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Educação em Saúde e Comunicação, Notas de estudo de Enfermagem

Educação em Saúde e Comunicação

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 10/11/2010

usuário desconhecido
usuário desconhecido 🇧🇷

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FUNASA
EDUCAÇÃO EM SAÚDE
Oficinas de
Educação em
Saúde e
Comunicação
Oficinas de
Educação em
Saúde e
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Vamos fazer juntos
Vamos fazer juntos
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FUNASA

EDUCAÇÃO EM SAÚDE

Oficinas de

Educação em

Saúde e

Comunicação

Oficinas de

Educação em

Saúde e

Comunicação

Vamos fazer juntosVamos fazer juntos

Oficinas de EducaÁ„o em

Sa˙de e ComunicaÁ„o

Vamos fazer juntos

BrasÌlia, setembro de 2001
Agradecimentos

Os nossos agradecimentos aos participantes das oficinas realizadas nos Municípios de Afuá/PA e Manacapuru/AM, às Secretarias de Saúde desses Municípios e dos Estados do Pará e do Amazonas, às Coordenações Regionais da Fundação Nacional de Saúde desses Estados, que contribuíram de forma decisiva na construção e aprimoramento deste processo.

DedicatÛria

Dedicamos este trabalho às comunidades da Amazônia Legal para que ampliem sua qualidade de vida e visão de mundo.

metodologia e tecnologias aos gestores estaduais e municipais. Todo percurso nele contido tem o caráter integrativo e processual, expresso no desenho de uma metodologia que permite um “espaço tempo” para a negociação das diferenças e dos distintos saberes técnico e popular e a partir dessa interação construir “sentidos coletivos” na resolução dos problemas.

A expectativa é de que a incorporação dessa proposta metodológica ao planejamento das instituições, grupos e indivíduos, subsidie uma gestão cida- dã do Sistema Único de Saúde, diminuindo, assim, a distância “entre intenção e gesto”.

Sum·rio

  • 1- IntroduÁ„o
  • 2 - Passos para operacionalizaÁ„o das oficinas - 2.1 - PrÈ-oficina
    • 2.2 - Oficina
      • 2.3 - PÛs-oficina
  • 3- Relato de ExperiÍncias - 3.1 - A mal·ria - ï PeÁas produzidas - 3.2 - A febre amarela - ï PeÁas produzidas
  • 4 - Anexos - Anexo 1 - ProgramaÁ„o - Anexo 2 - RelaÁ„o de materiais para a oficina - Anexo 3 - Ficha de cadastro - Anexo 4 - Ficha de avaliaÁ„o - Anexo 5 - RelaÁ„o das necessidades e responsabilidades - Anexo 6 - Textos b·sicos - 1. As din‚micas de construÁ„o do conhecimento - 2. Os meios de comunicaÁ„o eleitos - 2.1. A comunicaÁ„o oral - 2.2. A comunicaÁ„o visual - 2.2.1. O mergulho nas cores - 3. A histÛria de Marlene
    1. ReferÍncia bibliogr·fica

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Este processo educativo aqui proposto é desenvolvido via oficinas de educação em saúde e comunicação que reforçará a capacidade gerencial e técnica das Secretarias de Saúde na descentralização e reorganização de ações, na construção coletiva do conhecimento, na apropriação de metodologias e tecnologias que permitam o resgate da cultura local e estimule os produtores culturais da região e formadores de opinião, no seu agir coletivo, desempe- nharem o seu papel nas ações de prevenção, controle e vigilância de agravos preconizadas pelo projeto. Os técnicos e população são sujeitos (atores) que, debruçados sobre a realidade, procuram compreendê-la, desvendá-la e atuar sobre ela para transformá-la. E, à medida que vão transformando esta realida- de vão se transformando também.

As oficinas assim pensadas e criadas pela ASCOM/ FUNASA junto com o VIGISUS/ Área Programática III, e amplamente discutidas e rediscutidas num processo de idas e vindas , desde 1998, com os setores e áreas técnicas que compõem o projeto, foram aperfeiçoadas e, agora, disponibilizadas aos gestores estaduais e municipais.

A formulação destas oficinas no Estado inicia- se pela pactuação técnica e política da FUNASA com a Secretaria de Saúde do Estado e posteriormente deste com o município identificando interesse e firmando compromisso e apoio institucional à realização e manutenção do processo e o fomento de parcerias com a sociedade civil que facilitará a realização da oficina e a permanência de infra estrutura técnica para sua recriação e expansão aos demais municípios. Em seguida, é realizado o levantamento no município pelos técnicos consulto- res junto com os da Secretaria Estadual e Municipal de Saúde, onde se tem um retrato da situação, teia de relações, recursos locais e se delineia toda a oficina com seleção de participantes previstos com a garantia de pelo menos 50% da sociedade civil. Neste momento, com o trabalho compartilhado, es- pera-se que já se inicie um processo de aprendizado e organização coletiva.

O segundo momento é o da oficina propriamente dita onde se espera que, além da visão global do SUS, do processo que fundamenta a prática de educação em saúde e comunicação e conteúdos específicos do agravo em questão, os participantes produzam suas peças de comunicação de apoio à prática educativa.

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O terceiro momento é a utilização do processo e dos instrumentos criados no controle da doença selecionada conforme indicadores epidemiológicos e acompanhamento da proposta via indicadores criados na própria oficina para tal fim e de um sistema de monitoramento e avaliação.

As oficinas têm um efeito cumulativo e, a cada aplicação, a proposta deverá ser melhorada num processo constante de construção e reconstrução da metodologia.

A educação continuada poderá ser feita através de supervisão e de monitoramento dos Estados e Municípios.

Este material é composto desta introdução que define técnica e politi- camente a opção pelo tipo de educação e comunicação defendida , a oportu- nidade dessa discussão, a necessidade de desenvolver tecnologias de constru- ção coletiva e de estratégias de educação em saúde e comunicação contextualizadas, os caminhos a serem percorridos desde a preparação das oficinas, sua operacionalização composta por diversos momentos que se entrelaçam e se interrelacionam e descrevem o produto da vivência de duas oficinas utilizando a metodologia eleita.

2 - Passos para operacionalizaÁ„o das oficinas

2.1 - PrÈ-oficina

A montagem de uma oficina requer negociações prévias para que o pessoal técnico/político manifeste seu interesse em realizar o evento, traba- lhando em parceria com os diversos atores sociais, disponibilizando recursos e estrutura. Os critérios de escolha do Município sede da oficina são de cunho epidemiológico e organizacional.

Este momento é a base para a realização da oficina porque a negocia- ção prévia com as Secretarias e a visita de reconhecimento e diagnóstico local dão sustentabilidade ao processo. Pactuação é igual a compromisso no forta- lecimento de parcerias, antes, durante e depois. O levantamento de informa- ções nesta fase é feito junto a diferentes fontes:

  • informações já disponíveis como pesquisa bibliográfica, internet, do- cumental, dados do sistema de informação local , estadual e nacional;

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  • realizar levantamento dos aspectos culturais, formas de organi- zação, informações;
  • identificar pessoas e grupos formadores de opinião para ceder informações e participar das oficinas (representantes dos diver- sos segmentos da população devem compor o corpo de alunos: organizações sociais, políticas, religiosas, conselhos, agentes co- munitários, produtores culturais, curadores populares, setor de produção, associações, empresas, setor de prestação de servi- ços, além das instituições públicas);
  • programar a oficina e agendá-la de acordo com o calendário do Município;
  • checar espaços para a realização da oficina. Todos os dados coletados devem ser registrados em um diário de cam- po e na forma audiovisual; como memória da pesquisa de campo devem ser organizados, catalogados, sumariados e irão subsidiar todo o processo de organização e realização da oficina.

Outro aspecto importante é o envolvimento do “público alvo” na elabo- ração do processo, de forma que mude seu papel de ator para o de autor, de espectador e receptor para co-autor e co-produtor, o que é fundamental para produzir mudanças.

2.2 - Oficina

A realização desta oficina requer certos cuidados para definir ações concretas de educação e comunicação como processo continuado, como, por exemplo,não desperdiçar tempo e dinheiro para que se produza um material que respeite as características epidemiológicas e socioculturais da região onde será aplicado. Além disso, para que essas ações constituam um processo de mobilização social, deve-se garantir a participação efetiva dos diferentes seg- mentos sociais.

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Objetivo geral da oficina:

Promover o desenvolvimento de métodos e processos de educação em saúde e comunicação para acesso e apropriação do conhecimento em saúde e produção de materiais de apoio à prática educativa desenvolvida nos servi- ços e na relação destes com a comunidade, estimulando e valorizando os canais existentes de comunicação.

Objetivos especÌficos da oficina:

ï Identificar os atores locais visando à pactuação de apoios e parceri- as políticas, administrativas e técnicas, integrando os vários segmen- tos da sociedade e instâncias gestoras. ï Contextualizar as ações de educação em saúde e comunicação. ï Discutir o conceito de processo enquanto ato contínuo imprescin- dível à eficiência, eficácia e efetividade dos resultados em educação em saúde e comunicação no controle do agravo. ï Participar na promoção do resgate da identidade cultural local, uti- lizando-a como suporte aos processos de criação de produtos de comunicação e de atitudes educativas. ï Instrumentalizar a gerência das ações de educação em saúde e de comunicação pelo município.

Estrutura da oficina (programaÁ„o da oficina no anexo 1, p·gina 53)

1 o. Momento

Contextualização da atividade: mesas e painéis sobre o SUS - nacional e local, doenças da Amazônia Legal, a malária, ou febre amarela, ou outro agravo na Amazônia e importância das estratégias de educação em saúde e comunicação no seu enfrentamento. Esta mesa tem a finalidade de situar os participantes sobre os motivos da atividade do ponto de vista técnico e no aspecto político. No nível político é

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4 o. Momento

  • Criação das imagens e som: artistas locais;
  • Arte-finalização: artista gráfico local. Utiliza-se o trabalho em pequenos grupos de acordo com a escolha da peça a ser trabalhada tendo como eixo o tema central que foi escolhido em painel no momento anterior.

5 o. Momento

Reprodução: empresa de xerox local. Neste momento, enquanto se finalizam e se reproduzem as peças para apresentação, resgatam-se todos as situações e os momentos educativos em que elas podem ser utilizadas, de acordo com a opção feita pelos participantes para o tipo de educação e comunicação eleita.

6 o. Momento

Capacitação dos multiplicadores do Estado para a reprodução das ofi- cinas em outros Municípios e dos multiplicadores do Município para uso dos instrumentos nas ações planejadas de educação em saúde e comunicação no controle da malária ou febre amarela, ou outro agravo: diferentes segmentos como participantes na criação do texto coletivo.

Planejamento das ações e elaboração dos indicadores e instrumentos de avaliação e monitoramento.

Neste momento afina-se a capacitação dos monitores, confluindo para a escolha coletiva destes, levando em consideração critérios preestabelecidos:

  • facilidade de comunicação,
  • habilidade em ouvir opiniões e de estimular a sistematização do conhecimento e de propostas,
  • visão critica e criativa,
  • participação em todo o treinamento,
  • capacidade de monitoramento estimulando a livre manifestação de idéias sem atitudes preestabelecidas.

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Logo após, intercalando dinâmica de grupo com plenárias, planejam- se as ações e estratégias para a reedição das oficinas nos demais municípios e a utilização das peças produzidas como apoio à prática educativa no controle do agravo. Constroem-se aqui os indicadores para acompanhamento das ações.

Momentos paralelos:

Oficinas de artes, cultura, reciclagem, etc.

Produtos esperados:

Criação de um processo de educação em saúde e de comunicação para o controle de agravos (malária, ou febre amarela, ou outro) baseado na valo- rização da comunicação oral, predominante na região.

Estratégia: O uso de história, para situar a comunicação no conto sociocultural da região - Palmiteiro, lenhador, caçador, mosquito, linguagem: música, teatro de bonecos, cartum.

Peças: dramatização usando teatro de bonecos - para ser exibido nas reuniões de vacinação, ou outra ação de controle, em escolas; camiseta, para os participantes; “folder” com história infantil e cartaz para apoiar a comuni- cação interpessoal, nas reuniões, escolas, etc., “jingle” para veicular no rádio e no sistema de alto-falantes.

Finalização das peças utilizando os meios de produção locais. ï Camisetas e cartuns; ï Bonecos; ï Arte do cartaz e “folder”, no computador; ï Musicalização do “jingle”;

P˙blico alvo:

ï 20 participantes

  • 10 do governo estadual e/ou municipal e 10 representantes da sociedade civil.

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contextualizada, fazendo com que a sua discussão ganhe sentido, inclusive pela não identificação desse agravo enquanto problema de saúde significante, conforme avaliado na visita de reconhecimento.

A partir dessa discussão, um técnico sistematizará os conhecimentos sobre as doenças da Amazônia Legal, caracterizando-as de forma didática e objetiva. Observa-se aqui que os detalhes necessários à qualidade da informa- ção contida nos produtos/peças serão trazidos por esse técnico durante mo- mento subseqüente, onde se qualificarão as peças de comunicação. O segun- do momento da sensibilização temática é de contato e análise com diferentes meios de comunicação, bem como as estratégias pedagógicas neles contidas. Para isso, serão apresentadas, analisadas e discutidas, peças em circulação, das mais variadas formas: cartazes, “folders”, vídeos, teatro, informativos, etc.

A partir desses momentos de integração, liberação, sensibilização e subsidiação temática e tecnológica, já haverá condições para que a produ- ção coletiva se processe através de grupos de trabalho que terão se conforma- do pelas identidades, então, construídas.

A tarefa dos grupos será conceber a idéia central da ação educativa e campanha e textos de referências, que terão sua versão final definida após exercício de consenso no grande grupo. Para isso, deverão definir, primeiro, o público sujeito das ações e, segundo, o mote da campanha e os passos da ação educativa, ou seja, qual o objetivo, o que se pretende com este trabalho. É muito importante definir o público pois este perfil é que nos vai orientar, também, para a construção das peças de comunicação. É preciso estar atento à linguagem, crenças, costumes e necessidades do referido público, sob pena de não se conseguir a completa compreensão do que se está fazendo.

Em relação ao mote, é preciso eleger um aspecto importante do que se quer comunicar. Uma idéia de cada vez, senão o público receptor fica- rá confuso. No caso da malária, o que é mais importante: O diagnóstico preco- ce ou o combate ao vetor? No caso da febre amarela, é a vacinação? Sabe-se que é praticamente impossível evitar o contato com o mosquito em área com altos índices de infestação. Assim, fica óbvio que o diagnóstico precoce e o tratamento é a melhor prevenção, para quebrar a cadeia epidemiológica da malária e, na febre amarela, a vacinação.

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Retornando aos grupos, cada um trabalhará num tipo de peça. Assim, haverá mensagens de rádio, cartaz, folhetos, teatro de bonecos. Cada grupo trabalhará em cima do tema central e dos textos, adequando-os a cada peça e criando imagens e sons para seu suporte audiovisual. Em relação às peças eleitas, sabe-se que a Amazônia é uma região com forte cultura oral, cujas formas mais eficientes são o rádio e a comunicação interpessoal. Dessa for- ma, sugere-se o rádio como grande difusor local; os folhetos e cartazes como material de fixação e imagético - ambos orientadores da comunicação interpessoal, além do teatro de bonecos como elemento sensibilizador, en- quanto potencial espaço de criatividade e adaptação.

2.3 - PÛs-oficina

Indicadores de acompanhamento e avaliaÁ„o do uso das estratÈgias

Os indicadores criados durante a oficina e outros já consagrados e escolhidos serão utilizados para avaliar e monitorar as ações educativas e de comunicação, bem como o material de apoio às estratégias planejadas e colo- cadas em prática. Eles poderão ser enriquecidos e até modificados conforme o agravo objeto de controle e a realidade a ser transformada.

ï Número de pessoas que procuram os serviços para diagnóstico e tratamento. ï Número de pessoas com tratamento concluído. ï Número de pessoas que procuram informações sobre a doença:

  • nos serviços de saúde (agentes comunitários de saúde, PSF, pos- tos de saúde)
  • junto às lideranças. ï Aumento da demanda de diagnóstico e tratamento na unidade local de saúde. ï Número de pessoas que procuraram os serviços para ser vacinadas. ï Das pessoas que procuraram os serviços, de onde receberam a in- formação?