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Explanação do estudo de um agitador de fita, desenvolvido pela Embrapa, considerando tempo de agitação como algumas eficiência da produção.
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na:
Embrapa Suínos e Aves Rodovia BR 153 - KM 110 89.700-000, Concórdia-SC Caixa Postal 21 Fone: (49) 3441 0400 Fax: (49) 3441 0497 http://www.cnpsa.embrapa.br [email protected]
Tratamento editorial: Tânia Maria Biavatti Celant
1ª edição
LIMA, G.J.M.M. de; NONES, K. Os cuidados com a mistura de rações na propriedade. Concórdia: EMBRAPA-CNPSA,
OS CUIDADOS COM A MISTURA DE RAÇÕES NA PROPRIEDADE
Os cuidados com o preparo das rações somam aos esforços de se formular uma dieta contendo ingredientes com composição e valor nutricional conhecido e atendendo as exigências nutricionais dos suínos. Qualquer erro em uma ou mais etapas do processo de produção de rações pode acarretar em prejuízos econômicos expressivos, já que os gastos com a alimentação correspondem à maior parte do custo de produção dos suínos. Através de estudos realizados pela Embrapa Suínos e Aves, em 65 granjas de suínos dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná verificou-se que em 43,1% das granjas não se utilizavam balanças no preparo das rações e que em 12,1% os ingredientes eram misturados manualmente ou com o uso de pás. As granjas visitadas apresentavam um mínimo de 30 matrizes e eram integradas das sete maiores integrações do Sul do Brasil ou assistidas por órgãos de assistência oficial. Através desses estudos, verificou-se que rações produzidas nas propriedades nem sempre apresentam valores de nutrientes analisados que correspondem àqueles previstos nas fórmulas. Uma das causas para ocorrência desse fato é a falta de conhecimento dos produtores de quais as etapas e cuidados que devem ser tomados ao se misturar uma batida de ração, de modo que, após o ensaque, todos os sacos de ração apresentem a mesma composição em nutrientes. A mistura das rações é uma das etapas mais importantes no preparo das rações, mas, freqüentemente, pouca ou nenhuma atenção é dada a ela. São muitos os gastos na compra, processamento e armazenamento de ingredientes. Contudo, se esses ingredientes não são propriamente pesados e misturados, o controle de qualidade até esse estágio perderá boa parte de sua efetividade.
(^1) Engº. Agrº., Ph.D., Embrapa Suínos e Aves, C.P. 21, 89700-000, Concórdia,SC. (^2) Engª Agrª.
Existem vários tipos de misturadores, mas os mais comuns são o vertical e o horizontal. O misturador horizontal é o mais encontrado em fábricas de ração de maior porte. Esse misturador pode ser provido de fitas ou de pás que revolvem a mistura de um lado para o outro, repartindo-a em várias partes, e promovendo uma eficiente mistura ao longo de todo o misturador. Esses misturadores são geralmente providos de portas de descarga que permitem o rápido esvaziamento do misturador assim como maior facilidade para limpeza. O carregamento do misturador com uma quantidade acima da sua capacidade dificulta a mistura. As fitas ou pás devem emergir ao menos 5 a 7 cm acima do topo da mistura. A maior vantagem dos misturadores horizontais sobre os verticais é que eles permitem uma mistura mais homogênea (menores coeficientes de variação entre diferentes amostras coletadas há um mesmo tempo) e um menor tempo de mistura, que em geral, é de 3 a 5 minutos. Outra vantagem é que ele permite o uso de maior quantidade de líquidos na mistura. Em geral, a máxima quantidade de líquidos adicionada, em condições práticas, é 10%.
Foto 1. Detalhes internos de um misturador horizontal provido de fitas.
Os misturadores verticais constituem-se em uma célula (depósito) com uma ou duas roscas na linha do eixo central. São, em geral, mais lentos do que os misturadores horizontais, sendo o tempo de mistura, em geral, muito variável podendo-se encontrar misturadores com tempo ótimo
quantidade média de líquidos a ser adicionada, grau de limpeza necessário, custo do equipamento, automatização do processo e gastos, incluindo mão de obra, para operação e manutenção do misturador.
Foto 3. Misturador em Y.
O objetivo de se misturar os ingredientes é conseguir um produto final completamente homogêneo e com as características nutricionais planejadas. Quando as propriedades físicas dos ingredientes são uniformes, como tamanho e forma das partículas, densidade, higroscopicidade, carga estática e adesividade, a mistura dos ingredientes torna-se relativamente simples. Contudo, na maioria das vezes, isso não acontece.
Foto 4. Peneiramento do sal antes do seu uso com o objetivo de eliminar os torrões.
No preparo das rações, os seguintes cuidados e etapas devem ser seguidos:
Foto 5. Produtor lendo as indicações de um ingrediente.
Foto 7. Produtor preparando a pré-mistura.
ingredientes. Porém há misturadores verticais que apresentam tempo ótimo de mistura de três minutos e outros 19 minutos. Daí a necessidade de se determinar o tempo ideal de mistura. Misturas realizadas abaixo ou acima da faixa ideal de tempo não são de boa qualidade, uma vez que diferentes porções (sacos) de uma mesma partida terão diferentes quantidades de nutrientes, o que acarretará desuniformidade dos lotes e perdas econômicas para o produtor. As misturas realizadas acima do tempo ideal acarretam em gastos desnecessários com energia e mão de obra.
Foto 8. Após o uso e com o motor desligado, deve ser realizada a limpeza do misturador.
Foto 9. Detalhe da limpeza da parte superior de um misturador vertical através de uma janela de inspeção.
Existem várias maneiras de determinar o tempo ótimo de mistura, mas todos os métodos se baseiam em analisar diferentes amostras coletadas ao mesmo tempo de um misturador e analisá-las para um determinado nutriente ou componente.
Para se determinar o tempo de mistura serão necessários os seguintes materiais:
40 sacos plásticos com capacidade para 300 a 500g; 40 etiquetas para identificação das amostras; 1 calador para amostragem da mistura; Um cronômetro ou um relógio que marcam segundos.
Uma vez de posse de todos os materiais necessários, devem-se seguir as seguintes etapas:
CV%=100s/m onde: CV = coeficiente de variação m = média aritmética s = desvio padrão, calculado através da seguinte fórmula:
essa faixa de tempo indicada como a de melhor tempo de mistura, conforme pode ser observado no gráfico abaixo.
5
7
9
11
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15
17
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21
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25
1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 Tempo de mistura (min.)
CV %
Através desse gráfico pode-se verificar que a faixa ideal de trabalho para esse misturador está entre 11 e 17 minutos, devendo-se utilizar o menor tempo, ou seja, 11 minutos, porque trará maior economia. Para se determinar o tempo de mistura é suficiente que se realize apenas um ensaio como o descrito. Entretanto, se houver alterações no equipamento, inclusive desgaste de peças e troca do motor, recomenda-se que a avaliação seja repetida para maior segurança. Se houver necessidade, os tempos de amostragem podem ser diferentes dos apresentados, mas devem ser igualmente espaçados e em número sempre igual ou superior a dez tempos de amostragem. Normalmente, verificam-se coeficientes de variação da ordem de 10% para misturadores verticais e 5% para misturadores horizontais, mas é possível observar-se que alguns misturadores verticais podem apresentar coeficientes de variação da ordem de 5%.
Partículas grandes e pequenas não se misturam bem, conseguindo-se uma melhor mistura quando as partículas são menores. Partículas de alta densidade, como os minerais, tendem a se acumular na base do
misturador. Alguns ingredientes como vitaminas e antibióticos, podem apresentar capacidade estática, fazendo com que suas partículas sejam aderidas às paredes do misturador. Caso o misturador não esteja aterrado adequadamente, poderá haver uma menor quantidade de vitaminas do que o esperado na ração ou a contaminação de outras batidas com o antibiótico utilizado. Algumas vezes os equipamentos utilizados para mistura de ração na propriedade não permitem o uso de balanças. Esses sistemas devem ser evitados ou adaptados ao uso de uma balança. Mas se isso não for possível e os ingredientes tiverem que ser incluídos ao misturador com base no seu volume, há necessidade de se calibrar, frequentemente, o volume de cada ingrediente com base no seu peso, uma vez que há diferenças de densidade entre diferentes ingredientes, entre partidas de um mesmo ingrediente e entre subpartidas de uma mesma partida, ao longo do tempo. Por exemplo, uma lata ou um balde de 20 litros, contendo os seguintes ingredientes podem pesar, aproximadamente:
Ingrediente Peso de 20 litros (kg) Milho granja A 14, Milho granja B 16, Milho granja C 13, Farelo de soja granja A 14 , Farelo de soja granja B 13, Farelo de soja granja C 13, Farelo de trigo 7, Sal 21, Núcleo vitamínico e mineral 23, Premix vitaminico 14, Premix mineral 22,
No levantamento dos dados acima, após o completo carregamento dos baldes, o conteúdo foi socado três vezes, batendo-se com o balde no chão e completando-se o volume, se necessário. Tomou-se o cuidado para se passar uma régua no topo do balde para eliminar o excesso de ingredientes. Através dos valores observados, pode-se verificar como o uso de volumes torna impreciso o processo de preparo das rações. Se considerarmos que essas variações foram observadas com pequenas