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Comunicado Técnico, Notas de estudo de Engenharia Agronômica

Indução da Maturação de Banana e Plátano com Etefon

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 29/11/2009

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Cruz das Almas-BA
Agosto, 2004
Comunicado
Técnico
Indução da Maturação de
Banana e Plátano com
Etefon
Valdique Martins Medina1
1Engo Agro , M.Sc., Pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Caixa Postal 007, 44380-000, Cruz das Almas-BA. [email protected].
Introdução
Tradicionalmente, a indução da maturação (climatização) de
bananas e plátano é feita utilizando-se carbureto de cálcio,
o qual libera o acetileno, quando umedecido. A técnica
consiste em empilhar as pencas, colocar o carbureto
umedecido em volta das mesmas, cobrindo-as com lona
plástica. O inconveniente desta técnica reside no fato de
que o empilhamento causa danos na casca dos frutos pelo
atrito entre as pencas, durante o manuseio. Os danos
causados pelo atrito aparecem no fruto maduro na forma
de listas ou manchas pretas, o que deprecia a qualidade do
produto para comercialização.
Nos seguimentos da cadeia produtiva de banana com alto
nível tecnológico, principalmente naqueles voltados para a
exportação, utiliza-se o gás etileno diluído com nitrogênio,
contido em cilindros. O uso do etileno na forma gasosa
requer câmaras de maturação herméticas e pessoal
qualificado para a correta manutenção da concentração do
gás, inviabilizando o acesso à técnica por pequenos
produtores, notoriamente os familiares.
Uma alternativa para o carbureto de cálcio e o gás etileno é
o uso de etefon (ácido 2-cloroetilfosfônico), princípio ativo
dos produtos comerciais Ethrel e Arvest, os quais liberam
o etileno na casca dos frutos. Estes produtos são de baixa
toxidez, faixa azul na concentração industrial. Na
climatização são usados em baixíssimas concentrações,
inferiores a 1%, não oferecendo riscos durante o manuseio
e eventuais resíduos que possam permanecer na polpa da
banana, não causam intoxicação após a ingestão.
Procedimentos para a Indução da
Maturação com Etefon
Ponto de Colheita
O método tradicional para avaliar a maturidade de banana
e plátano é visual, uma vez que o diâmetro e a
angulosidade do fruto, indicam o grau de
desenvolvimento do mesmo. Nos estádios incipientes de
maturidade os dedos apresentam-se com arestas bem
definidas; à medida em que se aproximam da maturidade
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Cruz das Almas-BA Agosto, 2004

Comunicado

Técnico

Indução da Maturação de

Banana e Plátano com

Etefon

Valdique Martins Medina 1

(^1) Engo (^) Agro (^) , M.Sc., Pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura , Caixa Postal 007, 44380-000, Cruz das Almas-BA. [email protected].

Introdução

Tradicionalmente, a indução da maturação (climatização) de bananas e plátano é feita utilizando-se carbureto de cálcio, o qual libera o acetileno, quando umedecido. A técnica consiste em empilhar as pencas, colocar o carbureto umedecido em volta das mesmas, cobrindo-as com lona plástica. O inconveniente desta técnica reside no fato de que o empilhamento causa danos na casca dos frutos pelo atrito entre as pencas, durante o manuseio. Os danos causados pelo atrito aparecem no fruto maduro na forma de listas ou manchas pretas, o que deprecia a qualidade do produto para comercialização.

Nos seguimentos da cadeia produtiva de banana com alto nível tecnológico, principalmente naqueles voltados para a exportação, utiliza-se o gás etileno diluído com nitrogênio, contido em cilindros. O uso do etileno na forma gasosa requer câmaras de maturação herméticas e pessoal qualificado para a correta manutenção da concentração do gás, inviabilizando o acesso à técnica por pequenos produtores, notoriamente os familiares.

Uma alternativa para o carbureto de cálcio e o gás etileno é o uso de etefon (ácido 2-cloroetilfosfônico), princípio ativo dos produtos comerciais Ethrel e Arvest, os quais liberam o etileno na casca dos frutos. Estes produtos são de baixa toxidez, faixa azul na concentração industrial. Na climatização são usados em baixíssimas concentrações, inferiores a 1%, não oferecendo riscos durante o manuseio e eventuais resíduos que possam permanecer na polpa da banana, não causam intoxicação após a ingestão.

Procedimentos para a Indução da Maturação com Etefon

Ponto de Colheita O método tradicional para avaliar a maturidade de banana e plátano é visual, uma vez que o diâmetro e a angulosidade do fruto, indicam o grau de desenvolvimento do mesmo. Nos estádios incipientes de maturidade os dedos apresentam-se com arestas bem definidas; à medida em que se aproximam da maturidade

fisiológica, os dedos tornam-se menos angulosos e mais arredondados. Este método é adequado quando se mantém um rígido controle da idade do cacho, a qual para a colheita situa-se entre 105 a 120 dias após a emissão do mesmo, e aplica-se apenas às cultivares cujos frutos perdem as quinas quando atingem a maturidade. Um método simples de se comprovar a maturidade fisiológica dos frutos é cortar longitudinalmente um dedo da primeira penca. Se a polpa estiver com coloração rosada (Fig. 1), o cacho pode ser colhido com a garantia de que os frutos amadurecerão após a colheita. Este ponto de colheita propicia um maior tempo para a comercialização, sobretudo se for usada a técnica de frigoconservação. No entanto, em algumas situações, principalmente no caso de agricultores familiares que comercializam o produto diretamente em feiras livres, há a necessidade de antecipar-se e uniformizar a maturação, pois os seus clientes desejam bananas já maduras e, consequentemente, prontas para o consumo in natura ou processamento doméstico (cozimento e fritura ou outros produtos derivados da banana).

o látex (“leite” que escorre sobre as bananas após a remoção das pencas), o qual causa lesões na casca que se manifestam na forma de manchas escuras no fruto maduro. A lavagem com detergente, também reduz a ocorrência de doenças. Durante a lavagem, aproveita-se para remover os restos florais da extremidade dos frutos. A solução de etefon permanece ativa por mais de 200 dias, podendo ser reutilizada neste período. Este aspecto permite o acesso à tecnologia pelos agricultores familiares, pois o retorno do investimento na compra do etefon é de curto prazo.

Tratamento de Indução da Maturação O tratamento consiste em submergir as pencas ou buquês, contidos ou não em caixas de madeira, na solução de etefon por cinco minutos (Fig. 2). Quando se usam caixas de papelão, o acondicionamento das bananas é efetuado após a submersão na solução e evaporação da mesma, para evitar perda de resistência das caixas ao empilhamento. Para facilitar a operação, o tratamento é efetuado no próprio galpão de maturação, quando não se utiliza câmaras frigoríficas com controle de temperatura e umidade do ar. Pode-se utilizar tanques de fibra de vidro, de plástico, de alvenaria ou mesmo toneis, cujas capacidades e quantidades dependerão do volume de bananas a ser tratado diariamente. O recipiente não deve ser cheio até a borda, pois ao colocar-se as bananas, ocorre transbordamento da solução. Como regra geral, enche-se o recipiente até 2/3 da sua capacidade (700 litros de solução para tanques de 1.000 litros e 140 litros para toneis de 200 litros). Recomenda-se não utilizar tanques de cimento amianto, pois está comprovado cientificamente que o amianto causa danos à saúde, dentre os quais, o câncer. As pencas ou buquês da camada superior tendem a flutuar. Assim, para assegurar a uniformidade do tratamento, deve-se utilizar tampa com a superfície inferior revestida com espuma sintética para manter todas as pencas ou buquês totalmente submersos na solução. Para o tanque de alvenaria, utiliza-se uma tampa de madeira com dobradiças e, para o tanque de fibra ou plástico e o tonel, usam-se as próprias tampas. A solução destinada à reutilização deve ser armazenada no próprio recipiente de tratamento, mantendo-o tampado para evitar

Fig. 1. Frutos de plátano (‘Terra’) recém-colhidos, mostrando a maturidade fisiológica caracterizada pela cor rosada da polpa.

Foto: Valdique Martins Medina

Preparo da Solução de Etefon No preparo da solução deve-se usar água fria, limpa e sem salinidade. Para o produto comercial contendo 240 g de etefon/litro usa-se, para 100 litros de água, 208 mL (concentração de 500 mg -1^ L), 416 mL (concentração de 1.000 mg -1^ L) e 832 mL (concentração 2.000 mg -1^ L). Após o despencamento recomenda-se a prévia lavagem das pencas com solução de detergente doméstico a 1% (1 litro para 100 litros de água). Esta prática dispensa espalhante adesivo na solução de etefon, além de remover

Exemplares desta edição podem ser adquiridos na: Embrapa Mandioca e Fruticultura Endereço : Rua Embrapa, s/n, Caixa Postal 07, CEP 44380-000, Cruz das Almas - Bahia Fone : (75) 621- Fax : (75) 621- E-mail : [email protected] 1 a^ edição 1 a^ impressão (2004): tiragem 500 exemplares

Presidente: Jorge Luiz Loyola Dantas. Vice-Presidente: Antonio Souza do Nascimento. Secretária: Cristina Maria Barbosa Cavalcante B. Lima Membros: Adilson Kenji Kobayashi, Antonia Fonseca de Jesus Magalhães, Antonio Alberto Rocha Oliveira, Carlos Alberto da Silva Ledo, Davi Theodoro Junghans, Maria das Graças Carneiro de Sena. Supervisor editorial: Jorge Luiz Loyola Dantas. Revisão de texto: Comitê de Publicações Local. Tratamento das ilustrações: Maria da Conceição Borba. Editoração eletrônica: Maria da Conceição Borba.

Comitê de publicações

Expediente

Comunicado Técnico, 104

Pecuária e Abastecimento^ Ministério da Agricultura,

Instalações para a Climatização com Etefon Podem ser usadas câmaras frigoríficas com controle de temperatura e umidade. Entretanto, esta facilidade não está ao alcance de agricultores familiares, devido ao seu alto custo aquisitivo e operacional. Assim, recomenda-se o uso de galpões já existentes na propriedade ou a sua construção conforme ilustrado na Fig. 4. As dimensões dependerão da quantidade de banana a ser climatizada. O galpão deve ficar em local sombreado, sob árvores ou bananeiras de grande porte, tais como, ‘Prata Anã’, ‘Pacovan’ ou a própria ‘Terra’, espaçadas por 1,50 m, para evitar-se altas temperaturas que depreciam a qualidade da banana madura. Além da temperatura elevada, a baixa umidade do ar também deprecia a qualidade da banana. Por este motivo, recomenda-se a construção de valas impermeabilizadas (Fig. 4) ou calhas de PVC para a colocação de água, a qual ao evaporar-se, aumenta a umidade no galpão.

Recomendações Finais

Visando manter a sanidade das bananas climatizadas, é importante manter o galpão sempre limpo e sem resíduos de frutos. Para preservar a qualidade da solução de etefon armazenada, as bananas devem ser lavadas e ter os restos florais removidos antes do tratamento. Pode ocorrer que após algum tempo de uso, antes de ultrapassar 200 dias, a solução apresente-se com odor desagradável devido ao apodrecimento de restos florais que podem permanecer na solução. Caso isto ocorra, recomenda-se descartar a solução e substituí-la por uma nova, após lavagem do tanque ou tonel com detergente e/ ou hipoclorito de sódio (água sanitária).

Referências Bibliográficas

MEDINA, V.M.; SILVA, S. de O. e; SOUZA, J. da S. Como climatizar bananas. Cruz das Almas, BA: Embrapa Mandioca e Fruticultura. 2000. 20p. (Embrapa Mandioca e Fruticultura, Circular Técnica, 25). MEDINA, V. M. Frigoconservação e climatização pós- colheita. In: ALVES, E. J. (Ed.). Cultivo de bananeira tipo Terra. Cruz das Almas: Embrapa Mandioca e Fruticultura,

  1. p.131-137. MEDLICOTT, A. Manejo postcosecha de plátano para exportación. In: SALINAS, D.G.C.; GIRALDO, G.A.G.; PULGARIN, M.I.A (Eds.). CORPOICA, Universidad del Quindío, ASIPLAT, Comité Departamental de Cafeteros del Quindío, COLCIENCIA. Fudesco, Armenia, Colombia. Postcosecha y agroindustria del plátano en el eje cafetero Fig. 4. galpão de maturação (B). Câmaras frigoríficas (A) e detalhes construtivos e localização do de Colombia. 2000. P. 187-198.

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Foto e Ilustração: Valdique Martins Medina

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