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Controle da Raiva, Notas de estudo de Biomedicina

Manual Técnico do Instituto Pasteur, Programa de Controle da Raiva, contendo algumas zoonoses como leptospirose, leishmaniose, toxoplasmose, larva migrans.

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 11/11/2010

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Manual Técnico do
Instituto Pasteur
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Educação e promoção da saúde no
Programa de Controle da Raiva
Instituto Pasteur - São Paulo, SP
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Manual Técnico do

Instituto Pasteur

Educação e promoção da saúde no

Programa de Controle da Raiva

Instituto Pasteur - São Paulo, SP

Governador do Estado de São Paulo

Mário Covas

Secretário de Estado da Saúde

José da Silva Guedes

Coordenador dos Institutos de Pesquisa

José da Rocha Carvalheiro

Diretora do Instituto Pasteur

Neide Yumie Takaoka

Distribuição e informação:

Instituto Pasteur Av. Paulista, 393 CEP 01311-000 São Paulo, SP, Brasil

É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.

Tiragem: 5000 exemplares Impresso no Brasil

Revisão de texto e normalização: Maria Mércia Barradas Digitação: Maria das Graças Silva Editoração eletrônica: Suzete J. da Silva Capa: José Henrique Fontelles

Ficha catalográfica

Reichmann, Maria de Lourdes Aguiar Bonadia

Educação e promoção da saúde no Programa de Controle da Raiva , por Maria de Lourdes Aguiar Bonadia Reichmann, Haroldo de Barros Ferreira Pinto, Maria Bernardete Arantes, Miguel Bernardino dos Santos, Osleny Viaro e Vania de Fátima Plaza Nunes. São Paulo, Instituto Pasteur, 2000 (Manuais, 5) 30p. il.

  1. Educação e promoção da saúde. 2. Programa de controle da raiva. I. Instituto Pasteur, São Paulo, SP. II. Título.

Apresentação

A Educação e Promoção da Saúde é uma das principais atividades em Saúde Pública e tem sido objeto do Programa de Controle da Raiva, desde seus primórdios.

No Estado de São Paulo, existe a Coordenação do Programa de Controle da Raiva desde meados da década de 70, que recomenda uma série de medidas para o controle da doença, destacando-se entre elas a “Educação Sanitária”, deno- minação utilizada à época. Muito se evoluiu no controle da raiva, assim como as atividades nessa área foram se aprimorando, tanto sob o ponto de vista conceitual/ cognitivo, quanto de suas práticas. Isto pode ser notado até na forma em que é referida, haja vista que na década de 80 era “Educação em Saúde” e, atualmente, chamada de “Educação e Promoção da Saúde”.

A raiva por ser uma zoonose, doença transmitida aos seres humanos pelos animais, requer para seu o efetivo controle, ações direcionadas aos diversos grupamentos de mamíferos que compõem os ciclos de sua cadeia epidemiológica.

A relação homem/animal é muito importante, mas não devem ser relegados a segundo plano os cuidados que os animais merecem, e as posturas que os homens devem adotar para um convívio saudável com os mesmos.

Portanto, as atividades de Educação e Promoção da Saúde, voltadas ao controle dos animais, principalmente os que integram o ciclo urbano de transmissão da raiva, denominados domésticos urbanos ou de estimação (cão e gato), devem ser destacadas.

É importante lembrar que esse campo constitui-se em elo integrador, pois permeia as atividades entre diferentes profissionais, ramos de atuação e junto à população. As atividades voltadas para essa área não são prerrogativas apenas daqueles que se caracterizam como educadores “latu sensu”, mas dos que atuam como profissionais de Saúde Pública, assim como de todos que desempenham seu papel na sociedade moderna, enquanto cidadãos.

Este Manual Técnico do Instituto Pasteur, número 5 – Educação e Promoção da Saúde no Programa de Controle da Raiva – procura fornecer subsídios, com ênfase aos aspectos relativos aos animais de estimação, por terem uma maior convivência com os homens.

São Paulo, agosto de 2000

Neide Yumie Takaoka Diretora Geral do Instituto Pasteur

Educação e promoção da saúde no

Programa de Controle da Raiva

SUMÁRIO

Apresentação

  • Introdução Agradecimentos
  • Objetivo do trabalho
  • Objetivos específicos
  • Considerações gerais
    • Zoonoses
    • Zoonoses mais freqüentes entre os animais domésticos
    • Leptospirose
    • Leishmaniose
    • Toxoplasmose
    • Complexo Larva migrans cutânea ou bicho geográfico/ancilostomíase
    • Complexo Larva migrans visceral/toxocariose
    • Outras zoonoses
    • Raiva e sua importância no contexto social
    • Morcegos: seu papel na natureza e no ciclo epidemiológico da raiva
    • de estimação Animais silvestres e as contra-indicações para a manutenção como animais
    • Animais silvestres não são animais de estimação
  • Posse responsável .................................................................................
    • Considerações sobre a opção de ter um animal de estimação
      • Concordância de todos os familiares
      • A espécie
      • O território
      • Adulto ou filhote
      • Finalidade de uso
      • Sexo
      • Raça
      • Pelagem
    • Mobilidade animal
      • Cães com dono, supervisionados ou controlados
      • Cães de família
      • Cães comunitários ou de vizinhança
      • Cães errantes, selvagens ou feras
      • Controle de danos ambientais
    • Controle reprodutivo de cães e gatos
      • O cio em cadelas e gatas
      • Duração do período reprodutivo
      • Indicações de controle reprodutivo
      • Indicações conforme as espécies animais
      • Indicações para machos
      • Idade ideal para a esterilização de animais
      • Métodos disponíveis
        • Domiciliação
        • Químicos
        • Cirúrgicos
    • Controle da saúde e do bem-estar animal
    • Principais doenças infecto-contagiosas de cães e gatos
      • Cinomose
      • Hepatite canina
      • Leptospirose
      • Parvovirose
      • Rinotraqueíte dos gatos
      • Panleucopenia felina
      • Calicivirose dos gatos
  • Bibliografia consultada
  • Glossário

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OBJETIVO DO TRABALHO

As orientações deste Manual Técnico têm por objetivo fornecer e facilitar a aplicação de conteúdos que envolvem a posse responsável de animais de estimação, preservando o ser humano de doenças, através da instalação de posturas adequadas no manuseio, na convivência e no controle desse grupo de animais.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Capacitar todo profissional que atue na área da Educação e da Promoção da Saúde para abordar e discutir os tópicos de posse responsável de animais, por meio da difusão de informações sobre os direitos e os deveres de cada cidadão e de toda a comunidade.
  • Incentivar o desenvolvimento de posturas adequadas no convívio com animais de estimação, para a melhoria da qualidade de vida.
  • Possibilitar o desenvolvimento de atividades que incentivem a adoção de medidas de preservação da saúde humana, em decorrência da preser- vação da saúde de animais, por cuidados como alimentação, higiene, administração de vacinas, combate a parasitas e outras medidas preventi- vas e curativas.
  • Estabelecer mecanismos de intercomunicação entre os serviços e os profissionais das áreas da Saúde e da Educação para a divulgação de informações e obtenção de orientações precisas e adequadas.
  • Desenvolver mecanismos para o envolvimento da comunidade, de organizações não governamentais e particulares com o objetivo de implementar ou intensificar os métodos de educação e de prevenção de agravos que envolvam pessoas e animais.
  • Implantar métodos de auto-vigilância em comunidades para evitar o ingresso de animais estranhos, sem controle ou de animais exóticos que possam introduzir ou agravar doenças.
  • Auxiliar na promoção do convívio harmônico entre o homem, os animais e o meio ambiente.

CONSIDERAÇÕES GERAIS

ZOONOSES

Zoonoses são doenças naturalmente transmissíveis entre os animais e os seres humanos. A maioria das zoonoses estão relacionadas com posturas e/ou intervenções inadequadas no meio ambiente e passam a incidir na população humana, nas populações animais e, em especial, nos animais domésticos que com ela convivem.

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Ex.: dengue, febre amarela, doença de Chagas, malária, esquistossomose, leishmaniose e raiva.

ZOONOSES MAIS FREQÜENTES ENTRE OS ANIMAIS DOMÉSTICOS

Até a época atual, foram identificadas algumas centenas de zoonoses em que estão envolvidos animais de estimação. A espécie canina é referida em diversas zoonoses. Para maior clareza, segue-se uma descrição sucinta de algumas delas.

LEPTOSPIROSE

A leptospirose é uma doença transmitida por várias espécies animais: roedores, caninos, suínos, bovinos e outras. Ela é causada por uma bactéria do gênero Leptospira que se concentra em ambientes escuros e úmidos. Pode ser detectada em locais de criação de animais, como estábulos, cocheiras, canis e pocilgas e em tubulações de esgoto doméstico ou de outras instalações para animais. Em locais onde ocorrem inundações, como por ocasião de chuvas, é mais notada devido ao aumento de incidência de casos. A leptospira é eliminada pela urina de animais infectados, contaminando o ambiente e todo o material a que eles tiverem acesso. Mesmo após as enchentes, com a vazão das águas, persiste o sedimento formado por lama e outros resíduos contaminados pela bactéria, que favorece a sua permanência no ambiente, por longos períodos de tempo. Pessoas e animais se infectam em decorrência de atividades ou circunstâncias, como: entrar em contato com as águas poluídas pela urina dos roedores ou pela urina de outros animais infectados, nadar ou procurar drenar as águas de enchentes, manter contato prolongado com os resíduos espalhados nos ambientes, sem o uso de equipamentos ou vestimentas de proteção, por exemplo, botas, luvas ou outro material protetor e sem promover a desinfeção da pele e dos locais comprometidos. É por esta razão que o ambiente deve ser mantido limpo, o lixo embalado e destinado apropriadamente. As medidas de prevenção da instalação e da per- manência de roedores num ambiente devem ser desenvolvidas, sendo denomina- das medidas de anti-ratização. Da mesma forma, o ambiente de manutenção de outras espécies precisa ser controlado por medidas de higiene e de desinfecção. O controle da leptospirose se faz através de cuidados na manutenção da limpeza do ambiente, remoção de restos alimentares humanos e de animais, cuidados na higiene pessoal, uso de vestimentas apropriadas para o trabalho em áreas de enchentes ou em tubulações de esgoto e no controle de roedores peridomiciliares. Caso ocorram contatos diretos com águas de enchente, esgoto ou outros materiais onde haja indícios da presença de roedores, deve-se procurar orientação médica para as condutas de prevenção da doença. É importante lembrar que inexistem vacinas indicadas para uso humano.

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câncer, que estejam recebendo quimio ou radioterapia, e os transplantados, que apresentam quadros de maior gravidade pela dificuldade ou incapacidade de seus organismos reagirem contra o agente da doença. É comum a infecção de crianças que ingerem os ovos de Toxoplasma , eliminados com as fezes de animais em tanques de areia de parques e de escolas ou em outros locais de terreno arenoso. Os locais de uso para o lazer infantil devem ser fechados, impedindo o acesso de animais, e a areia, periodicamente, aspergida com desinfetantes e/ou trocada. As medidas de prevenção da toxoplasmose são a higiene pessoal, a higiene ambiental, o uso de vestimentas protetoras em atividades de jardinagem ou de cultivo de plantas, e a orientação e o tratamento específico por médico veterinário de gatos e de outros animais doentes ou portadores.

COMPLEXO LARVA MIGRANS CUTÂNEA
OU BICHO GEOGRÁFICO/ANCILOSTOMÍASE

A ancilostomíase é uma doença intestinal, endoparasitária de cães e gatos. O Ancylostoma nos cães e gatos tem um ciclo com uma fase gastro-entérica, tendo seus ovos eliminados com as fezes. Quando a eliminação ocorre em solos arenosos e em condições de umidade e temperatura favoráveis, o parasita evolui para uma fase larvar. O ser humano envolve-se no ciclo do parasita ao expor sua pele ao contato direto com terrenos arenosos, como praias e tanques de areia, onde os animais eliminam suas fezes contendo ovos. As larvas permanecem viáveis nos terrenos arenosos e podem penetrar nas camadas superficiais da pele de pessoas, percorrendo o tecido sub-cutâneo, em busca de vasos sanguíneos para completarem seu ciclo evolutivo. Como o ser humano não é o hospedeiro definitivo do parasita, ele permanece migrando sob a pele, onde delineia sulcos, conhecidos como mapas, daí o nome bicho geográfico. O controle da doença se faz pela administração de vermífugos a cães ou gatos, pelo impedimento que circulem em praias e demais locais de lazer, com terrenos arenosos, por cuidados pessoais no uso de áreas públicas e pela limpeza diária e troca periódica da areia de tanques utilizados para o lazer de crianças.

COMPLEXO LARVA MIGRANS VISCERAL/TOXOCARIOSE

O complexo larva migrans/ toxocariose é originado por uma parasitose intestinal de cães e de gatos, causada por um verme do gênero Toxocara , e atinge o ser humano, principalmente crianças, devido à eliminação de fezes de animais jovens em locais de terra, como parques, jardins, hortas comunitárias e outros terrenos. A ingestão dos ovos do parasita ocorre por inadequada higiene das mãos ou dos brinquedos utilizados. Dos ovos são liberadas larvas no intestino que passam para a corrente sangüínea e circulam pelos vários tecidos. Como o ser humano não é o hospedeiro

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adequado para o parasita, as larvas não completam o ciclo evolutivo, podendo se alojar em diversos tecidos e órgãos, em especial no fígado, no globo ocular ou no cérebro humano causando lesões de muita gravidade. O controle da toxocariose se dá pela administração de vermífugos aos cães e aos gatos, sobretudo os jovens de até seis meses de idade, com a periodicidade indicada por médico veterinário. Também, a higiene ambiental faz parte do processo de controle, devendo-se evitar a permanência de cães e de gatos em locais de lazer ou de atividades infantis e recolher rapidamente as fezes eliminadas em locais públicos ou de permanência de pessoas. A higiene pessoal é um importante fator que contribui para o controle.

OUTRAS ZOONOSES

Existem diversas enfermidades, em especial as dermatites, que podem acometer o ser humano, às vezes até sem sintomas clínicos aparentes nos animais. Elas ocorrem quando o contato com os animais é muito estreito. Entre elas, podem ser citadas enfermidades parasitárias, como alguns tipos de sarna e processos bacterianos e micoses.

RAIVA E SUA IMPORTÂNCIA NO CONTEXTO SOCIAL

A raiva é uma zoonose de graves repercussões numa comunidade, pois é uma doença que afeta todos os mamíferos e sua evolução determina sempre a morte do doente. Trata-se de uma doença infecto-contagiosa, causada pelo vírus rábico, caracterizada por sintomas de comprometimento do sistema nervoso central (SNC), sob a forma de uma encefalite. É uma doença de animais e os seres humanos não deveriam apresentá-la, se os métodos de controle fossem implementados e dirigidos às espécies animais. Existem países em que a raiva foi erradicada. Em geral, são países insulares onde a reintrodução de animais raivosos é bloqueada por ações de vigilância e de quarentena. É o caso do Japão, das ilhas da Oceania, da Inglaterra e de algumas ilhas do Pacífico. Outros países atingiram a situação de controle da raiva, mantendo, indefinidamente, sistemas eficientes de vigilância. Nesta condição, encontram-se a França, a Alemanha, a Espanha, o Canadá, os Estados Unidos da América, dentre outros. Os países sul-americanos, com exceção do Uruguai, a África, países da Ásia e outros encontram-se em condições endêmicas ou epidêmicas de raiva. O Brasil apresenta intensa incidência de raiva nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e em alguns Estados da Região Sudeste. A Região Sul é considerada área controlada para raiva. No Brasil, o principal animal transmissor da raiva à espécie humana e a outros animais continua sendo o cão, responsável por cerca de 85% dos casos. Em segundo lugar, encontram-se os morcegos (quirópteros). A seguir, situam-se os

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b) controle da mobilidade dos animais de estimação pelo uso de coleiras e guias ao saírem a passeio e pela domiciliação. Para animais de interesse econômico (bovinos, suínos, eqüinos, caprinos e ovinos), recomenda-se o manejo adequado, no qual se inclui a vacinação periódica contra a raiva, evitar o ingresso de animais estranhos nas áreas em que forem criados; c) observação de cães e de gatos por dez dias a contar da data em que promovam alguma lesão, como mordedura ou arranhadura ou depositem saliva em pele recentemente escoriada ou mucosas íntegras de quem com eles interajam; d) encaminhamento do animal para exames, mesmo depois de sua morte; e) lavagem imediata do ferimento com água abundante e sabão; f) consulta médica para as orientações e tratamentos necessários; g) controle na formação de abrigos e na oferta de alimentos para animais sem controle, h) preservação ambiental, evitando alteração aleatória de reservas naturais, tais como queimadas, desmatamentos, invasões e proliferação de núcleos de sub-moradias em áreas de mananciais e aterros sanitários concluídos; i) atitudes que evitem contatos com animais selvagens, contrapondo-se ao comércio ilegal, à matança indiscriminada e à domiciliação de espécimes retirados de seus ambientes naturais.

MORCEGOS: SEU PAPEL NA NATUREZA E NO CICLO EPIDEMIOLÓGICO DA RAIVA

Os morcegos são animais mamíferos que têm um importante papel na preservação do meio ambiente e são os únicos mamíferos que têm a capacidade de voar; são chamados quirópteros, por terem seus membros superiores transformados em asas. São animais de hábitos crepusculares ou noturnos e dispõem de um sistema de ecolocalização que lhes assegura a orientação noturna, conhecido como o “sonar dos morcegos”. A palavra quiróptero vem do grego: “quiro” significa mão e “ptero”, asa. A classificação das espécies de morcegos se faz conforme seus hábitos alimentares. Conforme os hábitos alimentares mais freqüentes, eles são divididos em insetívoros (insetos), frugívoros ou fitófagos (frutas, sementes e folhas), nectarívoros (néctar e pólen), piscívoros (peixes), onívoros (pequenos animais, como roedores, répteis, batráquios, aves e outros morcegos), hematófagos (exclusivamente, sangue). Em suas atividades normais, os morcegos participam da preservação da natureza, dispersando sementes, auxiliando no controle de populações de insetos nocivos e animais daninhos à saúde, à agricultura e a outros aspectos ambientais. Por exemplo, na Amazônia, são elementos imprescindíveis para a manutenção e a restauração da floresta. Alguns países apresentam relatos de recuperação de áreas desertificadas de seus territórios pela ação de morcegos fitófagos.

Os morcegos participam do equilíbrio ecológico e devem ser preservados!

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A título de curiosidade, é importante esclarecer que os morcegos não são “ratos velhos” que se transformam em “formas aladas”, de acordo com a crendice popular. Também existem lendas sobre os vampiros e sua sede por sangue, sendo conveniente lembrar que não são todas as espécies que se alimentam de sangue, apenas os hematófagos. Várias outras crenças associam os morcegos a rituais, como os de fertilidade e bruxarias. Também, existe uma sub-ordem de morcegos, chamados raposas voadoras, que é encontrada na África, Ásia e Oceania, que serve de alimento às populações locais, estando em vias de extinção. Os abrigos são muito variados, podendo ser naturais – cavernas, fendas de rocha, ocos-de-árvores, folhagens densas, palhadas, superfícies de troncos, árvores de copa fechada – ou artificiais – poços abandonados, fornos de carvão, casas inabitadas, embaixo de estruturas e pontes em rodovias, chaminés, cumeeiras, forros, beirais, torres de igrejas, campanários, minas e outros. Em cidades, os morcegos encontram abrigo em caixas de persianas, elementos arquitetônicos decorativos, juntas de dilatação, sótãos, porões, dutos de ventilação, folhagens de jardins, telhados, que constituem verdadeiras “cavernas artificiais” Nas cidades, observa-se um importante aumento de morcegos insetívoros devido à proliferação de mosquitos, pernilongos, mariposas e outros insetos, atraídos pela iluminação pública. Se os morcegos não atuassem no controle de insetos, seria muito desconfortável e insalubre conviver com a quantidade de pernilongos que existiria nos domicílios de uma cidade. De aproximadamente mil espécies de morcegos identificadas, apenas três possuem hábitos hematófagos. Elas se distribuem pelo território que vai do México ao sul da Argentina, não existindo em outras partes do mundo. A natureza encontrou nos hematófagos uma forma importante de controlar a densidade populacional de espécies silvestres. Quando eles transmitem o vírus da raiva, facilitam a ocorrência de epidemias que dizimam um número considerável de animais, seja entre os sugados, seja entre os próprios quirópteros, restabelecendo o equilíbrio populacional. Os animais mais freqüentemente sugados são bovinos, eqüinos, suínos e aves. Em condições de vida selvagem, existem várias espécies animais que lhes servem de fonte alimentar. Caso exista escassez de animais para sua alimentação, podem utilizar a espécie humana como fonte de alimento. Devido ao hábito alimentar hematófago, é favorecida a possibilidade de transmitirem o vírus da raiva aos animais nos quais os morcegos se alimentam. Nos abrigos naturais, alojam-se morcegos hematófagos e não hematófagos. Pelo hábito de higiene corporal, os animais de uma mesma colônia lambem-se uns aos outros e, como as espécies não hematófagas também se envolvem no ciclo epidemiológico da raiva, um espécime raivoso pode transmitir o vírus da raiva a outros que podem vir a se infectar e transmitir o vírus a outros animais e a seres humanos. A infeção humana pode ocorrer pela mordedura do animal, que procura se defender, pela alimentação dos hematófagos ou pela simples manipulação dos animais, mesmo sem que ocorra uma nítida lesão de pele. É importante evitar a formação de abrigos nas proximidades ou nas residências e outros locais de permanência humana. Os animais de estimação,

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desequilíbrio ecológico, interferindo na vida e na preservação de outras espécies da região. O transporte é um fator importante de desgaste porque é ilegal e precário, sendo um fator de morte para a maioria dos animais. Em áreas urbanas, estes animais sofrem desgastes físicos e emocionais, perdem sua identidade e seu reconhecimento como indivíduo, e tabém perdem a capacidade de reprodução, por se encontrarem em condições anormais à sua biologia. Muitos morrem em cativeiro. Como os espécimes comercializados nas cidades são, em geral, os menos aptos ou os que apresentam piores condições de saúde, as resistências individuais são debilitadas e algumas doenças passam a se manifestar, como por exemplo malária, febre amarela, psitacose, ornitose e outras desconhecidas no meio urbano. Por serem doenças oriundas de áreas selváticas, determinam processos graves em seres humanos e em animais domésticos, sobrevindo epidemias exóticas em áreas urbanas. É o caso, por exemplo, do herpes dos macacos, que causa uma encefalite fatal em seres humanos. Mais grave é a ocorrência de infecções determinadas por agentes disseminados por animais contrabandeados de outros países, o que favorece a introdução de agentes de doenças desconhecidos em determinado meio ambiente. Não raro, os mamíferos selvagens ou silvestres são trazidos em períodos de incubação de raiva. Inexistem métodos de detecção do vírus rábico nestas fases. Quando esses animais entram em contato com seres humanos, provocam infecções, causam a morte ou tratamentos que seriam desnecessários se tais contatos não ocorressem. Os animais apresentam comportamentos próprios da espécie a que pertencem e que lhes são transferidos por herança genética, por ensinamentos parentais ou, ainda, pela observação de outros animais. Para que a venda clandestina se efetue rapidamente e alguns comportamentos considerados indesejáveis não se manifes- tem, os captores e os vendedores administram produtos que determinam depressão, como tranqüilizantes, bebidas alcoólicas e outros. A dissimulação de agressividade se dá por meios cruéis. Felídeos têm seus dentes e suas garras extraídos. Ao cessar o efeito dos produtos utilizados e, se crescerem e chegarem à maturidade, os animais passam a manifestar comportamentos próprios da espécie, como sinais de agressividade para determinar liderança, posse, limites territoriais, medo, descontentamento com o ambiente ou com seus habitantes. É em ocasiões como estas que produzem agravos intensos, fogem ou são abandonados nas ruas, parques ou em domicílios de vizinhos. Se o animal conseguir se readaptar a um novo local ou a um novo proprietário, o risco de disseminação de doenças e os danos promovidos podem se restringir. Mas, se ganhar espaços abertos, pode causar incômodos graves, danificar bens públicos ou particulares e transmitir doenças mais amplamente. Quando isto ocorre, mais uma significante parcela morre. Ainda que alguns sejam recolhidos por órgãos públicos e encaminhados para readaptação em estações ecológicas, os animais sobreviventes perderam suas habilidades específicas, sendo abatidos por seus predadores naturais ou morrendo por mais um estresse.

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ANIMAIS SILVESTRES NÃO SÃO ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

A posse de animais silvestres pode acarretar problemas com a Justiça, contribuir para danos importantes no meio ambiente, declínio da qualidade de vida dos animais e de seres humanos e interferir na preservação das espécies.

POSSE RESPONSÁVEL

A posse responsável de animais de estimação, traduz o exercício consciente e edificante da cidadania, a educação e os hábitos culturais diferenciados de uma sociedade.

CONSIDERAÇÕES SOBRE A OPÇÃO DE TER UM ANIMAL DE ESTIMAÇÃO

É preciso considerar com cuidado esta opção, visto que se trata de um ser vivo real e não um bicho de pelúcia. Tem suas tendências, seus padrões de comportamento, qualidades, aptidões e defeitos. Sejam cães ou gatos, vivem em média de 10 a 12 anos e, durante todo esse tempo, eles dependerão de seu dono para tudo: alimentação, higiene, saúde, vacinações, lazer, abrigo e afeto. Conforme seus padrões de comportamento e a forma como forem adestrados, podem resultar relacionamentos positivos ou gerar problemas de difícil solução. É indiscutível que tanto crianças como adultos aprendem muito com seus animais de estimação. Aprendem a valorizar a vida, a aceitar regras de comportamento e, também, a assumir a responsabilidade por outro ser vivo. A convivência inicial precisa levar em conta o adestramento, que se inicia nas primeiras semanas de vida, a fim de garantir uma boa sociabilidade do animal e tornar a relação prazerosa. Também são importantes os seguintes aspectos: conhecer a origem do animal, os padrões da raça escolhida, seus comportamentos típicos e as características dos pais e dos demais filhotes da mesma ninhada. A satisfação por cuidar de um animal de estimação leva adultos e crianças a ampliarem seus conhecimentos em outras áreas afetivas, como sentimentos de proteção, carinho, responsabilidade, paciência, interferindo e melhorando as relações humanas. Caso não haja aptidão do interessado no animal, podem ser gerados conflitos de ordem pessoal, familiar e social. O proprietário deve exercer comandos e ter ascendência a fim de desfrutar momentos de alegria, sem perturbar as pessoas da mesma residência e da vizinhança, além de poder dispor de espaço e tempo para