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Espaços métricos precompactos e teorema de Heine-Borel, Notas de estudo de Matemática

Este documento aborda a noção de espaços métricos precompactos e a generalização do teorema de heine-borel para todos os espaços métricos. São apresentadas definições, exercícios e proposições relacionadas à precompacidade e à compacidade em espaços métricos. Além disso, é demonstrado que uma função contínua sobre um espaço métrico compacto é uniformemente contínua.

Tipologia: Notas de estudo

2011

Compartilhado em 22/02/2011

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Aula 10 segunda, 21 de fevereiro 2011
10.1. Espac¸os m ´
etricos precompactos. O teorema de Heine-Borel tenha uma generalisac¸ ˜ao
importante valida para todos os espac¸os m´etricos, mas a noc¸˜ao duma “parte limitada” deve
ser rafinada.
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ao 10.1.1. Seja Aum sub-conjunto dum espac¸o etrico Xqualquer. O diˆ
ametro de
A´e dado pela formula
diam (A) = inf{r[0,+] : a, b A, d(a, b)r}.
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ao vazio temos
diam (A) = sup
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d(a, b).
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ıcio 10.1.3. Seja Aum sub-conjunto dum espac¸o etrico Xqualquer. Mostrar que as
condic¸˜oes seguintes s˜ao equivalentes:
(1) existem xXer > 0tais que ABr(x),
(2) para cada xXexiste r > 0tal que ABr(x),
(3) o diˆametro de A´e finito, isso ´e,
R > 0: x, y X, d(x, y)R.
Definic˜
ao 10.1.4. Um sub-conjunto Adum espac¸o etrico X´e dito limitado se Asatisfaz
uma das condic¸˜oes equivalentes de exerc´ıcio 10.1.3.
Exerc´
ıcio 10.1.5. Verifica-se facilmente que cada espac¸o etrico compacto ´e limitado.
Ao mesmo tempo, um sub-espac¸o fechado e limitado dum espac¸o etrico n˜ao ´e sempre
compacto.
Exemplo 10.1.6. Um exemplo a mais simples ´e dado para um conjunto infinito Xmunido da
etrica zero-um. Esto espac¸ o ´e completo,logo “absolutamente fechado”, e limitado, por que
X´e contido na cada bola aberta do raio dizemos R= 2. Agora, escolhamos uma seq¨uˆencia
(xn)dos pontos de Xdois a dois distintos e possivel como X´e infinito). Evidentemente,
nenhuma sub-seq¨encia de (xn)n˜ao ´e uma seq¨uˆencia de Cauchy, logo ao converge.
Eis uma verc¸˜ao geral correta dum conjunto “limitado” no senso do teorema de Heine-
Borel. 1
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Baixe Espaços métricos precompactos e teorema de Heine-Borel e outras Notas de estudo em PDF para Matemática, somente na Docsity!

Introduc¸ ˜ao `a an´alise

Aula 10 — segunda, 21 de fevereiro 2011

10.1. Espac¸os m´etricos precompactos. O teorema de Heine-Borel tenha uma generalisac¸ ˜ao importante valida para todos os espac¸os m´etricos, mas a noc¸˜ao duma “parte limitada” deve ser rafinada.

Definic˜ao 10.1.1. Seja A um sub-conjunto dum espac¸o m´etrico X qualquer. O diˆametro de A e dado pela formula´

diam (A) = inf{r ∈ [0, +∞] : ∀a, b ∈ A, d(a, b) ≤ r}.

Exerc´ıcio 10.1.2. Mostrar que para cada sub-conjunto A n˜ao vazio temos

diam (A) = sup a,b∈A

d(a, b).

Exerc´ıcio 10.1.3. Seja A um sub-conjunto dum espac¸o m´etrico X qualquer. Mostrar que as condic¸ ˜oes seguintes s˜ao equivalentes:

(1) existem x ∈ X e r > 0 tais que A ⊆ Br (x), (2) para cada x ∈ X existe r > 0 tal que A ⊆ Br(x), (3) o diˆametro de A ´e finito, isso ´e,

∃R > 0 : ∀x, y ∈ X, d(x, y) ≤ R.

Definic˜ao 10.1.4. Um sub-conjunto A dum espac¸o m´etrico X e dito´ limitado se A satisfaz uma das condic¸ ˜oes equivalentes de exerc´ıcio 10.1.3.

Exerc´ıcio 10.1.5. Verifica-se facilmente que cada espac¸o m´etrico compacto ´e limitado.

Ao mesmo tempo, um sub-espac¸o fechado e limitado dum espac¸o m´etrico n˜ao ´e sempre compacto.

Exemplo 10.1.6. Um exemplo a mais simples ´e dado para um conjunto infinito X munido da m´etrica zero-um. Esto espac¸o ´e completo, logo “absolutamente fechado”, e limitado, por que X e contido na cada bola aberta do raio dizemos´ R = 2. Agora, escolhamos uma seq¨uˆencia (xn) dos pontos de X dois a dois distintos (´e possivel como X e infinito). Evidentemente,´ nenhuma sub-seq¨uˆencia de (xn) n˜ao ´e uma seq¨uˆencia de Cauchy, logo n˜ao converge.

Eis uma verc¸ ˜ao geral correta dum conjunto “limitado” no senso do teorema de Heine- Borel. 1

Definic˜ao 10.1.7. Um sub-conjunto A dum espac¸o m´etrico X e dito´ precompacto, ou to- talmente limitado, se para cada valore r > 0 existe uma cobertura finita de A pelas bolas abertas do raio r:

∃n, ∃x 1 , x 2 ,... , xn ∈ X, tais que A ⊆ ∪ni=1Br(xi).

Em outras palavras, para cada r > 0 existe uma colec¸ ˜ao finita x 1 , x 2 ,... , xn dos pontos de X tal que cada a ∈ A ´e `a distˆancia < r de algum deles:

∀a ∈ A, ∃i = 1, 2 , 3 ,... , n tal que d(a, xi) < r.

Exemplo 10.1.8. O intervalo aberto (0, 1) da reta R ´e precompacto (em R dizemos). Dado um n´umero r > 0 , cada ponto x ∈ [0, 1] encontra-se `a distˆancia < r de algum dos pontos seguintes: 0 , r, 2 r,... , nr,

onde n = ⌊ 1 /r⌋ (a parte inteira). N

Exemplo 10.1.9. O espac¸o m´etrico Z munido da distˆancia usual n˜ao ´e precompacto no ele mesmo. Cada fam´ılia das bolas abertas cont´em somente um n´umero finito dos elementos de Z.

Definic˜ao 10.1.10. Um espac¸o m´etrico X ´e dito precompacto se X e um sub-conjunto pre-´ compacto de ele-mesmo.

Com efeito, a noc¸˜ao da precompacidade dum sub-espac¸o m´etrico A ´e “absoluta”, isso ´e, n˜ao depende do espac¸o ambiental, X.

Proposic¸ ˜ao 10.1.11. Seja A um sub-conjunto precompacto n˜ao vazio dum espac¸o m´etrico X , isso ´e, para cada r > 0 existe uma cobertura finita de A pelas bolas abertas do raio r centradas em X_. Ent˜ao,_ A ´e precompacto em ele-mesmo, isso ´e, para cada r > 0 existe uma cobertura finita de A pelas bolas abertas do raio r centradas em A_._

Demonstrac¸ ˜ao. Seja r > 0. Podemos escolhar uma collec¸ ˜ao finita dos pontos x 1 , x 2 ,... , xn ∈ X tal que para cada a ∈ A existe i com a propriedade

d(xi, a) < r/ 2.

Sem perda da generalidade, podemos suponhar que cada bola aberta Br/ 2 (xi) encontra A; se n˜ao, podem retirar esta bola, porque ela n˜ao tem nenhuma papel. Para cada i, escolhamos um ponto ai ∈ Br/ 2 (xi) ∩ A.

Seja a ∈ A um ponto qualquer. Existe i tal que d(a, xi) < r/ 2. Temos finalmente, grac¸a `a desigualdade triangular:

d(a, ai) ≤ d(a, xi) + d(xi, ai) <

r 2

r 2

= r.

Portanto, A ´e contido na uni˜ao das bolas abertas Br(ai), i = 1, 2 ,... , n, onde as bolas podem ser consideradas em A em vez de em X. 

de tal modo que cada elemento xnk , k = 1, 2 , 3 ,... pertence `a bola B 1 /k(ak). Esta sub- seq¨uˆencia ´e uma seq¨uˆencia de Cauchy: cada vez que i, j > k, temos

d(xni , xnj ) < 2 /k.

Como o espac¸o m´etrico X e completo, a seq¨´ uˆencia extrata (xnk )∞ k=1 converge em X. Con- clu´ımos: X e compacto.´ 

Observac¸ ˜ao 10.2.4_._ Com efeito, temos mostrado que se X e um espac´ ¸o precompacto, ent˜ao cada seq¨uˆencia (xn) dos pontos de X cont´em uma subseq¨uˆencia de Cauchy. Prova-se facil- mente que esta propriedade caracterisa os espac¸os precompactos (exerc´ıcio).

Observac¸ ˜ao 10.2.5_._ O crit´erio da compacidade acima (teorema 10.2.3) ´e muito comodo por- que, geralmente, ´e mais f´acil de verificar a precompacidade dum espac¸o m´etrico que a com- pacidade dele.

Teorema 10.2.6. Seja X um sub-espac¸o denso dum espac¸o m´etrico Y_. Se_ X ´e precompacto, ent˜ao Y e precompacto.´

Demonstrac¸ ˜ao. Seja r > 0 um n´umero real qualquer. Escolhamos uma colec¸ ˜ao finita x 1 , x 2 ,... , xn ∈ X da tal maneira que

X ⊆ ∪ni=1Br/ 2 (xi).

(Aqu´ı Br/ 2 (xi) pode denotar as bolas abertas seja em X, seja em Y , isso n˜ao importe). Vamos verificar agora que Y ⊆ ∪ni=1Br(xi).

Seja y ∈ Y. Como X e denso em´ Y , existe x ∈ X ∩ Br/ 2 (y). O ponto x e contido na bola´ Br/ 2 (xi) por um i. Conclu´ımos, utilisando a desigualdade de triˆangulo:

d(y, xi) ≤ d(y, x) + d(x, xi) <

r 2

r 2

= r.

(Aqu´ı Br(xi) denota uma bola aberta em Y .) 

Observac¸ ˜ao 10.2.7_._ Se X e denso em´ Y , a condic¸˜ao X ⊆ ∪ni=1Br(xi) n˜ao implica, em geral, que Y ⊆ ∪ni=1Br(xi). Queiram olhar o exemplo seguinte:Y = (0, 1), X = (0, 1) \ { 1 / 2 }, x = 1/ 4 , y = 3/ 4 , r = 1/ 4. 

Corol´ario 10.2.8. Um espac¸o m´etrico X e precompacto se e somente se o seu completa-´ mentoe compacto.´ 

10.3. Aplicac¸ ˜oes uniformemente cont´ınuas.

Observac¸ ˜ao 10.3.1_._ Lembramos que a imagem dum espac¸o compact por uma func¸ ˜ao cont´ınua e compacto (teorema 9.3.2). ´´ E falso para os espac¸os precompactos. Por exemplo, a func¸ ˜ao cont´ınua ( −

π 2

π 2

∋ x 7 → tan x ∈ R

e uma sobrejec ´ ¸ ˜ao dum intervalo limitado, que ´e precompacto sobre a reta, que n˜ao ´e precom- pacta. Um resultado an´alogo ao teorema 9.3.2 os espac¸os precompactos ´e verdade em relac¸ ˜ao `a classe das func¸ ˜oes mais estreita, esta das func¸ ˜oes uniformemente cont´ınuas.

Definic˜ao 10.3.2. Uma func¸˜ao f : X → Y entre dois espac¸os m´etricos ´e dita uniformemente cont´ınua se

∀ǫ > 0 ∃δ > 0 ∀x, y ∈ X (dX (x, y) < δ) ⇒ (dY (f (x), f (y)) < ǫ).

O valor de δ = δ(ǫ) pode ser escolhado “uniformemente” em relac¸ ˜ao a x, enquanto na definic¸ ˜ao duma func¸˜ao cont´ınua δ = δ(ǫ, x) geralmente depende de x ∈ X bem como de ǫ. Certamente, cada func¸ ˜ao uniformemente cont´ınua ´e cont´ınua. A rec´ıproca n˜ao ´e sempre verdadeira.

Exemplo 10.3.3. A func¸ ˜ao f (x) = x^2

de R para R e cont´´ ınua mas n˜ao uniformemente cont´ınua, porque, dados ǫ > 0 e x ∈ R, o valor de δ > 0 correspondente ´e da ordem da grandeza

δ ∼

ǫ 2 |x|

Por conseguinte, δ depende de x de maneira essencial e n˜ao se pode escolhar um valor δ > 0 v´alido para todos os x ∈ R a mesmo tempo. N

Mesmo assim, tem-se o resultado seguinte de grande importanc¸a.

Teorema 10.3.4. Cada func¸ ˜ao cont´ınua sobre um espac¸o m´etrico compacto ´e uniformemente cont´ınua.

Demonstrac¸ ˜ao. Vamos mostrar a contraposic¸˜ao: seja f : X → Y uma func¸˜ao cont´ınua entre dois espac¸os m´etricos. Suponhamos que f n˜ao ´e uniformemente cont´ınua. Ent˜ao f n˜ao ´e cont´ınua. Como f n˜ao ´e uniformemente cont´ınua, existe ǫ 0 > 0 tal que para cada n = 1, 2 , 3 ,... pode-se encontrar os pontos xn, yn ∈ X que satisfazem

(1) dX (xn, yn) <

n et

(2) dY (f (xn), f (yn)) ≥ ǫ 0.

A seq¨uˆencia (xn) cont´em uma subseq¨uˆencia convergente de modo que

xni → x quando i → ∞.

Grac¸a `a hip´otese (1), temos

dX (x, yni ) ≤ dX (x, xni ) + dX (xni , yni ) → 0 quando i → ∞.