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Guias e Dicas
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Apostila para Vestibular, Notas de estudo de Engenharia de Produção

Matérias Básicas

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 24/03/2010

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fernanda-8 🇧🇷

4.7

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Apostila Preparat´oria
para o
Vestibular Vocacionado UDESC
Aline Felizardo Gol¸calves
Andr´e Alexandre Silveira
Andr´e Antˆonio Bernardo
esar Manchein
Fl´abio Esteves Cordeiro
Gisele Maria Leite Dalmˆonico
Marcio Rodrigo Loos
Priscila Fischer
Ricardo Fernandes da Silva
Sidinei Schaefer
Professores
Luciano Camargo Martins
Coordenador
Revis˜ao 1.2 de 29 de agosto de 2007
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Apostila Preparat´oria

para o

Vestibular Vocacionado UDESC

Aline Felizardo Gol¸calves

Andr´e Alexandre Silveira

Andr´e Antˆonio Bernardo

C´esar Manchein

Fl´abio Esteves Cordeiro

Gisele Maria Leite Dalmˆonico

Marcio Rodrigo Loos

Priscila Fischer

Ricardo Fernandes da Silva

Sidinei Schaefer

Professores

Luciano Camargo Martins Coordenador

Revis˜ao 1.2 de 29 de agosto de 2007

ii

Sum´ario

F´ISICA

v

QU´IMICA

MATEM ´ATICA

L´INGUA PORTUGUESA

  • Mecˆanica – Aula 1: Grandezas F´ısicas
  • Mecˆanica – Aula 2: Algarismos Significativos
  • Mecˆanica – Aula 3: Grandezas Escalares e Vetoriais
  • Mecˆanica – Aula 4: A Primeira Lei de Newton
  • Mecˆanica – Aula 5: A Segunda Lei de Newton
  • Mecˆanica – Aula 6: Energia
  • Mecˆanica – Aula 7: Energia Potencial
  • Mecˆanica – Aula 8: Trabalho e Energia Potencial
  • Mecˆanica – Aula 9: Dinˆamica do Movimento Circular
  • Mecˆanica – Aula 10: Quantidade de Movimento
  • Mecˆanica – Aula 11: Impulso e Momento
  • Mecˆanica – Aula 12: Conserva¸c˜ao da Quantidade de Movimento
  • Mecˆanica – Aula 13: Colis˜oes
  • Mecˆanica – Aula 14: Lei da A¸c˜ao e Rea¸c˜ao
  • Mecˆanica – Aula 15: For¸ca de Atrito
  • Gravita¸c˜ao – Aula 1: As Leis de Kepler
  • Gravita¸c˜ao – Aula 2: Gravita¸c˜ao Universal
  • Gravita¸c˜ao – Aula 3: Peso
  • Gravita¸c˜ao – Aula 4: Centro de Gravidade
  • Otica – Aula 1: ´ Otica´
  • Otica – Aula 2: Espelhos Esf´ ´ ericos
  • Otica – Aula 3: Refra¸ ´ c˜ao da Luz
  • Otica – Aula 4: Lentes Esf´ ´ ericas
  • Otica – Aula 5: ´ Otica da Vis˜´ ao
  • Fluidos – Aula 1: Fluidos
  • Fluidos – Aula 2: Hidrost´atica
  • Cinem´atica – Aula 1: Cinem´atica
  • Cinem´atica – Aula 2: Movimento Uniforme (MU) iv
  • Cinem´atica – Aula 3: Movimento Uniformemente Variado (MUV)
  • Cinem´atica – Aula 4: Queda Livre
  • Cinem´atica – Aula 5: Movimento Circular Uniforme (MCU)
  • Ondas – Aula 1: Ondas
  • Ondas – Aula 2: Ondas
  • Ondas – Aula 3: Ondas e Interferˆencia
  • Ondas – Aula 4: Som
  • Ondas – Aula 5: Efeito Doppler
  • Termodinˆamica – Aula 1: Termodinˆamica
  • Termodinˆamica – Aula 2: Dilata¸c˜ao T´ermica
  • Termodinˆamica – Aula 3: Transforma¸c˜oes Gasosas
  • Termodinˆamica – Aula 4: Lei de Avogrado
  • Termodinˆamica – Aula 5: Modelo Molecular de um G´as
  • Termodinˆamica – Aula 6: Calor e Temperatura
  • Termodinˆamica – Aula 7: Capacidade T´ermica (C)
  • Termodinˆamica – Aula 8: Primeira Lei da Termodinˆamica
  • Termodinˆamica – Aula 9: M´aquinas T´ermicas
  • Termodinˆamica – Aula 10: Mudan¸cas de Fase
  • Termodinˆamica – Aula 11: Sublima¸c˜ao e Diagrama de Fases
  • Eletricidade – Aula 1: Carga El´etrica
  • Eletricidade – Aula 2: Eletrosc´opio de Folhas
  • Eletricidade – Aula 3: Campo El´etrico
  • Eletricidade – Aula 4: Potencial El´etrico
  • Eletricidade – Aula 5: Superf´ıcies Equipotenciais
  • Eletricidade – Aula 6: Condutores em Equil´ıbrio
  • Eletricidade – Aula 7: Capacidade El´etrica
  • Eletricidade – Aula 8: Associa¸c˜ao de Capacitores
  • Eletricidade – Aula 9: Corrente El´etrica
  • Eletricidade – Aula 10: Resistˆencia Equivalente
  • Eletricidade – Aula 11: Instrumentos de Medida
  • Eletricidade – Aula 12: Geradores e For¸ca Eletromotriz
  • Qu´ımica – Aula 1: Estrutura Atˆomica
  • Qu´ımica – Aula 2: Modelos Atˆomicos
  • Qu´ımica – Aula 3: Liga¸c˜oes Qu´ımicas
  • Qu´ımica – Aula 4: Liga¸c˜oes Qu´ımicas
  • Qu´ımica – Aula 5: A Estrutura da Mat´eria
  • Qu´ımica – Aula 6: Teoria Cin´etica dos Gases
  • Qu´ımica – Aula 7: Acidos e Bases´
  • Qu´ımica – Aula 8: Solu¸c˜oes Qu´ımicas
  • Qu´ımica – Aula 9: Equil´ıbrio Iˆonico
  • Qu´ımica B – Aula 1: O que ´e Qu´ımica?
  • Qu´ımica B – Aula 2: Mat´eria e Energia
  • Qu´ımica B – Aula 3: Metais, Semi-metais e Ametais
  • Qu´ımica B – Aula 4: Propriedades Peri´odicas
  • Qu´ımica B – Aula 5: Liga¸c˜oes Qu´ımicas
  • Qu´ımica B – Aula 6: Liga¸c˜oes Qu´ımicas
  • Qu´ımica B – Aula 7: Equa¸c˜oes e Rea¸c˜oes Qu´ımicas
  • Qu´ımica B – Aula 8: Equa¸c˜oes e Rea¸c˜oes (II)
  • Qu´ımica B – Aula 9: Solu¸c˜oes Qu´ımicas
  • Qu´ımica B – Aula 10: Fun¸c˜oes Qu´ımicas
  • Qu´ımica B – Aula 11: Propriedades Coligativas
  • Qu´ımica B – Aula 12: Eletroqu´ımica
  • Qu´ımica Orgˆanica – Aula 1: Introdu¸c˜ao `a Qu´ımica Orgˆanica
  • Qu´ımica Orgˆanica B – Aula 2: Nomenclatura
  • Matem´atica A – Aula 1: Rela¸c˜oes e Fun¸c˜oes
  • Matem´atica A – Aula 2: Fun¸c˜oes Polinomiais
  • Matem´atica A – Aula 3: Fun¸c˜oes Especiais
  • Matem´atica A – Aula 4: Fun¸c˜oes Especiais (II)
  • Matem´atica A – Aula 5: Polinˆomios
  • Matem´atica A – Aula 6: Equa¸c˜oes Alg´ebricas
  • Matem´atica A – Aula 7: Geometria Anal´ıtica
  • Matem´atica A – Aula 8: Geometria Anal´ıtica
  • Matem´atica A – Aula 9: Circunferˆencia vi
  • Matem´atica A – Aula 10: Circunferˆencia - II
  • Matem´atica B – Aula 1: Matrizes
  • Matem´atica B – Aula 2: Opera¸c˜oes com Matrizes
  • Matem´atica B – Aula 3: Determinantes
  • Matem´atica B – Aula 4: Sistemas Lineares
  • Matem´atica B – Aula 5: Discuss˜ao de um Sistema Linear
  • Matem´atica B – Aula 6: Progress˜ao Aritm´etica
  • Matem´atica B – Aula 7: Progress˜ao Geom´etrica (PG)
  • Matem´atica C – Aula 1: Teoria dos Conjuntos
  • Matem´atica C – Aula 2: Conjuntos Num´ericos
  • Matem´atica C – Aula 3: N´umeros complexos (C)
  • Matem´atica C – Aula 4: Raz˜oes e Propor¸c˜oes
  • Matem´atica C – Aula 5: Regras de Trˆes Simples e Composta
  • Matem´atica C – Aula 6: Juros e Porcentagens
  • Matem´atica C – Aula 7: An´alise Combinat´oria
  • Matem´atica C – Aula 8: Arranjo, Combina¸c˜ao e Permuta¸c˜ao
  • Matem´atica C – Aula 9: Binˆomio de Newton
  • Matem´atica C – Aula 10: Probabilidade
  • Matem´atica C – Aula 11: Inequa¸c˜oes
  • Matem´atica C – Aula 12: Equa¸c˜oes Trigonom´etricas
  • Matem´atica C – Aula 13: Introdu¸c˜ao `a Geometria
  • Matem´atica C – Aula 14: Triˆangulos
  • Matem´atica C – Aula 15: Quadril´ateros
  • Matem´atica C – Aula 16: Circunferˆencia
  • Matem´atica C – Aula 17: Pol´ıgonos e Figuras Planas
  • Matem´atica C – Aula 18: Retas e Planos
  • Matem´atica C – Aula 19: Poliedros
  • Matem´atica C – Aula 20: Prismas
  • L´ıngua Portuguesa – 01: Variantes Ling¨u´ısticas
  • L´ıngua Portuguesa – 02: Acentua¸c˜ao Gr´afica
  • L´ıngua Portuguesa – 03: Concordˆancia Nominal
  • L´ıngua Portuguesa – 04: Concordˆancia Verbal
  • L´ıngua Portuguesa – 05: Coloca¸c˜ao Pronominal

F´ısica

Mecˆanica Aula 1

Grandezas F´ısicas

Apesar de existirem muitas grandezas f´ısicas, s˜ao estabelecidos padr˜oes e definidas unidades para que tenhamos um n´umero m´ınimo de grandezas denominadas fundamentais. Utilizando as grandezas fundamentais definem-se unidades para todas as demais grandezas, as chamadas grandezas derivadas.

A partir de uma das grandezas fundamentais, o comprimento por exemplo, cuja unidade ´e o metro (m), pode-se definir as unidades derivadas, como ´area (m^2 ) e volume (m^3 ). Utilizando o metro e outra grandeza fundamental, a de tempo, definem-se as unidades de velocidade (m/s) e acelera¸c˜ao (m/s^2 ).

Sistema Internacional(SI)

At´e o final do s´eculo XV III era muito grande a quantidade de padr˜oes existentes. Cada regi˜ao escolhia arbitrariamente as suas unidades. Por motivos hist´oricos, os pa´ıses de l´ıngua inglesa utilizam at´e hoje os seus padr˜oes regionais. O elevado aumento nos intercˆambios econˆomicos e culturais levou ao sur- gimento do Sistema Internacional de Unidades ou SI, o sistema m´etrico.

Grandeza Unidade S´ımbolo comprimento metro m massa quilograma kg tempo segundo s corrente el´etrica amp`ere A temperatura kelvin K quantidade de mat´eria mol mol intensidade luminosa candela cd

Tabela 1.1: Unidades fundamentais do SI.

Em 1971, a 14a^ Conferˆencia Geral de Pesos e Medidas escolheu sete grandezas como fundamentais, formando assim a base do SI. Al´em das grandezas, definiu-se tamb´em os s´ımbolos, uni- dades derivadas e prefixos. A tabela 1.1 mostra as unidades fundamentais do SI. A tabela 1.2 apresenta algumas unidades derivadas do SI.

Nota¸c˜ao Cient´ıfica

A medida de uma determinada grandeza f´ısica pode resultar em um n´umero que seja extremamente grande ou extrema- mente pequeno, por exemplos temos:

  • distˆancia da Terra `a Lua: 384. 000. 000 m.

Grandeza Unidade S´ımbolo ´area metro qua- drado

m^2

volume metro c´ubico m^3 densidade quilograma por metro c´ubico

kg/m^3

velocidade metro por se- gundo

m/s

acelera¸c˜ao metro por segundo ao quadrado

m/s^2

for¸ca newton N = Kg m/s^2 press˜ao pascal P a = N/m^2 trabalho, energia, calor joule J potˆencia watt W = J/s carga el´etrica coulomb C = As diferen¸ca de potencial volt V = J/C resistˆencia el´etrica ohm Ω = V /A

Tabela 1.2: Algumas unidades derivadas do SI.

Prefixo S´ımbolo Potˆencia de dez correspondente pico p 10 −^12 nano n 10 −^9 micro μ 10 −^6 mili m 10 −^3 centi c 10 −^2 deci d 10 −^1 deca D 101 hecto H 102 quilo k 103 mega M 106 giga G 109 tera T 1012

Tabela 1.3: Prefixos, s´ımbolos e potˆencias de dez.

  • diˆametro de um ´atomo de hidrogˆenio: 0, 0000000001 m.

Para manipular tais n´umeros, utilizamos a nota¸c˜ao cient´ıfica, fazendo uso das potˆencias de 10. O m´odulo de qualquer n´umero g pode ser escrito como um produto de uma mantissa a, entre um e dez, por outro, que ´e uma potˆencia de dez:

g = a × 10 n^ ,

onde devemos ter 1 ≤ a < 10.

Exemplos

  • 243 = 2, 43 × 100 = 2, 43 × 102

2 Apostila Preparat´oria para o Vestibular Vocacionado UDESC — http://www.mundofisico.joinville.udesc.br

• 5 .315 = 5, 315 × 1000 = 5, 315 × 103
• 0 , 00024 = 2, 4 × 0 , 0001 = 2, 4 × 10 −^4
• 0 , 00458 = 4, 58 × 0 , 001 = 4, 58 × 10 −^3

Regra Pr´atica

  • N´umeros maiores que 1: deslocamos a v´ırgula para a esquerda, at´e atingir o primeiro algarismo do n´umero. O n´umero de casas deslocadas para a esquerda corresponde ao expoente positivo da potˆencia de 10.
  • N´umeros menores do que 1: deslocamos a v´ırgula para a direita, at´e o primeiro algarismo diferente de zero. O n´umero de casas deslocadas para a direita corresponde ao expoente negativo da potˆencia de 10.

Pense um Pouco!

  • Quais s˜ao as unidades de Peso e de massa? por que elas n˜ao s˜ao iguais?
  • Um analg´esico deve ser inserido na quantidade de 3 mg/kg de massa corporal, mas a dose administrada n˜ao pode ex- ceder 200 mg. Cada gota cont´em 5 mg do rem´edio. Quan- tas gotas devem ser prescritas a um paciente de 80 kg?

Exerc´ıcios de Aplica¸c˜ao

  1. (UENF-RJ) A tabela abaixo mostra as dimens˜oes e as unidades, no sistema internacional,

Grandeza Dimens˜ao Unidades SI Comprimento L m (metro) Massa M kg (quilograma) Tempo T s (segundo)

das grandezas mecˆanicas prim´arias: a) Sabendo que for¸ca = massa · acelera¸c˜ao, expresse a unidade de for¸ca em unidades de grandezas prim´arias. b) Determine os valores de n e p, se a express˜ao M LnT n−p corresponde `a dimens˜ao de energia cin´etica.

  1. (FGV-SP) A dimens˜ao de potˆencia em fun¸c˜ao das grande- zas fundamentais, massa (M ), comprimento (L) e tempo (T ) ´e: a) M L^2 T −^2 b) M L^2 T −^1 c) M L^2 T 2 d) M L^2 T −^3 e) M LT −^2
  2. (Unifor-CE) Considerando que cada aula dura 50 min, o intervalo de tempo de duas aulas seguidas, expresso em segun- dos, ´e de: a) 3, 0 × 102. b) 3, 0 × 103. c) 3, 6 × 103. d) 6 , 0 × 103. e) 7, 2 × 103.

Exerc´ıcios Complementares

  1. (UFPI) A nossa gal´axia, a Via L´actea, cont´em cerca de 400 bilh˜oes de estrelas. Suponha que 0, 05% dessas estrelas possuam um sistema planet´ario onde exista um planeta seme- lhante a Terra. O n´umero de planetas semelhantesa Terra, na Via L´actea, ´e: a) 2 × 104. b) 2 × 106. c) 2 × 108. d) 2 × 1011. e) 2 × 1012.
  2. Transforme em quilˆometros: a) 3600 m; b) 2. 160. 000 cm; c) 0, 03 m; d) 5. 780 dm; e) 27. 600 m; f) 5. 800 mm;
  3. (Unifor-CE) Um livro de F´ısica tem 800 p´aginas e 4, 0 cm de espessura. A espessura de uma folha do livro vale, em mil´ımetros: a) 0, 025. b) 0 , 050. c) 0, 10. d) 0, 15. e) 0, 20.
  4. Escreva os seguintes n´umeros em nota¸c˜ao cient´ıfica: a) 570. 000 b) 12. 500 c) 50. 000. 000 d) 0, 0000012 e) 0, 032 f) 0, 72 g) 82 × 103 h) 640 × 105 i) 9. 150 × 10 −^3 j) 200 × 10 −^5 k) 0, 05 × 103 l) 0, 0025 × 10 −^4

Mecˆanica Aula 2

Algarismos Significativos

A precis˜ao de uma medida simples depende do instrumento utilizado em sua medi¸c˜ao. Uma medida igual a 2, 00 cm n˜ao deve ser escrita como 2, 0 cm ou 2 cm. Denominamos algarismos significativos todos os algarismos co- nhecidos com certeza, acompanhados de um ´ultimo duvidoso, que expressam o valor da medida de uma grandeza, ou seja: to- dos os algarismos que representam a medida de uma grandeza s˜ao algarismos significativos, sendo chamados de corretos, com exce¸c˜ao do ´ultimo, que recebe o nome de algarismo duvidoso. O algarismo duvidoso de uma medida ser´a sublinhado para destac´a-lo, quando for preciso.

4 Apostila Preparat´oria para o Vestibular Vocacionado UDESC — http://www.mundofisico.joinville.udesc.br

grandezas (vari´avel dependente) em rela¸c˜ao a outra (vari´avel independente). Consideremos o seguinte exemplo: Uma pessoa com febre foi medicada, ingerindo uma dose do medicamento as 8 horas e uma outra doseas 12 horas da manh˜a. A temperatura da pessoa foi verificada de hora em hora e os resultados obtidos s˜ao mostrados abaixo.

Tempo (h) Temperatura (◦C) 0 39, 1 39, 2 38, 3 38, 4 38, 5 37, 6 37, 7 36, 8 36, 9 36,

Podemos representar os dados da tabela acima em um gr´afico. A representa¸c˜ao gr´afica das vari´aveis temperatura (vari´avel de- pendente: eixo vertical) e tempo (vari´avel independente: eixo horizontal) est´a mostrada na Fig. 1.1.

T(oC)

t(h)

Figura 1.1: Gr´afico da temperatura em fun¸c˜ao do tempo

O gr´afico cartesiano mostrado anteriormente, al´em de facilitar a visualiza¸c˜ao do comportamento da temperatura da pessoa durante as 9 horas de observa¸c˜ao, permite tamb´em, algumas conclus˜oes.

Como Construir um Gr´afico

Para que gr´aficos sejam constru´ıdos de forma objetiva e clara ´e necess´ario respeitar algumas regras simples:

  • O eixo vertical ´e chamado de eixo das abscissas e o hori- zontal de eixo das coordenadas;
  • a vari´avel dependente deve ser colocada no eixo vertical e a vari´avel independente no eixo horizontal;
  • os eixos devem se encontrar no canto inferior esquerdo do papel, ou espa¸co (retˆangulo) reservado para o gr´afico; - as escalas s˜ao independentes e devem ser constru´ıdas in- dependentemente; - as divis˜oes num´ericas das escalas (lineares) devem ser re- gulares; - o valor zero (0) n˜ao precisa estar em nenhuma das escalas; - as escalas devem crescer da esquerda para a direita, e de baixo para cima; - antes de iniciar a constru¸c˜ao de um gr´afico deve-se ve- rificar a escala a ser usada levando em considera¸c˜ao os valores extremos, ou seja, o maior e o menor valor assu- mido por ambas as vari´aveis do gr´afico. Divide-se ent˜ao o espa¸co dispon´ıvel, em cada eixo, para que acomode todos os pontos experimentais; - o teste final para saber se as escalas est˜ao boas ´e feito verificando-se se ´e f´acil de ler as coordenadas de qualquer ponto nas escalas.

Pense um Pouco!

  • A fun¸c˜ao da posi¸c˜ao x em rela¸c˜ao ao tempo t de um ponto material em movimento retil´ıneo, expressa em unidades do SI, ´e x = 10 + 5, 0 t Determine: a) a posi¸c˜ao do ponto material no instante 5, 0 s; b) o instante em que a posi¸c˜ao do ponto material ´e x = 50 m; c) esboce o gr´afico x × t do movimento.

Exerc´ıcios de Aplica¸c˜ao

  1. Determine o comprimento de cada haste:

a)

0 cm 1 2 3 4 5 6 7

b)

0 cm 1 2 3 4 5 6 7

c)

0 cm 1 2 3 4 5 6 7

d)

0 cm 1 2 3 4 5 6 7

e)

0 cm 1 2 3 4 5 6 7

f)

0 cm 1 2 3 4 5 6 7

  1. (UFSE) A escala de uma trena tem, como menor divis˜ao, o mil´ımetro. Essa trena ´e utilizada para se medir a distˆancia

Mecˆanica – Aula 3 5

entre dois tra¸cos paralelos, muito finos, feitos por um estilete sobre uma superf´ıcie plana e lisa. Considerando que n˜ao houve erro grosseiro, o resultado de uma s´o medi¸c˜ao, com o n´umero correto de algarismos significativos, ´e mais bem representado por: a) 2 m b) 21 dm c) 214 cm d) 2, 143 m e) 2. 143 , 4 m

Exerc´ıcios Complementares

  1. (Cesgranrio) Um estudante deseja medir o comprimento de sua mesa de trabalho. N˜ao dispondo de r´egua, decide utilizar um toco de l´apis como padr˜ao de comprimento. Verifica ent˜ao que o comprimento da mesa equivale ao de 13, 5 tocos de l´apis. Chegando ao col´egio, mede com uma r´egua o comprimento do seu toco de l´apis, achando 8, 9 cm. O comprimento da mesa ser´a corretamente expresso por: a) 120, 15 cm b) 120, 2 cm c) 1 × 102 cm d) 1 , 2 × 102 cm e) 10^2 cm
  2. (PUC-MG) Um estudante concluiu, ap´os realizar a medida necess´aria, que o volume de um dado ´e 2, 36 cm^3. Levando-se em conta os algarismos significativos, o volume total de cinco dados, idˆenticos ao primeiro, ser´a corretamente expresso por: a) 6, 8 cm^3 b) 7 cm^3 c) 13 , 8 cm^3 d) 16, 80 cm^3 e) 17, 00 cm^3
  3. Medindo a espessura de um caderno comum de 100 folhas, sem considerar as capas, um estudante obteve a medida de 1 , 0 cm. A ordem de grandeza da espessura m´edia de uma folha ´e: a) 10 −^1 mm b) 10−^2 mm c) 10−^3 mm d) 10−^4 mm e) 10−^5 mm

Mecˆanica Aula 3

Grandezas Escalares e Vetoriais

Na F´ısica tratamos de dois tipos principais de grandezas: as grandezas escalares e grandezas vetoriais.

Grandezas Escalares

A grandeza escalar ´e aquela que fica perfeitamente carac- terizada quando conhecemos apenas sua intensidade acom- panhada pela correspondente unidade de medida. Como

exemplos de grandeza f´ısica escalar podemos citar a massa de um corpo (por exemplo, 50 kg), a temperatura (por exem- plo 36 oC), o volume (5 m^3 , por exemplo), a densidade (para a ´agua, 1000 kg/m^3 ), a press˜ao (10^5 N/m^2 ), a energia (por exemplo 100 J) e muitas outras. Para operar com grandezas escalares, segue-se as regras de opera¸c˜oes alg´ebricas comuns, arredondando-se quando ne- cess´ario.

Grandezas Vetoriais

Dada a velocidade instantˆanea de um m´ovel qualquer (por exemplo, um avi˜ao a 380 km/h), constatamos que apenas essa indica¸c˜ao ´e insuficiente para dizermos a dire¸c˜ao em que o m´ovel segue. Isso acontece porque a velocidade ´e uma grandeza vetorial. Para uma grandeza f´ısica vetorial ficar totalmente caracteri- zada, ´e necess´ario saber n˜ao apenas a sua intensidade ou m´odulo mas tamb´em a sua dire¸c˜ao e o seu sentido. Geral- mente a grandeza vetorial ´e indicada por uma letra com uma setinha (por exemplo, ~v) e o m´odulo ou intensidade, por |~v| ou simplesmente por v. A grandeza f´ısica vetorial pode ser representada graficamente por um segmento de reta (indicando a dire¸c˜ao da grandeza) dotado de uma seta (indicativa de seu sentido) e trazendo ainda seu valor seguido da unidade de medida (indica¸c˜ao de seu m´odulo ou intensidade). Tal representa¸c˜ao ´e denominada vetor. No exemplo anterior do avi˜ao, poder´ıamos dizer, por exemplo, que ele se movimenta num certo instante com velocidade ~v, de m´odulo v = 380 km/h, na dire¸c˜ao norte-sul e sentido de sul para norte. Essa velocidade vetorial instantˆanea pode ser representada por um vetor, como mostra a figura 1.1.

N

S

O L

380 km/h

Figura 1.1: Exemplo de representa¸c˜ao vetorial

Como afirmamos anteriormente, para representar grandezas vetoriais ´e preciso indicar, al´em do m´odulo, a dire¸c˜ao e o sen- tido da grandeza. Podemos fazer essa indica¸c˜ao utilizando um vetor (veja a figura 1.2). O vetor pode ser representado por um segmento de reta orientado cujo tamanho - intensidade - ´e proporcional `a intensidade da grandeza que representa. Para melhor entendermos o significado e a representa¸c˜ao de um vetor, observe a figura 1.3. Na figura de cima os vetores representados possuem mesma dire¸c˜ao e sentido; na figura de baixo os vetores apresentam a mesma dire¸c˜ao e sentidos opostos. Portanto, podemos notar que vetores de mesma dire¸c˜ao s˜ao paralelos, o que n˜ao garante que tenham o mesmo sentido.

Mecˆanica – Aula 3 7

d

d (^2)

d (^1)

A
C
B

Figura 1.7: O deslocamento d~ equivale aos deslocamentos d~ 1 e d^ ~ 2.

ˆangulo entre d~ 1 e d~ 2 n˜ao ´e reto (90o). Assim, aplicamos a regra do paralelogramo, como mostra a figura 1.8.

Os vetores ~a e ~b formam um paralelogramo cuja diagonal ´e o vetor resultante ~c. De acordo com a regra do paralelogramo, se ~a e ~b formam entre si um ˆangulo α, o m´odulo do vetor resultante ~c ser´a dado pela express˜ao:

c^2 = a^2 + b^2 + 2ab · cos α

Decomposi¸c˜ao de Vetores

Ao somarmos dois vetores, podemos obter um ´unico vetor, o vetor resultante, equivalente aos dois vetores somados. Ao decompormos dois vetores, realizamos um processo inverso. Dado um vetor ~a, obt´em-se outros dois vetores a~x e ~ay tal que a ~x + a~y = ~a (veja a figura 1.9).

O vetor ~ay pode ser deslocado para a extremidade do vetor ~ax de tal forma que o vetor ~a e seus vetores componentes ~ax e ~ay formem um triˆangulo retˆangulo (figura 1.10). Aplicando a trigonometria ao triˆangulo retˆangulo, podemos determinar o m´odulo dos componentes ~ax (horizontal) e ~ay (vertical) de ~a em fun¸c˜ao do ˆangulo α. Desta forma, no triˆangulo hachurado da figura 1.10, temos

cos α = cateto adjacente hipotenusa

⇒ cos α = ax a ax = a · cos α

onde ax ´e o m´odulo da componente horizontal ~ax do vetor ~a. Temos ainda

sin α =

cateto oposto hipotenusa

⇒ sin α =

~ay a ay = a · sin α

onde ay ´e o m´odulo da componente vertical ~ay do vetor ~a.

Podemos relacionar o m´odulo do vetor e o m´odulo de seus componentes ortogonais, aplicando o teorema de Pit´agoras no triˆangulo formado por ~a e seus componentes ~ax e ~ay :

a^2 = a^2 x + a^2 y

Pense um Pouco!

  • Qual a condi¸c˜ao para que a soma de dois vetores seja nula?
  • O m´odulo da soma de dois vetores pode ser igual `a soma de seus m´odulos? Quando?
  • O m´odulo de um vetor pode ser negativo? Por quˆe?

c b

c

a

b

a

α α

α α

Figura 1.8: A diagonal do paralelogramo, cujos lados s˜ao os vetores ~a e ~b, ´e o vetor resultante ~c. Podemos deslocar o vetor ~b para outra extremidade de ~a, reproduzindo a figura anterior.

Exerc´ıcios de Aplica¸c˜ao

  1. Um m´ovel desloca-se 120 m no sentido oeste-leste, e em seguida, 50 m no sentido norte-sul. a) Represente esquematicamente esses deslocamentos. b) Determine o m´odulo do deslocamento resultante.
  2. Na figura, F 1 = F 2 = 100 N. Determine o m´odulo da resultante de F 1 e F 2. Dado: cos(120◦) = − 0 , 50.
F 1
F 2

o

  1. Um proj´etil ´e atirado com velocidade de 400 m/s fazendo um ˆangulo de 45◦^ com a horizontal. Determine os componentes vertical e horizontal da velocidade do proj´etil.

8 Apostila Preparat´oria para o Vestibular Vocacionado UDESC — http://www.mundofisico.joinville.udesc.br

a

a (^) x

a (^) y

α

x

y

Figura 1.9: O vetor ~a pode ser decomposto em um componente horizontal, ~ax, e outro vertical, a~y.

a

a (^) y a (^) y

a (^) x

α

Figura 1.10: O vetor ~a e seus componentes ~ax e a~y formam um triˆangulo retˆangulo, onde ~a ´e a hipotenusa e ~ax e ~ay s˜ao os catetos.

Exerc´ıcios Complementares

  1. Na figura abaixo est˜ao representadas duas for¸cas: F~ 1 , de m´odulo F 1 = 5, 0 N e F~ 2 , de m´odulo F 2 = 3, 0 N , formando entre si um ˆangulo α = 60◦. Determine a for¸ca resultante F~R para o sistema de for¸cas mostrado.

F 2

F 1

α = 60

o

  1. Um vetor velocidade ´e decomposto em dois outros, perpen- diculares entre si. Sabendo que o m´odulo do vetor ´e 10, 0 m/s e que um dos componentes tem m´odulo igual a 8, 0 m/s, deter- mine o m´odulo do vetor correspondente ao outro componente.
  2. Um proj´etil ´e lan¸cado do solo segundo uma dire¸c˜ao que forma 53o^ com a horizontal com uma velocidade de 200 m/s (veja a figura a seguir). Determine o m´odulo dos componen- tes horizontal, v~x, e vertical, v~y , dessa velocidade. Dados: sin(53◦) = 0, 80 e cos(53◦) = 0, 60

v

o

  1. Um avi˜ao voa no sentido sul-norte com uma velocidade de 900 km/h. Num determinado instante passa a soprar um forte vento com velocidade 50 km/h, no sentido sudoeste-nordeste. a) Fa¸ca um esquema gr´afico representando a velocidade do avi˜ao e do vento. b) Determine o m´odulo da velocidade resultante. Dado: cos(45◦) = 0, 71.

Mecˆanica Aula 4

A Primeira Lei de Newton

O Conceito de For¸ca

Geralmente utilizamos uma for¸ca com o objetivo de empur- rar, puxar ou levantar objetos. Essa id´eia ´e correta, por´em incompleta. A id´eia de puxar ou empurrar est´a quase sempre associada a id´eia de contato, o que exclui uma caracter´ıstica fundamental da no¸c˜ao de for¸ca: a a¸c˜ao `a distˆancia. A atra¸c˜ao gravitacional entre o Sol e a Terra, por exemplo, ´e exercida a milh˜oes de quilˆometros de distˆancia. A palavra for¸ca n˜ao possui uma defini¸c˜ao ´unica, expressa em palavras. A F´ısica moderna admite a existˆencia de quatro ti- pos de for¸ca na natureza, chamadas mais adequadamente de intera¸c˜oes: gravitacional, eletromagn´etica, e as for¸cas nuclea- res forte e fraca. Em rela¸c˜ao ao estudo dos movimentos e de suas causas, pode- se dizer que for¸ca ´e a a¸c˜ao capaz de modificar a velocidade de um corpo. Como muitas outras grandezas em F´ısica, a for¸ca ´e uma gran- deza vetorial, ou seja, possui m´odulo dire¸c˜ao e sentido. Pode- mos resumir, ent˜ao a defini¸c˜ao de for¸ca da seguinte forma:

For¸ca ´e uma grandeza vetorial que caracteriza a a¸c˜ao de um corpo sobre outro e que tem como efeito a deforma¸c˜ao ou a altera¸c˜ao da

10 Apostila Preparat´oria para o Vestibular Vocacionado UDESC — http://www.mundofisico.joinville.udesc.br

  1. (UNESP-SP) As estat´ısticas indicam que o uso do cinto de seguran¸ca deve ser obrigat´orio para prevenir les˜oes mais graves em motoristas e passageiros no caso de acidentes. Fisicamente, a fun¸c˜ao do cinto est´a relacionada com a: a) primeira Lei de Newton. b) lei de Snell. c) lei de Amp`ere. d) lei de Ohm. e) primeira Lei de Kepler.

Exerc´ıcios Complementares

  1. (Unitau-SP) Uma pedra gira em torno de um apoio fixo, presa por uma corda. Em um dado momento, corta-se a corda. Pela Lei da In´ercia, conclui-se que: a) a pedra se mant´em em movimento circular. b) a pedra sai em linha reta, segundo a dire¸c˜ao perpendicular `a corda no instante do corte. c) a pedra sai em linha reta, segundo a dire¸c˜ao da corda no instante do corte. d) a pedra p´ara. e) a pedra n˜ao tem massa.
  2. (Ucsal-BA) Uma mesa, em movimento uniforme retil´ıneo, s´o pode estar sob a a¸c˜ao de uma: a) for¸ca resultante n˜ao-nula na dire¸c˜ao do movimento. b) ´unica for¸ca horizontal. c) for¸ca resultante nula. d) for¸ca nula de atrito. e) for¸ca vertical que equilibre o peso.
  3. (Fiube-MG) Uma part´ıcula se desloca ao longo de uma reta com acelera¸c˜ao nula. Nessas condi¸c˜oes, podemos afirmar corretamente que sua velocidade escalar ´e: a) nula. b) constante e diferente de zero. c) inversamente proporcional ao tempo. d) diretamente proporcional ao tempo. e) diretamente proporcional ao quadrado do tempo.

Mecˆanica Aula 5

A Segunda Lei de Newton

E muito comum encontrarmos a defini¸^ ´ c˜ao de massa de um corpo da seguinte maneira: “a massa de um corpo representa a quantidade de mat´eria que ele possui”. Em cursos elementa- res de ciˆencias, esta defini¸c˜ao pode ser aceita como uma id´eia inicial da no¸c˜ao de massa, embora n˜ao possa ser considerada uma defini¸c˜ao precisa dessa grandeza. De fato, a defini¸c˜ao apresentada n˜ao ´e adequada, pois pretende definir um novo conceito – massa – por meio de uma id´eia vaga, que n˜ao tem significado f´ısico preciso – quantidade de mat´eria.

Experimentalmente os f´ısicos constataram que entre a for¸ca F aplicada a um corpo e a acelera¸c˜ao a, que ele adquire, existe uma propor¸c˜ao direta. Desta forma, o quociente F/a ´e cons- tante para um certo objeto. Este quociente, que ´e intr´ınseco a

cada corpo, foi denominado pelos f´ısicos de massa do corpo. Desta forma, podemos afirmar:

A massa m de um corpo ´e o quociente entre o m´odulo da for¸ca que atua num corpo e o valor da acelera¸c˜ao a que ela produz neste corpo.

Assim, m =

F

a No sistema internacional (SI), a unidade para medida de massa ´e o quilograma:

1 quilograma = 1 kg = 1000 g

Massa e In´ercia

Suponhamos que uma for¸ca F foi aplicada a trˆes corpos de massa diferentes, como trˆes blocos de ferro, com volumes di- versos. Imaginaremos que a superf´ıcie na qual estes blocos est˜ao apoiados n˜ao apresenta atrito. Analisando a equa¸c˜ao m = F/a, percebemos facilmente que:

  • Quanto maior m → menor a
  • Quanto maior m → maior a dificuldade de alterar a veloci- dade do corpo.

Podemos concluir que

Quanto maior ´e a massa de um corpo, maior ser´a sua in´ercia (dificuldade de ter sua velo- cidade alterada), isto ´e, a massa representa a medida de in´ercia de um corpo.

As conclus˜oes anteriormente, explicam porque um caminh˜ao vazio (quando sujeito a uma for¸ca F) adquire uma acelera¸c˜ao maior do que quando esta cheio, por exemplo.

A Segunda Lei de Newton

De acordo com o princ´ıpio da in´ercia, um corpo s´o pode sair de seu estado de repouso ou de movimento retil´ıneo com velo- cidade constante se sobre ele atuar uma for¸ca resultante ex- terna. Neste momento, poder´ıamos perguntar: “O que acon- tece se existir uma for¸ca resultante externa agindo no corpo?” Nesta situa¸c˜ao, o corpo fica sujeito a uma acelera¸c˜ao, ou seja, um corpo sujeito a uma for¸ca resultante externa movimenta-se com velocidade vari´avel.

F





E f´^ ´ acil perceber que, se quisermos acelerar um corpo, por exemplo, desde o repouso at´e 30 km/h em um intervalo de tempo de 30 s, a intensidade da for¸ca que teremos de aplicar depender´a da massa do corpo. Se, por exemplo, o corpo for um carro, ´e evidente que a for¸ca necess´aria ser´a muito menor do

Mecˆanica – Aula 5 11

que se tratasse de um caminh˜ao. Desta forma, quanto maior a massa do corpo, maior dever´a ser a intensidade da for¸ca necess´aria para que ele alcance uma determinada acelera¸c˜ao.

Foi Isaac Newton quem obteve essa rela¸c˜ao entre massa e for¸ca, que constitui a segunda lei de Newton ou princ´ıpio fun- damental da dinˆamica. Temos, ent˜ao que

A acelera¸c˜ao de um corpo submetido a uma for¸ca resultante externa ´e inversamente pro- porcional `a sua massa, e diretamente propor- cional a intensidade da for¸ca.

Assim, para uma dada for¸ca resultante externa F, quanto maior a massa m do corpo tanto menor ser´a a acelera¸c˜ao a adquirida. Matematicamente, a segunda lei de Newton ´e dada por:

F^ ~ = m~a

Esta equa¸c˜ao vetorial imp˜oe que a for¸ca resultante e a ace- lera¸c˜ao tenham a mesma dire¸c˜ao e o mesmo sentido. No SI a unidade de for¸ca ´e o newton ou (N ):

1 N = 1 kg · m/s^2

Por defini¸c˜ao, o newton ´e a for¸ca que produz uma acelera¸c˜ao de 1 m/s^2 quando aplicada em uma massa de 1 kg.

Diagrama de Corpo Livre

Antes de resolver qualquer problema de dinˆamica, ´e de fun- damental importˆancia a identifica¸c˜ao de todas as for¸cas rele- vantes envolvidas no problema. Para facilitar a visualiza¸c˜ao destas for¸cas, isola-se cada corpo envolvido e desenha-se um diagrama de corpo livre ou diagrama de for¸cas para cada corpo, que ´e um esquema simplificado envolvendo todas as massas e for¸cas do problema.

Por exemplo, se um bloco escorrega, descendo um plano incli- nado com atrito, teremos o seguinte diagrama de corpo livre para o bloco:

m

N (^) Fat

P

Figura 1.1: Diagrama de corpo livre para um bloco escorre- gando num plano inclinado.

Observe

Nesse exemplo, o bloco ´e tratado como uma part´ıcula, por sim- plifica¸c˜ao, n˜ao sendo relevante suas dimens˜oes ou o ponto de aplica¸c˜ao das for¸cas, colocadas todas no seu centro geom´etrico, por conveniˆencia. Desprezou-se a for¸ca de empuxo do ar, a for¸ca de resistˆencia viscosa ao movimento do bloco, tamb´em causada pelo ar, e outras for¸cas irrelevantes ao problema.

Pense um Pouco!

  • E muito comum nos depararmos com a situa¸´ c˜ao na qual um carro e um caminh˜ao est˜ao emparelhados aguardando o sinal verde do sem´aforo. Vocˆe sabe por quˆe, quando o sinal fica verde, o carro quase sempre sai na frente, apesar de o caminh˜ao ter um motor mais possante?
  • Se o peso de um corpo ´e proporcional `a sua massa, ent˜ao podemos afirmar que todos os corpos ter˜ao a mesma ace- lera¸c˜ao, em queda livre?

Exerc´ıcios de Aplica¸c˜ao

  1. Na figura abaixo os blocos A, B e C est˜ao sobre um plano horizontal sem atrito.

B

A

Sendo F = 20 N , ma = 3, 0 kg, mb = 8, 0 kg e mc = 9, 0 kg, determine: a) a acelera¸c˜ao do conjunto; b) a tra¸c˜ao nos fios (TAB entre A e B e TBC , entre B e C). Admitir a massa dos fios desprez´ıvel.

  1. (Uneb-BA) Um elevador de 500 kg de massa sobe acelerado a 2 m/s^2. Considerando g = 10 m s^2 , a tra¸c˜ao no cabo que o sustenta, ´e de: a) 6000 N b) 5000 N c) 4000 N d) 3000 N e) 2000 N

Exerc´ıcios de Aplica¸c˜ao

  1. No conjunto da figura abaixo, o bloco A tem massa 0, 50 kg. O bloco B, de massa 4, 5 kg, est´a sobre o plano sem atrito.
A
F
B C

Admitindo g = 10 m/s^2 e o fio inextens´ıvel de massa des- prez´ıvel como a massa da polia, determine: a) a acelera¸c˜ao do conjunto; b) a tra¸c˜ao no fio.

  1. No conjunto da figura abaixo, temos mA = 1, 0 kg, mB = 2 , 0 kg e mC = 2, 0 kg. O bloco B se ap´oia num plano sem atrito. S˜ao desprez´ıveis as massas da polia e do fio, que ´e inextens´ıvel.