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Definição e dimensionamento de eixos e eixos-árvores
Tipologia: Esquemas
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Os elementos de máquinas desempenham um papel relevante na engenharia
mecânica, fornecendo as bases para a operação e funcionamento de uma ampla gama de
dispositivos e sistemas. Dentre esses elementos, os eixos emergem como componentes
fundamentais, desempenhando um papel vital na transmissão de movimento e energia
em máquinas e equipamentos. Em termos mais simples, eixos são estruturas mecânicas
alongadas que têm a função primordial de transmitir torque e suportar cargas axiais,
radiais e momentos em diversas aplicações industriais.
Definem-se aqui os eixos como um tipo específico de elemento de máquinas,
destacando suas características, aplicações e exemplo em projeto. Ao se compreender a
complexidade e a relevância dos eixos como elementos de máquinas, os projetos de
sistemas são mais eficientes e confiáveis, contribuindo assim para o avanço da
engenharia mecânica e suas aplicações práticas.
No mundo da engenharia mecânica e industrial, os eixos-árvores emergem como
componentes cruciais para uma variedade de aplicações que envolvem transmissão de
torque, suporte de carga e operações de usinagem. Esses elementos de máquinas
desafiam as leis da física e da engenharia ao lidar com forças extremas, rotações velozes
e uma gama de condições de carga variáveis.
Ao se explorar o conceito de eixos-árvores, nota-se que confiabilidade e a
precisão são fundamentais. Desde sistemas de transmissão automotiva até maquinário
industrial de alta precisão, os eixos-árvores são empregados para garantir o perfeito
alinhamento de componentes rotativos, permitindo a transmissão suave de torque e a
realização de operações de usinagem precisa. Neste contexto, há características únicas
dos eixos-árvores, bem como aplicações para esse elemento em diversos setores e os
desafios inerentes ao seu projeto, fabricação e manutenção.
Eixos de transmissão, ou simplesmente eixos, são usados em praticamente todas
as partes de máquinas rotativas para transmitir movimento de rotação e torque de uma
posição a outra. Assim, o projetista de máquinas está frequentemente envolvido com a
tarefa de projeto de eixos.
árvores, com papel significativo para a eficiência de sistemas que dependem da
transmissão de movimento rotativo.
Exemplos típicos de aplicação de eixos na engenharia mecânica são encontrados
nos sistemas de transmissão automotiva. Nos veículos, os eixos desempenham um papel
crucial na transferência de torque e movimento das rodas para o motor, permitindo
assim que o veículo se desloque. O eixo de transmissão, por exemplo, é uma peça-chave
que conecta a transmissão do veículo às rodas, transmitindo a energia gerada pelo motor
e permitindo a variação da velocidade conforme necessário. Esse eixo precisa suportar
cargas variáveis e torques consideráveis, além de se adaptar a diferentes condições de
estrada e condução.
Outro exemplo relevante é o uso de eixos em sistemas industriais de
processamento, como linhas de produção e máquinas-ferramenta. Em uma máquina-
ferramenta, por exemplo, o eixo-árvore é um componente vital. Ele é responsável por
fornecer rotação de alta velocidade para ferramentas de corte, como brocas e fresas,
permitindo a usinagem precisa de peças metálicas. A robustez e precisão do eixo-árvore
são cruciais para garantir resultados de usinagem consistentes e de alta qualidade. Essas
aplicações exigem que os eixos sejam projetados para suportar as cargas e tensões
específicas impostas por diferentes operações de usinagem e processamento.
Assim, os eixos têm um papel diversificado em várias aplicações de elementos
de máquinas, desde veículos até processos industriais. Eles ilustram a importância do
projeto e seleção adequados de eixos para garantir a funcionalidade e confiabilidade dos
sistemas mecânicos em uma ampla gama de contextos.
Já para eixos-árvores, um exemplo notável da aplicação é em sistemas de
transmissão mecânica de máquinas pesadas. Os eixos-árvores são usados para transmitir
o movimento rotativo de engrenagens maiores para menores, garantindo uma
transferência eficiente de energia e torque. Tais elementos precisam ser projetados com
cuidado, considerando fatores como a carga, a velocidade de rotação e as condições
operacionais para garantir a segurança e a eficiência do sistema.
Um projeto típico envolvendo eixos-árvores na engenharia mecânica é
encontrado em projetos de volante de disco sólido, como descrito na aplicação no
tópico 4.
Problema: Projetar um eixo para suportar os complementos ilustrados a seguir
com um coeficiente de segurança de projeto mínimo de 2,5.
Dados: O projeto preliminar de configuração do eixo é mostrado abaixo. Ele deve
transmitir 2 hp a 1725 rpm. O torque e a força na engrenagem são constantes com o
tempo.
Hipóteses: Não há cargas axiais aplicadas. Será usado aço para obter vida infinita.
Pressupõe-se um fator de concentração de tensão de 3,5 para o degrau nos raios em
flexão, 2 para o degrau nos raios em torção e 4 nas chavetas. Uma vez que o torque é
constante e o momento fletor completamente reverso, o método ASME pode ser usado e
será comparado com o método geral.
a) Primeiro determina-se o torque transmitido a partir da potência e velocidade
angular:
ω
2 π
=73,1 lb. ∈¿
2
b
g
p + F s
q
g
s
∑
1
g
s
2
1
g
s
2
g
s
Resolvendo-se simultaneamente as equações acima, chega-se a:
1 x
=7,47 lb R 1 y
=14,61 lbR 2 x
=−52,87 lbR 2 y
=9,74 lb
e) Agora, calculam-se a carga de cisalhamento e o momento fletor atuantes no
eixo. Escreve-se uma equação para a função de carregamento q usando funções
singulares, integra-se essa função para obter a função de cisalhamento V e
integra-se outra vez para obter a função de momento M. Assim, se obtém:
q = R 1
− 1
g
− 1
2
− 1
s
− 1
1
0
g
0
2
0
s
0
1
1
g
1
2
1
s
1
f) Substituem-se os valores das cargas e as forças de reação para cada direção
coordenada nas Equações de q, V e M, avaliando-as para todos os valores de z
ao longo do eixo. A seguir, combinam-se as componentes da função momento
nos planos XZ e YZ para encontrar a magnitude máxima da função de momento.
Dentro desse comprimento do eixo, há três posições que exigem atenção, nas
quais um momento ocorre em combinação com uma concentração de tensões: o
ponto B entre o degrau e a chaveta sob a engrenagem (MB = ±33 lb-in), o ponto
C no mancal direito onde há um degrau com um raio pequeno para caber o
mancal (MC = ± 63 lb-in) e o ponto D no degrau da polia (MD = ± 9 lb-in). Por
causa da alta concentração de tensão, o chanfro do anel de retenção usado para
posicionamento axial é colocado na extremidade do eixo onde o momento e o
torque são ambos nulos.
g) Escolhe-se um material de teste para os cálculos. Primeiramente, utiliza-se um
material de baixo custo, como o aço de baixo carbono laminado a frio, como o
SAE 1020 com Sut = 65 kpsi e Sy = 38 kpsi. Embora esse material não seja
excepcionalmente forte, ele tem baixa sensibilidade ao entalhe, o que é uma
vantagem, dadas as grandes concentrações de tensão. Calcula-se assim o limite
de resistência à fadiga não corrigido:
e
ut
= 32500 psi
Este limite é reduzido por diversos fatores para levar em conta as diferenças
entre a parte e o espécime de ensaio:
e
'
carreg
taman h o
superf
temp
conf
e
=1.1.0,84 .1 .1.32500= 27300 psi
Os valores de coeficientes acima usados se justificam pelo fato de que o
carregamento é flexão e torção (C carreg = 1), não se conhece exatamente o tamanho a
peça (C tamanho = 1), o acabamento de usinagem prevê C superf = 0,84, a temperatura não é
elevada (C temp
= 1), e estima-se 50% de confiabilidade no estágio preliminar de projeto
conf
h) A sensibilidade do material ao entalhe é determinada como q = 0,5 em flexão e q
= 0,57 em torção, supondo o raio do entalhe de 0,01 in.
i) O fator de concentração de tensão por fadiga é dado por
f
= 1 + q
t
A sensibilidade do material ao entalhe dada por
fs
= 1 + q
ts
O mesmo fator deve ser usado na componente de tensão média torcional:
fsm
= 1 + q
tsm
ponto C. (A chaveta para a polia está em uma região de momento nulo e,
portanto, será ignorada). Usando esses valores para o ponto D:
d 3
f
f
a
f
2
fsm
m
y
2
1 / 2
1 / 3
n) A partir dos cálculos preliminares, podemos determinar tamanhos razoáveis para
os diâmetros dos quatro degraus d0, d1, d2, d3. O próximo diâmetro
padronizado crescente do mancal de esferas para o diâmetro d2 = 0,531 in
calculado para o ponto C é 15 mm ou 0,591 in. Selecionando esse valor para d2,
escolhemos d3 = 0,50 in e d1 = 0,625 in. O tamanho padrão d0 do eixo é,
portanto, 0,75 in, que fica laminado para o diâmetro externo na flange da
engrenagem. Essas dimensões darão fatores de segurança que satisfazem ou
excedem a especificação. As tensões e os fatores de segurança nos três pontos
devem agora ser recalculados usando fatores de redução de resistência e fatores
de concentração de tensão baseados nas dimensões finais.
Problema: Projetar um eixo-árvore onde são montadas duas engrenagens
cilíndricas de dentes retos. Na construção desse eixo, deve-se utilizar aço SAE 1035
O coeficiente de segurança requerido é de 1,6. Admitindo que esse eixo seja
escalonado, pede-se também estabelecer o diâmetro em A, do trecho DA e do
trecho DC na figura.
Dados: Tensão de ruptura do aço SAE 1035:
σ r
= 469 MPa , tensão limite de
escoamento:
σ e
= 259 MPa .
Hipóteses: Desconsideram-se os efeitos de temperatura e de concentração de tensões.
a) Calcula-se o momento fletor no plano XY.
Valem as relações
∑
x
∑
x
∑
y
∑
y
∑
z
∑
A
cos ( 20 ).
B
cos ( 20 ).
Assim:
A
sen ( 20 )=4,1 kN F B
sen ( 20 )=8,2 kN F A
cos ( 20 )=11,3 kN F B
cos ( 20 ) =22,6 kN
O torque no trecho AB é dado por:
A
cos ( 20 ).
=3,955 N. m
Para aços, equaciona-se (conforme tabela):
f
'
ut
= 100 kpsi
Como o eixo é usinado, estima-se
superf
, obtido a partir de
superf
≈ a. S ut
b
, conforme a tabela empírica a seguir.
Do gráfico de dureza a seguir, marca-se:
Da hipótese inicial de diâmetro entre 7,6 e 50 mm, segundo as tabelas
Calculando o diâmetro:
d =
{
f
π [ (
f
f
)
2
(
fsm
σ e
)
2
]
1 / 2
}
1 / 3
d =
{
f
π [ (
f
)
2
(
σ e
)
2
]
1 / 2
}
1 / 3
=83,45 mm
Para tal diâmetro,
tam
, e assim se recalcula o limite de resistência à fadiga
da peça:
f
superf
tamanho
conf
temp
carreg
¿
f
'
f
=0,8_._ 0,75_._ 1_._ 234,5=140,7 MPa
O diâmetro em B, no trecho AB, é dado por
d =
{
f
π [ (
f
)
2
(
σ e
)
2
]
1 / 2
}
1 / 3
=86,4 mm
Portanto, conclui-se os eixos têm um papel diversificado em várias aplicações de
elementos de máquinas, desde veículos até processos industriais. Eles ilustram a
importância do projeto e seleção adequados de eixos para garantir a funcionalidade e
confiabilidade dos sistemas mecânicos em uma ampla gama de contextos.
Além disso, os eixos-árvores desempenham um papel fundamental no campo
dos elementos de máquinas, proporcionando uma base sólida para a transmissão
eficiente de forças e movimentos em uma variedade de aplicações industriais e
mecânicas. Através de um projeto cuidadoso que leva em consideração fatores como
carga, velocidade, materiais e tolerâncias, é possível assegurar a integridade estrutural e
a operação confiável das máquinas. A aplicação adequada de eixos-árvores não apenas
garante a transferência segura de energia, mas também contribui para a eficiência global
dos sistemas mecânicos, demonstrando sua importância na otimização do desempenho e
na garantia da durabilidade das máquinas modernas.
BUDYNAS, R. G. Elementos de Máquinas de Shigley. 10. Ed. Porto Alegre: AMGH,
CUNHA, L. B. Elementos de Máquinas. São Paulo: LTC. 2005.
NORTON, R. L. Projeto de Máquinas: Uma Abordagem Integrada. 4ª Ed. Rio de
Janeiro: Bookman, 2013.