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Capítulo2 - Fluidodinâmica, Notas de estudo de Engenharia Química

Introdução - Muitas etapas de processos, especialmente as separações mecânicas, envolvem o movimento de partículas sólidas, ou gotas de um líquido, através de um fluido - líquido ou gás - escoando ou estagnado. São exemplos disto a remoção de pós e fumos do ar, ou de um gás de chaminé, a remoção dos sólidos de líquidos residuais antes de sua descarga nos sistemas públicos de drenagem, ou ainda a recuperação da névoa ácida do gás perdido numa planta industrial de produção de ácido.

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 27/11/2009

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Operações Unitárias I – Notas de Aula
Centro de Tecnologia – Departamento de Engenharia Química
Capítulo 2
2.1 - Fluidodinâmica da Partícula
Mecanismo do movimento da partícula
Equação para o movimento unidimensional
Velocidade terminal
Coeficiente de Arraste
Equação do movimento para partículas esféricas
Critério para determinação do Regime de Escoamento
Correlações empíricas para o coeficiente de arraste
Determinação da velocidade terminal à partir do coeficiente de arraste
Efeito de população
Exercícios
2.2 - Separação Sólido-Fluido em Sistemas Diluídos:
Classificação e Separação por densidades no campo gravitacional
Elutriação
Câmaras Gravitacionais; decantação.
Separação centrífuga: Ciclones e Hidrociclones
Centrifugação
Separação eletromagnética
Exercícios
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Operações Unitárias I – Notas de Aula

Centro de Tecnologia – Departamento de Engenharia Química

Capítulo 2

2.1 - Fluidodinâmica da Partícula

Mecanismo do movimento da partícula

Equação para o movimento unidimensional

Velocidade terminal

Coeficiente de Arraste

Equação do movimento para partículas esféricas

Critério para determinação do Regime de Escoamento

Correlações empíricas para o coeficiente de arraste

Determinação da velocidade terminal à partir do coeficiente de arraste

Efeito de população

Exercícios

2.2 - Separação Sólido-Fluido em Sistemas Diluídos:

Classificação e Separação por densidades no campo gravitacional

Elutriação

Câmaras Gravitacionais; decantação.

Separação centrífuga: Ciclones e Hidrociclones

Centrifugação

Separação eletromagnética

Exercícios

Fluidodinâmica da Partícula

Introdução - Muitas etapas de processos, especialmente as separações mecânicas, envolvem o

movimento de partículas sólidas, ou gotas de um líquido, através de um fluido - líquido ou gás -

escoando ou estagnado. São exemplos disto a remoção de pós e fumos do ar, ou de um gás de

chaminé, a remoção dos sólidos de líquidos residuais antes de sua descarga nos sistemas públicos

de drenagem, ou ainda a recuperação da névoa ácida do gás perdido numa planta industrial de

produção de ácido.

Dinâmica da Partícula Sólida em Suspensão - Para que uma partícula se desloque através de um

fluido, é necessário que exista uma diferença de densidade entre a partícula e o fluido e, obviamente,

que uma força externa atue sobre o sistema proporcionando o movimento relativo sólido-fluido. A

força externa normalmente é a gravitacional, mas, quando a partícula é muito pequena, tornando a

gravidade ineficaz para movê-la através do fluido, aplica-se uma força centrífuga. Quanto maior a

diferença de densidades, mais eficaz o processo. Se o fluido e a partícula têm densidades iguais, o

empuxo causado por sua imersão será igual à força externa, e ela não se moverá através do fluido.

Pelo menos três forças atuam sobre uma partícula submersa num fluido:

  1. Força externa, F (^) E – Impulsora da partícula, pode ser de origem

gravitacional ou centrífuga.

  1. Força de empuxo, FB – Descrita pelo princípio de Archimedes, é

paralela à força externa e tem sentido contrário.

  1. Força de arraste, FD - se apresenta sempre que ocorre movimento

relativo sólido-fluido; opõe-se ao movimento da partícula, atuando na

mesma direção do seu deslocamento e em sentido oposto.

Em princípio, a direção do movimento da partícula em relação ao fluido pode não ser paralela

à direção das forças externa e de empuxo; então a força de arraste faz um ângulo com as outras

duas. Neste caso, a força de arraste deverá ser decomposta em componentes, resultando um

escoamento bidirecional, complicando o tratamento da mecânica do escoamento da partícula. Na

literatura existem equações disponíveis para o movimento bidirecional, mas aqui consideraremos

apenas o movimento unidirecional, onde as linhas de ação de todas as forças que atuam sobre a

partícula são colineares.

Movimento unidirecional de partículas submersas num fluido

Considere uma partícula de massa m , movendo-se através de um fluido sob ação de uma força

externa FE. Sejam U a velocidade relativa, FB o empuxo sobre a partícula e FD a força de arraste. A

força resultante sobre a partícula será:

Fi^ =^ FEFBFD

Velocidade terminal - Na sedimentação gravitacional g é constante, mas o arraste sobre a

partícula aumenta sempre que a velocidade aumenta. Na equação do movimento, observa-se que a

aceleração decresce com o tempo e aproxima-se de zero. A partícula alcança rapidamente uma

velocidade constante, máxima sob as circunstâncias , denominada velocidade terminal.

A equação para a velocidade terminal, no campo gravitacional, é obtida desprezando-se, na

equação do movimento, a aceleração instantânea da partícula ( dv/dt = 0), que na prática é da ordem

de um décimo de segundo. A expressão resultante é:

( ) (2.7)

ρ ρ

ρ −ρ

P D

t A sC

g s m v

No campo centrífugo, a velocidade depende do raio e a aceleração não é constante se a

partícula estiver se movimentando em relação ao fluido. Nos vários usos práticos da força centrífuga,

entretanto, dv/dt é muito pequeno comparado com os outros dois termos da equação 2-7 e pode ser

desprezado. A velocidade terminal no campo centrífugo, a um raio qualquer dado, pode então ser

definida pela equação:

( ) (2.8)

ρ ρ

ρ −ρ = ω AC s

r s m v P D

t

Coeficiente de Arraste

O uso das equações anteriores requer que sejam estimados valores numéricos para o

coeficiente de arraste, CD. O gráfico da Figura 1 mostra a curva experimental do coeficiente de

arraste em função do número de Reynolds, R (^) e, para esferas.

Para partículas não esféricas, são obtidas curvas para cada forma diferente de partícula, em

função da esfericidade. Essas curvas, na prática, aplicam-se somente para uma orientação

especificada da partícula. Partículas não esféricas, em queda livre, têm sua orientação

constantemente alterada, consumindo energia e aumentando o arraste efetivo sobre a partícula,

fazendo com que o coeficiente de atrito, C (^) D , seja maior que no escoamento do fluido ao redor de uma

partícula estacionária. Assim, a velocidade terminal, especialmente para partículas em forma de

discos, será menor do que a estimada nas curvas obtidas para partículas com orientação fixa.

No tratamento a seguir as partículas serão consideradas esféricas, pois uma vez conhecido o

coeficiente de arraste para o movimento livre desta espécie, os mesmos princípios aplicam-se a

quaisquer formas. (Pettyjohn and Christiansen: Chem. Eng. Prog., 48 :157(1948))

Quando as partículas estão a uma distância suficiente das paredes do recipiente e de outras

partículas, de modo que seu movimento não seja afetado por elas, o processo é chamado

sedimentação livre. Se o movimento da partícula é impedido por outras partículas, o que fatalmente

ocorrerá quando as partículas estão próximas umas das outras, mesmo que não em trajetórias

colidentes, o processo é chamado sedimentação retardada (ou impedida). O coeficiente de arraste na

sedimentação retardada é maior que na sedimentação desimpedida.

Quando as partículas são de tamanho muito reduzido (2 -3 μm) aparece o efeito do movimento

Browniano , que é um movimento aleatório provocado pelo choque da partícula com moléculas do

fluido que a cerca. Esse efeito predomina sobre a força da gravidade em partículas de 0,1μm ou

menores. O movimento randômico da partícula tende a suprimir o efeito da força externa e o seu

deslocamento pode não ocorrer. A aplicação de uma força centrífuga reduz o efeito relativo ao

movimento Browniano.

1. - SEDIMENTAÇÃO LIVRE – Equação do movimento para partículas

esféricas

Se a partícula é uma esfera de diâmetro D (^) P, sua massa é obtida do produto da densidade pelo

volume, ou

Substituindo m e D (^) P na equação 2-

Na velocidade terminal, a partícula não tem aceleração, então ( dv/dt) = 0, e

O coeficiente de arraste gerado pelo movimento relativo entre o fluido e uma esfera sólida

movendo-se sob ação da gravidade será, portanto,

e A 6

2

P

3 P S

Dp D m

π ρ =

π

( ) (2.9)

S P

D t

S

S E D

C v a dt

dv

ρ

ρ − ρ

ρ −ρ

( )

P

s D t E D

C v a

2 .

ρ

ρ−ρ

( ) (2.10)

2 T

S F P D v

g D C ρ

ρ −ρ

Esta é a equação de uma reta de inclinação −2, passando pelos pontos Re = 1 e CD =

( ) 2 3 4 g ρ s −ρρ Dp 3 μ. Como a expressão não contém v t., é possível determinar-se a velocidade

terminal traçando a reta definida por estes pontos no Gráfico “C (^) D x Re”. A perpendicular ao eixo das

abscissas, traçada a partir da interseção desta reta com a curva de esfericidade apropriada, dará o

valor numérico do número de Reynolds correspondente à velocidade terminal desta partícula de

tamanho conhecido (veja a Figura 2). Conhecido o número de Reynolds, se determina então v t.

Estimativa de Dp à partir da velocidade terminal:

Por procedimento análogo se obtém uma expressão independente do tamanho da partícula, Dp.

A equação é:

( )  

ρ

ρ −ρμ = + 2 3 3

log logRe log v

g s C D

A expressão acima corresponde também a equação de uma reta, de inclinação +1, passando

pelo ponto “Re = 1” e “C (^) D = 4 g ( ρ s −ρ)μ 3 ρ^2 v^3 ”. A interseção desta reta com a curva de esfericidade

adequada dará o número de Reynolds na velocidade terminal, a partir do qual se obtém D (^) p.

1.2 – M ÉTODOS A NALÍTICOS :

2.1 – Equações aproximadas para cálculo do coeficiente de arraste de

esferas

Apesar da relação “ C (^) D x R (^) e ” na Figura 2 ser uma curva contínua, para simplificar

os cálculos, ela pode ser substituída por três linhas retas sem perda considerável na

precisão[McCabe-Smith, 1976]. Cada uma dessas linhas cobre uma faixa definida de

números de Reynolds, como mostrado pelas linhas tracejadas na Figura 2-

As equações para as linhas retas e as faixas do número de Reynolds onde cada uma se

aplica, são:

Região de Stokes: Re < 2 Re

CD =

FD = 3 πμ vtD p

( )

μ

ρ −ρ

18

E p t

a s D v

Região Intermediária:^2 <^ Re^ <^500

0 , 6 Re

CD =

( )

1 , 4 0 , 6 0 , 4 FD = 2 , 31 π vtDp μ ρ

( )

0 , 29 0 , 43

0 , 71 1 , 14 0 , 71 0 , 153

ρ μ

ρ −ρ

a D s v

E p t

Região de Newton: 500 < Re < 200.

CD = 0 , 44

= π ( ) ρ

2 FD 0 , 55 vtDp

( )

1 / 2

1 , (^75)  

ρ

ρ −ρ

ae s Dp vt

Critério para identificar o regime de escoamento (K) – Quando se deseja

estimar a velocidade terminal de uma partícula de diâmetro conhecido, e o valor

numérico de Reynolds é desconhecido (pois é função de DP e vt ), a escolha da equação

adequada só poderá ser feita por tentativas. Neste caso, para identificar em que região

ocorrerá o movimento da partícula, elimina-se o termo de velocidade na expressão do

número de Reynolds, substituindo vt pela equação correspondente ao regime laminar

resultando, para a faixa da lei de Stokes:

( ) ( ) 2

2 3

Re μ

ρ −ρρ

μ

ρ −ρ

μ

ρ

μ

ρ

p E S p p E S t

p D a D D a v

D

O movimento das gotas está bem dentro da região da lei de Stokes, então:

( )

μ

ρ −ρ

18

E p t

a s D v

Em 1 minuto, as partículas sedimentam 0,02 x 60 = 1,2 ft (0,37m ), então a altura da

câmara não deverá ser maior que este valor.

Outra maneira de eliminar a dificuldade ao se estimar o coeficiente de arraste na

equação 2.10, pelo fato deste ser função da esfericidade e do número de Reynolds, (cuja

determinação implica conhecimento de v (^) T e Dp ), é a utilização do número de Galileu:

Como se pode ver, esse grupo adimensional independe da velocidade terminal, v (^) t.

QUADRO III - Pontos de transição para Ga

REGIME N (^) Ga

Laminar

Intermediário

Newton

< 60

entre 60 e 140.

> 140.

Um outro grupo adimensional, independente do diâmetro da partícula e função da

velocidade terminal, é “CD / Re”:

v t = = ft s m s

− 32,17 4,92 10 56,

x

2 x

10 x

x x

  • 5

2

2 2

μ

ρ

D g Ga

P

( )

2

2 2 2

2

2 . 3

Re μ

ρ

ρ

ρ −ρ = =

T P

T

S D

v D

v

g Ga C

( )

3

Re 2

3 2

μ

ρ −ρ ρ

S P E D

D a C

( )

t P^ t

D P S

v D v

C D g

. 2 .

Re ρ

μ

ρ

ρ −ρ

( ) (2.12) 3

Re 3 2 U

C D S aE

ρ

μρ −ρ

QUADRO IV - Pontos de transição para CD/Re

REGIME N (^) Ga

Laminar

Intermediário

Newton

> 7,

entre 7,5 e 0,

< 0,

A equação 11 pode ser usada para o cálculo de vt , pois C (^) D Re

2 não inclui esta

variável; já a equação 12 deve ser utilizada no cálculo de D (^) p já que o adimensional C (^) D /Re

independe do diâmetro. Em ambos os casos, v t e D (^) p são obtidos a partir do número de

Reynolds (Tabelas 1 a 4; gráficos 2 e 3)

As correlações nas Tabelas I a IV aplicam-se ao movimento de partículas

isométricas isoladas em fluidos newtonianos. Embora a Tabela III inclua a partícula

esférica, nos cálculos com partículas desta forma deve-se usar a Tabela II para maior

precisão.

A Tabela IV fornece diretamente a expressão para cálculos da velocidade relativa

partícula - fluido e do diâmetro da partícula, quando prevalece o regime de Stokes (Re <

0,5) ou o de Newton ( 3 < Re < 2x 5 )

Tabela I - Partícula esférica isolada ; correlações de Coelho & Massarani (1996) com

base nos dados de Lapple & Shepherd (1940) e Pettyjohn & Christiansen (1948).

Re < 5x

4

Descrição n Valor médio e desvio padrão n n

n C D  

Re

( )

( )

Re

Re exp = ± cor

n C D n CD n

Re

Re Re

( )

( )

Re

Re exp = ± cor

n n

C

n

C D D

Re

Re

Re (^) 

( )

( )

exp = ± C cor

C

D

D

onde

( ) ( )

2 3

D

2

3

3

Re

C

Re , Re U

aD a C

DU

F

F S F E P S F E D

P F

ρ

ρ −ρ μ

μ

ρ ρ −ρ

μ

ρ

Influência da presença de fronteiras rígidas

Tabela 4 - Efeito de parede na fluidodinâmica da partícula isométrica em fluido

newtoniano (Almeida, 1995): 0,65 < φ < 1 e 0 < DP /DT ≤ 0,

μ

ρ ∞ =

Dpv ∞ Re (^) t

T P P D

D

v

v k = β= ∞

e

(Francis, 1933)

− β

−β kP =

3

= = − β

β −

8 , 91 , 1 , 17 10 0 , 281

1 Re

2 , 79 3 A e B x

A

k B P

3

(Francis, 1933)

32 kP = 1 −β

( )

 = − φ 

 φ

ρ

ρ −ρ < = μ

ρ = = −

β

0 , 843 log

,n 0,85 Re 35 , ( )

24 exp( 3 , 54 ) Re

(^1102)

(^12) (^12)

K K

v

gD C

Dv

K C K t

S P D

Pt n n n D

2. – SEDIMENTAÇÃO OBSTADA : P ARTÍCULA ESFÉRICA E EFEITO DE POPULAÇÃO

Quando um fluido contém muitas partículas em suspensão, ocorre uma

interferência mútua no movimento destas, e a velocidade de sedimentação é muito

menor do que a prevista pelas equações deduzidas sob a hipótese de movimento livre

das partículas. A partícula sedimenta, neste caso, através de um lodo ou suspensão de

outras partículas no fluido, ao invés do fluido puro.

Um aumento na concentração da suspensão acarreta uma substancial redução na

velocidade terminal do conjunto de partículas, fato importante no estudo da separação

sólido-fluido. Uma correlação clássica, de Richardson e Zaki (1954), é válida para

porosidades inferiores a 75%:

n v t = vt ∞ε

onde v (^) t∞ é a velocidade terminal da partícula à diluição infinita, isto é, escoando

livremente sem interferência de outras partículas ou das vizinhanças, e o expoente n é

um parâmetro que depende do número de Reynolds

Re∞ n

0,2 − 1 4,4 Re∞

-0,

1-500 (^) 4,4 Re∞ -0,

Para sistemas de baixa porosidade a velocidade terminal pode ser calculada com

auxílio do Gráfico mostrado na figura abaixo (Massarani, 1979, p.57):

Embora se possa considerar a velocidade de deposição constante para todas as

partículas, será diferente de acordo com a concentração da suspensão. Para definir a

velocidade da suspensão pode-se recorrer à sua porosidade, ε, introduzindo-a na fórmula

de Stokes para regime laminar. A equação resultante é:

( ) (13) 18

2

SUSP

S SUSP P sus

g D v μ

ρ −ρ =ε

sendo ρsus e μsus a massa específica e a viscosidade da suspensão. O valor de ρsus é

calculado pela média ponderada de ρp (partícula) e ρ (líquido), ou seja,

Quadro 1 – Campos de força para separação de partículas sólidas

Dimensão ( μ m) Designação Campos de força

0,1 Fumos Elétrico

0,1 a 0,4 Fumos

Elétrico

Filtros de pano

Lavadores de poeira

1 a 10 Poeiras

Elétrico

Filtros de pano

Lavadores de poeira

10 a 100 Poeiras

Centrífugo

Filtros de pano

Filtros recobertos

viscosos

100 a 1000 Poeiras Centrífugo

Gravidade

> 1000 Poeiras Gravidade

PARTE DOIS

Separação sólido-fluido em Sistemas Diluídos

2.I - Campo Gravitacional

2.I.1 E LUTRIAÇÃO - É a operação de separação (ou classificação por tamanhos) de

partículas, obtida mediante uma corrente ascendente de líquido em contracorrente com

os sólidos. Quando o objetivo é a classificação por tamanhos de partículas de um único

material homogêneo, a separação é obtida com base apenas na diferença de velocidades

terminais das diversas partículas: aquelas que tiverem uma velocidade de queda menor

que a velocidade de ascensão do líquido serão arrastadas por este, enquanto que as de

maior velocidade sedimentarão e serão coletadas no fundo do vaso.

Quando se trata de uma mistura de dois materiais diferentes , a separação é

conseguida em função do tamanho das partículas e da diferença de densidades entre

estas. Assim, as partículas mais densas sedimentarão com maior velocidade, devendo a

velocidade de ascensão do líquido ser ajustada num valor entre a velocidade terminal da

menor partícula do material mais denso, e a maior partícula do material menos denso.

Quando isto é possível, a sedimentação é completa.

g D

C

g D

C

s (^) A

D (^) A

s B

D (^) B

ρ ρ

ρ

ρ ρ

ρ

− D

D

C

C

A

B

B

A

D A

D B

ρ ρ

ρ ρ

lifica nd

Sejam dois materiais A e B , sendo A mais denso que B. Se a faixa de tamanhos for

grande, é possível que a velocidade terminal das maiores partículas de B sejam

superiores às das menores partículas de A. Ocorrendo isto, evidentemente a separação não

será completa. O intervalo de separação possível ( razão de separação ) pode ser determinado

à partir da relação entre as dimensões das partículas de A e B que têm mesma velocidade

terminal. Então, igualando as velocidades terminais de A e B,

D

D

D v

D v

A

B

B

A

B B

A A

ρ ρ

ρ ρ

μ ρ

μ ρ

Ocorrem dois casos extremos: a) No regime laminar, (para baixos valores do número de

Reynolds), C (^) D = 24/ Re. Substituindo e simplificando a expressão resultante, temos:

b) No caso de partículas de mesma esfericidade sedimentando a altos números de

Reynolds (alta vazão ou grandes dimensões), o coeficiente de arraste é

aproximadamente constante e igual a 0,44. Desse modo, teremos:

D

D

A

B

B

A

ρ ρ

ρ ρ

Conclusão: a separação de dois materiais diferentes será possível se a razão de

separação for maior do que:

D

D

A

B

B

A

ρ ρ

ρ ρ

n

sendo n = 0,5 no regime laminar

0,5 < n < 1,0 no regime de transição

n = 1,0 no regime turbulento

EXEMPLO: Uma mistura de galena (densidade 7.500 kg/m

3 ) e sílica (densidade 2.650 kg/m

3 ),

deve ser separada por Elutriação. A mistura tem dimensões entre 0,7 e 0,8mm.

Admitindo que a esfericidade de ambos os materiais é a mesma e igual a 0,806,

determine:

a) Qual a velocidade da água para se ter como produto a galena pura (admitir

sedimentação livre a 20ºC. viscosidade = 0,001 N.s/m

2 ).

b) Qual o intervalo de dimensões da galena obtida como produto? (Foust,

exemplo 22.2 p.543 )

ρ

ρ ρ

Não há movimento de fluido na direção perpendicular ao escoamento, então, uy = 0. Por

definição, o módulo da diferença de velocidades é:

Como uy = 0 e ux = v (^) x , resulta

Substituindo esses valores na equação do movimento, chega-se a

Se fizermos, na expressão acima, o volume e a área iguais aos de uma esfera,

obteremos a expressão geral para a velocidade terminal como na Lei de Newton.

Diâmetro da menor partícula que pode ser coletada na câmara:

O diâmetro crítico de separação pode ser obtido se analisarmos a condição de a

menor partícula, lançada na condição mais desfavorável, ser coletada. Admite-se que

esta partícula sedimente Admite-se que esta partícula sedimente na extremidade oposta

da câmara, ou seja, em l = L. O tempo necessário para que a partícula de diâmetro

crítico percorra na direção x a distância L é:

u

L

t =

onde u é a velocidade média do fluido entre as placas, relativa à vazão Q. ( HB

Q

u = ).

O tempo necessário para que a partícula de diâmetro crítico percorra na direção y a

distância H, é:

v t

H

t =

= Vg + − −

A

P ρ P^ ρ F^ y^ ρ F u^ v CD^ u^ y^ vy

uv = u xv x + u yvy

(^2 )

uv = − v y = v y = vt 2

v v

V g

A C

y t

p p

p D

2 ρ −ρ

ρ

Para a partícula ser coletada, estes tempos devem ser iguais. Igualando-se as

expressões, obtemos a equação para o cálculo da velocidade terminal da partícula de

diâmetro crítico:

L

Hu vt =

Como nos interessa o diâmetro dessa partícula, podemos estimá-lo através do grupo

C (^) D / Re ou com auxílio do gráfico CD x Re. A velocidade pode também ser dada em

função da vazão, como:

A proj

Q

BL

Q

vt = =

O diâmetro crítico está relacionado às condições de operação (vazão da suspensão) e

às dimensões do equipamento. Partículas maiores que aquelas de diâmetro crítico são

também coletadas com eficiência de 100%; as menores, com eficiência inferior. No

escoamento lento de partículas esféricas, teremos:

EXEMPLO: Uma suspensão diluída de cal em água, contém areia como produto indesejável.

Determinar a capacidade da unidade abaixo esquematizada para a separação completa da

areia (m

3 suspensão /h). Não há efeito de população pois a suspensão é bem diluída. Determine

também a percentagem de cal perdida na separação.

D ADOS: Faixa granulométrica da areia = 70 < Da < 250 μm

Para a cal: esfericidade = 0,80; densidade = 2,2 g/cm 3

Para a areia: esfericidade = 0,7; densidade = 2,6 g/cm 3

Temperatura de operação = 30ºC

Análise granulométrica das partículas de cal

Dp(μm) 20 30 40 50 60 70 80 100

% < Dp 15 28 48 54 64 72 78 88

(G.Massarani, Problemas em Sistemas Particulados IV, Publicação Didática-PDD 03/82, COPPE/UFRJ, p.17,

D

Hu

gL

HQ

S S gV

18 μ 18

ρ ρ

μ

ρ ρ

sendo V = HBL