Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


calculo variacional 1, Notas de estudo de Física

calculo variacional

Tipologia: Notas de estudo

2012

Compartilhado em 26/02/2012

rudy-lopes-7
rudy-lopes-7 🇧🇷

5

(1)

4 documentos

1 / 15

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
alculo Variacional
por W. Freire, F. Calvi Junior e M. Nilvam
1. Introdu¸ao
O alculo diferencial de fun¸oes de nvari´aveis trata de fun¸oes do espa¸co Rnem R,
f:Rn R. O alculo variacional trata de funcionais, especificamente aqueles
definidos num espa¸co vetorial Fde fun¸oes ao inv´es do espa¸co vetorial Rn. A grosso
modo pode-se dizer que o alculo variacional ´e o alculo diferencial de funcionais
E:F R, onde F´e um espa¸co vetorial de fun¸oes suficientemente comportadas.
A finalidade destas notas ´e apresentar o alculo variacional de uma forma simples e ao
mesmo tempo com um pouco de rigor matem´atico, mas objetivando a sua utilidade
na f´ısica. O foco principal ´e a determina¸ao de pontos cr´ıticos (m´aximos ou ınimos
ou, mais geralmente, pontos estacion´arios) de funcionais; estes pontos ao na verdade
fun¸oes que satisfazem as equa¸oes de Euler, as quais deduziremos aqui de uma forma
elegante matematicamente e utilizaremos em problemas matem´aticos e f´ısicos.
2. Derivada Funcional
O conceito chave no alculo diferencial de fun¸oes ´e o de derivada. No caso de fun¸oes
com mais de uma vari´avel surgem as derivadas parciais e, mais geralmente, as derivadas
direcionais (as derivadas parciais ao derivadas direcionais particulares). O conceito
de derivada funcional (ou variacional) desempenha para funcionais o mesmo papel
que o conceito de derivada direcional desempenha para fun¸oes de nvari´aveis. Vamos
apresentar o conceito de derivada funcional fazendo analogia com derivadas direcionais
de fun¸oes.
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff

Pré-visualização parcial do texto

Baixe calculo variacional 1 e outras Notas de estudo em PDF para Física, somente na Docsity!

C´alculo Variacional

por W. Freire, F. Calvi Junior e M. Nilvam

1. Introdu¸c˜ao

O c´alculo diferencial de fun¸c˜oes de n vari´aveis trata de fun¸c˜oes do espa¸co R

n em R,

f : R

n −→ R. O c´alculo variacional trata de funcionais, especificamente aqueles

definidos num espa¸co vetorial F de fun¸c˜oes ao inv´es do espa¸co vetorial R

n

. A grosso

modo pode-se dizer que o c´alculo variacional ´e o c´alculo diferencial de funcionais

E : F −→ R, onde F ´e um espa¸co vetorial de fun¸c˜oes suficientemente comportadas.

A finalidade destas notas ´e apresentar o c´alculo variacional de uma forma simples e ao

mesmo tempo com um pouco de rigor matem´atico, mas objetivando a sua utilidade

na f´ısica. O foco principal ´e a determina¸c˜ao de pontos cr´ıticos (m´aximos ou m´ınimos

ou, mais geralmente, pontos estacion´arios) de funcionais; estes pontos s˜ao na verdade

fun¸c˜oes que satisfazem as equa¸c˜oes de Euler, as quais deduziremos aqui de uma forma

elegante matematicamente e utilizaremos em problemas matem´aticos e f´ısicos.

2. Derivada Funcional

O conceito chave no c´alculo diferencial de fun¸c˜oes ´e o de derivada. No caso de fun¸c˜oes

com mais de uma vari´avel surgem as derivadas parciais e, mais geralmente, as derivadas

direcionais (as derivadas parciais s˜ao derivadas direcionais particulares). O conceito

de derivada funcional (ou variacional) desempenha para funcionais o mesmo papel

que o conceito de derivada direcional desempenha para fun¸c˜oes de n vari´aveis. Vamos

apresentar o conceito de derivada funcional fazendo analogia com derivadas direcionais

de fun¸c˜oes.

2.1 - Derivadas Direcionais

Considere uma fun¸c˜ao de n vari´aveis, digamos

1 f : R

n −→ R, que a cada ponto

x = (x 1 , x 2 , ..., xn) do espa¸co R

n associa um ´unico valor f (x) em R. A derivada

(direcional) de f com respeito ao vetor v = (v 1 , v 2 , ..., vn) ∈ R

n no ponto x ´e o n´umero

dado por

∂vf (x) = lim λ→ 0

f (x + λv) − f (x)

λ

no pressuposto que o limite exista.

Exemplo: Vamos calcular a derivada da fun¸c˜ao de duas vari´aveis designada por

f (x 1 , x 2 ) = x

2 1 ·^ x^2 , para cada^ x^ =^ (x^1 , x^2 ) de^ R

2 , relativamente ao vetor v =

3 /2). No caso temos que

x + λv = (x 1 , x 2 ) + λ

x 1 +

λ

, x 2 +

λ

e pela defini¸c˜ao dada,

∂vf (x 1 , x 2 ) = lim λ 7 → 0

f (x 1 + λ/ 2 , x 2 + λ

3 /2) − f (x 1 , x 2 )

λ

= lim λ 7 → 0

(x 1 + λ/2)

2 (x 2 + λ

3 /2) − x

2 1 x^2

λ

= lim λ 7 → 0

[

x

2 1

  • x 1 x 2 +

λ

x 1

x 2

λ

2

]

=⇒ ∂vf (x 1 , x 2 ) =

x

2 1

  • x 1 x 2.

Em particular, a derivada de f relativamente a v no ponto x = (x 1 , x 2 ) ≡ (2, 0) ´e

∂vf (2, 0) = 2

Observa¸c˜ao: Para uma fun¸c˜ao de duas vari´aveis f : R

2 → R, que a cada (x, y) ∈ R

2

associa z = f (x, y) ∈ R, temos que as derivadas direcionais no ponto (x, y) em rela¸c˜ao

a i = (1, 0) e a j = (0, 1) s˜ao, respectivamente, dadas por

∂if (x, y) = lim λ 7 → 0

f [(x, y) + λ(1, 0)] − f (x, y)

λ

= lim λ 7 → 0

f (x + λ, y) − f (x, y)

λ

1 Poder´ıamos considerar mais geralmente uma fun¸c˜ao f : A ⊂ R

n → R, mas por simplicidade de

apresenta¸c˜ao vamos seguir com o caso em que A = R

n .

que ´e o mesmo resultado encontrado anteriormente.

2.2 - Funcionais

Vamos definir derivada para o caso de um funcional E : F → R que atua num espa¸co

F de fun¸c˜oes, por exemplo

F = {q : I ⊂ R → R| q ´e diferenci´avel C

k },

onde I ´e um intervalo; um “ponto”(ou elemento) q de F ´e uma fun¸c˜ao que a cada

t ∈ I associa um n´umero q(t) ∈ R. O s´ımbolo C

k ´e usado aqui para indicar que q

possui derivadas cont´ınuas at´e a ordem k.

Antes de falar das derivadas de funcionais vejamos alguns exemplos de tais objetos.

Exemplos de Funcionais:

a) Seja F = {q : (+∞; −∞) ≡ R −→ R| q ´e cont´ınua (C

0 )} e considere o funcional

E : F → R, que a cada q ∈ F associa um valor constante, por exemplo um valor

particular de q:

E[q] = q(t 0 ) ∈ R, t 0 fixado em R.

Este funcional, que atua numa fun¸c˜ao q como um “filtro que deixa escapar”apenas o

valor q(t 0 ), ´e designado como funcional delta e ´e de grande importˆancia na mecˆanica

quˆantica, onde ´e designado em termos de um s´ımbolo de integral:

E[q] ≡

−∞

δ(t − t 0 )q(t) = q(t 0 ), t 0 ∈ R.

Usualmente os funcionais de interesse nas aplica¸c˜oes s˜ao dados por integrais. Vejamos

os exemplos seguintes.

b) Considere agora F = {q : [1; 2] → R| q ´e C

1 } e o funcional G : F → R definido

por

G[q] =

1

t · q(t) · dt.

Vamos calcular valores deste funcional para algumas fun¸c˜oes q de seu dom´ınio. Para

q dada por q(t) = t

2 , t ∈ [1; 2], temos

G[q] =

1

t · t

2 · dt =

x

4

x=

x

4

x=

Agora para q dada por q(t) = t

3 , t ∈ [1; 2], temos

G[q] =

1

t · t

3 · dt =

x

5

x=

x

5

x=

Note que para este funcional cada fun¸c˜ao q (n˜ao somente um dos valores de q) tem

como imagem um n´umero real G[q]. Todos os valores de q no intervalo em considera¸c˜ao

s˜ao levados em conta na integral que define o funcional!

A hip´otese “q ´e C

1 ”foi aqui colocada para permitir que possamos derivar este funcional,

no sentido que vamos definir adiante: esta derivada, como veremos, envolver´a q

′ dentro

da integral.

EXERC´ICIO: Seja F = {q : [a; b] → R| q ´e de classe C

2 }, e tomemos o funcional

A : F → R, definido por A[q] =

b a

q(t)[q

′ (t)]

2 dt. Calcule o valor de A[q] em cada caso:

(a) q(t) = t, (b) q(t) = t + 1, (c) q(t) = t

2 .

Os funcionais do exemplo (b) e do exerc´ıcio acima s˜ao da forma

A[q] =

I⊂R

L(q(t), q

′ (t), t) · dt,

onde L(q, q

′ , t) ´e uma fun¸c˜ao diferenci´avel das vari´aveis q, q

′ e t. Os funcionais desta

forma constituem uma importante classe de funcionais; a dinˆamica (cl´assica) de um

sistema de n part´ıculas ´e descrita, como veremos, em termos de um funcional, chamado

a¸c˜ao do sistema, o qual ´e desta forma. Detalhes posteriormente.

Podemos designar tq(t) + ≤tη(t) ≡ f (≤, t), com (≤, t) ∈ R × [1; 2], de modo que

δηG[q] =

d

d≤

1

f (≤, t)dt

≤=

Tendo em vista que q e η s˜ao C

1 e, ent˜ao, ∂≤f = tη(t) ´e cont´ınua, podemos usar o

teorema de Leibnitz para deriva¸c˜ao sob o sinal de integra¸c˜ao. Logo

δηG[q] =

1

∂f (≤, t)

≤=

dt =

1

tη(t)dt, ∀ q ∈ F.

Em particular, se η(t) = 1/t, t ∈ [1; 2], ent˜ao δηG[q] = 1.

(b) Vejamos agora o funcional dado por

A[q] =

∫ (^) b

a

q(t)[q

′ (t)]

2 dt

definido sobre

F 0 = {q : [a; b] → R| q ´e de classe C

2 , q(a) = α, q(b) = β fixos em R},

que est´a contido em F = {q : [a; b] → R| q ´e de classe C

2 }; ou seja, F 0 ´e o espa¸co das

fun¸c˜oes C

2 -diferenci´aveis em [a; b] cujo gr´afico possui os mesmos extremos (a, q(a)) =

(a, α) e (b, q(b)) = (b, β). Ent˜ao

δηA[q] =

d

d≤

A[q + ≤η]

≤=

d

d≤

b

a

{[q(t) + ≤η(t)][q

′ (t) + ≤η

′ (t)]

2 }dt

≤=

vale salientar que aqui devemos ter q + ≤η ∈ F 0 para que A[q + ≤η] fa¸ca sentido.

Assim os vetores η ∈ F en rela¸c˜ao aos quais podemos derivar A devem satisfazer

η(a) = η(b) = 0.

Com um pouco de trabalho alg´ebrico, temos

δηA[q] =

d

d≤

∫ (^) b

a

[qq

′ 2

  • ≤(2qq

′ η

  • ηq

′ 2 ) + ≤

2 (qη

′ 2

  • 2ηq

′ η

′ ) + ≤

3 ηη

′ 2 ]dt

≤=

donde, derivando sob o sinal de integra¸c˜ao e em seguida fazendo ≤ = 0,

δηA[q] =

∫ (^) b

a

[q

′ (t)]

2 η(t)dt + 2

∫ (^) b

a

q(t)q

′ (t)η

′ (t)dt;

realizando (explicitamente) uma integra¸c˜ao por partes e considerando o teorema fun-

damental do c´alculo,

δηA[q] =

∫ (^) b

a

q

′ 2 η · dt + 2

∫ (^) b

a

d

dt

[qq

′ η]

dt − 2

∫ (^) b

a

d

dt

[qq

′ ]

η · dt =

∫ (^) b

a

q

′ 2 − 2

d

dt

[qq

′ ]

η · dt + [q(b)q

′ (b)η(b) − q(a)q

′ (a)η(a)].

Foi nesta etapa que a hip´otese “q ´e C

2 ”tornou-se conveniente: temos a presen¸ca de

d(qq

′ )/dt dentro da integral. Portanto, visto que η(a) = η(b) = 0,

δηA[q] =

∫ (^) b

a

q

′ 2 − 2

d

dt

[qq

′ ]

η · dt.

(c) Considere uma generaliza¸c˜ao do exemplo (a) descrita por um funcional da forma

A[q] =

∫ (^) b

a

L(q(t))dt,

definido sobre as fun¸c˜oes que “moram”em F = {q : [a; b] → R| q ´e C

1 }; Aqui

L : R

n → R ´e uma dada fun¸c˜ao diferenci´avel (C

1 ) da vari´avel q. Vamos calcular a

derivada de A num “ponto”q de F relativamente a um “vetor”η que tamb´em jaz em

F. Pela defini¸c˜ao (2) temos

δηA[q] =

d

d≤

A[q + ≤η]

d

d≤

∫ (^) b

a

{L(q(t) + ≤η(t))}dt

≤=

Pondo L(≤, t) = L(q(t) + ≤η(t)) ≡ L(Q(≤, t)), com Q(≤, t) = q(t) + ≤η(t), e usando a

regra da cadeia (visto que L e q s˜ao C

1 -diferenci´aveis) temos

δηA[q] =

d

d≤

∫ (^) b

a

L(≤, t)dt

≤=

∫ (^) b

a

[L(≤, t)]

≤=

dt =

∫ (^) b

a

dL

dQ

∂Q

≤=

dt =

∫ (^) b

a

dL

dq

q(t)

η(t) · dt =⇒

=⇒ δηA[q] =

∫ (^) b

a

dL

dq

q(t)

η(t) · dt.

Em particular, para [a;b]=[0;1], n = 1 (R

n = R), L(q) = q

2 , q(t) = t + 1 e η(t) =

3 t,

temos

δηA[q] =

∫ (^) b

a

2(t + 1)

3 t · dt = 5

curvas de R

n , q : [a; b] → R

n , que possuem os mesmos extremos, ou seja, ao conjunto

F 0 = {q ∈ F| q(a) = Q 1 , q(b) = Q 2 , com Q 1 e Q 2 fixos em R

n } ⊂ F. De fato,

Q 1 = q(a) = q(a) + ≤η(a) =⇒ η(a) = 0 e Q 2 = q(b) = q(b) + ≤η(b) =⇒ η(b) = 0. Sendo

este o caso, temos

δηA[q] = −

b

a

∑n

l=

d

dt

dL

dq

′ l

q′(t)

ηl(t)

dt.

(c) Vamos considerar agora um caso que generaliza os dois anteriores, o qual ´e descrito

por um funcional

A[q] =

∫ (^) b

a

L(q(t), q

′ (t), t)dt,

definido em

F 0 = {q ∈ F| q(a) = Q 1 , q(b) = Q 2 , com Q 1 e Q 2 fixos em R

n }

o qual est´a contido em

F = {q : [a; b] → R

n | q ´e C

2 };

a fun¸c˜ao L : R

2 n × [a; b] −→ R das vari´aveis q, q

′ e t ´e suposta C

2 -diferenci´avel.

Calculemos a derivada de A num “ponto”q de F 0 relativamente a um “vetor”η de F

tal que η(a) = η(b) = 0. Pela defini¸c˜ao (2) temos

δηA[q] = lim ≤ 7 → 0

A[q + ≤η] − A[q]

= lim ≤ 7 → 0

b

a

[L(q(t) + ≤η(t), q

′ (t) + ≤η

′ (t), t)]dt −

b

a

[L(q(t), q

′ (t), t)]dt

∫ (^) b

a

lim ≤ 7 → 0

L(q(t) + ≤η(t), q

′ (t) + ≤η

′ (t), t) − L(q(t), q

′ (t), t)

dt.

Tendo em vista que q e η s˜ao fun¸c˜oes supostamente dadas podemos definir, para cada

t, uma fun¸c˜ao Jt pondo Jt(≤) = L(q(t) + ≤η(t), q

′ (t) + ≤η

′ (t), t) ≡ L(Qt(≤), Q¯t(≤), t),

onde Qt(≤) = q(t) + ≤η(t) e Q¯t(≤) = q

′ (t) + ≤η

′ (t). Dessa forma,

δηA[q] =

∫ (^) b

a

lim ≤ 7 → 0

Jt(≤) − Jt(0)

dt =

∫ (^) b

a

dJt

d≤

≤=

dt =

∫ (^) b

a

∑n

l=

∂L

∂Qt,l

dQt,l

d≤

∂L

∂ Q¯t,l

d Q¯t,l

d≤

≤=

dt =

∫ (^) b

a

dt ·

∑n

l=

∂L

∂ql

· ηl(t) +

∂L

∂q

′ l

· η

′ l(t)

(q(t),q′(t),t)

∫ (^) b

a

dt

n ∑

l=

[

∂L

∂ql

d

dt

∂L

∂q

′ l

]

· ηl(t)

∫ (^) b

a

d

dt

[

n ∑

l=

∂L

∂q

′ l

ηl(t)

]}

dt;

logo

δηA[q] =

∫ (^) b

a

dt ·

∑^ n

l=

[

∂L

∂ql

d

dt

∂L

∂q

′ l

]

ηl(t).

3. Pontos Cr´ıticos. Equa¸c˜oes de Euler

Uma classe de problemas importantes no estudo de fun¸c˜oes consiste na determina¸c˜ao

de pontos de m´aximo ou de m´ınimo. Para este fim um resultado relevante ´e que se

uma fun¸c˜ao f : A ⊂ R

n −→ R admite um ponto p ∈ A de m´aximo ou de m´ınimo

local onde ela possua derivada direcional ∂vf (p) para todo v ∈ R

n (v n˜ao nulo) ent˜ao

∂vf (p) = 0 ∀v de R

n , ou seja, p ´e um ponto cr´ıtico ou estacion´ario de f. Mas nem

todo ponto cr´ıtico de uma fun¸c˜ao f ´e de m´aximo ou de m´ınimo local para esta fun¸c˜ao,

pois pode ocorrer que ela possua pontos tipo sela; para classificar pontos cr´ıticos um

teste ´util em muitos casos ´e o teste das derivadas de segunda ordem.

Nosso interesse agora ´e determinar pontos estacion´arios de funcionais espec´ıficos. Pre-

cisamente, dado um funcional

A[q] =

b

a

L(q(t), q

′ (t), t)dt, (3)

definido em

F 0 = {q ∈ F| q(a) = Q 1 , q(b) = Q 2 , com Q 1 e Q 2 fixos em R

n },

onde

F = {q : [a; b] → R

n | q ´e C

2 }

Por outro lado tome uma fun¸c˜ao cont´ınua η : [a; b] → R tal que η(t) = 1 para

t ∈ [ξ − δ/2; ξ + δ/2] e η(t) = 0 para t ∈ [a; ξ − δ] ∪ [ξ + δ; b], que claramente satisfaz

η(a) = η(b) = 0. Segue que

∫ (^) b

a

f (t)η(t)dt =

∫ (^) ξ+δ/ 2

ξ−δ/ 2

f (t) · 1 · dt > 0 ,

contradi¸c˜ao. ®

Com este lema podemos justificar claramente a passagem

b

a

dt

∑^ n

l=

[

∂L

∂ql

d

dt

∂L

∂q

′ l

]

ηl(t) = 0, ∀η ∈ F | η(a) = η(b) = 0 =⇒

∂L

∂ql

d

dt

∂L

∂q

′ l

= 0, l = 1, ..., n.

Para isto notamos que, da arbitrariedade da η, podemos escolher, para cada ´ındice

l = 1, ..., n, um η da forma η = (0, 0 , ..., 0 , ηl, 0 , ..., 0), com ηl : [a; b] → R na l-´esima

posi¸c˜ao coordenada satisfazendo ηl(a) = ηl(b) = 0; esta escolha satisfaz claramente

que η(a) = η(b) = 0. Assim temos

∫ (^) b

a

dt

[

∂L

∂ql

d

dt

∂L

∂q

′ l

]

ηl(t) = 0, ∀ ηl : [a; b] → R | ηl(a) = ηl(b) = 0,

e pelo lema fundamental, segue (5):

∂L

∂ql

d

dt

∂L

∂q

′ l

= 0, l = 1, ..., n.

Estas equa¸c˜oes s˜ao denominadas equa¸c˜oes de Euler do C´alculo Variacional. Elas con-

stituem um sistema de n equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias (acopladas) de segunda ordem

para as fun¸c˜oes ql : [a; b] → R. De fato, estas equa¸c˜oes podem ser reescritas como

n ∑

s=

[fls(q, q

′ , t)q

′′ s +^ gls(q, q

′ , t)q

′ s] +^ hl(q, q

′ , t) = 0, l = 1, ..., n,

onde

fls(q, q

′ , t) =

2 L

∂q s′∂q

′ l

gls(q, q

′ , t) =

2 L

∂qs∂q

′ l

hl(q, q

′ , t) =

2 L

∂t∂q

′ l

∂L

∂ql

Podemos dizer ent˜ao que um ponto cr´ıtico do funcional A : F 0 → R dado pela integral

(3) ´e uma curva em R

n , q = (q 1 , ..., qn) ∈ F 0 , cujas fun¸c˜oes coordenadas ql constituam

uma solu¸c˜ao das equa¸c˜oes de Euler (5). Note que a estas n equa¸c˜oes de segunda

ordem devemos adicionar as 2n condi¸c˜oes de contorno estabelecidas em F 0 : q(a) = Q 1

e q(b) = Q 2 , para que a solu¸c˜ao fique bem definida em cada problema espec´ıfico.