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Feridas e Curativos, Notas de estudo de Cultura

Tipos de feridas, Tipos de Curativos, Processo de Cicatrização.

Tipologia: Notas de estudo

2011

Compartilhado em 27/09/2011

carol-mendes-6
carol-mendes-6 🇧🇷

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ASSOCIAÇÃO TERESINENSE DE ENSINO-ATE
FACULDADE SANTO AGOSTINHO-FSA
COORDENAÇÃO DE ENFERMAGEM
DISCIPLINA: TEORIAS E PRÁTICAS DE ENFERMAGEM
PROF. (A): MAGDA ROGÉRIA
TURMA:15M4A
FERIDAS E CURATIVOS
TERESINA-PI
SETEMBRO-2011
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ASSOCIAÇÃO TERESINENSE DE ENSINO-ATE

FACULDADE SANTO AGOSTINHO-FSA

COORDENAÇÃO DE ENFERMAGEM

DISCIPLINA: TEORIAS E PRÁTICAS DE ENFERMAGEM

PROF. (A): MAGDA ROGÉRIA

TURMA:15M4A

FERIDAS E CURATIVOS

TERESINA-PI

SETEMBRO-

COMPONENTES:

ANA CAROLINE MENDES

DANIELA RUFINO

LUANA VELOSO

TERESINA-PI

SETEMBRO-

As feridas podem ser classificadas de três formas diferentes de acordo com o agente causal, o grau de contaminação e o comprometimento tecidual.

Agente causal

  • Incisas ou cirúrgicas: são produzidas por um instrumento cortante. As feridas limpas são geralmente fechadas por suturas. Agentes: faca, bisturi, lâmina, etc.
  • Contusas: são produzidas por objeto rombo e caracterizadas por traumatismo das partes moles, hemorragia e edema.
  • Lacerantes: São ferimentos com margens irregulares e com mais de um ângulo. O mecanismo da lesão é por tração: rasgo ou arrancamento tecidual. Um exemplo clássico é a mordedura de cão.
  • Perfurantes: são caracterizadas por pequenas aberturas na pele. Há um predomínio da profundidade sobre o comprimento. Exemplos: bala ou ponta de faca.

Grau de contaminação

As feridas podem ser limpas, limpa-contaminadas, contaminadas e infectadas.

  • Limpas: são as que não apresentam sinais de infecção e em que não são atingidos os tratos respiratório, digestivo, genital ou urinário. Probabilidade de infecção é baixa, em torno de 1 a 5 %. Exemplo: feridas produzidas em ambiente cirúrgico.

•Limpa-contaminadas: são os ferimentos que apresentam contaminação grosseira, em acidente doméstico por exemplo ou em situações cirúrgicas em que houve contato com os tratos respiratório, digestivo, urinário e genital, porém em situações controladas. O risco de infecção é cerca de 10%.

  • Contaminadas: são consideradas contaminadas as feridas acidentais, com mais de seis horas de trauma ou que tiveram contato com terra e fezes, por exemplo. No ambiente cirúrgico são consideradas contaminadas as em que a técnica asséptica não foi devidamente respeitada. Os níveis de infecção podem atingir 20 a 30%
  • Infectadas: são aquelas que apresentam sinais nítidos de infecção.

DEBRINDAMENTO

O debrindamento autolítico é um processo que utiliza as próprias enzimas digestivas do organismo para clivar o tecido necrótico. A ferida é mantida úmida com curativos oclusivos. A escara e os resíduos necróticos são amolecidos, liquefeitos e separados do leito da ferida. Diversos produtos comercialmente disponíveis contêm as mesmas enzimas que o corpo produz naturalmente. Esses produtos são chamados de agentes debridadores enzimáticos; os exemplos incluem Accu-Zyme, colagenose (Santyl), Granulexx e Zymase. A aplicação desses produtos acelera a velocidade com que o tecido necrótico é removido. Esse método é ainda mais lento e não é mais efetivo que o debrindamento cirúrgico. Quando o debrindamento enzimático está sendo utilizado sob um curativo oclusivo, um odor fétido é produzido pela clivagem dos resíduos celulares. Esse odor não indica que a ferida está infectada. A enfermeira deve esperar essa reação e ajudar o paciente e a família a compreender o motivo para o odor.

CATEGORIAS DE CURATIVOS

Aberto: curativo em feridas sem infecção, que após tratamento permanecem abertos (sem

(Proteção de gaze).

Oclusivo: Pode ser comercialmente produzido ou feito com compressas ou ataduras de gaze

estéreis e não estéreis; curativo que após a limpeza da ferida e aplicação do medicamento é fechado ou ocluído com gaze ou atadura.

Compressivo : é o que faz compressão para estancar hemorragia ou vedar bem uma incisão.

Com irrigação: nos ferimentos com infecção dentro da cavidade ou fistula, com indicação

de irrigação com soluções salinas ou anti-séptico. A irrigação é feita com seringa.

Com drenagem : nos ferimentos com grande quantidade de exsudato. Coloca-se dreno de

(Penrose, Kehr), tubos, cateteres ou bolsas de colostom

MEDICAMENTOS MAIS USADOS

O tipo de lesão de pele (p.ex. exsudativa, infectada ou seca) geralmente determina o tipo de medicamento local ou tratamento prescrito.Como regra.quando a pele está agudamente inflamada(i.e.,quente,avermelhada e inchada) e exsudativa,é melhor aplicar curativos úmidos e loções suavizantes.Para as condições crônicas em que a superfície da pele está seca e descamativa,utilizam-se emulsões hidrossolúveis.cremes,pomadas e ungüentos.A terapia é modificada conforme indicado pelas respostas da pele. O paciente e a enfermeira devem observar se o medicamento ou os curativos parecem irritar a pele. O sucesso ou fracasso da terapia geralmente dependem da instrução adequada e motivação do paciente e da família; o suporte provido por profissionais de saúde promove a adesão às instruções

As soluções mais utilizadas nos curativos são: soro fisiológico para limpeza e como emoliente; soluções anti-sépticas como polvidine tópico ou tintura a 10% (PVPI – Polivinil Pirrolidona) ou cloro-hexidine a 4%; álcool iodado com ação secante e cicatrizante e o éter que remove a camada gordurosa da pele, sendo útil na retirada de esparadrapos e outros adesivos.

A seguir, citaremos algumas das substâncias mais utilizadas em curativos de feridas abertas e infectadas, principalmente no tocante de indicação, mecanismo de ação e maneira de utilização.

PAPAÍNA - é uma enzima proteolítica extraída do látex da caricapapaya. Indicação: em todo tecido necrótico, particularmente naqueles com crosta Mecanismo de ação : ação antiinflamatória, bactericida e cicatricial; atua como debridante

RESPOSTA CELULAR À LESÃO:INFLAMAÇÃO

As células ou tecidos do organismo podem ser lesionados ou mortos por qualquer um dos agentes (físicos,químicos.infecciosos).Quando isso acontece,uma resposta inflamatória ( ou inflamação) ocorre naturalmente nos tecidos saudáveis adjacentes ao sítio da lesão.A inflamação é uma reação defensiva destinada a neutralizar,controlar ou eliminar o agente agressor e preparar o sítio para reparação.é uma resposta inespecífica(não dependente de determinada etiologia) que visa servir a uma função protetora.Por exemplo,a inflamação pode ser observada no sítio de uma picada de abelha,na faringite,em uma incisão cirúrgica e no local de uma queimadura.A inflamação também ocorre nos eventos de lesão celular,como acidentes vasculares encefálicos e infartos do miocárdio.

A inflamação não é idêntica a infecção.Um agente infeccioso é apenas um dos diversos agentes que podem deflagrar uma resposta inflamatória.Uma infecção existe quando o agente infeccioso está vivendo,crescendo e se multiplicando nos tecidos e é capaz de superar as defesas normais do organismo.

Independentemente da etiologia,uma sequência geral de eventos acontece na resposta inflamatória local.Essa sequência envolve as alterações na microcirculação,incluindo a vasodilatação,permeabilidade vascular aumentada e a infiltração celular leucocítica.À medida que essas mudanças acontecem,são produzidos cinco sinais cardeias da inflamação:rubor,calor.edema,dor e perda de função.

Com freqüência,a resposta inflamatória fica confinada ao local,causando apenas sinais e sintomas locais.No entanto,as respostas sistêmicas à lesão,sendo mais provavelmente causada por pirógenos endógenos(substâncias internas que causam febre) liberados a partir de neutrófilos e macrófagos.

TIPOS DE INFLAMAÇÃO

A inflamação é categorizada principalmente por sua duração e tipo de exsudato produzido. Ela pode ser aguda, subaguda ou crônica. A inflamação aguda é caracterizada pelas alterações vasculares e exsudativas locais e em geral dura menos que duas semanas. Uma resposta aguda inflamatória é imediata e serve a uma função protetora.

A inflamação crônica desenvolve-se quando o agente agressor persiste e a resposta aguda é perpetuada.Os sintomas estão presentes por muitos meses ou anos.A inflamação crônica também pode começar de maneira insidiosa e nunca possui uma fase aguda.A resposta crônica não serve a uma função benéfica e protetora;em contrapartida,é debilitante e pode produzir efeitos por longo prazo.

A inflamação subaguda cai entre a inflamação aguda e crônica. Ela inclui tanto os elementos da fase exsudativa ativa da resposta aguda,como os elementos de reparação,quanto os d fase crônica.O termo “ inflamação subaguda” não é amplamente utilizado.

CICATRIZAÇÃO CELULAR

O processo de reparação começa aproximadamente no mesmo momento da lesão e está entrelaçado com a inflamação.A cicatrização prossegue depois que foram removidos os resíduos inflamatórios.A cicatrização pode acontecer através da regeneração,na qual a reparação gradual do defeito acontece por proliferação,na qual células de outro tipo,usualmente de tecido conjuntivo,preenchem o defeito tecidual na formação de cicatriz.

Regeneração

A capacidade regeneração das células depende de serem elas lábeis,permanecem ou estáveis.As células lábeis multiplicam-se constantemente para repor as células desgastadas através de processos fisiológicos normais;estas incluem as células epiteliais da pele e aquelas que revestem o trato gastrointestinal.Sob processos fisiológicos normais,elas não são desprendidas e não precisam de reposição,porém,quando são lesionadas ou destruídas,são capazes de se regenerar.Essas incluem as células funcionais do rim,fígado e pâncreas.

Reposição

Dependendo da extensão da lesão,a cicatrização tecidual pode acontecer por intenção secundária.Na cicatrização por intenção primária, a ferida é limpa e seca e as bordas são aproximadas,como em uma ferida cirúrgica.Ocorre pouca formação de cicatriz,e a cicatrização da ferida geralmente acontece em uma semana. Na cicatrização por intenção secundária , a ferida ou defeito é maior e forma um hiato,possuindo material necrótico ou morto.A ferida se enche com tecido de granulação,de baixo para cima.O processo de reparação leva mais tempo e resulta em maior formação de cicatriz,com a perda da função especializada.

Existem alguns fatores que interferem diretamente com a cicatrização normal: idade, nutrição, estado imunológico, oxigenação local, uso de determinadas drogas, quimioterapia, irradiação, tabagismo, hemorragia, tensão na ferida entre outros.

Idade - quanto mais idoso, menos flexíveis são os tecidos; existe diminuição progressiva do colágeno.

Nutrição - está bem estabelecida a relação entre a cicatrização ideal e um balanço nutricional adequado.

Estado imunológico - a ausência de leucócitos, pelo retardo da fagocitose e da lise de restos celulares, prolonga a fase inflamatória e predispõe à infecção; pela ausência de monócitos a formação de fibroblastos é deficitária.

Oxigenação - a anóxia leva à síntese de colágeno pouco estável, com formação de fibras de menor força mecânica.

Diabetes - A síntese do colágeno está diminuída na deficiência de insulina; devido à microangiopatia cutânea, há uma piora na oxigenação; a infecção das feridas é preocupante nessas pacientes.

Drogas - As que influenciam sobremaneira são os esteróides, pois pelo efeito antiinflamatório retardam e alteram a cicatrização.

Quimioterapia - Levam à neutropenia, predispondo à infecção; inibem a fase inflamatória inicial da cicatrização e interferem nas mitoses celulares e na síntese protéica.

Irradiação - Leva à artrite obliterante local, com conseqüente hipóxia tecidual; há diminuição dos fibroblastos com menor produção de colágeno.

Brunner & Suddarth - Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica - 4 Volumes

Ed.Guanabara Koogan 2009

DEALEY, C. Cuidando de feridas : um guia para enfermeiras. Coordenação e revisão de Rúbia Aparecida Lacerda; tradução Eliane Kanner. São Paulo: Atheneu, 2001