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Guia para a Análise de Solos EMBRAPA
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Introdução
A análise de solos é o único método que permite, antes do plantio, conhecer a capacidade de um determinado solo suprir nutrientes para as plantas. É a forma mais simples, econômica e eficiente de diagnose da fertilidade das terras e constitui base imprescindível para a recomendação de quantidades adequadas de corretivos e fertilizantes para aumentar a produtividade das culturas e, como consequência a produção e a lucratividade das lavouras. Destacam-se ainda como aspectos favoráveis à sua utilização:
laboratório e interpretação dos resultados (FURTINI NETO et al., 2001).
Amostragem do Solo
A amostragem do solo é considerada a etapa mais crítica de todo o processo de análise do solo, haja vista que uma pequena porção de terra representará alguns hectares, e não há meios para se corrigir possíveis erros cometidos durante a amostragem (FURTINI NETO et al., 2001). Para que os resultados da análise de solos realmente representem de forma confiável a gleba amostrada e possam servir de base para a recomendação de uma calagem e adubação adequadas, a amostragem da área deve ser realizada corretamente. Os cuidados com a amostragem devem merecer atenção especial, portanto, é fundamental que a pessoa encarregada de realizar a coleta das amostras no campo tenha pleno conhecimento dos procedimentos necessários para uma amostragem adequada e representativa.
(^1) Engenheiro Agrônomo, Dr. , Embrapa Pantanal, Caixa Postal 109, 79320-900, Corumbá, MS.
[email protected] (^2) Engenheira Agrônoma, MSc., Embrapa Pantanal, Caixa Postal 109, 79320-900, Corumbá, MS.
[email protected] (^3) Engenheiro Agrônomo, MSc., Embrapa Pantanal, Caixa Postal 109, 79320-900, Corumbá, MS.
Dezembro, 2009 Corumbá, MS
1 - Subdivisão da propriedade em glebas homogêneas – antes da coleta das amostras, a área deve ser subdividida em glebas homogêneas, com área máxima em torno de 10 ha. Na subdivisão devem ser levados em consideração os seguintes aspectos: posição no relevo (solo de morro, encosta ou baixada), cor do solo, textura do solo, histórico de uso e manejo (culturas anteriores, calagens, adubações, etc.), drenagem da área, presença de erosão, etc. (Figura 1).
Figura 1. Subdivisão da propriedade em glebas homogêneas. Fonte: Adaptado de Sociedade... (2004).
2 - Coleta das amostras de solo – nas glebas homogêneas devem ser coletadas pelo menos 20 subamostras ao acaso (caminhando-se em ziguezague, de forma a percorrer toda a área) e misturadas em recipiente limpo para a retirada de cerca de 300 g de solo, o qual deve ser acondicionado em saco plástico limpo, devidamente identificado (nome do proprietário, data de coleta, gleba, profundidade de coleta, cultura, etc.), e encaminhado ao laboratório para análise. Deve-se evitar a coleta das amostras em locais próximos a brejos, sulcos de erosão, caminhos de pedestres ou animais, formigueiros, currais, estrume de animais, depósitos de calcário, etc, e jamais acondicionar as amostras em embalagens usadas ou sujas.
3 - Profundidade de amostragem – a profundidade de amostragem varia conforme o tipo de cultura (anual e perene) e sistema de cultivo (convencional e plantio direto). Em geral, para a maioria das culturas anuais a profundidade de coleta deve ser de 0-20 cm, enquanto para as culturas perenes de 0-20, 20-40 e 40-60 cm (na projeção da copa) (SOCIEDADE..., 2004). Para o sistema de plantio direto, pastagens ou integração lavoura-pecuária, onde não há revolvimento do solo e a adubação é
em superfície, a amostragem deve ser feita nas profundidades de 0-10 e 10-20 cm (SOCIEDADE..., 2004). As coletas nas profundidades de 20-40 e 40-60 cm permitem detectar barreiras químicas (toxidez por alumínio e deficiência de cálcio) ou físicas (pedregosidade e compactação) que comprometem o crescimento radicular, com consequente restrição à absorção de água e nutrientes (FURTINI NETO et al., 2001).
4 - Ferramentas para a amostragem – a coleta das amostras pode ser realizada com diversos amostradores: trado de rosca, trado holandês, trado caneca, sonda, pás, etc. (Figura 2). Contudo, deve-se atentar para a adequada limpeza tanto do amostrador como do recipiente utilizado para a mistura das subamostras quando for mudar de gleba.
Figura 2. Ferramentas para a amostragem do solo (Foto: Diego A. França de Freitas)
5 - Época e frequência de amostragem – a época ideal para as culturas anuais é o início do período de seca (cerca de 3 a 4 meses antes do plantio), e para as culturas perenes, logo após a colheita. A frequência de amostragem na mesma gleba é variável, devendo ser repetida em intervalos que podem variar de 1 a 4 anos (dependendo da intensidade de uso e manejo) e com amostragens anuais em glebas cultivadas intensivamente e com altas produtividades.
Tabela 3. Classes de interpretação da disponibilidade para o fósforo de acordo com o teor de argila do solo ou do valor de fósforo remanescente (P-rem) e para o potássio.
Característica Classificação Muito baixo Baixo Médio Bom Muito bom ..........................................................mg dm -^ ......................................................... Argila (%) Fósforo disponível (P)^1 60 – 100 ≤ 2,7 2,8 – 5,4 5,5 – 8,0 8,1 – 12,0 > 12, 35 - 60 ≤ 4,0 4,1 – 8,0 8,1 – 12,0 12,1 – 18,0 > 18, 15 – 35 ≤ 6,6 6,7 – 12,0 12,1 – 20,0 20,1 – 30,0 > 30, 0 – 15 ≤ 10,0 10,1 – 20,0 20,1 – 30,0 30,1 – 45,0 > 45, P- rem^2 (mg L-1^ ) 0 – 4 ≤ 3,0 3,1 – 4,3 4,4 – 6,0 6,1 – 9,0 > 9, 4 – 10 ≤ 4,0 4,1 – 6,0 6,1 – 8,3 8,4 – 12,5 > 12, 10 – 19 ≤ 6,0 6,1 – 8,3 8,4 – 11,4 11,5 – 17,5 > 17, 19 – 30 ≤ 8,0 8,1 – 11,4 11,5 – 15,8 15,9 – 21,8 > 21, 30 – 44 ≤ 11,0 11,1 – 15,8 15,9 – 21,8 21,9 – 30,0 > 30, 44 - 60 ≤ 15,0 15,1 – 21,8 21,9 – 30,0 30,1 – 45,0 > 45, Potássio disponível (K)^1 ≤ 15 16 – 40 41 – 70 71 – 120 > 120 (^1) Método Mehlich-1. 2 P-rem = Fósforo remanescente, concentração de fósforo da solução de equilíbrio após agitar
durante 1 hora a TFSA com solução de CaCl 2 contendo 60 mg L-1^ de P, na relação 1:10. Fonte: Alvarez V. et al. (1999).
Tabela 4. Classes de interpretação da disponibilidade para enxofre de acordo com o valor de fósforo remanescente (P-rem).
P-rem Classificação Muito baixo Baixo Médio Bom Muito bom mg L-1 ..........................................................mg dm -^ ........................................................ Enxofre disponível (S)^1 0 – 4 ≤ 1,7 1,8 – 2,5 2,6 – 3,6 3,7 – 5,4 > 5, 4 – 10 ≤ 2,4 2,5 – 3,6 3,7 – 5,0 5,1 – 7,5 > 7, 10 – 19 ≤ 3,3 3,4 – 5,0 5,1 – 6,9 7,0 – 10,3 > 10, 19 – 30 ≤ 4,6 4,7 – 6,9 7,0 – 9,4 9,5 – 14,2 > 14, 30 – 44 ≤ 6,4 6,5 – 9,4 9,5 – 13,0 13,1 – 19,6 > 19, 44 - 60 ≤ 8,9 9,0 – 13,0 13,1 – 18,0 18,1 – 27,0 > 27, (^1) Extrator Ca(H 2 PO 4 ) 2.
Fonte: Alvarez V. et al. (1999).
Tabela 5. Classes de interpretação da disponibilidade para os micronutrientes.
Micronutrientes Classificação Muito baixo Baixo Médio^1 Bom Muito bom ................................................mg dm -^ ............................................... Zinco disponível (Zn)^2 ≤ 0,4 0,5 – 0,9 1,0 – 1,5 1,6 – 2,2 > 2, Manganês disponível (Mn)^2 ≤ 2 3 – 5 6 – 8 9 – 12 > 12 Ferro disponível (Fe)^2 ≤ 8 9 – 18 19 – 30 31 – 45 > 45 Cobre disponível (Cu)^2 ≤ 0,3 0,4 – 0,7 0,8 – 1,2 1,3 – 1,8 > 1, Boro disponível (B)^3 ≤ 0,15 0,16 – 0,35 0,36 – 0,60 0,61 – 0,90 > 0, (^1) O limite superior desta classe indica o nível crítico; 2 Método Mehlich-1; 3 Método água quente.
Fonte: Alvarez V. et al. (1999).
Comunicado Técnico, 79
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Exemplares desta edição podem ser adquiridos na: Embrapa Pantanal Endereço: Rua 21 de Setembro, 1880 Caixa Postal 109 CEP 79320-900 Corumbá, MS Fone: 67-3234- Fax: 67-3234- Email: [email protected] 1ª edição 1ª impressão (2009): Formato digital
Comitê de Publicações
Presidente Secretário-Executivo Membros
Supervisor editorial Revisão Bibliográfica Tratamento das ilustrações Editoração eletrônica
: Thierry Ribeiro Tomich : Suzana Maria Salis : Débora Fernandes Calheiros Marçal Hernique Amici Jorge Jorge Ferreira de Lara Regina Célia Rachel
: Suzana Maria de Salis : Viviane de Oliveira Solano : Regina Célia Rachel : Regina Célia Rachel Disponibilização na Home Page : Luiz E. M. Britto
Expediente
Considerações Finais
A análise de solos é indispensável para a definição de quantidades adequadas de corretivos e fertilizantes visando o pleno atendimento das exigências das plantas, sob pena, se preterida, incorrer na aplicação de doses inferiores à necessária ao alcance da produção máxima, assim como também doses superiores à exigida, causando desequilíbrios nutricionais e contaminação do lençol freático e cursos d`águas, e em última análise comprometimento à rentabilidade da atividade.
O custo de uma análise de solos é expressivamente baixo diante dos benefícios que pode proporcionar, principalmente tendo em vista o elevado custo dos corretivos e fertilizantes, os quais consomem parcela significativa dos recursos destinados aos sistemas de produção agrícolas.
Embora os procedimentos para a amostragem do solo sejam amplamente divulgados no meio rural e de fácil compreensão, dada a sua importância em todo o processo, recomenda-se que antes da coleta o produtor busque apoio da assistência técnica local, de forma que o resultado final seja realmente aquele que possa contribuir para o adequado manejo da fertilidade do solo e, consequentemente, aumento de produtividade e lucratividade.
Referências ALVAREZ V., V. H.; NOVAIS, R. F.; BARROS, N. F. de; CANTARUTTI, R. B.; LOPES, A. S. Interpretação dos resultados das análises de solos. In: RIBEIRO, A. C.; GUIMARAES, P. T. G.; ALVAREZ V., V. H. (Ed.). Recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais : 5 a^ aproximação. Viçosa: Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais, 1999. p. 25-
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIÊNCIA DO SOLO. Núcleo Regional Sul. Comissão de Química e Fertilidade do Solo - RS/SC. Manual de adubação e de calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo: Comissão de Química e Fertilidade do Solo, 2004. 400 p.
FURTINI NETO, A. E.; VALE, F. R.; RESENDE, A. V.; GUILHERME, L. R. G.; GUEDES, G.A.A. Fertilidade do solo. 2001. 252f. Trabalho de conclusão de curso (Especialização em Solos e Meio Ambiente) – Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão, Universidade Federal de Lavras, Lavras.
CARDOSO, E. L., FERNANDES, A. H. B. M.; FERNANDES, F. A. Análise de solos : finalidade e procedimentos de amostragem. Corumbá: Embrapa Pantanal, 2009. 5 p. (Embrapa Pantanal. Comunicado Técnico, 79. Disponível em: . Acesso em: 12 dez.2009.