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Capítulo 14 Elipse, Notas de estudo de Matemática

Figura 3: Posicionamento dos vértices em relação aos focos da elipse na reta focal. • O segmento A1A2 é denominado eixo focal da elipse. O seu comprimento é 2a.

Tipologia: Notas de estudo

2023

Compartilhado em 17/01/2023

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Capítulo 14
Elipse
Nosso objetivo, neste e nos próximos capítulos, é estudar a
equação
geral do segundo grau em duas variáveis
:
Ax2+Bxy +Cy2+Dx +Ey +F= 0 ,
onde
A6= 0
ou
B6= 0
ou
C6= 0
Para isso, deniremos, geometricamente, uma elipse, uma hipérbole e
uma parábola, que são possíveis soluções não degeneradas da equação acima.
1.Elipse
Denição 1
Uma
elipse
E
de
focos
F1
e
F2
é o conjunto do plano que consiste de todos
os pontos
P
, cuja soma das distâncias a
F1
e
F2
é igual a uma constante
2a > 0
, maior do que a distância entre os focos
2c > 0
. Ou seja:
E={P|d(P, F1) + d(P, F2) = 2a},
0< c < a ;d(F1, F2)=2c
Terminologia
Como dissemos na denição, os pontos
F1
e
F2
são os
focos
da elipse.
A reta
`
que contém os focos é a
reta focal
.
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Capítulo 14

Elipse

Nosso objetivo, neste e nos próximos capítulos, é estudar a equação

geral do segundo grau em duas variáveis:

Ax^2 + Bxy + Cy^2 + Dx + Ey + F = 0 , onde A 6 = 0 ou B 6 = 0 ou C 6 = 0

Para isso, deniremos, geometricamente, uma elipse, uma hipérbole e

uma parábola, que são possíveis soluções não degeneradas da equação acima.

1. Elipse

Denição 1

Uma elipse E de focos F 1 e F 2 é o conjunto do plano que consiste de todos

os pontos P , cuja soma das distâncias a F 1 e F 2 é igual a uma constante

2 a > 0 , maior do que a distância entre os focos 2 c > 0. Ou seja:

E = { P | d(P, F 1 ) + d(P, F 2 ) = 2a } ,

0 < c < a ; d(F 1 , F 2 ) = 2c

Terminologia

  • Como dissemos na denição, os pontos F 1 e F 2 são os focos da elipse.
  • A reta ` que contém os focos é a reta focal.

243

244 1.. ELIPSE

Figura 1: Posicionamento dos focos da elipse na reta focal.

  • A interseção da elipse com a reta focal ` consiste de exatamente dois pontos,

A 1 e A 2 , chamados vértices da elipse sobre a reta focal.

De fato, seja A ∈ E ∩ `. Então, A 6 ∈ F 1 F 2 , pois, se A ∈ F 1 F 2 , teríamos

2 c = d(F 1 , F 2 ) = d(A, F 1 ) + d(A, F 2 ) = 2a ,

isto é, 2 c = 2a, o que é impossível, já que, por denição, 2 c < 2 a.

Seja A 2 ∈ E ∩ ` − F 1 F 2 tal que x = d(A 2 , F 2 ).

Como 2 a = d(A 2 , F 1 ) + d(A 2 , F 2 ) = x + 2c + x, pois A 2 ∈ E, temos que

x = a − c.

Figura 2: Determinação da distância dos vértices aos focos da elipse.

Logo, o ponto A 2 pertencente a ` − F 1 F 2 , que dista a − c do foco F 2 ,

pertence à elipse E. De modo análogo, o ponto A 1 pertencente a ` − F 1 F 2 ,

que dista a − c do foco F 1 , pertence à elipse E.

Figura 3: Posicionamento dos vértices em relação aos focos da elipse na reta focal.

  • O segmento A 1 A 2 é denominado eixo focal da elipse. O seu comprimento

é 2 a.

Figura 4: Posicionamento dos focos, vértices e centro da elipse na reta focal.

J. Delgado - K. Frensel - L. Crissa Geometria Analítica e Cálculo Vetorial

246 2.. FORMA CANÔNICA DA ELIPSE

4 F 2 P Q ≡ 4F 2 P ′Q e 4 F 1 P Q ≡ 4F 1 P ′Q.

Em particular, |F 1 P | = |F 1 P ′ | e |F 2 P | = |F 2 P ′ |. Logo,

2 a = d(P, F 1 ) + d(P, F 2 ) = d(P ′ , F 1 ) + d(P ′ , F 2 ) =⇒ P ′ ∈ E.

Figura 6: Simetria da elipse em relação à reta focal.

Se P ∈ E e P ′′^ é o simétrico de P em relação ao centro, então:

4 P CF 2 ≡ 4P ′′ CF 1 e 4 F 1 CP ≡ 4F 2 CP ′′ .

Em particular, |F 1 P | = |F 2 P ′′| e |F 2 P | = |F 1 P ′′|. Portanto,

2 a = d(P, F 1 ) + d(P, F 2 ) = d(P ′′ , F 2 ) + d(P ′′ , F 1 ) =⇒ P ′′ ∈ E.

Figura 7: Simetria da elipse em relação ao centro.

A simetria em relação à reta não focal se verica de maneira análoga, usando

congruência de triângulos.

2. Forma canônica da elipse

Vamos obter a equação da elipse em relação a um sistema de eixos

ortogonais OXY para alguns casos especiais.

J. Delgado - K. Frensel - L. Crissa Geometria Analítica e Cálculo Vetorial

CAPÍTULO 14. ELIPSE 247

2.1 Elipse com centro na origem e reta focal coincidente

com o eixo OX

Neste caso, F 1 = (−c, 0), F 2 = (c, 0), A 1 = (−a, 0), A 2 = (a, 0),

B 1 = (0, −b) e B 2 = (0, b). Logo,

P = (x, y) ∈ E ⇐⇒ d(P, F 1 ) + d(P, F 2 ) = 2a

(x + c)^2 + y^2 +

(x − c)^2 + y^2 = 2a

(x + c)^2 + y^2 = 2a −

(x − c)^2 + y^2

⇐⇒ (x + c)^2 + y^2 = 4a^2 − 4 a

(x − c)^2 + y^2 + (x − c)^2 + y^2

⇐⇒ x^2 + 2xc + c^2 + y^2 = 4a^2 − 4 a

(x − c)^2 + y^2 + x^2 − 2 xc + c^2 + y^2

⇐⇒ 4 xc = 4a^2 − 4 a

(x − c)^2 + y^2

⇐⇒ a 2 − cx = a

(x − c)^2 + y^2

⇐⇒ (a^2 − cx)^2 = a^2 ((x − c)^2 + y^2 )

⇐⇒ a 4 − 2 a 2 cx + c 2 x 2 = a 2 (x 2 − 2 xc + c 2

  • y 2 )

⇐⇒ (a^2 − c^2 )x^2 + a^2 y^2 = a^4 − a^2 c^2 = a^2 (a^2 − c^2 )

⇐⇒ b 2 x 2

  • a 2 y 2 = a 2 b 2

x^2 a^2

y^2 b^2

Forma canônica da elipse de centro na origem e reta focal coincidente com o eixo OX.

2.2 Esboço da Elipse

Como

y^2 b^2

x^2 a^2

a^2 − x^2 a^2

, temos que y = ±

b a

a^2 − x^2.

Consideremos o gráco da função y =

b a

a^2 − x^2 , x ∈ [0, a]. Para

x = 0 e x = a, temos y = b e y = 0, respectivamente.

É fácil vericar que a função é decrescente, pois:

x < x ⇐⇒ x 2 < x 2 ⇐⇒ a 2 − x 2

a 2 − x 2

⇐⇒ y =

b a

a^2 − x^2 > y =

b a

a^2 − x 2 ,

Geometria Analítica e Cálculo Vetorial GGM-IME-UFF

CAPÍTULO 14. ELIPSE 249

2.3 Elipse com centro na origem e reta focal coincidente

com o eixo OY

Neste caso, F 1 = (0, −c), F 2 = (0, c), A 1 = (0, −a), A 2 = (0, a),

B 1 = (−b, 0) e B 2 = (b, 0).

Desenvolvendo como no caso anterior, podemos vericar que a equação

da elipse é:

x^2 b^2

y^2 a^2

Forma canônica da elipse de centro na origem e reta focal coincidente com o eixo OY.

Figura 10: Elipse E : x 2 b^2 +^

y^2 a^2 = 1.

Exemplo 1

Os vértices de uma elipse são os pontos (4, 0) e (− 4 , 0) e seus focos são os

pontos (3, 0) e (− 3 , 0). Determine a equação da elipse.

Solução.

Como F 1 = (− 3 , 0) e F 2 = (3, 0), a reta focal é o eixo−OX e A 1 = (− 4 , 0),

A 2 = (4, 0) são os vértices sobre a reta focal `.

Então, C =

F 1 + F 2 2

A 1 + A 2 2

= (0, 0) é o centro da elipse, a = d(C, A 1 ) =

d(C, A 2 ) = 4, c = d(C, F 1 ) = d(C, F 2 ) = 3 e b =

a^2 − c^2 =

Geometria Analítica e Cálculo Vetorial GGM-IME-UFF

250 2.. FORMA CANÔNICA DA ELIPSE

Logo, a equação da elipse é E :

x^2 16

y^2 7

Exemplo 2

Dois vértices de uma elipse E são os pontos (0, 6) e (0, −6) e seus focos são

os pontos (0, 4) e (0, −4). Determine a equação da elipse E.

Solução.

Temos F 1 = (0, −4) e F 2 = (0, 4). Então, a reta focal (que contém os focos)

é o eixo OY , os vértices sobre a reta focal são A 1 = (0, −6) e A 2 = (0, 6),

e o centro da elipse E é a origem, pois C =

(0, 4) + (0, −4) 2

= (0, 0). Como

a = d(C, A 1 ) = 6 e c = d(C, F 1 ) = 4, temos que b^2 = a^2 − c^2 = 36 − 16 = 20.

Portanto, a equação da elipse é E :

x^2 20

y^2 36

Exemplo 3

Os focos de uma elipse são os pontos (2, 0) e (− 2 , 0) e sua excentricidade é

2 3

. Determine a equação da elipse.

Solução.

Temos que a reta focal é o eixo OX, o centro da elipse é a origem C = (0, 0),

c = d(C, F 1 ) = 2 e e =

2 3

c a

2 a

=⇒ a = 3. Logo, b^2 = a^2 − c^2 = 9 − 4 = 5

e

x^2 9

y^2 5

= 1 é a equação da elipse. (^) 

Exemplo 4

Uma elipse E tem seu centro na origem e um de seus vértices sobre a reta

focal é (0, 7). Se a elipse passa pelo ponto

14 3

, determine sua equação,

seus vértices, seus focos e sua excentricidade. Faça também um esboço da

elipse.

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252 3.. TRANSLAÇÃO DOS EIXOS COORDENADOS

Finalmente, a excentricidade de E é e =

c a

2

√ 10 7

3. Translação dos eixos coordenados

Seja OXY um sistema de eixos ortogonais e seja O = (x 0 , y 0 ) um ponto

no plano.

Seja O X Y o sistema cujos eixos O X e O Y são paralelos aos eixos OX

e OY e têm, respectivamente, o mesmo sentido que estes eixos.

Sejam (x, y) as coordenadas do ponto P no sistema de eixos O X Y e

(x, y) as coordenadas de P no sistema de eixos OXY.

Então, as coordenadas do ponto P nos sistemas OXY e O X Y são

relacionadas por:

x = x + x 0

y = y + y 0

Figura 12: Ponto P = (x, y)O X Y = (x 0 + x, y 0 + y)OXY.

Exemplo 5

Faça um esboço da curva

x^3 − 3 x^2 − y^2 + 3x + 4y − 5 = 0.

Para isso, escreva a equação nas coordenadas x e y do sistema de eixos O X Y ,

obtido quando o sistema OXY é transladado para a origem O = (1, 2).

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CAPÍTULO 14. ELIPSE 253

Solução.

Fazendo x = x + 1 e y = y + 2 na equação dada, obtemos:

(x + 1)^3 − 3(x + 1)^2 − (y + 2)^2 + 3(x + 1) + 4(y + 2) − 5 = 0.

Simplicando esta identidade, temos x^3 = y^2.

Então, y = ±x 3 / 2 e x ≥ 0.

Fazer agora o esboço da curva é bem mais simples.

Figura 13: Gráco da curva x^3 − 3 x^2 − y^2 + 3x + 4y − 5 = 0.

4. Elipse com centro no ponto O = (x 0 , y 0 )

  • Caso I. Reta focal paralela ao eixo OX

Como o centro O = (x 0 , y 0 ) pertence à reta focal, temos que ` : y = y 0

é a equação cartesiana da reta focal.

Além disso, como d(F 1 , O) = d(F 2 , O) = c, onde F 1 e F 2 são os focos

da elipse, temos que F 1 = (x 0 − c, y 0 ) e F 2 = (x 0 + c, y 0 ).

Seja P = (x, y) = (x + x 0 , y + y 0 ) um ponto pertencente à elipse, onde

x, y são suas coordenadas no sistema OXY e x, y são suas coordenadas no

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CAPÍTULO 14. ELIPSE 255

  • Caso II. Reta focal paralela ao eixo OY

Procedendo de maneira análoga ao caso anterior, verica-se que a

forma canônica da equação da elipse com centro no ponto (x 0 , y 0 ) e

eixo focal paralelo ao eixo OY é:

(x − x 0 )^2 b^2

(y − y 0 )^2 a^2

= 1 , onde b^2 = a^2 − c^2

Neste caso, os focos são F 1 = (x 0 , y 0 − c) e F 2 = (x 0 , y 0 + c); a reta

focal é ` : x = x 0 ; os vértices sobre a reta focal são A 1 = (x 0 , y 0 − a) e

A 2 = (x 0 , y 0 + a); a reta não focal é `′^ : y = y 0 e os vértices sobre a reta não

focal são B 1 = (x 0 − b, y 0 ) e B 2 = (x 0 + b, y 0 ).

Figura 15: Gráco da elipse E : (x−x^0 )

2 b^2 +^

(y−y 0 )^2 a^2 = 1^.

Exemplo 6

Os focos de uma elipse E são (3, 8) e (3, 2), e o comprimento do seu eixo

não focal é 8. Determine a equação da elipse E, os seus vértices e a sua

excentricidade.

Solução.

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256 4.. ELIPSE COM CENTRO NO PONTO O = (X 0 , Y 0 )

Como F 1 = (3, 2) e F 2 = (3, 8) são os focos da elipse, a reta focal de E é

` : x = 3 (paralela ao eixo OY ) e o centro de E é C =

F 1 + F 2 2

= (3, 5). Além

disso, 2 b = 8, isto é, b = 4, c = d(C, F 1 ) = d(C, F 2 ) = 3 e a^2 = b^2 +c^2 = 4^2 +3^2

= 16 + 9 = 25, isto é, a = 5. Portanto, e =

c a

3 5

; A 1 = (3, 0) e

A 2 = (3, 10) são os vértices de E sobre a reta focal; `′^ : y = 5 é a reta

não focal; B 1 = (− 1 , 5) e B 2 = (7, 5) são os vértices de E sobre a reta não

focal e

E :

(x − 3)^2 16

(y − 5)^2 25

é a equação da elipse. (^) 

Exemplo 7

A equação de uma elipse é E : x^2 + 4y^2 + 2x − 12 y + 6 = 0. Determine a

equação da elipse na forma canônica, o seu centro, os seus vértices, os seus

focos e a sua excentricidade.

Solução.

Completando os quadrados na equação de E, temos:

E : (x 2

  • 2x) + 4(y 2 − 3 y) = − 6

E : (x^2 + 2x + 1) + 4

y^2 − 3 y +

9 4

= −6 + 1 + 4 ×

9 4

E : (x + 1)^2 + 4

y −

3 2

E :

(x + 1)^2 4

y −

3 2

sendo esta última equação a forma canônica de E. Desta equação, obte-

mos que o centro da elipse é C =

3 2

, a = 2, b = 1 e, portanto,

c^2 = a^2 − b^2 = 2^2 − 12 = 3, ou seja, c =

A reta focal de E é ` : y =

3 2

, paralela ao eixo OX, e a reta não focal é

`′^ : x = − 1 , paralela ao eixo−OY.

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258 5.. EQUAÇÃO DO SEGUNDO GRAU COM B = 0 E AC > 0

ou

  • um ponto;

ou

  • o conjunto vazio.

Prova.

Dividindo a equação (1) por AC, obtemos:

x^2 C

y^2 A

D AC

x +

E AC

y +

F AC

ou seja,

x^2 +

D A

x

C

y^2 +

E C

y

A

F AC

Completando os quadrados, temos:

x^2 +

D A

x+

D^2 4 A^2 C

y^2 +

E C

y+

E^2 4 C^2 A

F AC

D^2 4 A^2 C

E^2 4 AC^2

Isto é,

(

x +

D 2 A

) 2

C

(

y^2 +

E 2 C

) 2

A

C^2 D^2 + ACE^2 − 4 AF C^2 4 A^2 C^3

M 4 A^2 C^3

onde M = C^2 D^2 + ACE^2 − 4 AF C^2.

Se M = 0, a equação (2) representa o ponto

D 2 A

E 2 C

, pois A e C têm

o mesmo sinal.

Se M 6 = 0, podemos escrever a equação (2) na forma:

( x +

D 2 A

) 2

M 4 A^2 C^2

( y^2 +

E 2 C

) 2

M 4 ACC^2

Como AC > 0 , a equação (3) representa uma elipse de eixos paralelos aos

eixos coordenados e centro no ponto

D 2 A

E 2 C

, se M > 0.

Se M < 0 , a equação (3) representa o conjunto vazio, pois

M 4 A^2 C^2

< 0 e

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CAPÍTULO 14. ELIPSE 259

M 4 ACC^2

Os casos em que a equação do segundo grau Ax^2 +Cy^2 +Dx+Ey+F = 0,

com AC > 0 , representa um ponto ou o conjunto vazio são denominados ca-

sos degenerados da elipse.

Exemplo 8

Determine se as equações abaixo representam uma elipse ou uma elipse de-

generada. Caso seja uma elipse, determine seus principais elementos.

(a) 25 x^2 + 9y^2 − 225 = 0.

Solução.

Como 25 x 2 +9y 2 = 225, obtemos, dividindo por 225 , que a equação

x^2 9

y^2 25

representa uma elipse com:

  • a = 5, b = 3 e c =
  • centro: C = (0, 0);
  • reta focal: ` = eixo − OY : x = 0;
  • reta não focal: `′^ = eixo − OX : y = 0;
  • vértices sobre a reta focal: A 1 = (0, −5) e A 2 = (0, 5);
  • vértices sobre a reta não focal: B 1 = (− 3 , 0) e B 2 = (3, 0);
  • focos: F 1 = (0, −4) e F 2 = (0, 4). (^) 

(b) 4 x 2

  • 9y 2 − 40 x + 36y + 100 = 0.

Solução.

Completando os quadrados, obtemos:

4(x 2 − 10 x) + 9(y 2

  • 4y) = − 100

⇐⇒ 4(x^2 − 10 x + 25) + 9(y^2 + 4y + 4) = −100 + 4 × 25 + 9 × 4

⇐⇒ 4(x − 5)^2 + 9(y + 2)^2 = 36

(x − 5)^2 9

(y + 2)^2 4

Logo, a equação representa uma elipse com:

  • a = 3, b = 2 e c =
  • centro: C = (5, −2);

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Capítulo 15

Hipérbole

1. Hipérbole

Denição 1

Uma hipérbole H de focos F 1 e F 2 é o conjunto do plano que consiste de

todos os pontos P tais que o módulo da diferença das distâncias a F 1 e F 2

é igual a uma constante 2 a > 0 , menor do que a distância entre os focos

2 c > 0.

H = { P | | d(P, F 1 ) − d(P, F 2 ) | = 2a }

0 < a < c ; d(F 1 , F 2 ) = 2c

Terminologia

  • Os pontos F 1 e F 2 são os focos da hipérbole.
  • A reta ` que contém os focos é a reta focal(ver gura 1.).

Figura 1: Reta focal da hipérbole.

  • A interseção da hipérbole com a reta focal ` consiste de exatamente dois

pontos, A 1 e A 2 , chamados vértices da hipérbole.

261

262 1.. HIPÉRBOLE

Observemos primeiro que, se P ∈ ` − F 1 F 2 então P /∈ H. De fato, se P

pertence à semirreta de origem F 1 que não contém F 2 e d(P, F 1 ) = x, então

P /∈ H, pois:

|d(P, F 1 ) − d(P, F 2 )| = |x − (x + 2c)| = 2c > 2 a.

Figura 2: Posicionamento dos vértices em relação aos focos da hipérbole na reta focal.

E, se P pertence à semirreta de origem F 2 que não contém F 1 e d(P, F 1 ) = x,

então P /∈ H, pois:

|d(P, F 1 ) − d(P, F 2 )| = |(x + 2c) − x| = 2c > 2 a.

Figura 3: Posicionamento dos vértices em relação aos focos da hipérbole na reta focal.

Seja A 1 ∈ F 1 F 2 ∩ H tal que d(A 1 , F 1 ) = x e 0 < x < c.

Figura 4: Posicionamento dos vértices em relação aos focos da hipérbole na reta focal.

Como d(F 1 , F 2 ) = 2c, temos:

|d(A 1 , F 1 ) − d(A 1 , F 2 )| = 2a ⇐⇒ |x − (2c − x)| = 2a ⇐⇒ | 2 x − 2 c| = 2a

⇐⇒ 2 c − 2 x = 2a ⇐⇒ x = c − a.

Logo, o ponto A 1 de F 1 F 2 , distante c − a de F 1 , pertence à hipérbole.

Analogamente, o ponto A 2 de F 1 F 2 , distante c − a de F 2 , pertence à

hipérbole H.

  • O segmento A 1 A 2 é denominado eixo focal da hipérbole e seu comprimento

é d(A 1 , A 2 ) = 2a.

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