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Doença Cronica, Notas de estudo de Enfermagem

Psicologia Aplicada Enfermagem

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 28/06/2009

paulo-almir-palhano-8
paulo-almir-palhano-8 🇧🇷

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ENFERMAGEM 2009
Psicologia Aplicada à Enfermagem
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ENFERMAGEM 2009 Psicologia Aplicada à Enfermagem

Acadêmicos :

Biata dos Santos Barbosa

Max Francisco de Araújo

Monica Antonio Maria

Paulo Almir P. Carrilho

Rafael de Oliveira

Principais características da condição de

doença crônica

  • (^) caráter permanente;
  • (^) incapacidade residual;
  • (^) longa duração;
  • (^) caráter recorrente;
  • (^) dependência contínua de medicamentos;
  • (^) quase sempre é incurável, irreversível e degenerativa. (MARCON et al, 2005)

Eventos que contribuem para a eminência

da condição crônica (antecedentes)

  • (^) herança genética;
  • (^) alto nível de estresse;
  • (^) causas congênitas;
  • (^) estilo de vida não saudável;
  • (^) idade avançada;
  • (^) não aderência ao tratamento;
  • (^) doenças;
  • (^) fatores ambientais, psicossociais, econômicos e culturais;
  • (^) acidentes e avanço tecnológico. (MARCON et al, 2005)

Fases diante do diagnóstico

  • Choque: estupefação e desorientação do doente, revelando sentimentos de indiferença face à situação.
  • (^) Reação de defrontar: pensamento desorganizado e sentimentos de perda, desamparo e desespero.
  • (^) Retraimento: negação da doença diagnosticada e das suas implicações. (SHONTZ, 1999 apud SANTOS, 2004)

O enfrentamento da doença pelo paciente

O paciente passa a enfrentar alterações no estilo de vida provocadas por certas restrições decorrentes da presença da patologia, das necessidades terapêuticas e de controle clínico, além da necessidade de submeter-se a internações hospitalares recorrentes. Assim, é preciso aprender a manter suas condições de morbidez em equilíbrio e experimentar novas possibilidades de vida. (SILVA et al, 2002)

Assim, a doença crônica traz consigo perdas sucessivas de independência e controle, gera sensações de luto e, como tal, sentimentos de ansiedade, tristeza, irritação e medo. Saber viver com a doença crônica depende das características individuais, da forma como ela é aceita e do que se espera da vida. (SANTOS, 2004)

Na maioria das vezes o paciente necessita compartilhar este enfrentamento com sua família ou com as pessoas que fazem parte do seu ciclo social primário, buscando apoio e ajuda para a sua readaptação individual e familiar. (SILVA et al, 2002) Ter família é ter a certeza de que possui alguém com quem se possa partilhar sentimentos de alegria, tristeza, medos e perdas. É ter a presença segura de alguém que é querido, que apóia e que cuida, se necessário. É a forma de ultrapassar o isolamento físico e social tão comum no doente crônico, permitindo usufruir de uma visão mais aberta ao mundo que nos rodeia. (SANTOS, 2004)

A família também caracteriza-se por ser um corpo, mas um corpo social, ou seja, uma rede de interações que pode assumir diferentes formas; que possui objetivos e toma decisões enquanto grupo; tem uma estrutura de funcionamento interno constituída por posições e papéis, possuindo várias atribuições, inclusive cuidado de saúde de seus membros (NITSCHKE,1999 apud CECAGNO et al, 2004). Assim, se apresenta como uma rede de poder e de decisão sobre seus atos (ELSEN, 1994 apud CECAGNO et al, 2004).

Dentro da família, o familiar prestador dos cuidados será provavelmente o elemento mais afetado pela ansiedade e pelo stress. (SANTOS, 2004) Nas doenças de início agudo, as mudanças afetivas e instrumentais ficam comprimidas em um tempo muito curto, o que exige rápida mobilização da família e capacidade de administrar a crise. Em face da doença crônica um dos objetivos essenciais é a família lidar com as demandas desenvolvimentais da doença sem que seus membros sacrifiquem seu próprio desenvolvimento ou o desenvolvimento da família como um sistema. (ROLLAND, 2001)

É importante observar que as famílias continuam com as mesmas funções desempenhadas por outras famílias, porém a estas é acrescentada mais uma atribuição, o cuidar na doença. Isso as leva a uma condição de maior fragilidade em vários aspectos, comprometendo sua atuação como unidade familiar, assim como o seu próprio viver. Nessas condições, a família encontra-se em situação de risco, ou seja, com maior vulnerabilidade, pois a doença crônica suga as suas energias, já que, ao manifestar suas diferentes alterações, transforma seu contexto e cotidiano. Assim, doenças crônicas significam para a família algo que precisa ser aceito e compreendido, pois, afinal, uma vez instalada, a família passará a conviver com esta situação cotidianamente. (MARCON et al, 2005)

As doenças crônicas podem se apresentar

de três formas distintas:

  1. PROGRESSIVA: ausência de intervalos de alívio dos sintomas, aumento da incapacidade acarretando efeitos progressivos e severos. Ocorre contínua adaptação familiar e mudança de papéis e na disposição para utilizar recursos externos (ex: Alzheimer).
  2. CONSTANTE: são aquelas em que, tipicamente, ocorre um evento inicial e depois o curso biológico se estabiliza com uma limitação funcional residual. Pode haver exaustão familiar, porém sem a tensão de mudança de papéis (ex: AVC). (MARCON et al, 2005; ROLLAND, 2001)
  3. REINCIDENTE OU EPISÓDICA: períodos estáveis de duração variada com períodos de exacerbação dos sintomas, requer flexibilidade para o movimento de ir e vir entre as formas de organização familiar (ex: asma).

A família ajuda a reorganizar os recursos materiais e emocionais para suportar e superar a situação. A raiva e o ressentimento acompanham esses momentos, podendo direcionar-se à família e/ou profissionais. Num outro momento um pacto com Deus e promessas para obter a cura sem dor e evitando a morte. A passividade e/ou depressão sobrevêm, seguidas pela aceitação da realidade e da morte. É relevante a esperança nesse percurso. (FREITAS; MENDES, 1999)

Fases de adaptação da família:

  • A primeira: enfrentar a realidade, durante o período do diagnóstico, quando o paciente ainda está ativo e mantém as funções habituais no meio familiar.
  • A segunda: reorganização durante o período que antecede a morte. O paciente suspende as funções familiares habituais e vê-se na contingência de receber cuidados médicos em casa ou no hospital.
  • (^) A terceira: é a perda e coincide com a iminência da morte e com a própria morte. A família experimenta a perda e a solidão da separação. Os membros podem ter atingido os limites da sua capacidade de suporte e inicialmente confessar o alívio que sentem perante a morte do doente.
  • A quarta: tem a ver com o restabelecimento, é a etapa final de adaptação da família, desenvolvendo-se depois de concluído o luto com sucesso. (MARQUES, 1991 apud SANTOS, 2004)