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9. Gálatas (Moody)
Tipologia: Notas de estudo
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Introdução Esboço Capítulo 1 Capítulo 3 Capítulo 5 Capítulo 2 Capítulo 4 Capítulo 6
INTRODUÇÃO
A Ocasião. As igrejas gálatas nasceram como resultado do trabalho missionário de Paulo. Por isso o apóstolo ficou muito preocupado espiritualmente quando ficou sabendo que agitadores cristãos judeus tinham circulado entre os convertidos gentios, procurando lhes impor a circuncisão e as responsabilidades da lei mosaica como necessárias à salvação (Gl. 1:7; 4:17; 5:10). Escrevendo sob grande pressão (o que se deduz por causa da omissão da costumeira ação de graças), ele enfrentou o assunto diretamente, e assim, na epístola aos gálatas, deu à Igreja uma vigorosa polêmica contra o erro judaizante. Destinatários da Carta. Estas igrejas eram suficientemente achegadas umas às outras e bastante parecidas para que recebessem a carta como um só grupo. Em 3:1 Paulo chama seus leitores de "gálatas". No meio do primeiro século cristão o termo Galácia tinha mais de um significado. 1) Indicava a área ao centro-norte da Ásia Menor onde os gauleses se estabeleceram depois de emigrarem da Europa ocidental. Os principais centros eram Pessinus, Ancyra e Tavium. 2) Também indicava a província romana da Galácia. Esta, os romanos estabeleceram em 25 A.C. acrescentando à Galácia do norte um território do sul. Esta última incluía as cidades de Antioquia, Icônio, Listra e Derbe, que foram visitadas pelo apóstolo em sua primeira viagem missionária. É muito difícil que a epístola tenha sido endereçada aos cristãos de ambas, Galácia do Norte e Galácia do Sul (cons. 4:14).
O debate quanto ao destino desta epístola não tem fim, e jamais poderá ser resolvido. Lightfoot esposou a teoria da Galácia do Norte. A maior parte dos comentadores germânicos continuaram mantendo esta posição (por exemplo, Schlatter, Lietzmann, Schlier), embora alguns tenham permanecido neutros. Sir William Ramsay argumentou fortemente pela posição da Galácia do Sul, a qual ganhou muitos adeptos entre os mestres de língua inglesa. Ela tem a vantagem, se for o ponto de vista certo, de nos fornecer informações sobre o estabelecimento dessas igrejas (Atos 13; 14). Por outro lado, Lucas usa o termo "Galácia" (lit., região galática ) só quando descreve o progresso dos missionários além do território da Galácia do Sul (Atos 16:6; cons. 18:23). Entretanto, a circunstância dele não mencionar igrejas no território da Galácia do Norte, mas apenas discípulos , favorece a teoria da Galácia do Sul (Veja Atos 18:23). Data e Lugar. Com base na teoria da Galácia do Sul, pode-se concluir que a epístola foi escrita antes do concílio apostólico descrito em Atos 15 (quando foi feito um pronunciamento oficial referente ao relacionamento dos gentios com a Lei). Uma vez que Paulo e Barnabé visitaram as igrejas duas vezes nesta primeira viagem, os requisitos de Gl. 4:13 podem ser considerados atendidos (ali, primeiro se refere à primeira das duas visitas), embora não possamos ter certeza nenhuma que o próprio Paulo considerasse esse retomo como uma segunda visita. Muitos acham que quando Paulo narra uma reunião com certos apóstolos no capítulo 2, pode não estar se referindo ao concílio apostólico, uma vez que deixou de mencionar o decreto que ali foi redigido, que teria sido altamente vantajoso para a defesa do seu argumento na epístola. Este argumento não é decisivo, uma vez que o propósito do decreto não foi o de estabelecer termos sobre os quais os gentios pudessem ser admitidos à Igreja, mas antes, para facilitar o relacionamento entre esses convertidos gentios e aqueles que eram de origem judia. Portanto o decreto não se relacionava diretamente com a argumentação da carta.
No século dezenove F.C. Baur transformou este livro no pivô de sua teoria que dizia que a controvérsia legalística foi tão grave que chegou a abalar os fundamentos da igreja primitiva. De acordo com ele, afetou toda a literatura do Novo Testamento positiva ou negativamente, conforme os homens escreviam no interesse de um ou de outro ponto de vista, ou quando tentavam ocultar o fato da divergência entre a lei e a graça como meio de salvação. Uma vez que Gálatas exibe esta controvérsia de maneira inequívoca, sua autenticidade deve ser admitida. Este veredito permaneceu virtualmente imutável desde os dias de Baur.
ESBOÇO
I. Introdução. 1:1-9. A. Saudação. 1:1-5. B. O tema da epístola. 1:6-9. II. O apostolado de Paulo defendido. 1:10 - 2:21. A. Um apostolado especial confirmado. 1:10-17. B. Falta de contato precoce com os apóstolos em Jerusalém. 1:18-24. C. Ausência de contato posterior para inquirir seu apostolado ou acrescentar algo ao seu evangelho. 2:1-10. D. Sua autoridade independente vindicada no encontro com Pedro em Antioquia. 2:11-21. III. O evangelho de Paulo exposto. 3:1 – 4:31. A. O argumento da experiência (dos gaiatas). 3:1-5. B. O argumento das Escrituras (o caso de Abraão). 3:6-9. C. O argumento da Lei. 3:10 – 4:11.
COMENTÁRIO
I. Introdução. 1:1-9.
A. Saudação. 1:1-5. A estrutura convencional da arte de escrever cartas foi aqui utilizada, mas acima do vulgar, pois o autor era um apóstolo com autoridade recebida da Deidade, e ele se dirigia àqueles que pela graça foram libertos deste século presente. Eles, também, não eram homens comuns, pois eram cristãos.
1. Apóstolo. O significado de enviado não será suficiente aqui. Todos os crentes têm tal encargo. Paulo prossegue defendendo sua autoridade especial de mestre cristão, organizador de igrejas, disciplinador e retificador de falsas doutrinas. Não da parte de homens, nem por intermédio de homem algum. O não negativo estabelece o
B. O Tema da Epístola. 1:6-9. Em vez de dar graças a Deus por seus leitores, Paulo expressa seu espanto diante da deserção deles. Não enuncia nenhuma bênção, mas em lugar disso prefere com veemência um anátema de advertência.
6. Estejais passando. Eles mudaram de posição, negando assim os próprios termos da vocação divina para a filiação, a qual é na graça de Cristo. Tão depressa. Provavelmente não uma referência à conversão recente, pois os convertidos há pouco tempo são os mais propensos a serem influenciados por falsas doutrinas. Se isto for interpretado temporariamente, significa tão logo depois que os falsos mestres começaram a sua obra, ou tão logo após o apóstolo deixar os gálatas. Talvez esteja-se falando aqui da maneira – tão prontamente , com tal submissão e sem resistência. O afastamento ainda estava se processando, e portanto não tinha se completado. Havia ainda esperanças de inverter a maré. Mas a seriedade da deserção está indicada. Estavam se afastando de Deus, que os chamou à graça, para um outro , isto é, um evangelho diferente. Paulo usa evangelho a título de concessão. Na verdade não há um outro, um segundo evangelho que alguém possa escolher e ainda manter a mensagem divina da salvação eterna. 7. Enquanto a responsabilidade da deserção pertencia aos gaiatas ( estejais passando ), a explicação para isso encontra-se em outra parte, naqueles que os perturbavam (cons. Atos 15:24), isto é, os mestres judaizantes que desejavam perverter o Evangelho mudando-o em algo bem diferente. Mas não lhes pertencia para que o alterassem, pois era o evangelho de Cristo. O privilégio de proclamá-lo não inclui o direito de mudá-lo. 8. Mas, diz Paulo, ainda que nós (o plural editorial aqui se refere a Paulo, o menos provável na terra de mudá-lo, por causa das circunstâncias de sua chamada) ou um anjo vindo do céu (que ainda menos provavelmente alteraria qualquer mensagem divina; cons. Mt. 6:10), proclamasse ser o Evangelho algo contrário à palavra entregue por
nós na Galácia, devia se tornar anátema , amaldiçoado por Deus (cons. I Co. 16:22).
9. Paulo já pronunciara essa advertência quando estivera entre as igrejas da Galácia. Nesta carta ele o faz de novo. Ele era um zeloso guardião da dureza do Evangelho. Ao reiterar sua forte declaração, o apóstolo muda do modo subjuntivo da possibilidade para o modo indicativo da realidade - se algum homem está pregando um evangelho diferente (como os judaizantes estão), que seja anátema.
II. A Defesa do Apostolado de Paulo. 1:10 - 2:21.
A. Um Apostolado Especial Confirmado. 1:10-17.
10. Uma vez que o apóstolo falara tão asperamente, ele sentiu que devia esclarecer agora que não buscava persuadir os homens no sentido de conciliá-los ou buscando o favor deles. Ele se preocupava, antes, em estar agradando a Deus. Agradar os homens ajustando a mensagem aos desejos deles é atitude inconsistente para o servo de Cristo. 11. Na qualidade de servo de Cristo, a apóstolo só podia proclamar a mensagem do Evangelho. Embora ele a pregasse, não lhe dera origem, nem qualquer outro homem. 12. Uma vez que Paulo penetrara tardiamente nas fileiras apostólicas, os homens poderiam supor que ele recebera o Evangelho dos seus predecessores ou que o aprendera através de um curso de instrução. Não era assim. Ele o recebera por revelação de Jesus Cristo. Esta era a mais alta autoridade. Como, então, poderia a sua mensagem ser questionada? 13. Nada menos que uma direta intervenção na vida de Paulo foi necessária para abrir o seu coração à verdade do Evangelho. Seu modo de vida pré-cristão era bem conhecido. A palavra proceder (gr. anastrofê ) significa "padrão de vida". Tudo no Judaísmo era determinado. Qualquer um que estivesse familiarizado com o Farisaísmo poderia predizer qual seria o curso da vida de Saulo. Mas no seu caso
humanidade, com ênfase especial sobre a fraqueza e insuficiência) quer localmente, em Damasco, quer em Jerusalém, o centro da vida eclesiástica, onde os apóstolos tinham o seu quartel-general. Se Paulo não tivesse certeza quanto à sua mensagem, uma viagem a um desses centros teria sido natural e necessária. Mas ele era um apóstolo tão verdadeiro quanto os Doze, inteiramente de posse da verdade do Evangelho recebido do próprio Senhor. O apóstolo menciona a Arábia não como um lugar de pregação, porque, ainda que a pregação fosse o motivo da chamada, não é o assunto que ele está considerando a esta altura. Paulo está discutindo a fonte do seu Evangelho. Ele menciona a Arábia em contraste com Jerusalém. Nenhum apóstolo se encontrava ali. Ali não havia ninguém que pudesse informá-lo sobre o Senhor e Sua obra salvadora. É provável que o recém-convertido viajasse para a Arábia a fim de ficar a sós com Deus, a fim de pensar bem sobre as implicações do Evangelho. Não há nenhuma necessidade de se supor que cada aspecto da verdade aparecesse como um raio em sua mente no momento de sua conversão. Da Arábia Paulo retornou a Damasco. Esta referência acidental confirma a informação obtida em Atos 9:3, que a conversão aconteceu perto dessa cidade.
B. Falta de Contato Anterior com os Apóstolos em Jerusalém. 1:18-24. Para se dizer a verdade, não foi uma ausência completa, como Paulo francamente admite, mas os contatos foram breves, pessoais e quase acidentais.
18. Quanto desses três anos pertencem à Arábia e quantos a Damasco não sabemos, mas o intervalo fortalece a alegação de Paulo. Se ele não tivesse recebido o Evangelho em sua conversão, não leda esperado tanto tempo para ser informado sobre ele. Para avistar-me com Cefas. O verbo avistar (no grego) está em contraste deliberado com consultei (1:16), pois este último dá a entender
uma consulta com a intenção de ser esclarecido sobre algum assunto, enquanto que aquele se refere a travar conhecimento com uma pessoa ou coisa. Às vezes tem sido usado em relação à urna excursão para ver os pontos turísticos de uma localidade. A visita foi breve (quinze dias).
19. Paulo não se avistou com outro apóstolo além de Tiago, o irmão do Senhor. Este é o Tiago que se tomou o líder da igreja de Jerusalém (cons. Atos 12:17). 20. O apóstolo declara-se desejoso de jurar que está dizendo a verdade. Nenhum judeu teria coragem de fazê-lo se estivesse para dizer uma mentira, pois seria o equivalente a convidar Deus a derramar a Sua ira sobre ele. A profunda solenidade das declarações de Paulo é a medida da desconfiança que os judaizantes semearam nos corações dos seus convertidos. 21. O próximo passo de Paulo, levado pela oposição à sua pregação em Jerusalém (Atos 9:29, 30), foi à Síria e Cilícia. Obviamente ele não teve nessas áreas remotas nenhuma oportunidade de receber alguma instrução dos apóstolos. 22. Provavelmente o apóstolo mencionou as igrejas da Judéia a fim de fortalecer seu argumento. É provável que a maioria dos apóstolos se encontrassem nos distritos adjacentes durante esse período, portanto a falta de contato de Paulo com as igrejas da Judéia significava falta de contato com os apóstolos que ali serviam. Os Doze não supervisionavam o trabalho na Síria; Barnabé foi enviado para lá (Atos 11:22-26). Durante os anos em que Paulo serviu nessa região, onde ele fora educado, esteve inteiramente independente dos outros apóstolos. Seu outro propósito de mencionar as igrejas da Judéia foi o de sublinhar a grandeza da mudança que sua conversão operou nele. Ele agora anunciava a fé que outrora procurava destruir. A mudança significou paz para os crentes da Palestina (Atos 9:31)
conversão e não à primeira visita à Jerusalém, a data da conversão ainda seria cedo demais; não deixa nenhum intervalo entre a ressurreição de Cristo e a conversão de Paulo. A identificação de Gálatas 2 com Atos 15 tem a sua força no fato de que o assunto da discussão é o mesmo em ambos os casos e no fato de que Pedro e Tiago, como também Paulo e Barnabé, foram destacados em ambas as passagens. Com certeza há dificuldade nessa identificação. Atos 15 dá a impressão de uma grande reunião pública, enquanto Gálatas focaliza uma sessão particular. A harmonização se toma possível aceitando-se que a desavença citada em Atos 15:5,6 poderia ter forçado os líderes da igreja a dissolver o concílio temporariamente, passando a uma sessão confidencial tal como a que foi descrita em Gálatas 2. Com base no entendimento alcançado, Pedro e Tiago teriam com toda naturalidade desempenhado um papel de liderança e teriam um desempenho decisivo na fase pública final da conferência registrada em Atos 15:7-21. É possível que a palavra lhes (Gl. 2:2) seja uma referência à igreja como um todo contrastando com os apóstolos, com os quais Paulo e Barnabé tiveram uma entrevista particular. Uma outra dificuldade a ser enfrentada é o fato de Paulo não mencionar o assim chamado decreto apostólico em Gl. 2:1-10, quando esse decreto recebeu destaque considerável na narrativa de Lucas (Atos 15:20, 28, 29; 16:4; 21:25). Entretanto, uma vez que Paulo estava preocupado com o Evangelho em toda esta passagem, e uma vez que o decreto não tratava diretamente do Evangelho mas simplesmente regia o relacionamento harmonioso entre judeus e gentios crentes, ele não se sentiu na obrigação de incluir o decreto em sua argumentação.
2. A segunda visita de Paulo a Jerusalém foi ditada por revelação, de acordo com a forte ênfase dada ao fator sobrenatural no capítulo anterior. Esta intimação poderia ter vindo, antes da decisão da igreja de Antioquia de enviar Paulo, ou poderia ter vindo depois, selando a decisão da igreja (Atos 15:2). Ele e Barnabé encontraram-se com os que pareciam de maior influência. Literalmente, aqueles que apareciam ,
um termo bastante curioso para designar os apóstolos. A mesma expressão ocorre duas vezes em Gl. 2:6 e novamente em 2:9, onde foi acrescentada a palavra "colunas". Talvez Paulo sentisse que a igreja estava em perigo de idolatrar aqueles líderes acatando-os demasiadamente. Será que Paulo realmente tinha receio de que tivesse corrido em vão (no curso do seu serviço cristão) e que tivesse corrido em vão desde a sua conversão, que pudesse talvez estar errado quanto ao Evangelho e agora precisasse ser corrigido? De modo nenhum. Mas as circunstâncias forçaram-no a submeter sua mensagem à apreciação dos apóstolos, pois só dessa maneira tinha esperanças de fechar a boca dos seus detratores, os judaizantes, e as bocas daqueles que foram levados pela propaganda deles. 3-5. O motivo de Paulo ter levado Tito junto (v. 1) torna-se evidente. Ele seria o caso precedente na questão da recepção dos gentios na Igreja. Se ele fosse constrangido a circuncidar-se, o rito não poderia ter sido logicamente afastado dos outros crentes gentios. Se ele saísse da conferência incircunciso, todos os outros gentios que tinham colocado sua confiança em Cristo poderiam desfrutar de sua liberdade sem o temor de um desafio futuro. Parece que Paulo diz que alguma pressão foi exercida para que Tito fosse circuncidado na ocasião (cons. Atos 15:5 ). É altamente improvável que essa pressão desse dos apóstolos, pois eles se colocaram ao lado de Paulo (Atos 15:19). Os criminosos eram os falsos irmãos que tinham sorrateiramente entrado nas fileiras dos crentes. Tinham o nome de cristãos mas se opunham à concessão da liberdade que o evangelho de Paulo proclamava – liberdade da escravidão da Lei, incluindo a liberdade da circuncisão. A resistência de Paulo a esses judaizantes não foi ditada por teimosia nem por senso de superioridade. Ele viu que a questão da circuncisão envolvia a verdade do evangelho (Gl. 2:5). Impor a um gentio o sinal da aliança feita com Abraão e seus descendentes seria pôr de lado a simplicidade da fé salvadora, introduzindo a necessidade de
D. Sua Autoridade Independente Vindicada no Encontro com Pedro em Antioquia. 2:11-21. Esta é a terceira ocasião na qual Paulo entrou em contato com Pedro. A primeira vez ele simplesmente ficou conhecendo Pedro; na outra ele descobriu a unidade e igualdade que havia entre eles; desta vez ele foi levado a discordar dele e a repreendê-lo. Isto confirma o fato de que o propósito de Paulo em toda a epístola aos gálatas foi o de demonstrar seu apostolado independente. 11 ,12. Ele se opôs a Pedro porque a conduta de Pedro dava a falsa impressão de que ele estava renunciando à posição tomada em Jerusalém. A ação do concílio na questão do decreto (Atos 15:28,29) abriu a porta da liberdade de intercâmbio social entre judeus e gentios na igreja de Antioquia, uma liberdade que Pedro aceitou com alegria. Chegou até a comer com os gentios (cons. Atos 10:28; 11:3 ). Mas a chegada de certos homens enviados por Tiago, o reconhecido líder da igreja de Jerusalém, despertou o temor no coração de Pedro, pois ele se lembrou que a igreja mãe o repreendera por se associar e comer com os gentios na casa de Cornélio (Atos 11:1-18). Impossível saber qual o relacionamento entre esses visitantes e Tiago, e qual precisamente foi a missão deles. Pedro afastou-se (dos irmãos gentios) gradualmente, conforme sugere o original, talvez se ausentando em uma refeição do dia, em duas no outro, e finalmente excluindo-se inteiramente.
13. O exemplo de Pedro influenciava os outros. O verbo dissimularam ( disfarçavam ), geralmente traduzido para hipocrisia , significa uma falta de correspondência entre os atos externos ou o comportamento e o estado do coração. No farisaísmo os atos externos eram bons mas o estado do coração era geralmente corrupto. No caso de Pedro, suas convicções internas eram perfeitas, pois ele endossava a igualdade dos judeus na Igreja, mas a sua conduta não correspondia às suas convicções. Eis aqui uma observação melancólica – ao ponto de o próprio Barnabé, como se Paulo esperasse mais dele do que dos outros crentes judeus.
14. A declaração de que Pedro não estava agindo de acordo com a verdade do Evangelho precisa de explicação. Ele era judeu e portanto não era obrigado a viver como os gentios , como o fazia na companhia deles à mesa. Mas, agora, ao cortar relações depois de ter ido tão longe, logicamente estava competindo os crentes gentios a viverem como judeus, isto é, a adotarem a circuncisão e as leis dietéticos dos judeus para remover todas as barreiras que havia entre eles e homens como Pedro. Mas se os crentes gentios o fizessem, sacrificariam a verdade do Evangelho, que fora confirmada em Jerusalém. A igreja decidira que tal responsabilidade de obediência à lei não seda imposta aos crentes gentios. Estava em jogo todo o princípio da graça. O resultado lógico da conduta de Pedro era transformar cristãos gentios em judeus ou, pior ainda, forçar a criação de uma igreja gentia ao lado da igreja judia, o que sacrificaria a unidade do corpo de Cristo. Portanto a verdade do Evangelho estava envolvida. 15-18. Paulo fez Pedro compreender que ambos, sendo judeus por nascimento e tendo desfrutado das vantagens especiais do Judaísmo, inclusive a posse da Lei, tiveram todavia de se colocar no lugar da simples confiança em Cristo para salvação, como qualquer um dos pobres gentios. Pedro teve de concordar por causa de seu próprio compromisso com essa posição (Atos 15:11). O V.T. mesmo testifica que a justificação não vem por obras da lei (cons. Sl. 143:2). Ser justificado significa ser declarado e considerado justo diante de Deus, ser vindicado de qualquer acusação de pecado inerente ao fracasso da guarda da santa lei de Deus. A fé em Jesus Cristo significa fé em Cristo (gr. genitivo objetivo). Esse rebaixamento do judeu ao nível do gentio parecia envolver Cristo, fazendo dEle ministro do pecado pelo fato dEle ter libertado o homem da escravidão da Lei, uma vez que a fé em Cristo para ambos, judeu e gentio, em termos idênticos, é a condição da salvação. Mas Paulo rejeitou a conclusão, pois descansava sobre uma falsa premissa, isto é, a imaginária superioridade do judeu sobre o gentio. Aqui Paulo delicadamente toma o
renunciar à perfeição da provisão divina, ele pergunta, pela loucura de seus próprios esforços?
1. Eles deviam estar fascinados, vítimas de alguma feitiçaria (cons. 1:7). À vista de sua dramática pregação do Cristo crucificado quando estivera entre eles (cons. I Co. 1: 23; 2:2), sua mudança de atitude parecia estranha. Teriam eles se esquecido de sua primeira e viva impressão? 2,3. Depois de aceitar a Cristo viera o dom do Espírito (cons. Gl. 4:4-6; Ef. 1:13), de modo nenhum baseado na guarda da lei como um esforço da carne (cons. Gl. 5:18, 19). 4. Sofrestes provavelmente não se refere à perseguição ou ao peso da guarda da lei, mas foi usado no bom sentido – experimentado. Esta interpretação está favorecida pela subseqüente menção do Espírito no versículo seguinte. 5. A obra ativa do Espírito que opera milagres, tal como a sua vinda aos corações dos gaiatas, não dependia de obras mas da pregação da fé, isto é, da aceitação pela fé da mensagem do Evangelho pregada entre eles.
B. O Argumento das Escrituras (o Caso de Abraão). 3:6-9. A menção da fé convida a uma excursão pelo V.T. para mostrar que Abraão, o reverenciado patriarca, dependia dela no que se referia à justificação. Só aqueles que tinham uma fé igual a essa eram verdadeiramente abençoados por Deus. Observe tratamento idêntico em Rm. 4:9-12. 6,7. Abraão foi justificado pela fé (Gn. 15:6; Rm. 4:3; Tg. 2:23). Os verdadeiros filhos de Abraão não são seus descendentes naturais (Mt. 3:9), mas aqueles que participam de sua fé.
8. Isso foi antecipado na própria linguagem da aliança abraâmica, que tinha todos os povos em vista. As palavras em ti engrandecem Abraão como um exemplo de fé.
9. Ele foi crente no sentido de ser cheio de fé. Sua justificação está também à disposição das nações. Esta é a bênção que lhes foi prometida.
C. O Argumento da Lei. 3:10 - 4:11.
1) A Maldição da Lei, da qual Cristo Tinha de Libertar. 3:10-14. Paulo, tendo resolvido o caso da confiança dos judeus no seu relacionamento físico com Abraão para justificação, prossegue agora examinando o outro refúgio do Judaísmo, a posse da Lei.
10. A fé provoca bênçãos, mas a Lei produz maldição por causa da exigência que faz, de que é preciso continuar obedecendo-lhe fielmente (Dt. 27:26). 11,12. À impossibilidade prática de ser justificado pela lei acrescenta-se agora a verdade que Deus usa outro método, afinal de contas – o justo viverá pela fé. Julgando do contexto, o uso que o apóstolo faz desta citação (Hc. 2:4), dá a entender que tem a intenção de acentuar a verdade que alguém pode se tornar justo diante de Deus apenas pela fé. Só nessa base pode-se viver verdadeiramente a vida de Deus. Um sentido semelhante é o que se requer em Rm. 1:17. Sob a lei, é preciso fazer para poder viver (Lv. 18: 5). Sob o Evangelho recebe-se vida de Deus pela fé, e então se começa a fazer a vontade de Deus na energia dessa fé. Pode parecer que o apóstolo exclui todas as bênçãos recebidas por aqueles que viveram sob a Lei no tempo pré-cristão. E o que dizer do salmo primeiro? 13. A Lei é um espelho da vontade de Deus para o povo da Sua aliança e um capataz que provoca a maldição. Mas a esta altura Paulo não está discutindo os aspectos mais gloriosos da Lei, pois ele se limita a considerar a Lei como meio de condenação (cons. II Co. 3:6-9). A maldição da Lei era real. Ela levou Cristo à cruz. A inflexibilidade das exigências da Lei são claramente percebidas no fato de que quando Cristo tomou o lugar do infrator da lei, embora Ele mesmo fosse perfeitamente santo, teve de suportar exatamente a mesma penalidade de