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Material de apoio para química orgânica, para alunos do técnico ou superior.
Tipologia: Slides
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1. Teorias sobre ácidos e bases Teoria de Arrhenius (1884) Substâncias neutras dissolvidas em água formam espécies carregadas ou íons através de dissociação iônica ou ionização em solução. Ácido ⇨ substância que se ioniza para produzir prótons (íons H + ) quando dissolvida em água. Base ⇨ substância que se ioniza para produzir íons hidróxido (íons OH - ) quando dissolvida em água. Para Arrhenius, os ácidos, quando em solução, aumentam a concentração de íons H + e as bases, quando em solução, aumentam a concentração de ânions HO-. Teoria de Bronsted-Lowry (1923) Um ácido é uma espécie que tem tendência a perder/doar um próton e uma base é uma espécie que tem a tendência a aceitar um próton. A perda de H+^ pelo ácido gera sua base conjugada. A protonação da base gera seu ácido conjugado. O par conjugado difere entre si pela presença ou ausência de um próton em sua estrutura. A reação é uma simples transferência de próton.
Para Bronsted, um ácido não sofre dissociação em água. No entanto, ele transfere um próton para a água. Enquanto a base recebe um H+^ da água. Teoria de Lewis (1923) Um ácido é uma espécie que recebe elétrons e uma base uma espécie que doa elétrons. A definição de Lewis é mais geral e, leva em conta também ácidos não próticos.
2. H 3 O+^ é a verdadeira espécie formada em água em meio ácido O ácido clorídrico é um ácido forte e, em água, ele está quase completamente dissociado (equilíbrio deslocado para direita). No entanto, em fase gasosa esta dissociação não é espontânea. Isto ocorre porque se formariam as espécies H+^ e Cl-^ como íons isolados. Por outro lado, em água o que ocorre realmente é a protonação da molécula de água pelo H + liberado, formando H 3 O + . Além disto, em fase líquida ocorre a solvatação dos íons, o que lava a sua estabilização.
A água pura a 25 0 C tem o pH = 7,00. Portanto, a concentração de H 3 O
em água deve ser 10-^7 mol dm-^3. Em água pura os íons H 3 O+^ são originados somente da auto-dissociação ou autoprotólise da água: Isto significa que se soubermos a concentração do íon hidroxônio, também sabemos a concentração de hidróxido e vice-versa. **[H 3 O
] = [OH**
- ] = 10 - 7 mol dm - 3 O produto destas duas concentrações é conhecido como constante de ionização da água (Kw): **Kw = [H 3 O
] = 10
. Podemos dizer que HCl é ácido mais forte ou, que é mais ácido que o ácido acético.
6. Medida da força de um ácido à pKa Para medirmos a força de um ácido relativamente à água e descobrirmos o quão efetiva é a doação de próton, devemos olhar para a constante de equilíbrio da reação. pKa = - logKa Por causa do sinal negativo nesta definição, quanto menor o pKa, maior a constante de equilíbrio (Ka) e, mais forte é o ácido. Para sabermos se um ácido perde um próton em solução, deve-se saber qual o pka do ácido e o pH da solução. Esta relação é dada pela eq. de Henderson-Hasselbalch. A equação nos mostra quando um composto existe em solução, na sua forma ácida ou básica em determinado pH.
] em água. Solubilidade de ácidos neutros em água aumenta.
Por exemplo, para desprotonar o etino (acetileno, pKa 25) não é possível com hidróxido (pKa H 2 O 15,7). Afinal o equilíbrio desloca-se em favor das espécies mais estáveis (ácido ou base mais fracos). Para isto acontecer devemos usar um solvente diferente, com pka 25 ou maior. Para este caso geralmente se utiliza amideto de sódio (NaNH 2 ) em amônia líquida. Usando o pka da amônia (NH 3 , pKa 33) e do etileno (pKa 25) podemos predizer a constante de equilíbrio da reação (10-^25 / 10-^33 = 10^8 ) que está deslocada para direita. Então este é um bom sistema para desprotonar alquinos.
9. Comparando a força dos ácidos Não precisamos saber todos os valores de pKa, apenas ponderar sobre a força relativa das espécies levando em consideração alguns fatores como: - Estabilidade da base conjugada , olhando para fatores que afetam a estabilidade como: ressonância/deslocalização da carga, eletronegatividade e tamanho do átomo que suporta a carga negativa, hibridização do átomo que contém a carga negativa, efeitos eletrônicos e estéricos e solvatação da espécie formada.
Elementos eletronegativos estabilizam a base conjugada. Por exemplo, o pKa para CH 4 , NH 3 , H 2 O e HF é 48 , 33 , 16 e 3, respectivamente. O Flúor é o elemento mais eletronegativo, portanto seu orbital tem menor energia e estabiliza melhor a carga negativa formada com a saída de H
. Com isto tem- se: **Ordem de eletronegatividade: F > O > N > C Ordem de estabilidade das bases: F
HO
H 2 N
H 3 C
Ordem de acidez: HF > H 2 O > NH 3 > CH 4** A deslocalização dos elétrons de uma base por ressonância, também estabiliza (enfraquece) a base. O efeito de ressonância explica as diferenças de acidez dos compostos abaixo. O ácido acético é mais forte, pois sua base conjugada (acetato) é mais estável. O acetato é estabilizado por ressonância e a base conjugada do etanol, não. No etanol os elétrons estão localizados e no acetato estão deslocalizados. Outro efeito a ser considerado é o Efeito indutivo. Átomos eletronegativos ligados na cadeia carbônica da base retiram elétrons por efeito indutivo. Este substituinte induz uma polarização nas ligações estabilizando a
O aumento da acidez é devido a força das ligações H-X. O iodo é um átomo grande e seu orbital não tem uma sobreposição tão efetiva com o orbital do hidrogênio, levando a uma ligação fraca. Isto implica que esta ligação é facilmente rompida levando a liberação do próton e formação da base conjugada. Além disto, para átomos no mesmo grupo da tabela periódica, quanto maior o átomo melhor é a estabilização da carga negativa. Resumo do efeito do tamanho do átomo e da eletronegatividade: A solvatação é outro efeito a ser considerado. A solvatação é uma interação fraca. Quando um íon é solvatado este libera energia, ou seja, acarreta a diminuição da energia do íon. A solvatação é uma interação fraca, mas ajuda na estabilidade. Bases solvatadas são mais estáveis.
Solventes polares solvatam espécies carregadas através da atração entre dipolos e carga. Além disto, o impedimento estérico pode difilcultar a aproximação do solvente e a consequente solvatação. Para espécies com efeito eletrônicos similares a solvatação pode ser a diferença. No exemplo abaixo, o segundo composto tem maior impedimento estérico, o que dificulta a solvatação. Outro ponto a ser observado é a carga da base conjugada. Espécies neutras são mais estáveis. Comparando bases centradas em mesmo átomo: Base conjugada de H 3 O+^ é H 2 O Base conjugada de H 2 O é HO
- Água é mais estável que hidróxido, pois é neutra. Com isto, hidroxônio é mais ácido que água. 10. Basicidade A comparação dos pKa para os ácidos conjugados neutros quando temos bases aniônicas funciona bem. O problema é quando temos que saber a basicidade de bases neutras como a amônia. Se olharmos o pKa da amônia o valor encontrado é 33, mas este é o valor para desprotonação que leva ao íon NH 2 -. Se quisermos saber a basicidade da amônia devemos olhar o pKa do seu ácido conjugado, que é o cátion amônio (NH 4
). O pka neste caso é 9.4, o que significa que a amônia é base mais fraca que o hidróxido (pKa da água- ácido conjugado do
OH- é 15.7). Também podemos utilizar pKb para descrever a força de uma base. pKb = - log Kb