




























































































Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
TESE MONOGRAFIA ISMMA 2019 REMIGIO CLEMENTE MBA
Tipologia: Teses (TCC)
1 / 247
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!





























































































Antônio Mesquita Galvão
Agradecimentos
Agradeço, de todo o meu coração
a DEUS pelo dom da vida e pelo discernimento
a MEUS PAIS João e Mercedes pela vida biológica e pelo amor
aos PROFESSORES que me auxiliaram
à MINHA ESPOSA Carmen pela inestimável ajuda, nas revisões e sugestões temáticas e exegéticas.
Preâmbulo
O grande problema de nossas hermenêuticas modernas (e o homem moderno adora essas “interpretações”) é superar a contradição entre um Deus, que aprendemos ser bom, e um mal cruel, que nos violenta e enche de temor. Há muitos casos em que nossa estupefação, impotência e indignação só permite que se pergunte: por quê? Para a maioria das pessoas é possível estabelecer alguma relação entre o mal sofrido e algum deslize cometido. No terreno das avaliações, o mal é quase sempre desproporcional ao pecado cometido. Daí a questão (que vai perpassar todo o conteúdo deste trabalho): por que eu?
Nessa perspectiva, o mal é e será como a imagem de uma aterradora esfinge, que nos devora antes que possamos decifrar seus enigmas. O mal é a realidade ligada à vida humana que temos mais dificuldade em aceitar, entender e justificar. Ao que tudo indica, nossa cultura, social e religiosa ainda não sabe lidar com o espectro do mal.
A pesquisa a respeito da origem do mal é algo demasiadamente complicado para ser debatido em meia-dúzia de páginas de um artigo de revista, uma tese, um dissertação ou mesmo de um livro. Sua complexidade é tamanha que por muitos séculos, teólogos, filósofos, pesquisadores e sábios têm buscado respostas e, como cavar na areia do mar, quanto mais se cava, mais água (dúvidas) brota, ao invés de terra seca (certezas). A questão básica “por que o inocente sofre?”, por suas diversas nuanças, é um assunto que jamais se esgota.
Em certos momentos, ocasiões e circunstâncias, é desconcertante falar sobre o mal, tentar explicar o inexplicável, como o padre que realiza o ritual das exéquias de uma criança que foi assassinada por um desconhecido. Há momentos em que a dura realidade de alguém, assolado pelo sofrimento, não se satisfaz com nossas teorizações filosóficas ou teológicas, mesmo que elas estejam fortemente embasadas no conhecimento ou na fé,
Pretendemos, neste trabalho, desenvolver roteiro e pedagogia próprias, a partir das questões levantadas sobre alguns casos reais, ocorridos nos últimos tempos:
Assistindo ou vivenciando estas tragédias, alguém, certamente terá se perguntado: Por que, meu Deus? Ou, quem sabe, indagado, de uma forma mais profunda:
Se Deus é bom, Então por que existe tanto mal?
de vida, uma vez que o mundo infenso sempre nos apronta armadilhas. Estamos bem agora mas podemos ser vítimas do mal daqui a pouco e, na maioria das vezes, não temos explicações para o fato. O caso, assustador, é que muitos de nós têm teorias sobre o mal, mas ninguém está preparado para conviver com ele.
Em bibliografias, nacionais e estrangeiras, lê-se referências ao problema do mal. Ora, entendo que a expressão problema não se presta ao caso, pois todo o problema, como as equações matemáticas que fizeram nosso tormento na escola (a não ser que estejam interpoladas de algum erro) tem solução. E com o mal, tal não ocorre. Respostas e soluções são insuficientes, parciais e via-de-regra respondem muito pouco. Assim, neste trabalho vou procurar evitar aquela expressão, transmutando-a para a questão do mal , uma vez que questão inflete mais na direção de uma pergunta. E as perguntas, sabemos, nem sempre têm resposta satisfatória ou compreensível.
As questões, no tocante à existência do mal, são várias, freqüentes e recidivas. Quem criou o caos ou o mal? A resposta é imediata: “Não foi Deus! Pode ter sido o Diabo...”. Ora, sabemos que o Diabo não é criador de nada; ele não tem poder para criar. Deus podia ter evitado o surgimento do mal? Por certo que sim, mas em função do mistério insondável não se sabe porque motivo não o fez. Ah, dirão, então o mal é criação do homem, que por uma mixórdia moral entre decisões e liberdade permitiu que o mal.... O homem não poderia, pois o mal é anterior a ele. Além disto, o homem é criador? E criador de algo tão forte que nem Deus consegue erradicá-lo? A questão é complexa...
Por que existe o mal? De onde ele vem? Se do mais íntimo de seu ser o homem deseja o bem e almeja a felicidade, por que ele pratica o mal? Por que o mal o acompanha em todas as circunstâncias de sua vida, em todos os seus atos, em todas as suas experiências? Se o homem foi criado por um Deus bom não deveria existir apenas o bem? Essas perguntas fazem parte dos mais importantes questionamentos que o homem pode fazer a respeito de sua existência.
De fato, o mal é a outra face da realidade e a idéia que tivermos dele constituirá parte considerável da idéia que construiremos de toda a realidade. Ele precisa, pois, ser entendido para que se possa entender o mundo. E também para que se possa limitar suas investidas, de maneira mais eficaz.
Durante toda a história humana, várias respostas foram dadas às questões sobre o mal. Em geral tais enunciados se apresentam ou de forma insatisfatória ou com argumentos bastante negativos, estendendo um véu sombrio, capaz de cobrir a existência do homem, gerando medo, pessimismo ou um fatalismo irracional.
Mesmo sabendo que não teremos condições de responder a muitas questões, pretendemos transcrever aqui uma série de indagações, reproduzindo aqueles questionamentos que nossa relativa experiência, como professor, evangelizador, conferencista, pregador de retiros de espiritualidade e ministro das exéquias nos proporcionou.
A pergunta que se faz, neste início de trabalho, é se essas idéias tradicionais, negativas muitas delas, poderiam ainda hoje ser consideradas válidas. Ou há outra forma de compreender a questão do mal? O surpreendente avanço do saber humano, a partir da filosofia, da teologia e das demais “ciências humanas”, realizado nos últimos tempos não estaria possibilitando e, mesmo, exigindo de nós uma nova compreensão do mal?
O presente trabalho visa, através de farta bibliografia, compulsando opiniões e experiências, manifestar um ponto de vista, uma tese, a opinião do autor, a respeito do mal. Daquele mal que praticamos e sofremos, como também o mal que inflete sobre o inocente.
Javé viu que a maldade do homem crescia na terra e que todo projeto do coração humano era sempre mau. Então Javé se arrependeu de ter feito o homem sobre a terra, e seu coração ficou magoado, e disse: “Vou exterminar da face da terra os homens que criei, e junto também os animais, os répteis e as aves do céu, porque me arrependo de os ter feito”. (Gn 6, 7ss)
Paradoxalmente, quando se fala no mal, parece que todos têm a sua definição, sua forma de enxergar a questão, ou suas definições próprias. Embora o mal seja uma coisa dificilmente “digerida” pela humanidade, ele hoje é um assunto que muita gente pretende demonstrar conhecimentos. Talvez, pensam, dizendo conhecê-lo, seja mais fácil de entender e domesticar. A verdade é que o mal enseja perguntas e respostas, nem todas respondidas satisfatoriamente.
Para orientar esta fase vestibular do trabalho, indaguei várias pessoas – gente simples, pouca cultura, faixas etárias variadas, homens e mulheres do povo – a respeito do mal. As respostas são interessantes: “ É uma ‘coisa ruim’ que a gente sofre, ou faz os outros sofrerem; é a doença, a falta de dinheiro, a inveja, o roubo, as ofensas, as dores, as pisaduras, as enchentes, a seca, as tempestades, as dores, o desprezo, a mentira, as tentações, os vícios, o ódio, os pecados, os desvios morais, a morte e a perdição eterna “.
É curioso notar que, mesmo dentre as pessoas simples, de baixa renda e escolaridade mínima, muitos têm uma noção prática do mal, semelhante àquela elaborada por filósofos, teólogos e psiquiatras. Isto revela que, pela vivência direta e cotidiana com a adversidade, certas categorias sociais têm uma visão intuitiva (e porque não dizer dedutiva) a respeito do mal.
Depois de escutar esse elenco de fatores que caracterizam o mal, foi perguntado: e quem é o autor de todos esses males? Com o mesmo desembaraço dos simples, as respostas fluíram: a gente mesmo; os outros; a natureza, o diabo; ou a vontade de Deus. Nessas respostas (por isto eu falei em “conhecer por intuição e dedução”), todas vindas de pessoas que desconhecem a filosofia e a psicanálise, há curiosamente uma relação com mestres do pensamento. Se não, vejamos:
No campo das perguntas que se escuta-se por aí, a respeito do mal, há algumas, que mais que crises de fé, apontam para aquela angústia existencial de quem sofre, na carne e no espírito, o drama: Por que existe o mal? De onde ele vem? Se do mais íntimo de seu ser o homem deseja o bem e almeja a felicidade, por que ele pratica o mal? Por que o mal o acompanha do berço ao túmulo, em todos os seus atos,
em todas as suas experiências? Por que sofro se tento ser bom? Não deveria existir apenas o bem?.
Circulando tais questões, há um conjunto positivo e outro negativo. Poderíamos dividir, preliminarmente, as questões em dois grandes grupos: as respondíveis e as não-respondíveis.
As questões respondíveis:
As questões sem resposta:
As “respondíveis” são mais ou menos fáceis de equacionar. As não-respondíveis vão perpassar todo este trabalho, onde a tônica vai girar em cima do sofrimento do inocente. Se como “advérbio” o mal é tudo aquilo que é contrário as normas eticamente admitidas, qualquer que seja seu campo de aplicação (um trabalho mal feito, por exemplo), como “substantivo” ele designa tudo o que constitui um obstáculo à perfeição do ser humano, e engloba as experiências em que predominam o sofrimento e o dano.
Em geral concebido sob os auspícios de uma carência , pelo pensamento teológico, ou de uma degradação progressiva do ser, o mal está presente no movimento dialético sob a forma binária que erro que se contrapõe à verdade, ou do trabalho necessário à luta do escravo por sua liberdade, tornando-se assim o “motor da história” 1.
Como questões respondíveis, embora não se queira afirmar nada definitivo, ainda, relacionamos: a) o que é o mal? Ora, o mal é tudo aquilo que contraria o bem, o equilíbrio, a felicidade e a plena realização de nossos projetos. O mal é visto como uma “privação do bem”.
À outra questão, b) de onde vem o mal? Nós sempre temos respostas prontas. Ele vem de nós mesmos, dos outros, da natureza e do sobrenatural. Oriundo de nós mesmos, vemos o mal que é fruto das doenças. Elas se maturam dentro de nós, como resultante de nosso desleixo (falta de cuidado na alimentação, descuido com a forma física, etc. ), também por problemas genéticos, congênitos ou hereditários (doenças mentais na família, deficiências físicas, gestações em idade avançada, vícios como bebida, tabagismo, drogas, país com sífilis ou outros distúrbios capazes de prejudicar a posteridade). Isto tudo é capaz de gerar organismos deficientes, pessoas fracas e suscetíveis às
(^1) Cf. G. DUROZOI et alli, Dicionário de Filosofia. Ed. Papirus, 1993.