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Eletromagnetismo, Notas de estudo de Engenharia Elétrica

Apostila de Eletromagnetismo I (parte4) de Engenharia Elétrica da UNESP - Bauru. (divida em 14 partes feitas pelo professor da disciplina). Apostila super didática.

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 07/10/2009

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bg1
ELETROMAGNETISMO I 25
TRABALHO E POTENCIAL
ELETROSTÁTICO
4
Nos capítulos anteriores nós investigamos o campo elétrico devido a diversas configurações de
cargas (pontuais, distribuição linear, superfície de cargas e distribuição volumétrica de cargas), a
partir da Lei de Coulomb, da Lei de Gauss e seu conseqüente Teorema da Divergência. No
primeiro caso, as expressões para o vetor intensidade de campo elétrico eram obtidas à custa de
integrações que, conforme a complexidade do problema, poderiam se tornar bastante complicadas.
Já a Lei de Gauss, mais simples de ser utilizada, requer o conhecimento da simetria do problema.
Nos casos em que isso não acontecia, a solução pela Lei de Coulomb ainda seria a mais
recomendável. Ainda quando a simetria não podia ser atendida, o Teorema da Divergência era
aplicado pontualmente, numa extensão da Lei de Gauss aplicada a todo um volume envolto por uma
superfície fechada.
Vamos agora procurar outra maneira de se resolver problemas de eletrostática, dessa vez a partir de
uma função escalar, conhecida como potencial eletrostático, ou campo potencial.
4.1 - TRABALHO ENVOLVIDO NO MOVIMENTO DE UMA CARGA PONTUAL EM UM CAMPO
ELÉTRICO
Imagine um campo elétrico devido à presença de uma configuração de cargas qualquer (cargas
pontuais, linhas superfícies ou volumes carregados) onde uma carga pontual de prova Q é colocada.
Sobre essa carga pontual estará agindo uma força de origem eletrostática, dada por:
)N(EQFe
r
r
= (4.1)
Se esta carga for deixada em um ponto desta região de campo elétrico ela será acelerada e se
deslocará até uma distância infinita, onde a ação da força agente sobre ela não se faça mais sentir.
Se quisermos mover essa carga contra a ação do campo elétrico, temos de exercer uma força
mínima de intensidade igual àquela exercida pelo campo elétrico, mas com direção oposta, isto é, na
direção do movimento. Isso exige o dispêndio de energia, ou seja, a realização de um trabalho
(resistente) pela força externa aplicada na carga. Se o movimento desta carga se dá no sentido do
campo elétrico, o dispêndio de energia é negativo, ou seja, a fonte externa não realiza trabalho; este
é realizado pelo campo elétrico.
Vamos supor agora o movimento da carga Q de uma distância elementar d
L
r
no campo elétrico
runiforme, conforme pode ser mostrado pela figura 4.1. O gasto desta energia incremental dW será
expresso pelo produto escalar da força aplicada
E
e
FF
r
r
= pela distância: Assim,
LdEQdW
r
r
= (4.2)
Fe
F
Q
E
Figura. 4.1 Carga Q em um campo elétrico E.
UNESP – Naasson Pereira de Alcantara Junior – Claudio Vara de Aquino
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TRABALHO E POTENCIAL

ELETROSTÁTICO

Nos capítulos anteriores nós investigamos o campo elétrico devido a diversas configurações de

cargas (pontuais, distribuição linear, superfície de cargas e distribuição volumétrica de cargas), a

partir da Lei de Coulomb , da Lei de Gauss e seu conseqüente Teorema da Divergência. No

primeiro caso, as expressões para o vetor intensidade de campo elétrico eram obtidas à custa de

integrações que, conforme a complexidade do problema, poderiam se tornar bastante complicadas.

Já a Lei de Gauss, mais simples de ser utilizada, requer o conhecimento da simetria do problema.

Nos casos em que isso não acontecia, a solução pela Lei de Coulomb ainda seria a mais

recomendável. Ainda quando a simetria não podia ser atendida, o Teorema da Divergência era

aplicado pontualmente, numa extensão da Lei de Gauss aplicada a todo um volume envolto por uma

superfície fechada.

Vamos agora procurar outra maneira de se resolver problemas de eletrostática, dessa vez a partir de

uma função escalar, conhecida como potencial eletrostático, ou campo potencial.

4.1 - TRABALHO ENVOLVIDO NO MOVIMENTO DE UMA CARGA PONTUAL EM UM CAMPO

ELÉTRICO

Imagine um campo elétrico devido à presença de uma configuração de cargas qualquer (cargas

pontuais, linhas superfícies ou volumes carregados) onde uma carga pontual de prova Q é colocada.

Sobre essa carga pontual estará agindo uma força de origem eletrostática, dada por:

F QE(N )

e

r r

Se esta carga for deixada em um ponto desta região de campo elétrico ela será acelerada e se

deslocará até uma distância infinita, onde a ação da força agente sobre ela não se faça mais sentir.

Se quisermos mover essa carga contra a ação do campo elétrico, temos de exercer uma força

mínima de intensidade igual àquela exercida pelo campo elétrico, mas com direção oposta, isto é, na

direção do movimento. Isso exige o dispêndio de energia, ou seja, a realização de um trabalho

(resistente) pela força externa aplicada na carga. Se o movimento desta carga se dá no sentido do

campo elétrico, o dispêndio de energia é negativo, ou seja, a fonte externa não realiza trabalho; este

é realizado pelo campo elétrico.

Vamos supor agora o movimento da carga Q de uma distância elementar dL

r

no campo elétrico

r

uniforme, conforme pode ser mostrado pela figura 4.1. O gasto desta energia incremental dW será

expresso pelo produto escalar da força aplicada

E

e

F F

r r

= − pela distância: Assim,

dW QE d L

r r

F

e

F

Q

E

Figura. 4.1 Carga Q em um campo elétrico E.

Como uma conseqüência e pela equação acima, podemos perceber facilmente que se desejarmos

mover a carga perpendicularmente ao campo elétrico, o trabalho realizado será nulo.

Considerando uma trajetória finita, o trabalho realizado pela força externa para mover uma carga

pontual Q imersa num campo elétrico E

r

é dado pela integral:

W Q E.dL(J )

final

inic.

r r

(4.3)

Exemplo 4.

Dado o campo elétrico

x y z

2

E = 3 x .aˆ + 2 z.aˆ + 2 y.aˆ

r

(N/C), determine o trabalho realizado para se mover

uma carga de 20 μC ao longo de um percurso incremental 10

m de comprimento, na direção de

localizado no ponto (2, –2, –5) m.

x y z

a

a 0 , 64.

a 0 , 48.

Solução:

No ponto (2, –2, –5)

E 12 .aˆ 10 .aˆ 4 .aˆ (N/C )

a

ˆ a 2 .( 2 ).

ˆ a 2 .( 5 ).

ˆ E 3 .( 2 ).

x y z

x y z

2

= − −

= + − + −

r

r

Para dW qEdL

r v

= − ⋅ vem:

Como a 1

a 0 , 64.

a 0 , 48.

x y z

10 ( 0 , 6 .aˆ 0. 48 .aˆ 0 , 64 .aˆ )

a )

a 4.

a 10.

dW 20. 10 .( 12.

x y z

4

x y z

6

dW 2 x 10 .( 7 , 2 4 , 8 2 , 56 ) 18 , 88 nJ

9

4.2 - INTEGRAL DE LINHA

Na análise vetorial, uma integral de linha é definida como sendo a integral do produto escalar de um

campo vetorial por um vetor deslocamento diferencial dL

r

ao longo de um caminho determinado,

como é o caso da equação 4.3 expresso na seção anterior.

Para entender melhor esse conceito, imagine que queiramos calcular o trabalho para mover uma

carga Q em um campo elétrico E

v

‚ partindo do ponto B e se dirigindo ao ponto A, percorrendo uma

trajetória determinada na figura 4.2.

A

∆L

4

E

L

∆L E

3

E

L

∆L

2

E

E

L

∆L

1

E

E

L

E

B

Figura 4.2 Carga pontual Q movendo-se de B até A por um caminho estabelecido.

O caminho é então segmentado por inúmeros comprimentos elementares retilíneos L

r

∆. A

componente do campo elétrico ao longo de cada segmento incremental é multiplicada pelo tamanho

deste segmento, e os resultados para todos os segmentos são somados. Obviamente isso é um

somatório. A integral é obtida quando o comprimento de cada segmento tender a zero.

) 6 x 10 (J )

z

W 10 ( 2 z)dz 10 ( 2 z

5

2

5

2

0

5

2

0

− − −

Para o trajeto 2: W = W 1

  • W 2

a ) Qydy 10 ydy

a .dy

dW Q( y

5

1 y y

2 x 10 (J )

y

W 10 ydy 10

5

2

5

0

2

5

1

2

0

− − −

dW Q( 2 z.aˆ.dz.aˆ) Q 2 zdz 10 2 zdz

5

2 z z

− − −

2

0

5

2

5 5

2

4 x 10

z

W 10 2 zdz 2 x 10

2

0

W W W 6 x 10 (J )

5

1 2

Exemplo 4.

Calcular o trabalho realizado para mover uma carga pontual positiva Q C, imersa no campo elétrico

de uma linha de carga de densidade ρ

l

C/m do ponto r

1

m ao ponto r

2

m, conforme a figura abaixo.

Solução:

Figura 4.4 Carga imersa no campo de uma linha de cargas.

ρ

l

Sabemos que o campo elétrico devido a uma

linha de cargas possui apenas a componente

na direção radial. Em coordenadas cilíndricas:

.aˆ (N/C )

2 r

E E.aˆ

r

0

l

r r

πε

ρ

r

O comprimento diferencial do caminho em

coordenadas cilíndricas é dado genericamente

por:

r z

a

a dz.

a rd.

dL = dr. + φ +

φ

r

O trabalho diferencial será então:

. dr

2 r

dW Q.E dL Q.

0

l

πε

ρ

r r

Logo:

πε

ρ

2

1

r

r

0

l

r

dr

W Q

(J )

r

r

ln

W Q

1

2

0

l

πε

ρ

Como r

2

é maior que r

1

, ln (r

2

/r

1

) é positivo e

o trabalho realizado é negativo. Ou seja, a

fonte externa que move a carga recebe

energia.

4.3 - DIFERENÇA DE POTENCIAL E POTENCIAL ELETROSTÁTICO

Se tomarmos a equação para o trabalho realizado para se mover uma carga Q em um campo

elétrico, e a dividirmos pelo valor da carga Q, Teremos uma nova grandeza que denominaremos de

diferença de potencial. Matematicamente:

final

inic.

E dL

Q

W

Diferença dePotencial

r r

(4.9)

Em outras palavras, a diferença de potencial (ddp) pode ser definida como sendo o trabalho realizado

para se mover uma carga unitária de um ponto a outro em um campo elétrico. Fisicamente indica a

diferença entre dois níveis de energia passíveis de uma realização de trabalho numa região de

campo elétrico, sobre uma carga quando aí colocada.

dL = dr a r

r 2

r

1

A sua unidade é Joule por Coulomb, ou Volt (V). Se A é o ponto final e B o ponto inicial, a diferença

de potencial V

AB

é dada por:

V V V E dL( V

A(final)

B(inicial)

AB A B ∫

r r

(4.10)

No exemplo da linha de carga da última seção, o trabalho para se deslocar a carga de r

2

para r

1

é:

(J )

r

r

ln

W Q

1

2

0

l

πε

ρ

(4.11)

O campo elétrico desta linha de carga cria uma diferença de potencial entre r

1

e r

2

dada por:

(V )

r

r

ln

Q 2

W

V

1

2

0

l

12

πε

ρ

(4.12)

Exemplo 4.

Calcular a diferença de potencial entre os pontos r

1

e r

2

, r

2

r

1

, devido a uma carga pontual de Q

Coulombs positivos. Mostrar que ela independe das posições θ e φ.

Solução:

V E dL(V )

1

2

r

r

12 ∫

r r

Em coordenadas esféricas

θ φ

= + θ + θφa

a rsen d

a rd

dL dr

r

r

r r

2

0

a

a ;dL dr.

r

Q

E =

πε

r r

2

0

r

dr

Q

E dL

πε

r r

πε

1

2

r

r

2

0

12

r

dr

Q

V

1

r

2

r

1

2 r

Q

r

dr

Q

V

0

r

r

2

0

12

πε

πε

(V )

r

r

Q

V

0 1 2

12 ⎟

πε

O potencial absoluto pode ser definido tomando um potencial de referência especificado que é

considerado como tendo potencial zero. Usualmente esse potencial é tomado na superfície da terra

ou no infinito. No exemplo anterior, se um dos pontos (ponto r 2

, por exemplo) estiver no infinito, o

potencial (absoluto) no ponto r 1

será:

(V )

r

Q

4 πε

V

0 1

1

(4.13)

Se o potencial absoluto de A é V

A

, e o potencial absoluto de B é V

B

, a diferença de potencial V

AB

será então a diferença entre estes potenciais, ou seja:

V V V (V )

AB A B

P

Figura 4.4 Anel de cargas.

Exemplo 4.

Resolver o exemplo anterior, considerando uma coroa circular de raio interno a m, raio externo b m e

densidade superficial ρ

s

C/m

2

.

Solução:

(V )

R

.dS

4

1

V

S

s

0

ρ

πε

=

dS = r d. φ. dr ; R = r z

2 2

V

rd dr

r z

s

=

1

4

0

2 2 πε

ρ. φ.

V d

rdr

r z

s

a

b

=

ρ

πε

φ

π

4

0

2 2 0

2

V

rdr

r z

s

a

b

=

ρ

2 ε

0

2 2

V r z

s

a

b

= +

ρ

2 ε

0

2 2

V b z a z

s

= + − +

V

ρ

2 ε

0

2 2 2 2

( )

Figura. 4.6 Anel com distribuição superficial de cargas.

s

P

l

z

a

EXERCÍCIOS

  1. Calcule o trabalho necessário para movimentar uma carga pontual Q = -20 mC no campo

E 2 (x 4 y).aˆ 8 x.aˆ (V/m)da origem ao ponto (6,4,1) m, ao longo do percurso.

x y

r

x 9 y

2

  1. Calcule o trabalho necessário para movimentar uma carga pontual Q = 5 mC de (5 m, p, 0) a

(3 m, p/2. 3 m), coordenadas cilíndricas, no campo a (V/m)

a 10 z.

E ( 10 r).

z

5

r

5

r

.

  1. Uma carga pontual de 0,6 nC está localizada no ponto (3,6,6) m. Calcule a diferença V

AB

,

entre os pontos A(3,3,6) m e B(-3,3,6) m.

  1. Se a referência de potencial nulo está em r = 12 m, e uma carga pontual Q = 0.6 nC ocupa a

origem, encontre os potenciais em r = 8 m e r = 24 m.

  1. Suponha que em um dia sujeito a instabilidades atmosféricas, a diferença de potencial entre

a superfície da terra e a eletrosfera (digamos 25 km acima da superfície terrestre) seja de

600000 V. Um avião com 12 m de envergadura em suas asas está voando a 2600 m de

altitude, com uma inclinação de 45

°

de suas asas. Calcule a diferença de potencial entre as

extremidades das suas asas.

  1. Três cargas pontuais de 2 nC ocupam os vértices de um triângulo eqüilátero de 2 m de lado.

Calcule o potencial em um ponto 2 m acima do plano do triângulo e no eixo de seu centro

geométrico.

  1. Uma distribuição linear de cargas com densidade ρ

l

= 1 nC/m ocupa o perímetro de um

quadrado de 5 m de lado. Calcule o potencial no ponto situado 6 m acima do quadrado, no

eixo de seu centro.

  1. Desenvolva uma expressão para o potencial num ponto distante radialmente d m do ponto

médio de uma distribuição linear de cargas finita, de comprimento L m e de densidade

uniforme r

l

(C/m). Comprove a dedução da expressão, pelo desenvolvimento empregado no

exercício anterior.

  1. Um disco 0 ≤ r ≤ a m, z = 0, 0 ≤ φ ≤ 2 π·, possui uma densidade superficial de cargas

r a (C/m )

2 2 2

s 0

ρ =ρ. Encontre V(0,0,z m) no espaço livre.

  1. Uma película plana uniformemente carregada com ρ

s

= (1/5π) nC/m

2

está localizada em x =

0, e uma segunda película plana, com ρ s

= (-1/5π) nC/m

2

está localizada em x = 10 m.

Calcule V

AB

, V

BC

, V

AC

para A(12, 0, 0) m, B(4, 0, 0) m e C(-2, 0, 0) m

  1. Calcule o trabalho necessário para movimentar uma carga pontual e positiva de 5 μC entre a

origem de um sistema de coordenadas esféricas e o ponto (2 m; π/4; π/2), onde o campo

elétrico é dado por a (V/m)

rsen

a

E 5 e

r

r 4

φ

θ

r

.

  1. Três cargas pontuais de 4 μC cada uma, localizam-se nos vértices de um triângulo eqüilátero

de lado 0,5 mm situado no vácuo. Que trabalho deve ser realizado para deslocar uma das

cargas até o ponto médio do segmento determinado pelas outras duas?