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APRESENTAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 1 INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 2 CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A HANSENÍASE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 2.1 Características Clínicas da Hanseníase . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Tipologia: Notas de estudo
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Brasília – DF 2010
Guia de procedimentos técnicos
© 2010 Ministério da Saúde. Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. A responsabilidade pela cessão de direitos autorais de textos e imagens desta obra é da área técnica. A coleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessada, na íntegra, na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde: http://www.saude.gov.br/bvs O conteúdo desta e de outras obras da Editora do Ministério da Saúde pode ser acessado na página: http://www.saude.gov.br/editora
Série A. Normas e Manuais Técnicos
Tiragem: 1ª edição – 2010 – 50.000 exemplares
Elaboração, distribuição e informações: MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Vigilância em Saúde Departamento de Vigilância Epidemiológica Coordenação-Geral de Laboratórios de Saúde Pública Coordenação-Geral do Programa Nacional de Controle da Hanseníase Setor Comercial Sul, Quadra 4, Bloco A, Edifício Principal, 3º andar CEP: 70304-000, Brasília – DF Tel.: (61) 3213- 3213- E-mail: [email protected] Homepage: www.saude.gov.br/svs
Impresso no Brasil / Printed in Brazil
Ficha Catalográfica Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de VigilâncIa em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de procedimentos técnicos: baciloscopia em hanseníase / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2010. 54 p. : il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) ISBN 978-85-334-1678-
Títulos para indexação: Em inglês: Guide for Technical Procedures: Skin Smear in Leprosy. Em espanhol: Guia de Procedimentos Técnicos: Baciloscopia em Lepra.
Coordenação Geral: Maria Aparecida de Faria Grossi (CGPNCH/DEVEP/SVS/MS) Sandra Gurgel (CGLAB/SVS/MS)
Coordenação de Conteúdo: Egle Bravo (CGLAB/SVS/MS) Elaine Faria Morelo (CGPNCH/DEVEP/SVS/MS)
Assessoria de Conteúdo: Cacilda De Crignis (Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo – Lacen/ES) Edson Cláudio Araripe de Albuquerque (Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz/RJ) Egon Luiz Rodrigues Daxbacher (Programa Nacional de Controle da Hanseníase – PNCH/DF) Jorge Ewerton dos Santos Sales (Fundação Alfredo da Matta – Fuam/AM) Maria Alice da Silva Telles (Centro de Referência Professor Hélio Fraga/RJ) Maria Conceição Martins (Instituto Adolfo Lutz – IAL/SP) Maria Eugenia Novinski Gallo (Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz/RJ) Maria Irismar da Silva Silveira (Centro de Referência Nacional em Dermatologia Sanitária Dona Libânia – CDERM/Sesa/CE) Suzana Madeira Diório (Instituto Lauro de Souza Lima – ILSL/SP)
Colaboração: Aline da Fonseca Rosa (CGLAB/SVS/MS) Denise Macedo Mancini (CGLAB/SVS/MS Lúcia Ferraz (CGLAB/SVS/MS) Mario César Althoff (CGLAB/SVS/MS) Mônica Angélica Carreira Fragoso (CGLAB/SVS/MS) Selma Lina Suzuki (CGLAB/SVS/MS)
EDITORA MS Documentação e Informação SIA, trecho 4, lotes 540/ CEP: 71200-040, Brasília – DF Tels.: (61) 3233-1774/ Fax: (61) 3233- E-mail: [email protected] Home page: http://www.saude.gov.br/editora Equipe Editorial: Normalização: Heloiza Santos Revisão: Khamila Silva e Mara Pamplona Projeto gráfico e diagramação: Alisson Albuquerque
Colaboração: Aline da Fonseca Rosa (CGLAB/SVS/MS) Denise Macedo Mancini (CGLAB/SVS/MS Lúcia Ferraz (CGLAB/SVS/MS) Mario César Althoff (CGLAB/SVS/MS) Mônica Angélica Carreira Fragoso (CGLAB/SVS/MS) Selma Lina Suzuki (CGLAB/SVS/MS)
Assessoria Editorial: Maria Rita C. Dantas
EDITORA MS Documentação e Informação SIA, trecho 4, lotes 540/ CEP: 71200-040, Brasília – DF Tels.: (61) 3233-1774/ Fax: (61) 3233- E-mail: [email protected] Homepage: http://www.saude.gov.br/editora
Equipe Editorial: Normalização: Heloiza Santos Revisão: Khamila Silva e Mara Pamplona Projeto gráfico e diagramação: Alisson Albuquerque
Anexo M – Participantes da Oficina de Padronização de Basciloscopia em Hanseníase
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Guia de Procedimentos Técnicos: Baciloscopia em Hanseníase
A hanseníase ainda é uma doença infecciosa crônica de elevada magnitude em vários países.
Um dos indicadores epidemiológicos mais importantes em termos da sina- lização de dinâmica de transmissão recente é a ocorrência de casos em menores de 15 anos de idade.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) em todo o mun- do 249.007 casos novos foram diagnosticados em 2008. O Brasil contribuiu com 39.047 (15,7%) desses casos, de acordo com os dados oficiais do Ministério da Saúde (MS).
Considerando que o modelo de intervenção para o controle da endemia é baseado no diagnóstico precoce, tratamento oportuno de todos os casos diag- nosticados, prevenção de incapacidades e na vigilância dos contatos domicilia- res, é de fundamental importância que as ações sejam padronizadas e executa- das em toda rede do Sistema Único de Saúde.
Neste contexto, as Coordenações Gerais de Laboratórios de Saúde Públi- ca (CGLAB) e do Programa Nacional de Controle da Hanseníase (CGPNCH), em conjunto, lançam o Guia de Procedimentos Técnicos da Baciloscopia em Han- seníase que tem como objetivo principal fornecer aos profissionais envolvidos no processo, informações seguras, atualizadas, possibilitando o redireciona- mento das ações e a qualificação dos profissionais gerando resultados com alto padrão de qualidade.
Maria Aparecida de Faria Grossi Coordenação-Geral do Programa Nacional de Controle da Hanseníase
Sandra Gurgel Coordenação-Geral de Laboratórios de Saúde Pública
Gerson de Oliveira Penna Secretário de Vigilância em Saúde
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Guia de Procedimentos Técnicos: Baciloscopia em Hanseníase
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa, crônica, granulomatosa e de evolução lenta, causada pelo Mycobacterium leprae (bacilo de Hansen).
Esse bacilo é capaz de infectar grande número de pessoas (alta infectivida- de), mas poucos adoecem (baixa patogenicidade).
As manifestações clínicas da hanseníase são bastante variáveis e estão re- lacionadas com a imunogenicidade do bacilo e com o sistema imunológico do hospedeiro. A associação desses fatores é responsável pelo alto potencial inca- pacitante da doença e esta, sem dúvida, é uma das principais razões para que ela seja de notificação compulsória e investigação obrigatória.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, para fins terapêuticos, a classificação operacional baseada no número de lesões cutâneas. Os casos com até cinco lesões são considerados Paucibacilares (PB) e aqueles com mais de cinco lesões são os Multibacilares (MB).
O diagnóstico laboratorial da hanseníase é importante para auxiliar no diagnóstico diferencial com outras doenças dermatoneurológicas, casos suspei- tos de recidiva e na classificação para fins de tratamento. Nestes casos, o exame baciloscópico do raspado intradérmico (baciloscopia) é o método comumente utilizado por ser de fácil execução, pouco invasivo e de baixo custo.
Desta forma, a Coordenação-Geral de Laboratórios de Saúde Pública (CGLAB) e a Coordenação-Geral do Programa Nacional de Controle da Hanse- níase (CGPNCH) consideram de fundamental importância a padronização dos processos envolvidos na baciloscopia, para que os resultados apresentem níveis aceitáveis de confiabilidade, a fim de que os mesmos possam contribuir para o planejamento das ações por meio de um trabalho integrado entre laboratório, vigilância epidemiológica e atenção básica.
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Secretaria de Vigilância em Saúde MS
A hanseníase pode atingir pessoas de todas as idades e de ambos os sexos, sendo a incidência maior em indivíduos do sexo masculino. Crianças raramente são afetadas, no entanto, observa-se que quando crianças menores de 15 anos adoecem há uma maior endemicidade da doença.
Geralmente a hanseníase manifesta-se por meio de lesões de pele com di- minuição ou ausência de sensibilidade ou lesões dormentes, em decorrência do acometimento dos ramos periféricos cutâneos.
As lesões mais comuns são:
Outros Sintomas Gerais precisam ser valorizados:
Outra forma de manifestação da doença são as lesões nos nervos periféri- cos. Essas lesões são decorrentes de processos inflamatórios dos nervos periféri- cos (neurites), causados tanto pela ação direta do bacilo nos nervos, como pela reação do organismo ao bacilo. Os sintomas são:
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Guia de Procedimentos Técnicos: Baciloscopia em Hanseníase
As pessoas, em geral, têm imunidade para o M. leprae, e a maioria delas não adoece. Entre as que adoecem, o grau de imunidade varia determinando a forma clínica e a evolução da doença.
As formas de manifestação clínica da hanseníase são quatro: indetermina- da, tuberculoide, virchowiana e dimorfa (classificação de Madri). A partir da for- ma indeterminada, a hanseníase pode evoluir para as demais formas clínicas.
As manifestações clínicas podem desaparecer espontaneamente ou evoluir para as outras for- mas da doença, de acordo com as carac ter ísti- cas imunológicas do paciente.
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Guia de Procedimentos Técnicos: Baciloscopia em Hanseníase
A classificação operacional para fins de tratamento poliquimioterápico (PQT), proposta pela OMS e adotada pelo MS, baseia-se no número de lesões cutâneas de acordo com os seguintes critérios:
A baciloscopia de esfregaço intradérmico deve ser utilizada como exame complementar para a identificação dos casos PB e MB de difícil classificação clíni- ca. Baciloscopia positiva classifica o caso como MB, independentemente do nú- mero de lesões. O resultado negativo não exclui o diagnóstico da doença.
A baciloscopia é um exame complementar ao diagnóstico e deve ser solici- tado pelo médico da unidade básica, prioritariamente, nas seguintes situações:
a) Em caso de dúvida na classificação operacional para instituição da poli- quimioterapia. b) Diagnóstico diferencial com outras doenças dermatoneurológicas. c) Casos suspeitos de recidiva.
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grado entre as UBS, laboratório e vigilância epidemiológica, para que todas as ações em Vigilância em Saúde correspondam às expectativas do usuário.
A baciloscopia é um procedimento de fácil execução e de baixo custo, per- mitindo que qualquer laboratório da UBS possa executá-la, não devendo, po- rém ser considerada como critério de diagnóstico da hanseníase.
3.2.1 Coleta de Material
Como em outros procedimentos laboratoriais, no momento da coleta é neces- sário que os materiais indicados a seguir, estejam disponíveis e que todos os pro- fissionais estejam devidamente protegidos, utilizando Equipamentos de Proteção Individual (EPI) como: luvas, máscaras e avental.
3.2.2 Materiais Necessários
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Guia de Procedimentos Técnicos: Baciloscopia em Hanseníase
O descarte de todo material deve obedecer as normas vigentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que dispõe sobre o Regulamento Técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde.
3.2.3 Sítios de Coleta do Raspado Intradérmico
Em pacientes com lesões cutâneas visíveis ou áreas com alteração de sensi- bilidade, a coleta deverá ser feita em lóbulo auricular direito (LD), lóbulo auricu- lar esquerdo (LE), cotovelo direito (CD) e lesão (L), conforme figura 1. Nas lesões
planas, coletar no limite interno. Nos nódulos, tubérculos e placas eritematosas marginadas por microtubérculos, coletar no centro.
Identificação do paciente →
Ponta fosca
Figura 1 – Disposição dos esfregaços em lâmina de vidro.
Em pacientes que não apresentam lesões ativas visíveis, colher material do lóbulo auricular direito (LD), lóbulo auricular esquerdo (LE), cotovelo direito (CD) e cotovelo esquerdo (CE), conforme figura 2.
Identificação do paciente →
Ponta fosca
Figura 2 – Disposição dos esfregaços em lâmina de vidro.
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Guia de Procedimentos Técnicos: Baciloscopia em Hanseníase
h) Fazer um corte na pele de aproximadamente 5mm de extensão por 3mm de profundidade. Colocar o lado não cortante da lâmina do bisturi em ân- gulo reto em relação ao corte e realizar o raspado intradérmico das bordas e do fundo da incisão, retirando quantidade suficiente e visível do material. Se fluir sangue no momento do procedimento (o que não deverá aconte- cer se a compressão da pele estiver adequada) enxugar com algodão. i) Desfazer a pressão e distribuir o material coletado na lâmina, fazendo mo- vimentos circulares do centro para a borda numa área aproximadamente de 5 – 7mm de diâmetro, mantendo uma camada fina e uniforme. j) O primeiro esfregaço deverá ser colocado na extremidade mais próxima da identificação do paciente (parte fosca), e o segundo próximo ao pri- meiro observando uma distância, de pelo menos 0,5cm entre cada amos- tra e assim sucessivamente. Os esfregaços devem estar no mesmo lado da parte fosca da lâmina. k) Entre um sítio e outro de coleta, limpar a lâmina do bisturi e a pinça utili- zada com algodão ou gaze embebido em álcool 70°GL ou 70%, para que não ocorra a contaminação entre eles.
l) Fazer curativo compressivo e nunca liberar o paciente se estiver sangrando.
3.2.5 Fixação
As lâminas contendo os raspados intradérmicos devem permanecer em su- perfície plana e à temperatura ambiente, durante cinco a dez minutos até es- tarem completamente secos. Após essa etapa os esfregaços devem ser fixados passando-se as lâminas duas a três vezes, rapidamente, na chama de uma lamparina ou bico de Bunsen, com os esfregaços voltados para cima.
Evitar o aquecimento da lâmina durante a fixação, para que não haja alteração das características morfotintoriais do bacilo. Em locais ou dias em que o ar esteja mais úmido, o tempo de secagem do esfregaço poderá ser maior.
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3.2.6 Acondicionamento e Transporte
Após a fixação, acondicionar as lâminas em porta-lâminas de plástico rígido para evitar quebra, exposição à poeira e insetos, a fim de serem transportadas às unidades laboratoriais, no prazo máximo de vinte e quatro horas junto com
as guias de SADT devidamente preenchidas.
Os porta-lâminas deverão ser acondicionados em caixas resistentes, devi- damente fechadas, conforme normas de biossegurança e identificadas, con- tendo a unidade de origem, o endereço de destino e o remetente, para serem transportadas à unidade laboratorial.
Nesta etapa é importante salientar que em todos os setores laboratoriais por onde circulam as amostras, os profissionais deverão estar devidamente protegi- dos com o uso de EPI, conforme recomendação das normas de biossegurança.
No setor de triagem e recebimento das amostras, o profissional deve ve- rificar no momento do recebimento as condições do material com relação à identificação dos mesmos, assim como a integridade das lâminas. Cabe a ele a decisão de receber ou rejeitar a amostra conforme cada caso.
No caso de rejeição da amostra, o profissional deve registrar no livro de recebimento das amostras o motivo da rejeição, informar a unidade solicitante o ocorrido e solicitar nova coleta.
3.3.1 Registro do Exame no Setor Laboratorial
No setor de processamento, todas as lâminas deverão ser registradas em um livro de registro específico, com as seguintes informações: número de regis- tro do laboratório, unidade de saúde solicitante, data da coleta, identificação da lâmina, diagnóstico inicial, data de entrada no laboratório, presença de células (sim/não), ausência de sangue (sim/não), aspecto geral do esfregaço como: ta- manho, espessura e homogeneidade (satisfatório/ insatisfatório), resultado por sítios de coleta e data da liberação dos resultados.
No caso de algum dos esfregaços não apresentar condições adequadas para a realização do exame, realizar a leitura dos demais e no livro de registro, assim como na guia de SADT, justificar a ausência do resultado.