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Revista de Fisiologia
Tipologia: Teses (TCC)
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E X E R C Í C I O
F I S I O L O G I A^ DO
E X E R C Í C I O
F I S I O L O G I A DO
E X E R
E X E R C Í C I O
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F I S I O L O G I A^ DO
E X E R C Í C I O
volume 05 - número 01 •
Jan/Dez 2006
B r a z i l i a n Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
J o u r n a l
o f
E x e r c i s e
P h y s i o l o g y
ISSN 16778510
CARDIORRESPIRATÓRIO •
TREINAMENTO •
ELETROMIOGRAFIA •
FARMACOLOGIA •
BIOLOGIA • Testosterona, cortisol e exercício físico TRABALHO •
Carta ao leitor, Prof. Dr. Paulo Tarso Veras Farinatti..................................................................................................... 3
Análise da atividade eletromiográfica dos músculos extensores da perna de jogadoras de voleibol feminino, Sergio Henrique Borin, Rinaldo Roberto de Jesus Guirro, Marcos Vanucci, Rubens Falleiros, Valéria Palauro......................................................................................................... 4
Quantifi cando a pliometria na reabilitação de atletas, Gustavo Rebello Soares.................................................................................................................................................. 9
Análise das capacidades físicas em indivíduos adultos sedentários e treinados, Alexandre de Souza e Silva, Regiane Albertini, Maricilia Silva Costa ............................................................................ 15
Respostas cardiovasculares agudas da pressão positiva expiratória (EPAP) em indivíduos adultos jovens e o impacto no duplo-produto: um estudo piloto, Mauricio de Sant’ Anna Junior, Alexandra Maia, Rafael Gama da Cruz, Pedro Paulo da Silva Soares, Adalgiza Mafra Moreno ................................................................................................... 21
Consumo de recursos ergogênicos farmacológicos por praticantes de musculação das academias de Santa Maria, RS, Cati Reckelberg Azambuja, Daniela Lopes dos Santos ............................................................................................................................................ 27
Série simples versus séries múltiplas: efeitos sobre o treinamento e destreinamento da força máxima em mulheres jovens, Marcelo Rangel de Araújo, Alexandre Hideki Okano, Runer Augusto Marson, Edilson Serpeloni Cyrino, Fábio Yuzo Nakamura ......................... 34
Programa de Exercício Físico na Empresa (PEFE): um estudo com trabalhadores de informática, Josenei Braga dos Santos, Antônio Renato P. Moro ............................................................................ 42
Efeitos agudos da flexibilidade sobre a força muscular, José Eduardo Lattari Rayol Prati, Sergio Eduardo de Carvalho Machado ..................................................................................................... 50
As relações dos hormônios testosterona e cortisol com o exercício físico, Marcelo Rangel de Araújo ........................................................................................................................................... 56
O treinamento de resistência com pesos em circuito de intensidade moderada melhora a capacidade cardiorrespiratória e diminui gordura corporal, Roberto Pacheco da Silva, Antonio Coppi Navarro ..................................................................................................... 62
Anais do IV Workshop em Fisiologia do Exercício – UFSCar e I Congresso Paulista da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício ........................................................................................... 68
Índice
R e v i s t a B r a s i l e i r a d e
F I S I O L O G I A
DO E X E R C Í C I O
Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício
B r a z i l i a n J o u r n a l o f E x e r c i s e P h y s i o l o g y
Editorial
Carta ao Leitor
Apresentamos o volume 5 da Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício (RBFEx), correspondente ao ano de 2006. Para este volume manteve-se a mesma estratégia adotada para o período de 2005, qual seja, concentrar os artigos disponíveis em uma só encadernação. No entanto, preservaram-se os três números que deveriam ser publi- cados naquele ano. Tal opção deu-se pela necessidade de se retomar, o mais rapidamente possível, a periodicidade da revista, ao mesmo tempo em que não se queria deixar solução de continuidade. Assim, o leitor que desejar fazer um histórico da RBFEx encontrará volumes completos referentes ao período que vai de 2002 a 2006. A partir do volume 6 (ano de 2007) os três números serão publicados em separado de forma quadrimestral, como era feito na origem do periódico. Os três números do volume 6 encontram-se fechados; assim, espera-se que a periodicidade da RBFEx seja definitivamente regularizada até o fim de 2008. Após essa fase inicial, ambiciona-se aumentar a quan- tidade de números correspondentes a um volume, tornando a revista trimestral, o que certamente facilitará seu processo de indexação. Planeja-se, igualmente, ampliar a abrangência da revista, criando-se seções voltadas especificamente para as questões da fisiologia em suas diferentes especializações (básica, aplicada, treinamento físico, saúde, nutrição etc).
Atualmente presente no Qualis da área como de categoria Nacional C, pretende-se que tais providências a conduzam a uma classificação superior em prazo breve. Da mesma forma, estamos reestruturando a revista internamente. Um dos passos nesse sentido é aumentar o corpo de revisores, tornando o processo de avaliação por pares mais ágil. O questionário de avaliação dos artigos está sendo reformulado, de maneira a otimizar o tempo dos pareceristas e fazer com que os julgamentos dos manuscri- tos sejam mais objetivos. O apoio e a estrutura da Editora Atlântica vem sendo fundamental para a concretização de todos esses planos. Como não poderia deixar de ser, contamos com a colaboração dos pesquisadores que fazem da fisiologia do exercício sua área de atuação a fim de que a RBFEx possa se tornar um veículo eficiente e de qualidade para a divulgação de seus trabalhos. Convidamos a todos para enviarem seus resultados de pesquisa à revista, bem como artigos de revisão e resumos de teses e dissertações. Como se pode notar, há muito a fazer. Esperamos poder contar com o maior número possível de colegas nessa empreitada! Prof. Dr. Paulo Tarso Veras Farinatti Editor-Chefe da RBFEx
Artigo original
Análise da atividade eletromiográfica dos músculos
extensores da perna de jogadoras de voleibol feminino Analysis of electromyographic activity of leg extensor muscles of female volleyball players
Sergio Henrique Borin, Rinaldo Roberto de Jesus Guirro, Marcos Vanucci, Rubens Falleiros,Valéria Palauro**
*Mestrando em Fisioterapia na Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), Piracicaba, SP, **Professor da Pós-Graduação em Fisioterapia da UNIMEP, ***Fisioterapeuta, UNIMEP
Na prática clínica, observa-se o crescimento de lesões esportivas, decorrentes de desequilíbrios musculares. O objetivo deste trabalho foi analisar a atividade eletromiográfica (EMG) dos músculos do quadríceps femoral, numa contração isométrica voluntária máxima de extensão da perna em dois ângulos distintos. Foram analisadas 12 jogadoras de voleibol e 12 sedentárias. Para análise da EMG utilizou-se a envoltória (EN) do sinal, analisados através do teste de Wilcoxon (p < 0,05). Os resultados da EN intragrupos evidencia- ram que o recrutamento de todos os músculos foi maior a 90 º^ em relação à 30º, independente da dominância e grupo. Já intergrupos, os resultados demonstraram ocorrer diferenças no recrutamento das atletas quando comparados com as sedentárias, sendo os músculos VMO, VLO, RF e VLL tanto 30 º^ como 90º^ , independente da do- minância. Os resultados Intragrupos demonstram que o músculo VMO foi mais ativo, seguido do VLO, RF e VLL, para sedentárias e VMO, VLL e RF e VLO no grupo atletas. Palavras-chave: eletromiografia, treinamento, desequilíbrios musculares, fisioterapia.
In the practical clinic, it was observed an increase of sports lesions, caused by muscle disequilibrium. The objective of this work was to analyze the electromyographic activity (EMG) of the muscles of quadriceps femoral, in a maximal voluntary isometric contraction of leg extension in two distinct angles. 12 volleyball players and 12 sedentary female players had been analyzed. For analysis of EMG it was used an envoltori (EN) signal, which was analyzed through Wilcoxon test (p > 0.05). The results of the in- tragroups EN demonstrated that the recruitment of all muscles was bigger than 90º in relation to 30º, independent of dominance and group. In relation to intergroups, the results showed that differences in the recruitment of the athletes occur when compared with the sedentary ones, the muscles VMO, VLO, RF and VLL at 30º as well as 90º were independent of dominance. The Intragroups results demonstrate that muscle VMO was more active, followed by VLO, RF and VLL, for sedentary and VMO, VLL and RF and VLO in the athlete group. Key-words: eletromyographic muscle, training, muscle disequilibrium, physical therapy.
Recebido em 12 de agosto de 2006; aceito em 15 de outubro de 2006. Endereço para correspondência: Sergio Henrique Borin, Av. Ipiranga, 1034/11, 13400-485 Piracicaba SP, Tel: (19) 3402-4740, E- mail: [email protected]
Introdução
Na prática clínica, têm-se observado cada vez mais fre- qüente o aparecimento de lesões principalmente relacionadas à atividade esportiva em atletas de alto nível. Alguns autores reportam em seus estudos que a incidência de lesão na arti-
culação do joelho gira em torno de 30% a 40% em jogadoras de voleibol [1,2]. Este quando praticado em nível competitivo envolve maiores cargas de treinamento técnico-tático e altas demandas de condicionamento físico, que somados contri- buem com o desenvolvimento de lesões do sistema músculo esquelético dos membros inferiores.
A atividade Eletromiográfica (EMG) foi obtida usando um módulo condicionador de sinais, modelo MCS 1000
Foi realizada a análise exploratória dos dados pelo pro- grama SAS - JMP (Statistical Analisys Sistem), na qual se aplicou o teste de normalidade de Shapiro-Wilk para todas as variáveis estatísticas consideradas dos diferentes grupos experimentais. Os dados não apresentaram normalidade, por isso foram analisados através do teste das ordens assinaladas de Wilcoxon. Em todos os cálculos foi fixado o nível crítico de 5% (p < 0,05) As variáveis analisadas foram envoltória do sinal eletromio- gráfico dos músculos VMO, VLO, VLL e RF do movimento de extensão da perna, nos ângulos de 30 º^ e 90 º^ de flexão de joelho nos membros dominante e não dominante, dos grupos atletas e sedentárias.
Resultados
Os resultados estatísticos da envoltória (EN) do grupo atletas, no exercício de contração isométrica de extensão de joelho dos membros dominante e não dominante, demons- traram que houve um aumento significativo (p < 0,05) dos músculos VLO, VMO, RF e VLL no ângulo de 90º^ em relação ao ângulo de 30 º, no grupo atletas.
Tabela I - Médias, desvios-padrões dos dados da Envoltória (EM em μV) dos músculos Vasto Medial Oblíquo (VMO), Vasto Lateral Oblíquo (VLO), Reto Femoral (RF) e Vasto Lateral Longo (VLL) na contração isométrica voluntária máxima (CIVM) de extensão da perna nos ângulos de 30 º^ e 90 º^ de flexão joelho, nos membros dominante e não dominante, do grupo atletas (n = 12). Atletas Membro dominante Membro não dominante EN(μV) 30º 90º 30º 90º VLO 48,1±2,7^ 84,6* ± 3,6^ 29,0 ± 1,0^ 63,9* ± 2, VMO 131,6±6,0^ 228,2* ± 9,1^ 148,9 ± 6,9^ 237,7* ± 6, RF 67,9±2,8^ 89,2 ± 3,5^ 68,7 ± 2,9^ 90,5 ± 3, VLL 87,3±3,0^ 134,6* ± 5,0^ 98,5 ± 4,2^ 148,5± 4, _p < 0,05 em relação a 30º_^ do respectivo membro
Com relação a envoltória (EN) do grupo Sedentárias no exercício de contração isométrica de extensão de joelho dos membros dominante e não dominante, mostraram que houve um aumento significativo (p < 0,05) da atividade eletromio- gráfica dos músculos VLO, VMO, RF e VLL no ângulo de 90º^ e em relação ao ângulo de 30 º, no grupo sedentárias (Tabela IV).
Tabela II - Média, desvio-padrão dos dados da Envoltória (EM em μV) dos músculos Vasto Medial Oblíquo (VMO), Vasto Lateral Oblíquo (VLO), Reto Femoral (RF) e Vasto Lateral Longo (VLL) na contração isométrica voluntária máxima (CIVM) de extensão da perna nos ângulos de 30 º^ e 90 º^ de flexão joelho, nos membros dominante e não dominante, do grupo sedentárias (n = 12). Sedentárias Membro dominante Membro não dominante EN (μV) 30º 90º 30º 90º VLO 62,9 ± 2,5^ 104,4* ± 5,9^ 52,0 ± 2,6^ 88,7* ± 5, VMO 71,9 ± 3,4 113,9* ± 7,6 83,9 ± 4,0 141,7* ± 8, RF 45,4 ± 1,4^ 56,3± 5,5^ 40,2 ± 1,6^ 49,9 ± 3, VLL 49,3 ± 1,7^ 55,3± 1,6^ 40,1 ± 1,2^ 46,0 ± 2, *p < 0,05 em relação a 30º do respectivo membro.
Envoltória (EN) entre os grupos atletas e sedentárias A amplitude do sinal eletromiográfico analisado pela sua
envoltória (EN intergrupos), demonstrou diferença signifi- cativa entre os ângulos de 30º e 90º, do membro dominante e não dominante, quando comparada entre os grupos. Os resultados demonstram um recrutamento crescente no estí- mulo das unidades motoras, sendo o músculo VMO em maior atividade nos dois grupos e, seguido do VLO, VLL e RF a 30º e VLO, RF e VLL a 90º do membro dominante e a 30º e 90º do membro não dominante para o grupo sedentárias. Já no grupo das atletas, pode-se observar que ocorre uma inversão de recrutamento entre dois músculos em relação ao grupo sedentárias, no qual o VLL apresenta um valor da amplitude do sinal eletromiográfico maior que o músculo VLO, tanto no membro dominante como no não dominante (Tabelas III e VI), a seqüência observada foi o músculo VMO, seguido do VLL, RF, e por último o VLO.
Tabela III - Médias e desvios-padrões da Envoltória (EN em μV) dos músculos vasto medial oblíquo (VMO), vasto lateral oblíquo (VLO), reto femoral (RF) e vasto lateral longo (VLL) na contração isométrica voluntária máxima (CIVM) de extensão da perna nos ângulos de 30º^ e 90º^ de flexão joelho, nos membros dominante, do grupo atletas e sedentárias (n = 12). Dominante EN(μV) 30ºatletas 30º sedentárias
90º atletas 90º sedentárias VLO 48,1 ± 2,7 62,9* ± 2,5 84,6 ± 3,6 104,4* ± 5, VMO 131,6± 6,0^ 71,9* ± 3,4^ 228,2 ± 9,1^ 113,9* ± 7, RF 67,9 ± 2,8 45,4* ± 1,4 89,2 ± 3,5 56,3* ± 5, VLL 87,3 ± 3,0^ 49,3* ± 1,7^ 134,6 ± 5,0^ 55,3* ± 1, *p < 0,05 em relação as atletas no respectivo ângulo.
Tabela IV - Médias e desvios-padrões da Envoltória (EN em μV) dos músculos vasto medial oblíquo (VMO), vasto lateral oblíquo (VLO), reto femoral (RF) e vasto lateral longo (VLL) na contração isométrica voluntária máxima (CIVM) de extensão da perna nos ângulos de 30º^ e 90º^ de flexão joelho, nos membros não dominante, do grupo Atletas e Sedentárias (n = 12). Não dominante EN (μV)
30º atletas 30º sedentárias
90º atletas 90º sedentárias VLO 29,0 ± 1,0 52,0# ± 2,6 63,9 ± 2,6 88,7#±5, VMO 148,9 ± 6,9^ 83,9* ± 4,0^ 237,7 ± 6,4^ 141,7* ± 8, RF 68,7 ± 2,9 40,2* ± 1,6 90,5 ± 3,1 49,9* ± 3, VLL 98,5 ± 4,2^ 40,1•± 1,2^ 148,5 ± 4,1^ 46,0• ± 2, *p < 0,05 em relação às atletas no respectivo ângulo.
Discussão
A eletromiografia cinesiológica é uma ferramenta im- portante e eficaz para estudar estímulos e respostas mus- culares, bem como qualquer alteração frente a atividades específicas, sejam elas ocasionadas pela exigência esportiva ou patológica. Ela é capaz de determinar o início e o fim da atividade muscular em um determinado exercício, bem
como o nível de resposta muscular em relação ao esforço e o melhor posicionamento que ativa um determinado músculo, visando assim estabelecer metas e objetivos a serem alcançados num programa de fortalecimento ou reabilitação, adequando o exercício para cada indivíduo, sendo utilizado também como um importante feedback em algumas terapias [14]. Por isso, este estudo coloca a importância da realização de uma avaliação eletromiográfica cinesiológica em atletas, que vise o maior conhecimento a respeito dos estabilizado- res dinâmicos da articulação fêmoro-patelar, bem como do músculo biarticular com ações em duas articulações distintas que é o músculo reto femoral. Deve ser considerado ainda que a eletromiografia permita analisar a atividade isolada de cada músculo, identificando, assim, possíveis desequilíbrios qual destes precisa ser trabalhado. Nesse contexto, o método de eletromiografia cinesiológica é de extrema importância para fisioterapeutas, educadores físicos e médicos para ela- boração de programas de prevenção de lesão ou protocolos de treinamento. Com relação ao músculo reto femoral (RF), apesar de não ser um estabilizador dinâmico da articulação fêmoro-patelar, foi avaliado devido à existência de poucos trabalhos que o correlacionam a exercícios de extensão de perna em grupo de atletas. Assim, a grande questão era como seria o padrão do sinal eletromiográfico de um músculo que realiza a extensão da perna e a flexão do quadril, na CIVM nos ângulos de 30º e 90 º^ num grupo de atletas e sedentárias frente aos outros músculos monoarticulares avaliados. Com isso, buscou-se alguns trabalhos na literatura rela- cionados ao RF, como o de Alkner [15] que compararam a atividade elétrica dos músculos VMO, VL, RF, e bíceps femo- ral (BF) de extensão da perna em CCA e em CCF realizados num ângulo de 90 graus de fl exão, e a 20, 40, 60, 80 e 100% da contração voluntária máxima de 09 homens clinicamente normais. Não foram observadas diferenças significativas entre a atividade elétrica dos músculos estudados entre os dois exercícios, o que indica uma atividade recíproca dos músculos envolvidos nos dois modelos testados. Signorile et al. [16] avaliaram os músculos VMO, VL e RF de 23 indivíduos clinicamente normais em contrações isométricas de extensão com o joelho fletido a 5º, 30 º^ e 90 º nas posições de rotação medial, neutra e lateral da perna. Os resultados revelaram que o músculo RF no ângulo de 90º^ de flexão da perna produziu maior atividade eletromiográfica do que os demais músculos embora não tenha havido diferenças significativas entre as rotações. Em relação aos músculos VMO e VL, os resultados obtidos foram semelhantes, com o ângulo de 90 graus de flexão produzindo maior atividade eletromiográfica na posição neutra do que medial. No presente estudo, os resultados da EN do RF demons- traram que no grupo atletas o estímulo deste foi menor que os músculos VMO e VLL, sendo apenas maior que o VLO, independente do ângulo e da dominância. No grupo seden-
Artigo original
Quantificando a pliometria na reabilitação de atletas Quantifying the plyometric in athlete rehabilitation
Gustavo Rebello Soares
Acadêmico, Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública Fundação Bahiana para o Desenvolvimento das Ciências, Salvador, Bahia
Objetivos : Identificar os exercícios pliométricos para os membros inferiores e quantificar sua forma de realização em relação ao tempo de treinamento, freqüência, quantidade de séries, quantidade de repetições, tempo de recuperação entre os exercícios e tempo de recuperação entre as séries. Materiais e métodos: Este estudo realiza uma revisão da literatura de trabalhos, publicados no período de 1983 a 2004, que abordam os princípios neurofisiológicos da plio- metria ou apresentam um programa de treinamento pliométrico. A forma para análise dos conteúdos utilizada foi a freqüência com que as variáveis dependentes e independentes foram citadas ou a média entre aqueles que as mencionaram. Resultados: Dez exercícios foram selecionados como os mais mencionados nos trabalhos. O tempo de treinamento mais citado foi de seis semanas, em três sessões semanais. Foi realizada, mais freqüentemente, uma única série de exercício, preconizando o tempo como unidade para quantificar sua realização. Foi quantificado também o tempo de descanso entre os exercícios e entre as séries. Discussão e conclusão : A pliometria pode promover ganhos de força explosiva sendo realizada de forma criteriosa, seguindo os princípios aqui expostos. Desta forma, a fi sioterapia age para que o atleta recupere seu nível de desempenho de maneira mais rápida e segura possível. Palavras-chaves: pliometria, reabilitação, atleta.
Objective: To identify the plyometric exercises for the lower limbs and quantify them according to the time of training, frequency, number of series, number of repetitions, time of recovery between exercises and time of recovery between series. Method: This study is a review of literature published from 1983 to 2004, which approaches the neurophysiologic principles of plyometric or plyometric training programs. The contents were analyzed using the periodicity in which the dependent and independent variables were quoted or the mean of those which mentioned them. Results: Ten exercises were selected as the most quoted by the articles. The time of training most quoted was six weeks, three times a week. More frequently, only one series of exercises was done, and time was the best predictor to quantify the exercises comparing to repetition. Also, the resting time between the exercises and between the series was quantified. Discussion and conclusion : When plyometric exercises are done in a very sensible way, according to the principles here exposed, it can aid the gaining of explosive power. Therefore, physical therapy makes the athlete recover their level of performance in a faster and safer way. Key-words: plyometrics, rehabilitation, athlete.
Recebido em 24 de novembro de 2005; aceito em 10 de maio de 2006. Endereço para correspondência: Gustavo Rebello Soares, Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Av. Dom João VI, 274, 40.290-000 Salvador BA, Tel: (71)3276-8200, E-mail: [email protected]
Introdução
Em todas as práticas esportivas, os atletas estão sempre sujeitos a sofrer algum tipo de lesão durante uma competição ou treinamento, devido à constante exposição a traumatismos. Logo, a reabilitação destes indivíduos constitui um campo bas- tante desafiador da medicina desportiva que tem como metas proteger e tratar o desportista de lesões, de reincidências e da
incapacidade permanente. Para isto, a fisioterapia pode fazer uso da pliometria como um de seus recursos terapêuticos. A pliometria é um conjunto de exercícios voltados para indivíduos que praticam atividade física, que unem força e velocidade do movimento, através das duas fases da contração muscular ativa (excêntrica/concêntrica), e visa obter resposta explosiva e reativa do músculo no menor tempo possível. Seu objetivo é melhorar a potência do músculo, facilitando os
impulsos neurológicos, e aumentar a tensão muscular gerada no componente elástico do músculo. Esse tipo de exercício há muito tempo é utilizado para me- lhorar a performance dos atletas, porém, só recentemente, passou a fazer parte da reabilitação física, mais precisamente na sua fase final [1]. No passado, esse programa era denominado de treina- mento de “choque” ou de salto. Somente em 1969 passou a ser chamado de pliometria, quando foi descrito na Europa Oriental pelo russo Verkhoshanski [2]. O termo pliometria é derivado da palavra grega pleythyein, que significa “aumentar”, ou das raízes grega plio e metric, que significam “maior” e “medida” [2]. Um estudo examinou os efeitos de seis semanas de treina- mento pliométrico nos mecanismos de aterrissagem de saltos e a força de atletas femininas [3]. Foram observadas a diminuição de 22% no pico de força de reação do solo e diminuição de 50% dos movimentos de abdução e adução do joelho durante a aterrissagem. Em adição, observou-se aumento significativo na força isocinética dos músculos isquiotibiais, na razão entre os isquiotibiais e o quadríceps e na altura do salto vertical. Os autores sugerem que esse treinamento tem efeito significativo na estabilização do joelho e na prevenção de lesões sérias entre as atletas. Usando o mesmo programa de treinamento, outro estudo analisou, prospectivamente, os efeitos da pliometria nas lesões sérias de joelho em atletas femininas [4]. Os autores demonstraram diminuição, estatisticamente significante, da quantidade de lesões do joelho no grupo treinado em relação ao grupo controle.
Os exercícios pliométricos podem ser aplicados tanto para os membros inferiores como para os membros superiores. Existem muitos estudos experimentais que utilizam progra- mas de treinamento pliométrico para os membros inferiores do corpo, entretanto, não há consenso dos seus benefícios por causa da falta de concordância a respeito de sua melhor aplicabilidade [2]. Em relação aos membros superiores, a pliometria ainda precisa ser mais estudada, pois os exercícios são conhecidos, mas há poucas pesquisas experimentais que comprovem sua eficácia através da utilização de um programa de treinamento. Espera-se que este trabalho forneça um alicerce seguro e cientificamente comprovado sobre o uso dessa técnica aos fi sioterapeutas, para que possam utilizá-la, mais freqüente- mente, na reabilitação atlética. Assim, o objetivo desse estudo é identificar os exercícios pliométricos, para os membros inferiores, utilizados nos pro- gramas de reabilitação e quantificar sua forma de realização em relação a tempo de treinamento, freqüência, quantidade de séries, quantidade de repetições, tempo de recuperação entre os exercícios e tempo de recuperação entre as séries.
Materiais e métodos
Este estudo realiza uma revisão da literatura tipo compa- rativa-descritiva realizada através de pesquisas nas fontes de dados virtuais indexadas (Medline, Pubmed, Lilacs, Scielo,
Tabela I - Exercícios pliométricos. Exercício Variáveis Brown et al , 1986 [5]
Wilson et al , 1996 [6]
Hewett et al , 1996 [3]
Hewett et al , 1999 [4]
Spurrs et al , 2003 [7]
Wilkerson et al , 2004 [8]
Irmischer et al , 2004 [9]
Chimera et al , 2004 [10] Depth jump
Tempo de treinamento
12 semanas 8 semanas 6 semanas 6 semanas 6 semanas 6 semanas 6 semanas
Freqüência 3x/semana 2x/semana 3x/semana 3x/semana 2 a 3x/se- mana
3x/semana 2x/semana
Séries 3 séries 1a 4 séries 1 série 1 série 2 a 3 séries 1 série 1 série Repetições 10 rep. 8 rep. 5 a 10 rep. 5 a 10 rep. 6 a 10 rep. 5 a 10 rep. 20 a 40 rep. Recuperação (exercício)
30’’ 30’’ 30’’ 120’’
Recuperação (séries)
60’’ 180’’ 30’’
Wall jumps / Ankle bounces
Tempo de treinamento
6 semanas 6 semanas 6 semanas 9 semanas 6 semanas
Freqüência 3x/semana 3x/semana 3x/semana 2x/semana 2x/semana Séries 1 série 1 série 1 série 3 séries 3 a 6 séries Repetições 20’’ a 30’’ 20’’ a 30’’ 20’’ a 30’’ 10 rep. 30’’ Recuperação (exercício)
30’’ 30’’ 30’’ 120’’
Recuperação (séries)
30’’
Todos os trabalhos confrontados tratavam-se de estudos experimentais cuja síntese, através da freqüência de citação, re- sultou na escolha de 10 exercícios. São eles: Wall jumps / Ankle bounces, Tuck jumps, Squat jump, Double leg cone jumps , 180° jumps, Bounding in place, Scissor jump, Bounding for distance, Single legged hops e Depth jump. Estes podem ser visualizados na Tabela II, assim como suas variáveis escolhidas. A descrição de cada uma dessas atividades encontra-se na Tabela III. Dentre os exercícios selecionados, também com base na freqüência de citação nos artigos, foram encontrados os seguintes resultados para as variáveis dependentes pesquisa- das: o tempo de treinamento para a atividade pliométrica foi de seis semanas e a freqüência de sua realização foi de três vezes semanais, em dias alternados, respeitando o período de repouso de 48 horas entre as sessões. Quanto ao número de séries, foi predominante a utilização de apenas uma série para cada atividade selecionada. O volume com que foram realizadas variou de acordo com o exercício: 70% foram quantificados tendo o tempo (segundos) como unidade de medida e 30% tendo o número de repetições ou de distância percorrida. Para os exercícios cujo volume foi baseado no tempo de execução, constatou-se que a quantidade de realização mais citada foi de 20 segundos na primeira semana, 25 segundos na segunda semana e 30 segundos para a terceira e quarta semanas. Em relação a quinta e sexta semanas, somente dois dos exercícios, dentre os escolhidos neste estudo, foram realizados utilizando o tempo como unidade de medida. Por eles apresentarem valores diferentes quanto ao volume e por não ser possível verificar a maior freqüência de citação, foi realizado a média entre aqueles que os citaram. Logo, para a quinta e sexta semanas, os resultados apresentaram uma média de 27,5 segundos, em cada uma das semanas, para o volume realizado. Para o tempo de recuperação entre os exercícios foi mais continuamente citado o intervalo de 30 segundos. Para o tempo de recuperação entre as séries dos exercícios escolhidos foi calculada, novamente, a média entre aqueles que a cita- ram, já que a maioria não fez menção a essa variável em seus estudos. A partir desta análise, foram encontrados os seguintes valores para os exercícios Wall jump, Double leg cone jumps, 180° jumps e Depth jumps: 30 segundos, 30 segundos, 30 segundos e 90 segundos, respectivamente. Estes valores não aparecem na tabela II, pois este foi construída apenas com base na freqüência de citação dos exercícios e suas variáveis em pelo menos 50% dos trabalhos.
Discussão
Com a realização deste estudo foi possível quantificar os exercícios pliométricos aplicados aos membros inferiores através da freqüência e da média com que eles e suas variáveis foram descritos nos artigos revisados. O que chamou mais atenção na pesquisa foi o fato da pliometria ser praticada, na maioria dos exercícios, tendo o tempo (segundos) como unidade de medida para quantificar as repetições a serem
executadas. Logo, diante dos achados expostos neste trabalho, espera-se ser possível empregar essa técnica, com mais segu- rança e eficácia, nos programas de reabilitação atlética. Foram encontradas inúmeras variações para os exercícios pliométricos, porém, as atividades mais freqüentemente utilizadas foram as relatadas neste estudo (Wall jumps/Ankle bounces, Tuck jump, Squat jump, Double leg cone jump, 180° jumps, Bounding in place, Scissor jump, Bounding for distance, Single legged hops, Depth jump). Isto não significa que todos os exercícios listados aqui, e somente eles, devam ser usados nos programas de reabilitação. A escolha das ativi- dades depende do objetivo do tratamento, do grupo muscular que se deseja trabalhar e do esporte praticado pelo atleta, pois cada modalidade esportiva apresenta formas e níveis de exigências diferentes. Por exemplo, para o jogador de vôlei, os pliométricos apropriados são aqueles que envolvem saltos em altura no mesmo lugar ou saltos em profundidade e não os saltos em distância, que, por sua vez, são mais apropriados para os praticantes de atletismo. Quanto às variáveis, constatou-se que o tempo de trei- namento mais utilizado foi o de seis semanas. A escolha deste período pode ser fundamentada no fato de que para se desenvolver a capacidade de recrutamento das unidades mo- toras em altíssimas velocidades, visando o ganho de potência muscular, pode ser necessário um período de treinamento mais longo [11]. A freqüência semanal com que os treinamentos pliomé- tricos foram mais empregados foi de três vezes por semana, em dias alternados. A freqüência de treinamento superior a duas ou três vezes por semana pode dificultar a recuperação entre os exercícios e, desta forma, retardar as adaptações neu- romusculares impostas pela atividade e o desenvolvimento da força [12]. Entretanto, não existe documentação suficiente que defina a freqüência semanal ideal para a realização do treinamento [13]. O número de séries mais usado para os exercícios selecio- nados foi de apenas uma série. Este procedimento é menos efetivo para o ganho de força do que se os exercícios fossem realizados com duas ou três séries, sendo a utilização de três séries ainda mais eficaz do que duas [12]. Em associação, a utilização de múltiplas séries de exercícios permite que o organismo humano seja capaz de se adaptar às cargas impos- tas e, por isso, para se obter novos ganhos de força é preciso submeter o corpo a estresses mais intensos, progressivamente [14]. Alguns fatores devem ser levados em consideração ao se escolher o número de séries, são eles: tamanho do músculo, grupo muscular, lesões associadas ao esporte e resultados esperados do treinamento [14]. O uso da série única aplica-se somente para os indivídu- os que estão começando o programa de treinamento [14]. Antigamente, acreditava-se que para se obter os ganhos de força eram necessárias três séries dos exercícios, porém novos estudos têm demonstrado que a utilização de apenas uma série é tão eficaz quanto três séries para o aumento do tamanho e da
força musculares [15]. Isto permite que uma maior variedade de exercícios possa ser incluída nos programas de treinamento ao invés de menos exercícios de séries múltiplas, no mesmo período de tempo [15]. Logo, diante da realização de menos exercícios de séries múltiplas e do fato das adaptações neurais do organismo só ocorrerem nos movimentos que são treinados, o aprendizado motor, neste caso, fica limitado apenas a determinados padrões de movimento. Por outro lado, ao utilizar somente uma série por exercício, mais atividades com forma e exigências diferen- tes podem ser acrescentadas aos programas de treinamento. Com isto, o aprendizado motor, que sucede em virtude das adaptações neurais, vai ocorrer para as mais variadas situações e padrões de movimento, o que é mais adequado diante das solicitações da prática esportiva. Em relação à quantidade de repetições (volume), 70% dos exercícios escolhidos preconizaram a utilização do tempo (segundos) como unidade de medida e 30% usaram o número de repetições ou de distância percorrida. Dentre os 70%, o tempo mais freqüentemente citado variou de 20 a 30 segun- dos, ao longo das seis semanas de treinamento. De acordo com a fórmula universal da física para o cálculo da velocidade, na qual a velocidade é igual ao deslocamento dividido pelo tempo (V = d/t), a velocidade é diretamente proporcional ao deslocamento e inversamente proporcional ao tempo. Ou seja, para o indivíduo alcançar maior veloci- dade de movimento, ele deve percorrer a maior distância (no caso dos saltos, vertical e/ou horizontal) possível no menor tempo permitido. Considerando que o tempo para execução do movimento mais freqüentemente prescrito pelos artigos revisados foi de 20 a 30 segundos, os atletas deverão realizar as atividades pliométricas neste tempo, visando atingir o maior deslocamento do corpo com a maior velocidade possível. A relevância de tal afirmação é que segundo as bases neu- rofisiológicas da pliometria quanto maior a velocidade gerada pelo exercício, maior será a ativação do reflexo miotático e o armazenamento de energia elástica pelo componente elástico do músculo, resultando numa posterior contração muscular concêntrica vigorosa e explosiva [2]. O reflexo miotático e o armazenamento de energia, juntamente com a dessensibiliza- ção do Órgão Tendinoso de Golgi e a coordenação muscular, compõem os princípios que fundamentam a pliometria [2]. Diante disso, quando os exercícios preconizam o uso do número de repetições ou de distância percorrida como unidade de medida para o volume (30%), o atleta pode realizar as atividades tanto rapidamente quanto lentamente. Executando-as lentamente, a ativação dos componentes neu- rofi siológicos da pliometria não irá ocorrer corretamente e, conseqüentemente, os efeitos esperados desta técnica, prova- velmente, não serão alcançados. Portanto, sugere-se que esses exercícios devam ser adaptados para que sejam realizados de acordo com o tempo de execução. O tempo de recuperação entre os exercícios e entre as séries está diretamente relacionado à intensidade da atividade,
pois quanto maior a intensidade, maior será o metabolismo do organismo [16]. Logo, para que o exercício seja realizado é preciso que o corpo tenha tempo de normalizar seu meta- bolismo através do armazenamento de oxigênio e glicose no músculo e no sangue [16]. Os resultados deste estudo demonstraram que o tempo de recuperação entre os exercícios mais utilizados foi de 30 segundos. No entanto, não foram encontradas quaisquer in- formações específicas sobre esse intervalo. Conclui-se, então, que a aplicação dessa variável depende do objetivo traçado, do esporte praticado pelo atleta e da sua resposta à atividade. Cabe ao fisioterapeuta perceber e questionar seu cliente sobre a intensidade do exercício para que saiba se esse intervalo deve ser mantido, aumentado ou reduzido. Em relação ao tempo de recuperação entre as séries das atividades selecionadas, apenas os exercícios Wall jump/Ankle bounces, Double leg cone jumps, 180° jumps e Depth jump apresentaram, respectivamente, 30, 30, 30 e 90 segundos de descanso entre as séries. São necessários 60 a 120 segundos entre as séries para que haja a recuperação das fontes de energia oriundas do sistema do fosfagênio (ATP-CP), que são fundamentais para a realização do esforço máximo [14]. Esse mesmo intervalo de descanso é necessário para que as reservas de energia sejam recuperadas antes da realização de uma nova série [17]. Entretanto, os valores encontrados neste estudo não devem ser considerados, uma vez que todos os exercícios selecionados foram mais freqüentemente realizados com apenas uma série, não sendo necessário, portanto, tempo de recuperação entre as séries. Todos os exercícios e suas variáveis selecionadas foram citados neste trabalho. No entanto, em um programa prático de treinamento, as atividades desenvolvidas devem ser pro- gressivas para que a sobrecarrega ideal seja imposta ao atleta e para que também sejam evitadas as adaptações do organismo aos exercícios. Essa evolução deve ser realizada de acordo com os objetivos do treinamento e com as respostas fisiológicas do paciente à sua realização. Ao longo das seis semanas de pliometria, os exercícios devem progredir de atividades sim- ples para atividades complexas, como: passar de saltos com as duas pernas para apenas uma, de saltos verticais parados para saltos em distância e em profundidade. Em adição, o volume executado também deve evoluir ao longo das sema- nas, acrescentando mais tempo na realização dos exercícios. O aumento da intensidade da pliometria também pode ser manipulado através da diminuição do tempo de recuperação entre os exercícios. Em associação, o fisioterapeuta deve fazer uso da criatividade e da observação dos movimentos realiza- dos na prática esportiva de seu paciente para indicar formas de exercícios o mais específico e funcional possível. Por fim, existem diversos cuidados que devem ser tomados para a realização segura, correta e eficaz da pliometria, sendo estes muito bem descritos na literatura [13]. A limitação deste estudo refere-se à ausência de pesqui- sas que utilizem a pliometria como conduta terapêutica na
Artigo original
Análise das capacidades físicas em indivíduos
adultos sedentários e treinados Analysis of physical capacities in sedentary and trained adult individuals
Alexandre de Souza e Silva, Regiane Albertini, Maricilia Silva Costa**
*Educador Físico, Instituto de Pesquisa & Desenvolvimento, UNIVAP, **Fisioterapeuta, Instituto de Pesquisa & Desenvolvimento, UNIVAP, ***Professora, Instituto de Pesquisa & Desenvolvimento, UNIVAP
Introdução: O envelhecimento é um processo de mudanças que levam todos os seres vivos a passarem por perdas progressivas das suas capacidades funcionais, conduzindo a um grande risco de se tornarem sedentários_. Objetivo:_ O objetivo deste estudo foi analisar as diferenças nas capacidades físicas entre grupos de indivíduos: treinados e sedentários. Métodos: Participaram do grupo de estudo 34 indivíduos, classificados como treinados e sedentários. Os in- divíduos foram avaliados através dos testes de flexibilidade, força, IMC e RCQ. Resultados: Foi observado que os indivíduos treina- dos apresentaram maior pico de torque, tanto para perna direita, quanto para perna esquerda. Este resultado foi observado tanto em movimento de flexão quanto em extensão. O teste de flexibilidade indicou um melhor desempenho deste parâmetro em indivíduos treinados (24,8 ± 11,8), quando comparados com o grupo de in- divíduos sedentários (17,5 ± 5,1). As medidas de PAS e a PAD em indivíduos treinados mostrou melhores resultados em relação aos valores obtidos do grupo de indivíduos sedentários. Conclusão: Os indivíduos treinados apresentaram melhores resultados em força muscular e flexibilidade, quando comparados com os indivíduos Sedentários. Estes resultados indicam que a atividade física se mostra de grande importância para a manutenção das capacidades físicas e da qualidade de vida. Palavras-chave: dinamômetro isocinético, atividade física, idosos.
Introduction: The aging is a process of changes that lead all hu- man beings to a progressive decline in their functional capacities, and at great risk of becoming sedentary. Objective: This study aimed to analyze differences in physical capacities between two groups: trained and sedentary. Methods: The sample was composed by 34 individuals, classified as trained and sedentary. They were evaluated through flexibility, strength, BMI and WHR tests. Results: It was observed that the trained individuals showed larger peak torque, both for the right and left leg. This result was observed in flexion and stretching movements. The flexibility test indicated better performance in trained individuals (24.8 ± 11.8), when compared with sedentary group (17.5 ± 5.1). Blood pressure of trained individuals showed better results than the sedentary group. Conclusion: The trained individuals showed better results in muscle strength and flexibility, when compared with sedentary group. These results demonstrate that physical activity is of great importance for the maintenance of physical capacities and quality of life. Key-words: isokinetic dynamometer, physical activity, elderly.
Recebido em 15 de julho de 2006; aceito em 12 de outubro de 2006. Endereço para correspondência: Maricilia Silva Costa, Instituto Pesquisa & Desenvolvimento, Av. Shishima Hifumi 2911, 12244- São José dos Campos SP, Tel:(12)3947-1125, E-mail: [email protected]
Introdução
A senilidade ou envelhecimento é, geralmente, acompa- nhado pelo declínio acentuado nas capacidades do sistema motor [1-3]. Estas mudanças incluem o declínio da força, a redução na magnitude de respostas reflexas, a diminuição na velocidade de reações rápidas, o aumento na instabilidade postural e controle diminuído, decréscimo do controle de força submáxima e a redução das capacidades manipulativas [4-10]. Este comprometimento da função motora, associado ao processo de envelhecimento, afeta diretamente a vida de indivíduos idosos, diminuindo as suas habilidades em tarefas simples, como caminhar. Assim, dificultando a realização de atividades da vida diária, comprometendo a qualidade de vida e a saúde mental desta população [11]. De acordo com Faria Junior et al. [12], com o declínio gradual das aptidões físicas e o impacto do envelhecimento e das doenças, o idoso tende a trocar seus hábitos de vida e rotinas diárias por atividades e formas de ocupação pouco ativas. Os efeitos associados à inatividade e à má adaptabi- lidade são bastante sérios. Estes efeitos podem acarretar na redução no desempenho físico, na habilidade motora, na capacidade de concentração, de reação e de coordenação, gerando, assim, processos de autodesvalorização, apatia, insegurança, perda da motivação, isolamento social e a solidão. Alguns estudos revelam que cerca de 40% dos indivíduos com 65 anos ou mais de idade necessitam de algum tipo de ajuda para realizar, pelo menos, uma tarefa como: fazer com- pras, cuidar das finanças, preparar refeições e limpar a casa. Uma parcela menor (10%) requer auxílio para realizar tarefas básicas como tomar banho, vestir-se, ir ao banheiro, alimen- tar-se, sentar e levantar de cadeiras. Estes dados remetem à preocupação por mais de 6 milhões de idosos gravemente fragilizados no Brasil, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2001 [13]. O emprego da atividade física para indivíduos mais velhos, como forma de promoção do estilo de vida, proporciona me- lhora no desenvolvimento dos padrões de saúde e de qualidade de vida [14,15]. Um programa de treinamento de resistência (PTR) é de grande importância para estes indivíduos, pois ocorrem ganhos na força muscular, podendo melhorar as atividades aeróbicas e, ainda, evitar as quedas [14,16-18]. O objetivo do presente estudo foi analisar as diferenças nas capacidades físicas entre grupos de indivíduos, Treinados e Sedentários.
Métodos
Participaram do estudo 34 indivíduos, de ambos os sexos, com idades entre 45 e 75 anos, com peso de 68,8 ± 10,55 kg
e altura de 157,7 ± 5,89 cm. Os indivíduos foram divididos em dois grupos, sedentários (S) n = 14 e treinados (T) n =
Para calcular o IMC dos indivíduos foi utilizado o seguin- te cálculo: IMC = Peso/(altura)^2 , e adotados os critérios da Organização Mundial de Saúde para classificar os indivíduos [7,19,20]. Como forma de análise do risco de desenvolvimento de doença coronariana, foi utilizada a RCQ, considerando como pontos de referência para as medidas, a última costela (perímetro da cintura) e a protuberância glútea (perímetro do quadril)[19,21,22]. A pressão arterial foi aferida antes da realização dos testes de flexibilidade e de força muscular. O indivíduo foi posi- cionado sentado, e permaneceu em repouso por 5 minutos antes de ser aferida a pressão. A fl exibilidade foi mensurada no banco de Wells e Dillon [23,24]. Os indivíduos realizaram três repetições do movi- mento sem estímulo verbal e a maior marca foi considerada como resultado do teste. Para análise da força muscular, dos músculos extensores e flexores do joelho, foi utilizado o dinamômetro isocinético (Modelo- Biodex Multi-Joint System Inc). Os indivíduos foram orientados a executar o movimento de flexão e extensão de joelho [25]. Os indivíduos foram fixados com cinto na cadeira do Bio- dex, com o encosto a 85°^26. O eixo de rotação do dinamômetro foi alinhado com o epicôndilo femural e a carga de resistência colocada a 2 cm do maléolo interno [26,27]. Inicialmente, os indivíduos realizaram 3 repetições para se familiarizarem com o equipamento e, então, após um interva- lo de 5 minutos, o teste foi executado. Durante o teste, foram solicitadas cinco (5) repetições a uma velocidade angular de 60°/s, com 5 minutos de repouso entre a perna direita e es- querda. Os indivíduos foram encorajados a desenvolverem o máximo de força por meio de estímulos verbais e visuais [26]. O protocolo seria interrompido caso o voluntário apresentasse qualquer desconforto.
Tabela I - Classificação do teste de fl exibilidade. Classificação Grupo treinado Grupo sedentário Fraco 45% 79% Regular 10% 21% Médio 20% 0% Bom 0% 0% Excelente 25% 0%
Os resultados da Tabela II mostram que a PAS e a PAD em indivíduos treinados apresentou diferenças significati- vas em relação aos valores obtidos do grupo de indivíduos sedentários.
Tabela II - Parâmetros do P.A.S. e P.A.D. Parame- tros
Grupo (T) Grupo (S) p = DIF.
P.A.S 122,7±11,4 132,1±13,2 0,03436 DS P.A.D 79,2±7,1 86,4±8,1 0,01046 DS Tabela *Grupo (T) = Grupo treinado; *Grupo (S) = Grupo sedentário; *P.A.S. = Pressão Arterial Sistólica; * P.A.D. = Pressão Arterial Diastólica; *DIF. = Diferença; *DS = Diferença significante.
*PTPDE = Pico de torque da perna direita (extensão); *PTPEE = Pico de torque da perna esquerda (extensão); *PTPDF = Pico de torque da perna direita (flexão); *PTPEF = Pico de torque da perna esquerda (flexão) As figuras 06 e 07 mostram que o IMC e o RCQ não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre indivíduos sedentários e treinados.
Figura 06 - Índice de Massa Corpórea (IMC).
Discussão
O impacto do envelhecimento sobre as habilidades físicas é bastante discutido, uma vez que, são descritas 2 linhas de estudos. A primeira defende que não há redução da capacidade neuronal se não houver nenhum estado patológico associado, assim, seria importante manter as condições de saúde para manter as condições físicas. A segunda acredita que a redução da atividade neuronal é inevitável, entretanto, pode ser con- trolada e/ou minimizada através da atividade física [11]. Nossos resultados mostraram que o grupo de indivíduos treinados apresenta o torque de força muscular de exten- sores e flexores de joelho maior que o grupo de indivíduos sedentários. Este resultado está de acordo com os estudos de Matsudo et al. [5] que em seu trabalho de revisão comenta sobre os efeitos da diminuição natural do desempenho físico, que podem ser atenuados se forem desenvolvidos com os ido- sos programas de atividades físicas que visem a melhoria das capacidades motoras como: a força muscular, a flexibilidade, a mobilidade articular e a resistência. Assim, concluindo que a atividade Física apresenta efeitos benéficos nos aspectos psicológicos, sociais e cognitivos, sendo fundamental para promoção de um envelhecimento saudável. A literatura apresenta diversos trabalhos mostrando que programas de treinamento resistidos (PTR) aumentam o pico de torque de extensão e flexão do joelho, quando compara- dos o pré e o pós-teste em indivíduos que foram submetidos ao treinamento [20,28-31,33-37]. Resultados semelhantes foram encontrados no presente estudo considerando que, os indivíduos que não praticavam nenhuma atividade física (sedentários) apresentaram pico de troque inferior aos treina- dos. O aumento da força muscular após o PTR parece estar relacionado com a adaptação neuromuscular, com possíveis mudanças neurais [38]. Ide et al. [39] investigaram os efeitos de programas de treinamento aeróbico e os fatores que contribuem para a manutenção da atividade em população idosa saudável, concluindo que os diferentes programas melhoram o condi- cionamento aeróbico, entretanto, a freqüência das atividades é o fator responsável pelo sucesso ou não do treinamento. Desta mesma maneira, os resultados benéficos encontrados em nosso estudo podem ser atribuídos por se tratar de uma atividade prazerosa (vôlei adaptado) aos indivíduos, o que proporciona assiduidade e continuidade. Barbosa et al. [40] analisaram os efeitos de 10 semanas de treinamento resistido progressivo sobre a força de mulheres idosas, observando resultados significativos de 26% a 50% de aumento da força muscular. Em nosso estudo todos os indivíduos já praticavam atividade por um tempo mínimo de 24 meses, isto justifica a diferença encontrada entre os grupos, no que diz respeito à força e flexibilidade. Raso et al. [41] observaram em seus estudos que a inter- rupção de um programa de atividade física em uma população idosa provoca redução da força muscular, especialmente a partir
Figura 07- Relação Cintura e Quadril (RCQ).
da 8ª. semana de inatividade, mostrando que a atividade física deve ser contínua para que seus benefícios sejam mantidos. Province et al. [42] relatam que o exercício reduz o risco de queda em idosos após programa de flexibilidade com duração de 3 meses. Nossos resultados mostraram que os indivíduos treinados apresentaram maior flexibilidade, quando compa- rados aos sedentários, desta forma, podemos sugerir que o treinamento também contribui para o incremento da flexibi- lidade [5,40,43-46]. Assim, corroborando com os resultados de Raso et al. [47], que relatam que idosos envolvidos com prática regular de corridas ou outra atividade física aeróbica apresentam menores taxas de mortalidade e invalidez do que pessoas idosas com estilo de vida sedentário. Ainda, Ruskanen e Ruoppila [48] sugerem que o idoso envolvido em programa de condicionamento físico desenvolve uma percepção positi- va, ou seja, “sensação de bem estar”. Os resultados obtidos em relação à força de extensores e fl exores do joelho são bastante relevantes uma vez que, o au- mento na força muscular dos músculos do joelho pode reduzir a pressão arterial durante as atividades de vida diária, permi- tindo, então, ao indivíduo maior independência e menor risco de lesão (quedas) [49]. Devemos, também, considerar que a força muscular do membro inferior, no caso os extensores e flexores do joelho são representativos da capacidade funcional, incluindo atividades de andar, correr e levantar [25]. Em nosso estudo observamos que os indivíduos treinados apresentaram valores de pressão arterial (diastólica e sistólica) menores em comparação aos indivíduos sedentários, confir- mando os resultados apresentados na literatura, mostrando a diminuição da pressão arterial [20,50], do peso, do índice de massa corporal (IMC), maior de flexibilidade e menor relação quadril e cintura (RCQ). Entretanto, no presente estudo não obtivemos diferença significativa na RCQ e no IMC, resulta- dos correspondentes aos achados por Kelley [51].
Conclusão
Desta forma, podemos sugerir que a atividade física influencia de maneira positiva nas capacidades físicas, como a força, a flexi- bilidade e a pressão arterial que são de grande importância para a saúde, pois resultam em um envelhecimento com qualidade de vida. Entretanto, a literatura é escassa no que se refere a melhor forma de prescrever a atividade física e a forma de avaliar os be- nefícios de forma quantitativa correlacionado com a qualitativa e, ainda, a dificuldade de se estabelecer grupos de estudo homo- gêneos para então concluir os reais efeitos da atividade Física.
Referências