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A filosofia como de costume abrange todas as áreas da humanidade em seu pré disposto bom senso.
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Filosofia UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE DISCIPLINA: FILOSOFIA PROFESSOR: FÁBIO DOS SANTOS Aula 1 - Filosofia e mito A filosofia ocidental teve seu início na Grécia antiga. A palavra "filosofia" - philosophia - é uma palavra de origem grega. Philo vem de philia , que tem a ver com companheirismo, amor fraterno, amizade. Sophia vem de sophos , que quer dizer sábio. Assim, em geral, quando se parte da etimologia da palavra, temos que "filosofia" é o amor ao saber, a amizade profunda à sabedoria; e o filósofo, então, é aquele que diferentemente, as cosmologias são conhecimento a respeito de elementos primordiais, mas naturais. O pensamento cosmológico remete à phýsis, a palavra grega que tem a ver com o que é eterno e de onde tudo surge, nasce, brota. Trata-se de um elemento imperecível, que gera todos os outros elementos naturais, que são perecíveis. Filosofia – definição. É difícil dar-se uma definição genérica de filosofia, já que esta varia não só quanto a cada filósofo ou corrente filosófica, mas também em relação a cada período histórico. Atribui-se a Pitágoras a distinção entre a sophia , o saber, e a philosophia , que seria a "amizade ao saber", a tem um apreço especial pela sabedoria. A filosofia, nesta perspectiva grega, é uma atividade que visa busca do saber. Com isso se estabeleceu, já desde sua origem, uma diferença de natureza entre a ciência, levar ao saber. E sua história, para a maioria dos manuais, tem como primeiro adversário o mito, que, aos olhos do filósofo, não estaria preocupado em levar enquanto saber específico, conhecimento sobre um domínio do real, e a filosofia que teria um caráter mais geral, mais abstrato, mais reflexivo, no sentido da busca ao saber, ao conhecimento, tomando aqui a palavra conhecimento como saber verdadeiro, não dos princípios que tornam possível o próprio saber. No entanto, no desenvolvimento da tradição filosófica, o termo contraditório, que não busca causas em relações sobrenaturais, mas em relações naturais. A palavra mito também tem uma origem grega, ela vem de mythos. Há dois verbos que confluem para mythos : mytheo, que tem a ver com a conversação e a designação, e mytheyo , que tem a ver com a narração, com o contar algo para outro. O mito narra algo "filosofia" foi freqüente-mente usado para designar a totalidade do saber, a ciência em geral, sendo a metafísica a ciência dos primeiros princípios, estabelecendo os fundamentos dos demais saberes. O período medieval foi marcado pelas sucessivas tentativas de conciliação entre razão e fé, entre a filosofia e os dogmas da religião revelada, passando a filosofia a ser considerada ancilla que é inquestionável para quem está inserido fielmente na atividade de ouvi-lo. Ele tem a função de theologiae , a serva da teologia, na medida em que fornecia as bases racionais e argumentativas para a construção de dizer algo que tal pessoa acredita sem que venha pensar muito de modo a colocá-lo em dúvida. Seu papel é de informar e dar sentido à existência de quem um sistema teológico, sem, contudo, poder questionar a própria fé. O pensamento moderno recupera o sentido da filosofia como investigação dos primeiros princípios, crê nele, mas, principalmente, o de socializar as pessoas e criar uma comunidade que forma o "nós", os tendo, portanto, um papel de fundamento da ciência e de justificação da ação humana. A filosofia crítica, principal- que se organizam socialmente da mesma forma, exatamente porque, entre o que possuem de comum, o mito é não só alguma coisa forte, mas é exatamente a narrativa (única) que diz o que é comum para este "nós". Cosmogonia e cosmologia As cosmogonias são de certa forma, narrativas sobre as mente a partir do Iluminismo, vai atribuir à filosofia exatamente esse papel de investigação de pressupostos, de consciência de limites, de crítica da ciência e da cultura. Pode-se supor que essa concepção, mais contemporânea, tem raízes no ceticismo, que, ao duvidar da possibilidade da ciência e do conhecimento, atribuiu à filosofia um papel quase que exclusivamente questionados. Na filosofia contemporânea, encontramos assim, ainda que em diferentes correntes e perspectivas, um sentido de filosofia origens do mundo. Em geral elas estão presentes nos mitos, como investigação crítica, situando-se, portanto, em um isto quando não são a sua essência. Falam de união sexual (^) nível essencialmente distinto do da ciência, embora entre deuses, que geram o mundo, ou união sexual entre (^) intimamente relacionado a esta, já que descobertas deuses e humanos, que em geral criam situações complexas e dão o enredo a uma história que explica divisões, guerras, ciúmes, paixões, disputas sobre a justiça, etc. As cosmologias já estão mais para o campo do pensamento científicas muitas vezes suscitam questões e reflexões filosóficas e freqüentemente problematizam teorias científicas. Essa relação reflexiva entre a filosofia e os outros campos do saber fica clara, sobretudo, nas chamadas filosófico do que para o pensamento mitológico. Para (^) "filosofia de": filosofia da ciência, filosofia da arte, vários autores da história da filosofia, elas são a origem do pensamento filosófico, e outros, mais propensos a verem continuidade do que rupturas na história do pensamento tendem a ver as cosmologias como o início do pensamento científico. As cosmologias são teorias a respeito da filosofia da história, filosofia da educação, filosofia da matemática, filosofia do direito etc. natureza do mundo. As cosmogonias são genealogias, (^) Mito (gr. mythos: narrativa, lenda)
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Filosofia representações que são proveitosas e salutares. Temos aí uma espécie de "pragmatismo" humanista. Sofística (do lat. sophisticus, do gr. sophistike) doutrina da imortalidade da alma, demonstrada no Fédon. Das obras de Platão, as mais importantes são: Apologia de Sócrates (trata-se do discurso que Sócrates poderia ter pronunciado diante de seus juízes; descreve seu itinerário, Denominação genérica do conjunto de doutrinas de filósofos contemporâneos de Sócrates e Platão, conhecidos como sofistas. A sofística se caracteriza pela preocupação com questões práticas e concretas da vida da cidade, pelo seu método e sua ação); Hippias Maior (o que é o belo?); Eutifron (o que é a piedade?); Menon (o que é a virtude? Pode ser ensinada? São os diálogos constituindo o exemplo perfeito da maiêutica; são aporéticos: a questão colocada relativismo em relação à moral e ao conhecimento, pelo antropocentrismo, pela valorização da retórica e da oratória como instrumentos da persuasão que caracterizava a função não é resolvida, o leitor é convidado a prosseguir a pesquisa após ter purificado seu falso saber); Teeteto (o que é a ciência? Expõe e faz a crítica da tese que faz derivar a do sofista, e, em conseqüência, pelo conhecimento da linguagem e domínio do discurso, essenciais para o desenvolvimento da argumentação sofística. A sofistica ciência da sensação e que afirma ser o homem a medida de todas as coisas); Fédon (sobre a imortalidade da alma; diálogo que relata os últimos dias de Sócrates e trata da não chegou a constituir propriamente uma escola, porém o termo é utilizado, freqüentemente com sentido negativo, sobretudo para designar o contraste entre o racionalismo teórico e especulativo da filosofia de Sócrates, Platão e Aristóteles, com a atitude pragmática e antimetafísica dos sofistas. Aula 4 – Platão e o mundo do outro Platão (c.427-348 ou 347 a.C.) Filósofo grego, discípulo de Sócrates, Platão deixou Atenas depois da condenação e morte de seu mestre ( atitude do filósofo diante da morte); Crátilo (quais as relações entre as coisas e os nomes que lhes são dados? Há denominações naturais ou elas dependem todas da convenção?); O banquete (do amor das belas coisas ao amor do belo em si. Papel pedagógico do amor); Górgias (sobre a retórica; estuda a forma particular de violência que pode ser exercida pelo domínio da retórica e opõe a sofística à filosofia); A república (da justiça; definição do homem justo a partir do estudo da cidade justa; a cidade ideal, papel da educação, lugar do filósofo na cidade; como o regime ideal é levado a degenerar-se). Na República, no Político e nas Leis, Platão enuncia as condições da cidade a.C.) Peregrinou doze anos. Conheceu, entre outros, os pitagóricos. Retornou a Atenas em 387 a.C, com 40 anos, procurando reabilitar Sócrates, de quem guardava a memória e o ensinamento. Retomou a teoria de seu mestre sobre a "idéia", e deu-lhe um sentido novo: a idéia é mais do que um conhecimento verdadeiro: ela é o ser mesmo, a harmoniosa, governada pelo filósofo rei, personalidade que governa com autoridade, mas com abnegação de si, com os olhos fixos na idéia do bem. A virtude suprema consiste no "desapego" do mundo sensível e dos bens exteriores a fim de orientar-se para a contemplação das idéias, notadamente da idéia do bem, e realizar esse ideal de perfeição que é o realidade verdadeira, absoluta e eterna, existindo fora e além de nós, cujos objetos visíveis são apenas reflexos. A doutrina central de Platão é a distinção de dois mundos: o mundo visível, sensível ou mundo dos reflexos, e o mundo bem. Abaixo dessa virtude quase divina situa-se a virtude propriamente humana: a justiça, que consiste na harmonia interior da alma. Outros livros ou diálogos: Críton, Fedro, Parmênides, Timeu e Filebo. Toda a doutrina de Platão invisível, inteligível ou mundo das idéias. A essa concepção dos dois mundos se ligam as outras partes de seu sistema: a) o método é a dialética, consistindo em que o espírito se eleve do mundo sensível ao mundo verdadeiro, o pode ser interpretada como uma crítica em relação ao dado sensível, social ou político, e com uma exortação a transformá-lo se inspirando nas idéias, cuja ação (cognitiva, moral e política) deve reproduzir, o mais mundo inteligível, o mundo das idéias; ele se eleva por etapas, passando das simples aparências aos objetos, em seguida dos objetos às idéias abstratas e, enfim, dessas idéias as idéias verdadeiras que são seres reais que existem fora de nosso espírito; b) a teoria da reminiscência: vivemos no mundo das idéias antes de nossa encarnação" fielmente possível, a ordem perfeita no mundo do futuro. Para realizar seu "projeto" filosófico, Platão funda a Academia, assim chamada por situar-se nos jardins do herói ateniense Academos. Mundo sensível: realidade material, constituída pelos objetos da percepção sensorial; mundo da experiência. em nosso corpo atual e contemplamos face a face às idéias em sua pureza; dessa visão, guardamos uma mudança confusa; nós a reencontramos, pelo trabalho da inteligência, a partir dos dados sensíveis, por "reminiscência"; c) a Especialmente em Platão, o mundo sensível opõe-se ao mundo inteligível, do qual é cópia.
Filosofia Em nossos dias, utiliza-se bastante o termo "dialética" para se dar uma aparência de racionalidade aos modos de explicação e demonstração confusos e aproximativos. Mas a tradição filosófica lhe dá significados bem precisos. do materialismo e no processo do movimento histórico que considera a Natureza: a) como um todo coerente em que os fenômenos se condicionam reciprocamente; b) como um estado de mudança e de movimento: c) como o lugar onde o processo de crescimento das mudanças quantitativas gera,
Filosofia
Filosofia num ambiente imerso na cultura helenística. Por isso, não se intimidou quando, em Atenas, viu-se diante de “filósofos epicureus e estóicos”, como narra o livro Atos, do Novo Testamento: “Atenienses, tudo indica que sois de uma religiosidade sem igual. (...) Encontrei inclusive um altar com a inscrição: ‘Ao deus desconhecido’. Pois bem! Justamente aqui estou para vos anunciar este Deus que adorais sem conhecer. O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe (...)”. Mas, quando Paulo entrou no terreno cristão, os atenienses não o compreenderam. A idéia de que Deus enviara um homem para julgar o mundo, e que, como prova filosofia, é absurda a idéia de um deus que ama o homem e que se sacrifica por ele. Assim, o cristianismo só pode combater a filosofia. Por outro lado, porém, a conciliação é possível. Pois o Evangelho Segundo São João não se inicia com a célebre frase: “No princípio era o Verbo”? E o que é o verbo senão o logos? Há inúmeros outros pontos em comum entre a filosofia e o cristianismo, principalmente no uso de certas palavras – ainda que fosse freqüente a adulteração de vocábulos, na tradução da Bíblia do hebraico para o grego. O esforço dos padres apologistas – muitos eram filósofos antes da conversão – dirige-se no sentido de tecer, a partir disso, ressuscitara esse mesmo homem entre os mortos, desses pontos de contato, um pensamento que acomode o provocou risos. Paulo foi obrigado a retirar-se, embora o relato também afirme que ele conquistou alguns fiéis. Outra é a atitude do apóstolo na Primeira Carta aos cristianismo e a tradição filosófica, a fé e a razão. Ao mesmo tempo, vários filósofos também passaram a incorporar elementos bíblicos na elaboração de seu pensamento. Coríntios. Em vez de empregar os argumentos dos adversários – como havia feito com os atenienses – , Paulo parte para o confronto direto: “Onde está o sábio? Onde está o letrado? Onde o pesquisador das coisas desse mundo? Não é verdade que Deus mudou a sabedoria do mundo em falta de bom senso? (...) Pois a loucura de Deus é mais sábia que os homens (...). Anunciamos a sabedoria de Deus, misteriosa e oculta (...)”. Mais destacado dos padres apologistas é Clemente de Alexandria (c. 150-215), que introduz uma série de termos gregos (e portanto filosóficos) na linguagem cristão. Dentre eles está a palavra gnosis (conhecimento), que indicaria a perfeição do cristianismo. Mas isso logo se revelou uma faca de dois gumes: a gnosis , incorporada ao cristianismo, deu asas ao Por fim, quando utiliza deliberadamente a palavra “filosofia”, não deixa nenhuma margem de dúvida: “Ficai atentos, para que ninguém vos arme uma cilada com a filosofia, esse erro vazio que segue a tradição dos homens e os elementos do mundo, e não segue Cristo” (Carta aos Colossenses). As duas atitudes de Paulo – a de converter os gregos, gnosticismo, uma seita secreta e esotérica. O gnosticismo logo ultrapassaria os limites do cristianismo, afirmando possuir o conhecimento dos mistérios divinos. A Igreja, cada vez mais institucionalizada, acabaria achando um meio de combater essas pretensões de um conhecimento superior, acima da fé. Santo Agostinho (354-430) conciliando-se com seus valores, e a de confronto – coexistem nesse período inicial do cristianismo. De modo Aurélio Agostinho, bispo de Hipona, nasceu em geral, o confronto corresponde a períodos em que os cristãos sofrem violenta perseguição, enquanto a conciliação representa os momentos em que o cristianismo é tolerado. É o que fazem os padres apologistas, que, no final do século II, enviam inúmeras apologias (defesa e justificação) do cristianismo ao imperador. Argumentam com valores greco-romanos, afirmando, por exemplo, que Heráclito e Sócrates eram cristãos antes mesmo de Cristo. Tagaste, hoje Souk-Ahras, na Argélia, e é um dos mais importantes iniciadores da tradição platônica no surgimento da filosofia cristã, sendo um dos principais responsáveis pela síntese entre o pensamento filosófico clássico e o cristianismo. Estudou em Cartago, e depois em Roma e Milão, tendo sido professor de retórica. Reconverteu-se ao cristianismo, que fora a religião de sua infância, em 386, após ter passado pelo maniqueísmo e pelo ceticismo. Regressou então à Africa (388), fundando uma comunidade Do ponto de vista teórico, ambas as atitudes são viáveis. religiosa. Suas obras mais conhecidas são As confissões De um lado, a idéia cristã de Deus que se fez homem e que se deixou crucificar é um escândalo não só para as religiões (400), de caráter autobiográfico, e A cidade de Deus , composta entre 412 e 427. Santo Agostinho sofreu grande pagãs, mas sobretudo para a filosofia, que havia construído influência do pensamento grego, sobretudo da tradição a noção de um deus abstrato, indiferente ao mundo, ou, no melhor dos casos, coincidente com o próprio mundo. Para a platônica, através da escola de Alexandria e do neoplatonismo, com sua interpretação espiritualista de
Filosofia Platão. Sua filosofia tem como preocupação central a relação entre a fé e a razão, mostrando que sem a fé a razão é incapaz de promover a salvação do homem e de trazer-lhe mas não age diretamente nos fatos da criação: Ele instaurou um sistema de leis, causas segundas, ordenando cada um dos domínios naturais segundo sua especificidade própria. felicidade. A razão funciona assim como auxiliar da Deus é o primeiro motor imóvel, é a primeira causa fé, permitindo esclarecer, tornar inteligível, aquilo que a fé revela de forma intuitiva. Este o sentido da célebre fórmula eficiente, é o único Ser necessário, é o Ser absoluto, o Ser cuja Providência governa o mundo. Santo agostiniana Credo ut intelligam (Creio para que possa Tomás mostra que há, em Aristóteles, uma filosofia entender). Na Cidade de Deus, Santo Agostinho interpreta a história da humanidade como conflito entre a Cidade de Deus, inspirada no amor a Deus e nos valores cristãos, e a Cidade Humana, baseada exclusivamente nos fins e verdadeiramente autônoma e independente do dogma, mas em harmonia com ele. Assim, Santo Tomás introduz no teísmo cristão o rigor do naturalismo peripatético. Porém, distingue o Estado e a Igreja, o direito e a moral, a filosofia interesses mundanos e imediatistas. Ao final do processo e a teologia, a natureza e o sobrenatural. "A última histórico, a Cidade de Deus deveria triunfar. Devido a esse felicidade do homem não se encontra nos bens exteriores. tipo de análise, Santo Agostinho é considerado um dos nem nos bens do corpo, nem nos da alma: só pode primeiros filósofos da história, um precursor da formulação dos conceitos de historicidade e de tempo histórico. A encontrar-se na contemplação da verdade." influência do pensamento agostiniano foi decisiva na Aula 7^ –^ Idade Moderna^ -^ Racionalismo formação e no desenvolvimento da filosofia cristã no período medieval, sobretudo na linha do platonismo. Tanto as Confissões quanto as Retratações (escritas no final de sua vida) fazem dele um precursor de Descartes, de “Primeiramente, considero haver em nós certas noções primitivas, as quais são como originais, sob cujo padrão formamos todos os nossos outros Rousseau e do existencialismo: "Se eu existo". Santo Tomás de Aquino (1227- 1274 ) Nasceu na Itália, de família nobre, e Ordem dos Dominicanos. Percorreu me engano, eu entrou cedo na toda a Europa conhecimentos” (Descartes) “De onde apreende todos os materiais da razão e do conhecimento? A isso respondo, numa palavra, da experiência” (Locke). “... penso não haver mais dúvida que não há princípios medieval. Depois dos estudos em Nápoles, Paris e Colônia (onde teve por mestre Alberto Magno), ensina em Paris e nos Estados do papa. Morreu quando se dirigia ao Concílio de Lyon. Sua imensa obra compreende duas Sumas: Suma contra os gentios e Suma teológica , vários tratados e comentários sobre Aristóteles, a Bíblia, Boécio etc. O pensamento de Santo Tomás está profundamente ligado ao de Aristóteles, que ele, por assim dizer, "cristianiza". Seu papel principal foi o de organizar as verdades da religião e práticos com os quais todos os homens concordam e, portanto, nenhum é inato” (Locke). O século XVII representa, na história do homem, a culminação de um processo em que se subverteu a imagem que ele tinha de si próprio e do mundo. A emergência da nova classe dos burgueses determina a produção de uma nova realidade cultural, a ciência física, que se exprime matematicamente. A atividade filosófica, a partir daí, de harmonizá-las com a síntese filosófica de Aristóteles, demonstrando que não há ponto de conflito entre fé e razão'. Sua teoria do conhecimento pretende ser, ao mesmo reinicia um novo trajeto: ela se desdobra como uma reflexão cujo pano de fundo é a existência dessa ciência. A revolução científica determinou a quebra do modelo de tempo, universal (estende-se a todos os conhecimentos) e crítica (determina os limites e as condições do conhecimento humano). O conhecimento verdadeiro seria inteligibilidade apresentado pelo aristotelismo, o que provocou, nos novos pensadores, o receio de enganar-se novamente. A procura da maneira de evitar o erro faz surgir uma "adequação da inteligência á coisa". Retomando a física e a metafísica de Aristóteles, estabelece as cinco "vias" que nos conduzem a afirmar racionalmente a existência de Deus: a partir dos "efeitos", afirmamos a causa. Estabelece sua concepção de natureza como ordem do mundo. ordem decifrável nas coisas e que permite fixar fins particulares a cada uma delas. Deus é a causa de tudo, a principal característica do pensamento moderno: a questão do método. Essa preocupação centraliza as reflexões não apenas no conhecimento do ser (metafísica), mas, sobretudo, no problema do conhecimento (teoria do conhecimento ou epistemologia). Podemos dizer que até então a filosofia tem uma atitude realista, no sentido de não colocar em questão a existência do objeto, a realidade do
Filosofia fala-se do "empírico" como daquilo que se refere à consegue atingir certezas morais: suas verdades são da experiência, às sensações e às percepções, relativamente ordem da probabilidade; c) não há causalidade objetiva, aos encadeamentos da razão. O empirismo, sobretudo de Locke e de Hume, demonstra que não há outra fonte do conhecimento senão a experiência e a sensação. As idéias pois nem sempre as mesmas causas produzem os mesmos efeitos; d) convém que substituamos toda certeza pela probabilidade. Eis seu ceticismo, a condição da tolerância e só nascem de um enfraquecimento da sensação, e não da coexistência pacífica entre os homens. Trata-se de um podem ser inatas. Daí o empirismo rejeitar todas as especulações como vãs e impossíveis de circunscrever. Seu grande argumento: "Nada se encontra no espírito que não tenha, antes, estado nos sentidos." "A não ser o próprio espírito", responde Leibniz. Kant tenta resolver o debate: ceticismo teórico, não válido na vida prática. Fenomenísmo - definição Concepção filosófica atribuída, sobretudo, a Hume, que não admite a existência de nenhuma substância, todos os nossos conhecimentos, diz ele, provêm da experiência, mas segundo quadros e formas a priori que são próprios de nosso espírito. Com isso, tenta evitar o perigo do dogmatismo e do empirismo. David Hume (1711-1776) O filósofo e historiador escocês David Hume nasceu em Edimburgo. Estudou filosofia e se interessou pelas letras. Abandonou o curso de direito e dedicou-se ao comércio, passando três anos na França (1734-1737). Retornou à Inglaterra, tornou-se secretário do general Saint Clair e o acompanhou a Viena e Turim. Em 1744, candidatou-se a uma cadeira de filosofia em Edimburgo, foi acusado de ateísmo e não nomeado. Posterior-mente, candidatou-se à cadeira de lógica em Glasgow, para substituir Adam Smith, considerando a realidade como composta exclusivamente de fenômenos e das percepções e idéias que formamos destes. Oposto a substancialismo. John Locke (1632-1704) John Locke nasceu perto de Bristol, Inglaterra. Estudou medicina e foi secretário político de vários homens de Estado. Fez várias viagens ao exterior. Até os 38 anos, não manifestou nenhuma vocação filosófica. Foi somente em 1670171 que seu pensamento tomou um novo rumo: surgiu-lhe a idéia de sua grande obra: An Essay concerning Human Understanding (Ensaio sobre o entendimento humano. 1690). No mesmo ano, escreveu An Essay concerning Toleration (Ensaio sobre a tolerância). Em 1693, publicou The Reasonableness christianity (A e fracassou novamente. Conseguiu ser nomeado bibliotecário da faculdade de direito, onde se dedicou a uma grande atividade literária. Em 1763, re-tornou à razoabilidade do Cristianismo). Sua obra é uma reação contra Descartes e sua doutrina das idéias inatas. Ao descrever a formação de nossas idéias, Locke mostra que França como secretário da embaixada, onde conheceu Rousseau. Voltou á Inglaterra e tornou-se subsecretário de todas elas têm por fonte a experiência. Ele defende o empirismo contra o racionalismo cartesiano. O essencial de Estado (1767-1768). No ano seguinte (1769), regressou então a Edimburgo, onde permaneceu até sua morte. A filosofia de David Hume caracteriza-se como um *fenomenísmo que procede ao mesmo tempo do empirismo de Locke e do *idealismo de Berkeley: também é conhecida por ser um *ceticismo, na medida em que reduz os princípios racionais a ligações de idéias fortificadas pelo hábito e o eu a uma coleção de estados de consciência. Suas obras principais são: A Treatise of Human Nature (1739), Essays Moral and Political (1741), An Enquiry Concerning Human Understanding (inicialmente intitulado sua doutrina é sua teoria do conhecimento: a) todo conhecimento humano tem sua origem na sensação: "nada há na inteligência que, antes, não tenha estado nos sentidos"; não há idéias inatas no espírito; b) a partir dos dados da experiência, o entendimento vai produzir novas idéias por abstração; c) se o entendimento humano é passivo na origem, pois é tributário dos sentidos, tem um papel ativo, pois pode combinar as idéias simples e formar idéias complexas. Assim, seu empirismo leva-o a conferir à probabilidade um papel essencial no conhecimento. Quanto à política, parte da seguinte idéia: "Os homens são todos, Philosophical Essays Concerning Human Understanding) (1748), Political Discourses (1752), History of England during the Reigns of James I and Charles I (1754 ss.), Dialogues on Natural Religion (1779), póstuma. Abordam por natureza, livres, iguais e independentes, e ninguém pode ser despossuído de seus bens nem submetido ao poder político sem seu consentimento". A conseqüência de seu empirismo se revela na concepção do Estado social e do os seguintes temas fundamentais: a) não é possível nenhuma teoria geral da realidade: o homem não pode criar idéias, pois está inteiramente submetido aos sentidos; todos os nossos conhecimentos vêm dos sentidos; b) a ciência só poder político: em primeiro lugar, refuta o direito divino e o absolutismo, pois trata-se de renunciar a essas especulações para se voltar às coisas mesmas; em seguida, declara que o poder só é legitimo quando é a emanação da
Filosofia vontade popular, pois a soberania pertence ao povo que a delega a uma assembléia ou a um monarca; finalmente,
Filosofia Idealismo absoluto. Termo empregado por Hegel para caráter necessário, mas ao mesmo tempo representando caracterizar sua metafísica. segundo a qual o real é a idéia, conhecimento, ex.: os juízos da matemática e as leis gerais entendida contudo não em um sentido subjetivo, mas da física: e juízos sintéticos a posteriori, aqueles que são absoluto. simplesmente derivados da experiência. Ainda segundo Kant, os juízos podem ser caracterizados: quanto à Na tradição filosófica, o idealismo se opõe fundamentalmente ao materialismo, na medida em que, para ele, o universo se reduz, seja a dois princípios heterogêneos, a matéria e o pensamento, seja a um único princípio, o pensamento. Neste caso, os objetos materiais são apenas representações de nosso espírito, ou seja, o ser das coisas nada mais é do que a idéia que o espírito delas qualidade: afirmativos: "S é P" ("Sócrates é sábio"); negativos: "S não é P" ("Sócrates não é sábio"); indefinidos ou limitativos: "S é não P" ("Sócrates é não-sábio"), em que se nega uma qualidade, sem, contudo atribuir uma outra que caracterize o sujeito. A distinção entre negativo e limitativo não é encontrada geralmente na tradição, sendo específica ao sistema kantiano, nem sempre aceita fora possui. Opõe-se ainda, neste sentido, a empirismo e a realismo. dele. Quanto à quantidade: universais: "Todo S é P" ("Todo homem é mortal"); particulares: "Algum S é P" ("Alguns Contemporaneamente, sob influência da crítica vertebrados são mamíferos"); singulares: "Esse S é P" marxista, o termo "idealismo" designa uma concepção generosa ou ambiciosa, mas irrealizável ou utópica. Especialmente na moral, freqüentemente significa uma ("Este homem é brasileiro"). Quanto à relação: categóricos: "S é P” ("Brasília é a capital do Brasil"); hipotéticos: "Se S, então P" ("Se chover, ele não virá"); disjuntivos: "Ou S, ou ignorância das condições concretas do agir humano. Juízo (lat. judicium: julgamento, discernimento)
Filosofia Espinosa opõe uma única necessidade, vida interna de todo exceção no século XVII, representada por Spinoza. Baruch o universo: todas as coisas (inclusive os homens) são Spinoza (1632-1677) era judeu holandês e sofreu inúmeros modos da substância única que é Deus. A inteligência pode chegar ao saber absoluto; a essência de Deus e das coisas é totalmente inteligível; Deus é a natureza concebida como totalidade; dessa totalidade, o entendimento humano só pode conceber dois atributos: o pensamento e a extensão; reveses em sua vida. Cedo foi expulso da sinagoga, acusado de heresia. Deserdado pela família, ocupou-se como polidor de lentes, a fim de garantir a sobrevivência e dedicar-se à reflexão. Escreveu Trotado teológico-político e Ética, entre várias obras mal compreendidas e quase nunca mas as coisas singulares existem conhecimento verdadeiro se realiza por realmente; todo uma dedução de lidas, tanto no seu século como nos subseqüentes. Sempre sofreu acusações, ora de ateísmo, ora de panteísmo. tipo geométrico: a idéia não consiste na imagem nem nas palavras, mas no exercício do intelecto que coincide com seu objeto: o homem não é um império num império, mas está submetido às leis comuns da natureza. Precisamos analisar as diferentes instituições em seu funcionamento: que poder as produz? Quais são seus efeitos? Eis o objetivo Considerado por muitos um filósofo determinista, no sentido de que negaria a liberdade humana, o que Spinoza faz, ao contrário, é a crítica a toda forma de poder, quer político, quer religioso, na tentativa de elucidar os obstáculos à vida, ao pensamento e à política livres. Ele da obra inacabada Tratado político (1677). A alegria, a tristeza e o desejo são três afeições primitivas das quais nascem todas as outras. O bem, o mal, o belo e o feio não quer descobrir o que leva o homem à servidão e à obediência. Sua análise teórica a respeito da superstição tem características que a aproximam do conceito marxista constituem propriedades das coisas, mas modos de imaginar. Como a superstição constitui a grande ameaça do homem, a tarefa do filósofo é eminentemente política: de ideologia, elaborado dois séculos depois. Por isso, ao analisar o comportamento moral, Spinoza procura o que possibilita e o que impede o exercício da liberdade. denunciar os sistemas políticos que só se impõem aos homens inspirando-lhes paixões tristes. E na cidade que o Ao mostrar as possibilidades de expressão da liberdade, Spinoza desenvolve uma teoria absolutamente nova no seu homem realiza sua liberdade: "O sábio é mais livre na cidade, onde obedece à lei comum, do que na solidão onde tempo e que desafia uma tradição vinda dos gregos. Vimos que Platão dicotomiza corpo-consciência, dando ao espírito só obedece às suas paixões": "Não devemos confundir o sentido de um discurso com a verdade das coisas". Se o Deus sirve Natura “de Espinosa não é um Deus criador, pessoal e juiz, nem por isso pode ser dissolvido no mundo (panteísmo). Espinosismo Nome genérico dado ao destino póstumo da filosofia de a superioridade e o poder de dominar as paixões, como condição da própria humanização. Também em Descartes persiste o dualismo psicofísico, a hierarquização e o princípio de causalidade. Essa posição, levada às últimas conseqüências, abre caminho para a concepção materialista do corpo. A novidade de Spinoza é a teoria do paralelismo, segundo a qual não há nenhuma relação de causalidade ou de hierarquia entre corpo e espírito. Ou seja, nem o espírito Espinosa. fundada num racionalismo integral que recusa é superior ao corpo, como queriam os idealistas, nem o toda distinção "moral", toda subjetividade, toda finalidade da natureza e que concebe o homem como um simples "modo finito da substância infinita" e não mais como o centro e o fim do universo. O espinosismo, rejeitado no corpo determina a consciência, como dizem os materialistas. A relação entre um e outro não é de causalidade, mas de expressão e simples correspondência. O que se passa em um deles se exprime no outro: a alma e séc.XVIII como um "sistema ateu" e reabilitado no o corpo exprimem, no seu modo próprio, o mesmo evento. séc.XIX como uma filosofia panteísta da natureza. opõe-se vigorosamente ao irracionalismo, pois entende que tudo o Nesse sentido, também não convém dizer que o corpo é passivo enquanto a alma é ativa, ou vice versa. Tanto a que existe deve ter uma explicação racional. Marx, alma como o corpo podem ser, por sua vez, ativos ou Nietzsche e Freud, na medida em que elaboram uma visão naturalista do homem e do mundo, adotam uma postura passivos. Quando passivos, Quando ativos, o somos de o somos de corpo e alma. corpo e alma. Somos ativos espinosista. A relação corpo-espírito para Spinoza Embora só no século XX tenham surgido correntes filosóficas que visam superar a dicotomia corpo- quando autônomos, senhores de nossa ação, e passivos quando o que ocorre em nosso corpo ou alma tem uma causa externa mais poderosa que nossa força interna, daí decorrendo a heteronomia. consciência, restabelecendo a unidade humana, há uma
Filosofia dialética, todas as coisas e idéias morrem. Como diz Goethe: "Tudo o que existe merece desaparecer ". Mas essa força destruidora é também a força motriz do processo histórico. O movimento da dialética se faz em três etapas: tese, antítese e síntese. A antítese é a negação da tese, e a síntese é a superação da contradição entre tese e antítese. homem em estado de natureza, pois o homem é sempre um indivíduo social. O Estado sintetiza, numa realidade coletiva, a totalidade dos interesses contraditórios entre os indivíduos. Assim como a família é a síntese dos interesses contraditórios entre seus membros, e a sociedade civil a síntese que supera as divergências entre as diversas famílias, o Estado representa a unidade final, a síntese mais perfeita que supera a contradição existente entre o privado e o público. No movimento dialético as esferas da família e da sociedade civil não devem ser entendidas como formas Da abordagem dialética resulta um novo conceito de anteriores ou exteriores ao^ Estado, pois na verdade só história. O presente é retomado existem e se desenvolvem no Estado. Quando^ Hegel usa a como resultado de longo e dramático processo; a história não é a simples acumulação e justaposição de fatos acontecidos no tempo, mas é resultado de verdadeiro engendramento, de um processo cujo motor interno é a contradição dialética. Ao explicar o movimento gerador da realidade, Hegel desenvolve a dialética idealista: no sistema hegeliano, a racionalidade não é mais um modelo a expressão sociedade civil, lhe dá um sentido novo, correspondente à esfera intermediária entre a família e o Estado. A sociedade civil é o lugar das atividades econômicas, e, portanto, onde prevalecem os interesses privados, sempre antagônicos entre si. Por isso mesmo é o lugar das diferenças sociais e conflituosas entre ricos e pobres e da rivalidade dos profissionais entre si. Para superar as contradições que põem em perigo a coletividade, se aplicar, "mas é o próprio tecido do real e do pensamento". O mundo é a manifestação da Idéia, "o real é racional e o racional é real". "A história universal nada mais é do é preciso reconhecer a soberania do Estado. Nele, cada um tem a clara consciência de agir em busca do bem coletivo, sendo, assim, por excelência, a esfera dos interesses públicos e universais. A importância que a manifestação da Razão”. (^) do Estado na filosofia política de Hegel levou a No movimento dialético, a Razão passa por diversos interpretações diversas, inclusive a de que ele teria sido o graus, desde a natureza inorgânica até as formas mais complexas da vida social. Entre estas, Hegel se refere ao teórico do absolutismo prussiano, o que, em última análise, justificaria o Estado totalitário do século XX. Vários Espírito objetivo, ou seja, o espírito exterior do homem enquanto expressão da vontade coletiva por meio da moral, do direito, da política: o Espírito objetivo se realiza naquilo que se chama mundo da cultura. Para Hegel, o Estado é uma das mais altas sínteses do Espírito objetivo. É o que explicaremos a seguir. A concepção de Estado As teorias sobre o Estado foram desenvolvidas por Hegel na obra Filosofia do direito , onde critica a tradição naturalista típica dos filósofos contratualistas. Estes, ao elaborarem a hipótese do homem em estado de natureza, desenvolveram a concepção de que a sociedade é composta por indivíduos isolados que se reúnem motivados por um pacto, a fim de formar artificialmente o Estado e garantir a liberdade individual e a propriedade privada. Ao contrário das teorias contratualistas, a concepção hegeliana nega a filósofos se insurgiram contra essa simplificação deformadora do seu pensamento, desde o próprio Marx até o contemporâneo Eric Weil. Pelo menos até o momento histórico vivido por Hegel, a monarquia constitucional representa para ele a melhor forma de governo, a que melhor corresponde ao "espírito do tempo". Com ela não se corre o risco de pôr o indivíduo em primeiro plano, já que o domínio do monarca não é autônomo e independente, mas regido pelas leis e pelo bem do Estado. Isso seria possível pelo fato de a monarquia constitucional opor-se ao despotismo, não sendo, portanto, o governo de um só e os poderes do Estado se encontrarem divididos e exercidos por diversos órgãos. A influência da filosofia hegeliana Hegel exerceu grande influência no desenvolvimento do pensamento político posterior, e seus seguidores dividiram- anterioridade dos indivíduos, pois é o Estado que fundamenta a sociedade. Não é o indivíduo que escolhe o Estado, mas sim é por ele constituído. Ou seja, não existe o se em dois grupos opostos, denominados esquerda e direita hegeliana. Essa cisão foi provocada por uma querela de origem religiosa incitada por David F. Strauss, teólogo e
Filosofia autor de Vida de Jesus, na interpretação do pensamento de Hegel. Os da direita são os discípulos conservadores e mantêm a filosofia idealista do mestre; na política, defendem o estado prussiano e, na religião, seguem o luteranismo. Os da esquerda transformam a filosofia idealista em comunidade que o criou, só podendo ser compreendido numa perspectiva histórica. Sob sua aparência liberal, essa teoria é bastante reacionária, pois faz do direito a estrutura inconsciente de uma comunidade sacralizada por seu próprio passado. materialista; na política, defendem a anarquia ou um regime socialista e, na religião, são ateus ou anticristãos. Entre estes estão Feuerbach e, posteriormente, Marx e Engels, os quais, ao realizarem a inversão do idealismo hegeliano, assentam as bases do materialismo dialético: "A dialética de Hegel foi colocada com a cabeça para cima ou, dizendo melhor, ela que se tinha apoiado exclusivamente sobre sua cabeça, foi de novo reposta sobre seus pés. Outra divergência se encontra na concepção de Marx, para quem o Estado não representa a síntese que superaria os interesses contraditórios da sociedade civil, mas estaria a