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Guias e Dicas
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Baciloscopia em Hanseníase, Notas de estudo de Enfermagem

APRESENTAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 1 INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 2 CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A HANSENÍASE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 2.1 Características Clínicas da Hanseníase . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 07/10/2010

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Série A. Normas e Manuais Técnicos
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Secretaria de Vigilância em Saúde
Departamento de Vigilância Epidemiológica
Brasília – DF
2010
Guia de procedimentos técnicos
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Série A. Normas e Manuais Técnicos

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Vigilância em Saúde

Departamento de Vigilância Epidemiológica

Brasília – DF 2010

Guia de procedimentos técnicos

em

Hanseníase

Baciloscopia

© 2010 Ministério da Saúde. Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. A responsabilidade pela cessão de direitos autorais de textos e imagens desta obra é da área técnica. A coleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessada, na íntegra, na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde: http://www.saude.gov.br/bvs O conteúdo desta e de outras obras da Editora do Ministério da Saúde pode ser acessado na página: http://www.saude.gov.br/editora

Série A. Normas e Manuais Técnicos

Tiragem: 1ª edição – 2010 – 50.000 exemplares

Elaboração, distribuição e informações: MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Vigilância em Saúde Departamento de Vigilância Epidemiológica Coordenação-Geral de Laboratórios de Saúde Pública Coordenação-Geral do Programa Nacional de Controle da Hanseníase Setor Comercial Sul, Quadra 4, Bloco A, Edifício Principal, 3º andar CEP: 70304-000, Brasília – DF Tel.: (61) 3213- 3213- E-mail: [email protected] Homepage: www.saude.gov.br/svs

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Ficha Catalográfica Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de VigilâncIa em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de procedimentos técnicos: baciloscopia em hanseníase / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2010. 54 p. : il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) ISBN 978-85-334-1678-

  1. Hanseníase. 2. Diagnóstico. 3. Técnicas e procedimentos de laboratório. I. Título. II. Série. CDU 616-002. Catalogação na fonte – Coordenação-Geral de Documentação e Informação – Editora MS – OS 2010/

Títulos para indexação: Em inglês: Guide for Technical Procedures: Skin Smear in Leprosy. Em espanhol: Guia de Procedimentos Técnicos: Baciloscopia em Lepra.

Coordenação Geral: Maria Aparecida de Faria Grossi (CGPNCH/DEVEP/SVS/MS) Sandra Gurgel (CGLAB/SVS/MS)

Coordenação de Conteúdo: Egle Bravo (CGLAB/SVS/MS) Elaine Faria Morelo (CGPNCH/DEVEP/SVS/MS)

Assessoria de Conteúdo: Cacilda De Crignis (Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo – Lacen/ES) Edson Cláudio Araripe de Albuquerque (Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz/RJ) Egon Luiz Rodrigues Daxbacher (Programa Nacional de Controle da Hanseníase – PNCH/DF) Jorge Ewerton dos Santos Sales (Fundação Alfredo da Matta – Fuam/AM) Maria Alice da Silva Telles (Centro de Referência Professor Hélio Fraga/RJ) Maria Conceição Martins (Instituto Adolfo Lutz – IAL/SP) Maria Eugenia Novinski Gallo (Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz/RJ) Maria Irismar da Silva Silveira (Centro de Referência Nacional em Dermatologia Sanitária Dona Libânia – CDERM/Sesa/CE) Suzana Madeira Diório (Instituto Lauro de Souza Lima – ILSL/SP)

Colaboração: Aline da Fonseca Rosa (CGLAB/SVS/MS) Denise Macedo Mancini (CGLAB/SVS/MS Lúcia Ferraz (CGLAB/SVS/MS) Mario César Althoff (CGLAB/SVS/MS) Mônica Angélica Carreira Fragoso (CGLAB/SVS/MS) Selma Lina Suzuki (CGLAB/SVS/MS)

EDITORA MS Documentação e Informação SIA, trecho 4, lotes 540/ CEP: 71200-040, Brasília – DF Tels.: (61) 3233-1774/ Fax: (61) 3233- E-mail: [email protected] Home page: http://www.saude.gov.br/editora Equipe Editorial: Normalização: Heloiza Santos Revisão: Khamila Silva e Mara Pamplona Projeto gráfico e diagramação: Alisson Albuquerque

Colaboração: Aline da Fonseca Rosa (CGLAB/SVS/MS) Denise Macedo Mancini (CGLAB/SVS/MS Lúcia Ferraz (CGLAB/SVS/MS) Mario César Althoff (CGLAB/SVS/MS) Mônica Angélica Carreira Fragoso (CGLAB/SVS/MS) Selma Lina Suzuki (CGLAB/SVS/MS)

Assessoria Editorial: Maria Rita C. Dantas

EDITORA MS Documentação e Informação SIA, trecho 4, lotes 540/ CEP: 71200-040, Brasília – DF Tels.: (61) 3233-1774/ Fax: (61) 3233- E-mail: [email protected] Homepage: http://www.saude.gov.br/editora

Equipe Editorial: Normalização: Heloiza Santos Revisão: Khamila Silva e Mara Pamplona Projeto gráfico e diagramação: Alisson Albuquerque

Anexo M – Participantes da Oficina de Padronização de Basciloscopia em Hanseníase

  • APRESENTAÇÃO
  • 1 INTRODUÇÃO
  • 2 CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A HANSENÍASE - 2.1 Características Clínicas da Hanseníase - 2.2 Sinais e Sintomas Dermatológicos - 2.3 Sinais e Sintomas Neurológicos - 2.4 Manifestações Clínicas da Doença - 2.5 Classificação Operacional - 2.6 Critérios de Indicação para Realização da Baciloscopia
  • 3 PADRONIZAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS - 3.1 Procedimentos Realizados pela Unidade Básica - 3.2 Técnica para Exame Baciloscópico em Hanseníase - 3.2.1 Coleta de Material - 3.2.2 Materiais Necessários - 3.2.3 Sítios de Coleta do Raspado Intradérmico - 3.2.4 Técnica de Coleta - 3.2.5 Fixação - 3.2.6 Acondicionamento e Transporte - 3.3 Procedimentos Realizados pela Unidade Laboratorial - 3.3.1 Registro do Exame no Setor Laboratorial - 3.3.2 Coloração do Esfregaço pelo Método de Ziehl-Neelsen a Frio - 3.3.3 Exame Baciloscópico - 3.3.3.1 Índice Baciloscópico (IB) - 3.3.3.2 Índice Morfológico (IM) - 3.3.4 Liberação dos Resultados - 3.3.5 Armazenamento das Lâminas
  • 4 SISTEMA NACIONAL DE LABORATÓRIOS DE SAÚDE PÚBLICA - Hanseníase 4.1 Monitoramento das Informações da Rede Estadual de Laboratórios em
    • REDE ESTADUAL 5 CONTROLE DA QUALIDADE DAS LÂMINAS DE BACILOSCOPIA EM HANSENÍASE NA
      • 5.1 Quantitativo e Frequência
    • 5.2 Critério para a Revisão das Lâminas
    • 5.3 Avaliação das Características Técnicas dos Esfregaços - 5.3.1 Avaliação Macroscópica - 5.3.2 Avaliação Microscópica - 5.3.3 Avaliação das Concordâncias dos Resultados - 5.3.4 Registro dos Resultados e Ações Corretivas - 5.3.4.1 Registro - 5.3.4.2 Relatório da Revisão das Lâminas de Baciloscopia
    • 5.4 Recomendações - 5.4.1 Para o Laboratório Avaliador no Caso de Análise Discordante - 5.4.2 Para o Lacen
  • REFERÊNCIAS
  • ANEXOS - Anexo A – Modelo de Guia de Serviços Auxiliares de Diagnóstico e Terapia (SADT)
    • Anexo B – Preparo dos Reagentes Usados no Processo de Coloração
    • Anexo C – Folha de Contagem do Índice Baciloscópico - IB. - Locais Anexo D – Planilha de Produtividade da Baciloscopia em Hanseníase – Laboratórios - Municipais Anexo E – Planilha de Produtividade da Baciloscopia em Hanseníase – Laboratórios - Baciloscopia em Hanseníase Anexo F – Planilha de Acompanhamento de Produtividade da Rede Estadual da
    • Anexo G – Cronograma da Releitura das Lâminas.
    • Anexo H – Modelo de Ofício de Solicitação de Lâminas
    • Anexo I – Planilha de Registro dos Resultados
    • Anexo J – Relatório da Revisão das Lâminas de Baciloscopia
    • Anexo K – Modelo de Ofício de Encaminhamento do Relatório de Avaliação.
    • Anexo L – Relatório Final da Avaliação da Rede Estadual em Hanseníase. - de e Integração das Ações Laboratoriais e Vigilância Epidemiológica em maio

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Guia de Procedimentos Técnicos: Baciloscopia em Hanseníase

APRESENTAÇÃO

A hanseníase ainda é uma doença infecciosa crônica de elevada magnitude em vários países.

Um dos indicadores epidemiológicos mais importantes em termos da sina- lização de dinâmica de transmissão recente é a ocorrência de casos em menores de 15 anos de idade.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) em todo o mun- do 249.007 casos novos foram diagnosticados em 2008. O Brasil contribuiu com 39.047 (15,7%) desses casos, de acordo com os dados oficiais do Ministério da Saúde (MS).

Considerando que o modelo de intervenção para o controle da endemia é baseado no diagnóstico precoce, tratamento oportuno de todos os casos diag- nosticados, prevenção de incapacidades e na vigilância dos contatos domicilia- res, é de fundamental importância que as ações sejam padronizadas e executa- das em toda rede do Sistema Único de Saúde.

Neste contexto, as Coordenações Gerais de Laboratórios de Saúde Públi- ca (CGLAB) e do Programa Nacional de Controle da Hanseníase (CGPNCH), em conjunto, lançam o Guia de Procedimentos Técnicos da Baciloscopia em Han- seníase que tem como objetivo principal fornecer aos profissionais envolvidos no processo, informações seguras, atualizadas, possibilitando o redireciona- mento das ações e a qualificação dos profissionais gerando resultados com alto padrão de qualidade.

Maria Aparecida de Faria Grossi Coordenação-Geral do Programa Nacional de Controle da Hanseníase

Sandra Gurgel Coordenação-Geral de Laboratórios de Saúde Pública

Gerson de Oliveira Penna Secretário de Vigilância em Saúde

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Guia de Procedimentos Técnicos: Baciloscopia em Hanseníase

1 INTRODUÇÃO

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa, crônica, granulomatosa e de evolução lenta, causada pelo Mycobacterium leprae (bacilo de Hansen).

Esse bacilo é capaz de infectar grande número de pessoas (alta infectivida- de), mas poucos adoecem (baixa patogenicidade).

As manifestações clínicas da hanseníase são bastante variáveis e estão re- lacionadas com a imunogenicidade do bacilo e com o sistema imunológico do hospedeiro. A associação desses fatores é responsável pelo alto potencial inca- pacitante da doença e esta, sem dúvida, é uma das principais razões para que ela seja de notificação compulsória e investigação obrigatória.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, para fins terapêuticos, a classificação operacional baseada no número de lesões cutâneas. Os casos com até cinco lesões são considerados Paucibacilares (PB) e aqueles com mais de cinco lesões são os Multibacilares (MB).

O diagnóstico laboratorial da hanseníase é importante para auxiliar no diagnóstico diferencial com outras doenças dermatoneurológicas, casos suspei- tos de recidiva e na classificação para fins de tratamento. Nestes casos, o exame baciloscópico do raspado intradérmico (baciloscopia) é o método comumente utilizado por ser de fácil execução, pouco invasivo e de baixo custo.

Desta forma, a Coordenação-Geral de Laboratórios de Saúde Pública (CGLAB) e a Coordenação-Geral do Programa Nacional de Controle da Hanse- níase (CGPNCH) consideram de fundamental importância a padronização dos processos envolvidos na baciloscopia, para que os resultados apresentem níveis aceitáveis de confiabilidade, a fim de que os mesmos possam contribuir para o planejamento das ações por meio de um trabalho integrado entre laboratório, vigilância epidemiológica e atenção básica.

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Secretaria de Vigilância em Saúde MS

A hanseníase pode atingir pessoas de todas as idades e de ambos os sexos, sendo a incidência maior em indivíduos do sexo masculino. Crianças raramente são afetadas, no entanto, observa-se que quando crianças menores de 15 anos adoecem há uma maior endemicidade da doença.

2.2 Sinais e Sintomas Dermatológicos

Geralmente a hanseníase manifesta-se por meio de lesões de pele com di- minuição ou ausência de sensibilidade ou lesões dormentes, em decorrência do acometimento dos ramos periféricos cutâneos.

As lesões mais comuns são:

  • Manchas esbranquiçadas ou avermelhadas – alteração na cor da pele, sem relevo.
  • Pápulas – lesão sólida, com elevação superficial e circunscrita.
  • Infiltrações – alteração na espessura da pele, de forma difusa.
  • Tubérculos – lesão sólida, elevada (caroços externos).
  • Nódulos – lesão sólida, mais palpável que visível (caroços internos). Na fase inicial da doença, pode haver um aumento da sensibilidade acompa- nhada de uma sensação de formigamento que pode ser confundida com coceira.

Outros Sintomas Gerais precisam ser valorizados:

  • Edema de mãos e pés;
  • Febre e artralgia;
  • Entupimento, feridas e ressecamento do nariz;
  • Nódulos eritematosos dolorosos;
  • Mal estar geral;
  • Ressecamento dos olhos.

2.3 Sinais e Sintomas Neurológicos

Outra forma de manifestação da doença são as lesões nos nervos periféri- cos. Essas lesões são decorrentes de processos inflamatórios dos nervos periféri- cos (neurites), causados tanto pela ação direta do bacilo nos nervos, como pela reação do organismo ao bacilo. Os sintomas são:

  • Dor e/ou espessamento dos nervos periféricos.

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Guia de Procedimentos Técnicos: Baciloscopia em Hanseníase

  • Diminuição e/ou perda de sensibilidade nas áreas inervadas por esses nervos, principalmente nos olhos, nas mãos e nos pés.
  • Diminuição e/ou perda de força nos músculos inervados por esses nervos, principalmente nas pálpebras e nos membros superiores e in- feriores. A neurite, geralmente, é um processo agudo acompanhado de dor intensa e edema. No início não há evidência de comprometimento funcional do nervo, mas frequentemente a neurite se torna crônica, com diminuição ou perda de sensibilidade, causando dormência e diminuição ou perda da força muscular, provocando fraqueza, paralisia e atrofia dos músculos inervados pelos nervos comprometidos. Alguns casos, porém, apresentam espessamento de nervos periféricos, alterações de sensibilidade e alterações motoras sem sintomas agu- dos de dor, conhecidos como neurite silenciosa.

2.4 Manifestações Clínicas da Doença

As pessoas, em geral, têm imunidade para o M. leprae, e a maioria delas não adoece. Entre as que adoecem, o grau de imunidade varia determinando a forma clínica e a evolução da doença.

As formas de manifestação clínica da hanseníase são quatro: indetermina- da, tuberculoide, virchowiana e dimorfa (classificação de Madri). A partir da for- ma indeterminada, a hanseníase pode evoluir para as demais formas clínicas.

  • Forma indeterminada – caracteriza-se clinicamente por manchas esbranquiçadas na pele (manchas hipocrônicas), únicas ou múltiplas, de limites imprecisos e com alteração de sensibilidade. Pode ocorrer alteração apenas da sensibilidade térmica com preservação das sensi- bilidades dolorosa e tátil. Não há comprometimento de nervos e, por isso, não ocorrem alterações motoras ou sensitivas que possam causar incapacidades. A baciloscopia de raspado intradérmico é sempre ne- gativa, quando positiva indica evolução da doença.

FIQUE DE OLHO!

As manifestações clínicas podem desaparecer espontaneamente ou evoluir para as outras for- mas da doença, de acordo com as carac ter ísti- cas imunológicas do paciente.

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Guia de Procedimentos Técnicos: Baciloscopia em Hanseníase

2.5 Classificação Operacional

A classificação operacional para fins de tratamento poliquimioterápico (PQT), proposta pela OMS e adotada pelo MS, baseia-se no número de lesões cutâneas de acordo com os seguintes critérios:

  • Casos paucibacilares (PB): pacientes que apresentam até cinco le- sões de pele.
  • Casos multibacilares (MB): pacientes que apresentam mais de cinco lesões de pele.

A baciloscopia de esfregaço intradérmico deve ser utilizada como exame complementar para a identificação dos casos PB e MB de difícil classificação clíni- ca. Baciloscopia positiva classifica o caso como MB, independentemente do nú- mero de lesões. O resultado negativo não exclui o diagnóstico da doença.

2.6 Critérios de Indicação para Realização da Baciloscopia

A baciloscopia é um exame complementar ao diagnóstico e deve ser solici- tado pelo médico da unidade básica, prioritariamente, nas seguintes situações:

a) Em caso de dúvida na classificação operacional para instituição da poli- quimioterapia. b) Diagnóstico diferencial com outras doenças dermatoneurológicas. c) Casos suspeitos de recidiva.

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Secretaria de Vigilância em Saúde MS

grado entre as UBS, laboratório e vigilância epidemiológica, para que todas as ações em Vigilância em Saúde correspondam às expectativas do usuário.

3.2 Técnica para Exame Baciloscópico em Hanseníase

A baciloscopia é um procedimento de fácil execução e de baixo custo, per- mitindo que qualquer laboratório da UBS possa executá-la, não devendo, po- rém ser considerada como critério de diagnóstico da hanseníase.

3.2.1 Coleta de Material

Como em outros procedimentos laboratoriais, no momento da coleta é neces- sário que os materiais indicados a seguir, estejam disponíveis e que todos os pro- fissionais estejam devidamente protegidos, utilizando Equipamentos de Proteção Individual (EPI) como: luvas, máscaras e avental.

3.2.2 Materiais Necessários

  • Solicitação de exame conforme Guia de Serviços Auxiliares de Diag- nóstico e Terapia (SADT) – Anexo A.
  • Lâmina de vidro para microscopia, nova, limpa e desengordurada, com ponta fosca 26 x 76mm.
  • Lamparina a álcool 90°GL ou bico de Bunsen.
  • Álcool 70°GL ou 70%.
  • Gaze não estéril.
  • Algodão hidrófilo.
  • Lápis comum.
  • Lápis dermográfico.
  • Fósforo.
  • Cabo de bisturi nº 3 e lâmina de bisturi nº 15 ou bisturi descartável.
  • Porta-lâminas de plástico para o transporte da amostra.
  • Esparadrapo ou bandagem antisséptica.
  • Luvas de procedimento.
  • Máscara.
  • Pinça de Kelly curva ou reta para fazer isquemia no local da incisão.
  • Recipiente para descarte do material utilizado.

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Guia de Procedimentos Técnicos: Baciloscopia em Hanseníase

FIQUE DE OLHO!

O descarte de todo material deve obedecer as normas vigentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que dispõe sobre o Regulamento Técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde.

3.2.3 Sítios de Coleta do Raspado Intradérmico

Em pacientes com lesões cutâneas visíveis ou áreas com alteração de sensi- bilidade, a coleta deverá ser feita em lóbulo auricular direito (LD), lóbulo auricu- lar esquerdo (LE), cotovelo direito (CD) e lesão (L), conforme figura 1. Nas lesões

planas, coletar no limite interno. Nos nódulos, tubérculos e placas eritematosas marginadas por microtubérculos, coletar no centro.

Identificação do paciente →

Ponta fosca

LD LE CD L

Figura 1 – Disposição dos esfregaços em lâmina de vidro.

Em pacientes que não apresentam lesões ativas visíveis, colher material do lóbulo auricular direito (LD), lóbulo auricular esquerdo (LE), cotovelo direito (CD) e cotovelo esquerdo (CE), conforme figura 2.

Identificação do paciente →

Ponta fosca

LD LE CD CE

Figura 2 – Disposição dos esfregaços em lâmina de vidro.

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Guia de Procedimentos Técnicos: Baciloscopia em Hanseníase

h) Fazer um corte na pele de aproximadamente 5mm de extensão por 3mm de profundidade. Colocar o lado não cortante da lâmina do bisturi em ân- gulo reto em relação ao corte e realizar o raspado intradérmico das bordas e do fundo da incisão, retirando quantidade suficiente e visível do material. Se fluir sangue no momento do procedimento (o que não deverá aconte- cer se a compressão da pele estiver adequada) enxugar com algodão. i) Desfazer a pressão e distribuir o material coletado na lâmina, fazendo mo- vimentos circulares do centro para a borda numa área aproximadamente de 5 – 7mm de diâmetro, mantendo uma camada fina e uniforme. j) O primeiro esfregaço deverá ser colocado na extremidade mais próxima da identificação do paciente (parte fosca), e o segundo próximo ao pri- meiro observando uma distância, de pelo menos 0,5cm entre cada amos- tra e assim sucessivamente. Os esfregaços devem estar no mesmo lado da parte fosca da lâmina. k) Entre um sítio e outro de coleta, limpar a lâmina do bisturi e a pinça utili- zada com algodão ou gaze embebido em álcool 70°GL ou 70%, para que não ocorra a contaminação entre eles.

l) Fazer curativo compressivo e nunca liberar o paciente se estiver sangrando.

3.2.5 Fixação

As lâminas contendo os raspados intradérmicos devem permanecer em su- perfície plana e à temperatura ambiente, durante cinco a dez minutos até es- tarem completamente secos. Após essa etapa os esfregaços devem ser fixados passando-se as lâminas duas a três vezes, rapidamente, na chama de uma lamparina ou bico de Bunsen, com os esfregaços voltados para cima.

FIQUE DE OLHO!

Evitar o aquecimento da lâmina durante a fixação, para que não haja alteração das características morfotintoriais do bacilo. Em locais ou dias em que o ar esteja mais úmido, o tempo de secagem do esfregaço poderá ser maior.

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Secretaria de Vigilância em Saúde MS

3.2.6 Acondicionamento e Transporte

Após a fixação, acondicionar as lâminas em porta-lâminas de plástico rígido para evitar quebra, exposição à poeira e insetos, a fim de serem transportadas às unidades laboratoriais, no prazo máximo de vinte e quatro horas junto com

as guias de SADT devidamente preenchidas.

Os porta-lâminas deverão ser acondicionados em caixas resistentes, devi- damente fechadas, conforme normas de biossegurança e identificadas, con- tendo a unidade de origem, o endereço de destino e o remetente, para serem transportadas à unidade laboratorial.

3.3 Procedimentos Realizados pela Unidade Laboratorial

Nesta etapa é importante salientar que em todos os setores laboratoriais por onde circulam as amostras, os profissionais deverão estar devidamente protegi- dos com o uso de EPI, conforme recomendação das normas de biossegurança.

No setor de triagem e recebimento das amostras, o profissional deve ve- rificar no momento do recebimento as condições do material com relação à identificação dos mesmos, assim como a integridade das lâminas. Cabe a ele a decisão de receber ou rejeitar a amostra conforme cada caso.

No caso de rejeição da amostra, o profissional deve registrar no livro de recebimento das amostras o motivo da rejeição, informar a unidade solicitante o ocorrido e solicitar nova coleta.

3.3.1 Registro do Exame no Setor Laboratorial

No setor de processamento, todas as lâminas deverão ser registradas em um livro de registro específico, com as seguintes informações: número de regis- tro do laboratório, unidade de saúde solicitante, data da coleta, identificação da lâmina, diagnóstico inicial, data de entrada no laboratório, presença de células (sim/não), ausência de sangue (sim/não), aspecto geral do esfregaço como: ta- manho, espessura e homogeneidade (satisfatório/ insatisfatório), resultado por sítios de coleta e data da liberação dos resultados.

No caso de algum dos esfregaços não apresentar condições adequadas para a realização do exame, realizar a leitura dos demais e no livro de registro, assim como na guia de SADT, justificar a ausência do resultado.