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Apostila de obi religião afro.
Tipologia: Trabalhos
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sagrado. Interpretação: não se podem proceder as rituais sem que se tenha investidura e conhecimento básico para realizá-los, chamar a todos de Esúrú é considerar a todos, indiscriminadamente, como seres talhados para a missão sacerdotal, o que é uma inverdade ou, o que é pior, uma manipulação de interesses. Da mesma forma que nem todas as contas servem para formar-se o Eleke (colar) de um Orisa (como as contas sagradas), nem todos os seres humanos nasceram fadados para a prática sacerdotal.
Mensagem: Para ser um sacerdote de Ifa , são necessários inúmeros atributos morais, intelectuais, procedimentais e vocacionais. A simples iniciação de um ser profano, desprovido destes atributos básicos e essenciais, não o habilita como um sacerdote legitima e legitimado. Da má interpretação e inobservância destes mandamentos resulta a grande quantidade de maus sacerdotes que proliferam hoje em dia dentro do Culto de Orunmilá. Ai observa-se a diferença entre ser Babalawo e estar Babalawo , aquele que se submete á iniciação visando tão somente o status de Babalawo , jamais será um verdadeiro sacerdote de Orunmilá. Estará Babalawo , cargo adquirido pela iniciação, mas jamais será Babalawo , condição imposta por sua vocação, dedicação e desprendimento. Cabe ao sacerdote que procede a iniciação escolher, com muito critério, aqueles que são realmente dignos do sacerdote.
03º - Mandamento de Ifa
Eles avisaram que não chamassem forças, da forma errada “ Odidé”, (uma referência ás aves noturnas e misteriosas, que se nutrem de sangue). Dar maus conselhos e orientações erradas é expor as pessoas aos perigos de energias maléficas e sem controle.
03º Mandamento: O sacerdote numa deve desencaminhar as pessoa dando- lhes maus conselhos e orientações erradas. Interpretação: É inadmissível que um sacerdote se utilize do seu poder e do seu conhecimento religioso para, em proveito próprio, induzir ao erro aqueles que o saquem. Ao agirem desta forma assumem a postura das aves noturnas que, nas trevas, saciam suas necessidades com o sacrifício e o sangue dos outros.
Mensagem: Um das mais importantes funções do sacerdote é orientar seu discípulo, conduzindo-o ao caminho correto, ao encontro do Ire (boa sorte), de acordo com os ditames estabelecidos por seu Odu pessoal e seus Orisa de cabeça. Quem chega aos pés de Orunmilá para consultar seu oráculo em busca de soluções, deve ser orientado pelo sacerdote corretamente, independente do interesse desta como olha dor. A pessoa que chega com um problema deve ter seu problema solucionado e não vê-lo acrescentado de outros criados artificialmente com o fito de proporcionar a quem a consulta, vantagens financeiras ou possibilidade de conquistas e abusos.
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04º - Mandamento de Ifa
Eles avisaram que não dissessem que as folhas sagradas do Arabá. São folhas da árvore “ Oriro ”. (tudo deve ser feito de acordo com os ditames e os preceitos religiosos). A simples troca de uma simples folha pode ocasionar conseqüências maléficas ou tomar sem efeito um grande Ebo da mesma forma que as folhas do Arabá não são igual ás folhas de Oriro.
04º Mandamento: O sacerdote não pode, em nenhuma condição, utilizar-se de falsos recursos, fornecendo coisas sem validade religiosa com elementos de segurança ou de culto. Interpretação: Os procedimentos litúrgicos devem ser observados integralmente e a ninguém cabe o direito de fazer isto por aquilo quando em aquilo é que está a solução.
Mensagem: Aquele que utiliza de meios escuros e enganosos contra seus semelhantes será culpado do crime de abuso de confiança. Usando de artifícios e mentiras contra as pessoas inocentes e de bom coração, o sacerdote provoca o descontentamento de Orunmilá e a conseqüente ira de Elegbara , e isto não é bom. Cada entidade espiritual possui um nome individual de acordo com a determinação de Olofin (deus). Da mesma forma, cada Exu Elegbara possui nome e identidade própria, assim como atributos específicos. É inadmissível, portanto que esta entidade tão sagrada e importante dentro do culto, seja assentada entregue de maneira irresponsável, e que aqueles que a recebem permaneçam ignorantes do seu nome, qualidade, forma de tratamento e especificidade de função. Sentença: Orunmilá é aquele que nos olha com amor, não façamos por onde possa nos olhar com desprezo.
05º - Mandamento de Ifa
Eles avisaram que, não deveriam mergulhar fundo, aqueles que ainda não soubessem nadar. (o saber é fundamental para quem quer fazer). Para tanto é necessário o poder, que só a iniciação pode outorgar.
05º Mandamento: O sacerdote não pode proceder a liturgias para quais não seja habilitado através do processo iniciação ou cuja prática desconheça ou domine apenas parcialmente. Interpretação: O Babalawo não deve ostentar uma sabedoria que na verdade não possua. Procurar saber não avilta, mas pelo contrario exalta o ser humano. O saber é condição básica para que se possa fazer.
Mensagem : Tudo deve ser feito integralmente e com legitimidade total. Se houver duvidas sobre algum procedimento, deve-se pesquisar profundamente sobre ele. Cabe ao sacerdote ensinar tudo o que sabem aqueles que o cercam e que nele confiam. A sonegação de ensinamentos corretos e completos implica na responsabilidade da pratica de suicídio cultural. De a mesma forma buscar orientação em quem sabe, nada tem de
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procurando adquirir a confiança e os conhecimentos de sua vitima para ter base de agir no momento mais propicio aos seus objetivos. A mesma responsabilidade assume aquele que inicia pessoas que não possuam os requisitos básicos exigidos para tal, visando ai, a simples vantagem financeira.
08º - Mandamento de Ifá
Eles avisaram que não deveriam usar as penas Ekodidé para limparem os seus traseiros. (a pena do Ekodidé é um dos símbolos mais sagrados dentro do culto e, por este motivo, jamais deverá ser profanada).
08º Mandamento: Os sagrados fundamentos não podem ser usados com objetivos vãos. Os tabus devem ser integralmente observados sob pena de severas conseqüências. Interpretação: O sacerdote deve submeter-se de bom grado ás interdições imposta por seu Odu pessoal, assim como aos tabus de seu Olori. A obediência total ás orientações de Ifa conduzem o homem á plenitude das bênçãos. Utilizar-se dos sagrados conhecimentos de forma leviana corresponde á profanar o sagrado. A figura aqui utilizada representa muito bem tal atitude. Limpar o traseiro com panas Ekodidé e o mesmo que usar coisas sagradas com objetivos condenáveis e fúteis.
Mensagem : Não se deve utilizar o poder magia para prejudicar a quem quer que seja. Há pratica do mal, invariavelmente, apresenta resultados
mais rápidos, mas conduz a caminhos tortuosos que não têm volta. Da mesma forma aquele se utiliza destes poderes visando unicamente auferir vantagens econômicas, está em desacordo com os sagrados ditames e será responsabilizado por isto.
09º - Mandamento de Ifa
Eles avisaram que não deveriam defecar no Epô. (sujeira e a falta de higiene são incompatíveis com o rito).
09º Mandamento : O Epô (azeite de dendê). Corresponde ao sangue vegetal. Elementos sagrados e indispensáveis no ritual há de ser sempre muito puro e limpo. Da mesma forma, tudo deve ser limpo, os instrumentos, os ambientes, os assentamentos, as pessoas e, principalmente as atitudes. Não se admite, sob nenhuma hipótese, a falta de limpeza e de higiene em qualquer aspecto, quer seja física, ambiental ou moral.
Mensagem: O sacerdote deve ser escrupuloso com tudo. Seus instrumentos litúrgicos, os assentamentos das entidades cultuadas, seu corpo, suas atitudes e seu caráter não de permanecer, sempre, impecavelmente limpos. Nenhum Orixá admite a sujeira, seja ela física ou moral.
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10º - Mandamento de Ifa
Eles avisaram que não deveriam urinar dentro do Afó. (o Afó é o local onde se fabrica o azeite de dendê na terra Yoruba ).
10º Mandamento: Tudo aquilo que antecede a um rito e que a ele faça referencia, deve ser realizado com limpeza e religiosidade. Interpretação: Da mesma forma que o ritual deve ser cercado de cuidado de limpeza, a confecção das comidas e oferendas deve seguir os mesmos princípios. Preparar as comidas ritualísticas é também um rito e deve ser realizado em total circunspeção e concentração religiosa.
Mensagem: Durante a preparação das oferendas e comidas ritualísticas a atitude de quem dela participa deve ser a mesma de quem participa do ritual em si. É inadmissível que, neste momento sagrado, as pessoas estejam consumindo bebidas alcoólicas, falando coisas vulgares discutindo, brigando ou tentando exibir seus conhecimentos, humilhando a quem sabe menos. A postura será sempre sacerdotal, o silencio e a concentração deve ser mantida e, ensinar a quem não sabe ou os quem sabe monos é uma obrigação sagrada.
11º - Mandamento de Ifa
Eles avisaram que não se deve retirar a bengala de um cego. (a bengala de um cego substitui seus olhos e indica os obstáculos que se interpõem em seu caminho).
11º Mandamento : O sacerdote não pode prevalecer-se de sua carga de conhecimento para humilhar ou confundir a ninguém. Interpretação: O sacerdote há de ter o mais profundo respeito pelos que sabem monos. Ninguém tem o direito de descaracterizar o que os outros sabem e acreditam. Abalar a fé de quem sabe pouco ou nada sabe, é retirar a bengala de um cego, deixando-o sem qualquer orientação nas trevas em que caminha.
Mensagem: Uma das mais importantes missões do sacerdote é ensinar e orientar. Muitas vezes surgem pessoas que nada sabem e julgam saber. É neste momento que o sábio aflora no sacerdote e a orientação correta e o ensinamento certo são passados, com doçura, sutileza e humildade, sem melindrar a quem os recebe e sem provocar confusões em sua cabeça. Tudo deve ser ensinado com clareza e lógica. Assim o Babalawo no exercício de seu sacerdote, assume também a missão de mestre.
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14º Mandamento : Os amigos ser respeitados e uma amizade não podem ser traídos. Interpretação: deitar com a esposa de um amigo é a maior injuria que o sacerdote pode praticar contra esta pessoa. A sentença busca valorizar o sentimento de amizade que deve ser pautado sempre, no respeito mútuo e na reciprocidade ética, que em hipótese alguma, podem ser esquecidos.
Mensagem: Um amigo vale mais do que um parente. Este afirmativa da sabedoria popular fundamenta-se no fato de que os parentes nos são impostos pelo destino, ao passo que, os amigos, cabem-nos escolher dentre as inúmeras pessoas que surgem no decorrer de nossa vida. Elegem-se de livre e espontânea vontade, os nossos amigos, por que traí-los? Por que não dar a eles o mesmo tratamento que gostaríamos que nos dessem? Conservar as amizades tratá-las com respeito e carinho é acima de tudo uma demonstração de sabedoria. As amizades devem ser cultuadas e ninguém deve criar animosidade entre amigos colocando em risco uma relação que pode representar um grande tesouro. Mas vale um amigo na praça do que dinheiro no banco (da sabedoria popular)
15º - Mandamento de Ifá
Eles avisaram que não semeassem discórdias religiosas.
15º Mandamento : Não se deve usar a religião para motivar a separação e a guerra entre os homens. Interpretação: A religião tem por finalidade única unir os homens através de deus. Não é concebível, portanto, que possa ser utilizada como elemento apartado dos seres humanos. Mesmo no âmbito de uma mesma religião pode-se verificar a desconfiança e a discórdia entre sacerdote, irmãos e adeptos. Muita guerra, incorretamente denominadas “guerra santas”, têm feito derramar o sangue de inocentes, enlutando famílias e propagando a dor e o pranto. A motivação religiosa que as incentiva é, no entanto uma máscara para o seu motivo real: A obtenção do poder:
Mensagem: O verdadeiro sacerdote deve pugnar pela união dos homens, independente de seu credo religioso. Deus é um só e todos os homens são seus filhos e por conseqüência, irmãos entre si. Da mesma forma, os sacerdotes de uma mesma religião devem agir dentro de uma ética que os impeça de falarem mal uns dos outros, utilizando-se de meios condenáveis para atrair os seguidores de seus coirmãos.
16º - Mandamento de Ifa
Eles avisaram que nunca faltassem com o respeito ou quisessem deitar-se com a esposa de outro sacerdote. (todos aqueles que possuem cargos religiosos são importantes e dignos de respeito).
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16º Mandamento : Os sacerdotes, independente de funções, devem respeitar-se mutuamente. Interpretação: Uma única palavra pode sintetizar o 16º mandamentos de Ifa “Ética”. Mensagem: A falta de ética entre os sacerdotes de nossa religião, muito tem colaborado para o seu enfraquecimento e falta de credibilidade pública. O sacerdote dotado de postura ética, jamais abre a boca para apontar erros e defeito em seus irmãos. Se os constata, procura corrigi-los de forma sutil e, se possível, despercebida aos olhos alheio, sem alardear aquilo que considera errado.
Mensagem: Muitas pessoas tentam encobrir os próprios erros e esconder a própria incompetência, apontando, de forma espalhafatosa, o erro e a incompetência dos outros. Esta e uma atitude incorreta que só tem, prejudicado e impedido um maior desenvolvimento da nossa religião. A seleção será feita, naturalmente, por Orunmilá, através de ação de Exu. Só a eles julgar o que é certo e o que é errado. Só a eles cabe separar o João do trigo.
AS DEZESSEIS CONDIÇÕES ESSENCIAIS PARA UM BABALAWO
01º - Amar com devoção, a Deus e aos Orixás.
O verdadeiro sacerdote ama a Deus como seu Criador e vê nos Orisa os seus representantes. Na concepção limitações seria inútil desenvolver um culto direcionado diretamente e ele. Desta forma, são através dos Orisa , seus representantes junto a nós, que podemos cultuá-lo de forma indireta obtendo assim a sua proteção e demonstrando o nosso amor por ele.
02º Propagar o nome de Orunmilá.
Orunmilá é a representação individualizada da sabedoria divina contida em cada um de nós. Propagar seu nome, seu culto e a sabedoria que ele representa á a missão mais importante de seu corpo sacerdotal. Uma das formas mais corretas de cultuar e agradar Orunmilá são propagar seu nome e sua ciência.
03º - Saber ver em cada coisa e em cada ser, uma manifestação do Criador
Tudo o que existe no universo são diferentes manifestações da Divindade Suprema. Deus se faz conhecer através da natureza e, por este motivo, o Babalawo respeita-a em todos os seus aspectos. Os seres humanos é a manifestação por excelência da Divindade que se faz presente em cada um deles dividido em miríades de partículas que através da união dos homens, busca a Unidade Divida e sua plena manifestação no mundo material.
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causa efeito de tudo o que ocorre. A lógica será sempre a ferramenta de trabalho do sábio que, com ela, penetrará no âmago do problema em busca da interpretação daquilo que se configura implicitamente, mascarado aos olhos do ser profano. Os itans ou poemas de Ifa são portadores de orientações codificadas que só os sábios podem compreender e explicar. Uma das funções essenciais do Babalawo é interpretar e revelar ao leigo estas orientações.
08º - Ser receptivo aos ensinamentos
A ciência de Ifa é a ciência da vida. Revela os mistérios mais intricados e ocultos da existência cósmica em todos os seus planos. Conhecê-la é conhecer os mistérios da vida e da morte, dominá-la são os arcanos da sabedoria. O Babalawo deve ter um intelecto desenvolvido o suficiente para absorver e registrar tudo o que a ela diz respeito. Não é bastante, no entanto, o conhecimento ritualístico, mas, e principalmente, o significado do ritual, dos símbolos e de tudo o mais. A compreensão dos mistérios e a interpretação de suas alegorias são indispensáveis para que o Babalawo assuma toda a sua potencialidade sacerdotal.
09º - Ser isento de preconceitos de qualquer espécie
O preconceito seja de que forma se manifesto é um elemento desagregador. A função do Babalawo é reunir em torno de Orunmilá e dos Orisa , todos
os seres humanos, independente de credo, nacionalidade, raça e condição social. Agir de forma preconceituosa resulta sempre na obstaculizarão do objetivo final: a união de todos.
10º - Saber seletivo sem melindrar
Saber selecionar as pessoas que fazem parte do seu convívio é uma obrigação do Babalawo. A promiscuidade no relacionamento será sempre nociva ao bom desempenho das funções sacerdotais e deve-se ter em mente
que “uma maçã podre contamina e apodrece as outras dentro do cesto”. No entanto esta seleção deverá ser feita de forma cuidadosa e diplomática sem que a susceptibilidade da pessoa indesejável seja ferida, e só deverá ser adota depois que todos os recursos de recuperação tenham sido esgotados.
11º - Possuir moral ilibada
A moral do Babalawo deve ser limpa e exemplar. Não é digno de crédito, nem pode liderar um grupo religioso o homem que se entrega ao vicio, que se deixa dominar pela preguiça, que explora e abusa de mulheres ou pratique atos que o coloque á margem da lei dos homens. É preciso estar atento ao fato de que a corrupção é um dos atos mais imorais que o ser humano pode
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praticar, assim sendo, o sacerdote será sempre incorruptível e jamais tentará corromper a quem quer que seja.
12º - Falar somente a verdade e lutar por ela
Para um Babalawo a verdade estará sempre acima de qualquer outra coisa. As mentiras, mesmo aquelas apelidadas de mentiras piedosas, sempre acabam sendo descobertas e o resultado é a desmoralização de quem dela fez uso “Falar a verdade, somente à verdade”, ordena um Itan de Ifa. E o que é a verdade? A verdade é a palavra de Orunmilá atuando sobre a Terra.
13º - Conduzir-se com retidão em todos os setores da vida
O caminho reto é o caminho do bem. O caminho do bem é o caminho do verdadeiro sacerdote. Aquele que se desvia do caminho reto tende a perder- se em sendas que podem de forma ilusória, parecem fáceis de serem trilhadas com dignidade. O caminho errado, como determina o 8º mandamento de Ifa , não oferece a possibilidade de retorno, é caminho sem volta.
14º - Saber guardar segredo daquilo que é segredo
O segredo é revelado ao iniciado e somente ele pode conhecê-lo. Revelar segredo da religião corresponde a sacrilégio, a quebra de tabu. Mas nem tudo é segredo, nem tudo deve permanecer oculto do vulgo. Ao contrário, muitas coisas devem ser reveladas ao não iniciado para uma melhor compreensão da nossa religião e também como artefato de defesa contra a ação dos falsos sacerdotes.
15º - Saber manter a calma e o equilíbrio
O Babalawo não pode, em nenhuma circunstância, perder a calma e o controle sobre si mesmo ou sobre a situação. Ao lidar com espíritos de diversas qualidades e hierarquias, poderá ser surpreendido por coisas assustadoras e ameaçadoras. Ainda assim deverá manter-se calmo e dominar a situação e, para isto possuem meios e recursos que adquire na prática e na teoria. Mesmo em situações do quotidiano, a sua calma deverá ser mantida e as emoções controladas.
16º - Ser homem no sentido total e mais amplo do terno.
A expressão “ser homem” tem um significado muito mais profundo do que pode parecer numa observação apenas superficial. “Ser homem” é possuir todas as qualidades esperadas num ser humano do sexo masculino, admitindo-se ai os pequenos defeitos inerentes á natureza humana. “Ser homem” é saber agir dentro de todos os ditames anteriormente descrito sem que com isto a pessoa venha a violentar-se. “Ser homem” é reconhecer, na
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gentis e vulneráveis. Você sentir-se-á satisfeito quando der sem pensar em proveito para si.
A natação, o tênis, o vôlei? Pintar, cantar, coser? Não posso dizer-lhe. Você mesmo terá de escolher. Mas a vida é feliz, se fizer o que lhe agrada.
Existe uma tendência no ser humano de reduzir os novos fenômenos com que ele se defronta a idéias e definições preexistentes em sua mente oriundas de fatos anteriormente conhecidos. Esta redução dificulta uma visão e uma interpretação corretas do que se analisa. Assim, os fatos culturais dos negros do Golfo do Benin nos seus cerimoniais e ritos transformam-se, nesta visão deformadora, em religião primitiva. O Candomblé não é primitivo e muito menos religião, antes de tudo, este conjunto de preceitos, regras, ritos e práticas formam um weltanchau (visão do mundo, concepção global de apreensão da realidade - termo usado em filosofia) e uma técnica que permite o confronto com a natureza e com seus semelhantes, utilizando a energia de sua própria mente (o Ori).
Os Orixás (de Ori : cabeça e mente; Axé: força, magia) não existem fora da mente humana, não são deuses primitivos de um panteão imaginado pela concepção cultural do branco nem são espíritos de luz comandando "falanges" de almas como os idealizam os descendentes dos povos bantos, associado ao fenômeno da cosmogonia nagô à sua cultura religiosa, que se fundamenta no culto dos ancestrais.
Devemos despir o Candomblé da carga sincrética que for desvirtuaste, para fazer emergir o entendimento do que é a mais pura tradição nagô. Os rituais e cerimônias não serão descritas, pois isto já foi feito e muito bem por mestres como Discorrestes dos Santos, Fred Aflalo, Roger Bastide, Pierre "Fatumbi" Verger e tantos outros.
O que realmente importa, é comentar cada cerimônia, cada festa, cada fundamento e cada obrigação, buscando sua explicação purificada do misticismo branco ou banto, para fazer aflorar a verdadeira função de "Ori", único alvo e agente do culto nagô, e a de "Ifa" como orientador e verdadeiro Oluwô (o mesmo que Babalawo).
A intenção deste redimensionamento não é diminuir a importância dos fatos, mas sim, um engrandecimento, na proporção humana, para que se desvende a sua grandeza original. Fazer voltar a luz, saindo das trevas da religiosidade ignorante, na sabedoria milenar que permite desenvolver a capacidade do homem de se situar e de interagir na sua formação, na natureza e no convívio social.
Se recusando a divinizar Osala , satanizar Esu ou santificar todos os Orixás , devemos isolar os erros, afastar os temores, expulsar os demônios
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brancos de nossa ontogenia, abrindo as portas a entendimento, o que permitirá que mais pessoas possam utilizar este importante sistema de controle da própria mente e, em conseqüência, dos fatos naturais e sociais nos quais atua.
Esta apostila tem por finalidade ajudar meus afilhados nos seus desenvolvimentos no culto. A sabedoria e o conhecimento eterna fonte do saber é patrimônio da humanidade, e colocá-lo ao alcance de todos é responsabilidade de cada ser humano. Se aqueles que nos antecederam neste mundo houvessem ocultado seus conhecimentos, o que seria de nós hoje? Durante muito tempo, talvez mais por automatismo do que por outra causa, no seio desta milenar doutrina religiosa estiveram se confundindo os termos restringido e secreto. É verdade que existem conhecimentos que não devem estar arbitrariamente ao alcance de indivíduos que não saibam valorizá-lo em sua magnitude real, porém isso não é motivo para privarmos os demais de ter acesso a eles. Eis aqui um compêndio de quase tudo o que se faz com o Jogo na religião dos Orisa Yoruba e seus sincretismos, incluindo um exaustivo estudo dos seis oráculos que se desenvolvem empregando as estes conhecimentos destes frutos. Pode assegurar-se que, até o presente momento, grande parte dos materiais e informativos que conte este estudo foi fruto de uma grande pesquisa e conselhos e ajuda de outras pessoas que me sucederam este material esta catalogada como confidencial por parte de praticastes e devotos. No entanto, fazendo não, mas que seguir o caminho de outros autores, com este texto somente pretendo jogar um pouco mais de luz sobre este tão controvertido tema, por entender que já não existe razão para seguir considerando muitas dessas informações como secretos. Os tempos mudaram, hoje não há escravos nem religiões impostas pela força. Já não há que se esconder para crer naquilo que nos pareça, mas razoável, sempre e quando ditas crenças não atentem contra os interesses da sociedade, portando, de quem e do quê ocultar a fé, as convicções e os conhecimentos mágicos e esotéricos nos dias atuais. A religião dos Orisa também pertence a Deus , é um caminho a mais até ele, e não se deve procurar buscar o poder nem para benefícios próprio ou materiais, deve-se buscar amor, solidariedade, irmandade, sabedoria, humildade, simplicidade e austeridade. Quem se aproxima desta religião com propósitos obscuros está irremediavelmente condenado a sofrer uma grande decepção desde os primeiros momentos de sua iniciação. Aspirar a que nossos problemas terrenos solucionem a que nossa posição social melhore a que nosso bem-estar material se veja beneficiado através da iniciação e posterior prática desta religião é coisa de imbecis. Valorizar o desenvolvimento espiritual, a paz interior, a comunhão estreita com as entidades superiores e a harmonia espiritual que nos brinda a fé por meio dos benefícios materiais que podemos ou não obter, é um erro grave e imperdoável.
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Ara: O corpo físico vindo da lama, é considerando a morada da consciência de Deus no homem, é a materialização do espírito no mundo.
Esse: Elementos do organismo humano.
Okan: Coração físico e espiritual, órgão que centraliza o poder da vida, e sede da inteligência do pensamento e da ação.
Ojiji: A sombra é aquele que nos acompanha a essência espiritual, o espírito humano reside na própria sombra e a vêem como representação plasmática do espírito ou fantasma humano.
Èmí: O sopro divino de vida, reside nos pulmões, está associado ao espírito e à força vital que nos permite ações e movimentos: Èsú Bara – Èsú do corpo por um determinado período, pois quando se esvai, o homem morre. Èmí é vista como o agente principal dos processos de Criação de todas as formas de vida do Universo e representa a continuidade através das mortes, dos nascimentos e dos renascimentos..
Ori: A individualidade e a identidade, forte e poderosa nos acompanha durante toda a existência, ajudando-nos e aparando-nos desde o nascimento até o dia da morte. Traçando ou definindo o destino, pode facilitar ou complicar a realização dos nossos desejos.
Odu: O destino e o caminho a ser percorrido.
Ase: Força movimentadora da vida.
Orisa: Guardião de cada existência humana.
Ifa: O oráculo, luz sobre luz, duas graças ou Òdi gbèmi – Omo- Odu – filhos dos Odu uma força entre um e outro Odu.
Todos estes aspectos não morrem, voltam as suas origens isto é ao Orun , pois pertencem a Olorun e só ele pode liberá-las estas forças divinas, animaram os antepassados os ancestrais, as raízes mães do Ase Orisa , ao partirem do Aiye e voltam ao Aiye para seus descendentes e discípulos a ancestralidade confirma a imortalidade. Pois a vida continua no Orun como ancestrais do Orun a ancestralidade a tudo assiste no culto de Orisa ancestrais que significa “Aquele que um dia tiveram a energia de vida no Aiye e que cuja energia de vida é repassada as novas gerações, garantindo a continuidade da vida e dos Deuses africanos”. Como conclusão a vida presente depende da vida o culto aos ancestrais.
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A verdade, seu sistema de valores tem por base três coisa: Owo (dinheiro), Omo (filho) e Aiku (vida longa). De acordo com Orun ao qual foi destinado, continuarem a exercer suas funções familiares, agora de modo mais poderoso sobre seus descendentes que a ele continuam a se referir como “Baba mi” (meu pai) ou “Iya mi” (minha mãe) esta forma salienta o amor e a afeição que caracterizam as relações de ambos, trazendo ao exemplo: “Eu vou falar com o espírito de meu pai” ou “Eu vou falar com o meu pai” , numa comprovação de que eles continuam a ter o titulo de relacionamento que tinham enquanto chefe de família. O fim da vida na terra envolve a questão a respeito do que se transforma o homem após a vida atual, toda religião encara este fato: Ibi (nascimento), Iyé (vida) e Ati iku (morte). Iye lebin kú (pós vida) Idajo ti Olorun (o julgamento divino) e o possível retorno em outra vida sucessivamente “ Atunwa ” iku – morte e visto como um agente criando por Olodumare para remover as pessoas cujo tempo na terra tenha terminado.