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Hanseníase causas e cuidados, Resumos de Enfermagem

Doença hanseníase, histórico e cuidados de enfermagem

Tipologia: Resumos

2020

Compartilhado em 12/04/2020

rodrigo-ferreira-s6u
rodrigo-ferreira-s6u 🇧🇷

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CENTRO UNIVERSTARIO DO NORTE
HANSENÍASE
MANAUS-AM
2017
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CENTRO UNIVERSTARIO DO NORTE

HANSENÍASE

MANAUS-AM

ANNE GABRIELLE TENORIO RODRIGUES

DARLIANY MARQUES MEIRELES

JULLY THAMILY CORDOVAS DA COSTA

LARISSA THAIS ASSIS XAVIER

RODRIGO ANTONIO FERREIRA

RUAN VICTOR DOS SANTOS SILVA

SANDRINA ALMEIDA DE SOUSA

STEPHANIE CARVALHO DE VASCONCELOS

HANSENÍASE

Trabalho solicitado pelo Prof: Igor Castro, referente à disciplina de Sistema Tegumentar para compor a nota parcial da 2 ARE para a turma ENN03S1. MANAUS- AM 2017

O bacilo Mycobacterium leprae tem andado pelo mundo há muito tempo. Já no século 6 a.C., havia referências à temida doença por ele causada: a hanseníase. Acredita-se que a doença tenha surgido no Oriente e se espalhado pelo mundo por tribos nômades ou por navegadores, como os fenícios. Também conhecida como lepra ou mal de Lázaro, antigamente a enfermidade era associada ao pecado, à impureza, à desonra. Por falta de um conhecimento específico, a hanseníase era muitas vezes confundida com outras doenças, principalmente as de pele e venéreas. Daí o preconceito em relação ao seu portador: a transmissão da doença pressupunha um contato corporal, muitas vezes de natureza sexual e, portanto, pecaminoso. Narrativas religiosas associavam as marcas na carne aos desvios da alma: eram os sacerdotes, e não os médicos, que davam o diagnóstico. No Velho Testamento, o rei Uzziah foi punido por Deus com a doença, por ter realizado uma cerimônia exclusiva aos sacerdotes. Mesmo sendo rei, teve que ir morar numa casa isolada e não foi enterrado no cemitério dos soberanos. Já no Novo Testamento, é marcante o episódio em que Cristo “limpa” um leproso. Quando não eram enviados para leprosários e excluídos da sociedade, os doentes não podiam entrar em igrejas, tinham que usar luvas e roupas especiais, carregar sinetas ou matracas que anunciassem sua presença e, para pedir esmolas, precisavam colocar um saco amarrado na ponta de uma longa vara. Não havia cura e ninguém queria um leproso por perto! Somente em 1873, a bactéria causadora da moléstia foi identificada pelo norueguês Armauer Hansen, e as crenças de que a doença era hereditária, fruto do pecado ou castigo divino foram afastadas. Porém, o preconceito persistiu, e a exclusão social dos acometidos foi até mesmo reforçada pela teoria de que o confinamento dos doentes era o caminho para a extinção do mal. No Brasil, até meados do século XX, os doentes eram obrigados a se isolar em leprosários e tinham seus pertences queimados, uma política que visava muito mais ao afastamento dos portadores do que a um tratamento efetivo. Apenas em 1962 a internação compulsória dos doentes deixou de ser regra. O avanço das pesquisas comprovou que a hanseníase nem é uma doença tão contagiosa assim. Terapias foram desenvolvidas e, em 1981, a OMS passou a recomendar a poli quimioterapia. Em muitos países desenvolvidos, a hanseníase já foi erradicada. Desde 1995, o tratamento é gratuitamente oferecido para os pacientes do mundo todo, e, nesse mesmo ano, no Brasil, o termo lepra e seus derivados foram proibidos de serem empregados nos documentos oficiais da Administração, em uma tentativa de reduzir o estigma da doença. Esse estigma, porém, vai muito além da denominação. Associada ao pecado na Antiguidade, a hanseníase hoje evidencia desigualdades sociais, afetando, sobretudo as regiões mais carentes do mundo. Por isso, o preconceito persiste e muitas pessoas ainda acreditam que apenas os pobres adquirem a doença. No entanto, apesar de ser transmitida mais facilmente

quando as condições sanitárias e de habitação não são adequadas, a hanseníase não escolhe, nem nunca escolheu, classe social.

  1. ASPECTOS CONCEITUAIS DA PATOLOGIA A hanseníase é uma doença infecto - contagiosa de evolução crônica que se manifesta, principalmente, por lesões cutâneas com diminuição de sensibilidade térmica, dolorosa e tátil. Tais manifestações são resultantes da ação do Mycobacterium leprae (M. leprae), agente causador da doença de Hansen, em acometer células cutâneas e nervosas periféricas. Durante os surtos reacionais, vários órgãos podem ser acometidos, tais como, olhos, rins, supra-renais, testículos, fígado e baço. Podem ocorrer deformidades e incapacidades de olhos, mãos e pés com a evolução da doença (MEDINA et al., 2004). A palavra lepra vem do latim lepros, que significa ato de sujar ou poluir. A lepra como era conhecida na antiguidade é uma das mais antigas patologias registradas pela humanidade. A hanseníase sempre foi uma enfermidade preocupante para a área da saúde. Antes mesmo de ser classificada como enfermidade, quando ainda, conforme relato bíblico era considerada “impureza de espírito”, a hanseníase já se evidenciava como um problema mais social de que físico. Isto se deve ao fato de ser uma doença transmissível, mutilante e incapacitante e que, além disso, deforma a parte nobre da aparência física que é o rosto. Por causa disso, além da questão psicológica que envolvia estes doentes, estes enfrentavam dificuldades financeiras pela incapacidade para o trabalho. A Hanseníase é considerada uma doença contagiosa, provocando uma atitude preconceituosa de rejeição e discriminação de seu portador, sendo este, normalmente, excluído da sociedade. A partir de 1940, de forma revolucionária, a dapsona e seus derivados passam a ser utilizados no tratamento das pessoas com hanseníase, em regime ambulatorial, tornando o isolamento em leprosários não mais necessário. A hanseníase começou a ser, então, encarada como um problema de saúde pública e seu tratamento apontado como atividade dos serviços gerais de saúde. (BRASIL, 2001).
  2. EPIDEMIOLOGIA A Hanseníase ocorre em todos os continentes, principalmente na região tropical do planeta, coincidindo com os países com maior dificuldade econômica e desigualdades sociais, onde a pobreza é um fator de risco. É considerado um problema de saúde pública, estando o Brasil como 2º colocado no Hanking Mundial, superado apenas pela Índia. A prevalência no Brasil é de 5,33 doentes/10000 habitantes. Incidindo mais em homens do que em mulheres na proporção de 2:1, tendendo a desaparecer essa diferença com a mudança de hábitos e a revolução da mulher na sociedade. A Hanseníase ocorre em todas as faixas etárias, com maior frequência nas 3ªe 4ª décadas de vida. Porém, vem ocorrendo um aumento de casos nas 1ª e 2º décadas, o que denota a tendência ascendente da endemia. Apresenta distribuição variada nas diferentes regiões, muitas vezes em áreas de difícil acesso às unidades de saúde ou em áreas onde as unidades sanitárias não desenvolvem atividades de controle de Hanseníase, o que dificulta o controle epidemiológico. A Organização Mundial de Saúde elaborou a Campanha de Eliminação da

que evoluem para hipoestesia e anestesia com diminuição da presença de pelos. Hanseníase virchowiana trata-se da forma multibacilar e manifeta-se naqueles indivíduos que apresentam imunidade deprimida para o mycobacterium leprae , a progressão é lenta e está forma da doença atravessa anos envolvendo extensas áreas do tegumento, múltiplos troncos nervosos e inclusive outros órgãos,até que o paciente perceba seus sintomas. As lesões iniciam-se com máculas mal definidas discretamente hipocrômicas ou eritematosas pouco visíveis ampla e simetricamente distribuídas sobre a superfície corpórea, também há a presença de nódulos e pápulas e a infiltração é mais acentuada na face e membros. A pele apresenta aspecto a pergaminhado e tonalidade semelhante ao cobre. Há rarefação de pelos nos membros, cílios e supercílios definida como madarose. Hanseníase dimorfa – Esta forma clínica é caracterizada por sua instabilidade imunológica, o que faz com que haja grande variação em suas manifestações clínicas seja na pele, nos nervos ou no comprometimento sistêmico. As lesões revelam-se numerosas e sua morfologia mescla aspectos de hanseníase tuberculoíde e da hanseníase virchowiana podendo haver predominância de uma forma ou de outra. As lesões compreendem placas eritematosas, manchas hipocrômicas com borda ferruginosas, manchas eritematosas ou acastanhadas com limite interno nítido e externos imprecisos, quando numerosas são chamada lesões em renda ou queijo suíço (ARAÚJO 2003).

  1. SINAIS E SINTOMAS A hanseníase se manifesta por meio de lesões na pele, apresentando diminuição ou ausência de sensibilidade. As lesões mais comuns são:  Manchas pigmentares ou discrômicas;  Placa;  Infiltração;  Nódulo Essas lesões podem se localizar em qualquer região do corpo, porém, ocorrem com maior frequência em face, orelhas, nádegas, braços, pernas e costas.
  2. DIAGNÓSTICO Em primeiro momento será realizada uma análise das condições de vida do paciente e, em seguida o exame dermatoneurológico. A classificação operacional para os casos de hanseníase para o tratamento com poliquimioterapia é baseada no número de lesões cutâneas, conforme os critérios:  Paucibacilar (PB): com até cinco lesões de pele.  Multibacilar (MB): mais de cinco lesões de pele. A hanseníase tem como principal, o diagnóstico clínico constituído das seguintes atividades: anamnese (obtenção da história clínica e epidemiológica); avaliação dermatológica (identificação de lesões de pele com alteração de sensibilidade); avaliação neurológica (identificação de neurites, incapacidades e deformidades); diagnóstico dos estados reacionais; diagnóstico diferencial; e classificação do grau de incapacidade física.

Conforme o diagnóstico laboratorial, é realizada a baciloscopia, que é um exame microscópico no qual se observa o Mycobacterium leprae em esfregaços de raspados intradérmicos das lesões hansênicas ou de outros locais de coleta selecionados: lóbulos auriculares, cotovelos e lesões, quando houver. A baciloscopia é considerada um exame complementar, sendo de fácil execução e baixo custo. A hanseníase pode ser confundida com outras doenças de pele ou doenças neurológicas que apresentam sinais e sintomas semelhantes. A principal diferença entre ela e a hanseníase é a presença de alterações de sensibilidade. Portanto, deve ser feito também o diagnóstico diferencial em relação a essas doenças.

  1. TRATAMENTO O tratamento do paciente com hanseníase é fundamental para curá-lo, fechar a fonte de infecção interrompendo a cadeia de transmissão da doença, sendo, portanto estratégico no controle da endemia e para eliminar a hanseníase enquanto problema de saúde pública. O tratamento integral de um caso de hanseníase compreende o tratamento quimioterápico específico a poliquimioterapia (PQT), seu acompanhamento, com vistas a identificar e tratar as possíveis intercorrências e complicações da doença e a prevenção e o tratamento das incapacidades físicas. Há necessidade de um esforço organizado de toda a rede básica de saúde no sentido de fornecer tratamento quimioterápico a todas as pessoas diagnosticadas com hanseníase. O indivíduo, após ter o diagnóstico, deve, periodicamente, ser visto pela equipe de saúde para avaliação e para receber a medicação. Na tomada mensal de medicamentos é feita uma avaliação do paciente para acompanhar a evolução de suas lesões de pele, do seu comprometimento neural, verificando se há presença de neurites ou de estados reacionais. Quando necessárias, são orientadas técnicas de prevenção de incapacidades e deformidades. São dadas orientações sobre os auto cuidados que ela deverá realizar diariamente para evitar as complicações da doença, sendo verificada sua correta realização. 7.1 Tratamento quimioterápico O tratamento específico da pessoa com hanseníase, indicado pelo Ministério da Saúde, é a poliquimioterapia padronizada pela Organização Mundial de Saúde, conhecida como PQT, devendo ser realizado nas unidades de saúde. A PQT mata o bacilo tornando-o inviável, evita a evolução da doença, prevenindo as incapacidades e deformidades causadas por ela, levando à cura. O bacilo morto é incapaz de infectar outras pessoas, rompendo a cadeia epidemiológica da doença. Assim sendo, logo no início do tratamento, a transmissão da doença é interrompida, e, sendo realizado de forma completa e correta, garante a cura da doença. A poliquimioterapia é constituída pelo conjunto dos seguintes medicamentos: rifampicina, dapsona e clofazimina, com administração associada. Essa associação evita a resistência medicamentosa do bacilo que ocorre com freqüência quando se utiliza apenas um medicamento, impossibilitando a cura da doença. É administrada através de esquema-padrão,

Multibacilar Idade em anos Dapsona (DDS) Diaria autoadminis trada Dapsona (DDS) Supervisio nada Rifampicina (RFM) Mensal supervision ada Clofazimina (CFZ) Autoadminis trada Supervisiona da mensal 0-5 25 mg 25 mg 150-300 mg 100 mg/ semana 100 mg 6-14 50- 100 mg 50-100 mg 300-450 mg 150 mg/ semana 150-200 mg O esquema de administração da dose supervisionada deve ser o mais regular possível - de 28 em 28 dias. Porém, se o contato não ocorrer na unidade de saúde no dia agendado, a medicação deve ser dada mesmo no domicílio, pois a garantia da administração da dose supervisionada e da entrega dos medicamentos indicados para a automedicação é imprescindível para o tratamento adequado. A duração do tratamento PQT deve obedecer aos prazos estabelecidos: de 6 doses mensais supervisionadas de rifampicina tomadas em até 9 meses para os casos Paucibacilares e de 12 doses mensais supervisionadas de rifampicina tomadas em até 18 meses para os casos Multibacilares. A assistência regular ao paciente com hanseníase paucibacilar na unidade de saúde ou no domicílio é essencial para completar o tratamento em 6 meses. Se, por algum motivo, houver a interrupção da medicação ela poderá ser retomada em até 3 meses, com vistas a completar o tratamento no prazo de até 9 meses. Já em relação ao portador da forma Multibacilar que mantiver regularidade no tratamento segundo o esquema preconizado, o mesmo completar-se-á em 12 meses. Havendo a interrupção da medicação está indicado o prazo de 6 meses para dar continuidade ao tratamento e para que o mesmo possa ser completado em até 18 meses. O paciente que tenha completado o tratamento PQT não deverá mais ser considerada como um caso de hanseníase, mesmo que permaneça com alguma seqüela da doença. Deverá, porém, continuar sendo assistida pelos profissionais da Unidade de Saúde, especialmente nos casos de intercorrências pós-alta: reações e monitoramento neural. Em caso de reações pós-alta, o tratamento PQT não deverá ser reiniciado. Durante o tratamento quimioterápico deve haver a preocupação com a prevenção de incapacidades e de deformidades, bem como o atendimento às possíveis intercorrências. Nestes casos, se necessário, o paciente deve ser encaminhado para unidades de referência para receber o tratamento adequado. Sua internação somente está indicada em intercorrências graves, assim como efeitos colaterais graves dos medicamentos, estados reacionais graves ou necessidade de correção cirúrgica de deformidades físicas. A internação deve ser feita em hospitais gerais, e após alta hospitalar deverá ser dada continuidade ao seu tratamento na unidade de saúde à qual está vinculado.

  1. PREVENÇÃO

É importante que se divulgue junto à população os sinais e sintomas da hanseníase e a existência de tratamento e cura, através de todos os meios de comunicação. A prevenção da hanseníase baseia-se no exame dermato- neurológico e aplicação da vacina BCG em todas as pessoas que compartilham o mesmo domicílio com o portador da doença.

  1. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM Através da consulta de enfermagem o enfermeiro terá que investigar o inicio dos sintomas, questionando quando começou a perda de sensibilidade formigamento e realizando o exame dermatoneurologico que é feito através da investigação de manchas placas, nódulos, alopecia localizada, ulcerações e calosidades. Desse modo, para melhoria das condições de vida dessa paciente, o plano de cuidado voltou-se para ações como:  Encorajar o paciente a identificar seus pontos positivos;  Recompensar ou elogiar o progresso do paciente na direção das metas;  Determinar as expectativas do paciente sobre imagem corporal com base no estagio de desenvolvimento;  Auxiliar o paciente a determinar a extensão das reais mudanças no corpo e seu nível de funcionamento;  Observar características da lesão;  Ensinar o paciente ou familiar os procedimentos de cuidado com a lesão;  Determinar a motivação para a mudança do paciente;  Encorajar a substituição dos hábitos indesejáveis por hábitos desejáveis;  Identificar o problema do paciente em termos comportamentais.
  2. REFERÊNCIAS