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CURSO DO CULTIVO DE MANDIOCA GERAL
Tipologia: Notas de estudo
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Técnicos, extensionistas, produtores, outros agentes da cadeia produtiva
Aloyséia da Silva Noronha Arlene Maria Gomes Oliveira Carlos Estevão Leite Cardoso Hilton de Souza Gomes Jaeveson da Silva José Raimundo Ferreira Filho Mauto de Souza Diniz Miguel Angel Dita Rodríguez Vanderlei da Silva Santos
Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical – EMBRAPA/CNPMF Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia – EMBRAPA/CENARGEN Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola – EBDA Comissão Executiva da Lavoura Cacaueira – CEPLAC Banco do Nordeste do Brasil – BNB
Julho de 2008
A cultura da mandioca desempenha papel importante no contexto da agricultura familiar na Bahia, onde a produção em 2005 foi de 38 milhões de toneladas de raízes em área plantada de 300 mil hectares, com produtividade média de 12,7 t ha -1. Na Região Extremo Sul são encontradas diversas comunidades de produtores familiares que utilizam a mandioca como principal fonte de carboidratos na sua alimentação, além de ser a principal fonte de renda de muitas famílias. Todavia, a produtividade dos municípios nessa região é inferior à média nacional, com rendimentos entre 10 a 12 t ha -1. A degradação do solo, por cultivo intensivo e sem a rotação de culturas e de outros manejos (adubação, práticas conservacionistas do solo, pousio, adubação verde etc.), e o uso de variedades inadequadas, impossibilita ganhos em produtividade com o cultivo da mandioca, hoje sem retorno econômico para o agricultor. É comum encontrar plantas amarelecidas (‘amarelão da mandioca’), que definham e morrem, levando os produtores a abandonarem áreas dentro de suas propriedades onde ocorre este problema, por acharem ser inviável o cultivo nessas condições. Tradicionalmente, como nas demais regiões do Brasil, o agricultor familiar cultiva mandioca consorciada, principalmente com milho e feijão. Todavia, o cultivo é feito de forma desordenada, com dificuldade de aplicação dos tratos culturas e, conseqüentemente, menor eficiência do sistema. A região do Extremo Sul da Bahia, por ser um grande pólo turístico, apresenta mercado promissor para o consumo de mandioca mansa, onde na alta temporada de turismo a demanda aumenta em grandes proporções, principalmente na forma de raízes minimamente processada, para servir em restaurantes e barracas de praia. Porém, atualmente, a mandioca é praticamente comercializada na forma de farinha e raízes frescas. A farinha ainda precisa melhorar a qualidade, principalmente no ponto de torrefação e no armazenamento, que têm prejudicado sua comercialização. No entanto, vários subprodutos a base de mandioca (beijus, farinha, fécula e polvilho azedo) apresentam grande aceitação pelos consumidores. Esta publicação destina-se a disponibilizar informações técnicas sobre o cultivo da mandioca no Extremo Sul da Bahia, com base em recentes resultados de pesquisa, de modo a contribuir com o desenvolvimento da cultura na região.
O cultivo da mandioca na região do Extremo Sul do Estado da Bahia é uma atividade econômica praticada predominantemente pela agricultura de base familiar, registrando-se apenas algumas iniciativas por parte de médios e grandes empresários rurais. O quadro agrário da agricultura familiar na região se caracteriza por propriedades com área média entre 10 a 20 ha. O cultivo da mandioca está presente na totalidade dos estabelecimentos rurais, ocupando área média de 3 ha, onde são constatadas produtividades entre 12 a 15 t ha-1^ de raízes. Como característico na agricultura familiar das demais regiões do Estado da Bahia, os produtores do Extremo Sul exploram a mandioca em sistema de monocultivo e em consórcio, principalmente com feijão, milho e quiabo. Apesar da importância da cultura, a adoção de novas tecnologias é muito restrita. É comum o uso inadequado de espaçamento, época de plantio, níveis de adubação e variedades. E, apesar de ser uma região pastoril, a mandioca tem sido pouco utilizada na alimentação animal. Adicionalmente, as condições climáticas da região têm contribuído para a ocorrência de doenças como antracnose e podridão radicular. Estas doenças junto a problemas causados por fatores abióticos como o “amarelão” (sintomas similares à deficiência de manganês) tem provocado perdas consideráveis na produção e abandono de áreas. Diferentemente de outras regiões produtoras de mandioca no estado, onde a farinha é fabricada na propriedade, a maioria dos produtores da região vende as raízes para seu processamento em outras localidades. Devido à importância da cultura na região e o interesse de produtores com variados níveis de capitalização, habilidade gerencial, capacidade de organização e disponibilidade do fator de produção “terra”, foi elaborado este sistema de produção passível de adaptação à maioria das situações diagnosticadas. Caberá ao produtor e aos técnicos avaliar a adequação e viabilidade das estratégias aqui descritas confrontando-as com a realidade de sua área de produção e nível de capitalização.
ESCOLHA DA ÁREA
A mandioca se desenvolve em solos de acidez média até a condição de neutralidade (pH variando de 5,5 a 7,5). A calagem é uma prática necessária para o bom desenvolvimento da mandioca, principalmente em solos com elevada acidez e pobres nos nutrientes cálcio e magnésio, condição muito comum dos solos do Extremo Sul da Bahia. Porém, deve-se atentar para aplicar somente a quantidade de calcário recomendada na análise do solo, pois o excesso deste corretivo pode agravar o problema do “amarelão”. Deve-se preferir o calcário do tipo dolomítico. Economicamente, para a cultura da mandioca, não se deve aplicar acima de 2,0 t ha -1^ de calcário, sendo que na Bahia, recomenda-se no máximo até 1,0 t ha-1^ , evitando-se também deficiências de micronutrientes na cultura. O corretivo deve ser aplicado 60 a 90 dias antes do plantio, para que o produto tenha tempo de reagir com o solo e a mandioca se beneficie do seu resultado para crescer. No caso do fósforo, em terras não adubadas e com baixos níveis de fósforo, deve-se adicionar 60 kg.ha-1^ de de P^ 2O5, de preferência na forma de superfosfato simples (Tabela 1), no fundo das covas de plantio, que devem ser cobertas com pequena camada de terra, evitando-se seu contato com a maniva. Pode ser aplicado junto com o adubo orgânico. Na adubação nitrogenada recomenda-se 30 kg.ha -1^ de N, que pode ser aplicado na forma de sulfato de amônio ou uréia (Tabela 2), em cobertura, por ocasião da primeira capina (aproximadamente 40 dias após plantio). O N mineral pode ser substituído pelo N orgânico, aplicado via estercos e compostos, recomendando-se de 6,0 a 8,0 t.ha -1^ (360 a 480 g por planta), misturados à terra das covas. Para o potássio, em solos com baixo nível deste nutriente (Tabela 2), deve-se adicionar 40 kg.ha-1^ de K2O, sendo o cloreto de potássio o fertilizante mais comumente utilizado. Este adubo pode ser aplicado todo de uma única vez junto com a adubação nitrogenada ou adicionado a metade na cova de plantio, junto com o superfosfato simples e a outra metade em cobertura, junto com o adubo nitrogenado. Em locais com alta densidade de chuvas a adubação parcelada é a mais indicada. Em observações de campo, com aplicação de 20.kg.ha -1^ de sulfato de manganês, na cova de plantio, em áreas de grande ocorrência do amarelão, observou-se ainda o aparecimento de sintomas deste problema. Desta forma, os produtores têm usado a dosagem de 30 a 40 kg.ha-1^ de sulfato de manganês em áreas onde observa-se sintomas de deficiência deste micronutriente (menor dose na ocorrência mais leve dos sintomas).
Recomenda-se alternar o uso do adubo em plantios consecutivos na mesma área quando do uso de maiores dosagens. No caso de se observar o amarelecimento das folhas das plantas em campo, recomenda-se a aplicação de uma solução a 2% de sulfato de manganês, repetida com 15 dias.
Tabela 1. Recomendação de adubação fosfatada para o cultivo da mandioca no Extremo Sul da Bahia, com base em resultados analíticos de solo (densidade em torno de 16.666 plantas/ ha).
Fósforo no solo (Mehlich) mg de P dm-
(kg.ha -1)
(g.planta -1)
Superfosfato simples (g.planta-1^ )
Superfosfato triplo (g.planta) Até 3 60 3,6 20,0 8, 4 a 6 40 2,4 13,3 5, 7 a 10 20 1,2 6,8 2,
Fonte: adaptado de Gomes (2000)
Tabela 2. Recomendação de adubação nitrogenada e potássica, em cobertura, para o cultivo da mandioca no Extremo Sul da Bahia, com base em resultados analíticos de solo (densidade em torno de 16.666 plantas/ha).
N (kg./ha-1^ )
(g.planta-1^ )
Uréia (g.planta-1^ )
Sulfato de amônio (g.planta-1^ ) Nitrogênio 30 1,8 4,1 9, Potássio no solo (Mehlich) mg de P dm-
(kg.ha -1)
K (^) 2O (g/ planta)
Cloreto de Potássio (g/planta)
Sulfato de potássio (g/planta) Até 20 40 2,4 4,1 5, 21 a 40 30 1,8 3,1 3, 41 a 60 20 1,2 2,1 2,
Fonte: adaptado de Gomes (2000).
VARIEDADES
A variedade ou cultivar é um dos principais componentes do sistema de produção. A escolha adequada pode resultar em aumentos consideráveis de produção. Algumas das
de comprimento, que apresentem pelo menos cinco gemas e sem raladuras. Quando as manivas estão em boas condições de plantio, ao cortá-las, o miolo interno da haste apresenta uma coloração creme; também há escorrimento do ‘leite’.
PLANTIO
Época Para a semeadura deve-se preferir o início da estação chuvosa, entre os meses de março a abril, em covas e na profundidade de 10 cm. Deve-se evitar os períodos frios (junho a agosto) e os meses secos (janeiro e fevereiro). Visando a redução de doenças como a antracnose e a ferrugem, a semeadura pode ser realizada de setembro a outubro. Recomenda-se o uso de variedades com diferentes ciclos de cultivo a fim de permitir maior período de comercialização. Todavia, deve-se evitar a mistura das variedades na área de plantio, de forma que sejam cultivadas em talhões separados. São recomendados dois sistemas de plantio: solteiro e consorciado.
Plantio solteiro O plantio solteiro deve ser estabelecido em fileiras simples, nos espaçamento: 1,00 m x 0,60 m ou 1,00 m x 0,80 m, a depender da estrutura da planta. Variedades que esgalham devem ser plantadas nos espaçamentos maiores.
Plantio consorciado Quando o plantio consorciado for instalado em fileiras duplas, a mandioca é colocada no espaçamento 2,00 m x 0,60 m x 0,60 m. Uma linha de milho ou quiabo, com espaçamento entre covas de 0,50m, é disposta na maior entre-linha da mandioca. No caso de se usar feijão no consórcio, deve-se colocar três fileiras com 0,50 m entre elas e 0,20 m entre as covas. No consórcio realizado com o plantio em fileiras simples, a mandioca é instalada no espaçamento 2,00 m x 0,60 m e é plantada na entre-linha uma fila de feijão ou milho, com espaçamento entre covas de 0,20 m (Figura 1).
Esquema
X : Mandioca; O : Milho ou Quiabo; I: Feijão Figura 1. Representação gráfica dos sistemas de plantio consorciado
Devido ao crescimento inicial lento da mandioca, as demais culturas devem ser semeadas por ocasião da primeira capina e a adubação em cobertura. Embora não se recomende plantar mandioca em solos pesados, sujeitos a encharcamento, caso isso ocorra, recomenda-se o plantio em camalhões, construídos em curva de nível, colocando a maniva na posição vertical ou inclinada, enterrando-se no máximo 10 cm e com o espaçamento de 1,20 m x 0,60 m. Na posição inclinada, basta deixar a primeira gema descoberta.
ROTAÇÃO DE CULTURAS
Para reduzir a perda da fertilidade do solo, indica-se a rotação de culturas, substituindo preferencialmente a mandioca por culturas leguminosas. Pode-se optar também por gramíneas, como milho ou forrageiras. Além de melhorar a fertilidade, esta prática reduz os efeitos da erosão e compactação do solo e exploração de diferentes camadas do solo pelas plantas. Contribui também para a redução da incidência de pragas, doenças e plantas indesejáveis. Recomenda-se a seguinte estratégia de rotação de culturas. As lavouras serão plantadas em áreas separadas. Para isto, a área destinada ao plantio do ano será dividida em três partes, plantada no primeiro ciclo na seguinte seqüência: mandioca, milho e feijão (Figura 2). No segundo ciclo, no local onde estava com mandioca será plantado o milho e a de milho com feijão e assim sucessivamente, de maneira que no quarto ciclo a mandioca volte à mesma área que ocupou no ciclo 1 (Figura 2)
de tanque dos herbicidas diuron + alachlor, que controla a maioria das plantas. Adicionalmente, o glifosate tem sido eficientemente utilizado no controle/substituição de capineiras por mandioca.
PRAGAS
Ácaros Ácaro verde da mandioca Mononychellus tanajoa
O ácaro verde, também conhecido como tanajoá, é encontrado na face inferior das folhas de mandioca, principalmente nos brotos e folhas novas da planta. Com o ataque intenso, que ocorre em períodos secos, as folhas apresentam-se deformadas podendo haver morte da ponta dos ramos.
Ácaro rajado Tetranychus urticae O ácaro rajado ocorre em várias culturas. É encontrado principalmente na face inferior das folhas localizadas na base e no meio da planta. As folhas atacadas apresentam na face superior pontos amarelados, adquirindo coloração bronzeada; posteriormente secam e caem. Em ataques severos, especialmente em períodos secos, pode ocorrer perda das folhas localizadas na base e no meio da planta, avançando até a parte superior dos ramos. As perdas no rendimento de raízes e de material para plantio, ocasionadas pelos ácaros, dependem da variedade em uso, idade da planta, duração do ataque, períodos secos prolongados e práticas culturais.
Controle
Brocas do caule
As brocas (várias espécies) não causam danos com freqüencia na mandioca (esporádicos). A fêmea pode colocar ovos em várias partes da planta. As larvas são de cor branca, amarela ou marrom-clara, que penetram e fazem túneis na parte central na haste, com possibilidade de secar e partir, reduzindo a quantidade e qualidade do material de plantio. Em infestações severas as plantas podem morrer
Controle
. Cortar e queimar as hastes atacadas; . No plantio usar manivas sadias.
Cupins – Coptotermes spp.
Os cupins atacam a cultura da mandioca principalmente durante os períodos prolongados de seca. Em plantas jovens constroem galerias no interior das hastes, fazendo com que elas sequem de cima para baixo e morram. Esses insetos atacam também as raízes e o material armazenado para o plantio.
Controle
Mosca-branca
As moscas-brancas (várias espécies) podem estar presentes durante todo o ciclo da cultura, mas geralmente ocorrem no período chuvoso. Os adultos podem ser observados sacudindo-se os brotos da planta para fazê-los voar, pois são encontrados na face inferior das folhas que estão no topo da planta. Observa-se nas folhas a presença de uma substância açucarada, conhecida como mel ou mela, que é produzida pela mosca. Os adultos e as formas jovens causam danos ao se alimentarem nas folhas, que ficam amareladas, encarquilhadas, secam e caem. Altas populações da praga ocasionam redução no rendimento de raízes e afetam a qualidade da farinha.
Controle
A primeira mediada a ser implementada é o uso de variedades resistentes, seguido pela utilização de material de plantio não infestado. Devem-se evitar cultivos escalonados e
práticas que colaborem com a redução de inimigos naturais., é. O plantio em consórcio, bem a adubação podem favorecer a redução da praga.
Mosca do broto Neosilba perezi
O adulto é uma mosca de cor azul-escura metálica que pode ocorrer durante todo o ano, sendo mais freqüente em outras regiões no início das chuvas. A fêmea coloca os ovos entre as folhas do ponto de crescimento (topo da planta) ou na parte tenra do broto. Pequenas larvas esbranquiçadas matam o broto da planta. No local do ataque, quando recente, verifica-se uma exsudação de cor branca amarelada, e de cor marrom, quando o ataque é mais antigo. Com a morte do broto, podem aparecer brotações laterais, plantas jovens não se desenvolverem normalmente e redução na produção de manivas para plantio. Essa praga é importante quando ocorre nos primeiros três meses de cultivo.
Controle
. Recomenda-se cortar e queimar os brotos atacados.
Outras considerações
Também pragas como as cochonilhas da parte aérea e de raízes, dentre outras, podem causar sérios danos à cultura. O produtor deve realizar o monitoramento da área, efetuando visitas periódicas ao plantio, verificando a ocorrência e identificação dos focos iniciais das pragas. Esta prática torna o controle mais eficiente. Apesar da utilização de agroquímicos no controle de pragas na cultura da mandioca, ainda não existe produtos registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA.
DOENÇAS E MÉTODOS DE CONTROLE
Podridão Radicular
que facilitem a drenagem, adição de matéria orgânica e correção do pH com o uso adequado de calcário. O sistema de cultivo pode ser alterado pelo plantio em camalhão. Esse conjunto de medidas quando combinadas na estratégia de manejo integrado tem resultado na diminuição da podridão radicular em até 64%. Antracnose A antracnose, uma das doenças de maior importância na região, é causada pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides fsp_. manihotis_ e sua ocorrência esta principalmente associada à incidência de chuvas e temperaturas amenas. No Extremo Sul a época mais favorável à doença são os meses de julho e agosto. A doença pode ocasionar perdas significativas na produção de raízes e redução da qualidade dos produtos. A intensidade das perdas está relacionada à resistência da variedade e a idade do plantio. Se a doença ocorre em plantas ainda jovens (3 a 6 meses de idade) as perdas podem ser totais. O sintoma do ataque do fungo se apresenta como cancros nas hastes, desfolha intensa e necrose dos ponteiros que pode culminar com a morte da planta. As manivas armazenadas, principalmente em ambientes muito úmidos, podem ser atingidas pelo fungo que causa falhas na germinação e favorece a infecção por outros organismos do solo.
Controle
Devido o fungo ser transmitido via material de plantio, a utilização de manivas sadias é a primeira medida a ser utilizada. O uso de variedades resistentes e plantios pouco adensados contribuem para reduzir a intensidade da doença. Em avaliações realizadas em 2003, no Extremo Sul da Bahia, as variedades Caravela, Crioula, Manteiguinha e Casca Roxa se comportaram como suscetíveis. Já as variedades Saracura e Paraguai mostraram menores níveis de intensidade da doença. Ferrugem A ferrugem é causada pelo fungo Uromyces manihotis. Historicamente a doença não tem sido considerada como problema no Brasil, porém, ultimamente, algumas epidemias têm sido detectadas na região de Aracaju, Estado de Sergipe e São Miguel das Matas, Tancredo Neves e no Extremo Sul, Estado da Bahia. No Extremo Sul a doença foi encontrada com alta intensidade na variedade Caravela. A doença é dependente de temperaturas amenas, pelo que epidemias são comumente encontradas nas épocas frias do
ano, notadamente entre os meses de junho e agosto. Perdas com a doença não têm sido estimadas, mas acredita-se que não sejam relevantes. Os maiores problemas ocorrem quando incide em associação com a antracnose, o que é comum, pois ambas requerem condições de temperatura parecidas para se expressarem. O controle deve ser realizado fundamentalmente pelo uso de variedades resistentes.
Bacteriose
A bacteriose, causada por Xanthomonas axonopodis pv. manihotis , é uma doença importante, sobretudo no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Em outras regiões, como no Extremo Sul da Bahia, são poucas as áreas afetadas pela doença, mas não se descarta que eventuais epidemias possam ocorrer. Os sintomas da bacteriose caracterizam-se por manchas angulares e de aparência aquosa nos folíolos, murcha das folhas e pecíolos, morte começando pelo ponteiro e descendo ao longo da planta, a presença de uma goma saindo das hastes, a necrose dos feixes vasculares e finalmente a morte da planta. A utilização de variedades resistentes é a medida mais eficiente para o controle da bacteriose; também contribuem práticas culturais como a utilização de material de plantio sadio, remoção e queima de partes de plantas afetadas e a adequação das épocas de plantio. Para o Extremo Sul da Bahia ainda não existe nenhuma indicação de variedades resistentes à bacteriose, mesmo porque a sua ocorrência ainda não é problema para a cultura. Vale ressaltar, no entanto, que a variedade Formosa lançada pela Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical , tem apresentado altos níveis de resistência na região de Planaltina-DF.
Superalongamento
O superalongamento é causado pelo fungo Sphaceloma manihoticola. Os principais sintomas caracterizam-se pelo alongamento exagerado das hastes em desenvolvimento, formando ramas finas com longos entrenós. Em casos severos as plantas afetadas podem ser identificadas pelas lesões típicas de verrugose nas hastes, pecíolos e nervuras. O estabelecimento da doença em áreas livres ocorre principalmente por meio de manivas- semente contaminadas. As medidas de controle baseiam-se na seleção de manivas procedentes de plantas sadias, remoção e queima de plantas infectadas e uso de variedades resistentes.
Superbrotamento