Parasitoses intestinais
Epidemiologia no Brasil e no mundo
•As helmintíases transmitidas pelo solo (HTS) são de grande preocupação na saúde pública mundial . São causadas por um grupo de parasi tas
intestinais compreendendo Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura, Necator americanus e Ancylostoma duodenale, transmitidos por
contaminação fecal do solo.
•As infecções por HTS são mais prevalentes nas áreas tropicais e subtropicais, com os maiores números ocorrendo na África subsaariana, nas
Américas, na China e no leste da Ásia, diretamente ligadas à falta de saneamento e baixas condi ções socioeconômicas, vinculadas à pobreza.
•Estimativas mundiais indicam que mais de 1,5 bilhão de pessoas, ou 24% da p opulação mundial, sendo cerca de 880 milhões de crianças
precisam de tratamento e intervenções preventivas para estes parasitas
Recomendações de estratégias coletivas de combate e tratamento
•(OMS) propõe intervenções de controle baseadas na administração pe riódica de anti -helmínticos em grupos de pessoas (pré -escolar, escolar,
mulheres em idade reprodutiva [i ncluindo mulheres gr ávidas no segundo e terceiro trimestres e mulheres que amamentam], adultos em certas
ocupações de alto risco, como apanhado res de chá ou mineiros) vivendo em áreas de risco, apoiadas com estratégias para melhorar o
saneamento básico e a educação para saúde.
•Os medicamentos recomendados pela OMS - albend azol (400 mg – dose única) e mebendazol (500 mg – dose única) - são eficazes, baratos e
fáceis de administrar).
•A quimioterapia preventiva (desverminação), usando uma dose de albendazol (400 mg) ou mebendazol (500 mg) é recomendada como
intervenção de saúde pública para gestantes, após o primeiro trimestre de gestação, que habi tem áreas onde: (i) a linha de base da prevalência
de infecções por ancilostomídeos e/ou T. trichiura seja 20% ou superior para mulheres gestantes, e (ii) a anemia seja um problema grave de
saúde pública, com prevalência de 40% ou mais entre as mulheres gestantes, para reduzi r a carga de infecção por ancilostomídeos e T. trichiura.
Testes sorológicos:
•Existem duas categorias de testes sorológicos: detecção de antígenos e ensaios de detecção de anticorpos. Estes incluem ELISA,
imunofluorescência indireta, imunofluorescência di reta, imunoblot e imunocromatografia.
•As desvantagens associadas ao diagnósti co sorol ógico são: sua natureza mais invasiva; persistência dos anti corpos após o tratamento e,
portanto, resultados positivos não serem necessariamente indicati vos de infecção ativa; e reação cruzada com outros nematódeos.
Testes de biologia molecular:
•Os avanços nas técnicas de biologia molecular proporcionaram uma grande vantagem de detecção rápida, bem como quantificação de ovos de
helmintos. A sensibilidade muito melhor das técnicas moleculares as torna especialmente úteis para monitorar o efeito do tratamento ou
estratégias de controle.
Hemograma:
•A eosinofilia (>600/mm3 ou > 6%) pode ser usada como marcador de possível infecção por helmintos.
Escarro
•Em caso de ascaridíase, ancilostomose ou S. sterocoralis, dur ante a fase de migração larval da infecção, o diagnóstico pode ser feito
encontrando-se as larvas no escarro ou nas lavagens gástricas. Na ascaridíase, cristais de Charcot-Leyden e eosinófil os podem ser encontrados
no escarro
1. Ligantes de beta-tubulina: os benzimidazólicos, incluindo mebendazol e albendazol, que são drogas comumente usadas nesta categoria. Ao se ligarem
seletivamente à beta-tubulina dos nematoides, eles inibem a formação dos microtúbulos, causando a ruptura do citoesqueleto, bem como má captação intestinal
de glicose, e determina então inanição do verme;
2. Agentes espásticos paralisantes: incluem o palmoato de pirantel e o levamisol, que são agonistas dos receptores nicotínicos de acetilcolina
3. Agente indutores de paralisia flácida: a droga clássica é piperazina que inibe reversivelmente a transmissão neuromuscular no verme, s endo um agonista de
GABA23.
4. Nitazoxanida: é um novo composto de nitrotiazol benzamida com atividade no tratamento de várias infecções in testinais por protozoários e helmintos. No Brasil, está
aprovada em bula pela ANVISA para crianças maiores de 12 meses de idade
5. O albendazol é metabolizado após a absorção, e o metabólito bioativo resultante pode se distribuir amplamente nos tecidos humanos, tornand o-se a droga de escolha para
as infecções por larvas de toxocara e de cisticerco, bem como para a maioria das infecções por helmintos intesti nais. Por sua vez, o mebendazol, que não é absorvido de
forma apreciável fora do intestino, pode ser considerado um medicamento de primeira linha quando u tilizado em dose única, apenas para ascaridíase e enterobíase.
Classificação da região quanto ao risco Prevalência de helmintíases Frequência recomendada para terapia em massa
Alto risco ≥ 50% 2 x por ano
Risco moderado ≥ 20% e <50% 1 X por ano
Baixo risco < 20% Individualizada
Quimioterapia preventiva para comunidade por categoria de risco
Princípios e indicações dos principais exames parasitológi cos de fezes
Exame Princípio Principais indicações
Hoffman, Pons e Janer e Lutz Sedimentação espontânea Ovos e larvas de helmintos, cistos de protozoários
Blagg (MIFC), Ritchie e Coprotest Sedimentação por centrifugação Sedimentação por centrifugação
Willis Flutuação espontânea Ovos leves (Ancilostomídeos)
Faust Flutuação e centrifugação Cistos e oocistos de protozoários, ovos leves (Ancilostomídeos)
Baermann-Morais e Rugai Cultura Larvas (Strongyloides)
Kato-Katz Filtração Ovos de helmintos
Graham (fita adesiva) Adesão Enterobius vermicularis, Taenia sp
Outros exames relevantes
Parasito Diagnóstico Laboratorial
Giardia lamblia Exame microscópico direto das fezes (60% a 70% do diagnóstico, com duas ou mais amostras). Técnicas de ELISA ou imunofluorescência para a detecção
de antígenos nas fezes (90% a 100% de sensibilidade e especificidade); Técnica de PCR.
Entamoeba histolytica Exame microscópico das fezes. Técnicas de PCR, métodos enzimáticos (antígenos e anticorpos) e o uso de anticorpos monoclonais ajudam a fazer a
distinção com Entamoeba díspar
Balantidium Exame histológico das lesões, por biópsia, via sigmoidoscopia ou colonoscopia ou parasitológico das fezes, com a presença de trofozoítos (menos
frequentemente, cistos) nas fezes ou espécimes de tecido
Cryptosporidium parvum Detecção de oocistos nas fezes pelo método de anticorpo fluorescente direto por microscopia, ou ensaio imunoenzimático (ELISA) para pesquisa do
antígeno do Cryptosporidium sp PCR
Cystoisospora belli Identificação dos oocistos nas fezes, em aspirados duodenais ou amostras de biópsia (intestino delgado). Técnicas de Kinyoun (método Ziehl-Neelsen
modificado) e Auramina-Rodamina
Blastomycis hominis Espécimes do parasita nas fezes podem ser vistas por microscopia óptica
Cyclosporidium cayetanensis Técnicas de Kinyoun (método Ziehl-Neelsen modificado)
Exames laboratoriais para o diagnóstico das infecções intestinais por protozoários
Tratamento das helmintíases
Tratamento das infecções intestinais por protozoários
Parasita Antiparasitário Dose
Giardia lamblia •Metronidazol
•Albendazol
•Tinidazol
•Secnidazol
•Nitazoxanida
•15 mg/kg/dia, 3x/dia, por 5 a 7 dias
•400mg/dia, 5 dias
•≥3 anos 50mg/kg, dose única
•30 mg/kg, dose única
•≥1 ano 7,5mg/kg /dose, 2x/dia por 3 dias
Entamoeba histolytica
Forma intestinal assintomática
Forma Intestinal sintomática ou extra-intestinal
A Forma intestinal ou extraintestinal sintomática após o tratamento com os
nitrimidazólicos devem sempre ser seguidos da administração de Etofamida ou
Teclosan
•Etofamida Teclosan
•Metronidazol
•Tinidazol Secnidazol
•Etofamida Teclosan
•500mg, 2x/dia, 3 dias ou
•100mg, 3x/dia, 5 dias
•500 a 750mg. 3x/dia, 10 dias ou
•35 a 50mg/kg/dia, em 3 doses, 10 dias
•≥3 anos: 2g ou 50mg/kg, dose única
•2g ou 30mg/kg, dose única
•500mg, 2x/dia, 3 dias ou
•100mg, 3x/dia, 5 dias
Cryptosporidium parvum •Nitazoxanida •1-3 anos: 100mg, 2x/d;
•4-11 anos: 200mg, 2x/d;
•≥12 anos: 500mg, 2x/d ou 7,5mg/kg 2x/dia. Por 3 dias.
Cystoisospora belli •Sulfametoxazoltrimetropim
(TMP) •8-10mg/kg/d/TMP, 2x/d, por 7-10 dias
Balantidium coli •Tetraciclina Metronidazol
Nitazoxanida •≥8 anos, 40mg/kg/d, 4x/d, 10 dias, 35-50mg/kg/d,
3x/d, 5 dias Idem Cryptosporidium