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Um núcleo que se dedica aos problemas concretos vivenciados na prática da educação profissional em enfermagem pelos docentes-enfermeiros. O objetivo é permitir a imersão na prática pedagógica, planejada em novas bases e vivenciada em propostas emancipadoras. O documento aborda a importância de compreender a essência da prática pedagógica em enfermagem, a relação entre sujeitos da prática social em saúde/enfermagem e o objeto-saúde/enfermagem, e a importância de superar a fragmentação do trabalho educativo.
Tipologia: Notas de estudo
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Imergindo na prática
pedagógica em
Enfermagem
MINISTÉRIO DA SAÚDEMINISTÉRIO DA SAÚDEMINISTÉRIO DA SAÚDEMINISTÉRIO DA SAÚDEMINISTÉRIO DA SAÚDE
22222 aaaaa^ edição revista e ampliadaedição revista e ampliadaedição revista e ampliadaedição revista e ampliadaedição revista e ampliada
Brasília – DFBrasília – DFBrasília – DFBrasília – DFBrasília – DF
© 2001. Ministério da Saúde. Todos os direitos desta edição reservados à Fundação Oswaldo Cruz.
Série F. Comunicação e Educação em Saúde
Tiragem: 2.ª edição revista e ampliada – 2003 – 4.000 exemplares
Elaboração, distribuição e informações: MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde Departamento de Gestão da Educação na Saúde Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem Esplanada dos Ministérios, bloco G, edifício sede, 7º andar, sala 733 CEP: 70058-900, Brasília – DF Tel.: (61) 315 2993
Fundação Oswaldo Cruz Presidente: Paulo Marchiori Buss Diretor da Escola Nacional de Saúde Pública: Jorge Antonio Zepeda Bermudez
Curso de Formação Pedagógica em educação Profissional na Área da Saúde: Enfermagem Coordenação – PROFAE: Valéria Morgana Penzin Goulart Coordenação – FIOCRUZ: Antonio Ivo de Carvalho
Colaboradores: Milta Neide Freire Barron Torrez, Lilia Romero de Barros, Carmen Perrota, Maria Inês do Rego Monteiro Bomfim, Elaci Barreto, Helena David, Gisele Luisa Apolinário, Zenilda Folly
Capa e projeto gráfico: Carlota Rios e Letícia Magalhães Editoração eletrônica: Paulo Sérgio Carvalhal Santos Ilustrações: Flavio Almeida Revisores: Alda Lessa Bastos, Ângela Dias, Maria Leonor de Macedo Soares Leal, Mônica Caminiti Ron-Réin e Nina Ulup
Impresso no Brasil/ Printed in Brazil
Ficha Catalográfica
Catalogação na fonte – Editora MS
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. Fundação Oswaldo Cruz. Formação Pedagógica em Educação Profissional na Área de Saúde: enfermagem: núcleo integrador: imergindo na ação pedagógica em saúde, enfermagem 9 / Ministério da Saúde, Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.Departamento de Gestão da Educação na Saúde, Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem, Fundação Oswaldo Cruz; Milta Neide Freire Barron Torrez (Coord.), Maria Regina Araújo Reicherte Pimentel, Regina Aurora Trino Romano, Valéria Morgana Penzin Goulart. – 2. ed. rev. e ampliada. – Brasília: Ministério da Saúde, 2003.
60 p.: il. – (Série F. Comunicação e Educação em Saúde) ISBN 85-334-0699-
NLM WY 18.
Autores
Núcleo Contextual Francisco José da Silveira Lobo Neto – Coordenador do Núcleo Módulos 1, 2, 3 e 4 Adonia Antunes Prado Módulos 1, 2, 3 e 4 Dalcy Angelo Fontanive Módulos 1, 2, 3 e 4 Percival Tavares da Silva Módulos 1, 2, 3 e 4
Núcleo Estrutural Maria Esther Provenzano – Coordenadora do Núcleo Carlos Alberto Gouvêa Coelho Módulo 5 Maria Inês do Rego Monteiro Bomfim Módulo 6 Alice Ribeiro Casimiro Lopes Módulo 7 Maria Esther Provenzano Nelly de Mendonça Moulin Módulo 8
Núcleo Integrador Milta Neide Freire Barron Torrez – Coordenadora do Núcleo Módulos 9, 10 e 11 Maria Regina Araujo Reicherte Pimentel Módulos 9, 10 e 11 Regina Aurora Trino Romano Módulos 9, 10 e Valéria Morgana Penzin Goulart Módulos 9, 10 e 11
Colaboradores Cláudia Mara de Melo Tavares Elaci Barreto Helena Maria Scherlowski Leal David Izabel Cruz
Guia do Aluno Carmen Perrotta – Coordenadora Maria Inês do Rego Monteiro Bomfim Milta Neide Freire Barron Torrez
Livro do Tutor Maria Inês do Rego Monteiro Bomfim – Coordenadora Carmen Perrotta Milta Neide Freire Barron Torrez
Coordenação geral da 2 a^ edição Carmen Perrotta
Educação
Módulo Módulo Módulo Módulo Educação/ Sociedade/ Cultura
Educação/ Conhecimento/ Ação
Educação/ Trabalho/ Profissão
Módulo Módulo Módulo Módulo
Proposta pedagógica: o campo da ação
Proposta pedagógica: as bases da ação
Proposta pedagógica: o plano da ação
Proposta pedagógica: avaliando a ação
Módulo Módulo Módulo Planejando umaprática pedagógicasignificativa em Enfermagem
Imergindo naprática pedagógica emEnfermagem
Vivenciando umaação docente significativa naautônoma e profissionaleducação em Enfermagem
Sumário
Apresentação do Núcleo Integrador 9
Apresentação do Módulo 9 – Imergindo na prática pedagógica em Enfermagem 13
Primeiro Movimento – A sala de aula: espaço de dificuldades e possibilidades para uma relação dialógica no ensino em Enfermagem 15
Segundo Movimento – Identificando dificuldades e possibilidades para um projeto pedagógico emancipador no ensino em Enfermagem 47
Atividade de Avaliação do Módulo 53
Bibliografia de referência 54
! Módulo 9 – Imergindo na prática pedagógica em Enfermagem Neste “mergulho”, você terá a oportunidade de refletir sobre os elementos da prática pedagógica em Enfermagem no contexto da divisão social e técnica do trabalho, buscando desvelar a sua essência por meio da observação/investigação da realidade na formação profissional de nível técnico, identificando dificuldades e possibilidades para uma ação educativa emancipadora.
! Módulo 10 – Planejando uma prática pedagógica significativa em Enfermagem Com os movimentos desse módulo, pretende-se contribuir com a sugestão de novas bases para o planejamento de uma prática autônoma e significativa, porque estabelecida em novas relações político-pedagógicas.
! Módulo 11 – Vivenciando uma ação docente autônoma e significativa na educação profissional em Enfermagem Esse módulo busca estimulá-lo(la) a construir/reconstruir uma ação docente refletida e planejada no campo da educação profissional de nível técnico em Enfermagem, em especial, desenvolvendo o seu papel de intelectual transformador.
Se a competência, tal como a entendemos, é um assumir de responsabilidade, uma atitude social antes de ser um conjunto de conhecimentos profissionais , podemos reconhecer que a formulação de competências para a docência e o trabalho nessa área são sempre um desafio (Zarifian, 1998, p.19). Vimos no Tema 6 do Módulo 6 competências de diferentes naturezas
A prática pedagógica em Enfermagem
Os Núcleos Contextual e Estrutural trabalharam os conteúdos através de temas, com o intuito de favorecer a progressiva sistematização de sua aprendizagem. Neste núcleo, optamos por desenvolver as temáticas internas aos módulos sob a forma de movimentos , para facilitar os seus “deslocamentos” entre a reflexão e a ação, recontextualizadoras da nova prática pedagógica.
A esta altura, você já deve estar curioso(a) para saber quais serão as atividades propostas neste núcleo. Essas atividades procurarão ajudá-lo(la) na:
!! !!! identificação e caracterização da “realidade educativa” na qual está imerso(a); !! !!! análise e compreensão das relações entre os fenômenos estudados; !! !!! articulação entre os novos conhecimentos e os aspectos da realidade que precisam ser transformados. Propusemos atividades diversificadas para ajudá-lo(la) a realizar aproximações gradativas às temáticas desenvolvidas e às competências específicas.
Alguns destaques laterais foram elaborados com a intenção de estimulá-lo(la) a “parar para pensar” no assunto e auxiliá-lo(la) a ir construindo a Atividade de Avaliação do Módulo.
Em alguns movimentos , será proposta uma atividade de avaliação que você remeterá a seu(sua) tutor(a), para que ele(a) possa orientá-lo(la) no que for necessário. Essas atividades parciais também poderão ser agregadas à Atividade de Avaliação do Módulo, compondo a nota e o conceito final referentes a cada um deles, conforme preconiza o sistema de avaliação descrito no Guia do Aluno.
Ao final deste núcleo, você encontrará as orientações metodológicas para a realização do Trabalho de Conclusão de Curso , que será parte integrante do processo vivido até então, representando a sua capacidade (re)criativa de atuar como educador e “eterno aprendiz”.
A sala de aula: espaço de dificuldades e possibilidades
Apresentação do Módulo 9 – Imergindo na prática pedagógica em Enfermagem
relação às experiências de aprendizagem que lhe serão proporcionadas.
Recorremos às palavras mergulhar e imergir para caracterizar os níveis de interação com uma prática pedagógica real e ajudá-lo(la) a analisar o seu “estilo” para aperfeiçoar o “nado” próprio.
Os atores e os processos que se apresentam nesse espaço mostram-se, geralmente, no plano da aparência. Para compreender verdadeiramente o fenômeno educativo, é preciso atingir a sua essência. Por isso, vamos propor algumas leituras de textos com os quais você vai discutir e uma investigação que tem a intencionalidade educativa muito clara de ampliar o conhecimento sobre sua “praia”.
Mais que uma investigação a respeito da educação ou das práticas pedagógicas, desejamos que seja uma investigação da e na prática educativa em que você está imerso(a), ajudando-o(a) na transformação ou aperfeiçoamento da educação profissional de nível técnico em Enfermagem.
A prática a que nos referimos é aquela desenvolvida, prioritariamente, nas instituições/situações em que ocorre esse tipo de educação profissional.
Certamente tais momentos vão incrementar o corpo teórico do seu saber pedagógico. E, reiterando o que você estudou nos módulos anteriores, esse saber só é útil e relevante se incorporado ao pensamento e à ação dos que participam concretamente da relação educativa, como nos relembra Pérez Gomez (1998, p.101).
Por essa razão, o objetivo deste módulo é incentivá-lo(la) a “ir fundo” no desvelamento da essência da prática educativa, para compreender criticamente as aparências e vir a atuar de modo a transformar a própria prática.
Esperamos que você possa renovar as competências que traz na sua bagagem pedagógica, reconstruindo-as, como sugere Pedro Demo (1997): o centro de uma profissão não é fazer, mas saber fazer; o centro do saber fazer é o refazer, ou seja, a competência inovadora permanente. Portanto, os seus saberes prévios não deverão ser ignorados ou menosprezados, pois são, no mínimo, o seu ponto de partida.
Neste módulo, vamos “provocá-lo(la)” a (re)construir as seguintes competências , com repercussão em sua prática cotidiana:
!!! !! compreender que o sujeito/atendente aprende a partir de formas de pensar próprias e referenciais culturais e ideológicos originados na sociedade;
!!!!! reconhecer que as relações sociais entre os sujeitos do ato educativo em Enfermagem são influenciadas pela opção pedagógica e concepção de saúde que norteiam o processo ensino-aprendizagem; !!!!!^ refletir criticamente sobre os determinantes políticos, sociais, culturais, técnicos e éticos que envolvem a seleção e organização dos conteúdos no ensino de nível técnico em Enfermagem; !!!!! identificar no projeto pedagógico de uma escola/um curso o reflexo das perspectivas político-ideológica, pedagógica e técnico-científica assumidas e se ele tem sido um instrumento norteador de uma ação educativa emancipadora.
Para (re)construí-las, procure apropriar-se, de forma ativa, dos seguintes movimentos:
Primeiro Movimento – A sala de aula: espaço de dificuldades e possibilidades para uma relação dialógica no ensino em Enfermagem
Aqui você terá oportunidade de ler, discutir e investigar sobre os sujeitos do ensino em Enfermagem – enfermeiro-docente e atendente-aluno –, as mediações entre eles e o objeto-saúde e, ainda, a seleção e organização dos conteúdos de ensino, entendendo-os no âmbito de relações sociais e de concepções de saúde marcadas pelo contexto da divisão social e técnica do trabalho em Enfermagem.
Segundo Movimento – Identificando dificuldades e possibilidades para um projeto pedagógico emancipador no ensino em Enfermagem
Neste movimento, você investigará/analisará criticamente o projeto pedagógico da escola/do curso em que está atuando, desvelando sua contextualização e as dificuldades e possibilidades frente a uma ação emancipadora. Sua postura investigativa o(a) ajudará a assumir e embasar uma atuação propositiva e solidária.
Vamos dar início ao primeiro movimento. Respire fundo... Relaxe... Pronto(a) para mergulhar?
!!! !! o que faz a mediação no processo de ensino-aprendizagem – o enfermeiro-docente, que, muitas vezes, desenvolve ações relacionadas diretamente com o cuidado à saúde e à vida humana, sendo responsável técnico e hierárquico da equipe de nível técnico. Vamos começar esse desvelamento pela leitura de algumas “ marcas ” que a divisão social e técnica do trabalho imprimem na Enfermagem e nos elementos que constituem suas ações pedagógicas: sujeitos, mediações, seleção e organização de conteúdos. Longe de abandonarmos a percepção do todo, o que pretendemos é isolar alguns aspectos dessa realidade complexa para conhecermos suas peculiaridades com maior profundidade e segurança.
Continuando a leitura, utilize os destaques laterais e as perguntas que fizemos para “discutir com os textos” apresentados a seguir.
Expressões da divisão social e técnica do trabalho em Enfermagem
Como já abordado anteriormente, principalmente nos Módulos 4 e 5 , na sociedade capitalista, a organização do trabalho sofre uma profunda divisão social e técnica. Essa divisão do trabalho torna mais nítidos os contornos da separação social entre as classes. Pensar e fazer, dentro dessa forma de organização social, apresentam-se como atividades distintas e separadas. Tal como em outros setores, elas também ocorrem no interior do processo produtivo em saúde. Na área da Enfermagem, essa divisão preserva os mesmos contornos desde o seu surgimento, conforme visto no Módulo 5 , marcado pela diferença de classe e pela criação de duas categorias, exemplificadas na origem social das alunas e nas tarefas que lhes eram atribuídas. As ladies nurses eram oriundas de famílias ricas e ocupavam funções de chefia, ensino, supervisão de pessoal da enfermagem, cabendo-lhes o planejamento e demais atividades intelectuais, para que tudo funcionasse a contento; as nurses eram de famílias pobres e, por isso, recebiam moradia e ensino gratuito para, após o curso, realizarem tarefas manuais e o cuidado direto ao paciente, sob a supervisão da lady nurse (Melo,1986, p.48-49). Resgatando um pouco dessa história, olhando especialmente para o grau de escolaridade dos atores, encontramos que, em 1926, para ingressar na Escola de Enfermeiras D. Anna Nery, o candidato tinha que atender, entre outros critérios, à exigência de conclusão do curso normal (formação de professores) ou equivalente. Nesse sentido, distinguia-se da Escola Alfredo Pinto e também da escola mantida pela Cruz Vermelha (criada em 1916), que exigiam do candidato somente saber ler e escrever. Nestes termos, até 1961, a formação de enfermeiros no país era de nível médio (antigo 2ºgrau) e tinha por objetivo a formação de líderes para ocupar cargos de chefia nos serviços de saúde e promover a supervisão e o
A divisão socialdivisão socialdivisão socialdivisão socialdivisão social do trabalho no modo de produção capitalista, impulsionada pela revolução industrial do século XVIII, acontece primariamente ao separar-se o trabalho manual do trabalho intelectual e, conseqüentemente, ao definir quem, de que classe social, fica com qual parte. Já a divisãodivisãodivisãodivisãodivisão técnicatécnicatécnicatécnicatécnica do trabalho compreende o parcelamento dos aspectos técnicos de um processo produtivo específico, que são partilhados entre determinados grupos de trabalhadores, excluindo outros.
A sala de aula: espaço de dificuldades e possibilidades
treinamento do grande contingente de pessoal auxiliar, que prestava cuidado direto aos enfermos. À época, esses auxiliares, oriundos das famílias mais pobres, não possuíam escolaridade e muito menos formação profissional.
Como vimos, a dicotomia entre a concepção do trabalho (intelectual) e a sua execução (manual) é uma característica da divisão social do trabalho que marcou a forma de estruturação da equipe de enfermagem. Esse modelo está reproduzido e explicitado na Lei do Exercício Profissional da Enfermagem (LEP) n o^ 7.498/86, a qual mantém as características básicas de cisão entre o saber e o fazer, que surgem com a organização da Enfermagem, como profissão, no final do século passado (Pires, 1999, p. 40).
A bipolaridade na preparação do pessoal de Enfermagem fortaleceu um tipo de organização da equipe em que poucos profissionais eram detentores do saber necessário à compreensão e gerência do processo de trabalho, enquanto a maioria (destituída dos conhecimentos básicos da profissão) deveria executar as tarefas prescritas pelos chefes, demonstrando que todo saber implica a constituição de relações de poder. Dessa forma fica mais compreensível a hierarquia existente no processo de trabalho em enfermagem até hoje, não é?
É importante destacar que as ações de enfermagem fazem parte do processo de trabalho em saúde, que, por sua vez, sofre influência de determinações econômicas, sociais, políticas, científico-culturais e ideológicas, resultando na divisão técnica, de forte influência taylorista, que ainda a caracteriza (vide Módulo 5 ).
Como essa influência pode ser percebida na organização da prestação do cuidado em Saúde/Enfermagem?
No cotidiano dos serviços encontramos: !!!!! marcante rigidez no estabelecimento de tarefas e rotinas; !!!!! separação das atividades de planejamento, execução, avaliação do trabalho; !!!!! separação entre prescrição e administração dos procedimentos; !!!!! distribuição de “fragmentos do fazer” por vários trabalhadores. Podemos encontrar também um trabalhador fazendo sempre as mesmas coisas, tais como a aferição de sinais vitais, o banho, a administração de medicamentos, na rotina do atendimento a inúmeros pacientes, diariamente, anos após anos.
As atividades são estabelecidas de tal forma que a pessoa do cliente, o cuidado a ser prestado, as condições existentes no ambiente de trabalho não são vistos por inteiro ou como parte de uma totalidade assistencial, institucional e social.
Os princípios da administração científica de Taylor, do início do século XX, indicavam: 1º) a divisão do trabalho em partes “especializadas”, de modo que o trabalhador saberia cada vez mais da parte que lhe coubesse e menos do todo; 2º) a separação entre concepção e execução, mediante a qual toda atividade cerebral deveria sair das oficinas e localizar-se nos departamentos de planejamento; 3º) a utilização do monopólio do conhecimento pelo gerente para controlar cada fase do processo de trabalho e seu modo de execução, gerando a padronização e o controle de tempo-movimento de cada tarefa, para aumentar a produção industrial.
Em 1986, Melo, analisando a divisão social do trabalho em enfermagem, destacava que as enfermeiras tentavam se relacionar cada vez mais com a classe dominante (médicos), impelidas pela hierarquia hospitalar e por razões mais políticas e ideológicas do que técnicas, enquanto os auxiliares se articulavam principalmente com a classe dominada. Isso acontece ainda hoje? De que modo?
A sala de aula: espaço de dificuldades e possibilidades
é citada como a fundadora da enfermagem moderna, não havendo referência à negra jamaicana Mary Grant Seacole, que a acompanhou, como enfermeira, durante a guerra da Criméia (Cruz e Sobral, 2002).
Cabe lembrar, ou melhor, não esquecer que o Brasil foi o maior país economicamente dependente do trabalho escravo durante mais de três séculos. Conseqüentemente, todo trabalho no período colonial foi fundamentalmente realizado por pessoas negras escravizadas, inclusive o cuidado das pessoas doentes, das mulheres no período perinatal, entre outros. Mesmo que as pessoas negras escravizadas, treinadas para cuidar dos doentes, não recebessem a denominação de enfermeira(o), suas atividades nitidamente tinham relação com o que se convenciona ser enfermagem, a saber: a prestação de cuidados terapêuticos para a pessoa doente, a implementação de prescrições médicas e
Porém, depois da abolição, essas pessoas não conquistaram a cidadania. Por serem as(os) ex-escravas(os), analfabetas(os), não puderam ser consideradas(os) sequer enfermeiras(os) práticas(os), porque as escolas de Enfermagem que surgiam exigiam alunas(os) alfabetizadas(os).
Mas para onde foram essas pessoas ex-escravas especializadas no cuidado dos doentes? Que influência tiveram no desenvolvimento da profissão e que modelos representaram para os seus descendentes?
Um rápido olhar voltado para a profissão nos mostra que há um contingente significativo de pessoas negras atuando como auxiliares, técnicos e enfermeiros, assim como relacionamentos tensos devido a uma estrutura de poder calcada em ideologias discriminatórias. O olhar sensível sobre as representações sociais referentes aos afro-brasileiros e sobre como estas interferem no exercício das profissões na área de Enfermagem é muito importante. A explicitação das ideologias discriminatórias que permeiam as relações de trabalho em enfermagem nos ajudará a transformar as representações sociais negativas sobre profissionais e clientes afro-brasileiros no Sistema Único de Saúde.
A sala de aula é um espaço valioso para discutir relações de trabalho e racismo, discriminação ou preconceito. É necessário quebrar o silêncio e a cegueira sobre quase tudo que se refere à etnia negra no Brasil. A relação dialógica entre professora-enfermeira e aluna-atendente/auxiliar/técnica pode propiciar a reconstrução da história da enfermagem brasileira (relações entre sinhazinhas e mucamas ) que se quer diferente da história oficial, tradicional e linear (relações entre ladies e nurses ).
A história oficial, escrita na perspectiva colonialista, branca, eurocêntrica, higiênica e de exclusão, impõe às pessoas afro-brasileiras, em especial, e à sociedade, em geral, a falsa impressão de sermos um povo sem história e, conseqüentemente, sem autodeterminação.
No Módulo 2Módulo 2Módulo 2Módulo 2Módulo 2, especialmente no TTTTTema 2ema 2ema 2ema 2ema 2 e em suas leituras complementares, você teve ocasião de refletir sobre o significado de cidadania e sua relação com a educação. Estabeleça os nexos com o que se discute aqui.
Florence Nightingale conseguiu selecionar 38 enfermeiras, a maioria religiosas, para acompa- nhá-la à Criméia (Melo,1986). Você já ouviu falar de alguma delas ou leu algo a respeito? Que papel você imagina que elas desempenharam?
Considerando o que foi apresentado nos textos e destaques laterais, você identi- ficaria alguma “diferença” na postura política, profissional, técnica, ética, das(os) trabalha- doras(es) de enfermagem afro- brasileiras(os)?
As mediações que relacionam os sujeitos ao objeto - saúde/enfermagem
Dando continuidade à nossa análise, destacamos um outro elemento da ação pedagógica – a mediação sujeito-objeto – que também possui “marcas” muito específicas no ensino da Enfermagem. No ensino de nível técnico em Enfermagem, desenvolvido nos processos formais e escolares de profissionalização, a ação pedagógica é desenvolvida pelos sujeitos dessa prática (enfermeiro e atendente), em sua relação com o conhecimento do objeto-saúde/enfermagem. No início do curso, embora os alunos não dominem todos os conteúdos necessários à profissão, não podemos afirmar que esse objeto seja de todo estranho a eles. Note-se que os atendentes já tiveram oportunidade de adquiri-los, embora de forma empírica e fragmentada, pelo fato de estarem trabalhando em serviços de saúde. À medida que, na escola, no processo ensino-aprendizagem, o objeto-saúde lhes é (re)apresentado, agora sob a forma de conhecimento técnico-científico, com o seu “jargão” próprio, desenvolve-se uma (re)aproximação. Ele vivencia uma (re)admiração desse objeto, passando, provavelmente, a “vê-lo com outros olhos”. Por ganhar um novo significado, o objeto passa a ter para ele outro sentido. Por exemplo: o sujeito-atendente, após compreender, de forma consistente e consciente, as conseqüências da presença de microorganismos para a saúde das pessoas que estão no ambiente hospitalar, sejam elas pacientes ou profissionais, poderá relacionar tal conhecimento com a prática da lavagem das mãos, assumindo atitudes e valores mais adequados ao controle da infecção hospitalar e aos direitos dos pacientes e trabalhadores, mesmo sem a presença fiscalizadora de alguém. É importante lembrar que o processo ensino-aprendizagem, ao ser realizado com alunos que estão se profissionalizando sem terem vivenciado a enfermagem, exige a adequação das mediações a essa característica de sujeito-aluno não atendente. No entanto, se ele é um adulto trabalhador e tem uma experiência de vida na qual a doença, a saúde e a assistência de Enfermagem estiveram presentes em algum momento, não precisa ser considerado “tábula rasa”. Um grande desafio na relação pedagógica é encontrar a mediação sujeito-objeto capaz de estabelecer “um ponto de conexão” entre os significados presentes na experiência pessoal dos alunos e aqueles que o conhecimento sistematizado e em bases científicas define como necessários para a sua profissionalização. Tarefa para um educador e tanto, não é? Se atentarmos para o processo de formação institucionalizado, veremos que a relação sujeito-aluno com o objeto-saúde/enfermagem não é espontânea e solitária; ao contrário, ela é mediada pelo sujeito-professor, que, movido por sua intencionalidade pedagógica, propõe objetivos, seleciona conteúdos, métodos e procedimentos com o propósito de facilitar a apropriação ativa dos conhecimentos pelo sujeito-aluno.
MediaçMediaçMediaçMediaçMediaçãããããooooo – intermediação entre termos ou seres. Representa especificamente as relações concretas – e não meramente formais – que se estabelecem entre os fenômenos e suas articulações. No caso da educação, essa categoria torna-se básica porque a educação, como organizadora e transmissora de idéias, medeia as ações executadas na prática social. Assim, a educação possui, antes de tudo, um caráter mediador. SujeitoSujeitoSujeitoSujeitoSujeito – na relação de conheci- mento, o correlato a objeto, isto é, o que conhece, em oposição ao que é conhecido: o pensa- mento, a percepção, a intuição etc. O indivíduo real, que é portador de determinações e que é capaz de propor objetivos e praticar ações. ObjetoObjetoObjetoObjetoObjeto – caracteriza-se por ser distinto do sujeito, pois designa tudo aquilo que constitui a base de uma experiência efetiva ou possível, tudo aquilo que pode ser pensado ou representado, distintamentedistintamentedistintamentedistintamentedistintamente do próprio ato de pensar. Nesse sentido, o objetoo objetoo objetoo objetoo objeto se constitui sempre em umase constitui sempre em umase constitui sempre em umase constitui sempre em umase constitui sempre em uma relação com o sujeitorelação com o sujeitorelação com o sujeitorelação com o sujeitorelação com o sujeito, sendo um conceito tipicamente epistemológico (Japiassu e Marcondes,1990, p.183, grifo nosso). SignificadoSignificadoSignificadoSignificadoSignificado – é a significação, a representação mental que uma forma lingüística evoca. A significação lingüística é em princípio fluida e pressupõe a polissemia; ela só se precisa a rigor dentro de um contexto lingüístico. SentidoSentidoSentidoSentidoSentido – é a significação/o significado dentro de um contexto, ou seja, aquilo que algo significa, expressa, em um determinado contexto.