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Capitulo 29 - A Prosa Pos Moderna
Tipologia: Notas de estudo
1 / 22
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i
i
È
Kralcberg,Áe/ê@5, séreCas.as,1990.Cascâsdêétuôrcscalcnadasdedtversas reoõ€sdôBÍâse o omenros
dlro 6 e, nFooOc
,o pld o
pô ^od"ro.,. a.ôroo
"
o".o
Lamoe.
novasnquagensAe5cÕihâdecâscâsd€áryoEcomomaréria,Ìrrmaélmarêntatvadoaurordeenconrrar
lma inquagemqre
pÍÒvôqle
ÉÍ €xõ€sa esperodaËlaçãoenrreô serhumânoe a narureza
O que vocêdeverásaberao 1.Oqueéaprosapós'mo' , Potcuea reinvenção da lin' guagênéíundamentãlna obra de GuimãÉesRosà.
. De que nodo a obrà de
clafi.è Lispe.tor se orga- niza à paftír dd des.ober
ratìvade GuinarãesRosa.
. o que dá dinensão
uní ve rsaI ao Íes ionaIisno do
se caraaterízaa nar rctiva de ClãriceLispe.toí
. Comoa buscãda
identídã- deé t.ãtâdêpela auton.
cascasde árvores queimadâs dasÍlorê5tasbrâ5ìleirâs.Comque se r Qua foi o propósito do ãÍtistaao acrescentar pigmenÌos nâturalsde corveÍmehaàscascas queimadas? r O quee e podeter querdo sugeÍircomessacoÍ Leiaa declaração queo artista fez sobresuaobra. "Não escrevo. encortro imageÌÌs: essaé minha mrncira de raba- Ìhd: NIeu âltabeto são as imagens \isras nas oÌrras cxpostas, qüe de- !cÌn, prnrcipalmente, scr ponro de parri.Ìa pam rma reflcxâo mais abrdÌgeÌÌte sobfe o horÌcm e sua relação .orÌ o Beiii ambicÌìte. 1...1" KLAJCBIRG,lÌans Àl.u rlfabetosàoasinrgens Ftlaú d tìúnÌ Fra,.\ Kíãjthìg:. rÌ]álogo, 2003. r Krajcberg fevea umdadoessenciaì deseuprocessodecr ação:busca formas preex slentesna naturezapaÍadaÍ-lhes novosignií cado.Ex- p quepoÍ queesseprocesso podeseÍvistocomo"pontode pârtìda paraumaÌeflexãomáis abrangentesobreo homeme suareaçáo como meo ambente
"[/]eu afabeto sãoãs iffragens."Discutacomseuscolegas: qualã importánciada matéra (sua nguagem) escolhida peloartGta paÍa à,cà'çè'o\ô , oblêlrvo
que com- põe o texto, sobressainê obra de certosautores,comoGúimarães Rosâ.Leiaurn trechoescritopor ele. Famigerado Foi .le iÌÌcerla feiiâ o evcntii. Qucn podc cspcrar coisa tão sem pés reÌn câbeça?trr.restavJÌem câsa,o uraiaÌ scndo dc todo tÌ arÌqüilo. Parou üìe à porla o tropel. CÌÌeguei ì jatrcla. U m gmpo de ca,.ÌÌciros.Isto é, veÌìdo ÌÌìellÌor: u ì ca\ãleiro renie, frentc à minha porra, equiprado, exator e, enìbolâdos, de banda. três hoDers r cal?lo. 1... [...] Os rÌês seriam seus prisioÌìeiros, não seus sequazes. ^quele ho 1Ìlem, pam pro(eder da foÌnÌa, só podia ser uÌn brabo serlanejo,jagunço aLéna escumâ do bofe- Senli quc não mc licâva írtiÌ dâr cara amena, mos tras c1etenreroso. 1...I o medo é â extÌenìa ìgÌìoÌ âÌìciâ enì momento mÌrito agudo. O medo O. O mcdo me iara. Conridei-o a desnontar. a entÌar Disse {ìc n:(), .oüquaÌÌto os.osurmes. [...] Ele fâiou: "h \im prcguÌìtar ìlosmecê üma opiDião suâ erpli.ada..." CaÌregara a ccÌha. Causan ouüa inquietude, süa larrusca, a catìdura de cãnibaì. Desfranziu'sc, porém, qüase que sorrirì. Daí, d€sce[.lo caeÌoi maneifo. ììÌÌpr.\isto. 1...1O chapéu seÌÌìpre na cabeça.Um aìane- Mais os ínvios olhos- E eÌe cra para muito. Seriâde vef-se:estavaem armas -c dc armas alimpadas. 1... -'\rosÌÌecê é qüe não me conÌÌe.e. Damázio, dos Siqucirâs... EstorÌ
a t: I A prosa póena.lerna615 a
(,
t!
o
o
oì
(ú
.E
ô
Quâlo motivoque
levaDâmázioa procuÍaro narrador?
r Porqueé irnportanteparaelea respostaqueserádadapelonaffador?
Explique
por
que o usodâ linguagemajudàa marcaÍa diferençã
êntÍe Damázio
e o narrador.
zio?Explique.
r "O medoé a extÍemagnorância eTnÍÌìoÍÌìentornuto agudol'PoÍ
queo naÍfadorfazessaaÍ Ímaçáo?
r Exp iqueporque,apesardaíarnae da aparência,
quem5eencontÍa
enìposiçáode nferioridadeé Damázio. f
"o medo me miara."
"1...1cspiei os uês outlos, cm scuscâvalos, ìÌÌhÌgidos at4 então,
a
r Explquecorno a ingLragemétrabahada,nessasdLlas
passagens,para
tornaÍrra s Íêaìparao leitoro quesentemaspeTsonagens.
recria a linguagematribuindo
novossentidosou
novasÍormas
às
palavras.
A partirdisso,explique
o processode
criaçãoda palavradeiaíogaréu.
bergcommateriaisda nâturezaapresentasimilaridadêcomo de
GuimârãesRosacomâspalavras?
A reinvencãodanarrativa
A iteía1urã
acoÍnpanhao pfocessode buscade novãs
possib lidadesde
organizaçáo
desencadeado
peo PósÀ/lodern smo.Dos autores
já anuncia-
vaTn,em TÌìoTnento
anterioto expeÍimentalisrnonarrativocâÍãcteÍístco dê
prosa
pós-moderna: o Ílandêslamesloycee a inglesaVirginiaWoof.
EmU/lsses,ìnspiradolvrernentenaOdlsséla,deHomeÍo,loyce
renventaa
inguagerne a sintaxe.O escÍitoÍrlandêsexpofa
processos de assoc
açãode
magense todo tipo de ÍecuÍsoverbal
parâcr af o Í uxode conscência
das
pesonagens LeopoldBloom,StephenDedãluse MollyBoom.o lejtor,
envol-
vidopor urna"Íala" incessante,acompânhaasandançasüe
B oômDoIDub-
ln. caDtada kJãnda.no dia16de unhode 1904.
Além disso como você pocÌeria se Ìembrìr
de todo nundo? Olhos,
andar, voz. Bem, a voz, sim: gramofone.
Quc
se tenha um gramoÍone
em todas as s€puÌturâs
ou que eÌe seja
Íjuârdâdo
eÌn üìsa. Depois do
jântaÌÌìum domingo. PoÌìha no pobrc c veÌho bisavo. CraaÌclAÌôâÌôâÌô
tãotãofeliz
craàrc tãotãocontentcrever aÌôâlô tãotão pshite. Fz você 1eÌn
brar da voz como a fotograÍ
faz ÌerÌbÌ?r do rosto. De outro ieito você
não poderia sc lembmr
do rosto quinzc anos depois, digamos. t...
Tstcrst! Um chocalhâr de pedÌas. Espere.
Parel
Baixando osoÌhoseÌc oÌhou com atenção paÌa üma cripta dc pedra.
Algum animaÌ. Espcre. Lá vai eìe.
JOlCE,Jde'
ifi:ÍJAiT.:duçãÒ:
Bcmardinadã sihei.â
pinheiro.Rjo
deranci,o: obje."iïlïi;]1,,,,ï.
:
È
c
a.
Dubln,cenáfoemqúe
cncú
aspersônâlensde Urser
A prasa
pótnÕtlerna617 |
r i e E L e
Bas€adono romance
Ár hora'
de MirhaelCunnLnghanì,
o Í me
contaunìdiana
vda dê trêsmu
heres
qLre vlvemem
épocasdie
reniesa escritoÍa
VÌgna Woof,
queviveunã ngaterranadécrdâ
de 1920,e âs noftedrneÍcanas
LalrêBrown,
donadecasadadé-
cadade 1950,
e Clarssavaughn,
editorã
quê,êrì 2001,planel:urìa
festa
paÍacomemoraro prêmrol-
terâÍoconquíado
poÍ um
gran-
O pontodecontatoent̀asv
dasdessastrê5mulì€resé o ro
.rlarce
Mrs Dêlloway,.leV rcnia
WooÍ. O filmêd sclte s€ é me-
horviv€ÍembuscadapÍópÍa1e-
icdadeou 5ededlcarà íelicdade
d.s pessoãs
qLre nosc€Ícarn
Á5 horás,d€
9ÌephenDaldÍy.
.
E!4,
l
arrq,gl:wrrrrelrurt:*çnÉf
a
61A CAPITULA
Virginiã
WoolÍtambémfazusodo f uxodeconscênca paraI darcomês
angústias
individuaisde personagensatormentadas.O fio naíâtvosefrag
mentae se
nìutiplica,têcendoumaredecomplexada qua surqe,ao I m, a
ìÍÌìagem
mutifacetadadossereshurnanos.
Istivcra em AmÍerdanì,
dizia o Sr. Banles enquaìÌto atrâvessaÌao gÌa-
mrÌdii coÌIl Lilr
Brjscoc. Vira os ReÌÌìbraÌÌdts. Esii\eÌa em NÍadrid. InÍcÌiz-
mentc, cÌa Sextl Feira Sarta e o Prâdo eslavalèchado. EstivcÌa em Roma A
Sflr. Brr. .c
ri'ìhâ i,ln a Rumr: íìl'. .lc\criâ .r.
'e'
| | ,,mJ e\p.rir,,,
rr mJrJ-
vilhosa parâ elar a CapeÌa Sixtina, Michelargelo,
e PádrE com seüsCiotbs
t...
[.Ìa cstilera eD Bnxelas; estìvem em Parìs,
DìÀsÌÌuma visirà rápida, ape-
nas pda ler uÌnã tiâ doente. Estivem em Drcsden; halia milhares de qua-
dros que não vira; entrelanto, reÍletìo ela, lâlvez fossc mcÌhor não ler
quâ-
dros: cÌes apeÌìasnos toúÌalam
desalenladoÌamente dcscontentes com Ììos-
so própÌio tÍabaìho. 1...1De qualquer foma
disse Li',
reprìmiirdo sua
pequcna nìsincerida.le -, conrinuàrìa seÌÌìpre a
Pintar Pois
a pìnnrE Íúe-
ressa,a
a. Sim, es1â\acerto de que coÌìtiÌìuaÌia - dìsseo Sr Baúes. [ - l
$]OOÌ,F,l'n tanÌia.,Rrn, ,,rt na TÌrdução:LnizaÌ,obo.Rio d.Janeì.o
o GloboiSãoÌ'axlo: lolhadc S.taub,200s. p. ?7-78 (Fmgmerkr'
InteÍessadosem
tratardaexperênca inteÍordosindviduos
(anoçãodeespa-
co e tempo,a idéado
eu e desuaIelaçãocomo outro),Joycee WoollabrerÌì
mãodaorganzaçãotrad
c onaldolomance,atribundonovos
papéispaÍênarÍa-
dore peÍsonagense propondo
novasÍelaçõesentÍetempoe espaçonêrratvos.
No Brasi , loão
GuìmaÍães
Rosa e C arice
Lspectorserãoos
principâìs res-
ponsáveispela tránsfoÍrnaçãoda
pÍosa defcção.Naobradesses
autores,ob-
sêÍ,.\ê.esse__iàod,
o d.u'à pos-'r
ooernd
ôn
"'ó
dpódvdcolou- ei e
dê .rg-i
i,
"do.
O -dbdho
-oÍ
è ,i-ouoge-r
qà- d. e.\ê'Ì or e. o. , nd i .-
poítância muto grande,
porque é elequepeÍrnitirá
aosescÍtoles
pTomoveÍ as
constÍuçóes
e desconstruçóesnecessáÍaspaÍaampiaraspossibi
idadesdesig-
niíicãção
dotextolterádo.
Íodoo convencional
srnocaracterísticodapÍosacãiporteÍraGuimarães
Rosa
ousaescrcveruTn
ronìancede maisde 500páginassernd vdi-o em
capíiuos,
n!rrnrfensoTnonólogo.
A funçãotradicionaldenarradorcomoorgãnizador
da
h stóriaé Íevista.
Eletantopodeserconfunddo comumapersonagem
quede-
témd retamentea
palavra,comofazGurnarãesRosaen Grandeseftão:
veredas,
ou sertransformadoeao
umaespécedeconsciênciacríticã
quealuda o leltor
a
reïletÍ sobrco sign
flcadodoscomportamentosdas
personaqens, coTno
ãconte_
ceemÁ horadaeí/e/a,de
ClariceLispectoÍ.Nosdos casos,é evidente
queo
narËdoÍnáoseenquadra
maisnaestruturatípicadãsnarrativasemprosa.
Essessáoãpenasalguns
exemp 05 do píocesso
de expeTmenta!ão
que
caracter
zaasnarÍatlvasdo período.
j
VirqI a WôóLÍâôs20:no
A prosa
pós-moderna e o público
En'ì lrn Tnornentoem
queloÍgeAmãdo,
GracilanoRâmos,JoséLrnsdo
Rego, EricoVerissirnoestão
pubicando
novasnaffatvâs,a chegadade Gui-
maTães Rosae ClaÍiceLspector,embora irÌìportante
parao cenárjoiteráfo
brase to, nãoganharnuto destaqueentteos leitores.
OscríticosteÍáÍios,
porém, reagem i.nediatamente.Álvaro Lins,crjtcode
rnãior
prestíg o daépocae que,rna s têrde,seÍÌaum dosmaiores ãdmradores
daobradeCaÍiceLispectoÍ,confessa à autorateÍsidoncâ
paz
decomDreender
Pertoda coraâaselvagem:
ha moça,nãoentendnãda.
euemsabe
seo
OttoN,4ara Carpeauxentende?", d ziaã elaÍeferindoseãopToíessoÍ austríaco.
estuoo,ooo ilê dlud
-n
\ê-,àl e quêèÌJouno B dì
l corìoUttiLo
iterdJio.
Passado o estranhamentoinrcialcãusadoprincpalmentepea experirnen-
taçãocom a lrnguageme pelêruptura com as estÍuturasnaíativas,tanto
Clarice cornoGumaÍãessãoacarnadospubicamentepelãcríticê especialza-
da.Quandoissoaconteceu,entÍaTamna Tnood.
AsobTasdessesautoÍesdesafiarn o eitoTa entraÍemum mundo oróoÍo. a
paítcipaÍ demaneiraatvadaconstÍução dosentidoe a dialogar efetivarnente
como texto.No moÍnentoem queo eitoraceita o]ogo propostopoÍ esses
escrrtorese sedeÌxalevar
peã inguagern
envolventede suaficção,merguha
em!m TasonanteunveÍsonârTattvo e, ãoacompanhaÍa vidae a traetóriadas
personagens, muúasvezes
percebe-se
refletndosobÍea suapfópravida.
r
Linguagem: experimentalismo criador
Tânto enTGumarãesRosacorio erÌìC aT ce LsDectoÍ,o Íaba ho corna
Inguag"ne
a o ncioaerrd-'ìenèpd-dê.'d!àoti erono.\è oo è oeru r o-
rãesRosa, essetrabalhoapafecesoba forrna da experimentaçãoradicalcom
a5palêvras:resgatedetermosaÍcaicos, cr açãode neoloqisrnos,tentatvade
t!g r dosclichês, Íeconstruçãodâía a regÌonal do interoÍ de Minas,criando
rlrnosinesperados, inversóessurpreendentes, iÍÌìagensdelcadase belas.
Quando
escrcvo, repito o quejá rn'i anres. E par;ì esrasduas vidns, um
Ìénco só Ììão é suficienre. EìÌì outras palarr$, gostaria de ser um crocodiÌo
rivendo Ììo rio São FÌancisco. Costaria dc ser um cÌo(odito porquc amo os
gr:mdes rios, pois são proluncÌos como a alrna de um honÌe
. Na supc ícic
são Ìnuito livtzcs c cÌaros.Das nas prolundezs são tra.qiiilose escuroscomo
o solìiÌÌÌe to dos ÌÌomens.
ROSd, CninhÍàes. Dnponirì em: <hüp://IÍwlL(ttrÌtun.( !,,,.u, /
2Ìoescola/ÌiÌeìatÌìm/onn,x
--srosa>.
Aceso cD: 3 âgô. 200ó.
È
1
EmClaÍiceLispector,a exper mentaçãoafeta
da narratÌva.É o domíniodãtécnica clofluxooe
tornaa rnarcaregstÍadadêautora.
pr ncrpa menÌea estruÌura
consc ênca,
porém,quese
estoü procuÌando, csrou pfocrrando. Estou knrando
.Ir' nd"r.Tê,r.,nd.d.,r j ilguêr,
^
quê ü\ ie n:o.eiâ oucm. mJ( rJo q
pro
ficar com o qÌre vivi. Não sei o quc fazer do que ïivi, teÌrho mcdo dessa.Ìesor
gaüizâçãoproftÌnda- )Jão confio no que me aconreceu.AcoÌìreceu-mc aÌÍju-
tna coìsaquc crÌ, peÌo fato de não a saber como !iveÌ, vi,i unìa ourtracoisa?A
isso quercna cÌÌamar deiofgarizarão, e teria a segurânça.le me âvcnrurd,
a 620
cAPiruLo2g
porque sabeÌia dcpois para o
dc voÌtar:
Pârâ
a organizaçáo mterior A isso
preÊro chamar desorganizaçàopois não qucro me conÍirmar no quc ü1,ì-
na coÌÌIirmaçáo de miÍÌ
eu perde a o muÌldo coÌÌÌo eü o tinha, e scì que
não tenho capacidadc pàÌa outÌo.
LISIECTOR, Cìa.i.e. Á
,airr,
v3?fldt c. I{
RiodeJaneiro:Ro..Ò.Ì9!8 p. 11. (FragnHÍÒ).
A paixãosegunda
G.H.começa assm, corì una séÍiede travessÕes.
leitoré ançado,semquaLqueraviso,nosconfusos
pensamentosda persona-
gern.Nãosesabe o quefo queêlav vêu,por
queessaexperênca tev-Âum
irnpactotão
grande emsuãv da.EssaapÍesentãção
de umasére de mpres_
sões,dereaçóes,desentmentosconfiguraoí uxodeconsciência
dapersona-
gem.Nas obÍasde Cãrce,essaÌécnicaé usada
parâ
permitrqueo leltor
acornpanhede peÍtotodasa5tÍansfornìaçóes
por que passaÍÌì as
peÍsona_
gens no processodedescobertanterior.
ClariceLispectore GumafãesRosatrazernassima escrita
parao pÍ meÍo
plano,deÍrìonsÍandoa possbi idadêde vaorizara elaboraçãodo têxtoe o
trabalhocoÍÌìa inguagemcoÍÌìoêspaçodeconstruçãodemundosespecítcos.
)L
'.t\l
3
Estava Mãe, estav.Ì Tio TeÌêz, estaïam
todos- O senhor alto e cÌâÌo se
apeou. t... O senhor pergìnhva
à Mãe muitas coisasdo Miguilim. Depois
pc*unta\Ìa a ele mesmo:-
"NtiguiÌim, espiadaí: quantos dedos da mnÌha
nÌão você está eìÌxergaÌdo? E agora?" t...
I o seÌìhor tirava os ócuÌos e puÌrha{s em MiguiÌim, com todo ojeito.
OÌha, ìgoÍal
Miguilim
oÌhou. Nem não podiâ acreditâr! Túdo era uma ddidade, tudo
novo e lindo c dúèrente, as
coÌsãs,âs tu1orcs, as caras das pessoas. l...l E tonte
a,ã.Aqú,
iÌi, eu Deus, tanta coisa, tüdo... O senhor tinh retirado deÌe os
ócülos, e MiÍjuilim
aincla apoìrtava, fala!ã, conÌara tudo como eÌã, como iinha
\isto. Mãe este\€ assim aisustadq mâs o senhor dizia que aquìlo em do Dodo
nesmo,
só que Miguilim iambém carccia de r$aÌ ócÌ os, daÌi por diante. O
senhor bebia café com eles.Era o doutorJosé Inurenço, do Cun'elo.
Tudo podia. Coraçáo de Miguilim bâtia descompa^sso,eÌe càreceu de iÌ
Ìá dentro con&r à Rosa,à Nlaria Prctinha. à Mãt a. 1...1.
Quando
voltou, o doütorJosé LoÌuençojá rinha ido embora.
'5/ocê esrá triste Miguilìm?" - Mãe pergÌrntou.
MiguiÌim Ììão sabiâ. Todos eram maiores do que eÌe, as coisas
revimvam sempre du1ÌÌ modo tão diÍère te, emm grandes demais.
Pra onde eÌe foi?
A foi p'ra a \rereda do Tipã. onde os caçadores estão. Ntas ama-
nhã eÌe volta, de manhã, antes de ir s'eÌnboE p,ìrá a cidade. Disse que,
locê querendo, MiguiÌim, eÌejunto te Ìer"a...- O doÌrtor era homenÌ
muito bom, Ìeva\a o MiguiÌim, Ìá eÌe comprava üns óc.uÌos
pe{ìuenos,
enúã\a paÌ? a escola, depois aprendia oÊcio. - ïocê
quer mesmo ir?"
Campogeral
A prcsa
póenodena621 a
i
l
:
Em 1952,G! maÍãesRôsãvalou durante
acômpânnaiooumêDoaoa
I
1
:
t
LaFôntane,autorÍrancês
quen5p ro! GúìmàràÊsRosã
Lêtorapãxonadodesd€osten
posde rnenino, GuirnaÍãêsRosat-
nha duas Íontes nesgotáveisde
nìatéÍia"bruta" parasuâsnarÍât-
vâs:o sêrtãode lúinase a sua br
blioteca.Neia,do ladode inúnìêÍos
autorêslng êses,frãnceses,ale
mães,gregos,húngdros,merecam
ugárpÍvileqiadoosinsprãdor€sda
suaf c!ão: Dante,airtorde
Á d/i/-
nâ cortdrb; Homero,autor de //a
dd e de odliséra
(obÉspeìasquas
Rosaerafâscinado);eLâFontane,
lrancês
que escreveumutêsféb!
las.Com esses
rnêstrês,aprerìdeLr
a aftculdr a fábula ao elemento
ép.o, o quê dêu à sua obra um
cdÍáteÍinovadoraindanão iquâla-
do nâ literãtlrabrasiera.
Guimarães
Rosa: o descobridor
dosertãouniversal
O caráterregionalistê
quedefniu a f cçãoda geraçãode
1930 aparececompletamentetransfoÍmadonasobrasdeGu
marãesRosa.As marcãsregionaissãoevidentes
nosteímos
ut I zados,na recfiaçãodafaladelagunçose devaqLrelÍos
do
lnteror de Nlinas.AsquestõesteÍÌìatizadas,
poÍém,vãomuito
a érnde umaperspectivãregonal.
Ernsuasnarratvas,Rosafaladosgrandesdrarnashurna
nos a dor,a morte, o ódio,o amor,
o ínedo.lndagaçóesf o
sófcasaparecerfna bocãde homenssimpes, ncutos, dei
xandoc aro
que os grãndesfantasrnasda exstênca podern
seridentifcadosen'ìqualquerlugar,desdeum
grande centro
uÍbanoatéum m núscuo v larejonossertõesdasGeÍais.
Essancansávelbuscaderespostaspafaasangústiash
fazcom
queoregonãlismo, naf cçáodeGurÌìarães
Rosa,ganhe
umad rÌìensãounivelsal.Acompênhârã tÍajetóÍa de Riobaldo,ernGraDde
sef
tãorvered;J,
porexenìplo, sgnflcaaprender
queo seftão"está enìtodapârte".
r
Asnarrativascurtas:contose novelas
Autordeumúnco
romance, GuimarãesRosatoÍnou-seconhecido
pÍ mero
pelo I vÍodecontossagêrara. Quando
a obrasuÍgiu,erf 1948,caLrsou
suÍpÍesa
pe!â Inguagem,
queÍ-Âcr avao portuquêscomolíngualteÍáÍia
e davauma
dirnensãonovaao regionalsrno,vertentetãoexporadana iteratura
bÍasieira.
Doscontose noveasdeGumaÍãesRosa,emergeummundosempÍernar-
cado
peloconfronto deopostos:o arcalcoe o ÍfodeÍno,o r!ía e o uÍbano,o
orãte o escrÌo.
se em sagararaas
narratvas bÍevesdos
"causos da arraia
m úda" ocu-
pama pos
çãocentÍa
, aospoucos
a pÍosado autorpassaa co
ocarem evr-
dênciâasopos
çóes
fundamentas quedesejainvestigar
Assirn,oscontosdePrlmelrasestóras
podem serv stoscomo!rn conjunto
em
qle o focoestáno confronto entfesandadee loucurê
(explctâmente
tematizãdo
em"Sorôco,suamãe,suaf ha";"Nadae a nossacondlção";
cavêlo
qLre bebiaceNeja";"A benfazeja";"Darandina";" Tãrantão,rfeu
patrão..").Alémdisso,a infância,o amor,a v olênca e o m sticismoretornam
-oro
êrê\ dêgrd de.'ee êpd'óod-lo.
A cãpãcdadede apresentaro olharnfantI,
queaparece em
algunsdos
contosde P,melrasestórlas,atingeo seupontomáxmo na nove
a Campo
gerêl narrativa extrerÌìarnentelírica,comofoi vistono trechoanãisado,
em
queGumarães Rosarecra o rnundosequndoa
perspectva do
menno ÍvlguÈ
iÍrì,
pêrsonagem defundoautobográfco.
:
Grandesertão:veredas
e osavessosdo homem
Robado,
protagon stae naíadorde Grardesertãorveredas,cTesceu
na
íazendade seu"pãdrinho"
(nãverdade, o pa qLrenãohava reconhec
do a
pateÍnidade). Essacondção he
garant u âlqumaeducaçáoformal suaedu
caçãoreal,
poÍém, acontece
quãndo sejuntaa um bandodelagunços
e co
Írìeçaa longaviâgem
peo sertão dasGerais
A prcsa
pós-narlerna 623 a
[E ro*,
q
"-y.
,AÍed.dor âIãshdó,dntut.
Gloso:enenro, fab.
Moquénì Ìipo dc grclha.
.{brenÌinciorrl\a.to.omo nma
'nlúi.içã.,
.quì'rlenrcì DeusÌnô
!Íração de Potyparaa pr m€ ra edção
de GEnde sêdáa vercdas
1...1Lugar scrrão se dìluÌga: ó onde os pasros
, Jre,. m.l, Ía h,
^:ondc
um p,
'de
r., Jr de/..t,,in
ze lé$as, seD ropar coÌÌÌ casade moÌadoÌ;e oÌìde
(rìminoso vile seu crist{rje$N. aÌredado do arÌo-
cbode autoÌidade. [...] Essesgeraissáo rem tâÌÌa-
nho. EnfiÌn, .ada um o que queÌ aprova. o senhor
sabe: pão oÌr pães, é quesrão de opiniáes... O ser-
iâo esÌá em toda a partc.
Do demo? Não gloso. ScnÌÌoÌ peÌgÌrÌìte aos mo
radores. trDr raìsorecen), desfalam no nome oere
dt,È", .^
^
Atu..Dtea
t...
fìordcrrd. A ld|lurvâ-
ção. E, o respeito de dar a ele assim esse!nomes
de rebuço, é que é nìesmo un qÌrerer in'oca.rqüe
ele 1òr$e forma, com as presençar!
Nãoseja. tru, pessoalmcnte,quase que.jáperdi
neìe a crençâ, mercês a Deusi é o qÌre ao senhof
lhe digo, à pÌrricÌade. [...]
T)e p,imeirn. eu íuia e merrr. e pe.,v rao
pensala. Não posiuía os pru os. 'n i puxando di-
l:, iì dê.ìrrr ê'
fei\F
\i,' nn moq,,ém:quem mnl
no asp'ro, nâo fantNôia. NÍas,agorâ. feira a lolga
que Ine vemi e senì pcquenos clessossegos, estou
de range rede. E me nìvcntei neste goÍo. de espe
culü idéia- O diabo enste e não existe? Dou o
diro. \brcn,jr,:o.I
-J.
mêl"n(olir,. O senhor\ èi
exisre (achoeir:Ìi e poisl NIas cachoeira é barraD
co de cháo, e água sc canÌdo por eìe, reromban-
do; o senlÌor coÌìsome essaágua, ou desfaz o bar-
rarìco, sobË cachoeiü alguma? \ri1€r é Ììegócio
ROSA,João GuúÌamA. cÌo,d, Jdri,: dsl6. 19. cd. Rio dc
Jan€iro:
Norã!ì.Írenn,2001.p 21t6. (rmgmcnlô).
:
l
È
i
Recontada emformade
uÍÌìlongomonóoqo,a v agemdeRiobãdotÍans-
formaseernumatTavessa emqueo eitor, envovidopelarnguagem,é desa-
f adoa penetÍãrem urnunverso de emoçóesautênticas,de sentmentosíoÍ-
-ê.. dê ê dn-dr êt Ìo\ , o^ .td^ies.
A naÍÍãtrvaestástuadano nteroÍ deIVInasGerais,ondeqeogÍaficarnen-
te se ocaizão sertãorealassociêdoao ÍomancedeGuirnarãesRosa.O texto,
porém,povoa e55eespaçocomassagasdosseushabitantes,o queo torna
mítco.Assim,o seÍtãoseexpande,
perde suasffonteirasgeográí câs
e reas e
pa55a a s mbolzaÍa busca
peâsÍespostaspara asgrandes
questões humanas:
o oueé o bem?.o oueé o rna?
Riobaldo,
quiados eÌtoÍes nâtravessia, apfendea veÍa belezado sertão,
enlÍentao rnedo,torna-seadmíadopelos coÍÌìpanheiros,descobreo amor.
Encerradasuav dadeluta,estando"defange rede",
passa a especuar déias
e a buscaÍLrma
respostapara suarnaor angústìã:sãberseexs1eo d abo,corÌ
qLrerÌìteriaïeito Lrmpactoparasairvtoroso na utê contraHermógenes,
tenìível
íderde umaÍãcção
Íivaldelagunços e horÌìernãparentementeindes-
trutivel.'Osenhorãcha
quea minha
aÌmaeuvendi,
pactáÍio?j",pergunta
Riobaldoao seuinterlocutoÍ,homem maisculto,culanegaçãotrara pazao
jagunço("Sua a ta opn áojá compõe m nhavaia").
a
624
(APÌULO
29
E : : a Conada m n $ér e Gãnd€iÊnáó: re.êl*, 1935 Dãês!!edâ pêrâa diÍeÈ SêbaÍãôvasconceos,Rogéro rüac(o,BÌlnaLombarde Ìar.ÍsioMerà No trecho f nal d€ Grarde ser- tãor r€rêdát Riobãdo relãtaao seu iJìt€rocltor o deíecho do con frcnto entÍe o seu bdndo e o de Herrnógenes.O embateres(]tê na mode de D.dorirÌr, jaqunçopor qLrem sente Lrnd atÍâçãoque o pe(Lrrba,pos néo sabeqlrê o amiqoé, ná vêrdadê,Lrmâmlrhêr disfãrçadade homêm Robadoê s€u bandoesperanì,de tocaia,a chegadado inimgo, rnassãosuF PÍeendldos poÍ unìataque nespe- fadodo bandorival,vìndode ou tra diÍeção.O protagonía é con vencdoporD adoÍimdseposico nar no alto de unì sobradoe co' mandaÍa uta daìi É desselugar qLr-ôpÌesen.iaa lutafinaêntreHêF mógeresê Dladofim,que culmF na com a mode dos dois.
4 626 CAP:TULA DiacÌorim a yiÌì -do lopo da rüa, pÌÌnhaÌ em máo. al?nçar - correndo aDÌouco... Ái, eles sr lnÌharÌ. .orìcter. Os trezentos passos.1...1Eles to dos, na liÌria, rìo âninÍ^amenie. l,leÌros eul turepele que não prestavã parã tÌânandar umâ ordem. gÍilar um conselho. Nem cochichrr comigo prìdc. Bo.a se encheu de cuspes. 1...1NÍaseìes ,inhaDr. se aiinham, nurÌ péìe-,ento, rÌo desa(loro, bramavan. se inlestiranÌ...1...1DiadornÌi er qÌrerix ver seguraf com os oìhos.-. Es.utci o nÌcdo cÌâro nos meus denies... O Hernrógenes: desumaDo f...1 Dia.Ìo n lbi Deìe...\egacec,ü, conì uma qÌrebra de corpo, g-amÌrctou... tr cÌcs saDhâràm e bamìharaÌÌÌ, Érçanm. l)e srÌpeiio... e só... E eu estaralcndol 1...1,{sin,ah-mìreieri o claro.lara mente: aí Dia.Ìorirn cravar c sangrar o Hermógenei... .\h, cÌavou no -ào c rcssurtiu c, alto es$Ìicho de sanglÌe: porfiou para beìn mararl 1...1CoÌÌìo, dc repeDie, náo vi maii Dìadoriml No .éu. uì pâDo dc nuveÌìs... DiedoriDrl [...] S[bi os abismos...De mais loDge, agoÌa dalarn uns tiros. esses tiros vinhanr de pfofun das profuncÌezas.Trcspassci. Conformc .onto. CorÌìo rerornei, ixrde depoìi, rìal sabcrÌdo cle miìn. e qucrcDdo cnÌerdar nó no ieÌÌìpo, tâteancLocoìn meus oÌlÌos, quc anrda Ìcs|Jlam Íèch:Ìdos. f... F.u despertei cÌe t.icÌo
como Do instante em que o tro\ão náo acaboÌÌ de rolar ató ao fiuÌcÌo, e sc sabc que caíü o Ìaio..- DiadoÌnÌÌ úÌÌìa morido
mil vezesÌìlenie pira scmpre cÌ. mnìi c cu saÌJìa,e não qucria sabef. Drers olh6 mÌejanm. Ros1. l()io Gun!âÌnes.cr"rd?!raa: "âddJ. l!. ed.Rjo.leJrneú,] N,,u rÍoDteira,2001.p 60! rllz. íI.,Ìgn,e,ro). lq amouco .heio detúiâ .AÌinosmenre .oú.oriB.ni ou.Ldi2. D6idoro numa.onn*ã...oF pÌc$xiìe\enhex{tâ. BÌmã!d: gnraÌx (0rÌ túriÌ e\alhraNe Ncg,cL$u:e.Ìpou, dcsiou (rl. s.he) Gúbêtou es.ìlnou5e Sanhúu: \ÌrÌrm (Ìn finìr Teaãlfl: ( n,â.rn', nr úí| rs t(a .r punhâi;. Res'úliu: jomn.orì i.r (x TrespNei: n! tìt
. usdo no scrÌnl).le
damtì: t. Quaís sãoos sÌnâis percebidospor Riobaldode que âlgoestava parã r "l\4as grtavarn, vuvúvavaváde conversãrurm."Qua é o sentdoda ono- matopéã destacadana Írase? . Robaldovê o embateque vaiserÌÍavado do alto de urnaconstruqão. Comoe e descÍêve os preparatvos dosdoisbandos? , O queelesenteao veÍ o nícioda uta?Trãnscrevaã frasequetraduzos seussenÌrmenÌos. r Êxpiquepor qu€a expressão desmlmmostrao sentnìenloq!e domina 2, Qual é a sensãção que o leitor tem do combâtea partir da sua descrição? r Qua o efeto produzido pea enurneÍa(ão dosverbose peo usodas exprersÕesdestacadasnalrase: "lMas € esvlnhêm,seav nham,numpé- de-venta,ra desadaro, brafìavam, se iÌrvestiram.."? F '
I
Dos corfbãtentessãodestacados:llermógenese D adorm. Quecarac-
terístcasdosdoispodernseÍpeícebidasno trecho?
3" Uma das
questõestematizadâsem Grandesertãoj veredãsé â luta
entreo "bem" e o "mâ1".Considerandoa caracterização
de Hermó-
genes, de que ladoele estarianessaluta?
r Dladorìm é, na v€Ìdade,a fÌlhade lrmjagunçoquefo assassnadopor
Hermógenesà tração.O querepÍegentaã vtórã dea sobÍeo a gozde
que sêntepor Dia-
dorim,já que não sâbe
que o âmigoé umamulher.De
que maneira
essesentimentopode ser
percebidono trecho transcrito?
I
;
"f...] Eu despertei dc rodo calnono;nsíant( en que a hnt.ìo n'no
d.ihat d.enlur aLéao
Junà.o,
e se
'ak
ft
.aíu o ran...
Diadorim tìnlÌâ moÌÌido miÌ,ezcsmcntc
para sempÌe de
mim; c cu srbia, e não quc r s.Ìbcr Ìncus oÌhos mâÍejar:Im."
i
Considerandoo que Riobaldoconstataa Íespeitode Diadorirnno pará-
grafo segu nte, o que o trecho desÌacadosimbo iza?
.
Transcrevado ú timo pârágrafooÍecho que reveao desesperode
Roba!
do diafte de sua constatação.
Clarice
Lispector:a busca
incansávelda
identidade
A mennã Hãla
nasceuerÌìTchetchelnk, nê llcrâna. Quandoveo paíao
BÍasI, ern1922,
recebeuo nomequea consagrafiacomounìadasmaoÍes
escritorasbíasieìÍas:
ClaÍiceLispector
SuaesÍéiaoÍcia no rÌìundodasletrâsãconteceucom a publicação
do
romancePertodo coraçãose/vãgem
(l941).A obradesnorteou a crítica,
que
nãoestava
pr-oparãdapara a íorçãda nêrrativalnt m ía de C ari
ce.AntonioCanddo Ìevelou,ânosmâisÌarde,
quetomou!m
choqueao ero fomance.Á varoLinsreconheceu
queera"nosso
pr meiro romancedentrodoespÍrtoe datécncadeJoycee
Virgi
niaWoolf".Comessasreferências,o criticoidentficavao cêráter
lnovadoÍdafic(ãode clãrlce,
queabÍia novoscamnhos
paraa
expressãoverba.
No ÍTresmoanode suaestréiaedìtora,a escrtoracasou-se
comN,4auÍyGurge,umd plomatadecarreira,e foi moTarforado
Bras Foram15anosd stãntedo país,masseÍfpÍeescrevendo.
PubicouO /ustre
Cidadesitìada
e Alguns.ontas
Coma sepaÍaçãodo marldo,em 1960,voto! ao Rìode
ianeÍo, ondepermaneceuatésuaÍlìoÍte.
EntÍeosSeusronìances,destacarn-seÁmaçãro escuro
A paixãosegundoG.H.11964),Umaaprendizagemou
a livrodos
prazeres
11969),
Água viva11973)e A horada estrelâ \197f)
Entreosvárosvolumesdecontos
quepublcou,Laçasde familìa
e Fe,odadec/ardêstlna
trazemalgurÌìas
de suas
obras-primas,como"Amor","A m taçãodêrosa",
" Felz aniver-
sário",
"Fe icidade clandestina",
"Tentação',
"Osdesastres de
Sofia".EscÍeveutambérncrônicase textosde iterâtuÍa
infanti
A |r'asa
pósnodünâ 627 a
...1 {gumd roi'á inrrdnqúiL c'urt
'u,t'
dendo. xntão ela \ÍÌt
o cego mascavachicles.
Um homem cego mascavâchìcles.
Ana ajnda teve tempo de pensaÌ Por
um se
gundo que os ilÌnãos ünam jaÌìtaÌ
o coração
batialhe úoÌento, espaçâdo lnclinada,
oÌha\z o
cego pÌofiúdamente,
como se oÌÌÌa o que não
nos vê. EÌe nìastìgarã gí,ma na escuÍidáo. S€nì
sollimento, com os oÌhos âbertos. O movimento
dr mòugi.iú ia,/ino
Prê,
êr .orir c dc tcpênre
dei\d de solÌìr, sornr e deixâ.r
de soìÌìr - como
se ele a tivesseinsultado, A1ìa
olharã{. E quem a
üsse teria â impressão de úÌa
mulher com ódio.
À4a'.onünu!2 d oLlÌilo, , zdâ ve/ mais in, lind
da - o bonde deü uma mìncada
súbitâjogan
do a de.prA, nidi pdm uj.. o oc.âdô'd.odc tri
cô despencou{e do coÌo, ruiü no chão -
Anâ
deu um grìto, o condutor
deu ordem de paÌ,í
antes de eber do que se tÌatâ\a -
o bonde esta_
corl oa pasageiros olhaÌam
assustados.
I ÌsPt
r toR., ldi, e c a,Í. /,,.1,/
"/r"
tuodeÌJnei'o
Rôcco,1998P.21_
(IÍasmento)
:
AvistaÍurÌìcegoquemascavachlclete
fazcomqLrea v daÌão
conÍolêda
ooí
AnaseiaabaladaemSuasraízes.
E5savisáoa libertada rotina
de aconte
a
mentos
pÍevisÍveis e devolvê-lhea
possibilidadêdeumaexistência
ndividual-
O tormento
deAnapÍolonga-se
portodoo diaatéque,devoltaaoconvívio
como marido
e comosíi hos,o rnundo
famÌliaÍvaiaospoucos
recoocando_
a emseupapeconvencronal.
Esse
processo dedescobertaindv dualporquepassam
aspersonagens
de
ClãriceLispector
é charÌìadode epifaniã.O termofaz
reÍeÍênclaà apreensão
ntuitivada
íeaidadê pof algo gerãlÍrìentes mplese nesperado
Nessesent-
do, é a peÍcepção
do signiÍlcadoessenca de ãlguma
coìsa.
r
Uma
estruturarecorrente
Nosgeusrnutos
romêncese contos,ClariceLispector
desenvolvenarratl-
vas
quetratam dacond
çãofemnina,
da diÍculdade
de relacionamento
hu-
môno,da hipocrisia
dospapéissociamentedeÍnidos,
da busca
pelo"êu"-
5eostemas
aboÍdãdos
pelaautora têm erncomÚmo deseio
de esrniuçar
osprocessos
nteÍioÍesdossereshumanos,
asnaíãtivastambém
seguemuma
estrutura
semelhante,
qlleo crítcoAffonsoRomanodeSant'Anna
deÍiniLlem
ouêtroDa550s:
A personagemé d spostanunìadeÌerÍninadasituação
cotidiana
um evento
que é pressentdodiscretamente
pelapelsonageÍÌì
(algo corno
urnainquietaçáo).
que lumnasuavìda(epfania).
seo desfecho,no
qúala sltuaçãodav dada
personagem,apÓs
a epifana,
é reexarninâda.
o, dbèl'ocon a i'gudgerì
êÍLrnodne^.èloara o-eesse
oÍocessodêduto'
oe<'
ooendèdqirrdè d nen<áo
in-íri(tdqueoe'ni'ê,dolelto',
êronpànhdlos
efeitos,na peEonageÍÌì,
do momentode ium naçáo.A autora
promove, na
formado texto,umadesconstrução
equvalenteàqueavivida
pelaspeÍsona
gens,fazendocoTn
quea próprìainguagemassurnaumafunçãoibertária.
a prasa
pos-naderna629 a
L
OutracafacterístlcarecorÍente,naficçãodeClaÌice,é a presençaconstan te deãnimâ s (cavalo, gainha, baÍata,aranha,búfao, gato,etc.) querêpre sentam o "coraçãosevagerÌì"davida,quepusadescontÍolada,semsesub rneteràsregras e expectatvassociaLs.Essaé urÌìaforrfatambérnrevouconá riades Tnbo zarabuscaincessantedaspersonaqens pea lbertaçãodasaffrarras soca s e o mergulho no ÍÍeversivel pÍocesso de individuâção. "Enq!anto eut verperguntase nãohouverÍespostas,contnuareia escre ver",af rmouceÍtavezClariceA f cçãocomoespaçode elaboraçãode fes postasparaos qÍandes rnistériosda vida é provavelrìrentea rnelhor razão pêÍa, âtéhoje,a obradaescrtoracontinuâr provocando o rnesmoespanto e admíação quecausou nasuaestréra r .: , t"; Ah.arc $* estrel.s fteJfe freclo, ,1 encontrc de ì'\faaabé.acam O!ínpíca e o "ataftìoro" ílcs dais s.ìo ;preJèJ-"fadoJ pelo narradot Maic,, nÌês dâs borboÌcts noilas fiuiuindo em brancos'óus. Sua er clamàção tah,e7tilessc sido uÌn prenúncio do qÌre ir aconreccr no Ínìal da |arcle dessemesmo dir: !o meio dâ chula abuncLinie en.ontrou (er- pÌosão) â priJneira espécic dc nâmo rado cle srÌaïidr, o coração baterdo comose ela tir€sseengÌuti.lo um passariÌìlÌoes,oaçaniee prcso. O rnpâz c cÌìse oÌharânr porentre achuçre se reconhecemm cono cÌoisnorctes- rinos, bichos dJÌ ìÌesma cspócìeqÌre se faÌe.jâm.Eìe lÌ olhra enxugdÌdo o roslo nìolhâdo com as mãos. E ã rno(-a,basloÌr lhe 'ê Io para tomálo nnedialâmenre sÌra goiatÌada-comqueijo. EÌe... E1e se aproximor c corÌ loz cantanre cle nor.lesrino quc a c!ìocio- nou. pergunroÌÌlhe:
E se me des. pc, scÌiÌÌorita. pôsso .onïidar a pasear? 1... F.ìeinão sabiam conÌo se passeia. AncÌar:Ìm sob a.hura ÍlÌossr e pafâ raìì dianre de litÌinc de umâ loja cÌe feragen oncÌc cstalânÌ expostos airás do \icÌro canos. Ìatâs, paraÍìsos grandes e pregos- 1... Da scguÌÌda lez eÌÌÌ que se encoÌÌtÌrram caía urÌa cÌNla fiiìnha que ensopare osossos.Sem nem ao mcnosse darem as mãoscdÌììnha!ìm na chrvr que ÌÌa caÌa de Nlacabéâparccia lágrinÌas cscorrcndo. Da tcrcciravcz eÌn qüe se eÌlcontraram - Fois Ìião ó que es1â\acho vendoì o rapÀZ, irrilâc]o e pcrdcndo o Ìclc vcniz dc firLìra que o padrasb a custo Ìhe ensinarr. dissclÌÌc:
\rorê lanbém só sabe é ìnesmc,chovcrl
Descúlpe. Nlaselâjá o amava ianto que não sâbiamàìs comc, se lirfar.ÌcÌc, csta- !a cm desesperode amorl Numa da-s\€zes em quc sc cn.on t|âraÌÌÌ ela únd pergÌüì toulhc o norÌe. -OlimpicodeJerr \ÍorcimCìhai€s, rÌentiu elepofque tinha conÌo sobÌeDome âpenas o dc.lesus, sobreDonre dos qÌÌe ntu tôrn pri. Fora c.ifflo por uìÌi pr.Ìrasro que ÌlÌc eÌÌsinafâ o mo.Ìo fino rÌc tÌatu âs pes soaspara se aproveitd delas e ÌÌÌc cnsinaÌa .omo pcgar nruÌher. t... aenadoÍ ne a hota.la *Ííela. E ti A hon dê estrela,o .ÊrÊdor RodrÌgoS.M. aprcsentaieao leitoí e defineseuobletivoiterário:nar- rar a h stórìad€ uma nordestna, chdrnadaNlacdbéa, quemoravano Ro de ianeÍo, vnda de Alagoa A moça,descrtê conìocomPêtnÍren- te neÌpÈssva,drvd a um qu.no de pênsao coíìrma quarnrcoregase trabâlhavacomodat ógrafa.Apdi- xona-sepof O inìpico,tanìbénìnor destjno,é abandonadapor ee e moÍe atropelada;depos de unìa visitaa urnacartomante parasabeÍ o queoÍuturo he reseÍvava. Ao relato da v da de N,4acabéaê suasmis,ÁrasinÌerliga-se!m ç- gundo pãno, conntutvo da nar- râtiva:os qleíionamerìtosdesse naÌradormâscuno (o prme ro na obrada escritoÍa)sobrea suanìd- ne ra de narraÍ,os moÌvos qlre o levama contarahistóriadajovenì esuadificudâdeem compreender ê propÍra peÍ9onagem,peíêncên- te a Lrraê camada soca muito di-
a 630 CAPTTULA 29
pro sqpós-modernq
: vozes intimistas
A introspecçãodasmulheresem Clarice
Comofoi visto
nestecapítuo, C arceLìspectoÍtrataemseustextos
de d ve|sosaspectos
da condiçãofemn na e da busca
peo "eu
' de
suãs
pebonagens.EssavozíemininacaÍactefza-se
portratar derÌìodo
nt m statemas
relacionadosàsmulhefese aossereshumanosem9e
ral. Asangústiase
osdÍamasnterioresdasmulheTe
quedescobÍerÌì
de repente,a possibil
dadede umaexistênca individualdifeÍentedê f
vidâa
quefoÍamhabtuadas sãoexpostos
erÌìtextos
queiÍáoinfluen
cãToutrasautoÍãs
a esmucãra dirnensãoexstenca doindvíduo
O olhar de Lygia
Outraescrtora
bÍasrleirasurgldanadécadade 1950 dácontinuida-
de,na
prosa,à constr!çãode urÌìaliteraturamarcada
pelapercepçáo
femininada realidade
e peo desnudaÍlìentodo mundointeTor dos
seÍeshumanos.
LygiaFagundesÌeJlestrataem seustextossobÍetudo
dasexperiênc
asafetivasde suas
personagens e dossentirÌìentos
ex_
permentados
poÍelasÓdìo, ciúme,amor,soldãosãoa
gunsdoste-
Ílìasquê
povoamo unversof ccionalcriado
pelêautora, expressos,
muitas
vezes,
por mêiodo fluxode conscênca dosprotagonistas
de
seusromances
e contos.
Notextoa segu
r, a per5onagenìreÍlete
sobreseuamorpelocom-
panheiío e seudesejode perÌnaneceÍcome
e, arnda
quese.lapor
urnsentimento
"rnero esgarçado".
Pérclas
1...1Era rcrdade, ela pÌcÍè
a ficar eÌa aindn o aÌÌìava.IIm
amor me'o
esgarçado,scnÌ nlegria. Ntasainda amor Robcrto 1ìãopassavi
d€ unÌn Ììebu
Ìosa nÌìprecisa c que só seusoÌÌÌos assinalaramna dstârÌcia. No entanto,.leÌì
tro de algums homs, na apdcnre
.andura dc unÌa vJl'ânda...Os aconLe(i
menios se prccipilâ.Ììdo .oÍÌ
uma rapidez de Ìoucura, força de
Pcdm
que
dormnÌ miÌênios e de repcnte estoum na âvaÌâìcha. E estaïa em suasÌÌÌãos
impr.lir.I ri.pou-i, dcnE
u du bul'o do roJp;u.
lflI l\ |.ÉirI t! [|-.P, ol,..onú
h. t,!a
..,, p,r,lu.
\ L Inoc
p lr r,Jq n.n,o)
Os internosda gente
TÍanspondo
para aspersonagensdeseustextososteÍfoÍes,asfantasìas
e as
angústras
quevivemem todosnó5,MarinaCoasant,
-osclitoÍa
contempoÍâ-
nea,dáoLrtÌo
irnpulsoà
pÍosa intlospectvaquea obÍadeClarice
Lspectortão
bemsoube
reaizar.ComnarÌatvas
queenfocam rr]as osefetosdavidasobre
osindivíduos
queosacontecmentos
pÍopriamente d tos,a autoradesvenda
o
inconscentede
suas
personagens, reveandoa reaidadenteÍioÍde cãda
um
e 0eto005nos.
Observecornoo universo
inteÍnode urr]homerÍrerÌìestadovegetativoé a
matéra paraa exploração
existencialdâ narlatìva.
O
I
o
to
o
C.r ceLspêctorÍetratada
porDeChrcô
a 632
caPiuLa 29
a
A noaa dimensõodo escritor
JeffrevCurtain
[...] por úás dos cabcÌos ralos e quàse brancos,
por trás da pele apcrgaminh:ìda, por trás da espessa
hd, I J de o\u,. Jm ,ilin, i., l,eio Llepdla\rá- re' iJ
sua snÌfonia Ììo cérebro de
Jefreir
Nunca mais eÌe
haviâ prccisado se expressar .le foÍÌÌa audíveÌ ou Ìe-
gí'cÌ. Nunca nìais cÌc ÌÌavia
IreÌÌsado
para os outros.
Pensmdo só pâra sì, seguin o lio sinüoso einqrÌebran-
rileÌ
dos seus desejos.deixmdo-sc escolÌer por eÌe
como cnì água, s€m saÌtos ou ÍiâÍrras. A fabulâção,
qÌre hria sido sua forma de ürer toÌÌÌâra-se slnÌ ú.1a.
E aÌi, deilâdo, imóvcÌ,.Jeffrq criava e coslu.ava, uma
após a outÌa, as ìmagens cÌc uma Ìonga IÌarraÌìm.
È
COL S NTI, Nferin,.
^
noÌ? dnnrnsÀo .lo escnhr
JelÌiey
Curia;Ì. IÌì: NloRrCO\I, Ítalo (O'g. ).
(^ .o" tuthar.t ca"ta\ hÍ^ibirL
l, rt zô. Rio de
Janeiro:
olìjcrivâ, 2000. p. 568569
(FÍagnìertô).
j
I
Novosdespertares
A voz nt m staquesemanifestãcomforçêemClaricecontinua
a sefouvda
nostextosoroduzdosnaatuâldade Osrecôndtosda a mafemn nasãoex-
postos coÍÍrdeicadeza
por mêisurnaautoía,entretantas
quesededicaÍama
produzirtextos
queexpoÍamasquestões ínas íntmasquernobizamaspes-
soas
emgeraleasÍnulheresean
pafticular HeoísaSeixas,corÌìextremã
delca-
deza,tÍatada intimidadefemn na apontandoos rnedos,os desejos,
os so-
nhos.osanseios.o trechoa seour aDÍesenião âcoÍdardeurna
mulher.
Despertar
A muÌheÌjá eita,a acordada, nas retar-
dava anÌcÌa o insilÌìte de abÌir os oÌhos. Sa-
boreala aquele monrento eÌÌtÌe arigíÌia e o
sono, cÍÌ que
PaÌecemos
na\egar num Ìnun'
do emorfo..Ìe (ontornos imprecisos. Llosta-
!a disso, de eÌrar atravésdessafrontcna, Ie-
|endo Àsìmãgensdos sonhos, seusaromas e
Sentiaie teliz, plena. Ajnda que pcÌÌÌìa-
necesse imóvel, podia sentir o caÌor qüe
emdala do corpo ao seu lado. UÌn corpo
de homem - seu homem.
SEIX S,llcloisi.Cd,rogririnarRiodrJarcno:
R..otd, 2001.
p. 65.(I.agmento)
Ao descrevero despeítãÍda personagern,o narradorfalatambém
dos
sentirnentos
e sensaçÕes
quea envolvêm, Ílagrandoassm algo
mas
queuÍf
atocol|o
ano.
A Uasa
posno'1enâ 633 a