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desinfecção e esterilização, Notas de estudo de Enfermagem

autoclave e morte de esporos

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 04/07/2010

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TCV Penna
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Autoria: Thereza Christina Vessoni Penna
Departamento de Tecnologia Bioquímico Farmacêutica
Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo
INTRODUÇÃO
A primeira referência de desinfetante que se tem notícia, foi feita por
Homero em A Odisséia, onde citava o uso do enxofre, na forma de dióxido de
enxofre (aproximadamente 800a.C.). Substância ainda hoje empregada na
preservação de frutas secas, sucos de frutas e vinho
14, 18
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A cidade de Veneza foi uma das pioneiras em controle sanitário. O
holandês Anton Van Leeuwnhoek (1676) inventor do microscópio, foi um marco na
história da microbiologia e desinfecção.
Louis Pasteur (1822-1895), com seu trabalho criterioso, quem muito
contribuiu para o desenvolvimento da microbiologia como ciência, ao demonstrar
serem os microorganismos os responsáveis por doenças infecciosas. Pasteur
desenvolveu o método físico, denominado pasteurização, ainda hoje utilizado na
higienização de produtos alimentícios, médico-odontológicas.
As soluções anti-sépticas têm sido empiricamente utilizadas durante
séculos, mesmo antes de Pasteur e Koch demonstrarem a existência de
microrganismos. O interesse de avaliações da eficácia terapêutica das soluções
anti-sépticas tópicas diminuiu com o uso indiscriminado de antibióticos.
A legislação brasileira prevê as soluções anti-sépticas adequadas para uso
domiciliar e em áreas da saúde
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. Assim também, sugere as características
mínimas necessárias para um anti-séptico, quais sejam:
atividade germicida sobre a flora cutânea, sem causar irritações à pele ou
mucosas;
não provocar reações alérgicas ou queimaduras;
possuir baixo teor de toxicidade.
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TCV Penna

      Autoria: Thereza Christina Vessoni Penna Departamento de Tecnologia Bioquímico Farmacêutica Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo Email: [email protected]

INTRODUÇÃO A primeira referência de desinfetante que se tem notícia, foi feita por Homero em A Odisséia, onde citava o uso do enxofre, na forma de dióxido de enxofre (aproximadamente 800a.C.). Substância ainda hoje empregada na preservação de frutas secas, sucos de frutas e vinho14, 18. A cidade de Veneza foi uma das pioneiras em controle sanitário. O holandês Anton Van Leeuwnhoek (1676) inventor do microscópio, foi um marco na história da microbiologia e desinfecção. Louis Pasteur (1822-1895), com seu trabalho criterioso, quem muito contribuiu para o desenvolvimento da microbiologia como ciência, ao demonstrar serem os microorganismos os responsáveis por doenças infecciosas. Pasteur desenvolveu o método físico, denominado pasteurização , ainda hoje utilizado na higienização de produtos alimentícios, médico-odontológicas. As soluções anti-sépticas têm sido empiricamente utilizadas durante séculos, mesmo antes de Pasteur e Koch demonstrarem a existência de microrganismos. O interesse de avaliações da eficácia terapêutica das soluções anti-sépticas tópicas diminuiu com o uso indiscriminado de antibióticos. A legislação brasileira prevê as soluções anti-sépticas adequadas para uso domiciliar e em áreas da saúde^3. Assim também, sugere as características mínimas necessárias para um anti-séptico, quais sejam: ♦ atividade germicida sobre a flora cutânea, sem causar irritações à pele ou mucosas; ♦ não provocar reações alérgicas ou queimaduras; ♦ possuir baixo teor de toxicidade.

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Limpeza escrupulosa e eficiente faz o sucesso da adequada utilização de um agente desinfetante ou anti-séptico em ambiente domiciliar e as áreas de saúde4, 24, 27. O número de microrganismos presentes no ambiente considerado está relacionado a fatores como o número de pessoas, atividades em exercício, teor de umidade, poluição aérea e presença de matéria orgânica favorável à proliferação bacteriana. Microrganismos encontrados em paredes, chão e outras superfícies, na maioria dos casos, podem estar associados às infecções disseminadas por contaminação cruzada.

Doenças Emergentes As infecções emergentes têm sido caracterizadas por casos isolados ou surtos em estabelecimentos de saúde. Em hospitais e postos de saúde as infecções estão associadas a uma inadequada desinfecção de ambientes e de artigos médicos. A severidade destes casos têm variado desde uma colonização assintomática à morte, com um grande número de agentes causadores distintos. A Organização Mundial de Saúde divulgou em maio de 1996, um alerta dizendo que “nenhum país está livre das doenças infecciosas”. A OMS informa que o mundo passa por uma crise global, na qual enfermidades como a malária e Aids continuam se alastrando, matando mais de 17 milhões de pessoas no planeta por ano, incluindo 9 milhões de crianças 10, 20, 39. De acordo com relatório da OMS, as doenças parasitárias, virais e transmitidas por bactérias permanecem as principais causas de morte prematura, sendo responsáveis por uma em cada três mortes 39. Os números são assustadores, pois refletem uma tendência desanimadora, na qual antigos microrganismos estão ressurgindo resistentes aos antibióticos de primeira e segunda gerações. A principal doença infecciosa, a tuberculose, matou 3. milhões de pessoas no ano de 1995. No Brasil, em 1995 foram notificados 91 mil casos de tuberculose 4, 5, 10, 20. Tratar doenças infecciosas com antibióticos tem sido cada vez mais difícil devido ao uso indiscriminado de medicamentos. A OMS solicita o combate das

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O primeiro estudo brasileiro sobre incidência de infecções hospitalares, apresentado em 21 de maio de 1997 em Salvador, durante o 8o^ Congresso Pan Americano de Infectologia, mostrou que os índices de surtos de infecção hospitalar podem ser controlados por adequação dos métodos de limpeza, desinfecção e esterilização, respeitando as áreas, equipamento e materiais médico-odontológicos. No Brasil, calcula-se que 80% dos hospitais não fazem controle de infecção hospitalar 4, 5, 10. Em outubro de 1996, a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) detectou ter sido a bactéria Acinetobacter agente causador da morte de vários bebês no Hospital Materno-Infantil Nossa Senhora de Nazaré, em Boa Vista, de acordo com o material de fezes e urina colhido de alguns recém-nascidos. A bactéria é natural das mucosas (boca, nariz, e olhos), e pode ser fatal em 48 horas às crianças infectadas. A. calcoaceticus , da família Neisseriaceae , a única espécie aceita, é caracterizada por bastonetes Gram positivos, não móveis, desenvolvendo-se bem em agar MacConkey, em condições de aerobiose, à temperatura de 35oC. A bactéria faz parte da flora normal da pele e do trato gastrointestinal e respiratório superior. São igualmente responsáveis por infecções oportunistas e hospitalares, incluindo meningite, infecções de lesões e septicemia após intervenções invasivas com artigos médico hospitalares 14, 16, 18. As bactérias são principais agentes das infecções emergentes de pacientes hospitalares, principalmente naqueles que recebem administração de injetáveis, solução parenteral, alimentação enteral e procedente de lactário hospitalar. Relatou-se em 20/11/97, que mais dois bebês, internados na Unidade de Terapia Intensiva neonatal do Hospital e Maternidade Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo estão infectados pela bactéria Serratia marcescens. Desde agosto de 97, foram notificados 15 óbitos de recém-nascidos infectados por essa bactéria, segundo o Secretário Municipal da Saúde. Outros 11 bebês, embora infectados nesse período, reagiram com antibióticos. A UTI só sofrerá completa desinfecção quando todas as crianças receberem alta; pois se os bebês deixarem a UTI agora,

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levam consigo o perigo da disseminação da bactéria para outros ambientes. Até o momento sabe-se que a UTI neonatal é o foco de infecção, porém não se tem certeza do nascedouro de infestação, que por contaminação cruzada continua a disseminação do microrganismo. A bactéria Serratia marcescens, da família Enterobacteriaceae , é caracterizada por bastonetes Gram-negativos, móveis, não encapsulados, que produzem pigmento vermelho em agar MacConkey, à temperatura ótima de 22oC, em condições de aerobiose. A bactéria S. marcescens é encontrada no seu habitat natural, como a água e o solo. Representa importante agente patogênico oportunista, sendo responsável por infecções do trato urinário, pulmonar, de lesões em tecidos, e por septicemia 4, 16. Em 26/11/1997, constatou-se a presença de outro foco de infecção hospitalar, que atingiu dez crianças da UTI do Hospital Tide Setúbal, na zona leste de São Paulo. O agente de infecção bacteriana detectado é do gênero Enterobacter. O foco pode ter sido desencadeado tanto por uma criança contaminada, quanto por problemas de manuseio e superlotação. O Hospital tem em média cerca de 400 partos mensais. A interdição do berçário durou 20 dias para que a desinfecção das áreas fosse realizada com sucesso. A bactéria do gênero Enterobacter , pertence à família Enterobacteriaceae, sendo a espécie E. cloacae a mais comum, é caracterizada por bastonetes móveis Gram negativos, não encapsulados, que se desenvolvem bem em agar MacConkey, em condições de aerobiose à temperatura de 37oC. A bactéria á geralmente encontrada no solo, em água e no trato intestinal. A bactéria pode constituir-se em agente patogênico oportunista, sendo encontrada em lesões de tecidos, no trato urinário e em casos de bacteremia 4, 16. Os casos de infeção em berçários tem se alastrado devido à ausência de um programa único de limpeza e desinfecção hospitalar divulgado pela Secretaria de Saúde do Município. A validade científica, a reprodutibilidade e a precisão do método eleito para a avaliação dos desinfetantes dependem de fatores controlados (composição do meio de cultivo, temperatura, tempo de exposição), assim como da presença de materiais orgânicos (soro, sangue...) e de

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A descontaminação de equipamentos médicos envolve a destruição ou remoção de qualquer microrganismo a fim de prevenir a contaminação cruzada entre pacientes ou das pessoas que trabalham em contacto com superfícies contaminadas. Microrganismos podem ser transmitidos de pessoa para pessoa, através de superfícies de qualquer equipamento de uso comum. As medidas preventivas são a lavagem das mãos entre pacientes e a descontaminação do material e área ao final de sua utilização. Microrganismos podem atingir o organismo por feridas abertas, inalação de substâncias contaminadas ou ainda por contato direto com mucosas. O fenômeno de contaminação de uma pessoa para outra ou de uma pessoa por um objeto inanimado contaminado é denominado contaminação cruzada. A legislação brasileira preconiza requisitos básicos de descontaminação. Os procedimentos incluem a limpeza, desinfecção e/ou esterilização de artigos e áreas de estabelecimento de saúde. As respectivas Comissões e Serviços de Controle de Infecção do estabelecimento de saúde devem escolher e supervisionar os produtos (natureza física e química) e auxiliares de limpeza a serem utilizados 3, 18, 19, 24, 28. Os procedimentos básicos de descontaminação são de fundamental importância para a prevenção na disseminação de doenças em geral, principalmente a nível hospitalar, transmitidas por água e por contacto pessoal. Para obter-se um processo de desinfecção eficiente é necessário que se submeta à superfície em questão, primeiramente à limpeza mecânica (fricção) associada à química (solução detergente, desincrostante ou enzimático) para remoção da macro sujidade, pois a matéria orgânica é uma barreira à ação dos desinfetantes assim como reduz a atividade dos mesmos, no momento de sua aplicação 8, 9, 24, 25, 28.

Limpar (lavar), desinfetar (sanitizar) e esterilizar são procedimentos utilizados nos procedimentos de descontaminação. ♦ Descontaminação é o conjunto de operações de limpeza, de desinfecção ou /e esterilização de superfícies contaminadas por agentes potencialmente patogênicos, de forma a tornar estas superfícies barreiras efetivas que minimizem qualquer tipo de contaminação cruzada.

Limpeza é o procedimento usado para remover materiais estranhos como: pó, terra, grande número de microrganismos, matéria inorgânica (sais) e orgânica (sangue, vômito, soro, detritos alimentícios). Geralmente para tal são utilizados água com detergentes associados (ou não) a produtos enzimáticos e auxiliares mecânicos de limpeza. A limpeza é um pré-requisito indispensável que determina

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o sucesso da desinfecção e esterilização, pois garante o acesso do agente químico e/ou físico ao microrganismo. O objetivo principal é a eliminação da matéria orgânica, pois é nela que os microrganismos se proliferam com maior intensidade.

Esterilização é o conjunto de operações que objetiva destruir (ou remover) todas as formas possíveis de multiplicação e propagação: (a) microorganismos (incluindo esporos bacterianos), com capacidade de desenvolvimento durante os estágios de conservação e de utilização do produto; (b) príons e toxinas que causam infecção ou intoxicação se consumidos ou em contacto com regiões estéreis e irrigadas do paciente. Conservar é manter as características do produto durante a vida útil de armazenamento (vida de prateleira) à temperatura ambiente, assegurando a esterilidade adquirida durante sua utilização 11, 32, 33. Os príons são os agentes etiológicos da encefalopatia espongiforme bovina (EEB), zoonose descrita inicialmente nos bovinos e mais recentemente em humanos (variante da doença de Creutzfeldt-Jakob). A EEB é transmitida por produtos cárneos bovinos contaminados com tecidos do sistema nervoso central. Entre os ovinos e caprinos a doença é conhecida por encefalopatia espongiforme transmissível (EET), dentre as quais se destaca o “scrapie” nos ovinos, que é uma doença conhecida desde a metade do século 18. Através de itens críticos, os príons podem ser transmitidos por contaminação cruzada em práticas hospitalares. Os príons, que são pequenas partículas infecciosas protéicas, resistem aos procedimentos físicos e químicos de esterilização (desinfecção) normalmente aplicados aos itens críticos, objetivando a destruição de esporos bacterianos. Os príons são capazes de se multiplicar em uma progressão incrível, induzindo as moléculas protéicas normais a alterar sua forma, convertendo-as em moléculas perigosas para o organismo do hospedeiro. Esterilidade ou nível de segurança é a incapacidade de desenvolvimento das formas resistentes ao processo de esterilização, durante a conservação e utilização de um produto. A manutenção do nível de esterilidade conferido a um produto

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e/ou eliminar todos os tipos de microrganismos, inclusive de esporos bacterianos (> 5- log 10 ), reduzindo e por vezes inativando substancialmente (> 3-log 10 ) príons e proteínas tóxicas 39.

Cada instrumento, equipamento ou superfície do ambiente de saúde que entra em contato com um paciente é um disseminador em potencial de infecção. Baseando-se no risco de infecção relacionado ao tipo e uso de cada item, E.H. Spaulding 8,^ 11,^ 19,^ 25,^ 28,^32 , desenvolveu uma classificação que divide os artigos médico-hospitalares e odontológicos em três categorias distintas:  Categoria A - Artigos Críticos: são aqueles que envolvem risco potencial de infecção ao paciente. Estes itens entram em contacto direto com sistemas vasculares ou tecidos estéreis (adiposo, muscular, sistema linfático ou vascular, ósseo e sistema nervoso). Devem ser igualmente considerados os dispositivos conectados aos artigos críticos. Estes itens devem ser obrigatoriamente estéreis para serem utilizados. Esta categoria inclui instrumentos cirúrgicos, implantes, agulhas, cateteres cardíacos e urinários, implantes e hemodializadores. Muito destes itens são de uso único (descartáveis) e são adquiridos estéreis. Itens críticos termolábeis podem ser esterilizados por imersão em soluções de glutaraldeído ou em câmaras por elementos gasosos que apresentem óxido de etileno, peróxido de hidrogênio, formaldeído. Estes processos são praticados a baixas temperaturas.

 Categoria B - Artigos Semi-Críticos: são aqueles que entram em contato com membranas mucosas ou tecidos corporais lesados. Estes itens devem ser submetidos a procedimentos rígidos de limpeza, desinfecção ou esterilização. Membranas mucosas intactas geralmente resistem infecções por esporos bacterianos, mas são suscetíveis a bactérias e vírus patogênicos. Esta categoria inclui laparoscópios, endoscópios, equipamentos de anestesia, entre outros. Muito desses equipamentos requerem pasteurização por calor úmido ou desinfecção de alto nível usando agentes químicos como cloro, peróxido de hidrogênio, ácido peracético ou glutaraldeído. Esses artigos após desinfecção devem receber enxágüe com água estéril, secagem e estocagem em condições assépticas, evitando a recontaminação.

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 Categoria C - Artigos Não Críticos: incluem itens não invasivos, que entram em contato direto com pele intacta do paciente. A pele é considerada barreira efetiva para a maioria dos microorganismos. Consequentemente, estes itens exigem desinfecção de médio ou baixo nível. Ao contrário dos itens críticos e semicríticos, a maioria desses itens são reutilizáveis. O risco de transmissão de agentes infecciosos para os pacientes através destes itens é bastante reduzido. Entretanto estes itens podem contribuir para a contaminação cruzada, principalmente por mãos de pacientes, enfermeiras e outros profissionais de saúde e equipamentos médicos. Desinfetantes de baixa atividade germicida podem ser utilizados. Exemplos: aparelhos de pressão, eletrodos, máscaras faciais. Para esta categoria na maioria dos casos limpeza com água e sabão é suficiente. Através da desinfecção pode-se garantir uma segurança adicional. Mas há casos particulares nos quais a limpeza requer desinfetantes de nível médio, quando há confirmação de microrganismos potencialmente patogênicos. O método de descontaminação do artigo considerado depende da finalidade de seu emprego e das características físicas e químicas do mesmo, prevendo compatibilidade do material aos produtos químicos de limpeza e de desinfecção escolhidos. Quando realizados de modo adequado, os processos de desinfecção e esterilização garantem um nível de segurança adequado na utilização do artigo invasivo (crítico) e não invasivo (semicrítico, não crítico) no paciente. No entanto isto requer um programa de procedimentos validados para limpeza, desinfecção e esterilização, prevenindo a contaminação cruzada. Para que se possa diferenciar procedimentos de limpeza e de higienização, as áreas dos ambientes de manipulação da saúde são classificadas e subdivididas, segundo o risco potencial na transferência de infecções em 24 : críticas, semicríticas e não críticas. Portanto, a classificação dos artigos e áreas de saúde determinam o processo a ser utilizado, ou seja, de desinfecção ou de esterilização.

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2 – Nível de contaminação e localização dos contaminantes A resposta dos microrganismos aos desinfetantes varia em relação a fatores, tais como: pH, temperatura, fase de multiplicação, presença de matéria orgânica e outros agentes químicos.

A resistência aos desinfetantes pode ser uma propriedade intrínseca do microrganismo ou pode ser adquirida. Habitualmente, as bactérias Gram-negativas são mais resistentes em relação às bactérias Gram-positivas. Esse fenômeno está relacionado à composição da parede celular, que apresenta uma estrutura mais complexa, oferecendo menor permeabilidade à difusão dos agentes desinfetantes. A atividade antimicrobiana é diretamente proporcional ao número de microrganismos presentes. Quanto maior a carga microbiana, maior o tempo de exposição necessário para destruí- la. Assim, uma limpeza prévia escrupulosa, visando reduzir o número de microorganismos inicialmente presente, é de grande interesse para o sucesso da desinfecção. O acesso de todos os componentes do item considerado ao agente de limpeza, desinfecção e/ou esterilização se faz imprescindível, pois garante a conservação do item e previne a sua recontaminação interna através do local menos acessível. Artigos compostos de múltiplas peças devem ser desmontados e expostos aos agentes de limpeza para então o serem ao agente desinfetante. (tubulações, conecções, equipamentos variados). A limpeza e desinfecção “in place“ não deve substituir integralmente a separação das múltiplas peças, evitando assim a contaminação de um material complexo por uma simples peça inacessível ao agente de limpeza/desinfecção.

4 – Concentração, tempo de exposição e concentração do agente desinfetante Dependendo da natureza do agente desinfetante, quanto mais concentrado o princípio desinfetante maior é a eficácia e menor o tempo de exposição necessário para a destruição da mesma carga microbiana. Os compostos de cloro dependem do valor de pH do meio, da natureza química do composto clorado inorgânico ou orgânico, e sobre tudo da presença de sujidade na superfície aplicada. Assim também compostos de ácido peracético que tem a atividade reduzida com o aumento do valor de pH e na presença de material orgânico.

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4 - Fatores físicos e químicos Diversos fatores físicos e químicos influenciam nos processos de desinfecção e esterilização, sendo os mais importantes à temperatura, o pH, a umidade relativa e a dureza da água. 4.1 - Temperatura : os desinfetantes são comumente usados à temperatura ambiente, porém o aumento da temperatura pode favorecer a atividade do agente desinfetante, como do formaldeído. Porém, a temperatura de aplicação do agente desinfetante depende da compatibilidade do artigo em questão. Cateteres cardiovasculares são deformáveis às temperaturas superiores a 45 oC, em câmaras com óxido de etileno, peróxido de hidrogênio ou formaldeído 1, 29. 4.2 – Valor de pH : o efeito do valor de pH na ação antimicrobiana depende do desinfetante, dos microorganismos e do item submetido à desinfecção. Geralmente, valore de pH < 7.0 sensibilizam células vegetativas e favorecem a difusão do agente desinfetante. A atividade dos compostos de cloro depende do valor de pH do meio de aplicação. A atividade do peróxido de hidrogênio independe do valor de pH. Os compostos quaternários de amônio e a clorexidina tornam-se mais efetivos ao valor de pH > 7.0, pois são ativas na forma de cátions. O pH na faixa alcalina aumenta a atividade destes compostos catiônicos, e sinergicamente, provoca aumento do número de grupos carregados negativamente nas proteínas da superfície bacteriana, possibilitando maior número de sítios com os quais o agente desinfetante pode se combinar. A atividade dos fenóis é favorecida em pH ácido, embora possam ser efetivos em pH alcalino, na presença de substâncias solubilizadoras. Soluções de glutaraldeído são ativadas em pH entre 7,5 e 8,5, à temperatura ambiente. A dependência da atividade antimicrobiana do desinfetante em relação ao valor de pH diminui à medida que a temperatura do meio atinge 70oC. 4.3 - Dureza da água : os íons divalentes cálcio e magnésio presentes na água interagem com detergentes e outros compostos orgânico, formando

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Estudos têm demonstrado que a limpeza manual ou mecânica, com água e detergente e/ou associados a produtos enzimáticos, pode causar a remoção de aproximadamente 10^5 microorganismos da população inicialmente considerada 1, 6, 8, 11, 19, 29, 31, 32, 34. “Assim, é lícito afirmar que a limpeza rigorosa é condição básica

para qualquer processo de desinfecção ou esterilização. Pois, é possível limpar sem esterilizar (desinfetar), mas não é possível garantir a esterilização (ou desinfecção) sem limpar”.

A segurança da desinfecção ou esterilização é expressa pela probabilidade de sobrevivência dos microrganismos ao processo considerado. O nível de segurança a ser estabelecido varia de acordo com a finalidade de uso do artigo 11, (^32) :

 Para artigos críticos, a probabilidade de sobrevivência admitida é de 1 (um) microrganismo sobrevivente para cada 10^6 unidades processadas. Este critério é expresso em 10 -6^ e é conhecido como nível de esterilidade ou de desinfecção de alto nível. Este nível de segurança é, convencionalmente, verificado no laboratório através do teste de esterilidade. Dependendo do indicador biológico (IB) utilizado, o nível de segurança aceitável pode variar de 10 -4^ (1 IB sobrevivente: 10^4 unidades processadas), 10-5^ (1 IB sobrevivente: 104 unidades processadas) ou 10 -6^ (1 IB sobrevivente: 104 unidades processadas). A padronização mais rigorosa prevê de nível de segurança de 10 -12^ (1 IB sobrevivente: 10^4 unidades processadas) para a probabilidade de sobrevivência de esporos de Clostridium botulinum em soluções críticas e invasivas (intravenosas, intramusculares e subcutâneas) assim como para soluções parenterais, alimentação enteral, e alimentos enlatados não-ácidos. Os IB de maior resistência do que aquela apresentada por esporos de Clostridium botulinum são usualmente empregados, e o nível máximo considerado é de 10-6.

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 Para artigos semicríticos, o intervalo do nível de segurança em 10-4^ a 10-5^ foi exigida na esterilização (desinfecção) para veículos de exploração espacial na busca de evidencias de vida extraterrestre no planeta Marte.

 Para artigos não críticos, o nível de segurança geralmente aceito é de 10-3^ ( IB sobrevivente: 1000 unidades processadas). Critério este menos rigoroso, pois é direcionado para artigos não invasivos, prevendo que a superfície em contacto apresente barreira microbiológica à penetração (pele).

 Quanto aos príons: a eficácia dos procedimentos de esterilização (desinfecção) são mensurados quanto à redução atingida de unidades infectantes durante a exposição do item considerado aos agentes físicos e/ou químicos. O nível de redução das unidades infectantes depende do nível de contaminação e da eficácia do procedimento escolhido. Um instrumento contaminado com 50 mg de tecido de cérebro de uma pessoa infectada com CJD e com título de 1x10^5 (50% unidades de dose letal intracerebral por grama) teria 5x10^3 unidades infectantes. A eficácia de um procedimento de limpeza associado à desinfecção pode causar a redução do título em até 10^7 unidades de príon, ou seja, uma redução de 4-log 10 através da limpeza e redução ≥ 3-log 10 através do processo de desinfecção e/ou esterilização. Limpeza, seguida de procedimento de desinfecção pode assegurar significativa margem de segurança.

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desinfetante deve levar em consideração aspectos como: espectro de atividade desejada, ação rápida e irreversível, toxicidade, estabilidade e natureza do material a ser tratado.

DENTRE OS DESINFETANTES MAIS UTILIZADOS POR CARACTERÍSTICAS PECULIARES APRESENTADAS 9, 11,^ , ESTÃO:    Os álcoois mais empregados em desinfecção são o etanol e o isopropanol, sendo o primeiro o mais utilizado no Brasil, em função da disponibilidade e do baixo custo. ATIVIDADE ANTIMICROBIANA São indicados para desinfecção de baixo nível e de nível intermediário. Os álcoois etílico e isopropílico apresentam atividade rápida sobre as bactérias na forma vegetativa (gram–positivos e gram–negativas). Atuam também sobre as células de Mycobacterium tuberculosis , alguns fungos e vírus lipofílicos (atuam na capa e no capsídeo). MECANISMO DE AÇÃO Mecanismo de ação dos álcoois ainda não foi totalmente elucidado, sendo a desnaturação de proteínas a explicação mais plausível. Na ausência de água, as proteínas não são desnaturadas tão rapidamente quanto na presença da mesma, razão pela qual o etanol absoluto, um grande desidratante, é menos ativo do que suas soluções aquosas. Coagulam ou precipitam proteínas presentes no soro, pus e outros materiais biológicos, que podem proteger os microorganismos do contato direto com álcool. Atividade bacteriostática provavelmente é devida à inibição da produção de metabólicos essenciais à divisão celular. CARACTERÍSTICAS IMPORTANTES Os álcoois não possuem ação residual. São inflamáveis, requerendo, portanto, cuidados especiais na manipulação e estocagem. Por evaporarem rapidamente sua ação torna-se limitada, recomendando-se a imersão do item em questão.

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APLICAÇÕES Os álcoois possuem ampla aplicação. No laboratório, são empregados na desinfecção e descontaminação de superfícies de bancadas, fluxos laminares, equipamentos de grande e médio porte e para anti-sepsia das mãos 6, 30. Nos estabelecimentos de saúde, são indicados para desinfecção e descontaminação de superfícies e artigos como: ampolas e vidros, termômetros oral e retal, estetoscópios, cabos de otoscópios e laringoscópicos, superfícies externas de equipamentos metálicos, macas, mesas de exame, dentre outros. CONCENTRAÇÕES USUALMENTE RECOMENDADAS Concentrações entre 60 a 90% são as mais utilizadas, sendo que para concentrações inferiores a 50%, a atividade depende do período de imersão. EFEITOS ADVERSOS O etanol e o isopropanol são irritantes para os olhos e são produtos tóxicos. A freqüente aplicação produz irritação e dessecação da pele.

II  ATIVIDADE ANTIMICROBIANA Desinfetante de alto nível, formaldeído apresenta atividade sobre bactérias gram-positivas e negativas na forma vegetativa, incluindo as micobactérias fungos, vírus e esporos bacterianos. A atividade esporocida é lenta, exigindo um tempo de contato longo para a maioria das formulações. FORMA DE APRESENTAÇÃO O formaldeído é um gás encontrado disponível na forma líquida em soluções de 37 a 40%, contendo metanol para retardar a polimerização (formalina); e na forma sólida, polimerizado em paraformaldeído. MECANISMO DE AÇÃO Formaldeído inativa os microorganismos através da alquilação dos grupamentos amino e sulfidrilas de proteínas e dos anéis de nitrogênio das bases purinas. CARACTERÍSTICAS IMPORTANTES Formaldeído é pouco ativo a temperaturas inferiores a 20 oC, aumentando a atividade em temperaturas superiores a 40oC. Ativo na presença de material orgânico. Não é inativado na presença de materiais orgânicos naturais, sintéticos e detergentes.