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Revista de Fisiologia do Exercicio
Tipologia: Exercícios
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E X E R C Í C I O
F I S I O L O G I A^ DO
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volume 04 - número 01 •
Jan/Dez 2005
B r a z i l i a n Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
J o u r n a l
o f
E x e r c i s e
P h y s i o l o g y
ISSN 16778510
FLEXIBILIDADE •
ESPORTE •
HIPERTENSÃO ARTERIAL •
Carta ao leitor, Prof. Dr. Paulo Tarso Veras Farinatti..................................................................................................... 3
Análise do intervalo de recuperação e consistência no teste de 1RM, José Eduardo Lattari Rayol Prati, Sergio Eduardo de Carvalho Machado, André Pinheiro, Mauro César Gurgel de Alencar Carvalho, Estélio Henrique Martin Dantas ................................................................. 4
Desempenho funcional de idosos asilados, Rodrigo Barbosa de Albuquerque, Amandio A. Rihan Geraldes .......................................................................................................................................... 7
Efeito agudo dos alongamentos estático e FNP sobre o desempenho da força dinâmica máxima, Thiago Matassoli Gomes, Ercole da Cruz Rubini, Homero da SN Junior, Jeff erson da Silva Novaes, Alexandre Trindade ............................................................................................................. 13
Predição do volume de exercícios com pesos para promoção da exaustão em três grupos musculares de atletas mediante variações de componentes sanguíneos, Carlos Alexandre Fett, Fábio Lera Orsatti, Roberto Carlos Burini................................................................................ 17
Utilização do teste de 1RM na prescrição de exercícios resistidos: vantagem ou desvantagem? Alex Souto Maior, Adriana Lemos, Nélson Carvalho, Jéferson Novaes, Roberto Simão ............................................... 22
Correlação entre o acúmulo de lactato e a flexibilidade medida pelo teste de sentar e alcançar em lutadores de Wushu, Rafael Reimann Baptista, Alexsander dos Anjos Ramos, Bruno Fraga da Silva, Bruno Ogodai S. D. de Castro .................................................................................................. 27
Efeitos de um treinamento de força aplicado em mulheres praticantes de hidroginástica, Luiz Fernando Martins Kruel, Roberta Eilert Barella, Fabiane Graef, Michel Arias Brentano, Paulo Poli de Figueiredo, Ananda Cardoso, Carla Rosana Severo ............................................ 32
Avaliação da flexibilidade em mulheres submetidas a exercícios de alongamento em grupo, Daniela Cristina Bianchini Nogueira Moreno Perea, Thais Renata Conejo, Silvia Maria de Mendonça, Renata Munari, Maria Cristina Strabelli Titto ................................................................... 39
Questionário de Prontidão para Atividade Física (PAR-Q) Leonardo Gomes de Oliveira Luz, Paulo de Tarso Veras Farinatti ................................................................................ 43
Hipertensão arterial: uma abordagem direcionada aos efeitos do treinamento, mecanismos hipotensivos e respostas a programas de exercícios, Kalline Russo, Walace Monteiro .................................................................................................................................. 49
Anais do IV Workshop em Fisiologia do Exercício – UFSCar e I Congresso Paulista da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício ........................................................................................... 58
Sumário
R e v i s t a B r a s i l e i r a d e
F I S I O L O G I A
DO E X E R C Í C I O
Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
B r a z i l i a n J o u r n a l o f E x e r c i s e P h y s i o l o g y
Editorial
Carta ao Leitor
Caros(as) Colegas, A Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício (SBFEx) foi fundada em 2002 por pesquisadores de diversas regiões do país, que desejavam criar um fórum de discussão e fomento da área que não fosse vinculado a quaisquer categorias pro- fi ssionais. Uma das iniciativas em que se investiu foi a criação da Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício (RBFEx), doravante órgão oficial da SBFEx. A RBFEx foi publicada entre os anos 2002 e 2004 quando, em virtude de falta de interesse da editora à qual estava vinculada, teve sua periodi- cidade interrompida. Após dois anos de negociações, encontramos na Editora Atlântica as condições estruturais e de profissionalismo com- patíveis com os ideais que estavam na origem da criação da RBFEx. Estamos, portanto, diante do desafio de recuperar o tempo perdido e fazer da revista um veículo de divulgação da produção científica em fisiologia do exercício, respeitado e procurado pelos pesquisadores que militam nesse campo de conhecimento. Em um primeiro momento serão lançados dois volumes, contemplando os anos de 2005 e 2006, período em que a
publicação da revista viu-se interrompida. Além de artigos originais e de revisão, são disponibilizados os Anais do II Encontro Regional de Fisiologia do Exercício, realizado em São Carlos. Em seguida, os números relacionados ao volume de 2007 serão lançados com a periodicidade que a RBFEx tinha, qual seja, quadrimestral. Este volume, portanto, marca a retomada de um projeto caro a muitos profissionais, pesquisadores e docentes, que nele investiram tempo e energia. Fica aqui o agradecimento a todos que vêm colaborando com a RBFEx, seja na sua concepção ou na revisão de artigos. Um obrigado especial aos colegas que, mesmo sabendo de todos os problemas pelos quais a revista passou, nela continuaram acreditando e enviaram suas colaborações. Sem eles, certamente a RBFEx não mais existiria. Enfim, convidamos todos a participar do sonho de termos no Brasil uma revista especificamente voltada para as questões da fisiologia do exercício, prestigiando- nos com sua escolha para a divulgação de resultados de pesquisas e estudos!
Prof. Dr. Paulo Tarso Veras Farinatti Editor-Chefe da RBFEx
Artigo original
Análise do intervalo de recuperação
e consistência no teste de 1RM Consistency and interval recovery analysis in 1RM test
José Eduardo Lattari Rayol Prati, Sergio Eduardo de Carvalho Machado, André Pinheiro**, Mauro César Gurgel de Alen- car Carvalho****, Estélio Henrique Martin Dantas*****
*Mestrando em Saúde Mental - Laboratório de Mapeamento Cerebral e Integração Sensório-Motora - IPUB/UFRJ, **Mestrando em Saúde Mental - Laboratório de Mapeamento Cerebral e Integração Sensório-Motora - IPUB/UFRJ, Bolsista Capes, ***Professor
_- Academia West Fitness Club, ****Doutorando em Engenharia Civil - Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia
O presente estudo verificou se 10 minutos de intervalo no teste de 1RM foram suficientes para a recuperação total de força e fidedig- nidade de seu re-teste 10 minutos após sua aplicação. A amostra foi composta de 20 homens saudáveis e treinados, sem histórico de lesão, com média de idade (23,5 ± 3,69), peso (73,1 kg ± 9,93) e estatura (1,76 m ± 0,05). Para analisar o intervalo de recuperação entre os testes de 1RM utilizou-se um teste t pareado, já para a análise da fidedignidade utilizou-se o coeficiente de correlação intra-classe (CCI) para determinar a consistência interna. Somente foi verificado um alto índice de CCI, atingindo a fidedignidade (p = 0,000). Conclui-se que o teste de 1RM realizado em um mesmo dia e 10 minutos após apresenta um alto índice de CCI para o exercício de supino em homens familiarizados ao teste, mostrando-se suficiente para o intervalo de recuperação para restabelecimento total da força. Palavras-chave: intervalo de recuperação, consistência interna, força, 1RM.
The present study verified if 10 minutes of interval in the 1RM test had been enough for recovery the total of strength and reliability of its re-test 10 minutes after application. Sample was composed by 20 health trained male without history of lesion, aging (23.5 ± 3.69), weight (73.1 kg ± 9.93) and stature (1.76 m ± 0.05). To analyze the recovery interval between 1RM tests a paired t test was used, and for the reliability analysis the intraclass correlation coefficient (ICC) was used to determine the internal consistence. Only a high ICC indices was verified, reaching the reability (p = 0.000). We concluded that 1RM test carried out in a same day and 10 minutes after presenting a high ICC index for bench press exercise to male that are familiar to the test, showed adequate recovery interval to restore strength. Palavras-chave: recovery interval, internal consistency, strength, 1RM.
Recebido em 12 de outubro de 2005; aceito em 10 de dezembro de 2005. Endereço de correspondência: Sergio Eduardo de Carvalho Machado, Rua Professor Sabóia Ribeiro, 69/104, Leblon, 22430-130 Rio de Janeiro RJ, E-mail: [email protected]
Introdução
O teste de 1RM representa por si só um esforço máximo e, conseqüentemente, um desgaste é gerado. Apesar da ne- cessidade de familiarização, até o presente momento, o teste de uma repetição máxima (1RM) tem sua confiabilidade bem consolidada como corroboram alguns estudos [1-4],
sendo esse teste (1RM) muito utilizado para se verificar o nível de força dinâmica máxima do indivíduo [5]. Outro grande questionamento sobre o uso do teste de 1RM é sobre as alterações da carga provocadas com diferentes po- pulações [4], diferentes idades [6], grupamento muscular utilizado [1] e a confiabilidade inter e intra-avaliadores [4]. O intervalo de recuperação é outra importante variável
Sabe-se que um longo intervalo de descanso é necessário para a recuperação do sistema neural e energético. Sustentando essa hipótese, o estudo de Pincivero [16] mostrou que os mús- culos posteriores de coxa responderam de forma mais eficiente à um programa de treinamento de força isocinético, quando foram aplicados longos intervalos de descanso intra-sessão. Quanto ao tempo de recuperação do sistema nervoso central, a incompleta recuperação desse sistema pode reduzir o recrutamento de unidades motoras [17]. Tal fato pode estar atribuído à fadiga de origem neurobiológica ou psicológica ligada a mudanças neuroquímicas que afetam o processo de contração muscular. Entretanto, todos os estudos citados anteriormente são de efeitos agudos sobre a força. Dessa maneira, pode-se dizer que estudos investigando os efeitos do intervalo de recuperação sobre a força muscular em estudos longitudinais ainda são escassos na literatura [18]. b) Quanto à fidedginidade no teste de 1RM Em relação à fidedignidade do teste de 1RM, Pereira e Gomes [3] relatam que esta mostrou-se de moderada a alta, variando entre 0,79 e 0,99 de correlação, de acordo com o gênero dos sujeitos e exercícios realizados. Porém, a maioria dos estudos verificaram a estabilização de cargas com testes sendo realizados em dias diferentes [2], populações adversas [4,6,19,20] e diferentes grupamentos musculares [1]. Um outro importante ponto a ressaltar, é que todos os estudos citados realizaram análises estatísticas com coeficiente de correlação de Pearson. Tal coeficiente é utilizado para verificar a variação entre as médias obtidas entre grupos, diferentemente de nosso trabalho que utilizou o coeficiente de correlação intra-classe (CCI), responsável em verificar essas possíveis alterações intra-grupo [13,14]. A estabilização da carga máxima no exercício de supino neces- sita de três a quatro sessões, conforme estudo de Dias et al. [2]. Em nosso estudo foram realizados teste e re-teste dentro do mesmo dia, apresentando um alto coeficiente de correlação intra-classe, havendo somente realização de testes dentro do mesmo dia. O que sugere uma rápida estabilização devido ao uso do exercício de supino cujo estudo de Cronin e Henderson [1] demonstrou ser mais rápido para o grupamento muscular do peitoral.
Conclusão
Conclui-se que o teste de uma repetição máxima (1RM) realizado dentro do mesmo dia apresentou um alto índice de correlação intra-classe em homens bem familiarizados ao teste, demonstrando excelente reprodutibilidade. E demonstrou também que o intervalo de recuperação foi suficiente para o restabelecimento total da força. Sugere-se que sejam realizadas novas investigações, veri- fi cando a confiabilidade de testes com diferentes números de repetições máximas, levando em consideração os fatores que podem interferir nessa análise como idade, grupamento muscular utilizado e tempo de familiarização.
Referências
Artigo original
Desempenho funcional de idosos asilados Functional performance in institutionalized old subjects
Rodrigo Barbosa de Albuquerque, Amandio A. Rihan Geraldes*
*Graduado em Educação Física, NUPAFIDES-EDF-UFAL , Maceió AL, **Professor Assistente da Universidade Federal de Alago- as, NUPAFIDES-EDF-UFAL, Departamento de Educação Física, Maceió AL
O objetivo do presente estudo foi identificar o nível de autono- mia funcional de idosos asilados, através da avaliação do desempenho em tarefas funcionais selecionadas. Participaram da pesquisa deze- nove idosos, sendo 12 homens (média de idade = 70,45 ± 6,02) e 7 mulheres (média de idade = 79,42 anos ± 10,65). As medidas do desempenho funcional de cada uma das variáveis estudadas foram acessadas através do tempo mínimo gasto para realizar as seguintes tarefas: 1) caminhada de 10 metros (C10); 2) “Timed Up And Go Test” (TUGT); 3) tempo para tirar e recolocar uma chave em uma fechadura (CF); 4) tempo para tirar e recolocar uma lâmpada (RL). De acordo com os resultados, 84% dos indivíduos conseguiram realizar todas as tarefas propostas. No desempenho da tarefa C10, enquanto os homens gastaram 8,74 seg. (± 2,5) para a realização desta tarefa, as mulheres levaram um tempo médio de 24,41 seg. (± 14,50). Este tempo não é suficiente para atravessar uma rua padrão em vários países desenvolvidos, como por exemplo, nos EUA (1, m/s) ou na Suécia (1,4 m/s). Para as outras tarefas o tempo médio, gasto por homens e mulheres, respectivamente foi de: 14,96 seg. (± 3,90) e 28,24 seg. (± 15) para TUGT; 10,16 seg. (± 18,90) e 8,93 seg. (± 9,90) para a CF e 13,78 seg. (± 18,90) e 8,93 seg. (± 9,90) para a RL. Esses achados sugerem a premente necessidade de intervenções, sejam públicas ou privadas, que objetivem a melhora do desempenho funcional desta população e, conseqüentemente, aumento da qualidade de vida. Palavras-chave: idosos, autonomia funcional, asilos, sarcopenia.
The purpose of this study was to identify the level of functio- nal autonomy in elderly, through functional skills evaluation. The sample was composed by nineteen elderly, twelve men (aged 70. ± 6.02) and seven women (79.42 ± 10.65). Outcomes variable in- cluded the functional performance measured by minimal time that the individuals have to accomplish the following tasks: 1) the 10 meter walk test; 2) “Timed Up And Go Test” (TUGT); 3) time to remove and to place a key in the lock (KL); 4) time to remove and to put a lamp (PL). The results suggest that 84% of the individuals have accomplished all tasks. In the 10 meter walk while men spent 8.74 ± 2.5 seconds to accomplish this task, women spent 24.41 ± 14.5 seconds. The duration is not enough for pedestrians to cross a street in developed countries such as USA (1.22 m/s) or Sweden (1.44 m/s). For the other tasks the average time for the TUGT was 14.96 ± 3.90 and 28.24 ± 15.1 for man and woman, respectively; 10.16 ± 18.90 and 8.93 ± 9.90 for the KL and 13.78 ± 18.90 and 8.93 ± 9.90 for the PL. Th ese findings suggest the need of public or private interventions aiming at improving functional performance of this population and consequently better life quality. Key-words: elderly, functional autonomy, asylums, sarcopenia.
Recebido 27 de fevereiro de 2005;aceito 12 de julho de 2005. Endereço para correspondência: Rodrigo Barbosa de Albuquerque, Rua Tupinambás, 78, Ponta Grossa, 57014820 Maceió AL, E- mail: [email protected]
Para a caracterização antropométrica da amostra, utili- zaram-se as medidas da massa corporal, estatura e Índice de Massa Corporal (Tabela I). Após a explicação dos objetivos, procedimentos experi- mentais, importância e relevância do estudo e possíveis riscos, derivados do experimento, leu-se para todos os idosos o con- teúdo da carta de consentimento. Ao fim da leitura os idosos que se propuseram a participar do experimento, assinaram ou a puseram as digitais de seus polegares sobre o termo de consentimento. Além disso, a presente pesquisa respeitou os preceitos e normas ditadas pelo Conselho Nacional de Saúde (resolução n° 01/88) (CNS, 1995).
Na maioria dos asilos estudados, os testes foram realiza- dos em um único dia. Entretanto, em alguns asilos, houve a necessidade de se utilizar dois dias consecutivos para as avaliações. Para acessar o desempenho funcional dos idosos, mediu-se o tempo gasto para a realização de quatro das atividades ou tarefas motoras importantes para o cotidiano, utilizadas como testes em estudos anteriores, descritos a seguir.
Este teste, utilizado em estudos anteriores [6,22], desti- na-se a medir a velocidade de caminhada para uma distância equivalente a largura de uma rua padrão. O teste consiste em caminhar em linha reta, uma distância equivalente a 10 (dez) metros, o mais rápido possível, sem correr.
Este teste, dentre outras variáveis, destina-se a medir, principalmente a coordenação motora e o equilíbrio. Segun- do Podsiadlo & Richardson [23], pode ser utilizado como preditor para a funcionalidade e morbi-mortalidade. O teste é iniciado com o sujeito sentado em uma cadeira. O avaliado deve levantar-se da cadeira, sem auxílio dos braços, caminhar em linha reta, o mais rapidamente possível sem correr, uma distância de três metros, ao fim dos quais, deve fazer meia volta, percorrer o mesmo percurso e mais uma vez sentar.
Esse teste foi proposto e utilizado por Lundgren-Lindquist & Sperling [24] para avaliar a habilidade manual de indivídu- os idosos. O teste consiste em, se partindo-se da posição inicial em pé, em frente ao equipamento, colocado a uma altura de 95 a 100 cm do chão, onde está a fechadura foi marcado o tempo para tirar e recolocar a chave.
Esse teste, também proposto por Lundgren-Lindquist & Sperling [24], destina-se à avaliação da habilidade manual de idosos.
Com o objetivo de organizar e apresentar à análise os dados estudados, utilizaram-se os seguintes recursos da esta- tística descritiva: média, desvio padrão, freqüência absoluta e freqüência relativa e delta percentual (Δ%).
Resultados
Apresentação dos resultados no desempenho funcional Os resultados do desempenho funcional em cada uma das tarefas selecionadas podem ser observados na Tabela II.
Neste teste, os homens e mulheres que compuseram a amostra gastaram, respectivamente, um tempo médio de 8,74s (± 2,2) e 24,41s (± 14,5) para a realização da tarefa, o que corresponde a uma velocidade média de 1.31 m/s (DP= ± 0,31) para os homens e 0,54 m/s (DP = ± 0,3) para as mulheres.
Quando analisamos o TUGT, é pertinente lembrar que as autoras do mesmo, Podsiadlo & Richardson [23], reportam que, em termos funcionais, enquanto os indivíduos que con- seguem realizar essa tarefa em tempo inferior a 10 segundos
Tabela II - Desempenho nas habilidades funcionais selecionadas.
HOMENS (n = 12) (Vm – VM) MULHERES (n = 7) n M DP n M DP TTRL(seg) (11) 13,78 ± 7,73 6,3 – 50,16 (7) 21,57 ± 15, TTEC(seg) (11) 10,16 ± 18,9 1,67 – 66,39 (7) 8,93 ± 9, TUAGT(seg) (12) 14,96 ± 3,9 9,64 – 52,74 (6) 28,24 ± 15, TC 10m(seg) (12) 8,74 ± 2,5 5,11 – 46,84 (7) 24,41 ± 14, TTCL = Tempo para retirar e recolocar uma lâmpada; TTEC = Tempo para retirar e recolocar a chave; TUAGT = “Timed Up And Go Test” ; TC 10 m = Tempo para realizar a Caminhada de 10 metros, n = número de participantes, M = Média, DP = Desvio Padrão, Vm = Valor Mínimo, VM = Valor Máximo.
são classificados como funcionalmente independentes; os sujeitos que realizam o teste em um período de tempo superior a 10 segundos e inferior a 20 segundos são classificados como parcialmente independentes. Finalmente, os indivíduos que realizam o teste em tempo superior a 30, ou não o conseguem realizar, são classificados como funcionalmente dependentes, tendendo a necessitar de assistência de outras pessoas. Dessa forma, pôde-se observar que, todos os sujeitos do sexo mas- culino foram classificados como parcialmente independentes. Entretanto, dentre as mulheres, observou-se a ocorrência das três classificações. Ou seja, uma delas foi considerada fun- cionalmente dependente, desde que não conseguiu realizar o mesmo; três foram consideradas parcialmente indepen- dentes, uma foi considerada funcionalmente independente e três como dependentes da assistência de outras pessoas para realizarem esta atividade motora.
Neste teste, embora 100% das mulheres fossem capazes de desempenhar a tarefa, três delas (43%), demonstraram significativas difi culdades na realização da tarefa. Dentre os homens, neste mesmo teste, três sujeitos (25%) apresentaram dificuldade na realização do teste, enquanto um deles (8,3%) foi incapaz de realizar a tarefa.
Nessa tarefa, mais uma vez, 100% das mulheres foram capazes de terminar a tarefa, entretanto, duas delas (28,5%) apresentaram dificuldades na realização da mesma. Dentre os homens, dois sujeitos (16,6%) demonstraram dificuldades para realização da tarefa, enquanto um dos indivíduos (8,3%) não foi capaz de completar o teste.
Discussão
Os resultados do presente estudo corroboram com afi rmações de publicações anteriores [25] de que o grau do declínio na capacidade funcional de idosos asilados é mais elevado, quando comparado com idosos não asilados, apesar das limitações existentes no presente estudo como o limitado tamanho da amostra e outras. Vários estudos longitudinais [27,9] têm demonstrado que os efeitos deletérios do envelhecimento, sobre os diferentes sistemas corporais, podem levar o indivíduo à invalidez. Melo et al. [26] lembra que tais constatações demonstram que o envelhecimento populacional e seus efeitos geram maior responsabilidade e maiores gastos, com programas médicos e sociais, para os serviços de saúde, desde que, os idosos apresentam como características: consumir mais serviços de saúde, apresentam maior e mais freqüente necessidade de
internações hospitalares e, quando internados, apresentam um tempo de ocupação do leito maior que o de outras faixas etárias [12]. Indivíduos idosos que vivem em instituições asilares têm demonstrado menores níveis de atividade e aptidão física, quando comparados com os idosos que vivem na comuni- dade. Sendo mais frágeis, esses idosos apresentam maiores riscos para doenças crônico-degenerativas, limitações fun- cionais e quedas [25]. No Distrito Federal, Melo et al. [26] investigando o nível de atividade física em instituições que cuidam de idosos, observou que nenhuma das instituições estudadas oferecia qualquer programa de atividade física orientada. Mais uma vez no Brasil, em um estudo feito na região sul do país, Benedetti & Petroski [25] constataram que as instituições asilares, devido ao declínio do organismo e a uma maior fragilidade dos indivíduos, têm dado preferência às atividades que requeiram menor esforço físico. A autora observou a ocorrência de um fenômeno interessante que, se- gundo a mesma, termina convertendo-se em um ciclo vicioso: à medida que há o incremento da idade, o indivíduo tende a tornar-se menos ativo, por conseguinte suas capacidades físicas diminuem, começa a aparecer o sentimento de velhice, que pode por sua vez causar estresse, depressão e levar a uma redução da atividade física e, conseqüentemente, à aparição de doenças crônico-degenerativas, que por si só, contribuem para o envelhecimento. Os resultados da presente pesquisa demonstram que, em todas as atividades motoras realizadas, as mulheres apre- sentaram desempenho médio inferior (tempo maior para a realização da tarefa) ao dos homens. No teste de caminhada de 10 metros, as mulheres apresentaram o resultado inferior (p = 0,000). Esperava-se este resultado, pois segundo [28], quando se comparam idosos de mesma idade e características, os do sexo feminino, tendem a apresentar menor desempenho funcional em tarefas que exijam esforços físicos moderados ou vigorosos, quando comparadas com homens. Quando comparados com os resultados de estudos semelhantes [29,6,30], realizados com idosos não insti- tucionalizados, de mesmas características e faixa etária, as mulheres e homens que compuseram esta pesquisa apresen- taram uma velocidade de caminhada menor. Entretanto, quando comparados com outros estudos [31], as mulheres continuam apresentando menores resultados, enquanto os homens apresentam resultados semelhantes. Estes resultados são compatíveis com os apresentados por outros estudos, como, por exemplo, o de [28], no qual os autores, além de confirmarem estes achados, complementam observando que, dentre os idosos, as mulheres tendem a apresentar maior fragilidade e necessidade de assistência na realização das ati- vidades motoras do cotidiano. No Teste TUGT é interessante notar que, quando comparados com os resultados do estudo de Podsiadlo & Richardson [23], realizados com sujeitos de média de idade superior (79,5 anos), a presente amostra, embora apresentando média de idade inferior, apresentou
- year - old men and women. Scand J Rehab Med 1980;12: 145-154. Artigo original
Efeito agudo dos alongamentos estático e FNP sobre
o desempenho da força dinâmica máxima Acute effect of static and PNF stretching on maximal dynamic strength performance
Thiago Matassoli Gomes, Ercole da Cruz Rubini, Homero da SN Junior, Jefferson da Silva Novaes, Alexandre Trindade*
*Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Ciência da Motricidade Humana - PROCIMH / UCB-RJ, Laboratório de Biociên- cias da Motricidade Humana - LABIMH, Universidade Estácio de Sá - RJ, **Universidade Estácio de Sá - RJ, *** Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Ciência da Motricidade Humana - PROCIMH / UCB-RJ, Laboratório de Biociências da Motrici- dade Humana - LABIMH, UFRJ / EEFD
O objetivo deste estudo foi verificar o efeito agudo dos alonga- mentos estático passivo e facilitação neuromuscular proprioceptiva sobre o desempenho da força dinâmica máxima. O estudo foi realizado com 21 voluntários do sexo masculino (24,1 ± 1,7 anos) treinados em força há pelo menos dois anos. Para auferição da força dinâmica máxima foi utilizado o protocolo de teste e re-teste de uma repetição máxima (1RM) no supino horizontal. Todos os sujeitos participaram de todas as situações experimentais, sendo: a) alongamento estático + 1RM (EP); b) alongamento FNP + 1RM (FNP); c) teste de 1RM sem alongamento (GC). A ordem de par- ticipação nos protocolos experimentais foi determinada de forma aleatória. O resultado da ANOVA com medidas repetidas mostrou diferenças significativas com relação à situação controle, tanto na situação EP (p = 0,00) quanto na situação FNP (p = 0,00). Onde a média nas condições experimentais EP (95 ± 12,3 kg) e FNP ( ± 11,2 kg) foi significativamente menor do que GC (99,2 ± 11, kg). Conclui-se que uma sessão de alongamento estático ou FNP executada imediatamente antes do treinamento de força provocou uma diminuição do desempenho. Palavras-chave: flexibilidade, teste de 1 RM, rendimento, treinamento concorrente.
The purpose of this study was to verify the acute effect of static and proprioceptive neuromuscular facilitation stretching on maxi- mal dynamic strength performance. The study was comprised by twenty-one trained male (24.1 ± 1.7 years). To measure the maximal dynamic strength it was used the one maximal repetition test (1RM) and retest protocols in a horizontal chest press. All subjects were ran- domly assigned to static stretching (EP), PNF stretching (FNP) and nonstretching (GC) protocols before strength testing. The ANOVA with repeated measures revealed significantly decreases (p < 0.05) in maximal dynamic strength. Static and proprioceptive neuromuscular stretching reduced the maximal strength (p = 0.00) when compared with nonstretching group. The mean in experimental conditions EP (95 ± 12.3 kg) and FNP (92 ± 11.2 kg) was significantly smaller than GC (99.2 ± 11.4 kg). These results indicated that both static and proprioceptive neuromuscular facilitation stretching impairs maximal dynamic force production. Key-words: flexibility, 1RM test, performance, concurrently training.
Recebido 15 de julho de 2005; aceito em 10 de outubro de 2005. Endereço para correspondência: Thiago Matassoli Gomes, Rua Delfina Enes, 365, Penha, 21011-400 Rio de Janeiro RJ, Tel: (21) 8807-9459, E-mail: [email protected]
Todos os resultados estão apresentados em média ± desvio padrão. Para determinar os efeitos dos dois tratamentos sobre a variável dependente (1RM), foi realizada uma ANOVA para medidas repetidas com três entradas (GC X EP X FNP). Para determinar as diferenças específicas foi realizado o teste post hoc de Bonferoni. As análises estatísticas foram realizadas a partir do pacote de programas estatísticos SPSS 14.0 (SPSS Inc., EUA). Para todas as análises foi adotado um nível crítico de significância de p < 0,05.
Resultados
A ANOVA para medidas repetidas mostrou reduções significativas (p = 0,00) na força tanto na situação EP quan- to FNP em relação ao grupo controle, no qual a média nas condições experimentais EP (95 ± 12,3 kg) e FNP (92 ± 11, kg) foi significativamente menor que a média obtida no grupo controle (99,2 ± 11,4 kg) (Gráfico 1).
Gráfico 1
Todos os fatores supracitados (número de exercícios, tem- po e número de séries diferentes) por muitas vezes geram um tempo total de estímulo que excedem o que normalmente é feito na prática e acabam por diminuir a aplicabilidade dos estudos. Porém, apesar de no presente trabalho o volume total de estímulo ter sido menor e estar sendo obedecido o recomendado [1], também foi verificada a diminuição no desempenho da força quando a mesma foi precedida por exercício de alongamento. Marek et al. [22] verificaram diminuições no pico de torque máximo (2,8%) e na potência muscular (3,2%) em velocidade lenta (60^0 .s-1^ ) e rápida (300^0 .s -1) para o músculo vasto lateral. Assim como no presente estudo, a magnitude no déficit da força em decorrência dos métodos de alonga- mento foi a mesma, tanto para o método estático quanto para o FNP. Possíveis explicações são utilizadas para justificar a di- minuição do desempenho da força quando precedida por exercícios de alongamento. Fowles et al. [10] verificaram uma diminuição de 28% na ativação das unidades motoras e na atividade eletromiográfica. Além disso, observaram que este efeito perdurou por até 60 minutos. Esta diminuição pode ser explicada pela inibição gerada pelos órgãos tendinosos de golgi, que contribui para uma diminuição da excitabilidade dos motoneurônios alfa. Avela et al. [24] mostraram uma redução de 23,2% na contração voluntária máxima da musculatura do tríceps sural. Tal diminuição possivelmente ocorreu por uma redução na sensitividade dos fusos musculares, reduzindo a atividade das fi bras aferentes de grande calibre. Uma inibição dos moto- neurônios alfa gerada pelos receptores articulares tipo III e tipo IV, também pode justificar a diminuição no desempenho da força [25]. Alterações nas propriedades viscoelásticas da unidade mús- culo-tendinosa reduzem a tensão passiva e a rigidez [26,27]. Como uma das funções do tendão é transferir a força produzida pela musculatura esquelética para os ossos e articulações, uma unidade músculo-tendinosa menos rígida transmitirá de forma menos eficiente as alterações de tensão na musculatura. Tais alterações viscoelásticas podem colocar o componente contrátil em uma posição menos favorável em termos de produção de força nas curvas de força-comprimento e força-velocidade, que acarreta conseqüentemente em uma insuficiente transmissão de força do músculo para o sistema esquelético[26,27]. É importante enfatizar que a posição de alongamento utilizada, apesar de ser bastante comum nas academias e clubes de ginástica provavelmente interferiu na resposta da produção de força. Com os cotovelos estendidos não se isola o alongamento para a musculatura do peitoral. No entanto, mesmo com essa limitação foi observada uma diminuição no desempenho da força. A hipótese é que com o exercício de alongamento sendo conduzido com os cotovelos flexionados (isolando assim o grupamento muscular alongado), a dimi- nuição no desempenho da força poderá ser ainda maior.
Discussão
Os resultados do presente estudo estão em concordância com outros que também verificaram diferença estatisticamente significativa entre os valores do desempenho da força quando precedida por exercícios de alongamento [9-22]. Apesar de na maioria desses estudos terem sido realizados mais de um tipo de exercício de alongamento e o número de séries, bem como o tempo de manutenção na posição de alongamento, nem sempre obedecerem o recomendado [1]. Fowles et al. [10] e Behm et al. [11] utilizaram 135 e 45 segundos de manutenção na posição de alongamento respec- tivamente. A variação no número de séries também foi muito grande, enquanto Tricoli e Paulo [14] utilizaram três séries, Fowles et al. [10] utilizaram apenas uma e Behm et al. [11] utilizaram cinco séries. Alguns trabalhos [17-19] não demonstraram diminuição no desempenho dos saltos verticais quando estes foram pre- cedidos por exercícios de alongamento. Porém, novamente os protocolos de alongamento não respeitavam o recomendado [1], sendo utilizado apenas quinze segundos de manutenção na posição de alongamento.
Conclusões
Os resultados demonstraram uma diminuição da força dinâmica máxima quando esta foi precedida por exercício de alongamento. Tanto para o método estático passivo quanto para o método de facilitação neuromuscular proprioceptiva. Esses resultados somam-se aos dados já existentes na literatura, mostrando haver uma diminuição no desempenho da força independentemente do segmento corporal envolvido e do número de exercícios realizados. Atletas e técnicos devem considerar os dados do presente estudo antes de acrescentar em suas rotinas de aquecimento exercícios de alongamento. Ainda mais, nas atividades físico- desportivas que dependerem diretamente do desempenho da força. Futuros estudos devem procurar investigar os possíveis mecanismos relacionados à diminuição do desempenho da força. Faz-se necessária a elaboração de outros estudos que envolvam diferentes variáveis, entre elas: o número de séries, o tempo de sustentação da posição de alongamento e popu- lações com diferentes idades. Sugere-se, ainda, que se observe os efeitos crônicos sobre as variáveis apresentadas.
Referências
Introdução
Os grandes grupamentos musculares estão envolvidos, em geral, nos esportes de alta intensidade, causando exaustão e es- tresse, com repercussões sistêmicas. Entretanto, grande parte dos estudos relativos à fadiga muscular utiliza contrações isométricas de pequenos grupamentos musculares, bem definidos. Além disso, para deflagração da fadiga são usados estímulos elétricos, sem artefatos externos, ou envolvimento de movimento articular. Assim, as cinéticas inerentes ao trabalho muscular são relaciona- das mais aos fatores limitantes periféricos que aos fatores centrais ou sistêmicos. Portanto, muito menor atenção tem sido dada ao estabelecimento da fadiga em grandes grupamentos musculares no exercício dinâmico e sua influência sistêmica [1]. Atividades intensas, especialmente as excêntricas estão associa- das à lesão muscular [2] e a lesão associa-se a exaustão do músculo, prejudicando a função contrátil pela resposta inflamatória. Por outro lado, o treinamento físico leva a adaptações in- dividualmente em cada sistema (cardiorespiratório, muscular e neural), promovendo coordenação entre os sistemas para minimizar a quebra da homeostase em resposta ao exercício. Assim, o treinamento tem relevância direta para o tipo de observação na resposta especifica ou não especifica ao estresse submetido [3]. Para tanto, é necessário que o teste físico de sobrecarga seja adequado quanto às alterações metabólicas envolvidas que se deseja observar. A capacidade de sustentar ações musculares repetidas é chamada de resistência (endurance) muscular. A endurance muscular aumenta com a força, modificações metabólicas lo- cais e função circulatória. Estas alterações melhoram o desem- penho muscular em atividades específicas contra resistência, tanto no aumento da força quanto da resistência muscular. Uma força simples de estimar a endurance muscular é verificar quantas repetições se consegue desempenhar em um dado percentual do teste de uma repetição máxima (1RM) [4]. Portanto, nosso objetivo foi desenvolver um teste de exer- cícios resistidos exaustivos, que fosse representativo da maior parte do volume muscular total, a fim de observar as alterações sistêmicas induzidas representadas por indicadores sanguíneos após indução pelo teste de exaustão muscular.
Material e métodos
Foram estudados doze indivíduos (23 ± 4 anos), praticantes de exercícios resistidos. Os critérios de exclusão eram fumo, etilis- mo, usuários de esteróides anabólicos ou similares e histórico de doenças metabólicas. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina da UNESP de Botucatu e todos assinaram declaração de consentimento esclarecido.
Após investigação dos hábitos alimentares, obtidos por meio do registro alimentar de 3 dias e calculando-se a
composição centesimal dos nutrientes, a partir do softwere de nutrição (NutWin, UNIFESP, 2003, a dieta habitual foi ajustada para a oferta de 1,5g de proteína/kg de peso/dia com 30 kcal não protéicas por grama de proteína.
O treinamento foi de 5 dias semanais, sendo 3 dias de treino contínuo, um de descanso e mais 2 dias, carga entre 70-85% do RM, tempo de recuperação entre 30s e 1min, baseado em combinações de metodologia para hipertrofia. As sessões en- volviam os grupamentos musculares: 1) – peito, ombro, tríceps e abdome; 2) – costa, bíceps, antebraço; 3) – coxas, glúteos, lombar e panturrilha; 4) – os mesmos grupamentos da sessão 1 e 2; 5) – os mesmos grupamentos da sessão 3 [5]. Após um mês de treinamento, foi aplicado o teste de exaus- tão (TE). O teste consistiu de aplicação de carga descendentes a iniciar-se com 80% de 1 repetição máxima (RM) execu- tando-se o maior número de repetições possível até a fadiga muscular (não execução da repetição); a carga sofria redução de 20% (80/60/40 e 20 do RM) através de auxílio externo sem interrupção do exercício e a continuidade deste proces- so repetia-se até permanecer apenas 20% de carga máxima, que era a força alvo (FA) e a exaustão instalar-se. Exercícios selecionados: 1) – supino reto (peito, ombro e tríceps); 2) - agachamento na máquina hack® (quadríceps, isquiopoplíteo e glúteo); 3) – remada baixa no pulley (costas, ombro e bíceps). Não foi permitido descanso entre os exercícios. A coleta de sangue venoso foi realizada antes e logo após o TE, mediante punção da veia cubital com agulha e seringa descartáveis. Após a separação do soro ou plasma, esse mate- rial foi utilizado para a realização das analises de hematócrito (técnica de microhematócrito) e eletrólitos: sódio, potássio e cálcio, osmolaridade, hemogasimetria para pH, bicarbonato (HCO 3 -^ ), pressão parcial de oxigênio (PO 2 ) e pressão para- cia de dióxido de carbono (PCO 2 ), glicose (método glicose oxidase), ácido úrico (AU), enzimas: creatina- quinase (CK), isoenzima cardíaca creatina – quinase (CK_MB), lactato desi- drogenase (LDH), alanina aminotransferase (ALT), aspartato aminotransferase (AST), Os kits foram comercializados pela Diagnostic Products Corporation (DPC), Los Angeles, CA.
Os resultados foram expressos como média + desvio padrão, com intervalos de confiança (95%) e 5 % de signi- fi cância para contraste entre as médias. Foi feito o teste de Kolmogorov e Smirnov para observar se as amostras tinham distribuição normal. Para a comparação entre os momentos antes e depois do TE, foi utilizado teste de Wilcoxon para amostras pareadas quando não havia distribuição normal, e o teste t pareado para quando havia distribuição normal. Foram utilizados procedimentos de regressão múltipla “ Stepwise ”. O coeficiente de explicação (R 2 ), indica quan-
to as variáveis de forma associativa conseguem explicar os resultados do desempenho físico (repetições e carga). Foi utilizado intervalo de confiança em nível de 5% de significância.
Resultados
Somente as concentrações séricas de AU, a PCO 2 , não apre- sentaram modificações significantes após o TE (Tabela I).
Tabela I - Resultado das alterações sanguíneas induzidas pelos testes de exaustão. Teste de exaustão Variável/n/unidade Antes Depois CKψ (10) (U/L) 124.0 ± 32.5 164.5 ± 30.3*** CK-MBψ (10) (U/L) 5.8 ± 3.5 7.1 ± 2.2* LDHψ (11) (U/L) 173.0 ± 25.5 214.4 ± 37.9** TGPψ (11) (U/L) 22.5 ± 6.8 25.8 ± 6.3* TGOψ (11) (U/L) 20.9 ± 7.4 25.8 ± 7.6*** AU♠ (12) (mg/dL) 5.0 ± 0.8 5.2 ± 1. Gli♠ (12) (mg/dL) 76.5 ± 25.4 99.6 ± 13.0** PO 2 ♠ (12) (mmHg) 27.0 ± 5.7 57.6 ± 10.5*** PCO 2 ♠ (12) (mmHg) 47.7 ± 6.7 45.4 ± 15. HCO 3 ♠ (12) (mmol/L) 26.3 ± 1.9 11.7 ± 1.7*** pH♠ (12) 7.3 ± 0.04 7.0 ± 0.1*** Ht♠ (12) (%) 43.2 ± 6.3 51.3 ± 3.7*** Ca+♠ (12) (mg/dL) 3.8 ± 0.6 4.7 ± 0.4* Na +♠ (12) (mmol/L) 142.3 ± 6.2 148.1 ± 4.8** O 2 ♠ (12) (mOsm) 278.3 ± 11.7 291.0 ± 8.3*** Os valores são média ± desvio padrão. CK, creatina quinase; CK-MB, creation quinase porção muscular e cerebral; TGP, transaminase glutamato piruvato; TGO, transaminase glutamato-oxalacetato; AU, ácido úrico; Gli, glicemia de jejum; PO 2 , pressão parcial de oxigênio; PCO 2 , pressão parcial de dióxido de carbono; HCO 3 , bicarbonato; pH, concentração de H +^ em -log 10 ; Ht, hematócrito; Ca +^ , cálcio iônico; Na+, sódio; Os, osmolalidade. *P<0.05, **P<0.005, ***P<0.0005; ψ Wilcoxon matched-pairs signed-ranks test; ♠ Paired t test; n = número de sujeitos.
Não houve correlação linear entre as somas das cargas máximas dos exercícios no teste de 1RM e a soma de número máximo de repetições realizadas no TE (r = 0,219, r 2 = 0,048, p = 0,495). O indicador isolado com a melhor predição do desem- penho de carga no TE foi o pCO 2 (51,4%) seguido da AST (40%). Quando associada à AST, CK-MB e HCO 3 o efeito preditivo foi elevado para 63% (tabela II). Quando o pCO (^2) foi associado a outras variáveis (pO 2 , Ht, HCO 3 -^ e CK-MB), o valor de predição foi de 92,5% (tabela 3). No geral, considerando-se as limitações do erro padrão para as repetições, tem-se apenas as variações de AST (Ta- bela II) e pCO 2 (Tabela III) refletiram significantemente as diferenças das repetições no TE.
Tabela II - Parâmetros de regressão múltipla entre atividades da enzima aspartato amino transferase (AST) e os demais indicadores laboratoriais com número de repetições ocorrida no protocolo de exaustão. Variáveis preditoras
Coeficiente B Correlação parcial
R 2 Coeficiente B
AST (U/L) -12,094 -0,769 0,40 -1,10* CK-MB (U/L) -2,392 -0,616 0,54 -0, HCO 3 - (mmol/L)
0,352 0,451 0,63 0,
Constante 213, Estatística: regressão linear de stepwise; F=2,8761; SEE, erro padrão = 14,9 repetições *p<0,
AST, aspartato aminotransferase; CK_MB, creatina qui- nase fração miocárdica, HCO 3 -^ , bicarbonato.
Tabela III - Parâmetros de regressão múltipla entre pCO 2 e os de- mais indicadores laboratoriais com número de repetições ocorrida no protocolo de exaustão. Variáveis preditoras
Coeficiente B Correla- ção parcial
R 2 Coeficiente B
pCO 2 (mmHg)
-1,825 -0,955 0,514 -1,08*
pO 2 (mmHg) -0,959 -0,809 0,767 -0, Ht (%) 1,811 0,819 0,831 0, CK-MB (U/L) -1,821 -0,743 0,897 -0, HCO3- (mmol/L)
2,899 0,519 0,925 0,
Constante 213, Estatística: regressão linear de stepwise; F = 7,4079; SEE, erro padrão = 8,7 repetições. *p < 0,05. pCO 2 , pressão parcial de dióxido de carbono; pO 2 , pressão parcial de oxigênio; Ht, hematócrito; CK_MB, creatina quinase fração miocárdica, HCO 3 ; bicarbonato.
Discussão
O TE mostrou causar estresse sistêmico, alterando sig- nificativamente as concentrações sangüíneas de variáveis enzimáticas, eletrolíticas e áciodo base. O grande volume muscular envolvido e as cargas descendentes, a cada etapa de esforço e continuidade do exercício até a completa exaustão muscular, recrutaram os diferentes tipos de fibra muscular e conseqüentes vias metabólicas consistindo novos ajustes metabólicos para a homeostase sistêmica. Os três exercícios do TE foram escolhidos por serem re- presentativos da grande maioria dos grupamentos musculares e, além dos grupamentos envolvidos diretamente nos exercí- cios havia ainda contribuição indireta dos grupamentos do antebraço e panturrilha, que se contraiam isometricamente como sustentadores, o abdome e a coluna lombar, como estabilizadores dos exercícios. Além disso, os grupamentos