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Combinações de Xadrez, Esquemas de Matemática

Várias combinações de xadrez, com explicações detalhadas de cada uma delas. As combinações são ilustradas com diagramações e comentários sobre as jogadas mais importantes. O documento também fornece exemplos de partidas de xadrez em que as combinações são aplicadas.

Tipologia: Esquemas

2021

Compartilhado em 05/04/2024

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MOTIVOS BÁSICOS DAS COMBINAÇÕES
No livro anterior já fizemos uma pequena introdução à tática, estudando os
temas: o ataque duplo, o ataque a descoberto, a cravada e o ataque em linha.
Neste segundo livro damos um novo passo, estudando os motivos da com-
binação, que, junto com os temas táticos, são pilares fundamentais na formação
do jogador de xadrez e já acessíveis ao leitor nesta fase de aprendizagem.
A tática é, entre todos os aspectos da partida de xadrez, o que há de
mais acessível, direto e, por isso, mais claro para o jogador e onde, de ime-
diato, observa-se seu progresso. Mesmo na primeira escala enxadrística, po-
de-se perfeitamente compreender, assimilar e produzir combinações curtas
de duas ou três jogadas.
Mas, antes de continuar, vamos definir combinação. Chamamos de com-
binação uma variante forçada, mediante a qual seu iniciador alcança o objetivo
a que se propôs, como a melhoria da posição ou o ganho de material e, por
fim, o mate. O mecanismo da combinação pode ser, em sua forma mais ele-
mentar, uma simples troca de peças e, em sua forma mais complexa, um ou
vários sacrifícios, o que implica, sutilmente, um valor estético, já que muda a
relação do valor habitual das peças. Essa definição se refere não só aos aspec-
tos dinâmicos da execução, como também à valoração dos elementos estáticos
isto é, à utilização racional e ordenada dos elementos que nela intervêm:
concretos como o material ou abstratos como, por exemplo, a posição.
O objetivo deste capítulo é levar ao leitor o conhecimento dos motivos
ou temas básicos das combinações, explicando-os passo a passo, com a fina-
lidade de que o aluno possa identificar claramente os elementos e idéias em
que se baseia cada tema. Em continuação, apresentaremos um grupo de exer-
Existem posições em que a combinação é obrigatória.
No entanto, ocorre às vezes que o enxadrista, tratando de evitar um esforço
mental, perca essa oportunidade e veja-se obrigado, pouco a pouco, a passar
à defesa. Depois disso, vem a derrota daquele que, com razão, a mereceu.
A. Alekhine
CAPÍTULO 1
A tática e as combinações
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MOTIVOS BÁSICOS DAS COMBINAÇÕES

No livro anterior já fizemos uma pequena introdução à tática, estudando os temas: o ataque duplo, o ataque a descoberto, a cravada e o ataque em linha. Neste segundo livro damos um novo passo, estudando os motivos da com- binação, que, junto com os temas táticos, são pilares fundamentais na formação do jogador de xadrez e já acessíveis ao leitor nesta fase de aprendizagem. A tática é, entre todos os aspectos da partida de xadrez, o que há de mais acessível, direto e, por isso, mais claro para o jogador e onde, de ime- diato, observa-se seu progresso. Mesmo na primeira escala enxadrística, po- de-se perfeitamente compreender, assimilar e produzir combinações curtas de duas ou três jogadas. Mas, antes de continuar, vamos definir combinação. Chamamos de com- binação uma variante forçada, mediante a qual seu iniciador alcança o objetivo a que se propôs, como a melhoria da posição ou o ganho de material e, por fim, o mate. O mecanismo da combinação pode ser, em sua forma mais ele- mentar, uma simples troca de peças e, em sua forma mais complexa, um ou vários sacrifícios, o que implica, sutilmente, um valor estético, já que muda a relação do valor habitual das peças. Essa definição se refere não só aos aspec- tos dinâmicos da execução, como também à valoração dos elementos estáticos isto é, à utilização racional e ordenada dos elementos que nela intervêm: concretos como o material ou abstratos como, por exemplo, a posição. O objetivo deste capítulo é levar ao leitor o conhecimento dos motivos ou temas básicos das combinações, explicando-os passo a passo, com a fina- lidade de que o aluno possa identificar claramente os elementos e idéias em que se baseia cada tema. Em continuação, apresentaremos um grupo de exer-

Existem posições em que a combinação é obrigatória. No entanto, ocorre às vezes que o enxadrista, tratando de evitar um esforço mental, perca essa oportunidade e veja-se obrigado, pouco a pouco, a passar à defesa. Depois disso, vem a derrota daquele que, com razão, a mereceu. A. Alekhine

CAPÍTULO 1

A tática e as combinações

12 Boris Zlotnik e colaboradores

cícios, com duas ou três jogadas de profundidade, nos quais não se deve buscar, como único objetivo, a combinação do mate. A obtenção de uma vantagem material que permita ganhar ou a imposição de um empate em posição inferior são também objetos da combinação. Os temas básicos da combinação que veremos neste capítulo são:

  • O desvio
  • A atração
  • A interceptação
  • A eliminação da defesa
  • A liberação do espaço
  • O bloqueio
  • O ataque raio X
  • A peça sobrecarregada
  • A jogada intermediária
  • A demolição da estrutura de peões
  • A perseguição

O DESVIO

O desvio é um motivo de combinação muito freqüente no jogo real, inclusive nas partidas de aficionados. Sua idéia consiste, como seu nome indica, no desvio de uma ou mais peças defensoras de uma posição, para permitir um ataque com sucesso. Mas, como uma imagem vale mais que mil palavras, vejamos tudo isso com alguns exemplos. No diagrama 1, correspondente à partida Girsch – Man, Canadá, 1963, a dama preta está defendendo a casa c7, de onde o cavalo poderia dar um xeque decisivo. As brancas concluem rapidamente a partida jogando 1.£a4+ e atacam a dama preta, que está impossibilitada de se defender e proteger a casa c7, 1...£xa4.

DIAGRAMA 1

14 Boris Zlotnik e colaboradores

A pressão das pretas é muito forte, especialmente as ameaçadoras torres e a ação do bispo ao longo da diagonal f1-a6. No entanto, a dama branca defende a casa d1, não permitindo que as pretas dêem mate com ¦d1+ e ¦f1++. Desse ponto de vista, a jogada das pretas é evidente. 1...£xe3+, excelente jogada que ameaça 2.¢f1 e ¦d1++ 2.£xe3, ante a ameaça de mate, as brancas se vêem obrigadas a desviar a dama da defesa da casa d1.

2...¦d1+ 3.¢f2, única jogada possível. 3...¦f1++.

No diagrama 3 vemos uma posição correspondente à partida Gass-Kindi, Stuttgart, 1979, na qual as pretas amea- çam 1...¤xh3+, ao mesmo tempo em que a torre ameaça a dama branca, mas esta pode escapar do duplo ataque to- mando o cavalo de h3. As pretas encon- tram uma bonita combinação baseada no desvio.

1...£xe4, excelente jogada que derruba a posição ao desviar a dama branca da defesa da h3. Com isso, o trabalho harmonioso entre cavalo, bispo e torre coloca o rei branco em risco de mate. 2.£xe4, e as brancas não têm escolha.

DIAGRAMA 3

2...¤xh3+, agora se vê plenamente o ataque das pretas. 3.¢h1.

Curso de Xadrez 15

À mesma conclusão se chega com 3.¢g2 ¦f2+, com o mesmo resultado que a variante principal. 3...¦f1+ 4.¢g2.

4...¦f2+ 5.¢xh3, se 5.¢h1, as pretas arrematam com 5...¦h2++. 5...¦h2++.

Curso de Xadrez 17

Exercício 7. Jogam as pretas.

Exercício 8. Jogam as brancas.

Exercício 9. Jogam as pretas.

Exercício 10. Jogam as brancas.

Exercício 11. Jogam as pretas.

Exercício 12. Jogam as pretas.

18 Boris Zlotnik e colaboradores

A ATRAÇÃO

A atração é o recurso tático que permite levar uma peça adversária, de preferência o rei ou a dama, até uma casa onde perecerá fatalmente. Ilustra- remos essa idéia com vários exemplos didáticos. No diagrama 4 temos uma posição correspondente à partida Fischer-Reshevs- ky, Nova Iorque, 1958. Nela, as peças bran- cas atraem o rei preto para o centro, o que leva à perda da dama. 10.¥xf7+, excelente jogada de sacri- fício para atrair o rei ao centro. 10...¢xf7, recusar a captura do bispo não evita a con- tinuação da partida. 11.¤e6, segundo sa- crifício que conduz diretamente ao ganho material. 11...dxe6, tomar o cavalo com 11...¢xe6 conduz ao mate após 12.£d5+. Deixamos sua continuação nas mãos do leitor. 12.£xd8, e as pretas se rendem de- pois de mais trinta jogadas de agonia. Vejamos agora a atração de uma dama, diagrama 5, na partida Szabo- Bronstein, Zurique, 1953, na qual as bran- cas capturam a dama contrária atraindo-a à casa d8. 1.¦d8 £xd8, não se pode evitar a captura da torre devido ao ataque direto à dama e indireto ao rei.

2.£h8+, agora está clara a intenção das brancas. 2...¢f7 3.£xd8, e a dama sucumbe.

DIAGRAMA 4

DIAGRAMA 5

20 Boris Zlotnik e colaboradores

Exercícios

Exercício 13. Jogam as brancas.

Exercício 14. Jogam as brancas.

Exercício 15. Jogam as pretas.

Exercício 16. Jogam as pretas.

Exercício 17. Jogam as brancas.

Exercício 18. Jogam as pretas.

Curso de Xadrez 21

Exercício 19. Jogam as pretas.

Exercício 20. Jogam as brancas.

Exercício 21. Jogam as brancas.

Exercício 22. Jogam as pretas.

Exercício 23. Jogam as brancas.

Exercício 24. Jogam as brancas.

Curso de Xadrez 23

Porém, iniciando a combinação com a interceptação da dama na diagonal a1-h8, as brancas ganham com 1.¥e5 ¦xe5, úni- ca jogada ante a ameaça de mate na g7, mas a custa da interceptação da diagonal. 2.¤e8 ¤f5, último recurso defensivo. 3.¤f6+ ¢h8 4.£g8++.

Para terminar a exposição deste te- ma, estudaremos agora a posição do dia- grama 9, partida Soultanbeieff-Borodin, Bruxelas, 1943, em que as brancas conse- guem a vitória interceptando a ação da dama preta ao longo da grande diagonal branca. 1.¦g2, agora se pode mover a tor- re de f3, já que a cravada está anulada 1...¦g8, se as pretas jogam 1...£xf3, re- cebem mate com 2 £xf8. 2.£xh7+ ¢xh 3.¦h3++.

DIAGRAMA 8

DIAGRAMA 9

24 Boris Zlotnik e colaboradores

Exercícios

Exercício 25. Jogam as brancas.

Exercício 26. Jogam as pretas.

Exercício 27. Jogam as brancas.

Exercício 28. Jogam as pretas.

Exercício 29. Jogam as brancas.

Exercício 30. Jogam as pretas.

26 Boris Zlotnik e colaboradores

A ELIMINAÇÃO DA DEFESA

Esse recurso tático tem por objetivo a eliminação de peças ou peões que exerçam funções defensivas. O problema consiste em identificar quais são as peças-chaves na defesa. Para começar, vejamos a posição do diagrama 10, correspondente à partida Vizantiadis-Spassky, Siegen, 1970, em que as pretas eliminam a principal peça defensiva branca: o cavalo da f3, que im- pedia a penetração da dama por h4.

1...¦8xf3, as pretas eliminam o cava- lo defensor e debilitam o roque: 2.gxf ¦xh2+ 3.¢xh2, agora o rei está exposto.

3...£h4+ 4.¢g2, as peças pretas penetram com efeito decisivo. 4...¥h3+ 5.¢h1 ¥f1++. No exemplo ao lado, diagrama 11, correspondente à partida Ryzhkov-Fass, URSS, 1978, salta aos olhos que a peça defensiva da posição branca é o cavalo, logo, a execução da combinação é evi- dente.

DIAGRAMA 11

DIAGRAMA 10

Curso de Xadrez 27

1...£xf4 2.£xf4, com a eliminação do cavalo, é visível a debilidade da casa g2, o que as pretas aproveitam: 2...¦exg2+. Não adianta entrar com outra torre, já que a casa h2 está defendida. 3.¢h ¦g1+ 4.¢h2 ¦6g2++.

Seguimos com a posição do diagrama 12, correspondente à partida Korchnoi-Peterson, URSS, 1965, em que a peça-chave da defesa não é tão fácil de encontrar, já que é o bispo de e7.

1.£xg7+ ¢e8, agora se vê a impor- tância do salto do cavalo para a casa f6 e a função-chave do bispo defensor. 2.£xe7+ ¢xe7, a posição restrita do rei preto provoca a próxima jogada. 3.¦g7+ ¢e8 4.¤f6++.

DIAGRAMA 12

Curso de Xadrez 29

Exercício 43. Jogam as brancas.

Exercício 44. Jogam as brancas.

Exercício 45. Jogam as brancas.

Exercício 46. Jogam as pretas.

Exercício 47. Jogam as pretas.

Exercício 48. Jogam as pretas.

30 Boris Zlotnik e colaboradores

A LIBERAÇÃO DO ESPAÇO

A liberação do espaço consiste em livrar uma casa, abrir diagonais, filas ou colunas, ocupadas ou bloqueadas por uma ou mais peças, próprias ou do adversário, para abrir linhas de ataque que permitam a execução de uma combinação. Normalmente, a peça que atrapalha é eliminada mediante uma troca forçada ou um sacrifício.

A liberação de uma casa

Para começar, estudaremos a posição do diagrama 13, correspondente à partida Georgadze-Kuindzhi, URSS, 1973, na qual as pretas liberam a casa g para dar mate com o peão.

DIAGRAMA 13

As pretas jogam: 1...£f2+ 2.£xf ¦h5+. A casa g5 já está liberada para o peão. 3.¥xh5 g5++.

O exemplo seguinte, diagrama 14, corresponde à partida Tarnowsky- Ivkov, Varna, 1962, na qual observamos que, se as posições da dama e da torre pretas estivessem trocadas, as brancas receberiam o mate; logo, é evidente que se deve liberar a casa e2 para a dama.