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Formação Pedagógica em Educação Profissional na Área de Saúde: Enfermagem, Notas de estudo de Enfermagem

O curso de formação pedagógica em educação profissional na área de saúde, com ênfase em enfermagem. O texto discute a importância da prática reflexiva-ação na formação de profissionais comprometidos com a transformação da saúde, enfatizando a importância da prática na construção da escola para a saúde. Além disso, o documento aborda a reorientação das práticas profissionais em saúde, especificamente na avaliação na formação profissional, e apresenta alguns 'sinalizadores' importantes para a construção de uma nova escola de saúde. O texto também discute a necessidade de superar interpretações tecnicistas clássicas e neotecnológicas na leitura das diretrizes e referenciais curriculares para a área da saúde.

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 27/07/2010

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allan-shielldonathotm-oliveira-9 🇧🇷

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Formação
Pedagógica
em Educação
Profissional na
Área de Saúde:
Enfermagem
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Pedagógica
em Educação
Profissional na
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Enfermagem
Vivenciando uma ação
docente autônoma e
significativa na educação
profissional em Enfermagem
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Baixe Formação Pedagógica em Educação Profissional na Área de Saúde: Enfermagem e outras Notas de estudo em PDF para Enfermagem, somente na Docsity!

F o r m a ç ã o

P e d a g ó g i c a

em Educação

Profissional na

Área de Saúde:

E n f e r m a g e m

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P e d a g ó g i c a

em Educação

Profissional na

Área de Saúde:

E n f e r m a g e m

Vivenciando uma ação

docente autônoma e

significativa na educação

profissional em Enfermagem

MINISTÉRIO DA SAÚDEMINISTÉRIO DA SAÚDEMINISTÉRIO DA SAÚDEMINISTÉRIO DA SAÚDEMINISTÉRIO DA SAÚDE

22222 aaaaa^ edição revista e ampliadaedição revista e ampliadaedição revista e ampliadaedição revista e ampliadaedição revista e ampliada

Brasília – DFBrasília – DFBrasília – DFBrasília – DFBrasília – DF

© 2001. Ministério da Saúde. Todos os direitos desta edição reservados à Fundação Oswaldo Cruz.

Série F. Comunicação e Educação em Saúde

Tiragem: 2.ª edição revista e ampliada – 2003 – 4.000 exemplares

Elaboração, distribuição e informações: MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde Departamento de Gestão da Educação na Saúde Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem Esplanada dos Ministérios, bloco G, edifício sede, 7º andar, sala 733 CEP: 70058-900, Brasília – DF Tel.: (61) 315 2993

Fundação Oswaldo Cruz Presidente: Paulo Marchiori Buss Diretor da Escola Nacional de Saúde Pública: Jorge Antonio Zepeda Bermudez

Curso de Formação Pedagógica em educação Profissional na Área da Saúde: Enfermagem Coordenação – PROFAE: Valéria Morgana Penzin Goulart Coordenação – FIOCRUZ: Antonio Ivo de Carvalho

Colaboradores: Milta Neide Freire Barron Torrez, Lilia Romero de Barros, Carmen Perrota, Maria Inês do Rego Monteiro Bomfim, Elaci Barreto, Helena David, Gisele Luisa Apolinário, Zenilda Folly

Capa e projeto gráfico: Carlota Rios e Letícia Magalhães Editoração eletrônica: Paulo Sérgio Carvalhal Santos Ilustrações: Flavio Almeida Revisores: Alda Lessa Bastos, Ângela Dias, Maria Leonor de Macedo Soares Leal, Mônica Caminiti Ron-Réin e Nina Ulup

Impresso no Brasil/ Printed in Brazil

Ficha Catalográfica

Catalogação na fonte – Editora MS

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. Fundação Oswaldo Cruz. Formação Pedagógica em Educação Profissional na Área de Saúde: enfermagem: núcleo integrador: vivenciando uma ação docente autônoma na educação profissional em enfermagem 11 / Ministério da Saúde, Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.Departamento de Gestão da Educação na Saúde, Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem, Fundação Oswaldo Cruz; Milta Neide Freire Barron Torrez (Coord.), Maria Regina Araújo Reicherte Pimentel, Regina Aurora Trino Romano, Valéria Morgana Penzin Goulart. – 2. ed. rev. e ampliada. – Brasília: Ministério da Saúde, 2003.

52 p.: il. – (Série F. Comunicação e Educação em Saúde) ISBN 85-334-0698-

  1. Educação Profissionalizante. 2. Auxiliares de Enfermagem. I. Brasil. Ministério da Saúde. II. Brasil. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. III. Fundação Oswaldo Cruz. IV. Torrez, Milta Neide Freire Barron. V. Pimentel, Maria Regina Araújo Reicherte. VI. Romano, Regina Aurora Trino. VII. Goulart, Valéria Morgana Penzin. VIII. Título. IX. Série.

NLM WY 18.

Autores

Núcleo Contextual Francisco José da Silveira Lobo Neto – Coordenador do Núcleo Módulos 1, 2, 3 e 4 Adonia Antunes Prado Módulos 1, 2, 3 e 4 Dalcy Angelo Fontanive Módulos 1, 2, 3 e 4 Percival Tavares da Silva Módulos 1, 2, 3 e 4

Núcleo Estrutural

Maria Esther Provenzano – Coordenadora do Núcleo Carlos Alberto Gouvêa Coelho Módulo 5 Maria Inês do Rego Monteiro Bomfim Módulo 6 Alice Ribeiro Casimiro Lopes Módulo 7 Maria Esther Provenzano Nelly de Mendonça Moulin Módulo 8

Núcleo Integrador Milta Neide Freire Barron Torrez – Coordenadora do Núcleo Módulos 9, 10 e 11 Maria Regina Araujo Reicherte Pimentel Módulos 9, 10 e 11 Regina Aurora Trino Romano Módulos 9, 10 e Valéria Morgana Penzin Goulart Módulos 9, 10 e 11

Colaboradores Cláudia Mara de Melo Tavares Elaci Barreto Helena Maria Scherlowski Leal David Izabel Cruz

Guia do Aluno Carmen Perrotta – Coordenadora Maria Inês do Rego Monteiro Bomfim Milta Neide Freire Barron Torrez

Livro do Tutor Maria Inês do Rego Monteiro Bomfim – Coordenadora Carmen Perrotta Milta Neide Freire Barron Torrez

Coordenação geral da 2 a^ edição Carmen Perrotta

Educação

Módulo Módulo Módulo Módulo Educação/ Sociedade/ Cultura

Educação/ Conhecimento/ Ação

Educação/ Trabalho/ Profissão

Módulo Módulo Módulo Módulo

Proposta pedagógica: o campo da ação

Proposta pedagógica: as bases da ação

Proposta pedagógica: o plano da ação

Proposta pedagógica: avaliando a ação

Módulo Módulo Módulo Planejando umaprática pedagógicasignificativa em Enfermagem

Imergindo naprática pedagógica emEnfermagem

Vivenciando umaação docente significativa naautônoma e profissionaleducação em Enfermagem

Sumário

Apresentação do Módulo 11 – Vivenciando uma ação docente autônoma e significativa na educação profissional em Enfermagem 9

Primeiro Movimento – Uma Escola para a Saúde: do velho caos ao novo cosmos 13

Segundo Movimento – Novas práticas no horizonte da Saúde 25

Terceiro Movimento – Planejando, vivenciando e avaliando a ação docente transformadora 33

Atividade de Avaliação do Módulo 44

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) 46

Bibliografia de referência 47

11 Vivenciando uma ação docente

A proposta de vivenciar a ação – seu desafio – não o torna o “módulo da prática”, como costuma acontecer nas formulações que dissociam ou relacionam a prática apenas à aplicação da teoria. Ele é o espaço reservado para confirmação do seu “nado próprio”, para explicitação da autonomia de pensamento - ação construída nesta trajetória. Nesse sentido, o objetivo deste módulo é favorecer a explicitação e a vivência de propostas pedagógicas alternativas às práticas tradicionais, coerentes com as mudanças que surgem no horizonte da Saúde. Com certeza, este é um dos momentos mais esperados por nós! Desejamos que você: ! articule a construção e participação ativa para exercitar sua autonomia; e ! apresente propostas alternativas de intervenção na realidade da educação profissional de nível técnico em Enfermagem. Queremos, por isso, criar possibilidades para que você amplie as seguintes competências : ! desenvolver autonomia frente à sua ação pedagógica; ! elaborar proposições emancipadoras coerentes com a Competência Humana para o cuidar em Saúde; ! vivenciar a ação docente planejada, expressando uma perspectiva crítica da relação pedagógica. Para apoiá-lo(la), desenvolvemos alguns movimentos que deverão ser ampliados pelas suas reflexões, frente à especificidade do seu contexto, aproveitando toda a bagagem acumulada. Vamos aos movimentos de emersão para respirar “um novo ar”?

Primeiro Movimento – Uma Escola para a Saúde: do velho caos ao novo cosmos

Partindo das discussões desenvolvidas no Curso, que demonstraram o “velho caos” da prática pedagógica na educação profissional em Enfermagem, buscamos apresentar, neste movimento, alguns “sinalizadores” indispensáveis à construção da Escola para a Saúde promotora da formação profissional necessária ao SUS que desejamos. Nossa bússola continua sendo o desejo de superar as dificuldades existentes e descobrir as possibilidades geradoras de um “novo cosmos”. Tais “sinalizadores” orientam para a superação da Escola como “agência de transmissão”, a incorporação da dimensão dialógica na linguagem da Escola e a contextualização do ensino em relação à especificidade em Enfermagem.

O educador-enfermeiro traçando os caminhos

Segundo Movimento – Novas práticas no horizonte da Saúde

Depois de apresentar expressões das tendências de reorientação da práticas profissionais em Saúde, aqui tratamos da especificidade do ato de avaliar na formação profissional nessa área, tomando como referência o critério de risco, que vem amparar a construção da competência humana para o cuidar e a opção por uma perspectiva de avaliação diagnóstico-formativa, solidária ao processo de formação, como amplamente discutido no Módulo 8.

Terceiro Movimento – Planejando, vivenciando e avaliando a ação docente transformadora

Neste momento, você viverá uma experiência pedagógica fundamental para o seu posicionamento como intelectual transformador. Prosseguindo na construção dos caminhos em direção à práxis autônoma, significativa e emancipadora, irá exercitar o planejamento do seu “nado próprio”, desde o Plano de Curso de Auxiliar de Enfermagem até o Plano de Aula. A partir deste nível, irá vivenciar a ação planejada, demonstrando o seu “novo estilo” nos “mares” da prática pedagógica.

Ao final dessa travessia, certamente você desejará compartilhar os momentos de imersão e emersão com aqueles que torceram por você. Use dessa possibilidade no Trabalho de Conclusão de Curso, selecionando/elegendo o seu formato entre os indicados nas últimas páginas do módulo.

PrimeiroPrimeiroPrimeiroPrimeiroPrimeiro

MovimentoMovimentoMovimentoMovimentoMovimento

Uma Escola para a Saúde: do velho caos ao novo cosmos

Tudo explode e se expande. A explosão significa a irrupção da desordem. A expansão, porém, significa a constituição da ordem. O Universo, cada ser, cada coisa, contêm dentro de si os dois movimentos, o caos (desordem) e o cosmos (ordem). O caos não é simplesmente “caótico”. Ele se mostra generativo e autocriativo. Abre espaço para a organização e para a constituição de ordens cada vez mais elegantes (cosméticas) e portadoras de sentido.

Leonardo Boff

N este processo de formação, você vem se preparando para atuar de

forma diferente e transformadora no seu trabalho em Saúde. No aperfeiçoamento do seu “nado próprio”, você já encontrou, entre outros temas fundamentais, as “águas turvas” da necessidade de ordenação dos recursos humanos em saúde, os “mares” dos paradigmas e das bases político-pedagógicas, conforme discutido nos Módulos 5 , 6 e 10.

Esses módulos enfatizaram necessidades e desafios para a formação dos trabalhadores de nível técnico, frente à construção da Saúde como qualidade de vida e direito de todos, mediatizada pelo SUS.

O “barco do ensino” Saúde/Enfermagem terá que atravessar essas “águas” com competência e criatividade, para cumprir a sua principal missão: contribuir para a ordenação dos recursos humanos que extrairão do velho caos os elementos para constituir novo cosmos, portador de cidadania e saúde.

Lei nº 8.080/90Lei nº 8.080/90Lei nº 8.080/90 Lei nº 8.080/90Lei nº 8.080/ Capítulo I Artigo 6º - Estão incluídas ainda no campo de atuação do Sistema Único de Saúde-SUS (...) III - a ordenação da formação de recursos humanos na área de saúde. Capítulo II Título IV - dos Recursos Humanos Artigo 27 - A política de recursos humanos na saúde será formalizada e executada, articuladamente, pelas diferentes esferas do governo em cumprimento dos seguintes objetivos: I - organização de um sistema de formação de recursos huma- nos em todos os níveis de ensino, inclusive de pós-graduação, além da elaboração de programas de permanente aperfeiçoamento de pessoal.

11 Vivenciando uma ação docente

Como enfermeiro-docente, você está convidado a participar da construção da Escola para a Saúde, promovendo a educação profissional necessária ao SUS que desejamos. Vamos lá? O texto a seguir não tem o objetivo de recolocar ou rediscutir as questões tratadas anteriormente em relação à formação dos recursos humanos para o SUS ou à elaboração do projeto político-pedagógico da Escola/do Curso. Ele pretende apenas “aglutiná-las” e apresentar alguns aspectos políticos, pedagógicos e organizacionais que consideramos indispensáveis na discussão do projeto de uma Escola para a Saúde. Esses aspectos dizem respeito a mudanças nos processos de formação de pessoal e à educação permanente, à regulação e gestão dos recursos humanos, à geração e circulação de informação/ conhecimento e ao estabelecimento de metodologias de avaliação. Desenvolver a competência docente necessária à participação na construção coletiva do projeto político-pedagógico de uma Escola para a Saúde sempre foi um dos nossos objetivos primordiais. E acreditamos que as mudanças na formação dos recursos humanos para o SUS deverão gerar/ enfatizar as responsabilidades institucionais e intersetoriais necessárias à condução estratégica da política de Saúde no País, papel primordial do Ministério da Saúde.

Escola para a Saúde: aspectos essenciais para discussão

1. O contexto atual da Saúde Ao pensar o projeto político-pedagógico, a Escola precisa discernir que estamos vivendo a transição do velho caos ao novo cosmos. Conseqüentemente, será necessário admitir a convivência do velho sistema com a construção do novo, cuja base política, jurídica, institucional e também técnico-assistencial está se constituindo, conforme você viu no Primeiro Movimento do Módulo 10. No cotidiano do velho caos, experimentamos os déficits qualitativos e quantitativos de atenção à saúde, convivemos com uma assistência centrada na dimensão biológica, que ignora(va) as dimensões sociais e psicológicas do processo saúde–doença vivenciado pelo indivíduo ou pelo coletivo. Do novo cosmos são perceptíveis os sinais da reorientação do modelo assistencial e organizacional, representados pelas experiências e estratégias de gerenciamento como estas, entre outras: os Programas da Saúde da Família (PSF) e de Agentes Comunitários de Saúde (PACS); o Programa de Combate às Carências Nutricionais e o Projeto de Municípios Saudáveis; o Projeto de Vigilância em Saúde (VIGISUS); o Projeto de Assistência Farmacêutica Básica; a criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária; o repasse de recursos financeiros fundo a fundo; o aprofundamento da descentralização e o processo de regionalização com o estabelecimento das Agendas de Saúde com definição de eixos prioritários, objetivos a alcançar e indicadores que permitam o seu acompanhamento (Buss, 2002, p.5-7).

11 Vivenciando uma ação docente

atividade-meio, que se desenvolve para o alcance de determinados fins. Daí ser inaceitável que o gestor de uma instituição educacional assuma a função de “síndico” da comunidade escolar ou da instituição de Saúde. Decorre desse pressuposto a importância da capacitação dos gestores da Escola para a Saúde, em termos político-gerenciais e pedagógicos.

4 – Uma nova relação entre as instituições de ensino e os espaços de saúde Ao considerar que o conceito de Saúde transcende os limites da assistência prestada pelos serviços do Sistema, fica evidente que a articulação teoria-prática, no processo de formação, deverá envolver os diversos espaços onde se concretiza a promoção da saúde, entendida como qualidade de vida. As estratégias pedagógicas viabilizadoras da educação profissional compatível com a saúde e com o modelo de SUS que desejamos não poderão prescindir do contato com creches, escolas, presídios, comunidades, ambientes de trabalho e de lazer, conselhos distritais/municipais de saúde, etc., buscando concretizar a formação das competências formais e políticas requeridas do cidadão-trabalhador em saúde contemporâneo. A nova relação com esses outros espaços certamente contribuirá de forma significativa para ampliar a visão do campo da Saúde, mediante a aproximação com atores de projetos de Educação e Saúde cuja experiência comunitária tem a contribuir nas formas de atendimento.

5 – As finalidades políticas da Escola À primeira vista, este pressuposto deveria estar abrindo nossa discussão. Porém, optamos por apresentá-lo neste momento, pela dependência que a reflexão sobre as finalidades de uma Escola para a Saúde tem em relação aos pressupostos abordados anteriormente. Contudo, queremos tratá-lo de forma a transcender a clássica dicotomia público x privado, pois o que importa efetivamente não é a natureza jurídica da instituição em que atuamos, mas, principalmente, a função social que ela exerce. Esse ponto de vista se sustenta, inicialmente, pelo fato de que a “perspectiva privativista” dos Sistemas Educacional e de Saúde existentes no país está expressa, tanto nas estruturas públicas estatais, quanto naquelas estritamente privadas. Sustenta-se, também, na responsabilidade que deve ter o ensino em Saúde de preparar pessoas que irão atuar no acautelamento de um dos direitos sociais mais relevantes – o direito à Saúde. Essa responsabilidade se potencializa em razão de o exercício profissional em Saúde tornar-se possível através da mediação de um outro direito social fundamental – o direito à Educação. Portanto, uma Escola cuja finalidade seja preparar cidadãos para exercer uma prática que tenha função social – independentemente da sua natureza jurídica – deve estar obrigatoriamente a serviço do povo, assumindo assim a função pública.

AcautelarAcautelarAcautelarAcautelarAcautelar capacidade de prevenir, remediar os riscos.

Uma Escola para a Saúde

Com essas reflexões, desejamos que você retire do arquivo do seu pensar e do seu sentir as bases da sua utopia , contribuindo para uma proposta superadora dos problemas atuais (Gandin, 1999, p.27).

Em relação às mudanças desejadas, que nos dizem os “sinalizadores” no percurso?

“Sinalizador” 1

Pela superação da Escola – Agência de transmissão

Na proposição de novos caminhos para um projeto político-pedagógico emancipador, a Escola para a Saúde precisa superar a concepção de Escola como “agência de transmissão”.

Mesmo que os limites impostos pela vontade política da comunidade escolar sejam fortes o suficiente para deixar “apenas” a sala de aula como espaço de realização da nova prática pedagógica desejada pelo professor, será aí mesmo que ele exercerá a sua autonomia e onde poderá praticar a educação profissional significativa a qual deseja dedicar-se.

Há uma escola no meio do caminho. No meio do caminho há uma escola...

A adaptação do poema de Carlos Drummond de Andrade foi a forma que encontramos para expressar a “nítida sensação” de que a escola, na maioria das vezes, não exerce a mediação que pretendemos.

Ao contrário, atua como “atravessadora” entre o sujeito e o objeto, principalmente quando pratica hegemonicamente a pedagogia tradicional da transmissão, expressão dos desafios que temos que enfrentar na busca de uma pedagogia transformadora.

Pérez Gómez esclarece as implicações dessa “agência de transmissão”, dizendo que o déficit educativo reside na formação do pensamento e desenvolvimento das atitudes, (...) na capacidade de pensar, de organizar racionalmente os fragmentos da informação, de buscar seu sentido (1998, p.63).

Em uma afirmação de Libâneo (1998) encontramos um “socorro” providencial que sinaliza “o horizonte” para o qual caminhar:

A escola precisa deixar de ser meramente uma agência transmissora de informação e transformar-se num lugar de análises críticas e produção da informação , onde o conhecimento possibilita a atribuição de significado à informação (grifo nosso).

Uma Escola para a Saúde

normas disciplinares. Todas as alternativas citadas são formas de expressar idéias, sentimentos e modelos de comportamento; tudo isso se constitui na linguagem da escola (1988, p.68).

Com base nessa reflexão, podemos depreender que a linguagem da Escola pode afirmar exclusões ou inclusões, respeitar, estimular, ou não, outras e diferentes formas de expressão do pensamento.

Atividade 2

A Escola que muda, também fala. Qual a linguagem da Escola?

Fique atento(a) e responda: As diretrizes políticas e pedagógicas do Projeto da Escola em que você está atuando apontam para “linguagens” que favorecem ou desfavorecem o diálogo? Incluem ou excluem as diferenças?

Se julgar necessário, faça sugestões que nelas incorporem a dimensão dialógica.

“Sinalizador” 3

Pela contextualização do ensino em relação à especificidade em Enfermagem

Você vem construindo-reconstruindo sua reflexão, bases teórico-metodológicas, estratégias, parcerias, buscando tornar sua prática pedagógica, no ensino de Enfermagem, autônoma e significativa.

Ao longo dos núcleos anteriores, a contextualização desse ensino foi se dando em relação às áreas da Saúde, da Educação e do Trabalho, às temáticas das Políticas Públicas, do “Paradigma” da Promoção da Saúde, do Cuidado como ato político, das Tendências Pedagógicas e em Avaliação, das Políticas de Currículo, da Lei do Exercício Profissional, entre tantas outras.

Você certamente lembra que todo projeto político-pedagógico de educação profissional requer sua recontextualização, com o propósito de levar em conta a especificidade na formação promovida.

11 Vivenciando uma ação docente

Com estas palavras de Pedro Demo chamamos sua atenção para o “descolamento” dos projetos/propostas, reiterando a necessidade de recontextualização, indispensável como ponto de partida e de chegada de nosso trabalho: ... tão longe da realidade, que muitas vezes sequer sabe onde fica. Estuda a realidade de tal modo, que não a pisa (1994).

Neste movimento cabe-nos subsidiar a recontextualização dessa formação, tendo como referência central as ações de Enfermagem – objeto que possibilita sua identidade como prática social.

Cabe-nos ficar atentos às articulações das ações em Enfermagem com os outros trabalhos em Saúde, de modo a entender essas atividades como um dos meios para a realização da atenção à saúde. Cumpre-nos ainda procurar entender as razões de realizar este ou aquele grupo de atividades (...); ou seja, definir com clareza a que finalidades do trabalho na saúde estão atendendo as atividades de Enfermagem (Almeida e Rocha, 1997, p.64-5). Temos que estar atentos para o fato de que a contextualização poderá ocorrer em relação aos mais diferentes níveis da totalidade da realidade social e sempre a partir de onde está situado o sujeito. Considerando as múltiplas possibilidades existentes e as distintas compreensões da sua especificidade, é oportuno explicitar de que ações de enfermagem estamos falando. Nessa linha de raciocínio, ressaltamos a necessidade de que o enfermeiro-docente tenha um posicionamento claro a esse respeito, para que possa orientar o processo de ensinar-aprender a trabalhar em Enfermagem segundo uma perspectiva consciente e crítica. E, por falar em especificidade... As enfermeiras-professoras Maria Cecília Puntel de Almeida e Semíramis Melani Rocha, ao considerarem a Enfermagem-Trabalho e não apenas a Enfermagem-Profissão, destacam em seu livro, O Trabalho de Enfermagem , que A função peculiar da Enfermagem é prestar assistência ao indivíduo sadio ou doente, família ou comunidade no desempenho de atividades para promover, manter e recuperar a saúde. Mas, até mesmo definir conceitualmente o que é a Enfermagem, não tendo por fundamentação teórica as práticas consideradas socialmente, é limitante, pois não traz a sua historicidade, perdendo-se a noção de movimento do real (1997, p.18). A partir desse pressuposto, as autoras definem Enfermagem como: uma ação, ou uma atividade realizada predominantemente por mulheres que precisam dela para reproduzir a sua própria existência e utilizam de um saber advindo de outras ciências e de uma síntese produzida por ela própria para apreender o objeto da saúde naquilo que lhe diz respeito no seu campo específico (cuidado de enfermagem?) visualizando o produto final, atender às necessidades sociais (...) , ou o controle da saúde da população. ( ibidem , grifo nosso).

Entendemos por contextualizar as ações de Enfermagem considerar onde, como, quando, por que, por quem e com quem essas são realizadas, no cotidiano dos espaços em que acontecem.