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Fisiologia do Exercicio-2007, Exercícios de Educação Física

Revista de Fisiologia do Exercicio

Tipologia: Exercícios

Antes de 2010

Compartilhado em 31/08/2010

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DO EXERCÍCIO
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DO EXERCÍCIO
volume 06 - número 01 • Jan/Dez 2007
www.atlanticaeditora.com.br
Revista Brasileira de
FISIOLOGIA
DO EXERCÍCIO
Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
Brazilian Journal of Exercise Physiology
ISSN 16778510
TREINAMENTO
Influência do alongamento
no rendimento de força
Treinamento físico de jogadores
de futsal na categoria sub-20
Treinamento com pesos de uma série
vs. séries múltiplas em mulheres
Prática mental combinada
ao treinamento de força
ESPORTE
Atletas competitivas de handebol
OBESIDADE
Obesidade e hábitos alimentares
em escolares
Revista Brasileira de FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO volume 06 - número 01 • Jan/Dez 2007
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volume 06 - número 01 •

Jan/Dez 2007

R e v i s t a www.atlanticaeditora.com.br

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F I S I O L O G I A^ DO

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B r a z i l i a n Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício

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E x e r c i s e

P h y s i o l o g y

ISSN 16778510

TREINAMENTO •

Influência do alongamentono rendimento de força

Treinamento físico de jogadoresde futsal na categoria sub-

Treinamento com pesos de uma sérievs. séries múltiplas em mulheres

Prática mental combinadaao treinamento de força

ESPORTE •

Atletas competitivas de handebol

OBESIDADE •

Obesidade e hábitos alimentaresem escolares

Editorial

Exercício físico e interdisciplinaridade , Pedro Paulo da Silva Soares ........................................................................... 3

Artigos Originais

Comparação entre o uso da bicicleta ergométrica e caminhada no teste de seis minutos, Marcus Vinicius Grecco, Charles Ricardo Morgan, Eduardo Yoshio Nakano...................................... 4

A influência do alongamento no rendimento do treinamento de força, Fábio Luís Botelho de Arruda, Leandro Bittar de Faria, Vagner da Silva, Gilmar Weber Senna, Roberto Simão, Alex Souto Maior............................................................................................... 8

Análise da creatina quinase versus escalas de percepção subjetiva de dor para monitoramento do tempo de recuperação em idosos fisicamente ativos, Cláudio Lauria Christovam, Márcia Baptista Veiga, Francisco Navarro ........................................................................ 13

Relação entre obesidade e hábitos de vida em escolares da rede pública e privada da cidade de Santa Rosa – RS, Warley Gomes de Carvalho, Telmo Tomasi, Ricardo Silva Dable, Francisco Luciano Pontes Junior, Marcos Doederlein Polito ............................................................................................................................................ 22

Efeito da vibração mecânica nos resultados de testes de 1RM no exercício supino horizontal em adultos treinados, Rafael T. Teixeira, Natasha A. Lama, João Pedro S. W. Castro, Walace D. Monteiro ............................................................................................................. 27

Comparação de valores de testes de força externa máxima do quadríceps femoral, Ricardo Barreto Teixeira, Révisson Esteves da Silva, Mônica de Oliveira Melo, Marcelo La Torre, Éverton Vogt, Cláudia Tarragô Candotti ......................................................................................... 33

Adolescentes atletas competitivas femininas de handebol: um estudo de caracterização, Alessandra Graton, Ana Beatriz Santos Guiesser, Mariana de Moraes Escardin, Nathalie Puppin Tardivo, Renata Furlan Viebig............................................................. 38

Impacto do treinamento físico periodizado sobre a aptidão física em jogadores de futsal masculino na categoria sub-20, Narciso Luiz Andrade, Luís Paulo Gomes Mascarenhas, Ricelli Endrigo Ruppel da Rocha .............................................................................. 43

Prática mental combinada ao treinamento de força como perspectiva de aumento da força máxima em homens treinados, Sergio Eduardo de Carvalho Machado, José Eduardo Lattari Rayol Prati, Mauro Cesar Gurgel de Alencar Carvalho ................................................................................................................... 49

Efeito do treinamento com pesos de uma série versus séries múltiplas sobre a força muscular em mulheres acima de 40 anos, Humberto Daiuto Petry, Carla Cristiane da Silva, Fábio Lera Orsatti, Nailza Maestá, Roberto Carlos Burini ..................................................... 53

Normas de publicação ...................................................................................................................................... 58

Eventos .................................................................................................................................................................... 60

Índice

volume 6 número 1 - janeiro/dezembro 2007

R e v i s t a B r a s i l e i r a d e

F I S I O L O G I A

DO E X E R C Í C I O

Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício

B r a z i l i a n J o u r n a l o f E x e r c i s e P h y s i o l o g y

Editorial

Exercício físico e interdisciplinaridade

Pedro Paulo da Silva Soares

Editor Associado, Diretor Executivo da RBFEx

A Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício (RBFEx) apresenta mais um número de sua tiragem, mostrando que retomamos a periodicidade da revista que era aguardada com ansiedade por todos. Isso se deve principalmente ao interesse dos colegas em submeter seus trabalhos para RBFEx, garantindo material de qualidade e relevância na área. Nossa revista se apresenta como uma interessante opção para a divulgação da produção científica de pes- quisadores nas diversas áreas que compõem a fisiologia do exercício. Neste número os leitores encontrarão trabalhos apresentando as diversas possibilidades que nossa área abri- ga. São estudos básicos e aplicados, de grupos de pesquisa das mais diversas partes do país. Durante os últimos anos observamos uma crescente interdisciplinaridade nos trabalhos publicados, o que reflete uma tendência robusta de integração das diversas áreas do conhecimento tendo como eixo principal à fisiologia do exercício. O estudo da fisiologia do exercício tem recebido contribuições importantes tanto das áreas básicas, como a bioquímica, quanto das áreas exatas, através do desenvol- vimento e emprego de métodos estatísticos, mas também da engenharia e física no desenvolvimento de sistemas de registro e análise de sinais biológicos antes, durante e após o exercício. Diversos pesquisadores encontram no exercício físico uma poderosa ferramenta de investigação de mecanismos fisiológicos de controle.

Portanto, esperamos mais e mais contribuições agre- gando trabalhos da célula ao ser humano. Que representem artigos em linhas de pesquisa como genética e a biologia celular, experimentação animal, que envolvam processos fi- siopatológicos e contribuam para o conhecimento de como a fisiologia do exercício pode ter seu papel na hipertensão, obesidade, diabetes, na reabilitação cardíaca, desempenho esportivo, promoção da saúde e muito mais. Queremos estimular também a presença mais constante de trabalhos nas áreas gerais da fisiologia básica como neurofisiologia, fisiologia renal, endócrina, digestiva, cardiovascular e res- piratória aplicadas ao exercício. Em breve, pretendemos ter sessões de debate de idéias e opiniões, números temáticos com chamadas específicas tanto para artigos originais quanto para os de revisão. Contamos com a contribuição dos colegas enviando seus trabalhos para a RBFEx e também enviando suas críticas e sugestões. Uma vez garantida a periodicidade da revista, trataremos agora de aperfeiçoar o processo de submissão e revisão por pares visando agilizar estas etapas preservando a qualidade da revista. Trabalhamos também no sentido de aumentar o número de artigos e, futuramen- te, esperamos ter números especiais com temas atuais e relevantes. É com muito otimismo que os convido a leitura de mais um número da RBFEx e ao engajamento nesse projeto que é de todos nós. Saudações e boa leitura!

Artigo original

Comparação entre o uso da bicicleta ergométrica

e caminhada no teste de seis minutos Comparison between the ergonomic bike and the 6 minutes walking test

Marcus Vinicius Grecco, Charles Ricardo Morgan, Eduardo Yoshio Nakano**

*Educador físico e fisioterapeuta, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, **Fisioterapeuta, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, ***Faculdade de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo e Professor da Universidade de Brasília do Departamento de Matemática e Estatística

Resumo

Dez alunos da academia do Clube Atlético Monte Líbano, jovens, saudáveis, do sexo feminino, com idade média de 22 anos (± 1,13), peso 54 kg (± 6,15) e altura 160 cm (± 5,42) foram submetidos ao tradicional teste de caminhada de seis minutos e a bicicleta ergométrica sem carga, também por seis minutos, com a finalidade de comparar os dois testes. Observamos que os dois testes promoveram alterações na freqüência cardíaca (FC), respiratória (FR), pressão arterial média (PAM), e na saturação de oxigênio (Sat O 2 ), mostrando-se estatisticamente semelhantes, porém para que o indivíduo consiga atingir tais alterações na bicicleta ergométrica, ele deve ser muito mais incentivado que na caminhada e os indivíduos na bicicleta referiram fadiga na musculatura da coxa, especialmente em quadríceps. A caminhada mostrou ser um método mais simples, embora necessite de maior espaço físico para sua aplicação. Palavras-chave: teste de exercício, fadiga, alterações fisiológicas.

Abstract

Ten female young normal subjects, from Atlético Monte Líbano Fitness Club, with mean age 22 years old (± 1,13), weight 54 kg (± 6,15) and height 160 cm (± 5,42), performed the traditional six minutes walking test and the ergonomic bike test without weight for 6 minutes, aiming at comparing the two tests. It was observed that both tests induced alterations in heart rate (HR), respiratory rate (RR), mean arterial blood pressure (MAP) and in oxygen satu- ration (SaO 2 ), showing that they are statistically similar, although it is necessary more stimulus for the subject to reach this alterations in the cycle ergonomic test. They referred fatigue in tight muscles, especially quadriceps. The walking test showed to be a more common test, although it is necessary ample room to be performed. Key-words: exercice testing, fatigue, physiological alterations.

Recebido em 17 de outubro de 2007; aceito em 15 de dezembro de 2007. Endereço para correspondência: Marcus Vinicius Grecco, Rua Ribeiro de Barros, 81/31, 05027-020 São Paulo SP, E-mail: mvgrecco@ ig.com.br

Quanto a FC, Gráfico II, iniciou-se na caminhada com 85 batimentos por minuto (bpm), havendo após o teste um aumento de 39%. Após a recuperação de dois minutos, houve um decréscimo de 18,6%. E após mais dois minutos, diminuiu 7,02%. Na bicicleta, observou-se que FC iniciou- se com 82 bpm, havendo após o teste um aumento de 46% na bicicleta. Após a recuperação de dois minutos, houve um decréscimo de 19,7%. E após mais dois minutos, decresceu em 15%.

Gráfico II - Alterações ocorridas na freqüência cardíaca entre os grupos.

Gráfi co IV - Alterações ocorridas na saturação arterial de oxigê- nio.

A pressão arterial média, Gráfico III, teve início na cami- nhada com 90, acrescendo 6,25% após os seis minutos de teste. Após dois minutos, estes valores caíram em 3,12% e 5,30% nos dois minutos seguintes. Na bicicleta a PAM tam- bém iniciou com 90, acrescendo 3,22% após os seis minutos de teste. Após dois minutos, estes valores caíram em 4,30%; e 1,11% após mais dois minutos.

Gráfico III - Alterações ocorridas na pressão arterial média.

PAM = Pressão Diastólica + 1/3 (Pressão Sistólica - Pressão diastólica)

Quanto à saturação de oxigênio, Gráfico IV, iniciou-se em 98 na caminhada, havendo uma queda de 2,04% após o teste. Depois do repouso de 2 minutos, os valores subiram 2,04% e permaneceu assim nos dois minutos subseqüentes. Com relação ao teste na bicicleta, a saturação de oxigênio iniciou-se também em 98, havendo uma queda de 1,02% após o teste. Depois do repouso de 2 minutos, os valores permaneceram iguais, e nos dois outros minutos subseqüentes.

A distância percorrida na caminhada foi em média 470 metros, enquanto que na bicicleta foi de 4400 metros. Portanto, observamos que os dois testes não apresentaram diferenças estatisticamente significantes (p > 0,05), ambos conseguiram alterar os parâmetros observados.

Discussão

Observamos que não existem diferenças estatísticas entre os dois testes, quando testados em indivíduos jovens, normais e bem motivados. Ambos conseguem alterar de forma seme- lhante às freqüências respiratória e cardíaca, a pressão arterial média e a saturação de oxigênio. Além disso, a praticidade da bicicleta ergométrica permite que o indivíduo tenha seus parâmetros medidos ainda sobre a bicicleta, já que permanece com a porção superior do corpo praticamente imóvel [8]. O ato de pedalar imprime carga direta sobre o músculo quadríceps, podendo até levá-lo a fadiga, após e mesmo durante o teste, quando todos os sujeitos referiram dor em região de quadríceps, o que em alguns casos limitou um melhor desempenho, e o incentivo também parece ser um fator de muita relevância. O desempenho depende muito da motivação do sujeito e esta está intimamente relacionada com o incentivo dado pelo educador físico, se o número de rotações cair o consumo de oxigênio também diminuirá, alterando o resultado [7-10]. A caminhada proposta como teste de rotina para ver a capacidade física, em indivíduos saudáveis, que, segundo Butland et al. [2], é indicada até mesmo para pacientes com incapacidades severas e o teste realizado em ambiente hospi- talar, teve sua validade confirmada. Conforme McGavin et al. [3], o teste realmente não requer aparato e pode ser aplicado em uma grande quantidade de pessoas saudáveis, até mesmo com doenças com certo grau de severidade; o processo da caminhada é familiar a todos, e permite que o indivíduo ajuste o passo durante o teste, parando se necessário. Notamos também que alguns fatores como a motivação, a resistência cardiovascular, a função respiratória e neuromuscular e a endurance, interferem no teste [2,3-5,11].

Na caminhada notamos certo grau de fadiga muscular em tibial anterior, mas em geral os indivíduos testados referiam mais cansaço físico que muscular, o inverso do que ocorrera na bicicleta. A caminhada parece ser um método mais seguro e conhe- cido apesar da necessidade de maior espaço físico para sua aplicação, espaço este não totalmente inviável, pois o teste pode ser aplicado até em ambiente hospitalar [2,6,7,11]. Quanto às alterações fisiológicas ocorridas durante o teste, a literatura refere-se principalmente ao VO 2 , a CVF, ao volume expiratório e ao VEF 1 , correlacionando-os com a distância percorrida [10,12]. Neste trabalho, com sujeitos normais, pudemos observar aumentos semelhantes tanto na bicicleta quanto na caminha- da, da FR, FC, e PAM logo após o teste e uma diminuição nos minutos subseqüentes, ajustes estes previstos na literatura já que no exercício há maior gasto metabólico necessitando mais oxigênio, exigindo respostas dos sistemas cardiovascular e respiratório. Com relação à saturação, observamos que as alterações foram pequenas, o que também era previsto, já que o organismo se reajusta rapidamente a fim de não com- prometer a oxigenação tecidual. Alterações como aumentos na acidez, temperatura, concentração de dióxido de carbono alteram a estrutura molecular da hemoglobina, reduzindo sua efi cácia em fixar o oxigênio. Como no exercício estes fatores são acentuados, a liberação de oxigênio para os tecidos é facilitada [12]. As distâncias percorridas na bicicleta e na caminhada não são cabíveis de comparação, já que a bicicleta permite que o indivíduo percorra um percurso maior com menor esforço, também não podemos compará-las com a literatura, uma vez que os indivíduos são bem heterogênios. O objetivo do cálculo da distância está em comparar, posteriormente a um treinamento, o rendimento do indivíduo com sua perfor- mance anterior, já que a literatura não refere um padrão de referência para tais testes.

Conclusão

Acreditamos que a caminhada seja o método mais indicado para a avaliação de indivíduos normais ou até mesmo com alguma doença de base. A caminhada não precisa de nenhum material oneroso para ser feito, é um movimento natural para o ser humano, não provoca tanta fadiga no quadríceps e pode ser feito em um ambiente que ofereça o mínimo espaço para uma caminhada.

Referências

  1. Cooper KH. A means of assessing maximal oxygen intake. JAMA 1968;203(3):135-8.
  2. Butland RJA, Pang J, Goss ER, Woodcock AA, Geddes DM. Two, six, and twelve minute walking tests in respiratory disease. Br Med J (Clin Res Ed) 1982;284(6329):1607-8.
  3. McGavin CR, Gupta SP, McHardy GJ. Twelve minute walking test for assessing disability en chronic bronchitis. Br Med J 1976;1(6013):822-3.
  4. McGavin CR, Artvinli M, Naoe H, McHardy GJR. Dyspinoea, disability, and distance walked: comparison of estimates of exer- cise performance in respiratory disease. Br Med J 1978;2:241-
  5. Wasserman K, Hansen JE, Sue DY, Stringer WW, Whipp BJ. Principle of exercise testing and interpretation. Philadelphia: Lea & Febiger; 1987.
  6. Dekhuyzen PN, Kaptein AA, Dekker FW, Wagenaar JP, Janssen PJ. Twelve-minute walking test in a group of Dutch patients with chronic obstructive pulmonary diseases: relationship with functional capacity. Eur J Respir Dis 1986;69: 259-64.
  7. Knox AJ, Morrison JF, Muers MF. Reproducibility of walking test results in chronic obstructive airways disease. Thorax 1988;43:388-.
  8. Sue DY. Integrative cardiopulmonary exercise testing: Basis and application. Med Exerc Nutr Health 1994;13:32-55.
  9. ACC/AHA Committee on exercise testing. ACC/AHA guideli- nes for exercise testing. J Am Coll Cardiol 1997;30:260-315.
  10. Blomquist GC et al. Standards for adult exercise testing La- boratories. American Heart Association Subcommittee on Rehabilitation. Circulation 1979;59:421-430.
  11. Coronaldo LFC et al. Adaptación de la prueba de la milla de Cooper para estudiantes en la ciudad de México. Gac Med Mex 1992;128:139-42.
  12. Wenger HA, Bell GJ. The interactions of intensity frequency and duration of exercise training in altering cardiorespiratory fitness. Sports Med 1986;3(5):346-56.

Introdução

Nas ações musculares percebemos o envolvimento de diferentes valências físicas, tais como a flexibilidade e a força muscular, que são de importância imprescindível para o aumento da eficiência do movimento [1,2]. O aumento da flexibilidade está intimamente relacionado com a maior facilidade para a execução de ações cotidianas representadas na qualidade de vida e saúde [3]. Assim, a redução da flexi- bilidade pode prejudicar o desempenho atlético aumentando também a possibilidade de lesões, pois, com o encurtamento músculo-tendíneo as fibras musculares poderiam se romper em um maior esforço com movimentos amplos [4]. Entre os métodos utilizados para o treinamento da flexibilidade (TF), o movimento estático parece ser o mais comumente utilizado pela facilidade e segurança na sua aplicação [5]. Porém os componentes metodológicos, entre eles o volume e a intensidade do TF, são questionáveis quando pensamos na influência deste treinamento na força muscular. Segundo Simão et al. [6], a força e a potência muscular são valências relevantes na qualidade de vida e a prescrição de exercícios que facilitem seu aprimoramento em indivíduos sadios, mesmo para aqueles que apresentam necessidades específi- cas, parece ser de grande validade para a saúde e qualidade de vida. Atualmente, o número crescente de pesquisas na área da força deslumbra diferentes populações com objetivos variados, levando a busca pela melhor periodização para a otimização de seus resultados [7]. Segundo Gomes e Francis- con [8], a insuficiência de amplitude articular pode limitar o desenvolvimento de contrações voluntárias máximas au- mentando, assim, o gasto energético e tornando mais difícil o trabalho a ser realizado. Os exercícios de alongamento podem manter ou aumentar a flexibilidade, sendo assim aplicados para prevenir encurtamentos teciduais e otimi- zando o desempenho muscular, o qual contribui também para o treinamento da força e potência muscular [5]. O TF realizado antes dos exercícios resistidos (ER) pode estar associado ao aquecimento pré-treinamento, à prevenção de lesões, à melhora do fluxo sangüíneo e melhor resposta das propriedades elásticas do tecido muscular e conjuntivo, porém tais colocações não se encontram completamente elucidadas [9]. Vários estudos na literatura abordam a influência negativa do TF quando relacionado com os ER, porém, o volume e a intensidade dos alongamentos parecem não ser homogêneos e seus resultados também podem variar, conseqüentemente, prejudicando a confiabilidade no ato da prescrição. Desta forma, com base nessa discussão, o presente estudo tem por objetivo verificar a influência aguda de exercícios de alongamento estático previamente aos ER.

Materiais e métodos

A amostra foi composta por 22 indivíduos do sexo mas- culino, divididos em dois grupos: grupo de aquecimento específico (GE) (n = 11) e o grupo de aquecimento com alongamento (GA) (n = 11). Os indivíduos apresentavam idades entre 20 e 30 anos, peso médio de 75 ± 15 kg e estatura de 180 ± 12 cm. A amostra era familiarizada há mais de seis meses com o treinamento de força exercitando-se pelo menos três vezes por semana. Eles apresentavam prévio conhecimento sobre as técnicas de execução do exercício selecionado. Para melhor objetivar os resultados da amostra, foram utilizados os seguintes critérios de exclusão para os indivíduos participantes do estudo: a) portadores de cardiopatia; b) porta- dores de lesões articulares nos últimos seis meses; c) portadores de contratura muscular nos últimos seis meses; d) submissão a cirurgias articulares nos últimos 12 meses; e) portadores de instabilidade acentuada nos joelhos e tornozelos; f) portadores de hérnia discal; g) portadores de formas severas de doenças articulares degenerativas. Antes da coleta de dados todos res- ponderam negativamente aos itens do questionário Par-Q e validaram sua participação voluntária assinando o termo de consentimento conforme a resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde para experimentos com humanos, após a aprovação do comitê de ética da instituição. A coleta de dados foi composta por duas visitas não con- secutivas: 1º dia - todos os indivíduos realizaram o teste de 10 repetições máximas (10RM) seguindo o protocolo tradicional, sem aquecimento prévio, utilizando o incremento de cargas no teste como o próprio aquecimento; 2º dia - ocorreu 48 horas após a primeira visita, em que foi realizado o re-teste de 10RM no GE com o aquecimento específico (duas séries de 15 repetições com 55% de 10RM) no exercício de supino reto na máquina. No GA (alongamento + força), o re-teste 10RM foi precedido de quatro exercícios de alongamento, que foram aplicados nos músculos peitorais, deltóides e tríceps. Utilizou-se o método estático para o TF, com duas séries de 20 segundos de duração para cada posição, após atingir o limiar de dor. Foi mantido um intervalo de 20 segundos de uma série para outra. O teste de 10RM foi utilizado para a avaliação da força muscular como medida não invasiva e critério padrão de refe- rência, a fim de objetivar a carga máxima para a realização do protocolo de treinamento no exercício supino reto na máquina Technogym @^. A utilização deste aparelho no teste de supino reto facilitou o controle da angulação de 90º do cotovelo na execução, em função da trava que limitava o movimento garantindo a amplitude padrão para todos os indivíduos. Os valores das cargas máximas no teste de 10RM foram obtidos ao longo de duas até cinco tentativas, quando o ava- liado não conseguia mais realizar o movimento completo de

forma correta. Desse modo, validou-se como carga máxima a que foi obtida na última execução. A cada nova tentativa realizava-se adição de incrementos progressivos de acordo com as cargas disponíveis do equipamento, sendo dado um intervalo de três a cinco minutos entre cada tentativa. Objetivando reduzir a margem de erro, durante a rea- lização do teste, foram adotadas as seguintes estratégias: 1) instruções padronizadas foram oferecidas antes do teste, de modo que o avaliado estivesse ciente de toda a rotina que envolve a coleta de dados; 2) o avaliado foi instruído sobre a técnica de execução do exercício; 3) o avaliador estava atento quanto à posição adotada pelo praticante no momento da medida. Pequenas variações no posicionamento das articula- ções envolvidas na ação poderiam recrutar outros músculos, distanciando do foco específico da pesquisa, possibilitando interpretações errôneas dos escores obtidos; 4) para maior veracidade do teste, os indivíduos não tiveram conhecimento da carga de resistência durante a avaliação. Foi solicitado aos indivíduos a manterem as mesmas atividades físicas diárias, contanto que não exercitassem os grupos musculares envol- vidos no teste. Para a análise estatística foi utilizado o teste t-Student , a fim de comparar as cargas máximas obtidas no teste de 10RM após os dois tipos de protocolos no aquecimento (p < 0,05).

Resultados

O GA apresentou valores significativamente reduzidos (p < 0,002) em relação ao pré-teste (10RM), demonstrando que parece acontecer uma diminuição no número de repeti- ções máximas quando utilizado anteriormente o TF com o volume e a intensidade supracitada. Na figura 1 é relatado o comportamento do número de repetições máximas realizadas pelos indivíduos do GA, e na figura 2 observa-se o resultado do GE.

Figura 1 - Média e desvio-padrão do grupo GA. Pré–teste de 10RM sem fl exibilidade; Pós-teste 10RM com fl exibilidade. # = p < 0,002.

Figura 2 - Média e desvio-padrão do grupo GE. Pré e pós-teste 10RM.

Discussão

O objetivo deste estudo foi observar as respostas agudas de dois protocolos de aquecimento previamente ao teste de 10RM, sendo que um grupo utilizou o aquecimento especí- fi co, e o outro o aquecimento através de exercícios de alon- gamento. E como observado nos resultados, o efeito do TF se mostrou negativo em relação ao teste de força, pois, houve um decréscimo no número de repetições máximas. Nossos resultados se assemelham ao estudo de Tricoli e Paulo [1], em que foi observada uma diminuição no resultado do teste de uma repetição máxima (1RM) para o exercício de extensão e flexão de joelho após realização de exercícios de alongamento estático. O tempo total de alongamento foi de aproximadamente 20 minutos com a execução de seis movi- mentos para membros inferiores. Os resultados mostraram um decréscimo médio de 13,8% na determinação da carga obtida no grupo com alongamento em relação ao grupo sem alongamento. Seguindo esta linha, Fowles et al. [10] identificaram redução na capacidade de desenvolver força voluntária máxima dos flexores plantares, após 33 minutos de alongamentos, e ainda concluiu que este efeito perdura por aproximadamente 1 hora. Behm et al. [11] verificaram que regimes prolongados de alongamentos passivos estáticos podem inibir a contração voluntária máxima na ativação do músculo extensor do joelho. O tempo total de alongamento neste estudo era de aproxima- damente 20 minutos de duração. No estudo de Kokkonen et al. [12] que utilizaram também TF com duração total de 20 minutos. Foi verificada nos resultados a diminuição da capa- cidade máxima de força no teste de 1RM em até 7,3% para os músculos flexores do joelho. Este declínio foi mais acentuado quando se verificou a resposta do músculo extensor do joelho (-8,1%). Em relação à velocidade de execução e tempo de TF, Nelson et al. [13] utilizaram exercícios de extensão dos joelhos em cinco velocidades diferentes no aparelho isocinético e o tempo total do TF foi aproximadamente 15 minutos prévio ao teste. Concluíram que existe uma redução de 7,2% na

mento para desenvolver a flexibilidade [16]. Sugere-se que mais estudos devem ser encaminhados para satisfazer as varias possibilidades metodológicas tanto para o treinamento de for- ça como para o treino da flexibilidade e, ainda, em diferentes áreas musculares, tentando, assim, responder as lacunas que ainda permanecem na literatura científica.

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Artigo original

Análise da creatina quinase versus escalas de

percepção subjetiva de dor para monitoramento do

tempo de recuperação em idosos fisicamente ativos Creatine kinase analysis versus rating of perceived exertion scale to determine time of recuperation in physically active elderly

Cláudio Lauria Christovam, Márcia Baptista Veiga, Francisco Navarro**

*Curso de pós-graduação de musculação e condicionamento físico, Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas

- FMU, **Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas - FMU

Resumo

O objetivo deste estudo foi analisar os níveis de creatina qui- nase versus escala de percepção de dor, para determinar o tempo de recuperação de um programa proposto para idosos. A amostra foi composta por 7 mulheres, faixa etária de 58,57 ± 11,72 (anos). Os exercícios foram constituídos por 4 séries de 12-6 reps. 60 a 90% (1RM) para os exercícios: press reto, press ombro, leg press 45º, cadeira extensora. As amostras sangüíneas foram coletadas, antes, após 24, 48, 72, e 96 h. Os resultados demonstram que o pico de dor relatado na escala não é coerente como o pico de dor apresentado pela creatina quinase. Comparando o período de 24 versus 48 horas, houve uma resposta similar entre a concentração de creatine quinase (724,4 ± 281,8 / 703,0 ± 113,6, queda de 3%) e a percepção da dor (4,57 / 4,14, queda de 9%). Entretanto, no pós-exercício versus 24 horas, observamos um aumento da concen- tração de creatine quinase (218,3 ± 39,0 / 724,4 ± 281,8, alta de 232%) e uma diminuição da percepção da dor (6,14 / 4,57 queda de 26%). Nas 48 versus 72 horas, o grupo continuou exibindo queda da creatine quinase (703,0 ± 113,6 / 550,9 ± 229,8 queda de 22%) e da percepção da dor (4,14 / 1,5 queda de 64%). Con- tudo, no pós-exercício versus 48 horas a recuperação é semelhante entre os 2 parâmetros. Sendo assim, após 72 horas, observa-se um aumento, porém não significativo, da creatine quinase em relação à percepção da dor. A recuperação foi total em 96 horas, tanto na análise da creatina quinase como na escala de dor. Assim, podemos assumir que a escala de dor pode ser efetiva para monitorar o tempo de recuperação em idosos ativos. Palavras-chave: envelhecimento, creatina quinase, exercícios com pesos.

Abstract

The aim of this study was to analyze the rates of creatine kinase versus perceived exertion scale to determine the time of recuperation of a program proposed to elderly people. Sample was composed by 7 women, age group 58.57 ± 11.72 (years). The exercises were divided in 4 sets of 12-6 reps. 60 to 90% 1RM for the exercises: bench press, shoulder press, leg press 45°, and knee extension. Blood samples were collected, before, after, 24, 48, 72, and 96 hours. The results showed that the peak pain reported in the scales is not coherent as the peak of pain showed by the creatine kinase. When the period of 24 versus 48 hours were compared, it was noticed a similar response between the concentration of creatine kinase (724.4 ± 281.8 to 703.0 ± 113.6, a decrease of 3%) and pain perception (4,57 to 4,14, a decrease of 9%). However, in the post-exercise period versus 24 hours period, was observed an increasing of creatine kinase (218. ± 39.0 / 724.4 ± 281.8, an increase of 232%) and a decreasing of pain perception (6.14 / 4.57 a decrease of 26%). In the 48 versus 72 hours, the group still showed a decrease of dreatine kinase (703.0 ± 113.6/ 550,9 ± 229,8, decrease of 22%) and pain perception (4. / 1.5, a decrease of 64%). However, in the post-exercise period versus 48 hours, the graphics exhibited a similar recuperation with the period previously mentioned. 72 hours after we can see an in- crease, but not so significant, of creatine kinase compared to pain perception. The recuperation was complete in 96 hours, both in the creatine kinase analysis and pain scale. According to it, we can assume that the pain scale can be effective to follow up the recovery time in elderly people. Key-words: elderly, creatine kinase, weight exercises.

Recebido 18 de outubro de 2007; aceito em 20 de dezembro de 2007. Endereço para correspondência: Cláudio Lauria Christovam, Rua Rui de Moraes Apocalipse, 326/124 Bl 11, 02842-260 São Paulo SP, Tel: (11) 3921-7956, E-mail: [email protected]

mais precisamente exercícios contra-resistidos, pode produzir inúmeros benefícios mesmo em idosos. O profissional da área de Educação Física deve ter conhe- cimento das características da população que irá trabalhar, para prescrever de forma adequada o programa de exercício físico para esta população, respeitando um dos princípios do treinamento, que é a individualidade biológica dos seus alunos. Para Weineck e Monteiro [30,31], a prescrição e o controle do programa de exercício baseiam-se na relação entre a intensidade do esforço aplicado, duração e período de recuperação. Dentre os indicadores fisiológicos mais utilizados por profissionais de Educação Física, para o monitoramento e controle da intensidade do esforço, estão a freqüência cardíaca e a percepção subjetiva de esforço, sendo o último o mais aplicado em exercícios contra-resistidos [35-39], respeitando, assim, o período de recuperação adequado para que ocorra a adaptação biopositiva (super-compensação) e aumento da capacidade física geral. Alguns estudos recentes [32,33] têm utilizado marcadores bioquímicos para detectar danos na estrutura muscular como, por exemplo, aumento no número circulante de leucócitos e citosinas, níveis elevados de fator-α de necrose tumoral (TNF-α), interleucina–6 (IL-6), IL-6 mRNA, contagem plasmática de granulócitos, aumento na concentração san- güínea de creatina quinase (CK), proteína C reativa (PCR), ou aumento na concentração de prostaglandina (PGE2). Dentre as citadas, a creatina kinase (CK) é considerada um dos melhores indicadores de lesão da célula muscular, uma vez que esta substância é encontrada no tecido muscular esquelético e cardíaco [10]. Devemos considerando as necessidades e dificuldades de- correntes destes métodos, que nem sempre podemos realizar, para monitoramento e controle do programa de exercício, devido ao seu alto custo, dificuldade na coleta de dados, sendo inacessível para a grande maioria destes profissionais. Observa-se, nos últimos anos, o surgimento de alguns tra- balhos na literatura [34-39], sugerindo o uso da Escala de Percepção Subjetiva de Dor e Esforço para monitoramento da intensidade do esforço na musculação, criada por Borg & Dahlstron no final da década de 50. Considerando a Percepção Subjetiva de Dor e Esforço um indicador para a obtenção do grau de esforço físico, ela se torna um método confiável, eficiente e importante para predizer o grau de esforço que o indivíduo está realizando em determinada atividade física, sendo um indicador útil, na prescrição e monitoramento da atividade física com baixo custo, fácil aplicabilidade, pouco conhecimento específico e facilidade na rapidez da coleta de dados. No entanto, o presente estudo assumirá a hipótese de analisar o comportamento de um método bioquímico direto [creatina quinase (CK)], versus um método indireto [escala de percepção subjetiva de dor e esforço] como forma de predizer o tempo de recuperação adequado em idosos fi sicamente ativos.

Objetivo

Este estudo tem como objetivo verificar a validade de um método bioquímico direto utilizado para detectar danos na estrutura muscular (CK), versus um método indireto (Escala de Percepção Subjetiva de Dor e Esforço), para a determina- ção do tempo de recuperação do programa de treinamento proposto para idosos fisicamente ativos.

Justificativa

Este trabalho foi motivado pela observação de que a prática da atividade física no idoso parece contribuir para a prevenção e aumento da expectativa de vida, e que grande porcentagem de pessoas idosas possui alguma dificuldade em realizar atividades do cotidiano, decorrente das altera- ções fisiológicas ocorridas com o passar dos anos, levando à incapacidade em realizar as atividades mais específicas da vida diária. Nesta população, o treinamento contra-resistido, mais especificamente o treinamento de força, tem um papel fundamental para a melhora da capacidade física geral, sendo uma das principais variáveis da aptidão física relacionada com a saúde, segundo o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM). Espera-se com o presente estudo contribuir com a área de Educação Física, por considerar de fundamental importância que o professor tenha parâme- tros válidos, confiáveis, eficientes e de fácil aplicabilidade na prescrição e controle da intensidade do esforço, para o monitoramento e predição do grau de esforço físico que este idoso está realizando em determinada atividade física, respeitando, assim, o período adequado de recuperação e evitando a adaptação bionegativa. Este período destinado à recuperação é muito prolongado, não havendo melhora da aptidão física ou o período de recuperação é insuficiente, ocorrendo o supertreinamento. É tema, portanto, de im- portante aplicação para futuros profissionais interessados em realizar trabalhos voltados para esta população.

Material e método

Os critérios utilizados para selecionar a amostra foram: ser saudável, ou seja, não apresentar nenhum tipo de limitação neuromotora ou doença crônico-degenerativa como, por exemplo, doença cardíaca, diabetes mellitus insulino-depen- dente, hipertensão arterial, osteoporose entre outras condi- ções crônicas. Todas as voluntárias assinaram um termo de Consentimento Livre e Esclarecido para utilização dos dados levantados durante o estudo. As normas a serem seguidas pela pesquisa foram aprovadas pelo Comitê de Ética institucional. Todas foram informadas dos objetivos deste estudo assim como os benefícios e possíveis riscos da pesquisa à saúde e que poderiam desistir a qualquer momento do experimento. A amostra foi constituída por 07 mulheres idosas saudá- veis e fisicamente ativas, com faixa etária de 47 a 73 anos,

matriculadas no Instituto Márcia Veiga, residentes no bairro de Santana, estado de São Paulo. Os equipamentos utilizados para a obtenção de dados foram: balança marca Welmy, modelo 110 nº 62085, ano de fabricação 2003, peso mínimo 2 kg, peso máximo 150 kg (com precisão de 100 gr). Fita métrica modelo Sanny, campo de uso 2 m, resolução em milímetros, tolerância ± 0,10 mm em 1 m. Estadiômetro modelo Sanny, campo de uso de 0,80 até 2,20 m, resolução em milímetros, tolerância: ± 2 mm em 2,20 m afixado à parede. Adipômetro científico marca Cescorf precisão de 0,1 mm, dimensões 286 mm x 165 mm, peso 290 gr, para a determinação da espessura do tecido subcutâneo das seguintes dobras: peitoral, bíceps, tríceps, axilar média, supra- ilíaca, abdômen, subescapular, coxa, panturrilha. As características do grupo eram: idade 58,57 ± 11, anos; altura 154,91 ± 3,68 cm; peso 59,64 ± 5,85 kg; índice de massa corporal 25,03 ± 3,10 (IMC kg/m^2 ); (%) de gordura 31,05% ± 0,032. As medidas de 1RM foram conduzidas usando o equipa- mento de máquinas de alavancas convergentes da Gervasports fi tness equipment. Máquina de alavanca press reto 1RM 32 ± 3,83 kg; máquina de alavanca press ombro 1RM 24 ± 3, kg; cadeira extensora disco convergentes 1RM 40 ± 6, kg; leg press 45º disco convergentes 1RM 121 ± 28,93 kg. Sendo as mesmas máquinas usadas para a intervenção do treinamento. A amostra foi composta de indivíduos ativos, sendo adotado como critério de treinamento os indivíduos que estivessem praticando treinamento resistido por pelo menos duas (2) vezes por semana por um período de seis (6) meses sem interrupção. O grupo foi instruído a não participar de nenhum outro tipo de exercício físico intenso prévio à coleta por 24 horas, e nas próximas 96 horas após o teste. Segundo Picarelli et al. [40], cada integrante recebeu uma lista com as seguintes recomendações: não ingerir cafeína, nicotina, álcool, anfo- tericina B, ampicilina, anticoagulantes, aspirina, colchicina, captopril, ácido aminocapróico, clofibrato, codeína, dexa- metasona, digoxina, furosemida, glutetimida, guanetidina, halotano, heroína, imipramina, carbonato de lítio, lovastatina, lidocaína, meperidina, morfina, propranolol, fenobarbital e succinilcolina por no mínimo 24 horas antes do teste, e inje- ções intramusculares até uma hora antes da coleta podendo elevar os níveis de CPK. Não alterarem seus hábitos cotidianos, durante a realiza- ção do estudo. Todos os integrantes do grupo realizaram o protocolo de treinamento no mesmo período do dia, ou seja, das 8:00 às 9:00 horas da manhã e as amostras sangüíneas foram coletadas em cinco (5) dias, ou seja, uma antes e uma após o esforço, e 24 horas, 48 horas 72 horas e 96 horas depois, o horário da coleta foi definido entre 9:00 e 10: horas da manhã.

Protocolo de treinamento

O protocolo de exercícios foi constituído de um progra- ma agudo de exercícios com pesos livres, com duração de 60 minutos, no qual o grupo realizou exercícios de contrações isotônicas (excêntricas/concêntricas) constituídos da técnica de regressão de repetições, ou seja, quatro (4) séries de 12, 10, 8 e 6 repetições com uma sobrecarga equivalente a 60, 70, 80 e 90% 1RM para os exercícios: press reto, press ombro, leg press 45º, cadeira extensora com repouso passivo de 120 segundos interséries. Antes da sessão o grupo realizou, como forma de aqueci- mento, exercícios de alongamento para os grupos musculares específicos e, imediatamente após, 1 série de 10 repetições com intensidade de 40% 1RM. Foi recomendado ao grupo que realizasse a inspiração antes de realizar o movimento; a expiração durante a fase positiva do movimento e novamente a inspiração ao retornar o peso à posição inicial, evitando com isto a manobra de Valsalva. O teste de 1RM foi empregado como medida não invasiva de força muscular, sendo constituído de exercícios de alonga- mento específicos para os grupos musculares envolvidos. Após alongamento, foi realizada uma série de 10 repetições a 40% de 1RM para os respectivos grupos musculares como forma de aquecimento. Em seguida ao teste iniciado, foi aumentada gradativamente a sobrecarga, nunca superior a 10%, até que os indivíduos conseguissem alcançar uma repetição com o máximo de peso possível. Também foi respeitado um período mínimo de recuperação de 3 a 5 minutos entre as tentativas, mas o número de tentativas para alcançar 1RM não poderia ultrapassar 3 a 5 tentativas.

Resultados

O Gráfico 1-A lista, separadamente, os resultados do desvio padrão, obtidos através da concentração plasmática de creatina quinase e os Gráficos 1-B e 1-E listam os dados das escalas de percepção subjetiva de dor e esforço, do grupo experimental, através do percentual de diminuição entre os períodos. As correlações (r) neste período variaram entre 0,56 a 0,96. Em especial, ao analisarmos o gráfico da concentração plasmática de creatina quinase com os gráficos das escalas de percepção subjetiva de dor e esforço percebemos que o maior pico de dor relatado pelo grupo experimental no Gráfico 1-A foi 24 horas após o exercício. Diferente do pico de dor, relatado pelo grupo apresentado nos Gráficos 1-B e 1-E que foi logo após o exercício. Contudo, isto é explicado pelas alterações decorrentes do processo de envelhecimento [8,25,41]; fadiga muscular localizada [42] e o mecanismo de retro-alimentação positiva feedback-feedforward [43]. No entanto, ao analisarmos somente o período de 24 ver- sus 48 horas notamos que os Gráficos 1-A e 1-B apresentaram resultados significativamente similares de recuperação: Gráfico

Gráfico 2-A - Concentração plasmática de creatina quinase (CK) apresentada pelo grupo vs. diminuição tempo dependente. Barra azul atividade plasmática da creatina quinase. Barra vermelha percentual de diminuição tempo dependente.

Gráfico 2-B - Média da PSD relatada pelo grupo vs. diminuição tempo dependente, conforme a escala de percepção de dor (category- ratio-CR10) de Borg [34]. Barra vermelha atividade da escala de percepção de dor. Barra azul percentual de diminuição tempo dependente.

Gráfico 2-E - Média da PSE apresentada pelo grupo vs. diminuição tempo dependente, conforme a escala de percepção de esforço (OMNI

- Resistance Exercise Scale) Robertson et al. [36]. Barra amarela atividade da escala de percepção de esforço. Barra azul percentual de diminuição tempo dependente.

Discussão

Os resultados deste estudo demonstram que o maior pico de dor relatado pelo grupo experimental, através da análise da escala de percepção de dor, não é coerente como o pico de dor relatado pela escala da creatina quinase (CK). Entretanto, é importante notar que houve uma recuperação do grupo experimental tanto na escala de dor e esforço testada como na análise da creatina quinase (CK). Baseado nas informações citadas acima, observa-se que o processo de envelhecimento é acompanhado por uma série de declínios ao longo dos anos, e que estes declínios ocorrem em todos os indivíduos, porém nem todas as variáveis declinam em um mesmo ritmo. Conforme relatado por Heath, Nóbrega e McArdle [8,9,41], à medida que envelhecemos há um menor fluxo sangüíneo aos músculos ativos e uma redução na relação entre capilares e fibras musculares, o qual limita o trans- porte de oxigênio e nutrientes aos músculos em atividade, causando um aumento da resistência vascular periférica. Sherphar [25] acrescenta que a diminuição no transporte de oxigênio pode não preencher a demanda muscular durante um trabalho muscular: “Se a oferta de oxigênio é insuficiente para preencher a demanda metabólica, o tra- balho deverá ser realizado anaerobicamente e o indivíduo entrará em fadiga”. Podemos verificar em estudo realizado por Frontera et al. [20] uma diferença entre as fibras, onde as fibras do tipo II sofrem alterações na área de secção transversa e as fibras do tipo I sofrem uma redução na capilarização, comprometendo, assim, a resistência do músculo. Sabe-se que as fibras do tipo I têm uma elevada relação capilar/fibra muscular quando comparadas com as fibras do tipo II. Com isto, podemos supor que mesmo o grupo experi- mental sendo recreacionalmente treinado, associado às alte- rações decorrente do processo de envelhecimento, possa ter confundido o pico de dor relatado, logo após o treinamento, com a fadiga muscular localizada ou dor muscular aguda do treinamento, que pode ter sido causada por: depleção das reservas de ATP-CP, depleção das reservas de glicogênio muscular pelo acúmulo de ácido lático, influência dos íons de cálcio ou hipóxia tecidual (falta de oxigenação da musculatura) e não a dor muscular crônica do treinamento, ou seja, a dor muscular tardia. A hipótese da fadiga muscular localizada é confirmada por Pincivero et al. [42] que ressalta que a influência da fadiga muscular pode fornecer um escore maior do esforço percebido em dado nível de força com contrações musculares mais prolongadas. Natal et al. [45] confirmam este dado, pois, segundo os autores, a fadiga pode alterar o bom funciona- mento muscular. Uma outra hipótese a ser considerada seria o mecanismo de retro-alimentação positiva feedback-feedforward proposto por Cafarelli [43]. Segundo o autor, uma cópia do comando

gerado no córtex motor é transmitido simultaneamente do córtex somatosensório fornecendo uma origem central do esforço percebido. Entretanto, a influência da fadiga muscular pode ter fornecido uma falha no nervo motor na junção neuromuscular, onde este pode apresentar um escore significativamente maior de esforço percebido. Com relação a este dado, sabemos também que o processo de envelhecimento é acompanhado por alterações no processo neurogênico. Segundo Lexel et al. [17], após os 60 anos, os músculos passam por um processo contínuo de desnervação e reinervação devido a uma redução no funcionamento das unidades motoras e perda de neurônios motores alfa da me- dula espinhal. No entanto, a literatura apresenta poucos estudos com relação aos mecanismos de reparo muscular e envelhecimento. Dos estudos analisados na literatura consultada, nota-se que não foram encontradas diferenças significativas em resposta ao aumento no número de leucócitos e citosinas circulantes em idosos e jovens, isto é, constatado através de um estudo realizado por Toft [44], em 10 indivíduos jovens e 10 indiví- duos idosos, fisicamente ativos, com idade média de 24 e 69 anos respectivamente, que foram submetidos a um protocolo de treinamento excêntrico de 60 min em ciclo ergômetro. Foram obtidas amostras sangüíneas de IL-6, TNF-α, sTNF- R1, IL-1ra, TGF-b1 e creatina quinase (CK), imediatamente após o exercício e a cada hora seguindo 4 horas e 1, 2 e 5 dias após o exercício. Das amostras realizadas pelo estudo, somente analisamos a creatina quinase (CK). O estudo mostrou um aumento da creatina quinase (CK) para ambos os grupos, chegando a um pico 5 dias após o exercício, entretanto o aumento mais pronunciado foi nos jovens. Por outro lado, Stupka et al. [32] estudaram os efeitos do exercício excêntrico em 8 homens e 8 mulheres utilizando exercícios de leg press e extensão de joelho unilateral. As amostras sangüíneas foram coletadas pré-exercício 24, 48 horas e 6 dias após o treinamento e uma biópsia muscular no músculo vasto lateral da perna exercício versus controle após 48 horas para avaliar o dano muscular. Os marcadores bio- químicos utilizados neste estudo foram contagem plasmática de granulócitos pré e 48 horas após o exercício e atividade da creatina quinase (CK). Os autores constataram que a conta- gem plasmática de granulócitos aumentou para os homens, e não mudou para as mulheres em 48 após o exercício. A atividade da creatina quinase (CK) aumentou para ambos os grupos em 48 horas e 6 dias, porém as mulheres apresentaram valores mais baixos comparados com os homens. Não houve diferenças signifi cativas na área de desordem nos danos mio- fi brilares focal e extensivo entre os grupos através da biópsia muscular. Com base nestes dados, os autores destacaram que esta resposta apresentada pelas mulheres poderia estar relacionada com as propriedades antioxidantes do hormônio 17b-estradiol. Baseado nas informações citadas acima, nota-se que o pico de creatina quinase (CK) apresentado nos estudos de Toft [44]

foi 5 dias após o exercício, e no trabalho de Stupka et al. [32] foi 6 dias após o exercício. Divergente do pico alcançado no presente estudo que ocorreu 24 horas após o exercício. Além disso, Toft [44] cita, em seu estudo, que a idade pode estar associada com mecanismos de reparo prejudicados para o dano muscular induzido pelo exercício; que o processo de envelhecimento apresenta níveis aumentados de marcadores bioquímicos de lesão muscular aumentados em repouso como, por exemplo, IL-6, TNF e sTNF-R1, concentração de neutrófi los mais alta e que as células mononucleares nos idosos têm uma capacidade prejudicada em produzir citosinas pró-inflamatórias. Em contrapartida, observa-se que o exercício intenso comparado ao exercício moderado induz a um aumento nos níveis de citocina e interleucina, e não apenas estes marca- dores bioquímicos. Segundo Pedersen [46], as concentrações de TNF-α, Il-6, IL-1 e IL-1ra aumentam em resposta ao exercício vigoroso. Desta forma, o autor menciona que o treinamento regular promove uma resistência às infecções do aparelho respiratório superior. De acordo com a teoria imune é esperado que o exercício moderado aumente a resistência às infecções, ao passo que o exercício vigoroso está ligado ao aumento de infecções de vias aéreas superiores, enfraqueci- mento do sistema imune e inflamação aumentada.

Conclusão

Concluímos que houve uma tendência à recuperação do grupo tanto na análise da creatina quinase (CK) como nas respectivas escalas testadas. Assim, podemos assumir que as escalas testadas podem ser usadas como uma ferramenta válida para prescrever o tempo de recuperação em idosos fi sicamente ativos. Consideramos de vital importância, a participação de ido- sos em programas regulares de atividade física, principalmente em exercícios com peso, reduzindo, assim, a progressão de doenças crônico-degenerativas evitando o sedentarismo. Entretanto, de acordo com a teoria imune, é esperado que os exercícios realizados, de forma moderada, aumentem não só a resistência às infecções do aparelho respiratório superior, mas tentem minimizar e até evitar estas alterações ocasionadas pelo processo de envelhecimento.

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