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Doença hanseníase, histórico e cuidados de enfermagem
Tipologia: Resumos
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Trabalho solicitado pelo Prof: Igor Castro, referente à disciplina de Sistema Tegumentar para compor a nota parcial da 2 ARE para a turma ENN03S1. MANAUS- AM 2017
O bacilo Mycobacterium leprae tem andado pelo mundo há muito tempo. Já no século 6 a.C., havia referências à temida doença por ele causada: a hanseníase. Acredita-se que a doença tenha surgido no Oriente e se espalhado pelo mundo por tribos nômades ou por navegadores, como os fenícios. Também conhecida como lepra ou mal de Lázaro, antigamente a enfermidade era associada ao pecado, à impureza, à desonra. Por falta de um conhecimento específico, a hanseníase era muitas vezes confundida com outras doenças, principalmente as de pele e venéreas. Daí o preconceito em relação ao seu portador: a transmissão da doença pressupunha um contato corporal, muitas vezes de natureza sexual e, portanto, pecaminoso. Narrativas religiosas associavam as marcas na carne aos desvios da alma: eram os sacerdotes, e não os médicos, que davam o diagnóstico. No Velho Testamento, o rei Uzziah foi punido por Deus com a doença, por ter realizado uma cerimônia exclusiva aos sacerdotes. Mesmo sendo rei, teve que ir morar numa casa isolada e não foi enterrado no cemitério dos soberanos. Já no Novo Testamento, é marcante o episódio em que Cristo “limpa” um leproso. Quando não eram enviados para leprosários e excluídos da sociedade, os doentes não podiam entrar em igrejas, tinham que usar luvas e roupas especiais, carregar sinetas ou matracas que anunciassem sua presença e, para pedir esmolas, precisavam colocar um saco amarrado na ponta de uma longa vara. Não havia cura e ninguém queria um leproso por perto! Somente em 1873, a bactéria causadora da moléstia foi identificada pelo norueguês Armauer Hansen, e as crenças de que a doença era hereditária, fruto do pecado ou castigo divino foram afastadas. Porém, o preconceito persistiu, e a exclusão social dos acometidos foi até mesmo reforçada pela teoria de que o confinamento dos doentes era o caminho para a extinção do mal. No Brasil, até meados do século XX, os doentes eram obrigados a se isolar em leprosários e tinham seus pertences queimados, uma política que visava muito mais ao afastamento dos portadores do que a um tratamento efetivo. Apenas em 1962 a internação compulsória dos doentes deixou de ser regra. O avanço das pesquisas comprovou que a hanseníase nem é uma doença tão contagiosa assim. Terapias foram desenvolvidas e, em 1981, a OMS passou a recomendar a poli quimioterapia. Em muitos países desenvolvidos, a hanseníase já foi erradicada. Desde 1995, o tratamento é gratuitamente oferecido para os pacientes do mundo todo, e, nesse mesmo ano, no Brasil, o termo lepra e seus derivados foram proibidos de serem empregados nos documentos oficiais da Administração, em uma tentativa de reduzir o estigma da doença. Esse estigma, porém, vai muito além da denominação. Associada ao pecado na Antiguidade, a hanseníase hoje evidencia desigualdades sociais, afetando, sobretudo as regiões mais carentes do mundo. Por isso, o preconceito persiste e muitas pessoas ainda acreditam que apenas os pobres adquirem a doença. No entanto, apesar de ser transmitida mais facilmente
quando as condições sanitárias e de habitação não são adequadas, a hanseníase não escolhe, nem nunca escolheu, classe social.
que evoluem para hipoestesia e anestesia com diminuição da presença de pelos. Hanseníase virchowiana trata-se da forma multibacilar e manifeta-se naqueles indivíduos que apresentam imunidade deprimida para o mycobacterium leprae , a progressão é lenta e está forma da doença atravessa anos envolvendo extensas áreas do tegumento, múltiplos troncos nervosos e inclusive outros órgãos,até que o paciente perceba seus sintomas. As lesões iniciam-se com máculas mal definidas discretamente hipocrômicas ou eritematosas pouco visíveis ampla e simetricamente distribuídas sobre a superfície corpórea, também há a presença de nódulos e pápulas e a infiltração é mais acentuada na face e membros. A pele apresenta aspecto a pergaminhado e tonalidade semelhante ao cobre. Há rarefação de pelos nos membros, cílios e supercílios definida como madarose. Hanseníase dimorfa – Esta forma clínica é caracterizada por sua instabilidade imunológica, o que faz com que haja grande variação em suas manifestações clínicas seja na pele, nos nervos ou no comprometimento sistêmico. As lesões revelam-se numerosas e sua morfologia mescla aspectos de hanseníase tuberculoíde e da hanseníase virchowiana podendo haver predominância de uma forma ou de outra. As lesões compreendem placas eritematosas, manchas hipocrômicas com borda ferruginosas, manchas eritematosas ou acastanhadas com limite interno nítido e externos imprecisos, quando numerosas são chamada lesões em renda ou queijo suíço (ARAÚJO 2003).
Conforme o diagnóstico laboratorial, é realizada a baciloscopia, que é um exame microscópico no qual se observa o Mycobacterium leprae em esfregaços de raspados intradérmicos das lesões hansênicas ou de outros locais de coleta selecionados: lóbulos auriculares, cotovelos e lesões, quando houver. A baciloscopia é considerada um exame complementar, sendo de fácil execução e baixo custo. A hanseníase pode ser confundida com outras doenças de pele ou doenças neurológicas que apresentam sinais e sintomas semelhantes. A principal diferença entre ela e a hanseníase é a presença de alterações de sensibilidade. Portanto, deve ser feito também o diagnóstico diferencial em relação a essas doenças.
Multibacilar Idade em anos Dapsona (DDS) Diaria autoadminis trada Dapsona (DDS) Supervisio nada Rifampicina (RFM) Mensal supervision ada Clofazimina (CFZ) Autoadminis trada Supervisiona da mensal 0-5 25 mg 25 mg 150-300 mg 100 mg/ semana 100 mg 6-14 50- 100 mg 50-100 mg 300-450 mg 150 mg/ semana 150-200 mg O esquema de administração da dose supervisionada deve ser o mais regular possível - de 28 em 28 dias. Porém, se o contato não ocorrer na unidade de saúde no dia agendado, a medicação deve ser dada mesmo no domicílio, pois a garantia da administração da dose supervisionada e da entrega dos medicamentos indicados para a automedicação é imprescindível para o tratamento adequado. A duração do tratamento PQT deve obedecer aos prazos estabelecidos: de 6 doses mensais supervisionadas de rifampicina tomadas em até 9 meses para os casos Paucibacilares e de 12 doses mensais supervisionadas de rifampicina tomadas em até 18 meses para os casos Multibacilares. A assistência regular ao paciente com hanseníase paucibacilar na unidade de saúde ou no domicílio é essencial para completar o tratamento em 6 meses. Se, por algum motivo, houver a interrupção da medicação ela poderá ser retomada em até 3 meses, com vistas a completar o tratamento no prazo de até 9 meses. Já em relação ao portador da forma Multibacilar que mantiver regularidade no tratamento segundo o esquema preconizado, o mesmo completar-se-á em 12 meses. Havendo a interrupção da medicação está indicado o prazo de 6 meses para dar continuidade ao tratamento e para que o mesmo possa ser completado em até 18 meses. O paciente que tenha completado o tratamento PQT não deverá mais ser considerada como um caso de hanseníase, mesmo que permaneça com alguma seqüela da doença. Deverá, porém, continuar sendo assistida pelos profissionais da Unidade de Saúde, especialmente nos casos de intercorrências pós-alta: reações e monitoramento neural. Em caso de reações pós-alta, o tratamento PQT não deverá ser reiniciado. Durante o tratamento quimioterápico deve haver a preocupação com a prevenção de incapacidades e de deformidades, bem como o atendimento às possíveis intercorrências. Nestes casos, se necessário, o paciente deve ser encaminhado para unidades de referência para receber o tratamento adequado. Sua internação somente está indicada em intercorrências graves, assim como efeitos colaterais graves dos medicamentos, estados reacionais graves ou necessidade de correção cirúrgica de deformidades físicas. A internação deve ser feita em hospitais gerais, e após alta hospitalar deverá ser dada continuidade ao seu tratamento na unidade de saúde à qual está vinculado.
É importante que se divulgue junto à população os sinais e sintomas da hanseníase e a existência de tratamento e cura, através de todos os meios de comunicação. A prevenção da hanseníase baseia-se no exame dermato- neurológico e aplicação da vacina BCG em todas as pessoas que compartilham o mesmo domicílio com o portador da doença.