hoje da revista especializada Nature

mostra, pela primeira vez, que mesmo os indivíduos saudáveis que vivem nos centros urbanos têm conexões neurais alteradas em regiões do cérebro associadas à ansiedade. Já se sabia que o atribulado ambiente das grandes cidades estava ligado a problemas como estresse e esquizofrenia. Mas, até agora, não se tinha ideia de que isso provoca mudanças fisiológicas, que podem ser medidas por exames de imagem. O mais grave, notam os autores, é que, teoricamente, habitantes das cidades deveriam ser mais saudáveis, pois têm à sua disposição tratamentos hospitalares mais modernos. O grupo de cientistas, de diversos institutos de pesquisa, realizou três testes em diferentes populações, sempre analisando a resposta cerebral dos participantes, capturada pela ressonância magnética funcional. O primeiro grupo passou por um protocolo de estudos chamado Montreal Imaging Stress Task (Mist), desenvolvido pelo instituto onde Pruessner trabalha. Eles foram expostos a uma situação de pressão social, em que suas habilidades eram desafiadas enquanto os cientistas analisavam a ativação dos cérebros na máquina de ressonância magnética. A pressão a qual os participantes foram submetidos era a mesma. O que os diferenciava era o local de residência. O nível de urbanidade foi medido da seguinte forma: cidades com mais de 100 mil habitantes, municípios com menos de 100 mil habitantes e áreas rurais. Em todos os voluntários, os pesquisadores conseguiram induzir o estresse, algo verificado pela medição de seus batimentos cardíacos e do aumento na circulação sanguínea do hormônio cortisol. Mas as fotografias dos cérebros mostraram um cenário bem diferente. Quanto mais urbanizados os indivíduos, maior a ativação de duas regiões do cérebro intimamente relacionadas ao estresse e aos distúrbios mentais e de humor. A amígdala cerebral, que se localiza no sistema límbico e centro regulador da agressividade, entre outros comportamentos, exibia uma resposta muito maior nos moradores de cidades grandes. Mesmo os habitantes de pequenos municípios tiveram mais ativação dessa região, comparados aos voluntários que viviam na zona rural. Outra área cerebral que exibiu um padrão diferente nos moradores dos grandes centros urbanos foi o córtex cingulado anterior, associado às emoções. O segundo teste foi semelhante ao anterior e teve os mesmos resultados. Para saber se o estresse foi desencadeado pelo tipo de tarefa a qual os voluntários foram submetidos, além das questões aritméticas, eles tinham de resolver problemas de rotação mental, um tipo de experimento que usa imagens para avaliar a cognição. Os pesquisadores também investigaram questões como idade, escolaridade, renda e estado civil dos voluntários, assim como aspectos relacionados à saúde, ao humor, à personalidade e ao apoio social de cada participante. ―Nenhum desses fatores influenciou significativamente a atividade cerebral, sugerindo que viver em um ambiente urbano é que altera a resposta do cérebro a um fator de estresse devido a um distinto e misterioso mecanismo‖, observam Daniel P. Kennedy e Ralph Adolphs, cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em um artigo sobre a pesquisa, também publicado na Nature. O principal autor do estudo, Andreas Meyer-Lindenberg, do Instituto de Saúde Mental de Heidelberg, na Alemanha, diz ao Correio que a pesquisa é do interesse do Brasil. ―Acho que nossos re sultados são especialmente importantes para os países em desenvolvimento, porque a urbanização ocorre mais rápido nesses locais e as diferenças entre a vida nas zonas rural e urbana podem ser ainda maiores‖. No artigo, os pesquisadores dizem que o estudo pode ajudar a nortear políticas públicas integradas, que visem a diminuir os riscos de desenvolvimento de doenças mentais. ―Esses resultados contribuem para a nossa compreensão do risco ambiental urbano em relação aos transtornos mentais e à saúde em geral. Além disso, eles apontam para uma nova abordagem empírica para integração das ciências sociais, neurológicas e de políticas públicas que possam responder a esse desafio‖. No Brasil, o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelou que, dos 190.732.694 habitantes, 84% vivem em áreas urbanas. Há 10 anos, esse índice

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com valor de adjunto adnominal. O termo ―dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável‖ estabelece com o substantivo ―lançamento‖, cognato de ―lançar‖, uma relação objetiva ou completiva (lançar os Objetivos). Por conseguinte, trata-se de sintagma nominal preposicionado com valor de complemento nominal. Entendeu?

(3) Certo. Observe as estruturas desenvolvidas: ―O texto reafirma os princípios ( que foram) processados durante conferências e cúpulas anteriores e insiste na necessidade de (que acelerem) acelerar os esforços‖. No trecho, há duas orações reduzidas: a primeira é subordinada adjetiva restritiva reduzida de particípio (observe que o pronome relativo ―que‖ ficou logicamente implícito), e a segunda é subordinada substantiva completiva nominal (necessidade de) reduzida de infinitivo (observe que a conjunção integrante ―que‖ também ficou logicamente implícita). Lembre-se de que os conectivos estão implícitos, e os verbos estão registrados, respectivamente, no particípio e no infinitivo.

(4) Errado. O emprego das aspas, em vários momentos do texto, tem a função de destacar trechos retirados do documento oficial. Diz-se, assim, que as aspas indicam a inserção de discurso alheio. Valor plurívoco ou translato das palavras corresponde a valor conotativo, o que não ocorre nos trechos indicados entre aspas.

(5) Errado. O trecho ―A comissão de desenvolvimento sustentável, totalmente ineficaz, é substituída por um fórum intergovernamental de alto nível‖ constitui exemplo de voz pa ssiva analítica. A transposição correta para a voz ativa corresponde a: ―Um fórum intergovernamental de alto nível substitui (e não ―substituiu‖) a comissão de desenvolvimento sustentável, totalmente ineficaz‖.

(6) Errado. Façamos as correções: "Quadro de ação": em 25 páginas, correspondentes a metade do documento, o texto propõe setores onde haja (o verbo ―haver‖ com o sentido de ―existir‖ é impessoal) "novas oportunidades" e onde a ação seja "urgente", notavelmente devido ao fato de as conferências anteriores (sujeito não pode vir preposicionado) terem registrado resultados insuficientes.

(7) Errado. No trecho original, a oração adjetiva reduzida de particípio ―particularmente abordados‖ tem valor restritivo. Na reescritura, com o emprego das entrevírgulas, passa a ter caráter explicativo. Ademais, o emprego do sinal de ponto e vírgula antes da conjunção aditiva ―e‖ desrespeita o paralelismo e o padrão culto da língua.

(8) Errado. Verbo impessoal é aquele que não apresenta sujeito. No trecho ―é extremamente importante reforçar o apoio financeiro de todas as origens ‖, a oração destacada é sujeito do verbo ―é‖. Que é extremamente importante? Reforçar o apoio financeiro de todas as origens. Agora, veja: quem irá ―reforçar‖ o apoio financeiro de todas as origens? Nesse caso, o texto não apresenta referente e, por isso, o sujeito é indeterminado (há sujeito; ele só não foi determinado). Portanto, os verbos ―é‖ (que apresenta sujeito oracional) e ―reforçar‖ (que apresenta sujeito indeterminado) não são impessoais.

(9) Errado. Os verbos transitivos diretos admitirão a voz passiva, a não ser que sejam impessoais (não é o caso). A construção "Os novos parceiros e fontes novas de financiamento podem desempenhar um papel" admite transposição para a voz passiva: ― Um papel pode ser desempenhado pelos novos parceiros e fontes novas de financiamento).

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(10) Certo. No fragmento ―... a cúpula insiste na importância de que se estabeleçam os ODS (Objetivos do desenvolvimento sustentável)‖, a palavra ―que‖ é conjunção integrante que introduz oração subordinada substantiva completiva nominal (completa sintaticamente o substantivo abstrato ―importância‖ e vem preposicionada) e a palavra ―se‖ é partícula apassivadora, que caracteriza voz passiva sintética ou pronominal, já que o verbo ―estabeleçam‖ é transitivo direto e concorda com o sujeito ―os ODS‖. Veja a voz passiva analítica correspondente: ―... que os ODS sejam estabelecidos‖.

(11) Errado. Na linha 2, não só o verbo ―estará‖ pode ser substituído por ―estarão‖ mas também o adjetivo ―aglutinada‖ pode ser substituído por ―aglutinados‖, para concordarem com ―70%‖. Assim, ―70% da população estará aglutinada‖ (concordando com ―população‖) ou ―70% da população estarão aglutinados (concordando com ―70%‖). A estrutura ―70% da população estarão aglutinada‖ f ere o padrão culto da língua.

(12) Errado. No trecho ―Abandonar a tranquilidade do campo, tem seus benefícios.

Shopping centers, melhores oportunidades de emprego, bons hospitais e escolas,

além de atividades sociais intensas são apenas alguns deles‖, deve -se eliminar a vírgula após ―campo‖, porquanto a oração ―Abandonar a tranquilidade do campo‖ é sujeito oracional da forma verbal ―tem‖. Não separe o sujeito do seu verbo. Ademais, faltou vírgula após ―intensas‖, para marcar a interrupção ou intercalação sintática.

(13) Errado. Em ―... até agora, não se tinha ideia de que isso provoca mudanças fisiológicas, que podem ser medidas por exames de imagem‖, a primeira ocorrência da palavra ―que‖ é conjunção integrante que introduz oração subordinada substantiva completiva nominal (completa sintaticamente o substantivo abstrato ―ideia‖. A segunda ocorrência é pronome relativo que não exerce mesma função sintática do termo que ele retoma. A palavra ―que‖, pronome relativo, retoma o antecedente ―mudanças fisiológicas‖, obj eto direto da forma verbal ―provoca‖. Como a palavra ―que‖ substitui ―mudanças fisiológicas‖, ela exerce a função sintática de sujeito da estrutura verbal ―podem ser medidas‖ (voz passiva analítica). Portanto, trata-se de funções sintáticas distintas.

(14) Certo. Solecismo é qualquer erro de estruturação sintática (colocação pronominal, concordância e regência). No trecho ―A pressão a qual os participantes foram submetidos era a mesma‖, omitiu -se o sinal indicativo de crase e desencadeou-se um solecismo (no cas o, erro de regência). A estrutura verbal ―foram submetidas‖ exige a preposição ― a ‖ (submetidas a quê?), que se fundirá com o ― a ‖ do pronome relativo ― a qual‖. Estrutura correta: ―A pressão à qual os participantes foram submetidos era a mesma‖.

(15) Certo. Em ― Outra área cerebral que exibiu um padrão diferente nos moradores dos grandes centros urbanos foi o córtex cingulado anterior, associado às emoções‖, a substituição de ―às‖ por ―a‖ altera as relações semânticas, mas não provoca erro gramatical. Isso porque a retirada do artigo definido feminino plural ―as‖ dá ao substantivo ―emoções‖ um valor genérico (―a quaisquer emoções‖). Fica somente a preposição ―a‖, exigida por ―associado‖ (―associado a emoções‖).

(16) Errado. O trecho ―Nenhum desses fatores influenciou significativamente a atividade cerebral‖ não admite a concordância com ―fatores‖, mas somente com o núcleo do sujeito ―Nenhum‖.

(17) Errado. No trecho ―... eles tinham de resolver problemas de rotação mental, um tipo de experimento que usa imagens para avalia r a cognição‖, a vírgula indica a

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às horas marcadas, saindo a passeio com o doente, sem esquecer nada, nem o serviço da casa, nem a leitura dos jornais, logo que chegava a mala da Corte ou a de Ouro Preto. ─ Tu és bom, Rubião, suspirava Quincas Borba. ─ Grande façanha! Como se você fosse mau!

A opinião ostensiva do médico era que a doença do Quincas Borba iria saindo devagar. Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, perguntou- lhe qual era o verdadeiro estado do amigo. Ouviu que estava perdido, completamente perdido; mas, que o fosse animando. Para que tornar-lhe a morte mais aflitiva pela certeza?... ─ Lá isso, não, atalhou Rubião ─ para ele, morrer é negócio fácil. Nunca leu um livro que ele escreveu, há anos, não sei que negócio de filosofia... ─ Não; mas filosofia é uma cousa, e morrer de verdade é outra; adeus.

Quincas Borba (fragmento/capítulo IV).Obra Completa, de Machado de Assis, vol. I, Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1994.

Com base no texto, julgue os itens seguintes:

(1) Em ―... se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias Póstumas de Brás Cubas‖, a estrutura ―se acaso‖ é equivalente a ―se caso‖ ou ―eventualmente‖, podendo ser substituída por qualquer uma dessas formas, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência textual. (2) O vocábulo ―inopinado‖ (linha 2) pode ser substituído por ―certo‖ ou ―convicto‖, sem alteração do sentido original. (3) O trecho ―Logo que chegou, enamorou -se de uma viúva, senhora de condição mediana e parcos meios de vida, mas tão acanhada que os suspiros no namorado ficavam sem eco‖ pode ser reescrito da seguinte forma, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerê ncia textual: ― Assim que chegou, enamorou-se de uma viúva senhora de condição mediana e modestos meios de vida contudo, tão acanhada que os suspiros no namorado ficavam sem eco ‖. (4) Em ―Um irmão dela, que é o presente Rubião, fez todo o possível para casá - los‖, as vírgulas isolam oração subordinada adjetiva explicativa. (5) Em ―Piedade resistiu, um pleuris a levou‖, o vocábulo ―pleuris‖ foi empregado com valor translato. (6) No trecho ―Foi esse trechozinho de romance que ligou os dois homens‖, a palavra ―que‖ é, morfologicamente, pronome relativo e exerce função sintá tica de sujeito do verbo ―ligou‖. (7) Nos fragmentos ―... tinha -o por homem esquisito ‖ e ―...que o deixou por herdeiro de seus bens ‖, os termos destacados desempenham igual função sintática. (8) No segundo parágrafo, a oração ―que foram a pique‖, com função adjet iva, significa ―que cresceram energicamente‖. (9) O período ―Durou o cargo de enfermeiro mais de cinco meses, perto de seis‖, construído por meio de uma anástrofe, apresenta o sujeito simples posposto ao verbo. (10) Em ―Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médic o até à porta da rua, perguntou- lhe qual era o verdadeiro estado do amigo‖, o acento grave indicador de crase é opcional; o pronome ―lhe‖ exerce função sintática de objeto indireto; e a oração ―qual era o verdadeiro estado do amigo‖ classifica -se em subordinada substantiva objetiva direta.

TEXTO II

Leia o texto a seguir para responder aos itens de 11 a 20.

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Com um programa precoce de distribuição gratuita de medicamentos e o enfrentamento frontal das poderosas companhias farmacêuticas multinacionais, o Brasil se tornou o grande modelo de luta contra a Aids na América Latina e no mundo em desenvolvimento, nos 30 anos de descoberta da doença. "Quando nenhum país havia tomado esta decisão, o Brasil se tornou, em 1996, o primeiro país em desenvolvimento a oferecer a terapia pública e para todas as pessoas" infectadas, disse à AFP o coordenador no Brasil do programa OnuAids, Pedro Chequer. "A expectativa de vida antes da introdução da terapia era de 5,8 meses; com a terapia, passou a 58 meses e hoje temos muitas pessoas que estão há mais de 20 anos convivendo com o HIV", disse à AFP Eduardo Barbosa, diretor adjunto do programa brasileiro contra a Aids, que acaba de completar 25 anos. O Brasil assumiu um papel preponderante no enfrentamento dos laboratórios internacionais para baratear os preços dos medicamentos antiAids nos países em desenvolvimento. "Entre o nosso comércio e a nossa saúde, nós cuidaremos da nossa saúde", afirmou em 2007 o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao confirmar a primeira quebra de patente brasileira do remédio antiAids Efavirenz, do laboratório Merk. Esta batalha começou em 2001, quando o então ministro da Saúde, o social- democrata José Serra, ameaçou quebrar as patentes dos laboratórios. Após um embate com os Estados Unidos, que ameaçaram levar o Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC), o gigante latino-americano conseguiu uma substancial redução de preços. O Brasil produz hoje 10 dos 20 medicamentos de tratamento antiAids, que também distribui a países da África e da América Latina, como Bolívia, Paraguai, Nicarágua e Equador. Em 2008, montou uma fábrica de antirretrovirais em Moçambique. "O modelo brasileiro virou referência porque muito precocemente adotou uma ação integrada de prevenção e tratamento, sem se deixar influenciar pela Igreja ou pela norma moral", disse o coordenador da OnuAids. País com mais católicos no mundo, o Brasil distribui gratuitamente meio milhão de preservativos ao ano. Sua famosa campanha, "Sem camisinha não tem carnaval", completou 13 anos. Estima-se que 630 mil pessoas vivam com HIV no Brasil e 210.000 recebem tratamento do Estado. Estima-se que mais de 250.000 não tenham sido diagnosticadas porque nunca se submeteram a um teste, um enorme desafio para o País. Na região, vários países fizeram avanços cedo na luta contra a Aids, como Uruguai, Argentina, Costa Rica e Cuba, e a América Latina conseguiu, de longe, evitar que a epidemia chegasse aos níveis catastróficos da África. No entanto, em alguns países, como em boa parte da América Central, "a luta atrasou muito" em virtude da prevalência do conservadorismo e da forte dominação da Igreja, explicou Chequer. A América Latina tem hoje 1,6 milhões de soropositivos e 800 mil deles não têm acesso a tratamentos médicos, segundo dados da OnuAids. "A América Latina promoveu o acesso universal à prevenção, ao tratamento e à atenção, mas ainda há obstáculos para alcançar as metas estabelecidas", afirmou o diretor regional da OnuAids, César Antonio Núñez. Atualmente, 33,3 milhões de pessoas vivem com HIV no mundo, do qual 22, milhões estão na África, segundo o programa da ONU. As organizações Act Up e Aides estimam que 70% dos doentes do planeta não tenham acesso aos medicamentos antirretrovirais. Mais de 60 milhões de pessoas foram contaminadas pelo vírus da Aids, desde a sua descoberta há trinta anos, em 5 de junho de 1981. (Correio Braziliense, com adaptações.)

Julgue os itens a seguir.

(11) No trecho ―Com um programa precoce de distribuição gratuita de medicamentos e o enfrentamento frontal das poderosas companhias farmacêuticas multinacionais, o Brasil se tornou o grande modelo de luta contra a Aids na América Latina e no

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(7) Certo. Nos fragmentos ―... tinha -o por homem esquisito ‖ e ―...que o deixou por herdeiro de seus bens ‖, os termos destacados desempenham igual função sintática: são predicativos do objeto direto, representado, nos dois casos, pelo pronome ―o‖. Observe, também, que a prepos ição ―por‖ tem valor de ―como‖. (8) Errado. No segundo parágrafo, a oração ―que foram a pique‖, com função adjetiva, significa ―que se afundaram, se arruinaram‖. (9) Certo. O período ―Durou o cargo de enfermeiro mais de cinco meses, perto de seis‖, construí do por meio de uma anástrofe, apresenta o sujeito simples posposto ao verbo. Vejamos a ordem direta: ―O cargo de enfermeiro durou mais de cinco meses, perto de seis‖. (10)Certo. Em ―Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, perguntou-lh e qual era o verdadeiro estado do amigo‖, o acento grave indicador de

crase éopcional (até a) ; o pronome ―lhe‖ exerce função sintática de objeto indireto

(o verbo ―perguntar‖ é transitivo direto e indireto) ; e a oração ―qual era o verdadeiro estado do am igo‖ classifica -se em subordinada substantiva objetiva direta. (11)Certo. No trecho ―Com um programa precoce de distribuição gratuita de medicamentos (distribuir medicamentos/relação completiva) e o enfrentamento frontal das poderosas companhias farmacêuticas multinacionais (enfrentar as poderosas companhias farmacêuticas multinacionais/ relação completiva), o Brasil se tornou o grande modelo de luta contra a Aids (lutar contra a Aids/relação completiva) na América Latina e no mundo em desenvolvimento, nos 30 anos de descoberta da doença‖, os termos destacados exercem igual função sintática: são

complementos nominais , respectivamente, de ―distribuição‖, ―enfrentamento‖ e

―luta‖ (substantivos abstratos). (12)Errado. Na linha 4 do texto, o verbo ―havia‖ é pessoal, pois apresenta sujeito: ―... nenhum país (sujeito) havia tomado ( = tinha tomado) esta decisão‖. (13)Errado. Em ―... o Brasil se tornou o grande modelo de luta contra a Aids‖ e ―Estima - se que 630 mil pessoas vivam com HIV no Brasil‖, as ocorrências do vocábulo ―se‖ não têm a mesma função na estrutura sintática. Em ―se tornou‖, a palavra ―se‖ é parte integrante do verbo de ligação ―tornar - se‖. Em ―Estima - se‖, a palavra ―se‖ funciona como partícula apassivadora, já que o verbo ―Estimar‖ é transitivo direto. (14)Certo. No quarto e no quinto parágrafo, respectivamente, os termos ―o social - democrata José Serra‖ e "Sem camisinha não tem carnaval" estão entre vírgulas em virtude da mesma justificativa: são apostos explicativos que reiteram ou reforçam o termo antecedente. (15)Certo. Em "O modelo brasileiro virou referência porque muito precocemente adotou uma ação integrada de prevenção e tratamento, sem se deixar influenciar pela Igreja ou pela norma moral", a palavra ―se‖ indica reflexivização do verbo ―deixar‖ (causativo) e é sujeito acusativo da forma infinitiva (― influenciar ‖). Lembre - se de que o sujeito acusativo só aparecerá nas estruturas formadas por verbos causativos (mandar, fazer, deixar) ou sensitivos (ver, ouvir, sentir) seguidos de infinitivo. Um gesto positivo, por favor! (16)Errado. Reescritura correta: ―A América Latina tem hoje 1,6 milhão de soropositivos, e 800 mil deles não têm acesso a tratamentos médicos, segundo dados da OnuAids‖. (17)Errado. No penúltimo parágrafo, o verbo ―há‖ pode ser substituído por ― existem (obstáculos) ‖, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência textual. (18)Errado. Observe a voz ativa: ―O vírus da Aids contaminou mais de 60 milhões de pessoas‖. (19)Errado. Reescritura correta: ―Atualmente, 33,3 milhões de pessoas vivem com HIV

no mundo, dos quais (= desses 33,3 milhões) 22,5 milhões estão na África, segundo

o programa da ONU‖.

(20)Errado. No trecho ―... o Brasil distribui (v.t.d) gratuitamente meio milhão de

preservativos (objeto direto) ao ano (adjunto adverbial de tempo)‖, o verbo

―distribuir‖ classifica - se, quanto à regência, apenas como transitivo direto.

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PROVA 3

TEXTO I

Leia os fragmentos abaixo transcritos, extraídos de contos do livro Felicidade

clandestina, de Clarice Lispector, para responder às questões de 1 a 10.

―(...) As palavras me antecedem e ultrapassam, elas me tentam e me modificam, e se não

tomo cuidado será tarde demais: as coisas serão ditas sem eu as ter dito. Ou, pelo menos,

não era apenas isso. Meu enleio vem de que um tapete é feito de tantos fios que posso me

resignar a seguir um fio só; meu enredamento vem de que uma história é feita de muitas

histórias. (...)‖

(de ―Os desastres de Sofia‖)

(...) Na verdade era uma vida de sonho. Às vezes, quando falavam de alguém excêntrico,

diziam com a benevolência que uma classe tem por outra: ―Ah, esse leva uma vida de

poeta‖. Pode - se talvez dizer, aproveitando as poucas palavras que se conheceram do

casal, pode-se dizer que ambos levavam, menos a extravagância, uma vida de mau poeta:

vida de sonho. Não, não era verdade. Não era uma vida de sonho, pois este jamais os

orientara. Mas de irrealidade. (...)‖

(de ―Os obedientes‖)

Com base nos fragmentos acima transcritos, extraídos de contos do livro

Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector, considere as seguintes afirmativas:

(1) Os fragmentos de texto acima, eminentemente descritivos, priorizam a abordagem da vida interior, própria ou alheia, revelando sutis alternâncias de percepção da realidade. (2) A função metalinguística da linguagem está presente no primeiro fragmento. (3) No último período do primeiro fragmento, Clarice Lispector, por meio da relação de causa e consequência, evidencia alguns elementos que compõem o enredo de suas narrativas.

(4) O trecho ― Na verdade era uma vida de sonho. Às vezes, quando falavam de alguém

excêntrico , diziam com a benevolência que uma classe tem por outra (...)‖ admite a

seguinte reescritura, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência

textual: ― Na verdade, era uma vida onírica. Às vezes, quando falavam de alguém

singular, diziam, com a benevolência, que uma classe tem por outra(...)‖.

(5) Em ― as coisas serão ditas sem eu as ter dito‖ , tanto a oração principal quanto a

oração subordinada adverbial reduzida de infinitivo apresentam estrutura verbal na voz passiva analítica.

(6) Em ― pode-se dizer que ambos levavam, menos a extravagância, uma vida de mau

poeta‖, o verbo auxiliar da locução verbal, ―pode‖, está no singular porque o sujeito

é genérico ou indeterminado.

(7) No fragmento ― Não era uma vida de sonho, pois este jamais os orientara‖ , o

pronom e ―este‖ tem função dêitica.

(8) Em ― diziam com a benevolência que uma classe tem por outra‖, a palavra ―que‖

exerce função sintática de objeto direto.

(9) No fragmento ― pode-se dizer que ambos levavam, menos a extravagância, uma vida

de mau poeta: vida de sonho. Não, não era verdade. Não era uma vida de sonho,

pois este jamais os orientara‖, os sintagmas nominais destacados desempenham

igual função sintática.

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pré-história já havia os monstros apocalípticos; se esta história não existe, passará

a existir; pensar é um ato‖.

(18) Em ― Os dois juntos – sou eu que escrevo o que estou escrevendo.‖, os vocábulos

destacados correspondem, respectivamente, a uma partícula expletiva e a um pronome relativo com função sintática de complemento verbal direto.

(19) No t recho ― Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam

por aí aos montes‖, as orações destacadas são adjetivas explicativas,

respectivamente, reduzida de particípio e desenvolvida.

(20) Em ― Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever‖,

os sintagmas nominais destacados desempenham igual função sintática.

RESPOSTAS COMENTADAS

(1) Errado. Os fragmentos de texto acima, eminentemente narrativos, tratam da vida interior, própria ou alheia, revelando sutis alternâncias de percepção da realidade. (2) Errado. A função emotiva ou expressiva da linguagem está presente no primeiro fragmento. Observe o uso da primeira pessoa do singular: ―me‖, ―tomo‖, ―eu‖, ―enleio‖, ―posso‖, ―meu‖. (3) Certo. No último período do primeiro fragmento, Clarice Lispector, por meio da relação de causa e consequência, evidencia alguns elementos que compõem o

enredo de suas narrativas. Observe: ― Meu enleio vem de que um tapete é feito de

tantos fios (= causa) que (= conjunção subordinativa consecutiva) posso me

resignar a seguir um fio só (= consequência) ; meu enredamento vem de que uma

história é feita de muitas histórias. Entendeu?

(4) Errado. O trecho ― Na verdade era uma vida de sonho. Às vezes, quando falavam de

alguém excêntrico, diziam com a benevolência que (= pronome relativo/a qual)

uma classe tem por outra (...)‖ não admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para

a correção gramatical e para a coerência textual: ― Na verdade, era uma vida

onírica. Às vezes, quando falavam de alguém singular, diziam, com a benevolência,

que (= conjunção integrante) uma classe tem por outra(...)‖. A mudança de função

gramatical do vocábulo ―que‖ tornou a reescritura incoerente.

(5) Errado. Em ― as coisas serão ditas (voz passiva analítica)/ sem eu as (objeto direto)

ter dito (v.t.d.) (voz ativa) ‖. Lembre-se de que o objeto direto somente existirá na

voz ativa.

(6) Errado. Em ― pode-se (partícula apassivadora) dizer (v.t.d) que ambos levavam,

menos a extravagância, uma vida de mau poeta‖, o verbo auxiliar da locução

verbal, ―pode‖, está no singular porque o sujeito é oracional. Lembre - se de que a

partícula apassivadora transforma a oração ― que ambos levavam, menos a

extravagância, uma vida de mau poeta‖ em oração subordinada substantiva

subjetiva. Assim, ―que ambos levavam, men os a extravagância, uma vida de mau

poeta pode ser dito‖.

(7) Errado. No fragmento ― Não era uma vida de sonho, pois este jamais os orientara‖ , o

pronome ―este‖ tem função anafórica e endofórica, cujo objetivo é retomar o termo sintático próximo ―sonho‖.

(8) Certo. Em ― diziam com a benevolência que uma classe tem por outra‖ , a palavra

―que‖ exerce função sintática de objeto direto. Observe que o pronome relativo ―que‖ retoma o antecedente ―a benevolência‖. Assim, ―a benevolência uma classe tem por outra‖. Coloque, agora, na ordem direta: ―uma classe tem (v.t.d) a benevolência (objeto direto) por outra‖.

(9) Errado No fragmento ― pode-se dizer que ambos levavam (v.t.d), menos a

extravagância, uma vida de mau poeta: vida de sonho (objeto direto ). Não, não era

verdade. (Ela) Não era (verbo de ligação) uma vida de sonho (predicativo do

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sujeito ) , pois este jamais os orientara‖, os sintagmas nominais destacados não

desempenham igual função sintática.

(10)Certo. O período ― Meu enleio vem (v.t.i) de que um tapete é feito de tantos fios‖ é

composto por subordinação, e a segunda oração classifica-se em subordinada substantiva objetiva indireta desenvolvida, já que a conjunção integrante ―que‖ está explícita. (11)Errado. No fragmento acima, nota-se que o narrador participa, ao empregar a primeira pessoa do singular (―eu‖), dos acontecimentos que narra, sem uma ótica distante e indiferente aos fatos e às personagens, uma vez que existem inúmeros traços de subjetividade. (12)Certo. Infere-se da leitura do fragmento acima que o narrador revela-se um sujeito

que reflete sobre questões existenciais (― Enquanto eu tiver perguntas e não houver

resposta continuarei a escrever‖) e sobre a construção do discurso (― Como

que estou escrevendo na hora mesma em que sou lido. Só não inicio pelo fim que

justificaria o começo – como a morte parece dizer sobre a vida – porque preciso

registrar os fatos antecedentes.‖).

(13)Errado. No fragmento ― Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história

e havia o nunca e havia o sim ‖, destacaram-se substantivos, pelo processo de

derivação imprópria. Observe o artigo a acompanhar os substantivos: o nunca/ o sim..

(14)Errado. Em ― Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou‖, os vocábulos

destacados são, respectivamente, pronome indefinido interrogativo ao final da frase interrogativa indireta (por isso, o acento circunflexo) e conjunção integrante. Ressalte- se que a forma ―o‖ antes de ―quê‖ é apenas um apoio fonético que pode ser eliminado. Observe: ―O que você fez?‖ ou ―Que você fez?‖.

(15)Errado. O trecho ― Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de

acontecer?‖ admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para a correção

gramatical e para a coerência textual: ― Como se começar pelo início, caso as

coisas aconteçam antes de acontecerem?‖.

(16)Certo. Em rigor, na linha 4, uma vírgula deveria ser registrada após ―resposta‖, sem prejuízo para a correção gramatical do texto. Trata-se de oração subordinada adverbial temporal deslocada para o início do período.

(17)Errado. O trecho ― Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de

acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se

esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato‖ não admite a seguinte

reescritura, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência textual, alterando-se os sinais de pontuação e fazendo-se os devidos ajustes de iniciais

minúsculas: ― Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de

acontecer; se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos; se esta

histór ia não existe, passará a existir; pensar é um ato‖. Na reescritura,

misturaram-se perguntas e afirmações, o que torna o texto incoerente e gramaticalmente incorreto.

(18)Certo. Em ― Os dois juntos – sou (=expletivo) euque (= expletivo) escrevo o(= aquilo)

que (= o qual) estou escrevendo ‖ ( eu escrevo o que estou escrevendo), os

vocábulos destacados correspondem, respectivamente, a uma partícula expletiva e a um pronome relativo com função sintática de complemento verbal direto. Veja a ordem direta: ―Eu estou e screvendo (v.t.d) aquilo (objeto direto). O pronome relativo ―que‖ está no lugar de ―aquilo‖; substitui, portanto, o objeto direto.

(19)Errado. No trecho ― Nunca vi palavra mais doida, (que foi) inventada pelas

nordestinas que andam por aí aos montes ‖, a primeira oração destacada é adjetiva

explicativa reduzida de particípio (veja que o pronome relativo ficou implícito e está precedido de vírgula), mas a segunda oração, introduzida pelo pronome relativo explícito ―que‖ (não precedido de vírgula) é adjetiva rest ritiva desenvolvida.

(20)Certo. Em ― Enquanto eu tiver (v.t.d.) perguntas (objeto direto) e não houver (v.t.d)

resposta (objeto direto) continuarei a escrever‖, os sintagmas nominais

destacados desempenham igual função sintática: objeto direto.

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(5) Em ―Tinha emagrecido, o p elo caíra- lhe em vários pontos...‖, o pronome ―lhe‖, com valor de posse, tem função anafórica e apresenta como referente o sintagma nominal ―A cachorra Baleia‖ (linha 1). (6) O vocábulo ―onde‖ (linha 2), pronome relativo, pode ser substituído por ―em que‖ ou ―no qual‖ e introduz oração subordinada adjetiva explicativa. (7) O verbo ―imaginara‖ (linha 3) pode ser substituído por ―havia imaginado‖, sem prejuízo para a correção gramatical e para o sentido original do texto. (8) Em ―...roçava -se nas estacas do curral ou metia- se no mato...‖, os verbos estão registrados no singular porque o sujeito é genérico ou indeterminado. (9) Nos trechos ―Sinha Vitória fechou -se na camarinha, rebocando os meninos assustados, que adivinhavam desgraça e não se cansavam de repetir a mesma pergunta: — Vão bulir com a Baleia?‖ e ―Ela também tinha o coração pesado, mas resignava-se: naturalmente a decisão de Fabiano era necessária e justa. Pobre da Baleia‖, há , respectivamente, registro do discurso direto e do discurso indireto livre. (10) Em ―Mas c ompreendia que estava sendo severa demais, achava difícil Baleia endoidecer‖, os adjetivos destaca dos exercem função predicativa, respectivamente, do sujeito e do objeto.

TEXTO II

Os meninos sumiam-se numa curva do caminho. Fabiano adiantou-se para alcançá- los. Era preciso aproveitar a disposição deles, deixar que andassem à vontade. Sinha Vitória acompanhou o marido, chegou-se aos filhos. Dobrando o cotovelo da estrada, Fabiano sentia distanciar-se um pouco dos lugares onde tinha vivido alguns anos; o patrão, o soldado amarelo e a cachorra Baleia esmoreceram no seu espírito.

E a conversa recomeçou. Agora Fabiano estava meio otimista. Endireitou o saco da comida, examinou o rosto carnudo e as pernas grossas da mulher. Bem. Desejou fumar. Como segurava a boca do saco e a coronha da espingarda, não pôde realizar o desejo. Temeu arriar, não prosseguir na caminhada. Continuou a tagarelar, agitando a cabeça para afugentar uma nuvem que, vista de perto, escondia o patrão, o soldado amarelo e a cachorra Baleia. Os pés calosos, duros como cascos, metidos em alpercatas novas, caminhariam meses. Ou não caminhariam? Sinha Vitória achou que sim. [...] Por que haveriam de ser sempre desgraçados, fugindo no mato como bichos? Com certeza existiam no mundo coisas extraordinárias. Podiam viver escondidos, como bichos? Fabiano respondeu que não podiam.

–– O mundo é grande.

Realmente para eles era bem pequeno, mas afirmavam que era grande –– e marchavam, meio confiados, meio inquietos. Olharam os meninos que olhavam os montes distantes, onde havia seres misteriosos. Em que estariam pensando? zumbiu sinha Vitória. Fabiano estranhou a pergunta e rosnou uma objeção. Menino é bicho miúdo, não pensa. Mas sinha Vitória renovou a pergunta –– e a certeza do marido abalou-se. Ela devia ter razão. Tinha sempre razão. Agora desejava saber que iriam fazer os filhos quando crescessem.

–– Vaquejar, opinou Fabiano.

Sinha Vitória, com uma careta enjoada, balançou a cabeça negativamente, arriscando-se a derrubar o baú de folha. Nossa Senhora os livrasse de semelhante desgraça. Vaquejar, que ideia! Chegariam a uma terra distante, esqueceriam a catinga onde havia montes baixos, cascalhos, rios secos, espinhos, urubus, bichos morrendo, gente morrendo. Não voltariam nunca mais, resistiriam à saudade que ataca os sertanejos na mata. Então eles

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eram bois para morrer tristes por falta de espinhos? Fixar-se-iam muito longe, adotariam costumes diferentes.

RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. 71. ed. Rio de Janeiro: Record, 1998. p. 120-122.

No que diz respeito às ideias e às estruturas linguísticas do texto, julgue os itens a seguir.

(11) Infere-se do texto que Fabiano considera necessária a imersão das crianças no mundo convencional para apreendê-lo e, assim, libertá-las das condições socioculturais vividas.

(12) Na linha 1, as duas ocorrências do vocábulo ―se‖ têm função expletiva.

(13) O trecho ― Dobrando o cotovelo da estrada, Fabiano sentia distanciar-se um pouco dos lugares onde tinha vivido alguns anos; o patrão, o soldado amarelo e a cachorra Baleia esmoreceram no seu espírito ‖ admite a seguinte reescritura no tocante à pontuação, sem prejuízo para a correção gramatical e para o sentido original: ― Dobrando o cotovelo da estrada Fabiano sentia distanciar-se um pouco dos lugares onde tinha vivido alguns anos: o patrão, o soldado amarelo e a cachorra Baleia, esmoreceram no seu espírito ‖.

(14) Em ―Como segurava a boca do saco e a coronha da espingarda, não pôde realizar o desejo‖, estabelece -se relação de causa e conseqüência.

(15) No fragmento ― Os pés calosos, duros como cascos, metidos em alpercatas novas, caminhariam meses. Ou não caminhariam? Sinha Vitória achou que sim‖, o vocábulo ―sim‖ tem função vicária.

(16) Em ―Por que haveriam de ser sempre desgraçados, fugindo no mato como bichos? Com certeza existiam no mundo coisas extraordinárias‖, os verbos destacados podem ser substituídos, respectivamente, por teria e havia, sem prejuízo para a correção gramatical do texto.

(17) No quarto parágrafo, as ocorrências da palavra ―que‖ exercem, respectiv amente, as seguintes funções morfológicas: conjunção integrante, pronome relativo, pronome indefinido interrogativo e pronome indefinido interrogativo.

(18) Em ―Sinha Vitória, com uma careta enjoada, balançou a cabeça negativamente‖, as vírgulas isolam aposto de caráter explicativo.

(19) O acento indicativo de crase em ―Não voltariam nunca mais, resistiriam à saudade que ataca os sertanejos na mata‖ pode ser eliminado e o elemento que fica é a preposição necessária à regência do verbo ―resistiam‖.

(20) N o último período do texto, a estrutura ―Fixar -se- iam‖ pode ser substituída por ―Fixariam - se‖, sem prejuízo para a correção gramatical do texto.

RESPOSTAS COMENTADAS

(1) Certo. De fato, primeiro e o segundo parágrafos contêm argumentos que justificam a decisão a ser tomada em relação a Baleia. Observe que, no início, do segundo parágrafo, o elemento relacionador ―Por isso‖ (= Por causa disso) estabelece