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Capitulo 29 - A Prosa Pos Moderna, Notas de estudo de Mecatrônica

Capitulo 29 - A Prosa Pos Moderna

Tipologia: Notas de estudo

2016

Compartilhado em 25/03/2016

lauro-brizidio
lauro-brizidio 🇧🇷

4.2

(10)

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bg1
A
prosa
pós-moderna
No fim da década de 1940,
a prcsa
de fìcção brasiÌeira
iJassa
por uma
tônsformacéo radical. A exploração
da lìnguagem,
matérìã-prima
da
texto, favorece novas
experiências
que
rampem
cam
a estrutura
tradìcianâl da
narrativa alt mesma tempo
que
permitem
um mergulho
na maís funda ìntìmidade
do ser humaho. Saiba,
neste
capítulo,
como
os
principais
autores do
perioda
se lançaram
nessas
tftnsfomações.
i
i
È
Kralcberg, Áe/ê@5,
sére Cas.as,1990. Cascâs étuôrcs
calc nadas de dtversas
reo õ€s BÍâs
e o omenros
dlro 6 e, nFooOc ,o pld o ^od"ro.,. a.ôroo " o".o - Lamoe.
novas
nquagens Ae5cÕihâdecâscâsd€áryoEcomomaréria,Ìrrmaélmarêntatvadoaurordeenconrrar
lma inquagem
qre
pÍÒvôqle
ÉÍ €xõ€s a espero da Ëlação
enrre ô ser humâno
e a narureza
pf3
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pf5
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pfa
pfd
pfe
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pf16

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Baixe Capitulo 29 - A Prosa Pos Moderna e outras Notas de estudo em PDF para Mecatrônica, somente na Docsity!

A prosa

pós-moderna

No fim da décadade 1940,

a prcsade fìcçãobrasiÌeiraiJassapor uma

tônsformacéoradical.A exploraçãoda lìnguagem,

matérìã-primada

texto, favorecenovasexperiênciasque rampemcam

a estrutura

tradìcianâlda narrativaalt mesmatempo

que

permitem

um mergulho

na maísfunda ìntìmidadedo serhumaho.Saiba,nestecapítulo,como

osprincipais

autoresdo perioda

se lançaramnessas

tftnsfomações.

i

i

È

Kralcberg,Áe/ê@5, séreCas.as,1990.Cascâsdêétuôrcscalcnadasdedtversas reoõ€sdôBÍâse o omenros

dlro 6 e, nFooOc

,o pld o

pô ^od"ro.,. a.ôroo

"

o".o

Lamoe.

novasnquagensAe5cÕihâdecâscâsd€áryoEcomomaréria,Ìrrmaélmarêntatvadoaurordeenconrrar

lma inquagemqre

pÍÒvôqle

ÉÍ €xõ€sa esperodaËlaçãoenrreô serhumânoe a narureza

O que vocêdeverásaberao 1.Oqueéaprosapós'mo' , Potcuea reinvenção da lin' guagênéíundamentãlna obra de GuimãÉesRosà.

. De que nodo a obrà de

clafi.è Lispe.tor se orga- niza à paftír dd des.ober

  1. Como se caracterizaa nar

ratìvade GuinarãesRosa.

. o que dá dinensão

uní ve rsaI ao Íes ionaIisno do

  1. Coìno

se caraaterízaa nar rctiva de ClãriceLispe.toí

. Comoa buscãda

identídã- deé t.ãtâdêpela auton.

t. Observea esculturade FransKrâjcberg.ElaÍoi criadaa partirde

cascasde árvores queimadâs dasÍlorê5tasbrâ5ìleirâs.Comque se r Qua foi o propósito do ãÍtistaao acrescentar pigmenÌos nâturalsde corveÍmehaàscascas queimadas? r O quee e podeter querdo sugeÍircomessacoÍ Leiaa declaração queo artista fez sobresuaobra. "Não escrevo. encortro imageÌÌs: essaé minha mrncira de raba- Ìhd: NIeu âltabeto são as imagens \isras nas oÌrras cxpostas, qüe de- !cÌn, prnrcipalmente, scr ponro de parri.Ìa pam rma reflcxâo mais abrdÌgeÌÌte sobfe o horÌcm e sua relação .orÌ o Beiii ambicÌìte. 1...1" KLAJCBIRG,lÌans Àl.u rlfabetosàoasinrgens Ftlaú d tìúnÌ Fra,.\ Kíãjthìg:. rÌ]álogo, 2003. r Krajcberg fevea umdadoessenciaì deseuprocessodecr ação:busca formas preex slentesna naturezapaÍadaÍ-lhes novosignií cado.Ex- p quepoÍ queesseprocesso podeseÍvistocomo"pontode pârtìda paraumaÌeflexãomáis abrangentesobreo homeme suareaçáo como meo ambente

"[/]eu afabeto sãoãs iffragens."Discutacomseuscolegas: qualã importánciada matéra (sua nguagem) escolhida peloartGta paÍa à,cà'çè'o\ô , oblêlrvo

  1. Na lìteratura,a importânc;ada linguagem,o materìâl

que com- põe o texto, sobressainê obra de certosautores,comoGúimarães Rosâ.Leiaurn trechoescritopor ele. Famigerado Foi .le iÌÌcerla feiiâ o evcntii. Qucn podc cspcrar coisa tão sem pés reÌn câbeça?trr.restavJÌem câsa,o uraiaÌ scndo dc todo tÌ arÌqüilo. Parou üìe à porla o tropel. CÌÌeguei ì jatrcla. U m gmpo de ca,.ÌÌciros.Isto é, veÌìdo ÌÌìellÌor: u ì ca\ãleiro renie, frentc à minha porra, equiprado, exator e, enìbolâdos, de banda. três hoDers r cal?lo. 1... [...] Os rÌês seriam seus prisioÌìeiros, não seus sequazes. ^quele ho 1Ìlem, pam pro(eder da foÌnÌa, só podia ser uÌn brabo serlanejo,jagunço aLéna escumâ do bofe- Senli quc não mc licâva írtiÌ dâr cara amena, mos tras c1etenreroso. 1...I o medo é â extÌenìa ìgÌìoÌ âÌìciâ enì momento mÌrito agudo. O medo O. O mcdo me iara. Conridei-o a desnontar. a entÌar Disse {ìc n:(), .oüquaÌÌto os.osurmes. [...] Ele fâiou: "h \im prcguÌìtar ìlosmecê üma opiDião suâ erpli.ada..." CaÌregara a ccÌha. Causan ouüa inquietude, süa larrusca, a catìdura de cãnibaì. Desfranziu'sc, porém, qüase que sorrirì. Daí, d€sce[.lo caeÌoi maneifo. ììÌÌpr.\isto. 1...1O chapéu seÌÌìpre na cabeça.Um aìane- Mais os ínvios olhos- E eÌe cra para muito. Seriâde vef-se:estavaem armas -c dc armas alimpadas. 1... -'\rosÌÌecê é qüe não me conÌÌe.e. Damázio, dos Siqucirâs... EstorÌ

E

a t: I A prosa póena.lerna615 a

o

(,

o

t!

o

o

.E

ô

LITERAÌURA

Quâlo motivoque

levaDâmázioa procuÍaro narrador?

r Porqueé irnportanteparaelea respostaqueserádadapelonaffador?

Explique

por

que o usodâ linguagemajudàa marcaÍa diferençã

êntÍe Damázio

e o narrador.

  1. QuâléareaçãodonarràdorquandoexaminaãsÍeiçõesdeDamá

zio?Explique.

r "O medoé a extÍemagnorância eTnÍÌìoÍÌìentornuto agudol'PoÍ

queo naÍfadorfazessaaÍ Ímaçáo?

r Exp iqueporque,apesardaíarnae da aparência,

quem5eencontÍa

enìposiçáode nferioridadeé Damázio. f

  1. Releia.

"o medo me miara."

"1...1cspiei os uês outlos, cm scuscâvalos, ìÌÌhÌgidos at4 então,

a

r Explquecorno a ingLragemétrabahada,nessasdLlas

passagens,para

tornaÍrra s Íêaìparao leitoro quesentemaspeTsonagens.

  1. GuimarãesRosa

recria a linguagematribuindo

novossentidosou

novasÍormas

às

palavras.

A partirdisso,explique

o processode

criaçãoda palavradeiaíogaréu.

  1. É possívelaÍìrmarque o processode Ìrabalho do escultorKrajc-

bergcommateriaisda nâturezaapresentasimilaridadêcomo de

GuimârãesRosacomâspalavras?

A reinvencãodanarrativa

A iteía1urã

acoÍnpanhao pfocessode buscade novãs

possib lidadesde

organizaçáo

desencadeado

peo PósÀ/lodern smo.Dos autores

já anuncia-

vaTn,em TÌìoTnento

anterioto expeÍimentalisrnonarrativocâÍãcteÍístco dê

prosa

pós-moderna: o Ílandêslamesloycee a inglesaVirginiaWoof.

EmU/lsses,ìnspiradolvrernentenaOdlsséla,deHomeÍo,loyce

renventaa

inguagerne a sintaxe.O escÍitoÍrlandêsexpofa

processos de assoc

açãode

magense todo tipo de ÍecuÍsoverbal

parâcr af o Í uxode conscência

das

pesonagens LeopoldBloom,StephenDedãluse MollyBoom.o lejtor,

envol-

vidopor urna"Íala" incessante,acompânhaasandançasüe

B oômDoIDub-

ln. caDtada kJãnda.no dia16de unhode 1904.

Além disso como você pocÌeria se Ìembrìr

de todo nundo? Olhos,

andar, voz. Bem, a voz, sim: gramofone.

Quc

se tenha um gramoÍone

em todas as s€puÌturâs

ou que eÌe seja

Íjuârdâdo

eÌn üìsa. Depois do

jântaÌÌìum domingo. PoÌìha no pobrc c veÌho bisavo. CraaÌclAÌôâÌôâÌô

tãotãofeliz

craàrc tãotãocontentcrever aÌôâlô tãotão pshite. Fz você 1eÌn

brar da voz como a fotograÍ

faz ÌerÌbÌ?r do rosto. De outro ieito você

não poderia sc lembmr

do rosto quinzc anos depois, digamos. t...

Tstcrst! Um chocalhâr de pedÌas. Espere.

Parel

Baixando osoÌhoseÌc oÌhou com atenção paÌa üma cripta dc pedra.

Algum animaÌ. Espcre. Lá vai eìe.

JOlCE,Jde'

ifi:ÍJAiT.:duçãÒ:

Bcmardinadã sihei.â

pinheiro.Rjo

deranci,o: obje."iïlïi;]1,,,,ï.

:

È

c

a.

Dubln,cenáfoemqúe

cncú

aspersônâlensde Urser

A prasa

pótnÕtlerna617 |

LITERAÌURA

r i e E L e

Ashorasmoítas

de Mrs.

Dalloway

Bas€adono romance

Ár hora'

de MirhaelCunnLnghanì,

o Í me

contaunìdiana

vda dê trêsmu

heres

qLre vlvemem

épocasdie

reniesa escritoÍa

VÌgna Woof,

queviveunã ngaterranadécrdâ

de 1920,e âs noftedrneÍcanas

LalrêBrown,

donadecasadadé-

cadade 1950,

e Clarssavaughn,

editorã

quê,êrì 2001,planel:urìa

festa

paÍacomemoraro prêmrol-

terâÍoconquíado

poÍ um

gran-

O pontodecontatoent̀asv

dasdessastrê5mulì€resé o ro

.rlarce

Mrs Dêlloway,.leV rcnia

WooÍ. O filmêd sclte s€ é me-

horviv€ÍembuscadapÍópÍa1e-

icdadeou 5ededlcarà íelicdade

d.s pessoãs

qLre nosc€Ícarn

Á5 horás,d€

9ÌephenDaldÍy.

.

E!4,

l

arrq,gl:wrrrrelrurt:*çnÉf

a

61A CAPITULA

Virginiã

WoolÍtambémfazusodo f uxodeconscênca paraI darcomês

angústias

individuaisde personagensatormentadas.O fio naíâtvosefrag

mentae se

nìutiplica,têcendoumaredecomplexada qua surqe,ao I m, a

ìÍÌìagem

mutifacetadadossereshurnanos.

Istivcra em AmÍerdanì,

dizia o Sr. Banles enquaìÌto atrâvessaÌao gÌa-

mrÌdii coÌIl Lilr

Brjscoc. Vira os ReÌÌìbraÌÌdts. Esii\eÌa em NÍadrid. InÍcÌiz-

mentc, cÌa Sextl Feira Sarta e o Prâdo eslavalèchado. EstivcÌa em Roma A

Sflr. Brr. .c

ri'ìhâ i,ln a Rumr: íìl'. .lc\criâ .r.

'e'

| | ,,mJ e\p.rir,,,

rr mJrJ-

vilhosa parâ elar a CapeÌa Sixtina, Michelargelo,

e PádrE com seüsCiotbs

t...

[.Ìa cstilera eD Bnxelas; estìvem em Parìs,

DìÀsÌÌuma visirà rápida, ape-

nas pda ler uÌnã tiâ doente. Estivem em Drcsden; halia milhares de qua-

dros que não vira; entrelanto, reÍletìo ela, lâlvez fossc mcÌhor não ler

quâ-

dros: cÌes apeÌìasnos toúÌalam

desalenladoÌamente dcscontentes com Ììos-

so própÌio tÍabaìho. 1...1De qualquer foma

disse Li',

reprìmiirdo sua

pequcna nìsincerida.le -, conrinuàrìa seÌÌìpre a

Pintar Pois

a pìnnrE Íúe-

ressa,a

a. Sim, es1â\acerto de que coÌìtiÌìuaÌia - dìsseo Sr Baúes. [ - l

$]OOÌ,F,l'n tanÌia.,Rrn, ,,rt na TÌrdução:LnizaÌ,obo.Rio d.Janeì.o

o GloboiSãoÌ'axlo: lolhadc S.taub,200s. p. ?7-78 (Fmgmerkr'

InteÍessadosem

tratardaexperênca inteÍordosindviduos

(anoçãodeespa-

co e tempo,a idéado

eu e desuaIelaçãocomo outro),Joycee WoollabrerÌì

mãodaorganzaçãotrad

c onaldolomance,atribundonovos

papéispaÍênarÍa-

dore peÍsonagense propondo

novasÍelaçõesentÍetempoe espaçonêrratvos.

No Brasi , loão

GuìmaÍães

Rosa e C arice

Lspectorserãoos

principâìs res-

ponsáveispela tránsfoÍrnaçãoda

pÍosa defcção.Naobradesses

autores,ob-

sêÍ,.\ê.esse__iàod,

o d.u'à pos-'r

ooernd

ôn

"'ó

dpódvdcolou- ei e

dê .rg-i

i,

"do.

O -dbdho

-oÍ

è ,i-ouoge-r

qà- d. e.\ê'Ì or e. o. , nd i .-

poítância muto grande,

porque é elequepeÍrnitirá

aosescÍtoles

pTomoveÍ as

constÍuçóes

e desconstruçóesnecessáÍaspaÍaampiaraspossibi

idadesdesig-

niíicãção

dotextolterádo.

Íodoo convencional

srnocaracterísticodapÍosacãiporteÍraGuimarães

Rosa

ousaescrcveruTn

ronìancede maisde 500páginassernd vdi-o em

capíiuos,

n!rrnrfensoTnonólogo.

A funçãotradicionaldenarradorcomoorgãnizador

da

h stóriaé Íevista.

Eletantopodeserconfunddo comumapersonagem

quede-

témd retamentea

palavra,comofazGurnarãesRosaen Grandeseftão:

veredas,

ou sertransformadoeao

umaespécedeconsciênciacríticã

quealuda o leltor

a

reïletÍ sobrco sign

flcadodoscomportamentosdas

personaqens, coTno

ãconte_

ceemÁ horadaeí/e/a,de

ClariceLispectoÍ.Nosdos casos,é evidente

queo

narËdoÍnáoseenquadra

maisnaestruturatípicadãsnarrativasemprosa.

Essessáoãpenasalguns

exemp 05 do píocesso

de expeTmenta!ão

que

caracter

zaasnarÍatlvasdo período.

j

VirqI a WôóLÍâôs20:no

LIÌERAÌURA

A prosa

pós-moderna e o público

En'ì lrn Tnornentoem

queloÍgeAmãdo,

GracilanoRâmos,JoséLrnsdo

Rego, EricoVerissirnoestão

pubicando

novasnaffatvâs,a chegadade Gui-

maTães Rosae ClaÍiceLspector,embora irÌìportante

parao cenárjoiteráfo

brase to, nãoganharnuto destaqueentteos leitores.

OscríticosteÍáÍios,

porém, reagem i.nediatamente.Álvaro Lins,crjtcode

rnãior

prestíg o daépocae que,rna s têrde,seÍÌaum dosmaiores ãdmradores

daobradeCaÍiceLispectoÍ,confessa à autorateÍsidoncâ

paz

decomDreender

Pertoda coraâaselvagem:

"O

ha moça,nãoentendnãda.

euemsabe

seo

OttoN,4ara Carpeauxentende?", d ziaã elaÍeferindoseãopToíessoÍ austríaco.

estuoo,ooo ilê dlud

-n

\ê-,àl e quêèÌJouno B dì

l corìoUttiLo

iterdJio.

Passado o estranhamentoinrcialcãusadoprincpalmentepea experirnen-

taçãocom a lrnguageme pelêruptura com as estÍuturasnaíativas,tanto

Clarice cornoGumaÍãessãoacarnadospubicamentepelãcríticê especialza-

da.Quandoissoaconteceu,entÍaTamna Tnood.

AsobTasdessesautoÍesdesafiarn o eitoTa entraÍemum mundo oróoÍo. a

paítcipaÍ demaneiraatvadaconstÍução dosentidoe a dialogar efetivarnente

como texto.No moÍnentoem queo eitoraceita o]ogo propostopoÍ esses

escrrtorese sedeÌxalevar

peã inguagern

envolventede suaficção,merguha

em!m TasonanteunveÍsonârTattvo e, ãoacompanhaÍa vidae a traetóriadas

personagens, muúasvezes

percebe-se

refletndosobÍea suapfópravida.

r

Linguagem: experimentalismo criador

Tânto enTGumarãesRosacorio erÌìC aT ce LsDectoÍ,o Íaba ho corna

Inguag"ne

a o ncioaerrd-'ìenèpd-dê.'d!àoti erono.\è oo è oeru r o-

rãesRosa, essetrabalhoapafecesoba forrna da experimentaçãoradicalcom

a5palêvras:resgatedetermosaÍcaicos, cr açãode neoloqisrnos,tentatvade

t!g r dosclichês, Íeconstruçãodâía a regÌonal do interoÍ de Minas,criando

rlrnosinesperados, inversóessurpreendentes, iÍÌìagensdelcadase belas.

Quando

escrcvo, repito o quejá rn'i anres. E par;ì esrasduas vidns, um

Ìénco só Ììão é suficienre. EìÌì outras palarr$, gostaria de ser um crocodiÌo

rivendo Ììo rio São FÌancisco. Costaria dc ser um cÌo(odito porquc amo os

gr:mdes rios, pois são proluncÌos como a alrna de um honÌe

. Na supc ícic

são Ìnuito livtzcs c cÌaros.Das nas prolundezs são tra.qiiilose escuroscomo

o solìiÌÌÌe to dos ÌÌomens.

ROSd, CninhÍàes. Dnponirì em: <hüp://IÍwlL(ttrÌtun.( !,,,.u, /

2Ìoescola/ÌiÌeìatÌìm/onn,x

--srosa>.

Aceso cD: 3 âgô. 200ó.

È

1

EmClaÍiceLispector,a exper mentaçãoafeta

da narratÌva.É o domíniodãtécnica clofluxooe

tornaa rnarcaregstÍadadêautora.

pr ncrpa menÌea estruÌura

consc ênca,

porém,quese

estoü procuÌando, csrou pfocrrando. Estou knrando

.Ir' nd"r.Tê,r.,nd.d.,r j ilguêr,

^

quê ü\ ie n:o.eiâ oucm. mJ( rJo q

pro

ficar com o qÌre vivi. Não sei o quc fazer do que ïivi, teÌrho mcdo dessa.Ìesor

gaüizâçãoproftÌnda- )Jão confio no que me aconreceu.AcoÌìreceu-mc aÌÍju-

tna coìsaquc crÌ, peÌo fato de não a saber como !iveÌ, vi,i unìa ourtracoisa?A

isso quercna cÌÌamar deiofgarizarão, e teria a segurânça.le me âvcnrurd,

a 620

cAPiruLo2g

tIÌERATUNA

porque sabeÌia dcpois para o

dc voÌtar:

Pârâ

a organizaçáo mterior A isso

preÊro chamar desorganizaçàopois não qucro me conÍirmar no quc ü1,ì-

na coÌÌIirmaçáo de miÍÌ

eu perde a o muÌldo coÌÌÌo eü o tinha, e scì que

não tenho capacidadc pàÌa outÌo.

LISIECTOR, Cìa.i.e. Á

,airr,

v3?fldt c. I{

RiodeJaneiro:Ro..Ò.Ì9!8 p. 11. (FragnHÍÒ).

A paixãosegunda

G.H.começa assm, corì una séÍiede travessÕes.

O

leitoré ançado,semquaLqueraviso,nosconfusos

pensamentosda persona-

gern.Nãosesabe o quefo queêlav vêu,por

queessaexperênca tev-Âum

irnpactotão

grande emsuãv da.EssaapÍesentãção

de umasére de mpres_

sões,dereaçóes,desentmentosconfiguraoí uxodeconsciência

dapersona-

gem.Nas obÍasde Cãrce,essaÌécnicaé usada

parâ

permitrqueo leltor

acornpanhede peÍtotodasa5tÍansfornìaçóes

por que passaÍÌì as

peÍsona_

gens no processodedescobertanterior.

ClariceLispectore GumafãesRosatrazernassima escrita

parao pÍ meÍo

plano,deÍrìonsÍandoa possbi idadêde vaorizara elaboraçãodo têxtoe o

trabalhocoÍÌìa inguagemcoÍÌìoêspaçodeconstruçãodemundosespecítcos.

)L

'.t\l

3

Estava Mãe, estav.Ì Tio TeÌêz, estaïam

todos- O senhor alto e cÌâÌo se

apeou. t... O senhor pergìnhva

à Mãe muitas coisasdo Miguilim. Depois

pc*unta\Ìa a ele mesmo:-

"NtiguiÌim, espiadaí: quantos dedos da mnÌha

nÌão você está eìÌxergaÌdo? E agora?" t...

I o seÌìhor tirava os ócuÌos e puÌrha{s em MiguiÌim, com todo ojeito.

OÌha, ìgoÍal

Miguilim

oÌhou. Nem não podiâ acreditâr! Túdo era uma ddidade, tudo

novo e lindo c dúèrente, as

coÌsãs,âs tu1orcs, as caras das pessoas. l...l E tonte

a,ã.Aqú,

iÌi, eu Deus, tanta coisa, tüdo... O senhor tinh retirado deÌe os

ócülos, e MiÍjuilim

aincla apoìrtava, fala!ã, conÌara tudo como eÌã, como iinha

\isto. Mãe este\€ assim aisustadq mâs o senhor dizia que aquìlo em do Dodo

nesmo,

só que Miguilim iambém carccia de r$aÌ ócÌ os, daÌi por diante. O

senhor bebia café com eles.Era o doutorJosé Inurenço, do Cun'elo.

Tudo podia. Coraçáo de Miguilim bâtia descompa^sso,eÌe càreceu de iÌ

Ìá dentro con&r à Rosa,à Nlaria Prctinha. à Mãt a. 1...1.

Quando

voltou, o doütorJosé LoÌuençojá rinha ido embora.

'5/ocê esrá triste Miguilìm?" - Mãe pergÌrntou.

MiguiÌim Ììão sabiâ. Todos eram maiores do que eÌe, as coisas

revimvam sempre du1ÌÌ modo tão diÍère te, emm grandes demais.

Pra onde eÌe foi?

A foi p'ra a \rereda do Tipã. onde os caçadores estão. Ntas ama-

nhã eÌe volta, de manhã, antes de ir s'eÌnboE p,ìrá a cidade. Disse que,

locê querendo, MiguiÌim, eÌejunto te Ìer"a...- O doÌrtor era homenÌ

muito bom, Ìeva\a o MiguiÌim, Ìá eÌe comprava üns óc.uÌos

pe{ìuenos,

enúã\a paÌ? a escola, depois aprendia oÊcio. - ïocê

quer mesmo ir?"

Campogeral

A techo ã seguirmostra

de um médicomuda

a

o momentoem que

a vìsita

vida do menino Miguílim.

A prcsa

póenodena621 a

LIÌERATURA

i

l

:

Em 1952,G! maÍãesRôsãvalou durante

acômpânnaiooumêDoaoa

I

1

:

t

LaFôntane,autorÍrancês

quen5p ro! GúìmàràÊsRosã

Lêtorapãxonadodesd€osten

posde rnenino, GuirnaÍãêsRosat-

nha duas Íontes nesgotáveisde

nìatéÍia"bruta" parasuâsnarÍât-

vâs:o sêrtãode lúinase a sua br

blioteca.Neia,do ladode inúnìêÍos

autorêslng êses,frãnceses,ale

mães,gregos,húngdros,merecam

ugárpÍvileqiadoosinsprãdor€sda

suaf c!ão: Dante,airtorde

Á d/i/-

nâ cortdrb; Homero,autor de //a

dd e de odliséra

(obÉspeìasquas

Rosaerafâscinado);eLâFontane,

lrancês

que escreveumutêsféb!

las.Com esses

rnêstrês,aprerìdeLr

a aftculdr a fábula ao elemento

ép.o, o quê dêu à sua obra um

cdÍáteÍinovadoraindanão iquâla-

do nâ literãtlrabrasiera.

Guimarães

Rosa: o descobridor

dosertãouniversal

O caráterregionalistê

quedefniu a f cçãoda geraçãode

1930 aparececompletamentetransfoÍmadonasobrasdeGu

marãesRosa.As marcãsregionaissãoevidentes

nosteímos

ut I zados,na recfiaçãodafaladelagunçose devaqLrelÍos

do

lnteror de Nlinas.AsquestõesteÍÌìatizadas,

poÍém,vãomuito

a érnde umaperspectivãregonal.

Ernsuasnarratvas,Rosafaladosgrandesdrarnashurna

nos a dor,a morte, o ódio,o amor,

o ínedo.lndagaçóesf o

sófcasaparecerfna bocãde homenssimpes, ncutos, dei

xandoc aro

que os grãndesfantasrnasda exstênca podern

seridentifcadosen'ìqualquerlugar,desdeum

grande centro

uÍbanoatéum m núscuo v larejonossertõesdasGeÍais.

Essancansávelbuscaderespostaspafaasangústiash

fazcom

queoregonãlismo, naf cçáodeGurÌìarães

Rosa,ganhe

umad rÌìensãounivelsal.Acompênhârã tÍajetóÍa de Riobaldo,ernGraDde

sef

tãorvered;J,

porexenìplo, sgnflcaaprender

queo seftão"está enìtodapârte".

r

Asnarrativascurtas:contose novelas

Autordeumúnco

romance, GuimarãesRosatoÍnou-seconhecido

pÍ mero

pelo I vÍodecontossagêrara. Quando

a obrasuÍgiu,erf 1948,caLrsou

suÍpÍesa

pe!â Inguagem,

queÍ-Âcr avao portuquêscomolíngualteÍáÍia

e davauma

dirnensãonovaao regionalsrno,vertentetãoexporadana iteratura

bÍasieira.

Doscontose noveasdeGumaÍãesRosa,emergeummundosempÍernar-

cado

peloconfronto deopostos:o arcalcoe o ÍfodeÍno,o r!ía e o uÍbano,o

orãte o escrÌo.

se em sagararaas

narratvas bÍevesdos

"causos da arraia

m úda" ocu-

pama pos

çãocentÍa

, aospoucos

a pÍosado autorpassaa co

ocarem evr-

dênciâasopos

çóes

fundamentas quedesejainvestigar

Assirn,oscontosdePrlmelrasestóras

podem serv stoscomo!rn conjunto

em

qle o focoestáno confronto entfesandadee loucurê

(explctâmente

tematizãdo

em"Sorôco,suamãe,suaf ha";"Nadae a nossacondlção";

"O

cavêlo

qLre bebiaceNeja";"A benfazeja";"Darandina";" Tãrantão,rfeu

patrão..").Alémdisso,a infância,o amor,a v olênca e o m sticismoretornam

-oro

êrê\ dêgrd de.'ee êpd'óod-lo.

A cãpãcdadede apresentaro olharnfantI,

queaparece em

algunsdos

contosde P,melrasestórlas,atingeo seupontomáxmo na nove

a Campo

gerêl narrativa extrerÌìarnentelírica,comofoi vistono trechoanãisado,

em

queGumarães Rosarecra o rnundosequndoa

perspectva do

menno ÍvlguÈ

iÍrì,

pêrsonagem defundoautobográfco.

:

Grandesertão:veredas

e osavessosdo homem

Robado,

protagon stae naíadorde Grardesertãorveredas,cTesceu

na

íazendade seu"pãdrinho"

(nãverdade, o pa qLrenãohava reconhec

do a

pateÍnidade). Essacondção he

garant u âlqumaeducaçáoformal suaedu

caçãoreal,

poÍém, acontece

quãndo sejuntaa um bandodelagunços

e co

Írìeçaa longaviâgem

peo sertão dasGerais

A prcsa

pós-narlerna 623 a

TITERATURA

[E ro*,

q

"-y.

,AÍed.dor âIãshdó,dntut.

Gloso:enenro, fab.

Moquénì Ìipo dc grclha.

.{brenÌinciorrl\a.to.omo nma

'nlúi.içã.,

.quì'rlenrcì DeusÌnô

!Íração de Potyparaa pr m€ ra edção

de GEnde sêdáa vercdas

1...1Lugar scrrão se dìluÌga: ó onde os pasros

, Jre,. m.l, Ía h,

^:ondc

um p,

'de

r., Jr de/..t,,in

ze lé$as, seD ropar coÌÌÌ casade moÌadoÌ;e oÌìde

(rìminoso vile seu crist{rje$N. aÌredado do arÌo-

cbode autoÌidade. [...] Essesgeraissáo rem tâÌÌa-

nho. EnfiÌn, .ada um o que queÌ aprova. o senhor

sabe: pão oÌr pães, é quesrão de opiniáes... O ser-

iâo esÌá em toda a partc.

Do demo? Não gloso. ScnÌÌoÌ peÌgÌrÌìte aos mo

radores. trDr raìsorecen), desfalam no nome oere

dt,È", .^

^

Atu..Dtea

t...

fìordcrrd. A ld|lurvâ-

ção. E, o respeito de dar a ele assim esse!nomes

de rebuço, é que é nìesmo un qÌrerer in'oca.rqüe

ele 1òr$e forma, com as presençar!

Nãoseja. tru, pessoalmcnte,quase que.jáperdi

neìe a crençâ, mercês a Deusi é o qÌre ao senhof

lhe digo, à pÌrricÌade. [...]

T)e p,imeirn. eu íuia e merrr. e pe.,v rao

pensala. Não posiuía os pru os. 'n i puxando di-

l:, iì dê.ìrrr ê'

fei\F

\i,' nn moq,,ém:quem mnl

no asp'ro, nâo fantNôia. NÍas,agorâ. feira a lolga

que Ine vemi e senì pcquenos clessossegos, estou

de range rede. E me nìvcntei neste goÍo. de espe

culü idéia- O diabo enste e não existe? Dou o

diro. \brcn,jr,:o.I

-J.

mêl"n(olir,. O senhor\ èi

exisre (achoeir:Ìi e poisl NIas cachoeira é barraD

co de cháo, e água sc canÌdo por eìe, reromban-

do; o senlÌor coÌìsome essaágua, ou desfaz o bar-

rarìco, sobË cachoeiü alguma? \ri1€r é Ììegócio

ROSA,João GuúÌamA. cÌo,d, Jdri,: dsl6. 19. cd. Rio dc

Jan€iro:

Norã!ì.Írenn,2001.p 21t6. (rmgmcnlô).

:

l

È

i

Recontada emformade

uÍÌìlongomonóoqo,a v agemdeRiobãdotÍans-

formaseernumatTavessa emqueo eitor, envovidopelarnguagem,é desa-

f adoa penetÍãrem urnunverso de emoçóesautênticas,de sentmentosíoÍ-

-ê.. dê ê dn-dr êt Ìo\ , o^ .td^ies.

A naÍÍãtrvaestástuadano nteroÍ deIVInasGerais,ondeqeogÍaficarnen-

te se ocaizão sertãorealassociêdoao ÍomancedeGuirnarãesRosa.O texto,

porém,povoa e55eespaçocomassagasdosseushabitantes,o queo torna

mítco.Assim,o seÍtãoseexpande,

perde suasffonteirasgeográí câs

e reas e

pa55a a s mbolzaÍa busca

peâsÍespostaspara asgrandes

questões humanas:

o oueé o bem?.o oueé o rna?

Riobaldo,

quiados eÌtoÍes nâtravessia, apfendea veÍa belezado sertão,

enlÍentao rnedo,torna-seadmíadopelos coÍÌìpanheiros,descobreo amor.

Encerradasuav dadeluta,estando"defange rede",

passa a especuar déias

e a buscaÍLrma

respostapara suarnaor angústìã:sãberseexs1eo d abo,corÌ

qLrerÌìteriaïeito Lrmpactoparasairvtoroso na utê contraHermógenes,

tenìível

íderde umaÍãcção

Íivaldelagunços e horÌìernãparentementeindes-

trutivel.'Osenhorãcha

quea minha

aÌmaeuvendi,

pactáÍio?j",pergunta

Riobaldoao seuinterlocutoÍ,homem maisculto,culanegaçãotrara pazao

jagunço("Sua a ta opn áojá compõe m nhavaia").

a

624

(APÌULO

29

rIÌTiAÍURA

E : : a Conada m n $ér e Gãnd€iÊnáó: re.êl*, 1935 Dãês!!edâ pêrâa diÍeÈ SêbaÍãôvasconceos,Rogéro rüac(o,BÌlnaLombarde Ìar.ÍsioMerà No trecho f nal d€ Grarde ser- tãor r€rêdát Riobãdo relãtaao seu iJìt€rocltor o deíecho do con frcnto entÍe o seu bdndo e o de Herrnógenes.O embateres(]tê na mode de D.dorirÌr, jaqunçopor qLrem sente Lrnd atÍâçãoque o pe(Lrrba,pos néo sabeqlrê o amiqoé, ná vêrdadê,Lrmâmlrhêr disfãrçadade homêm Robadoê s€u bandoesperanì,de tocaia,a chegadado inimgo, rnassãosuF PÍeendldos poÍ unìataque nespe- fadodo bandorival,vìndode ou tra diÍeção.O protagonía é con vencdoporD adoÍimdseposico nar no alto de unì sobradoe co' mandaÍa uta daìi É desselugar qLr-ôpÌesen.iaa lutafinaêntreHêF mógeresê Dladofim,que culmF na com a mode dos dois.

A lutaentreo beme o mal

4 626 CAP:TULA DiacÌorim a yiÌì -do lopo da rüa, pÌÌnhaÌ em máo. al?nçar - correndo aDÌouco... Ái, eles sr lnÌharÌ. .orìcter. Os trezentos passos.1...1Eles to dos, na liÌria, rìo âninÍ^amenie. l,leÌros eul turepele que não prestavã parã tÌânandar umâ ordem. gÍilar um conselho. Nem cochichrr comigo prìdc. Bo.a se encheu de cuspes. 1...1NÍaseìes ,inhaDr. se aiinham, nurÌ péìe-,ento, rÌo desa(loro, bramavan. se inlestiranÌ...1...1DiadornÌi er qÌrerix ver seguraf com os oìhos.-. Es.utci o nÌcdo cÌâro nos meus denies... O Hernrógenes: desumaDo f...1 Dia.Ìo n lbi Deìe...\egacec,ü, conì uma qÌrebra de corpo, g-amÌrctou... tr cÌcs saDhâràm e bamìharaÌÌÌ, Érçanm. l)e srÌpeiio... e só... E eu estaralcndol 1...1,{sin,ah-mìreieri o claro.lara mente: aí Dia.Ìorirn cravar c sangrar o Hermógenei... .\h, cÌavou no -ào c rcssurtiu c, alto es$Ìicho de sanglÌe: porfiou para beìn mararl 1...1CoÌÌìo, dc repeDie, náo vi maii Dìadoriml No .éu. uì pâDo dc nuveÌìs... DiedoriDrl [...] S[bi os abismos...De mais loDge, agoÌa dalarn uns tiros. esses tiros vinhanr de pfofun das profuncÌezas.Trcspassci. Conformc .onto. CorÌìo rerornei, ixrde depoìi, rìal sabcrÌdo cle miìn. e qucrcDdo cnÌerdar nó no ieÌÌìpo, tâteancLocoìn meus oÌlÌos, quc anrda Ìcs|Jlam Íèch:Ìdos. f... F.u despertei cÌe t.icÌo

como Do instante em que o tro\ão náo acaboÌÌ de rolar ató ao fiuÌcÌo, e sc sabc que caíü o Ìaio..- DiadoÌnÌÌ úÌÌìa morido

mil vezesÌìlenie pira scmpre cÌ. mnìi c cu saÌJìa,e não qucria sabef. Drers olh6 mÌejanm. Ros1. l()io Gun!âÌnes.cr"rd?!raa: "âddJ. l!. ed.Rjo.leJrneú,] N,,u rÍoDteira,2001.p 60! rllz. íI.,Ìgn,e,ro). lq amouco .heio detúiâ .AÌinosmenre .oú.oriB.ni ou.Ldi2. D6idoro numa.onn*ã...oF pÌc$xiìe\enhex{tâ. BÌmã!d: gnraÌx (0rÌ túriÌ e\alhraNe Ncg,cL$u:e.Ìpou, dcsiou (rl. s.he) Gúbêtou es.ìlnou5e Sanhúu: \ÌrÌrm (Ìn finìr Teaãlfl: ( n,â.rn', nr úí| rs t(a .r punhâi;. Res'úliu: jomn.orì i.r (x TrespNei: n! tìt

. usdo no scrÌnl).le

damtì: t. Quaís sãoos sÌnâis percebidospor Riobaldode que âlgoestava parã r "l\4as grtavarn, vuvúvavaváde conversãrurm."Qua é o sentdoda ono- matopéã destacadana Írase? . Robaldovê o embateque vaiserÌÍavado do alto de urnaconstruqão. Comoe e descÍêve os preparatvos dosdoisbandos? , O queelesenteao veÍ o nícioda uta?Trãnscrevaã frasequetraduzos seussenÌrmenÌos. r Êxpiquepor qu€a expressão desmlmmostrao sentnìenloq!e domina 2, Qual é a sensãção que o leitor tem do combâtea partir da sua descrição? r Qua o efeto produzido pea enurneÍa(ão dosverbose peo usodas exprersÕesdestacadasnalrase: "lMas € esvlnhêm,seav nham,numpé- de-venta,ra desadaro, brafìavam, se iÌrvestiram.."? F '

LITERATURA

I

Dos corfbãtentessãodestacados:llermógenese D adorm. Quecarac-

terístcasdosdoispodernseÍpeícebidasno trecho?

3" Uma das

questõestematizadâsem Grandesertãoj veredãsé â luta

entreo "bem" e o "mâ1".Considerandoa caracterização

de Hermó-

genes, de que ladoele estarianessaluta?

r Dladorìm é, na v€Ìdade,a fÌlhade lrmjagunçoquefo assassnadopor

Hermógenesà tração.O querepÍegentaã vtórã dea sobÍeo a gozde

  1. Um dosconÍlitosde Riobaldoé o amorproibido

que sêntepor Dia-

dorim,já que não sâbe

que o âmigoé umamulher.De

que maneira

essesentimentopode ser

percebidono trecho transcrito?

I

;

"f...] Eu despertei dc rodo calnono;nsíant( en que a hnt.ìo n'no

d.ihat d.enlur aLéao

Junà.o,

e se

'ak

ft

.aíu o ran...

Diadorim tìnlÌâ moÌÌido miÌ,ezcsmcntc

para sempÌe de

mim; c cu srbia, e não quc r s.Ìbcr Ìncus oÌhos mâÍejar:Im."

i

Considerandoo que Riobaldoconstataa Íespeitode Diadorirnno pará-

grafo segu nte, o que o trecho desÌacadosimbo iza?

.

Transcrevado ú timo pârágrafooÍecho que reveao desesperode

Roba!

do diafte de sua constatação.

Clarice

Lispector:a busca

incansávelda

identidade

A mennã Hãla

nasceuerÌìTchetchelnk, nê llcrâna. Quandoveo paíao

BÍasI, ern1922,

recebeuo nomequea consagrafiacomounìadasmaoÍes

escritorasbíasieìÍas:

ClaÍiceLispector

SuaesÍéiaoÍcia no rÌìundodasletrâsãconteceucom a publicação

do

romancePertodo coraçãose/vãgem

(l941).A obradesnorteou a crítica,

que

nãoestava

pr-oparãdapara a íorçãda nêrrativalnt m ía de C ari

ce.AntonioCanddo Ìevelou,ânosmâisÌarde,

quetomou!m

choqueao ero fomance.Á varoLinsreconheceu

queera"nosso

pr meiro romancedentrodoespÍrtoe datécncadeJoycee

Virgi

niaWoolf".Comessasreferências,o criticoidentficavao cêráter

lnovadoÍdafic(ãode clãrlce,

queabÍia novoscamnhos

paraa

expressãoverba.

No ÍTresmoanode suaestréiaedìtora,a escrtoracasou-se

comN,4auÍyGurge,umd plomatadecarreira,e foi moTarforado

Bras Foram15anosd stãntedo país,masseÍfpÍeescrevendo.

PubicouO /ustre

Cidadesitìada

e Alguns.ontas

Coma sepaÍaçãodo marldo,em 1960,voto! ao Rìode

ianeÍo, ondepermaneceuatésuaÍlìoÍte.

EntÍeosSeusronìances,destacarn-seÁmaçãro escuro

A paixãosegundoG.H.11964),Umaaprendizagemou

a livrodos

prazeres

11969),

Água viva11973)e A horada estrelâ \197f)

Entreosvárosvolumesdecontos

quepublcou,Laçasde familìa

e Fe,odadec/ardêstlna

trazemalgurÌìas

de suas

obras-primas,como"Amor","A m taçãodêrosa",

" Felz aniver-

sário",

"Fe icidade clandestina",

"Tentação',

"Osdesastres de

Sofia".EscÍeveutambérncrônicase textosde iterâtuÍa

infanti

A |r'asa

pósnodünâ 627 a

LIÌERATURA

...1 {gumd roi'á inrrdnqúiL c'urt

'u,t'

dendo. xntão ela \ÍÌt

o cego mascavachicles.

Um homem cego mascavâchìcles.

Ana ajnda teve tempo de pensaÌ Por

um se

gundo que os ilÌnãos ünam jaÌìtaÌ

o coração

batialhe úoÌento, espaçâdo lnclinada,

oÌha\z o

cego pÌofiúdamente,

como se oÌÌÌa o que não

nos vê. EÌe nìastìgarã gí,ma na escuÍidáo. S€nì

sollimento, com os oÌhos âbertos. O movimento

dr mòugi.iú ia,/ino

Prê,

êr .orir c dc tcpênre

dei\d de solÌìr, sornr e deixâ.r

de soìÌìr - como

se ele a tivesseinsultado, A1ìa

olharã{. E quem a

üsse teria â impressão de úÌa

mulher com ódio.

À4a'.onünu!2 d oLlÌilo, , zdâ ve/ mais in, lind

da - o bonde deü uma mìncada

súbitâjogan

do a de.prA, nidi pdm uj.. o oc.âdô'd.odc tri

cô despencou{e do coÌo, ruiü no chão -

Anâ

deu um grìto, o condutor

deu ordem de paÌ,í

antes de eber do que se tÌatâ\a -

o bonde esta_

corl oa pasageiros olhaÌam

assustados.

I ÌsPt

r toR., ldi, e c a,Í. /,,.1,/

"/r"

tuodeÌJnei'o

Rôcco,1998P.21_

(IÍasmento)

:

AvistaÍurÌìcegoquemascavachlclete

fazcomqLrea v daÌão

conÍolêda

ooí

AnaseiaabaladaemSuasraízes.

E5savisáoa libertada rotina

de aconte

a

mentos

pÍevisÍveis e devolvê-lhea

possibilidadêdeumaexistência

ndividual-

O tormento

deAnapÍolonga-se

portodoo diaatéque,devoltaaoconvívio

como marido

e comosíi hos,o rnundo

famÌliaÍvaiaospoucos

recoocando_

a emseupapeconvencronal.

Esse

processo dedescobertaindv dualporquepassam

aspersonagens

de

ClãriceLispector

é charÌìadode epifaniã.O termofaz

reÍeÍênclaà apreensão

ntuitivada

íeaidadê pof algo gerãlÍrìentes mplese nesperado

Nessesent-

do, é a peÍcepção

do signiÍlcadoessenca de ãlguma

coìsa.

r

Uma

estruturarecorrente

Nosgeusrnutos

romêncese contos,ClariceLispector

desenvolvenarratl-

vas

quetratam dacond

çãofemnina,

da diÍculdade

de relacionamento

hu-

môno,da hipocrisia

dospapéissociamentedeÍnidos,

da busca

pelo"êu"-

5eostemas

aboÍdãdos

pelaautora têm erncomÚmo deseio

de esrniuçar

osprocessos

nteÍioÍesdossereshumanos,

asnaíãtivastambém

seguemuma

estrutura

semelhante,

qlleo crítcoAffonsoRomanodeSant'Anna

deÍiniLlem

ouêtroDa550s:

A personagemé d spostanunìadeÌerÍninadasituação

cotidiana

  1. PrepaÍa-se

um evento

que é pressentdodiscretamente

pelapelsonageÍÌì

(algo corno

urnainquietaçáo).

  1. ocoÍe o evento

que lumnasuavìda(epfania).

  1. ApÍesenta

seo desfecho,no

qúala sltuaçãodav dada

personagem,apÓs

a epifana,

é reexarninâda.

o, dbèl'ocon a i'gudgerì

êÍLrnodne^.èloara o-eesse

oÍocessodêduto'

oe<'

ooendèdqirrdè d nen<áo

in-íri(tdqueoe'ni'ê,dolelto',

êronpànhdlos

efeitos,na peEonageÍÌì,

do momentode ium naçáo.A autora

promove, na

formado texto,umadesconstrução

equvalenteàqueavivida

pelaspeÍsona

gens,fazendocoTn

quea próprìainguagemassurnaumafunçãoibertária.

a prasa

pos-naderna629 a

L

TITERATURA

OutracafacterístlcarecorÍente,naficçãodeClaÌice,é a presençaconstan te deãnimâ s (cavalo, gainha, baÍata,aranha,búfao, gato,etc.) querêpre sentam o "coraçãosevagerÌì"davida,quepusadescontÍolada,semsesub rneteràsregras e expectatvassociaLs.Essaé urÌìaforrfatambérnrevouconá riades Tnbo zarabuscaincessantedaspersonaqens pea lbertaçãodasaffrarras soca s e o mergulho no ÍÍeversivel pÍocesso de individuâção. "Enq!anto eut verperguntase nãohouverÍespostas,contnuareia escre ver",af rmouceÍtavezClariceA f cçãocomoespaçode elaboraçãode fes postasparaos qÍandes rnistériosda vida é provavelrìrentea rnelhor razão pêÍa, âtéhoje,a obradaescrtoracontinuâr provocando o rnesmoespanto e admíação quecausou nasuaestréra r .: , t"; Ah.arc $* estrel.s fteJfe freclo, ,1 encontrc de ì'\faaabé.acam O!ínpíca e o "ataftìoro" ílcs dais s.ìo ;preJèJ-"fadoJ pelo narradot Maic,, nÌês dâs borboÌcts noilas fiuiuindo em brancos'óus. Sua er clamàção tah,e7tilessc sido uÌn prenúncio do qÌre ir aconreccr no Ínìal da |arcle dessemesmo dir: !o meio dâ chula abuncLinie en.ontrou (er- pÌosão) â priJneira espécic dc nâmo rado cle srÌaïidr, o coração baterdo comose ela tir€sseengÌuti.lo um passariÌìlÌoes,oaçaniee prcso. O rnpâz c cÌìse oÌharânr porentre achuçre se reconhecemm cono cÌoisnorctes- rinos, bichos dJÌ ìÌesma cspócìeqÌre se faÌe.jâm.Eìe lÌ olhra enxugdÌdo o roslo nìolhâdo com as mãos. E ã rno(-a,basloÌr lhe 'ê Io para tomálo nnedialâmenre sÌra goiatÌada-comqueijo. EÌe... E1e se aproximor c corÌ loz cantanre cle nor.lesrino quc a c!ìocio- nou. pergunroÌÌlhe:

E se me des. pc, scÌiÌÌorita. pôsso .onïidar a pasear? 1... F.ìeinão sabiam conÌo se passeia. AncÌar:Ìm sob a.hura ÍlÌossr e pafâ raìì dianre de litÌinc de umâ loja cÌe feragen oncÌc cstalânÌ expostos airás do \icÌro canos. Ìatâs, paraÍìsos grandes e pregos- 1... Da scguÌÌda lez eÌÌÌ que se encoÌÌtÌrram caía urÌa cÌNla fiiìnha que ensopare osossos.Sem nem ao mcnosse darem as mãoscdÌììnha!ìm na chrvr que ÌÌa caÌa de Nlacabéâparccia lágrinÌas cscorrcndo. Da tcrcciravcz eÌn qüe se eÌlcontraram - Fois Ìião ó que es1â\acho vendoì o rapÀZ, irrilâc]o e pcrdcndo o Ìclc vcniz dc firLìra que o padrasb a custo Ìhe ensinarr. dissclÌÌc:

\rorê lanbém só sabe é ìnesmc,chovcrl

Descúlpe. Nlaselâjá o amava ianto que não sâbiamàìs comc, se lirfar.ÌcÌc, csta- !a cm desesperode amorl Numa da-s\€zes em quc sc cn.on t|âraÌÌÌ ela únd pergÌüì toulhc o norÌe. -OlimpicodeJerr \ÍorcimCìhai€s, rÌentiu elepofque tinha conÌo sobÌeDome âpenas o dc.lesus, sobreDonre dos qÌÌe ntu tôrn pri. Fora c.ifflo por uìÌi pr.Ìrasro que ÌlÌc eÌÌsinafâ o mo.Ìo fino rÌc tÌatu âs pes soaspara se aproveitd delas e ÌÌÌc cnsinaÌa .omo pcgar nruÌher. t... aenadoÍ ne a hota.la *Ííela. E ti A hon dê estrela,o .ÊrÊdor RodrÌgoS.M. aprcsentaieao leitoí e defineseuobletivoiterário:nar- rar a h stórìad€ uma nordestna, chdrnadaNlacdbéa, quemoravano Ro de ianeÍo, vnda de Alagoa A moça,descrtê conìocomPêtnÍren- te neÌpÈssva,drvd a um qu.no de pênsao coíìrma quarnrcoregase trabâlhavacomodat ógrafa.Apdi- xona-sepof O inìpico,tanìbénìnor destjno,é abandonadapor ee e moÍe atropelada;depos de unìa visitaa urnacartomante parasabeÍ o queoÍuturo he reseÍvava. Ao relato da v da de N,4acabéaê suasmis,ÁrasinÌerliga-se!m ç- gundo pãno, conntutvo da nar- râtiva:os qleíionamerìtosdesse naÌradormâscuno (o prme ro na obrada escritoÍa)sobrea suanìd- ne ra de narraÍ,os moÌvos qlre o levama contarahistóriadajovenì esuadificudâdeem compreender ê propÍra peÍ9onagem,peíêncên- te a Lrraê camada soca muito di-

lJm(a5aldeclasse

a 630 CAPTTULA 29

pro sqpós-modernq

: vozes intimistas

A introspecçãodasmulheresem Clarice

Comofoi visto

nestecapítuo, C arceLìspectoÍtrataemseustextos

de d ve|sosaspectos

da condiçãofemn na e da busca

peo "eu

' de

suãs

pebonagens.EssavozíemininacaÍactefza-se

portratar derÌìodo

nt m statemas

relacionadosàsmulhefese aossereshumanosem9e

ral. Asangústiase

osdÍamasnterioresdasmulheTe

quedescobÍerÌì

de repente,a possibil

dadede umaexistênca individualdifeÍentedê f

vidâa

quefoÍamhabtuadas sãoexpostos

erÌìtextos

queiÍáoinfluen

cãToutrasautoÍãs

a esmucãra dirnensãoexstenca doindvíduo

O olhar de Lygia

Outraescrtora

bÍasrleirasurgldanadécadade 1950 dácontinuida-

de,na

prosa,à constr!çãode urÌìaliteraturamarcada

pelapercepçáo

femininada realidade

e peo desnudaÍlìentodo mundointeTor dos

seÍeshumanos.

LygiaFagundesÌeJlestrataem seustextossobÍetudo

dasexperiênc

asafetivasde suas

personagens e dossentirÌìentos

ex_

permentados

poÍelasÓdìo, ciúme,amor,soldãosãoa

gunsdoste-

Ílìasquê

povoamo unversof ccionalcriado

pelêautora, expressos,

muitas

vezes,

por mêiodo fluxode conscênca dosprotagonistas

de

seusromances

e contos.

Notextoa segu

r, a per5onagenìreÍlete

sobreseuamorpelocom-

panheiío e seudesejode perÌnaneceÍcome

e, arnda

quese.lapor

urnsentimento

"rnero esgarçado".

Pérclas

1...1Era rcrdade, ela pÌcÍè

a ficar eÌa aindn o aÌÌìava.IIm

amor me'o

esgarçado,scnÌ nlegria. Ntasainda amor Robcrto 1ìãopassavi

d€ unÌn Ììebu

Ìosa nÌìprecisa c que só seusoÌÌÌos assinalaramna dstârÌcia. No entanto,.leÌì

tro de algums homs, na apdcnre

.andura dc unÌa vJl'ânda...Os aconLe(i

menios se prccipilâ.Ììdo .oÍÌ

uma rapidez de Ìoucura, força de

Pcdm

que

dormnÌ miÌênios e de repcnte estoum na âvaÌâìcha. E estaïa em suasÌÌÌãos

impr.lir.I ri.pou-i, dcnE

u du bul'o do roJp;u.

lflI l\ |.ÉirI t! [|-.P, ol,..onú

h. t,!a

..,, p,r,lu.

\ L Inoc

p lr r,Jq n.n,o)

Os internosda gente

TÍanspondo

para aspersonagensdeseustextososteÍfoÍes,asfantasìas

e as

angústras

quevivemem todosnó5,MarinaCoasant,

-osclitoÍa

contempoÍâ-

nea,dáoLrtÌo

irnpulsoà

pÍosa intlospectvaquea obÍadeClarice

Lspectortão

bemsoube

reaizar.ComnarÌatvas

queenfocam rr]as osefetosdavidasobre

osindivíduos

queosacontecmentos

pÍopriamente d tos,a autoradesvenda

o

inconscentede

suas

personagens, reveandoa reaidadenteÍioÍde cãda

um

e 0eto005nos.

Observecornoo universo

inteÍnode urr]homerÍrerÌìestadovegetativoé a

matéra paraa exploração

existencialdâ narlatìva.

O

I

o

to

o

C.r ceLspêctorÍetratada

porDeChrcô

a 632

caPiuLa 29

a

A noaa dimensõodo escritor

JeffrevCurtain

[...] por úás dos cabcÌos ralos e quàse brancos,

por trás da pele apcrgaminh:ìda, por trás da espessa

hd, I J de o\u,. Jm ,ilin, i., l,eio Llepdla\rá- re' iJ

sua snÌfonia Ììo cérebro de

Jefreir

Nunca mais eÌe

haviâ prccisado se expressar .le foÍÌÌa audíveÌ ou Ìe-

gí'cÌ. Nunca nìais cÌc ÌÌavia

IreÌÌsado

para os outros.

Pensmdo só pâra sì, seguin o lio sinüoso einqrÌebran-

rileÌ

dos seus desejos.deixmdo-sc escolÌer por eÌe

como cnì água, s€m saÌtos ou ÍiâÍrras. A fabulâção,

qÌre hria sido sua forma de ürer toÌÌÌâra-se slnÌ ú.1a.

E aÌi, deilâdo, imóvcÌ,.Jeffrq criava e coslu.ava, uma

após a outÌa, as ìmagens cÌc uma Ìonga IÌarraÌìm.

È

COL S NTI, Nferin,.

^

noÌ? dnnrnsÀo .lo escnhr

JelÌiey

Curia;Ì. IÌì: NloRrCO\I, Ítalo (O'g. ).

(^ .o" tuthar.t ca"ta\ hÍ^ibirL

l, rt zô. Rio de

Janeiro:

olìjcrivâ, 2000. p. 568569

(FÍagnìertô).

j

I

Novosdespertares

A voz nt m staquesemanifestãcomforçêemClaricecontinua

a sefouvda

nostextosoroduzdosnaatuâldade Osrecôndtosda a mafemn nasãoex-

postos coÍÍrdeicadeza

por mêisurnaautoía,entretantas

quesededicaÍama

produzirtextos

queexpoÍamasquestões ínas íntmasquernobizamaspes-

soas

emgeraleasÍnulheresean

pafticular HeoísaSeixas,corÌìextremã

delca-

deza,tÍatada intimidadefemn na apontandoos rnedos,os desejos,

os so-

nhos.osanseios.o trechoa seour aDÍesenião âcoÍdardeurna

mulher.

Despertar

A muÌheÌjá eita,a acordada, nas retar-

dava anÌcÌa o insilÌìte de abÌir os oÌhos. Sa-

boreala aquele monrento eÌÌtÌe arigíÌia e o

sono, cÍÌ que

PaÌecemos

na\egar num Ìnun'

do emorfo..Ìe (ontornos imprecisos. Llosta-

!a disso, de eÌrar atravésdessafrontcna, Ie-

|endo Àsìmãgensdos sonhos, seusaromas e

Sentiaie teliz, plena. Ajnda que pcÌÌÌìa-

necesse imóvel, podia sentir o caÌor qüe

emdala do corpo ao seu lado. UÌn corpo

de homem - seu homem.

SEIX S,llcloisi.Cd,rogririnarRiodrJarcno:

R..otd, 2001.

p. 65.(I.agmento)

Ao descrevero despeítãÍda personagern,o narradorfalatambém

dos

sentirnentos

e sensaçÕes

quea envolvêm, Ílagrandoassm algo

mas

queuÍf

atocol|o

ano.

A Uasa

posno'1enâ 633 a